quinta-feira, 11 de agosto de 2022

Lutando contra tubarões

 


Conta uma folha chilena o seguinte extranho caso occorrido no mar:

"Navegava o vapor Coquinho, que acaba de entrar em Valparaiso, proximo á costa entre Mellendo e Arica, quando um homem de bordo julgou vêr ao longe um vulto, que lhe pareceu monstro marinho ou embarcação pequena, e avisou do que via ao capitão do porto:

A noticia espalhou-se logo a bordo e todos trataram de armar-se de occulos de alcance, procurando cada qual ser dos primeiros a descobrir o que era. O navio manobrou de modo a approximar-se do vulto.

Em dez minutos estava á distancia bastante para distinguir-se um bote submergido até o meio, tendo dentro um homem armado com um pedaço de remo a defender-se contra quatro tubarões, que investiam contra elle.

O homem n'aquelles angustioso momentos defendia-se valentemente, enxotando a pauladas os tubarões que se chegavam cada vez mais com as fauces hiantes.

Do Coquinho acudiu-se logo em soccorro do naufrago, que foi içado para bordo por uma corda, Os tubarões ainda assim o perseguiram, indo um d'elles arrancar-lhe um pedaço de calça na occasião em que o homem subia pelo costado do vapor.

A bordo viu-se que o heróe de tão tragica aventura estava esvahido em sangue e com o corpo todo ferido.

Declarou em inglez e italiano que era grego, que adormecera em um bote proximo á costa de Molendo e que, quando accordou, viu se no alto mar e cercado de tubarões.

O mais mysterioso do caso é que, chegando o Coquinho a Arica, o grego desappareceu sem que ninguem soubesse para onde tinha ido.

Do inquerito a que procedeu a policia, resultaram fortes presumpções que o tal naufrago devia pertencer á tripolação de algum barco de piratas da costa, que talvez houvesse assassinado a algum companheiro e fugido para o mar."

Fonte: A FEDERAÇÃO (Porto Alegre/RS),  11 de Julho de 1889, pág. 02, col. 01

terça-feira, 9 de agosto de 2022

Origem da palavra gaúcho

 



Por Suzete Dallegrave

(...)

Vamos citar algumas hipóteses do termo "GAÚCHO", mas já podemos adiantar aos nossos leitores que ainda hoje nenhuma palavra foi aceita oficialmente como tenha sido realmente a de origem.

GAUCHE: termo francês que significa torpe, inábil, esquerdo, derivado de gauchir - que quer dizer desviar-se. Mas a difusão deste vocábulo em espanhol foi demasiado escassa, e assim tal derivação é inverossímil. Verifica-se que foi a analogia morfológica que motivou tal hipótese, isto é, derivar "gaúcho" do francês "gauche", embora de pronúncia tão diferente: ghô-che ou gôch.

GAUCH: palavra germânica apresentada também como étimo do "gaúcho"; o que fonética e morfologicamente estaria explicado: bastaria acrescentar a vogal de encosto ou terminação "o".

GUACHO: foi indicado como provável étimo da palavra em estudo, e que por uma metátese da sílaba inicial a transformou em gaúcho.

GUAXO: em português aparece grifado também com X medial, conforme a ortografia oficial. Guaxo, entre vários significados quer dizer animal amamentado com outro leite que não é o materno.

CACHU ou CAUCHU: é de origem araucana. Assim os índios da região chamavam aos gaúchos o que é sinônimo de esperto, fino, arteiro e austucioso. A mudança do C para G é frequente, daí: caucho - gauchu - gaúcho.

JARUCHO: significa vaqueiro do México (século XVIII) e é citado como possível étimo da palavra em estudo (Instituo Histórico e Geográfico do Uruguai), como paralelismo eufônico de "gaúcho".

GUALICHO: empregado pelos índios Pampas, que designavam "o espírito mau", isto é, o diabo.

GARROCHA: Garrucha - Garrucho - é uma instintiva sinonímia riograndense: garrucho - gorucho - e gohucho - goúcho - gaúcho. No famoso livro do etnólogo Saint Hilaire, "Voyage à Rio Grande do Sul" (1820), lêem-se as formas garucho, gahucho e garrucho. Tanto em português como em espanhol, garrocha tem o mesmo significado e daí possivelmente, o chamar-se gaúcho ao portador de garrocha ou garrucha, o simulacro de lança de que habitualmente eram portadores, aqueles índios que tanto pelearam com íberos que aqui aportaram.

