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terça-feira, 4 de novembro de 2025

O menino-cavalo da Paraíba

 



Menino cavallo -  Diz um telegramma da Parahyba do Norte que no logar denominado Fundo do Valle, naquelle Estado, uma mulher, tres dias depois de dar a luz a uma creança, expelliu um animal, reduzido nas suas proporções.

O estranho monstro, que nasceu morto, tinha todos os caracteres da raça equina, apresentando os cascos, crinas, cauda e cabeça inteiramente semelhante aos de um cavallo.

A pobre mulher, que era esposa de um roceiro, com este vivia quotidianamente a lidar com rebanhos em que abundava o gado cavallar e foi não forte a impressão que recebeu desse convívio que viu sahir de suas entranhas o referido monstro.

A desgraçada, poucas horas depois de seu infeliz parto, morria de desgosto.

Esse inexplicavel phenomeno, que tão profundamente abalou o espirito dos habitantes de Fundo do Valle e suas circumvisinhanças, - diz o telegramma - foi testemunhado por innumeras pessoas.

Fonte: A FEDERAÇÃO (Porto Alegre/RS), 08 de maio de 1918

quarta-feira, 26 de abril de 2023

Bandos de cangaceiros do século XIX

 



A grande seca de 1877-1879 é o ponto de partida para o desencadeamento de ações dos grupos de cangaceiros mais famosos do século XIX: os Brilhantes, os Viriatos e os Calangros. Alguns lutam entre si, como estes últimos e os Mateus, que se fazem fortes em Pajeú de Flores, Pernambuco, e aparecem no Ceará "à frente de cento e tantos homens". Os Calangros tinham uns 60. Em 1878, os jornais "reclamavam enérgicas providências contra salteadores, que continuavam a infestar o interior. Formavam-se todos os dias novos grupos. Em Milagres (Ceará) havia aparecido o dos Quirinos, sob a proteção de João Calangro. Compunha-se de trinta homens, acompanhados por três chefes e irmãos, o mais velho dos quais chamava-se Quirino.

Acrescente Teófilo que "João Calangro fazia guerra de extermínio aos grupos que se formavam sem seu consentimento... O seu grupo era perfeitamente disciplinado, montado, bem armado e uniformizado".

Era naturalíssimo que assim acontecesse. Em fins de 1879, a população indigente, no Ceará, ultrapassava a casa dos 300 000 homens, mulheres e crianças. Outras 300 mil pessoas haviam morrido ou emigrado. (pág. 103)

(...)

Destes 100 000 deslocados, a maior parte ficava perambulando sem rumo certo, vivendo de esmolas, de roubos, de assaltos a mão armada. Estão na história do Nordeste os grupos aguerridos de salteadores, cujas ações se multiplicam nos anos de seca: os Brilhantes, os Serenos, os Viriatos, os Simplícios, os Meireles, os Calangros, os Quirinos, que em geral tomavam o nome ou apelido de seu chefe. Se o latifúndio os gerava, as grandes estiagens, matando as lavouras, dizimando os gados, exterminando a gente, exacerbava lhes o desespero, não lhes deixando outra alternativa a não ser o banditismo sem quartel. Na grande seca de 1877-1879, quando começaram a se intensificar-se as ações dos grupos de bandoleiros, uma correspondência da cidade caririense de Barbalha para Fortaleza comentava este fato, que devia traduzir mais ou menos, que devia traduzir mais ou menos uma realidade: "Hoje, é perigoso ser rico, pois o povo pobre [os bandidos] lhes hão declarado guerra de extermínio".

