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quarta-feira, 8 de abril de 2026

Disco voador em Porto Alegre e Gravataí

 


Disco voador nos céus de Pôrto Alegre

Anteontem à tarde foi avistado o objeto na Base de Gravataí - "Globe Meteors" teriam perseguido o bólido misterioso

(...)

Há dias noticiava-se o surgimento de um destes discos em Torres, que apesar do nome que levam, têm também a forma ovalada, de charuto e várias outras. A notícia caiu como uma bomba em nossa capital e esperava-se a todo o momento o aparecimento de um destes instrumentos celestes nos céus de Porto Alegre.

O público de nossa metrópole não precisou esperar muito, pois um desses discos foi avistado até mais depressa do que se podia imaginar.

O local, onde surgiu o primeiro disco voador a visitar nossa capital, foi o da Base Aérea de Gravataí, talvez numa homenagem às festividades da Semana da Asa e aos valorosos membros que compõem nossa Força Aérea.

Anteontem à tarde, segundo informações particulares recebidas por nós, vários praças e oficiais da Base Aérea de Gravataí avistaram o disco que, em dados momentos parecia parar em pleno ar para, em seguida, dirigir-se a alta velocidade para uma determinada direção. Segundo as mesmas informações os aviões a jato, recentemente incorporados ao Grupo 14 de Aviação, alçaram vôo em perseguição ao bólido misterioso.

Fonte: JORNAL DO DIA (Porto Alegre/RS), 26 de outubro de 1954, pág. 09

quarta-feira, 31 de agosto de 2022

Antonio Pinto da Fontoura Barreto



"A 21 do corrente finou-se n'esta capital o cidadão Manoel Barbosa de Lima.

- Hontem falleceu n'esta cidade d. Maria José Martins Teixeira, esposa do cidadão Manoel Candido Teixeira.

✤✤✤✤✤

Em Sant'Anna do Livramento pereceu o major Antonio Pinto da Fontoura Barreto, homem de avançada idade, pai do sr. Antonio da Fontoura Barreto e tio do major Carlos da Fontoura Barreto.

✤✤✤✤✤

Falleceu no Rio o tenente-coronel Joaquim Tubbs, prestigioso chefe republicano de Gravatahy, cidadão de elevadas virtudes cívicas.

- Por telegramma publicado hoje no Jornal do Commercio, sabemos que succumbiu no Rio o dr. João Chaves Campello, que residia em Pelotas e que já exerceu a vice-presidencia d'este Estado, quando provincia.

✤✤✤✤✤

Falleceu em Alegrete o jovem Alcides Prunes, irmão do sr. Fredolino Prunes, proprietario do periodico Til."

Fonte: A FEDERAÇÃO (Porto Alegre/RS), 24 de Abril de 1894, pág. 02, col. 03

sábado, 1 de janeiro de 2022

Os índios da Aldeia dos Anjos

 



(...) Dois mil desses índios se juntam perto de Rio Pardo. Resolveu-se abrigá-los. Escolheu-se uma localidade bem situada, num lugar alto - Gravataí, que é fundada em 08 de abril de 1763, a 33 quilômetros de Porto Alegre. Lá se estabelecem mais de mil índios. Constrói-se igreja, casas, cemitério...Para alimentá-los, determinou-se uma fazenda muito grande entre Palmares e São Simão.

Eram índios que vinham das missões, educados pelos jesuítas. Em Gravataí continua o processo jesuítico: terras comuns, caixa comum, etc. Cria-se um colégio para meninos, um recolhimento para meninas e um serviço pelo qual os índios aprendem a ser lavradores.

Em casa, esses índios falavam guarani, mas no colégio, os meninos e meninas só podiam falar o português, pois as autoridades queriam que eles esquecessem a sua língua, a guarani. Não se sabe o motivo desta obrigação. Apenas se deduz que seja por motivo de integração portuguesa. Aliás, precisaríamos saber se esta política não era de âmbito nacional.

Parece que os portugueses não conseguiram integrar os índios. Eles fugiam para a campanha, onde encontravam trabalho nas estâncias. Iam para as missões e de lá voltavam. Casavam e descasavam. Dizia-se que eram maus cristãos.

Com tantos índios em Gravataí não temos descendentes com os seus sobrenomes, porque as autoridades o obrigavam a adotar sobrenomes portugueses, como está amplamente referido neste livro. Vejamos um exemplo: o cacique Poty virou Narciso de Souza Flores. A família Carabauy deu origem a Dionísio Pereira, Dorotéia da Silva, Miguel Morais, Miguel Luiz Correa. A família Mandarica deu origem a Aniceto Pereira, Joana Maciel, Pedro de Oliveira, Filuta Maciel, etc. A família Nensum deu origem a Inácio Borges Pimenta, Maria Salomé, Lugência Borges Pimenta. A família Cunumipa origem a Inácio Xavier Cavalcanti, Maria Cavalcanti, etc. A família Ayecatu deu origem a João de Alencastre e Antônio de Alencastre...

Como havia dois colégios, também havia dois regulamentos, com suas diferenças e semelhanças. As crianças levantavam cedo e logo almoçavam. Ao meio-dia jantavam e à noite ceavam. Eram costumes diferentes. As moças eram tiradas para casar.

Os índios podiam ter seu trabalho, cujo salário era fixado pelas autoridades. Assim, um índio carreteiro recebia 3$000 por mês; um índio domador, 3$600 por mês; uma índia para servir em casa, 3$800; uma índia ama-de-leite, 3$000.

