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domingo, 18 de agosto de 2019

A Pedreira da Palma


"BARRA DA PROVINCIA

Do Rio-Grandense de Pelotas:

Estiveram na Palma, n'este municipio, fazenda do nosso distincto amigo sr. Manoel Nunes Baptista, o illustrado engenheiro hollandez sr. P. Calland, acompanhado de seu secretario, e os srs. drs. Bicalho, Saboia e Lopo Netto, e examinaram uma pedreira que ali existe e os mattos.

Pelo exame verificaram que a pedra é de superior qualidade e apropriada para empregar-se nas obras hydraulicas que se pretendem fazer na barra da provincia.

O illustre engenheiro sr. Calland e seus dignos companheiros foram obsequiados pelo distincto cavalheiro sr. Baptista com um lauto almoço."

Fonte: A FEDERAÇÃO (Porto Alegre/RS), 05 de Outubro de 1885, pág. 01, col. 02

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

Futebol de Botas

Trecho extraído de: PINHEIRO, Luiz Carlos Marques. A Pelotas que vivi. Edição independente, 2013, p. 194-196.


"Sobre o meu tio Damásio eu já contei. Era um engenheiro-agrônomo, Administrador da Fazenda Experimental da Palma, uma fazenda-modelo, integrada ao Instituto Agronômico do Sul. 
A fazenda podia ser chamada com muita propriedade de “modelo”. Seu antigo proprietário, o Cel.Alberto Rosa, devia ter sido um homem muito avançado para a sua época. A sede da fazenda era uma enorme casa em estilo espanhol, com grande quantidade de quartos, imensas salas e uma cozinha enorme. 
Em torno da casa, uns doze pés de Hortência floridas, azuis e rosa. Havia um enorme galpão, que era a ferraria; um curral grande para as domas; e duas cabanhas para o gado. Tudo em tijolo. Havia luz elétrica, graças a um gerador movido por um cata-vento colocado no topo de um silo enorme de tijolo. A luz elétrica permitia um modernismo na fazenda: a ordenha mecânica. 
Um outro modernismo: não era permitida a “monta natural”. Tudo era feito com inseminação artificial. O Cel. Alberto Rosa foi um homem muito influente em Pelotas, tendo sido um dos dois principais acionistas do Banco Pelotense, junto com Plotino Amaro Duarte. Foi também sócio do Coronel Pedro Osório, na firma Pedro Osório & Cia, que durou até 1922. Morreu em 1923. 
A única coisa velha na fazenda era o telefone. Era daqueles antigos, de manivela. A gente tocava a manivela, e dava sinal no Centro telefônico, no Capão do Leão. A telefonista atendia, a gente pedia o número, e ela fazia a ligação. Mas antes de pedir o número se batia um papo com a telefonista. Uma curiosidade: os números tinham só dois dígitos. O tio Damásio sempre foi uma pessoa muito caprichosa. Isso era facilmente detectável pelo cuidado especial com que ele tratava os livros da sua infância, e que me emprestava para ler. Com o mesmo capricho ele cuidava da Palma. Para o Instituto, a Palma era “a jóia da corôa”. 
Tanto era assim, que quando chegava algum visitante do exterior no Instituto, eles levavam para mostrar a Palma. O churrasco de comemoração ao Dia do Agrônomo, coisa para mais de cem pesoas, era realizado na Palma, à sombra de uma meia dúzia de figueiras enormes, centenárias, alinhadas em seqüência. E um enorme braseiro em uma vala aberta no chão. O legítimo churrasco gaúcho. 
Eu, com oito anos de idade, acordava às 6 hs.da manhã para acompanhar de perto todas as atividades de preparação do churrasco. O tio Damásio andava sempre vestido de bombacha e botas sanfona. Na cintura um cinto largo. E no cinto um chaveiro. Mas não era um chaveiro qualquer. Era um ”senhor” chaveiro, com mais ou menos umas quinze chaves. Quando a gente via ele de frente, a primeira coisa que se via eram as chaves na cintura. 
Umas duas vezes por semana, o tio Damásio organizava, à tardinha, um joguinho de futebol com os empregados. Ele comprava a bola, do tipo oficial. Os empregados tiravam as botinas, ficavam de pés descalços, e arremangavam as calças. O tio Damásio era o único que jogava de botas. Passados muitos anos eu fui compreender isso. Menino rico, filho de família tradicional, nunca brincou com os pés descalços. A pele do seu pé não agüentaria pisar naquela grama.