Trecho de um relatório do Governo da Província referente ao ano de 1878 indica a gravidade do problema. Diz o presidente: "Chegando ao meu conhecimento que hordas de salteadores conhecidos pelos nomes e antonomásia dos chefes, Viriato, Quirino e Calangro, que há alguns anos cometem toda sorte de violência nos confins desta província com as de Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte, recomeçavam suas excursões no Cariri, dirigi-me aos presidentes daquelas províncias requisitando a sua cooperação para perseguirmos eficazmente os malfeitores, que com facilidade escapam fugindo de uma para outra jurisdição". "Forças combinadas desta Província e da Paraíba conseguiram sitiar o grupo da povoação de Boa Esperança, do termo de Milagres, da qual se tinha assenhoreado; e aí travou-se o combate, em que morreram doze salteadores e um soldado, tendo-se dado de parte a parte muitos ferimentos. Vigorosamente atacado e batido, o grosso da quadrilha pôde todavia evadir-se; mas ficaram treze prisioneiros, mais de cem cavalgaduras, e valores de subida importância, fruto de suas depredações". Prossegue o relatório oficial: "Assim creio poder afirmar que o Cariri está libertado desses facínoras que, originados em grande parte das províncias vizinhas, haviam demandado em razão da seca à mais fértil região do Ceará, e inspiravam tal horror que, depois dos morticínios e roubos praticados de julho do ano passado a abril deste ano, entravam de público nas vilas e povoados, soltavam os presos, tributavam a população e declaravam-se seus protetores contra os outros bandos". (pág. 136-137)

Fonte: FACÓ, Rui. Cangaceiros e Fanáticos: gênese e lutas. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 8a. edição, s/d, pág. 103.

sexta-feira, 29 de maio de 2020

O Curupira - um estudo de 1887 - Parte 02


"O mesmo tambem o denomina Caapora e aceita a opinião de Vasconcellos, fazendo-o genio dos pensamentos.

Nenhuma lenda confirma essa opinião.

O cantor dos Timbiras assim descreve o Kaapora:

'O Caapora (vulgarmente caipora) veste as feições de um indio, anão de estatura, com armas proporcionadas ao seu tamanho, habita o tronco das arvores carcominadas para attrahir os meninos que apanha desgarrados nas florestas. Outras vezes divaga sobre um tapyr, ou governa uma vara de infinitos kaititus cavalgando o maior delles.

Os vagalumes são os seus batedores, e tão forte é o seu condão, que o indio que por desgraça o avistasse, era mal sucedido em todos os seus passos.' Magalhães seguio tambem a mesma opinião de Simão de Vasconcellos tanto que Aimbire quando dirige-se ao pagé que o aconselha:

'Procurar outra terra mais remota'

Brada:

'Tudo deixar?... Fugir? Mas tu deliras!...
Fugir?... Que Curupira malfasejo.
Inspirou-te tão baixos pensamentos?...'

O autor do Diccionario Braziliano, o sabio Frei Velloso, a quem a botanica brazileira tanto deve, admitte não sem razão, que Korupira é o demonio do matto, como se vê no dito diccionario publicado em 1795.

Dizem que quando o individuo vê-se perdido no matto, encantado pelo Korupira, para quebrar o encanto que faz esquecer completamente o caminho, deve fazer tres pequenas cruzes de páo e collocal-as no chão triangularmente, (Rio Negro); ou fazer outras tantas rodinhas de cipó que collocará tambem no chão (Rio Yuruá e Solimões) e que o Korupira dá-se ao trabalho de desfazer ou então fazer ainda pequenas cruzes de kauré que atira pelas costas (Rio Tapajóz). O Korupira tambem persegue os caçadores em casa com os seus assovios (Rio Negro) e para o fazer calar-se basta bater-se em um pilão.

Quando o Korupira atravessa o Gurupy e entra no Maranhão, não muda de nome, mais ahi, de preferencia mora no grelo dos Tucunzeiros e procura as margens do rio para pedir fumo aos canoeiros, e virar-lhes as canoas quando não se lhes dá, fazendo as mesmas correrias pelos mattos, onde têm as mesmas formas com que se apresenta no Amazonas.

Atravessando pelo Rio-Grande do Norte e pela Parahyba, toma então o nome de Kaapora; torna-se inimigo dos cães de caça e affecta a forma de qualquer animal afim de attrahil-os para o centro dos mattos, onde ou os açoita com cipós ou os mata. Outras vezes obriga os cães a correr atraz delles, para fazer com que os caçadores os sigam; desapparecendo de repente, deixa os cães tontos e os caçadores perdidos. N'estas provincias quase sempre anda a cavallo n'um veado, ou num coelho. Indo o caçador munido de fumo e encontrando o Kaapora, se este pedir-lhe e for satisfeito pode contar que será d'ahi em diante feliz na caça.

