sexta-feira, 1 de abril de 2022

Barão de Petrópolis



 Ás 2 horas da tarde de hontem, na ilha de Paquetá, falleceu o venerando Sr. barão de Petropolis, Dr. Manuel de Valladão Pimentel.

O finado, medico e primeiro clinico do Rio de Janeiro, nascera a 4 de março de 1802. Contava, pois, 80 annos de idade.

A maior parte do tempo de sua existencia, consegrára-a ao seu trabalho clinico. Creára a melhor reputação como medico, e na cadeira que com tanto brilhantismo occupou desde 1833, na Faculdade de Medicina d'esta côrte, foi substituido pelo illustrado Dr. Torres Homem, que sempre tem recordado em sua lições o nome do notavel professor com grande orgulho, satisfação e respeito.

O Dr. Valladão fôra destinado por seus progenitores á vida sacerdotal, porém, não tendo vocação necessaria para o desempenho das funcções de uma carreira desta natureza, foi obrigado a lutar contra a indisposição de sua familia, sendo por tal motivo levado a procurar com os recursos da propria intelligencia e os esforços de uma vontade inabalavel, os meios indispensaveis á realisação de seus intentos.

Começou os seus estudos na antiga escola militar, onde distribuia a muitos estudantes os seus conhecimentos, tirando d'este labor a pequena somma pecuniaria, com que manteve-se durante muito tempo.

Na escola de medicina o finado deixou uma das mais brilhantes reputações e das mais invejaveis; conquistou o diploma scientifico, que lhe deu entrada na sociedade, tendo antes firmado a reputação de bom estudante, estimado e respeitado por collegas e lentes.

A vida pratica do finado é muito conhecida; está presa a tradicções muito honrosas da sociedade fluminense, onde conta illustres continuadores na familia Catta Preta.

O finado era barão de Petropolis, grande do Imperio, membro do conselho de Sua Magestade o Imperador, Official-mór da casa imperial, medico honorario da imperial camara e especial de Sua Alteza a Princeza Imperial, commendador da ordem de Christo, cavalheiro da imperial ordem da Rosa, lente jubilado da escola de medicina d'esta côrte, membro do Instituto Historico e Geographico Brazileiro e da Imperial Academia de Medicina.

Fonte: GAZETA DE NOTICIAS (Rio de Janeiro/RJ), 01 de Dezembro de 1882, pág. 02, col. 03

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