Baixinho, gordinho, de botas, quando ele corria atrás da bola, o chaveiro ia sacudindo na cintura, batendo na anca. Era uma cena hilária. Tinha um empregado, um alemão de cabelo bem amarelo, de mais ou menos um metro e oitenta e tantos, forte como um touro, que quando tirava as botinas, os pés deviam ser 46. Os dedos dos pés enormes e grossos, abertos, espalhados. Não é à toa que era chamado de “Pé-de-Anjo”. Esse alemão era o único que, descalço, entrava em uma bola dividida com o tio Damásio, de botas. Esse ambiente criado pelo tio Damásio, essa postura liberal, criava nos empregados um sentimento de igualdade, que se refletia no seu comportamento, facilmente detectável na alegria com que trabalhavam e no carinho com que me tratavam."

quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

O Atropelamento do Trem


Trecho extraído de: PINHEIRO, Luiz Carlos Marques. A Pelotas que vivi. Edição independente, 2013, p. 185.

"Meu tio Damásio era uma figura incomum. Família tradicionalíssima em Pelotas, meio baixo, gordinho, andava sempre apressado. Na rua, era incrível a pressa com que ele andava ... pra nada. Puro vício. Da mesma maneira que andava, ele falava. No começo eu tinha dificuldade de entender o que ele dizia, tão depressa falava. Tinha uma outra particularidade, era muito rico. Dinheiro para ele não era o problema. Ora, se juntarmos essas duas particularidades, não poderia acontecer outra coisa. Ele era o engenheiro-agrônomo responsável pela Fazenda da Palma, do Ministério da Agricultura. Não sei se ainda hoje pertence ao Município do Capão do Leão. Estava indo ele para a Palma com a minha tia Rosinha, numa segunda-feira de manhã cedo, quando, ao cruzar a linha férrea, numa passagem de nível, ele abalroou o trem. Só o fato de abalroar um trem já era um fato digno de registro. Nunca ninguém tinha abalroado um trem antes! Era inédito! Desceu do carro rápido, como sempre, e falou rapidinho para o maquinista:
Não se preocupe, não se preocupe que eu pago tudo...eu pago tudo! Ele era conhecido na família por ser desse jeito. Ele não discutia ... ele pagava."

segunda-feira, 13 de julho de 2015

Vista Aérea da Fazenda da Palma em 1947


Imagem extraída do site da Fototeca Memória da UFPel 

Vídeo narrando a fotografia - projeto "Fotografia para Ouvir" da Fototeca Memória da Universidade Federal de Pelotas do Departamento de Museologia, Conservação e Restauro do Instituto de Ciências Humanas/UFPel. Canal do vídeo no YouTube: Fototeca Memória da UFPel

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Exposição de Camisas Históricas da S.R. Palmeiras em 2007


Exposição de camisas de futebol que fizeram a história da Sociedade Recreativa Palmeiras, da Fazenda da Palma, em Capão do Leão, no ano de 2007, na sede do clube. Cortesia: Luiz Teixeira

Madrinhas da S.R. Palmeiras em diferentes épocas

Foto acima: Dausa (aprox. final da década de 1960)
Foto abaixo: encontro de madrinhas de diferentes épocas em 2007
Cortesia: Luiz Teixeira

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Torcida da Sociedade Recreativa Palmeiras em 1987

Torcida "feminina" da Sociedade Recreativa Palmeiras (da Fazenda da Palma) em 1987. Neste ano, o tradicional clube de futebol amador de nossa cidade, sagrou-se campeão invicto na categoria titulares. Lembro-me que a final aconteceu no campo do Independente e, ao final do jogo, a torcida alviverde tomou de assalto a rua Jayme Ferreira Cardoso, em direção à Avenida Narciso Silva, em empolgada comemoração.
Cortesia: Luiz Teixeira

