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quarta-feira, 17 de setembro de 2025

Manosantas & Tatadióses



MEDICOS, PLANTAS MEDICINAES

(...)

As receitas do P. Asperger andavam de mão em mão e, segundo uma testemunha insuspeita, Azara, tinham mais credito no Rio da Prata que na Europa as de Hypocrates. Assim se explica como a sciencia medica ficou tão commum entre o vulgo no Rio da Prata. Não ha quasi cidade nem povo em que não se encontrem vendedores de hervas medicinaes, que elles mesmos colhem pelos cerros, praias, banhados, cochilhas e valles.

Manosantas e Tatadióses chamam no Rio da Prata certa classe de curandeiros que percorrem os campos e as cidades, promettendo curas maravilhosas. Estes curandeiros commumente não sabem ler nem escrever. Não aprendem sua arte em um livro nem em uma escola. Tão pouco fazem esforços para adquirirem um capital de sciencia medica. Pode-se dizer que o curandeiro via facti chegou a exercer o seu officio. Um dia offereceu-se-lhe a occasião de ver se curava um afflicto, implorando a divina misericordia, benzendo, assoprando ou impondo-lhes as mãos e sahiu-se bem. Repetiu a operação uma e outra vez, sendo feliz em todas ou algumas. Correu a fama e proclamaram-no manosanta. Nasce pois, diz o supracitado autor, e sae o manosanta do seio da sociedade e de determinadas circumstancias, como certas hervas que brotam e crescem sem que alguem as plante nem cultive, em terrenos appropriados a receber a semente que as produziu. Ao emprehender inconscientemente seu ministerio, corresponde a uma vocação que, alheia ao cultivo intellectual, se converte em monomania. Seu procedimento não differe do dos magos e feiticeiros de outros tempos e regiões, sendo que a humana natureza é sempre a mesma.

A supina ignorancia do curandeiro lhe possibilita aquella impavidez que infunde ao enfermo, pasmado da ousadia do manosanta, essa confiança e fé que á maneira de auto-sugestão produzem as vezes visiveis melhoras ou a cura completa. Ao mesmo tempo procura passar por homem de bem, não cometter acções más, visto que a prativa da virtude favorece o exito das suas curas.

Para adquirir a força necessaria para operar sobre a imaginação de seus admiradores recorre, quanto trata gente religiosa, a piedosas ceremonias e praticas. As velas collocadas entre o crucifixo e o paciente offuscam-lhe os olhos e ajudam a auto-sugestão.

Apezar desta apparencia tão santa, se dermos credito a autoridade notavel, o manosanta e o tatadiós são ministros do espirito das trevas, que, com o attractivo de offerecer nada menos que o bem-estar physico á gente, se propõe a dominal-a. Pouco importa ao vulgo ignorante donde lhe venha a cura e a saúde; fechando os olhos, se põe nas mãos de quem lhe promette e confere a saúde ou o livre de um grande perigo.

Fonte: ALMANAK LITTERARIO DO RIO GRANDE DO SUL, Porto Alegre/RS, edição de 1912, pág. 154-155

quinta-feira, 27 de junho de 2024

A horda do malévolo Ojeda

 



EXTRACTO DE JORNAES

(...)

Uma carta escriptaa de Bagé, para o Diario de Pelotas noticia:

"No departamento do Cerro Largo, ha oito ou dez dias, uma horda de malevolos, capitaneada por um tal Ojeda, filho, premeditou assaltar as estancias dos brazileiros João Antonio Martins, Nereu Soares Martins, Manoel Coelho, Ignacio Silveira e Leopoldino Dutra.

Terião levado ao fim tão tenebroso plano e quiçá assassinado aquelles cavalheiros, se a cobiça os não levasse a assassinar a um dos proprios companheiros que tinha em seu poder 14 onças de ouro.

A sorte permittio que o assassinado fosse irmão do commissario do departamento, e que este, querendo vingar a morte daquelle, désse caça á quadrilha.

De facto, encontrou trez dos referidos malevolos, que resistirão, sendo afim dous prezos e um morto.

Os presos combinárão o assalto que tinhão premeditado, accrescentando que contavão obter bom resultado por não estarem preparadas para resistir nenhuma das referidas estancias.

Ao acaso deve-se, pois, o frustramento de tão horrendo plano e termos o desgosto de registrar mais um horroroso crime.

Ao que parece, parte dessa horda de bandido são os mesmos que têm percorrido alguns municipios fronteiros e que quando perseguidos aqui, passão para o Estado Oriental e vice-versa".

Fonte: O DESPERTADOR (Florianópolis/SC), 13 de Março de 1875, pág. 01, col. 03-04

sábado, 11 de novembro de 2023

Refugiados em Uruguaiana

 



De Uruguayana escreveu á Tribuna Popular que n'aquella cidade ha actualmente mais de 200 emigrados orientaes, a mór parte dos quaes moradores do departamento de Salto, achando-se muitos em tristissima situação.