GAUDÉRIO: eis uma das hipóteses mais difundidas como provável origem do gaúcho. Atribuem a gaúcho corrupção de gaudeo, rusticamente pronunciado: gauzo, gaucho. Gaudeo é a primeira pessoa do presente do indicativo do verbo gauderi, que é gozar, estar em liberdade. Pelo século XVIII, gaudérios eram os camponeses da Banda Oriental e de Buenos Aires, a quem depois se chamou "gaúchos". Gaúcho e gaudério foram quase sinônimos no Uruguai. Alguns dizem que o primeiro derive logicamente do segundo.

GUAHÚ-CHE: significa "canto triste", e remonta dos tempos em que os minuanos viviam em estado propriamente livre entre os espanhóis e os portugueses. Esta hipótese refere-se a tristeza instada nos índios, especialmente minuanos; que os gaúchos primitivos eram grandemente afeiçoados a música e guahú seria então o "canto triste". A segunda parte che (partícula trazida do "quíchua" significa gente). Guahú-che significa "gente que canta triste".

ORIGEM ÁRABE-PERSA COM BASE NO SÂNSCRITO

Do árabe surgiria a forma gauch, calçada no persa gauchi que quer dizer boizinho, formado de gau (boi ou vaca) mais o sufixo diminutivo chi e que por sua vez é oriundo do sânscrito gaúh (boi, gado vacum), proveniente da raiz indo-européia gwo, gwow (boi, vaca).

Passa ao castelhano antigo chaucho com o sentido equivalente a gauche e este se documentou primeiro (século XVIII). Esta foi a primeira transição árabe, seguindo-se lhe a que prevaleceu: gaúcho. Envolvendo assim originalmente a idéia de gado, já que a riqueza primitiva, era constituída pelos rebanhos, como fonte de ganho e de lucro, passou à acepção de "criador ou guardador de gados", pastor, tropeiro, que se dedica a trabalhos, correlativos com seus usos e costumes característicos.

Fonte: O PIONEIRO (Caxias do Sul/RS), 04 de Setembro de 1976, pág. 10

segunda-feira, 8 de agosto de 2022

I Festival de Rock Ferrabraz

 



Realiza-se nos dias 15 e 16 do corrente mês, em Sapiranga, o I Festival de Rock Ferrabraz. Numa promoção da Comissão Jovem - Festas das Rosas - 40 grupos de Rock estarão participando do festival que se desenvolverá ao ar livre, no morro Ferrabraz.

A programação prevê a abertura para o dia 15, a partir das 15 horas. No domingo, inicia mais cedo, às 10 horas. Paralela a esta promoção será disputada a final do Campeonato Brasileiro de Vôo Livre.

Fonte: O PIONEIRO (Caxias do Sul/RS), 05 de Novembro de 1980, pág. 17

domingo, 7 de agosto de 2022

Inventário de Ignacia Pereira de Araujo

 



Ignacia Pereira de Araujo, viuva do finado José Ferreira de Araujo, para endenisação dos credores de seu casal, e de commum acordo com a maior parte delles, faz publico, que em requerido os bens do mesmo casal a praça para serem vendidos a quem mais der, cujos bens são os seguintes: uma rica, e bem conhecida estancia, cita entre o Rio de Piratinim e Arroio do Pavão, ambos navegaveis, com avultados mattos, estabelecimentos de charqueada, corraes, e casas de vevenda, e uma olaria de faser telha, e tijolo com 5 legoas de fundo e uma de frente na parte mais estreita, 50 escravos entre maxos e femeas, 3400 a 4000 reses pouco mais ou menos, enclusivos alguns bois mansos, 176 cavallos mansos de todo o serviço e 5 ditos de carreiras, e 500 egoas, e 400 ovelhas, e dois hyates, e assim mais huma legoa de campo, em Camaquam, com casas, e pomar; e um pedaço de campo nas Bertanhas, que tocou ao annunciante por herança, de seu falecido Pai Nicoláo Pereira Machado, cujos bens assima declarados, se hondem rematar em praça publica, no Juiso de Orfãos da Villa de S. Francisco de Paula, todas as pessoas que pertenderem rematar a mesma estancia e mais bens assima annunciados, poderáo comparecer na ditta Villa, para lançarem, e no Cartório do dito Juiso poderáo ver o Inventario; cuja publicação teve principio no dia 21 do corrente mez de Outubro. Rio Grande 25 de Outubro de 1833.

João Rodrigues Cardoso.

Fonte: O NOTICIADOR (Rio Grande/RS), 04 de Novembro de 1833, pág. 04, col. 02

sábado, 6 de agosto de 2022

Fábrica Lagranha & Cia.