segunda-feira, 11 de setembro de 2006

Estância da Palma

Estância da Palma
"Mais tarde, a Estância da Palma e Pavão (assim chamada), pertenceu a D. Sulpícia Moreira Rosa, adquirida por compra. Por ocasião de sua morte, em 1921, nomeia em testamento os herdeiros desta e demais bens. Primeiro, o seu esposo, o Coronel Alberto Roberto Rosa, segundo, o engenheiro Alberto Moreira Rosa, seguido de Álvaro, Arlindo e Dinah Moreira Rosa, todos casados e maiores de idade. '... a Estância da Palma e Pavão, composta de campos de criar e matas, com casas de moradia, galpões, mangueiras e outras benfeitorias, com área superficial de 12.557.429 metros quadrados, situada no 4o. Distrito deste município, confinada às pedreiras do Governo Estadual, havida por compra a diversos, de oitenta e quatro contos, oitocentos e oito mil, seis contos e vinte réis'. (Inventário - 1921- 3a. Vara Civil Forum Municipal).
Dentre as acomodações da estância consta o solar, construído, aproximadamente, em finais do século XIX, em estilo luso-brasileiro, com função de residência de verão e estadia para visitas periódicas de administração, uma vez que a família residia em Pelotas, na Praça da República no. 66 e tinha por hábito viajar ao Rio de Janeiro.
Com a morte do Coronel, herda seu filho, o Dr. Alberto Moreira Rosa, a extensão de terra, com casa de moradia, galpões, mangueiras e benfeitorias.
Em junho de 1937, o Dr. Alberto Moreira Rosa e sua esposa, Edwina de Godoy Rosa, residentes no Rio de Janeiro, representados pelo Dr. Hércio de Araújo, doam ao estado do Rio Grande do Sul, cessionário do acervo do extinto Banco Pelotense, a referida extensão de terra.
De posse do estado, em outubro de 1941, foi doada à Prefeitura Municipal de Pelotas, representada por seu então prefeito o Sr. Julio de Albuquerque Barros, com o encargo de ser mantido no local uma fazenda experimental da Escola de Agronomia Eliseu Maciel e outras instalações necessárias às funções técnicas ali administradas.
Em janeiro de 1946, a Prefeitura Municipal de Pelotas, através de seu prefeito Procópio Duval Gomes de Freitas, transfere o título de posse das terras ao Ministério da Agricultura, ficando estabelecida a exigência de manter a fazenda experimental da Escola de Agronomia.
Todo conjunto construído, bem como a área circundante, vem sendo utilizado com a finalidade de atender às exigências impostas. O solar, objeto em estudo, foi adaptado, por volta de 1970 para alojamento de estagiários. Estas adaptações trouxeram prejuízos ao conjunto arquitetônico original, devido ao emprego de materiais de baixa qualidade, mão de obra não especializada e falta de orientação técnica". (sem páginas numeradas)
Fonte: MARTINS, Roberto Dutra & OLIVEIRA, Ana Lucia (orientadores). Estância da Palma: Levantamento Histórico e Arquitetônico das Atuais Condições do Prédio. Pelotas, UFPel, Curso de Arquitetura e Urbanismo, novembro 1982.