Deviam ser castigados os que tratassem os índios como escravos, com açoites ou castigos semelhantes.

As autoridades da aldeia eram eleitas. Havia corregedor, escrivão e meirinho.

Fonte: CORREIO RIOGRANDENSE (Caxias do Sul/RS), 10 de Outubro de 1990, pág. 08

terça-feira, 27 de abril de 2021

João de Deus Barbosa



"Professor J.D. Barbosa

Falleceu, n'esta capital, hontem, ás 2 horas da tarde, o talentoso professor publico e nosso dedicado co-religionario major João de Deus Barbosa, que regia a 2a. cadeira do sexo masculino, situada á rua Espirito Santo.

Ha algum tempo, apparecera-lhe um encommodo de ouvido, que o impedia de dedicar-se com a actividade do costume ás suas arduas funcções; mas, apesar disso, o professor Barbosa, descurando a saude, mantinha-se no seu posto sem interrupção. Ultimamente, porém, já tarde, sendo chamados os facultativos, verificou-se que o sr. João Barbosa tinha muito adeantado um tumor maligno no cerebro: mal sem remedio. Em poucos dias occorreu o desenlace fatal, que consternou todos os seus amigos e companheiros de classe.

O professor João de Deus Barbosa servia no professorado publico ha longos annos, tendo funccionado parte d'elles em Viamão e Gravatahy; e na reorganisação do ensino foi-lhe dada a cadeira que actualmente occupava.

Em todas demonstrou a sua predilecção pelo ensino da infancia e os esforços de que era capaz para empregal-a com efficacia.

Como cidadão, fez tambem sempre timbre em elevar-se á altura da consideração em que era tido. Na recente revolução, cumpriu o seu dever com valentia, ao lado das forças legaes, expondo a existencia para defender a Republica e especialmente por occasião de um ataque á villa de Quarahy.

Sentimos o passamento do distincto preceptor e abnegado republicano, e damos os pesames á sua desolada familia.

- Conhecido o fatal acontecimento, o nosso companheiro Arthur Toscano inspector da 1a. região escolar, auctorisou uma commissão de professores a convidar os seus collegas da cidade a suspenderem hoje os trabalhos das aulas publicas e a convidal-os ao seu nome para assistirem ás cerimonias do sepultamento do cadaver.

O professorado da capital mandou collocar no feretro corôas mortuarias com sentidas dedicatórias.

Ás ceremonias funebres, que se realisaram as 9 horas da manhã de hoje, compareceram muitos amigos e funccionarios publicos, especialmente collegas do finado, occupando o orgão, durante a encommendação, o professor Antonio Vieira Fernandes.

No cemiterio publico, no acto de ser lançado o feretro á sua derradeira morada, pronunciou uma sentida oração funebre o professor Carlos Rodrigues, fazendo realçar os merecimentos do finado."

Fonte: A FEDERAÇÃO (Porto Alegre/RS),  09 de Outubro de 1899, pág. 02, col. 02-03

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2021

A Lenda da Igreja da Aldeia dos Anjos



"Pelos anos de 1848 a 1850, a igreja de 'Aldeia dos Anjos', hoje Gravataí e então modesto arranchamento de guaranis encontrava-se em constante perigo de ruir, em consequência do afastamento dos Jesuítas e da revolução farroupilha. Em vista disso, o povo resolveu retirar todos os santos e alfaias, cabendo a guarda dos mesmos a diversas pessoas gradas enquanto durasse a reconstrução do templo. Esta foi feita, embora com delongas e a Igreja, reconstruída, é a mesma ainda existente em Gravataí.

Foi a recondução das velhas imagens. Ao findar a cerimônia, alguém deu por falta de uma imagem, a de São Jerônimo, talhada em cedro. Ninguém sabendo explicar a ocorrência, foi aventada e unanimemente aceita a ideia de roubo.

Passados alguns anos, certa noite de um inverno rigoroso, desabou sôbre a povoação uma tempestade violenta, de grandes descargas elétricas. Um raio caiu na igreja, pela cruz, fendeu a fachada até uma das janelas, produzindo sérios estragos no telhado. Uma índia velha, impressionada com o fato, saiu pelas ruas gritando 'Castigo do céu! Castigo do céu! Roubaram o nosso São Jerônimo e enquanto não nos trouxerem de volta o santo roubado a nossa vila sofrerá o castigo do céu!'

Esses gritos da bugra calaram no espírito público e fixaram a lenda de que enquanto a imagem de São Jerônimo não voltasse à igreja da 'Aldeia dos Anjos', Deus não olharia para ela.

A verdade, porém, é que a imagem fora levada para a recém criada Capela de São Jerônimo entre a demolição e a restauração da igreja, com prévia aquiescência do Vigário de Viamão, a cuja jurisdição pertencia, na época, a 'Aldeia dos Anjos'."

Fonte: O PIONEIRO (Caxias do Sul/RS), 05 de Outubro de 1957, 1o. Caderno, pág. 07

quarta-feira, 22 de julho de 2020

Camillo Dutra de Vargas


"Registro mortuario

(...)

Em Gravatahy falleceu o cidadão Camillo Dutra de Vargas, filho do sr. João Ignacio Dutra.

(...)"

Fonte: A FEDERAÇÃO (Porto Alegre/RS), 19 de Maio de 1892, pág. 01, col. 04
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