Fonte: A FEDERAÇÃO (Porto Alegre/RS), 21 de Agosto de 1886, pág. 01, col. 02

quarta-feira, 10 de maio de 2023

A Quadrilha de Juan Palacios

 



Relativamente aos crimes de Taquarembó, de que já fizemos menção, encontramos mais estas noticias nos jornaes do Rio da Prata:

El-Heraldo de S. Fructuoso diz que o commissario Luiz Rifaud, imcumbido pelo chefe politico de perseguir os criminosos da Cuchilha de Haedo, capturou o malfeitor Juan Francisco Rodriguez, perto do Passo da Sepultura (Quarahym) limites do Brazil.

Referindo-se a uma quadrilha de ladrões, cujo chefe é um tal Juan Palacios, quadrilha que anda bem montada e armada com espingardas Remington, diz a mesma folha que a sobredita quadrilha pretendia assaltar a casa de commercio do Sr. Ramon Fontan, o qual salvou-se milagrosamente, em virtude de ter mudado sua casa para outro ponto, sendo victimas do engano o nosso infeliz compatriota Dyonisio Pereira e sua familia.

Accrescenta o referido periodico:

As policias do Salto, Rivera, Artigas e do Brasil, conjunctamente com as que d'este departamento estão em acção, perseguem activamente os criminosos, e não será difficil a captura de todos ou da maior parte.

- La Tribuna Popular recebeu o seguinte telegramma:

"A. Fructuoso, 30 de maio. - Um grupo de assassinos e matreiros que era perseguido pelas policias de Rivera e Taquarembó, travou luta com a mesma policia e dirige-se á Serra do Infernilho.

N'este momento sahem forças do regimento de cavallaria que manda o coronel Klinger para auxiliarem a policia. Os assassinos montam magnificos cavallos, e estão armados com Remington."

Fonte: A FEDERAÇÃO (Porto Alegre/RS), 14 de Junho de 1888, pág. 01, col. 03

sábado, 15 de abril de 2023

A Quadrilha de Miguel Tavares

 



LIVRAMENTO

(...)

1 de fevereiro:

- N'essa data o Correio do Sul dá conta da captura de alguns criminosos, nas immediações da Rivera.

"Quinta-feira ultima, diz aquella folha, as autoridades de Rivera, auxiliadas pelos sr. Benevenuto José dos Santos, subdelegado de policia d'este termo, e pelo sr. commandante da fronteira, general Isidoro F. de Oliveira, em combinação, conseguiram prender no lugar denominado Galpões, sob a linha, tres individuos da quadrilha que tanto tem trazido em sobresalto a população dos arredores d'esta cidade.

Entre os tres individuos capturados acha-se o chefe d'essa quadrilha de gatunos, de nome Miguel Tavares.

São dignas de louvores as autoridades, tanto d'esta cidade como de Rivera, pois prestaram um relevantissimo serviço á causa publica, alliviando a propriedade individual dos assaltos d'esses homens."

Fonte: A FEDERAÇÃO (Porto Alegre/RS), 16 de Fevereiro de 1885, pág. 01, col. 08

domingo, 19 de março de 2023

A Lenda do Arroio Chuí



 Diz uma lenda que o arroio foi encantado pelo grande chefe índio uruguaio Charrua, antes de morrer. Esse pajé tinha sido flechado, por questão de terras, por um cacique índio brasileiro, que sempre fora seu amigo. Não acreditou que tinha sido ele que o atingira e, moribundo, pendendo a cabeça para a esquerda e para a direita, ficou chamando pelo amigo. O rio ficou, pelos séculos afora, imitando o seu gesto, para lembrar sempre que a amizade de brasileiros e uruguaios nunca será quebrada, por causa do solo.

Fonte: MANCHETE (Rio de Janeiro/RJ), edição 694, 07 de Agosto de 1965, pág. 41

sábado, 11 de fevereiro de 2023

Arlindo Corrêa de Oliveira



"Arlindo Corrêa de Oliveira

Tendo-se pedido por esta folha noticias de Arlindo Corrêa de Oliveira, remetteram-nos, de Pelotas, as seguintes:

"Arlindo Corrêa de Oliveira falleceu em meiados de 93, na estancia do dr. José Francisco de Freitas, no Estado Oriental, para onde emigrára na occasião dos successos de junho de 1892, tendo sido bastante prejudicado no cortume que possuia em Bagé.

Succumbiu, segundo recorda-se o informante de ter lido em diversos jornaes do Estado, os de Porto Alegre inclusive, a uma tuberculose pulmonar, contando 29 annos de idade."