sexta-feira, 18 de agosto de 2006

Assentamento da Palma

Trecho extraído da revista acadêmica História em Revista, do Núcleo de Documentação Histórica da Universidade Federal de Pelotas, número 02, ano 1996. Fornece algumas informações sobre o assentamento agrícola da Palma. Os autores: Beatriz Ana Loner, Lorena Almeida Gill, Paulo Mattos, César Reis Gomes e Rodrigo Dias. O artigo é o seguinte:
O Assentamento da Palma:
a individualização do coletivo
"Esse artigo é resultado de um projeto de pesquisa desenvolvido durante 1993 e 1994, junto aos colonos assentados na Fazenda da Palma, propriedade da UFPel, no município de Capão do Leão, RS." (pág. 65)
"Normalmente, as ocupações são realizadas em terras de particulares consideradas improdutivas pelo movimento. Entretanto, para o final da década de 80, começam a invadir também terras da União, numa tentativa de pressionar mais diretamente a Administração Federal e cobrar soluções para o problema da Reforma Agrária. É dentro desta perspectiva que se colocam as duas invasões sofridas pelo Centro Agropecuário da Palma (Fazenda da Palma), estação agro-experimental pertencente a Universidade Federal de Pelotas e situada no Município de Capão do Leão, utilizada para fins de ensino e pesquisa da UFPel.
A primeira invasão ocorreu em 23 de novembro de 1987, quando grupos de colonos, vindos da Fazenda Anonni, instalam-se no local. O significado político da invasão era evidente: dar uma resposta à UDR, que sempre reclamava pelo fato dos colonos só invadirem propriedades particulares; pressionar o governo federal, para que este agilizasse a solução para os problemas da terra, além de tentar formas de colaboração entre colonos e instituições ligadas ao poder federal, daí o motivo da invasão de uma Fazenda Experimental. A proposta dos colonos era serem assentados, em parte das áreas da fazenda e desenvolverem um projeto agrícola conjunto com professores e pesquisadores da UFPel. Entretanto, apesar do apoio de vários setores, dentro e fora da universidade, os colonos tiveram que lutar contra a posição da Reitoria e do Governo, contrários ao assentamento, além de fortes correntes na cidade de Pelotas e regiões vizinhas que viam no acampamento o perigo de transferir-se para a Zona Sul as conturbações ocorridas em outras regiões do Estado pela atuação do MST. Derrotados nos Conselhos Superiores da UFPel, os colonos perderam a possibilidade do assentamento, tendo que se retirar do local em maio de 1988.
A segunda invasão deu-se em 12 de março de 1993, por um grupo de famílias vindas de acampamento na Fazenda Santa Marta, em Bagé. Fazia parte de uma estratégia responsável pela invasão, no mesmo dia de outras duas áreas de terra no Estado. Tal ação justificava-se no fato de que naquele dia, o presidente da República estaria no Estado abrindo a colheita do arroz e assim, estes acontecimentos teriam ampla repercussão nacional, fazendo parte da estratégia de pressão sobre a União para que esta efetivasse suas promessas de redistribuição de terras. Esta segunda invasão novamente dividiu opiniões na universidade e na região. Entretanto, desta vez contou com uma conjuntura mais propícia internamente, devido a Reitoria, sob a direção do Dr. Amilcar Gigante, ter assumido uma posição favorável à projetos conjuntos com colonos sem terra. Também a direção do INCRA se posicionou favoravelmente ao projeto de assentamento apresentado pelos colonos com a colaboração de setores ligados à universidade. Desta forma, o projeto foi aprovado pelos órgãos superiores da UFPel, ficando destinado uma área de quase 500 hectares da Fazenda para sua implantação, onde os colonos, distribuídos em 26 famílias (perto de 90 pessoas) devem desenvolver trabalhos de agricultura e pecuária, sob assessoria de técnicos e professores ligados à instituição, com a colaboração do INCRA e outros órgãos do governo quanto ao financiamento. A propriedade da terra continua sendo da universidade, tendo os colonos direito a sua utilização em regime de comodato durante 15 anos." (pág.68-70)
"Logo que começamos as entrevistas na Palma, uma das questões que nos chamava a atenção foi justamente a expectativa que tinham os assentados no processo de coletivização não só vinculado a esfera da produção, quanto da reprodução. Pensava-se em uma vida praticamente conjunta, como se o assentamento pudesse se constituir em um 'embrião' daquela sociedade igualitária, justa e fraterna, que a esquerda preconizava." (pág. 72)
"Em entrevistas iniciais, sentimos que esta mentalidade impregnava de tal forma as idéias dos colonos que, por exemplo, alguns entrevistados afirmaram que até as galinhas que criavam como sua propriedade individual, junto às casas, seriam colocadas no galinheiro coletivo, tão logo este estivesse pronto. Entretanto, hoje em dia, com o galinheiro já pronto e o criadouro de porcos também em funcionamento, continuamos a ver muitas destas pequenas criações no acampamento que persistem como propriedade individual." (pág. 73)
"O assentamento tem uma estrutura deliberativa formada por todos os colonos, com decisões tiradas em assembléia. Nestas, tem direito à voto os maiores de 16 anos. Além disso, tem uma direção, eleita por um ano, com direito à reeleição." (pág. 76)
"Contudo, aquela grande expectativa inicial do trabalho conjunto, levou-os apresentar, nos primeiros tempos, uma atitude de certa passividade, de paciente espera frente a resolução de alguns problemas. O exemplo da habitação é o mais ilustrativo, na medida em que passaram-se 2 anos até que resolvessem eles próprios construir as casas, mas aí ainda podemos acreditar que confiavam na palavra de autoridades que garantiram o financiamento do projeto. Mas que dizer de problemas menores, como a questão da assistência médica no acampamento? Algumas mulheres engravidaram enquanto esperavam que os anticoncepcionais fossem trazidos ao acampamento, mas poderiam tê-los conseguidos em postos médicos da região." (pág. 81)

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