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quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

Discos voadores em Blumenau


Estranhos objetos cruzaram os céus de Blumenau em dias diferentes

O espetáculo foi assistido por um casal

Blumenau, 17 (Do Correspondente) - Os "discos voadores" ou o que quer que sejam, resolveram agora excursionar aos céus blumenauenses, segundo as declarações de diversas pessoas que viram os famosos aparelhos. Já estava tardando que alguém os visse nesta cidade, depois da peregrinação que fizeram pelos mais remotos lugares do planeta. E o interessante é que as pessoas que avistaram os discos não se conhecem. Viram-os, além do mais, em dias seguidos.

As primeiras a afirmarem que avistaram um objeto prateado cortando velozmente o espaço de sul a norte, foram duas senhoras residentes à margem do Itajaí-açu, aos fundos das oficinas da E.F.S.C. - Estavam as mesmas lavando roupa na barranca do referido rio quanto notaram estranho aparelho, girando velozmente no espaço. Não conseguiram acrescentar outros detalhes além de que jamais haviam observado qualquer coisa semelhante. O fato teria se passado na tarde de sábado.

OUTRO TESTEMUNHO

Domingo pela manhã, o sr. Ernesto Wuerges, motorista com ponto em Itoupava Seca, dirigia-se para o ponto do Salto, levando passageiros. Naquele local, êle e os ocupantes do carro tiveram a atenção despertada para uma "bola" luminosa na direção do sol nascente dotada de brilho invulgar e que girava soltando fagulhas vivíssimas. A bola se movimentava com rapidez de um lado para outro, subindo e baixando, até que desapareceu ofuscada pelo brilho do sol, que aumentava de intensidade. Em suas declarações, o sr. Ernesto Wuerges não deixou dúvidas de que avistara um "disco voador", muito embora a reportagem sugerisse a possibilidade de se tratar da Estrela Matutina, colocada entre o Sol e a Terra.

ESPETÁCULO RARO

Outra pessoa que viu foi a sra. Erica Fette, espôsa do sr. Francisco Fette, também residente em Itoupava Seca.

"Ao alvorecer de segunda-feira - disse - notou um objeto com a forma de uma estrela, de um vermelho brilhante fazendo evoluções no espaço".

Achava-se numa das janelas de sua residência, quando observou o fenômeno. Acordou incontinenti o marido, que também passou a observar o estranho corpo celeste. Êste girava velozment, soltando fagulha e repentinamente, mudou de côr passando do vermelho para um verde marinho lindíssimo. O objeto sempre girando, ora baixava, ora se erguia, rapidamente no espaço, embora seguisse sempre numa única direção: de norte a sul. Mudou de côr várias vezes, até que desapareceu no horizonte.

Fonte: O ESTADO DE FLORIANÓPOLIS (Florianópolis/SC), 19 de abril de 1950, pág. 01


quinta-feira, 3 de abril de 2025

Bugre



Da palavra francesa "bougre".

Segundo Affonso A. de Freitas esta denominação é "apodo, injúria, insulto, praga deprimente, termo da mais baixa linguagem do idioma francês, com que os companheiros de Villegaignon, vindos ao Brasil em 1555, mimoseavam,  por alcunha, os Tupinambás, em agradecimento à generosidade e leal desinteresse com que os que nossos infelizes aborígenes apoiavam as pretensões de domínio dos idealistas fundadores da França Antártica". O mesmo autor, cita a explicação do significado e a origem da palavra bougre dada por Littre em seu Dictionnaire de la langue française, edição de 1885.

O odioso ou desprezível vocábulo bugre, hoje ainda, em grandes partes do Brasil, muito corrente como designação popular dos índios, tendo passado daí a figurar até na nomenclatura, chegou a ser adotado pela etnografia internacional como denominação da tribo jê do município de Blumenau no Estado de Santa Catarina a qual, aliás, é chamada também de Aweikoma, Botocudo e Chocré.

 Fonte: BALDUS, Herbert & WILLEMS, Emilio. Dicionário de Etnologia e Sociologia. Rio de Janeiro: Companhia Editora Nacional, 1939, pág. 35.

domingo, 8 de setembro de 2019

Colônia Blumenau em 1885


"BLUMENAU

Esta colonia fundada pelo Dr. Hermann Blumenau em 1852, pouco tempo depois adquirida pelo Estado, foi emancipada em 1880.

Tem actualmente uma população aproximadamente de 18.000 habitantes composta de allemães, italianos e portuguezes, sendo, porém, muito mais avultado o numero da nacionalidade allemã.

A lavoura é o principal ramo de industria a que se entregam os habitantes da ex-colonia, na qual se empregam 150 arados, cultivando de preferencia a canna cuja producção se transforma em mais de 400.000 kilogrammas de assucar e a 3.500 hectolitros de aguardente.

A principal exportação dos habitantes de Blumenau, é de milho, feijão, arroz, farinha de mandioca, batatas, manteiga, banha de porco e toucinho.

Possue a villa diversas fabricas, como sejam de roupa de ponto de meia, uma de licores, uma de sabão, nove de charutos, duas officinas typographicas e diversas officinas de fundição, de caldeireiros, de sapateiros, alfaiates, marcineiros, etc. etc.

Existem 66 engenhos movidos por agua e um a vapor, sendo 40 para a preparação de madeiras e 27 para a de fubá de milho e de arroz.

A villa de S. Paulo de Blumenau liga-se com o porto de Itajahy pelo rio do mesmo nome, francamente navegavel.

Possue importantes edificios taes como: as igrejas catholicas das duas freguezias, a igreja protestante, a casa da camara municipal e differentes escolas em diversos districtos, além de um estabelecimento de instrucção secundaria.

O clima é temperado e saudavel.

A área da ex-colonia é de 1.390,000 hectares, da qual a cultivada excede a 18.000, existindo ainda nas circumvisinhanças muitos kilometros de terras devolutas, as quaes pela excellente qualidade prestam-se a todo o genero de cultura.

O valor da exportação excede de 400 contos, ou seja mais de um milhão de francos."


Fonte: A IMMIGRAÇÃO: ORGÃO DA SOCIEDADE CENTRAL DE IMIGRAÇÃO (Rio de Janeiro/RJ), boletim 008, jan. 1885, pág. 03, col. 01
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