No Ceará conserva o nome de Kaapora porem ahi muda de aspecto, perde o pello do corpo que transforma-se em cabelleira, de cabelos hirtos; apresenta dentes afiados como os de guaribas e olhos como brasas; sempre que sahe das mattas da serra monta n'um taititú, com uma chibata de yapekanga (Smilax Brasiliensis Spreng) na mão.

Avistando o caminhante começa logo a cantar:

Currupá papaco!
Currupá papaco!

Creio que essa cantiga é de importação portugueza, porque os degredados que depois de 1564 começaram a vir para o Brazil principalmente Açorianos, que ainda no começo deste seculo vieram para o Amazonas, cantavam:

Algum dia ja cantei
Hoje em dia não canto mais.

Pacos pacos papacos
Rupa pacos
Pacos pacos papacos
Rupa pacos

Cantiga que os sertanejos ensinam ás kurikas e papagaios e que estes levaram para o Sul onde quase todos os papagaios isso cantam. Em Inhamuns, sertão do Ceará e outros lugares, da mesma provincia as sertanejas terminam a cantiga ensinando os papagaios a dizer:

Curupá papaco,
Curupá papaco,
Não me pegue no tabaco!...

Isso se refere ao fumo que no Norte só se conhece por tabaco, que o Kaapora pede, porém os maliciosos, levam o significado da palavra para outro lado.

N'essa provincia não perdôa ao caçador, que, sem o seu consentimento invade-lhe os dominios, licença essa que é facil de se obter mediante um pouco de fumo. Favorece-lhe a caça, mas recommenda que não a fira e sim a mate, para não lhe dar o trabalho de andar procurando plantas medicinaes com que cure os ferimentos.

Na provincia de Pernambuco reapparece o Korupira, como synonimo de Kaapora, e em alguns lugares tem um só pé, esse mesmo redondo. Anda a cavallo n'um veado e por chicote traz um galho de yapekanga. Tem comsigo sempre um cão chamado Papa-mel. É então um caboclo pequeno coberto de cabellos, que dizem ser a personificação da alma de caboclo pagão.

Como em toda a parte é o protetor da caça, cuja destruição evita, mas n'essa provincia nem sempre torna infeliz aquelles que o encontram. Para captar-lhe a sympathia basta um presente de fumo.

Com isso tem por protector o mesmo Korupira, que surra os cães dos caçadores sovinos e os deixa depois amarrados para morrerem á fome.

Entre muitos factos passados n'essa provincia com caçadores protegidos pelo Korupira, citarei este: um homem costumava levar mingáo todas as noutes a um Korupira, porém este, encontrando uma vez o mingáo com pimentas, que a mulher do caçador tinha posto, deu uma surra no homem e nunca mais o protegeo.

Em outros lugares, tambem de Pernambuco, o Korupira por uma excepção, é representado por um pequeno gentio de cocar e fraldão de pennas, armado sempre de arco e flechas.

Como melhor não descreveria o que é esse mytho em Pernambuco, e quaes os seus costumes e a sua indole aqui reproduzo uma poezia popular, com que, do Recife, me obsequiou o meu amigo Dr. Regueira da Costa:

O KORUPIRA

De dia não busca a estrada
O guerreiro Korupira,
Porque dorme o somno solto
Á sombra da sukupira.

Mas de noite, quando a lua
Prateia as aguas da fonte,
E a fresca brisa sussura,
Eil-o que surge do monte.

Montado n'uma queixada,
Rompe do bosque a espessura;
Da onça não teme as garras,
Tendo trez palmos de altura!

Da yaindaya a verde pluma
Na fronte relúz, ondeia;
O arco, as pequenas flexas,
Garboso nas mãos meneia.

