Mostrando postagens com marcador Natal. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Natal. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 24 de dezembro de 2024

sábado, 16 de dezembro de 2023

A árvore de Natal em Portugal

 



Lê-se no Correio do Porto:

Na fórma que o nosso correspondente de Lisboa ha dias noticiou, a direcção do palacio de crystal resolveu proporcionar ás crianças portuenses um divertimento, vulgar na Allemanha, e já muito usado n'outros paizes pelo julgarem digno de imitação:

Esse divertimento, como os leitores estão adevinhando, é a inauguração da arvore do Natal.

No que esta consiste, poucos deixão já de o saber.

Uma arvore de maior ou de menor grandeza, e que de ordinario é um pinheiro, se colloca no meio de uma sala.

Dos seus ramos pende entre adornos de toda a especie uma variadissima collecção de "bonbons" e brinquedos destinados a fascinar os olhos ávidos das crianças.

Luzes em profusão illuminão com o seu reflexo as folhas da arvore e todos os objectos que a enfeitão.

Ao soar da meia noite, abrem-se as portas do recinto vedado.

A cada brinquedo se achão ligados bilhetes correspondentes a outros bilhetes distribuidos á sorte pelas crianças.

Estas, segundo o numero de bilhetes que lhes tocou, vão buscar o objecto que pende da arvore do Natal.

Eis no que consiste este divertimento, que será levado a effeito na nave central do palacio do crystal.

A differença está em que aquillo que lá fóra se costuma fazer no interior de cada familia sera feito em publico, e em vez de ser na vespera de Natal, como se costuma, terá logar no dia 23 pelas 6 horas da tarde por ser a vespera de Natal reservada á commemoração de um costume solemnissimo no seio de cada familia.

A distribuição dos premios terá logar no dia de anno bom.

A árvore começou hontem a ser levantada. Fica no salão grande, á pequena distancia do orgão, e será, além de enfeitada, brilhantemente illuminada a gaz.

O numero de premios ascende a 3.000.

Cada criança receberá um bilhete que a habilita para tirar um premio.

Afim de tornar mais brilhante esta interessante festa de crianças, uma dellas recitará a poesia do sr. Castilho, intitulada o "Natal do Pobre".

Varios poetas recitarão tambem poesias adequadas ao acto.

Ha tambem idéa de organisar um concerto em que só tomarão parte crianças um concerto em que só tomarão parte crianças.

Seria este o digno complementeo de uma festa, que só annuncia cheia de attractivos, principalmente para as infantis imaginações daquelles a quem é destinada.

Quasi podemos agourar que a arvore do Natal lhes vai deixar profundas e gratas recordações.

Fonte: DIARIO DE SÃO PAULO (São Paulo/SP), 14 de Março de 1866, pág. 02, col. 02

sexta-feira, 15 de dezembro de 2023

O Natal de Olinda em 1840

 


VARIEDADE

O Santo Presepio do Menino Deos

Esta parece ser huma folgança endemica do nosso Pernambuco. Em se aproximando o Natal, surgem de todas as partes os Presepios, sendo a Cidade de Olinda o lugar mais abundante deste genero. Ali ha Presepios de Pastorinhas, de Pastoronas, e até de machacazes conhecidos por pastorões. Começão em a Noite de Natal, e repetem-se todas as noite até o dia de Reis, depois do qual entra por seu turno o acto de queimar as palhinhas de cada Presepio, o que constitue nova folgança As Pastorinhas, Pastoronas, e Pastorões cantão diversas endexas, dansão em cadencia, e repetem suas loas em honra, e louvor de Jesus Christo recem nascido. Muitas vezes no Presepio de meninas de 14, 15 annos apparece huma pastorona já de idade canonica, que dirige o baile, e he huma especie de abelha mestra do cortiço.

Para taes Presepios affluem os maganos, como moscas para hum prato de mel: e ali ferrão-se pertinazes namoros, ali apparecem os requebros de parte a parte, ali se domesticão, e amanção algumas ovelhinhas para o sacrificio, etc. etc. tudo em honra, applauso, e devoção do Deos Menino. Ali os fervorosos devotos estão como embevecidos na contemplação da piedade, e sancto fervor, com que as louçãs pastorinhas saracoteão as ancas, e se reboleão com tanta devoção, que parecem espiritadas! Nestes Presepios há sempre no cabo da festança arrematação de fructas, e flores, que o ornavão. Então picão-se os lanços, e nem he maravilha ver hum dos devotos espectadores dar por hum cravo, v. g., ao 14, 16 mil reis para com elle brindar a Pastorinha, que traz de olho, e lhe rouba as attenções etc. E como ha de a pastorinha Chiquinha resistir ao Sr. Manezinho, se elle se estreia para com ella com tanta generosidade. D'aqui facil he concluir, que ella virá tambem a estrear-se com elle em seus obsequios pelo antigo adagio, que diz - huma mão lava a outra.