 



Em outros testemunhos, a Exposição Estadual de 1901 revelou a pujança do desenvolvimento industrial de Uruguayana, onde se multiplicam os estabelecimentos officiaes e iniciativas de alto apreço. No ramo pastoril, Uruguayana apresenta farto cabedal de actividade na selecção e cruzamento.

Occupam sem duvida, logar de destaque na primeira plana dos esforçados, operosos e intelligentes emprehendedores os srs. Lagranha & C., que acabam de montar uma fabrica de sabão e manteiga.

De uma e outra dá-nos noticia um collega da localidade nos seguintes termos:

"Actualmente, o numero de vaccas, para a producção de vinte e poucos kilogrammas de manteiga, é insignificante, mas assim que os srs. Lagranha & C., possam aproveitar o leite de 500 vaccas, como acontecerá de outubro em diante, a producção da manteiga será de 50 kilos diarios.

Sendo fabricado aquelle numero de kilos de manteiga, importará a receita mensal, sómente em manteiga, em 4:500$, sem contar a venda de leite desnatado, o queijo produzido do excesso do leite, e mais o engorde de suinos, etc.

Dentro de pouco tempo, a fabrica Lagranha & C., poderá dispor por de mil vaccas, poderá contar com o leite de outros estabelecimentos que lhe ficam perto, assim que os creadores de gado compreendam que é o leite uma receita que virá concorrer para a prosperidade de seus bens, assim que o fazendeiro compreenda que com o gado manso se facilita o cruzamento dos nossos gados creoulos coma as raças superiores.

Quando fôr aproveitada toda essa riqueza, quando fôr compreendido que a nossa prosperidade industrial depende do que ahi deixamos dito, então, sim, a fabrica Lagranha & C., poderá exportar, em grande escala, todos os seus productos, para fôra do municipio.

E então lá teremos mais de uma fabrica, teremos duas, tres ou quatro, pois que as machinas para esta industria são todas de pouco valor, como se compreende á primeira vista.

Chamamos para este assumpto a attenção dos nossos creadores em pequena escala, que podem aproveitar o producto de suas vaccas da seguinte fórma, sem empregar sinão trabalho e uma machina.

Manda vir uma machina de desnatar o leite e vender a nata  ou a gordura, por litro, como se faz em Buenos Aires, Entre Rios e outros paizes, recebendo por cada litro de nata, de 1$000 até 1$500 vendidos nas fabricas.

E cremos que os nossos amigos Lagranha & C., comprarão por aquelles preços toda a gordura extraida do leite, por aquelle meio.

Ora, quem tirar leite de cem vaccas terá, pelo menos, conforme a qualidade da vacca, de 10 a 15 litros de gordura, no mínimo, que, vendidos áquelles preços, produzem de 400$ a 600$000 por mez.

E o leite desnatado que se aproveita, já para queijos, já para vender, ou para o engorde de suinos? Aproveitado tudo isso não constituirá para nós immensa riquesa, e para a fortuna particular um enorme capital?

- O nosso amigo coronel Lagranha, um genio com todas as aptidões naturaes para a industria, além da fabrica de manteiga e queijo, tem uma fabrica de sabão, que tambem começou agora a funccionar e que produz um sabão amarello superior espumoso, e que se póde ser posto em praça a 5$000 a arroba.

Além deste sabão, nos foi mostrado outro melhor, imitação do sabão hespanhol muito aromativo e que, fabricado em quantidade, terá grande consumo, não só nesta praça, como para a exportação.

- No mesmo estabelecimento, vae ser montada uma fabrica de velas, imitação á stearina, e que terá tambem, como os outros productos, todos de primeira qualidade, a melhor aceitação.

- Os srs. Lagranha & C. têm as seguintes raças de gado: Hereford, Durham, Piemontez e Polled Angus. Dessa raça, possuem um reproductor puro-sangue, em crusa com a Durham, o que proporciona productos optimos em peso e leite."

Fonte: A FEDERAÇÃO (Porto Alegre/RS), 17 de Agosto de 1904, pág. 01, col. 01


sexta-feira, 5 de agosto de 2022

Sanguessugas da Europa

 



Annuncios.

Na Botica de Antonio Joaquim da Silva Mariante se aluga e se vende por comodo preço Sanguissugas da Europa, Calda de Tamarindos em garrafas, ligitimas pilulas de Mr. Leroi, e da Familia, e tambem vende um escravo proprio para qualquer trabalho.

(...)

Fonte: O NOTICIADOR (Rio Grande/RS), 28 de Dezembro de 1833, pág. 06, col. 02

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