Assim anda, pula e corre
De noite pelas estradas:
E após si em tropel marcha
Uma vara de queixadas.

O grunhido, o som dos passos
O estalar dos rijos dentes,
Quebranta a mudez da selva,
Acorda os pobres viventes.

Pula aterrado o macaco.
Verga a folha das palmeiras;
Sai a cotia da toca,
Foge do matto às carreiras.

Quando encontra o Korupira
No caminho um viajante, 
Pára de pressa, e atrevido
Oppõe-se a que marche avante.

Irado, salta do peito
Agudo silvo estridente:
E logo em volta se ajunta
A sua guerreira gente.

Os olhos tornão-se brazas:
Põem-se em ordem de batalha;
O queixada amola os dentes
Que cortam como navalha.

Ai! do pobre caminhante,
Se o temor o tem tomado:
Perde a falla, fica escravo,
Sendo em porco transformado!

Mas, se investe os inimigos,
E de nada se apavora,
De repente o Korupira
Pelo valor se enamora!

Da peleja cede o campo,
E reparte o seo thesouro:
Ricas pedras de brilhantes,
Rubins, esmeralda e ouro.

Em Sergipe, o Kaapora anda sempre pelas estradas pedindo fumo aos viajantes para o seu cachimbo, e quando se lhe não dá mata-os a poder de cocegas. Em ar de brincadeira, faz rir o viajante até cahir morto."


Fonte: MUSEU BOTANICO DO AMAZONAS. Vellosia, 1887, volume 1Manaus/AM: Typographia do Jornal do Amazonas, 1888, pág. 94-99.



domingo, 31 de março de 2019

O cangaceiro Antônio Silvino


"O bandido Silvino

Cinco assassinatos

O conhecido cangaceiro Antonio Silvino, terror dos Estados do Norte, onde com um bando de salteadores mata e rouba desenfreadamente, acaba de praticar mais uma das suas façanhas, a despeito das medidas postas em pratica pelo governo de Pernambuco para a prisão desse famigerado bandido.

No logarejo denominado Machados, distante duas leguas de Bom Jardim, onde estaciona numerosa força policial, informa um telegramma de Recife, o bandido Antonio Silvino, acompanhado de mais cinco scelerados, assassinou, no dia 16 do passado, á uma hora da tarde, cinco pessoas, inclusive um inspector de quarteirão, ferindo ainda gravemente a treze, entre as quaes algumas mulheres.

Finda a carnificina, os faccinoras, que neste últimos annos têm assassinado mais de sessenta pessoas, saquearam as casas das victimas, fugindo para o sertão.

O bandido Silvino, desde o anno de 1897 que, com os seus companheiros, tem praticado os mais barbaros crimes, sendo incalculaveis os fabulosos prejuizos que, desde dessa epocha, tem causado nos Estados do Norte."

Fonte: A OPINIÃO PÚBLICA (RS), 10 de Março de 1908, pág. 02, col. 02

"Antonio Silvino

Mais proesas do bandido - No sertão da Parahyba - Encontro e tiroteio com uma força de policia - Morte de um officil parahybano - A quadrilha augmenta - Ultimas noticias do criminoso.

Continúa o bandido Antonio Silvino a augmentar a série dos crimes abominaveis a série dos crimes abominaveis que têm feito a sua triste celebridade. As ultimas notícias dos seus feitos chegam da Parahyba, cujo sertão escolheu para theatro de façanhas.

As populações temem-no como a um fantasma e a policia se sente impotente para captural-o. Talvez por isso, dia a dia, o miseravel mais audaz e mais perverso se revela.

Ainda ha pouco, um telegramma de Pernambuco para a imprensa relatava ter Antonio Silvino assassinado, em Galante, um coronel de nome Eduardo Gomes Barbosa, em seguida telegraphando ao presidente da Parahyba, communicando-lhe a façanha!

A força publica, que elle sempre evitou, enfrenta agora á bala, tendo até sustentado tiroteios renhidos com os destacamentos enviados ao seu encalço nos ultimos mezes.

