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quarta-feira, 11 de outubro de 2023

O Flagelo de três municípios gaúchos



 No dia 23 do passado, no districto de Capivary, municipio de Rio Pardo, foi morto por uma escolta o conhecido bandido Antonio Lauriano, que fez parte da celebre quadrilha dos Tatús.

Antonio Lauriano, pronunciado ha annos por crime de morte e recentemente por furto, era o terror, o flagello dos tres municipios de Rio Pardo, Encruzilhada e S. Jeronymo, lugares onde de preferencia praticava as suas proezas.

O commandante da policia de Capivary sabendo que se achavam os bandidos n'aquelle lugar, reforçando a sua escolta, para ali se dirigiu e teve a felicidade de encontral-os.

Ao receberem voz de prisão, os bandidos deram uma descarga na escolta e tratarem de escapar-se, o que conseguiram dois, um conhecido por Neio e outro por Zeferino Tatú, morrendo Antonio Lauriano depois de sustentar renhida lucta, dando só elle seis tiros, pois estava armado com uma espingarda de dois canos e duas pistolas.

Fonte: A FEDERAÇÃO (Porto Alegre/RS), 02 de Maio de 1888, pág. 01, col. 08

quinta-feira, 14 de setembro de 2023

O covil do segundo distrito das Pedras Brancas

 



Pedras Brancas

Escrevem-nos d'ali em data de 7 do corrente:

"O 2o. districto das Pedras Brancas, desde a costa do Jacuhy até o Boqueirão, tem sido até agora um verdadeiro covil de ladrões e assassinos, protegidos pelas autoridades de então, por medo de tel-os por inimigos. A tanto chegou a desmoralisação da autoridade desde vinte annos passados!

O subdelegado actual, porém, Bibiano Dias de Casttro, tal energia, zelo, prudencia, criterio e actividade tem desenvolvido, que, acompanhado apenas de duas praças policiaes, capturou um assassino celebre, de nome Julio Carneiro, que actualmente está sendo processado na Encruzilhada por crime de morte; ha um mez instaurou processo contra um ladrão de gado, de nome João Baptista, tido por assassino; pouco tempo depois instaurou processo a um concunhado d'este, tido tambem por ladrão de gado e assassino, por espancar uma creança de seis annos e sua mãi, sem que ambas tivessem pessoa alguma que as defendesse; finalmente, acabou hoje de instaurar processo a tres individuos conhecidos por Coroados, por descobrir uma xarqueada clandestina, occulta na matta, em que encontrou as provas de furto de gado em grande escala e de longa data, taes como grandes covas em que estavam enterrados sebo, tripas e outros residuos de muitas rezes, tendaes, estuqueadores, etc.

A dedicacção d'essa autoridade foi a ponto de enviar com os autos um esboço topographico dos terrenos adjacentes ao local do crime em tão larga escala.

Cumpre dizer que todos os individuos mencionados formam, com outros aqui residentes e varios assassinos celebres de S. Jeronymo, conhecidos por Lemos, Tatús, Pintos e Botelhos, uma tremenda quadrilha, que, tendo por divisa 'quem fala, paga', trazia em completo desassocego todo este districto.

Ora, a autoridade a que me refiro, secundada por alguns poucos cidadãos energicos, têm-se tornado merecedora de animação e mesmo de coadjuvação em bem da justiça, que tão rara é entre nós.

Fonte: A FEDERAÇÃO (Porto Alegre/RS), 13 de Setembro de 1886, pág. 02, col. 03

quinta-feira, 25 de junho de 2020

A Quadrilha dos Tatus


"No dia 23 do passado, no districto de Capivary, municipio de Rio Pardo, foi morto por uma escolta o conhecido bandido Antonio Lauriano, que fez parte da celebre quadrilha dos Tatús.

Antonio Lauriano, pronunciado ha annos por crime de morte e recentemente por furto, era o terror, o flagello dos tres municipios de Rio Pardo, Encruzilhada e S. Jeronymo, lugares onde de preferencia praticava as suas proezas.

O commandante da policia de Capivary sabendo que se achavam os bandidos n'aquelle lugar, reforçando a sua escolta, para ali se dirigia e teve a felicidade de encontral-os.

Ao receberem voz de prisão, os bandidos deram uma descarga na escolta e trataram de escapar-se, o que conseguiram dois, um conhecido por Neio e outro por Zeferino Tatú, morrendo Antonio Lauriano depois de sustentar renhida lucta, dando só elle seis tiros, pois estava armado com uma espingarda de dois canos e duas pistolas."

Fonte: A FEDERAÇÃO (Porto Alegre/RS), 02 de Maio de 1888, pág. 01, col. 05

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2020

Zeferino Freitas de Oliveira Pradel


"Registro mortuario

O nosso dedicado co-religionario Zeferino Freitas de Oliveira Pradel, que soffria de uma dilatação da aorta, morreu hoje repentinamente, ás 9 horas da manhã, pouco mais ou menos.

O finado era moço de trinta e poucos annos, agrimensor intelligente e chefe da commissão de terras da colonia Mariana Pimentel, no municipio de São Jeronymo.

Por varias vezes tomou armas em defesa da Republica.

Deixa viuva e filhinhos.

Apresentamos os nossos pezames á exma. familia do morto.

- As ceremonias do enterramento se effectuarão amanhã, na Cathedral, saindo o feretro da casa n. 183 da rua da Varzinha."

Fonte: A FEDERAÇÃO (Porto Alegre/RS), 10 de Dezembro de 1892, pág. 02, col. 04

terça-feira, 17 de setembro de 2019

O suplício do escravo Domingos



"Por notavel coincidencia, ao mesmo tempo que recebiamos de um prestimoso collaborador o artigo estampado em nossa primeira pagina sobre o 25 de março, dia escolhido para redimir os ultimos escravos no Ceará, tambem nos vinha ás mãos a carta de um distincto amigo narrando o seguinte hediondo caso:

A duas legoas, mais ou menos, da villa de S. Jeronymo, na fazenda do sr. Demetrio Pereira do Lago, foi barbara e deshumanamente torturado, o escravo Domingos, de propriedade d'esse mesmo sr. Demetrio.

O crime revestio-se das circumstancias que seguem:

A desgraçada victima foi amarrada em tronco especial e ahi sujeita a centenares de açoites.

Depois, em estado inanime, quando já estavam as carnes saltando em pedaços, pois tinha nas costas rombos enormes, ainda foi, por meio de correntes, ligada á um montão de ossos podres cobertos de vermes, que logo se puzeram em communicação com as immensas chagas que sangravam no corpo d'essa miseravel creatura.

Ainda assim os algozes, não satisfeitos com tudo isso, a tiraram d'esse leito infernal para collocarem-n'a novamente no tronco, até que ahi, sem comer nem beber, a morte viesse finalisar semelhante martyrologio.

Porém os proprios parceiros de Domingos, apezar de toda timidez, não se supportaram á vista de tão horrorosas scenas e o soltaram, favorecendo-lhe a fuga.

Esse infeliz dirigio-se para esta capital afim de apresentar-se ás autoridades.

Consta-nos mais que seu senhor tambem para aqui veio, e o amigo que escreveu-nos diz estar elle confiado em valiosos amigos d'esta cidade."

Fonte: A FEDERAÇÃO (Porto Alegre/RS),  27 de Março de 1884, pág. 02, col. 01
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