Nos Presepios apparecem versos de todo o feitio, de todo o tamanho, de toda a qualidade, e as Pastorinhas dirigem ao Deos Menino finezas, e donaires tão profanos, que só a grande "innocencia" de todas ellas os pode cohonestar, e desculpar. A fé, dizem ellas, he que salva a gente. Não ha muitos dias, que em certo Presepio huma das Pastorinhas repetio ao Menino Deos a seguinte lôa, ou cousa, que o valha: e vai fielmente copiada do proprio original para que vejão os meus Illustres Leitores, e me digão a que genero, ou especie de Poesia pertence esta galantaria. Lá vai.

Estou morta, estou assustada

Grande gloria se produz,

Vejo na lapa tanta luz,

Estou bastante alvoroçada. (apoiado)

Vejo mulheres assentadas,

Homens por alli assim,

Hum boi comendo capim,

Huma ovelha a berrar, 

Huma burrinha a pastar,

Hum gallo posto a cantar,

Huma gallinha a pinicar.

Quem está no meio? Hum Benjamin.

Quem me dera tão bom fim

Quizerão Nosso Senhor, que vós fosseis hum Serafim,

Com o mesmo resplandou

Por isso o gallo diz cô cô rô cô.

Olhe como he bonitinho!

Meu Deos, que perfeito olhinhos,

A bocca parece hum cravo,

Resplandou de candura.

Parece hum doce favo:

todo o mundo diga bravo Viva;

viva o tal portento.

Quem diremos que viva?

O Divino Nascimento;

que he cheio de gentileza no seu nobre coração.

Pastoras, elle ha aquella "certeza",

elle he o nosso "graxão".

Fonte: DIARIO DE PERNAMBUCO (Recife/PE), 21 de Fevereiro de 1840, pág. 03, col. 02-03

terça-feira, 12 de dezembro de 2023

O "Mateus" do Natal nordestino

 



O Natal do Nordeste

O interior do nordeste brasileiro anda cheio de tradições de Natal.

Começam, quase sempre, um mês antes os ensaios da Pastoril ou da Chegança, conforme os lugares, para a noite do nascimento do Menino Jesus. Tanto as sertanejas pobres como a gente rica, vão à "missa do galo" com vestidos novos, feitos para esse fim.

E, no regresso, junto ao presépio, há o folguedo denominado Reisado que uma espécie de bôbo a que chamam Mateus, com a cara cheia de tinta preta, vestes esfarrapadas, résteas de cebôlas, sem os bôlbos, e chocalhos de boi amarrados à cintura, andou anunciando, de tarde, como "função" que vai realizar-se e para a qual solicitou logo a sala e a cachaça... Há dansas e cantigas, versos e episódios ora trágicos ora cômicos e louvores à cavalaria antiga por homens de capas de ganga e corôas de lata dourada.

O pátio da Matriz é o lugar obrigado para os folguedos da Chegança que canta o amor e as saudades dentro de um navio armado a fingir e com cênas mitológicas à mistura.

Estas festas do Natal estendem-se ao dia de Reis que reservam para as visitas às fazendas dos que largamente podem contribuir para as folganças desejadas.

Fonte: JORNAL DO DIA (Porto Alegre/RS), 25 de Dezembro de 1957, pág. 29

sexta-feira, 8 de dezembro de 2023

Sarrabulho & Feijoada de Natal

 



Na rua da Valla n. 46, haverá um grande sarrabulho na noite de Natal, para os amantes dos bons petiscos; e ao mesmo tempo convida se aos apaixonados da boa feijoada com tripas; e aprontão-se jantares para fóra. Na mesma precisa-se de um homem para caixeiro, pagando 16$ rs. mensal.

Fonte: DIÁRIO DO RIO DE JANEIRO (Rio de Janeiro/RJ), 24 de Dezembro de 1845, pág. 04, col. 04

domingo, 25 de dezembro de 2022

sábado, 24 de dezembro de 2022

Festas de Natal em Porto Alegre em 1907



Festas de Natal

Amanhã é o dia consagrado pelos christãos á commemoração ao nascimento de Jesus Christo e por esse motivo repetir-se-ão as festas de todos os annos.

No salão Leopoldina, sob a direcção dos srs. Pedro Müller, Arnaldo Gonçalves, Arlindo Petersen, José A. Rath e Alberto Fehlauer Filho, será commemorado o natal, com o caracter de festa familiar.

Realisar-se-á uma kermesse de creanças, sendo a distribuição dos bilhetes gratuita.

Áquelle salão tem affluido muitos presentes para a arvore do natal.

O Pão dos Pobres, a instituição benemerita do venerando conego Marcellino, fará o natal das creanças pobres, tendo para o fim recebido donativos de casas commerciaes e particulares.

Ás 5 1/2  horas na séde da instituição, no Areal da Baronesa, dar-se-á inicio ao sorteio dos objectos em exposição.

Depois será organisado um premio festivo, sendo feitas manifestações ao Menino Deus, recitadas poesias e feita uma surpresa final.

No arrabalde do Menino Deus as festas obedecerão a um programma mais vasto.