O <<Diario de Pernambuco>> narra, mais ou menos, nos termos que se seguem, o ultimo encontro do bandido com uma força de policia parahybana:

<<Em dias da semana passada, Silvino sahira do município de Patos para o de Batalhão, algumas leguas distantes de Campina Grande.

Em Patos declarou ter o proposito de assassinar o alferes Mauricio, valente official, da policia parahybana, que ha muito o persegue com uma tenacidade digna de louvores.

Infelizmente o bandido cumprio a sua palavra.

Chegado nas proximidades de Batalhão, localidade populosa e prospera, Silvino mandou um emissario com a lista dos contribuintes e o <<quantum>> que lhe devia ser remettido.

Os habitantes de Batalhão responderam pela negativa, confiados no alferes Mauricio que ali se achava com 14 praças e que logo se pôz no encalço da quadrilha.

Em Santo André o official teve noticias de Silvino e então dividio, talvez imprudentemente, a sua força, em duas patrulhas de 7 praças.

Com a patrulha commandada pelo alferes Mauricio, seguio um paisano, incumbido de <rastejar> o bando de criminosos.

Caminhava essa força, quando dentre o matto rompeu cerrada descarga, sendo immediatamente mortos o official e o <rastejador> e cahindo um soldado gravemente ferido.

O alferes Mauricio foi attingido por um bala de rifle no ouvido.

O resto da força debandou e Silvino, sahindo do matto, assassinou a punhal o soldado ferido e mutilou o cadaver do desventurado official, de cuja farda arrancou os botões.

Os cadaveres do alferes Mauricio e das outras victimas foram sepultados na villa da Solidão.>>

Depois desses crimes, já o bandido commetteu um outro: o assassinato do coronel Eduardo, a que nos referimos linhas acima.

A quadrilha de Antonio Silvino, ao que parece, tem se visto ultimamente accrescida de novos e perigosos elementos. Não ha facto criminoso que se dê no interior da Parahyba ou de Pernambuco em que directa ou indirectamente não se achem envolvidos companheiros do miseravel.

A 9 de Março, um grupo de malfeitores atacou em Panellas, nesse ultimo Estado, a casa do agricultor Fernando Pereira, roubando a quantia de 12:000$000.

Avisadas as autoridades, fizeram-se importantes diligencias, de que resultaram algumas prisões, ficando provado que do grupo assaltante fazia parte Antonio Godë, de novo unido á quadrilha de Silvino.

Ha pouco tempo certos jornaes de Pernambuco, e entre elles a <Provincia>, disseram que o territorio criminoso se encontrava no logar denominado S. Vicente naquelle Estado. O <Diario>, porém, contestou essa noticia, affirmando que ha dois annos Silvino não penetrava no territorio pernambucano e reforçando essa affirmativa o seguinte telegramma enviado de Bom Jardim ao chefe de policia.

<<Ultima noticia Silvino em Trambeque, onde esteve, sabendo ter sahido dahi no dia 3, ás 11 horas, tendo arrecadado 15$. Percorri Serra Verde e Munganga, não tendo noticias, sabendo entretanto, que não entrou em territorio Pernambucano. - Major João Isidoro, delegado.>>

Entretanto, muito pouco importa saber-se onde no momento se acha o bandido. O facto é que continúa elle a praticar crimes horriveis, constantemente ameaçando os habitantes dos sertões, cuja situação é de verdadeiro e justificado terror."

Fonte: A OPINIÃO PÚBLICA (RS), 08 de Julho de 1910, pág. 01, col. 05

sábado, 12 de janeiro de 2019

Patrimônio Histórico Brasileiro - Parte 01



Convento Santa Maria dos Anjos, Penedo, Alagoas


Claustro do Convento de Santo Antônio, João Pessoa, Paraíba


Igreja e Convento de Santo Antônio, João Pessoa, Paraíba


Igreja do Convento de Santo Antônio, João Pessoa, Paraíba


Casas do século XVIII, Rua Duque de Caxias, João Pessoa, Paraíba


Igreja Nossa Senhora da Guia, Lucena, Paraíba


Capela de Nossa Senhora do Patrocínio, Santa Rita, Paraíba



Convento de Santo Antônio, Igarassu, Pernambuco


segunda-feira, 11 de junho de 2018

Pero Coelho de Sousa


"Colonizador português de fins do século XVI e começos do século XVII. Residente na Paraíba, em 1603 chefiou uma expedição destinada a conquistar aos pitiguaras (ou Potiguaras) as terras que hoje compõem o Estado do Ceará. Autorizado pelo Governador-Geral Diogo Botelho, partiu da Paraíba rumo a terras maranhenses, seguindo ao longo do litoral: ao tempo que uma coluna seguia por terra, três naus velejavam por mar. Deu combate aos indígenas e a franceses traficantes de pau-brasil, e à altura do Rio Punaré (hoje Parnaíba), levantou, na Barra do Ceará, um arraial a que deu o nome de Nova Lisboa, primeiro núcleo de colonização daquelas terras. Numa segunda viagem que fez a esse local (1606), encontrou Nova Lisboa completamente desmantelada; quis, então, mudar-se para mais perto da Capitania do Rio Grande e estabeleceu-se no Vale do Jaguaribe. Contudo, vítima da primeira grande seca de que se tem notícia empreendeu a retirada, com a mulher, cinco filhos menores e seus homens, doentes e estropiados. Seguiu pelos desertos da costa nordestina, rumo ao Forte dos Reis Magos, no Rio Grande do Norte, iniciando, com sua odisseia, o drama dos retirantes nordestinos, que se prolongaria até os nossos dias."

Fonte: Dicionário Cívico-Histórico Brasileiro, 1980.

quinta-feira, 13 de outubro de 2016

Histórias Curiosas XXXI

Equipe do Ministério da Saúde na época do governo José Sarney foi mandada para o interior da Paraíba para prestar serviços básicos a uma comunidade rural em pleno sertão. Entre clínicos, pediatras, ginecologistas, dentistas, enfermeiros e assistentes sociais, uma parte da equipe foi encarregada de organizar encontros com as mulheres da comunidade para lhes explicar sobre temas gerais de saúde e métodos contraceptivos - dado a taxa de natalidade na região ser alta, bem como infelizmente a mortalidade infantil.

Os encontros acontecem à noite no salão de uma comunidade católica e, entre várias palestras e debates, uma enfermeira explica às mulheres presentes o uso do preservativo masculino (camisinha). Para exemplificar, a enfermeira abre um pacote de camisinha e pega um cabo de vassoura, demonstrando como se deveria colocar o preservativo, ao desenrolá-lo calmamente no cilindro de madeira. Após assegurar que as mulheres haviam entendido como se usava a camisinha, a enfermeira se dá por satisfeita e parte para outras questões também importantes da saúde feminina.

Findada a missão de saúde naquela região, a equipe retorna ao seu local de origem. Um ano se passa e o Ministério organiza uma nova visita aquela comunidade. Praticamente a mesma equipe parte de novo. Observa-se porém que, embora alguns resultados tenham sido satisfatórios em relação à visita que tinha sido feita no ano anterior, o alto índice de natalidade segue, com a maioria das mulheres adultas novamente grávidas ou que tinham tido bebês muito recentemente. 

Incrédula, a enfermeira responsável pela campanha dos contraceptivos procura a mulher que era a líder local da comunidade e que tinha demonstrado especial atenção às suas orientações exatamente um ano antes. A mulher é encontrada e pasmem também grávida. A enfermeira pergunta:
- A senhora lembra daquele nosso encontro que eu falei do uso da camisinha e demonstrei como se coloca a camisinha com o cabo de vassoura? A senhora e as outras mulheres não fizeram tudo direitinho como eu pedi.
- Ah dôtora, fazer a gente fez, mas acho que a "simpatia" que a senhora ensinou não deu certo, não! Olha ali no canto da cozinha, as vassouras estão todas de camisinha, mas mesmo assim eu "peguei" barriga. Dá certo não, dôtora!
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