Hoje, ás 6 horas da tarde, haverá vesperas solemnes, e a meia-noite missa solemne, cantando a Ave-Maria a festejada cantora d. Rachel Cartier.

Amanhã, ás 7 horas da manhã haverá missa com acompanhamento de orgam, e ás 9 1/2 missa solemne, pregando ao Evangelho, o bispo de Santa Catharina d. João Becker.

Cantará a Ave-Maria ao prégador d. Sinhásinha Pinheiro.

Ás 6 horas da tarde será entoado solemne Te-Deum.

Em varias casas particulares e arrabaldes, como em Belém Velho, realisar-se-ão tambem festas commemorativas de natal.

Fonte: A FEDERAÇÃO (Porto Alegre/RS), 24 de Dezembro de 1907, pág. 02, col. 03

sexta-feira, 23 de dezembro de 2022

Uma nota sobre o Natal em Porto Alegre em 1867

 



Festejos de Natal no Menino Deus

Aquelle gosto que é peculiar a Monsieur Villain, que teve a bondade de encarregar-se dos ornamentos da capella e de seus arrebaldes; a luz magnetica á noite é de effeito magnifico, e centenares de lampiões de côres augmentão o effeito da illuminação de maneira maravilhosa. Tivemos no dia de Natal musica, mastro da cocanha e fogo de artificio, e a concurrencia foi extraordinaria. Os botequins offerecião opiparos manjares, excellentes refrescos e bebidas refrigerantes, e o proprio tempo esteve propicio, favorecendo a festa com uma bella e estrellada noite de verão. Tambem reinou a maior satisfação em todos os circulos; e foi uma verdadeira festa popular.

As minhas bellas e amaveis leitoras, esses mimosos anjos do Paraizo porto-alegrense, acharão-se ali naturalmente em grande numero?

Podéra não; barcas e carros não tinhão mãos a medir para o transporte de passageiros, e o madamismo ostentou as suas galas em todo o seu explendor. Havia ali toilettes do mais apurado gosto e physionomias dignas do cinzel de um Phydias ou do pincel de um Apelles.

Quanto á isto, não duvido, porque nenhuma outra localidade da provincia e quiçá do Imperio, póde rivalisar com Porto Alegre na belleza e perfeita graça de suas damas. Sinto não ter podido assistir á festa do dia de Natal, mas não perderei as dos dias 5 e 6, tanto mais quanto vamos ter cavalhadas e eu sou maniaco por esse divertimento, que ha de attrahir grande concurrencia de espectadores.

Fonte: A SENTINELLA DO SUL (Porto Alegre/RS), ano I, número 26, 29 de Dezembro de 1867, pág. 219.

sábado, 29 de janeiro de 2022

A peregrinação negreira no Rio Grande do Norte



 A peregrinação negreira no Rio Grande do Norte

Por toda a parte os mesmos. Eis o que se lê no supplemento da "Liberdade", de 30 de Dezembro de 1887, jornal que se publica na cidade do Natal:

"Onze infelizes que aqui aportaram no dia 23, sem que nada os denunciasse como escravos, sem que contra elles pesasse a mais leve suspeita de autoria ou complicidade em algum crime, foram deshumana e vilmente arrastados á policia por um empregado da mesma, que já recebeu paga dessa acção negra e perversa; onde quer que este infeliz apparecia o povo, que sabe ser altivo e nobre, quando se sente ferido em seus instinctos de brio e pundonor, apupava-o, apostrophando-o de "capitão de campo".

Activou-se uma correspondencia telegraphica desta para a policia de Pernambuco, em busca de possuidores para a pobre gente, que a todo custo se queria restituir ao tronco e ao azorrague das senzallas.

A denegação de habeas corpus foi uma nodoa para os brios deste povo, a quem já hoje ninguem póde negar a honra de ser dos mais decididos proselytos da abolição.

Intentou-se de novo o recurso perante o Tribunal da Relação. Isto parece que exarcebou a perversidade da resistencia escravista. Já a policia tem o premio da sua benemerita e philantropica diligencia.

Recolhidos a cadeia publica, ainda hoje curtem as tenebrosas agrurar do carcere todas aquellas miserandas victimas, entre as quaes se conta, para requinte de crueldade, uma innocentinha de dous annos.

Uma petição de habeas corpus enderaçada ao juiz de direito e indeferida por este que obstinadamente se recusará a ouvir os detentos, mandando que permanecessem todos em custodia.

Na informação pedida pelo juiz ao chefe de policia, este, já havia certificado não se lhe ter apresentado ninguem reclamando taes individuos como escravos, que certificara igualmente nada constar na repartição que fizesse suspeitar serem elles criminosos, fez uma carga inutil e perfida áquelles infelizes, lembrando que talvez se tivessem elles evadido do poder de seus senhores, havendo commettido algum roubo ou outro crime.

Fonte: GAZETA NACIONAL: ORGÃO REPUBLICANO (Rio de Janeiro/RJ), 13 de Janeiro de 1888, pág. 02, col. 01

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...