Fonte: A FEDERAÇÃO (Porto Alegre/RS), 26 de Abril de 1894, pág. 02, col. 02

terça-feira, 26 de julho de 2022

Brasileiros caçados no Uruguay

 



Recebemos hontem a seguinte carta do Sr. Marianno Porto, ex-redactor do Brasil, de Montevidéo:

"Coincidindo com a narrativa que ha alguns dias fizeram-nos em carta dois importantes estancieiros brasileiros dos departamentos de Paysandú e Tacuarembó, do Estado Oriental do Uruguay, sobre os barbaros castigos pelo celeberrimo coronel Klinger, do exercito d'aquella republica, inflingidos na pessoa do cidadão Bernardino Costa, filho do Estado do Rio Grande do Sul; coincidindo com essa narração, deparamos no periodico O Brasil, de Montevidéo, com algumas linhas de gazetilha que em sua manifesta simplicidade confirmam, sem discrepar uma só circumstancia, tudo quanto em carta nos contaram aquelles nossos compatriotas. La Razon, de Montevidéu, folha oriental, a mesma que no tempo de Maximo Santos constituiu-se acerrima defensora dos cidadãoes brasileiros, crucificados no Paso-Hondo, tambem se incumbiu de estigmatisar o procedimento criminoso do coronel Klinger.

Jamais nos guiaremos, porém, pelos ataques, porém, pelos ataques das folhas de Montevidéo, porque sabemos que ellas, quando se envolvem em questões d'essa natureza, são sempre inspiradas no espirito de opposição aos adversarios politicos.

É phenomeno que não falha, não em um, mas em todos os partidos em que se divide o povo oriental. Não é isso, no entanto, motivo para que não sejamos gratos ao illustrado jornalismo uruguayo. Sempre o fomos, e a prova existe no agradecimento que escrevemos em março de 1888, dirigido á imprensa uruguaya, que, com excepção de duas ou tres folhas, subvencionadas pelo governo, pediu, mesmo implorou, que nos fizesse justiça, quando, incendiado pelo amor patrio, tomámos a defeza do misero pernambucano Leopoldo Marques; e, quanto mais tarde, respondemos a tres julgamentos no departamento do Salto. E, caso singular, e do qual nunca os governos da monarchia fizeram cabedal; eramos absolvido pelos cidadãos jurados e incontenenti condemnado pelos tribunaes do governo!

N'essa época, repetimos, deixámos evidenciada nossa sympathia e gratidão para com a imprensa de Montevidéo.

Nosso intento, hoje, publicando na conceituada e popular Gazeta de Noticias este ligeiro artigo é - chamar a attenção do benemerito jornalismo fluminense para as folhas platinas, cujas columnas, é rarissimo passar-se um mez, que não constatem factos como o que nos foi narrado por dous compatriotas, O Brasil e La Razon.

A diplomacia nem sempre póde agir em taes casos: e, não obstante ser alli nosso ministro o Dr. Ramiro Barcellos, filho do Rio Grande, ainda assim nos aventuramos a consignar que serão totalmente infructiferos os esforços de S. Ex., desde que não seja apoiado sem reservas pelo glorioso governo provisorio. E a este, por sua vez, é indispensavel a palavra do jornalismo da capital federal.

Nós imploramos, em nome da briosa e patriotica communhão brasileira, residente no Estado Oriental do Uruguay, á illustrada imprensa fluminense o seu valioso auxilio, para a divulgação dos repetidos crimes de que são victimas alguns de nossos compatriotas que têm a infelicidade de cahir nas unhas dos Klingers d'aquelle bello paiz.

Si o honrado gabinete do immortal cidadão Deodoro da Fonseca deseja saber quem é o coronel Klinger, quaes os seus actos, passem os Srs. ministros, embora ligeiramente, os olhos por um exemplar do nosso livro - Leopoldo Marques ou o Volpi Patroni Brasileiro. SS. Exas. o encontram em poder do Dr. João Severiano da F. Hermes, a quem tivemos a honra de offerecer o unico volume que possuiamos.

O qualificativo - torturador - com que o mimoseou (ao coronel) La Razon, não ha muito, é propriedade nossa. Ha dous annos, em artigo firmado, o empregámos tratando das correrias de Klinger contra cidadãos brasileiros do departamento de Tacuarembó.

Concluiremos com o novo attentado:

Bernardino Costa, brasileiro, vai todos os annos a Corrales, na qualidade de capataz, levar tropas de gado. N'uma d'essas viagens, ha um mez mais ou menos, Klinger, por meio da força, fal-o sentar praça. Costa pensa em desertar e escreveu uma carta a Klinger, dizendo-lhe francamente que a servir á força ou de qualquer outro modo no exercito oriental preferia fazer o serviço das armas no Brasil, que era a sua patria. Chegada que foi essa carta ao conhecimento de Klinger, este, depois de a ler, mandou chamar Bernardino e perguntou-lhe se era elle o auctor da carta. Bernardino respondeu affirmativamente. Klinger ordenou que por occasião da parada fossem apllicados em Costa TRES MIL AÇOITES!! A ordem foi cumprida á risca. A victima não soubre o numero de açoites, porque perdeu os sentidos! No outro dia tinha o corpo em chaga viva! Klinger foi á enfermaria, dias depois, e perguntou ao praticante:

- Como vá el brasilero? - Responderem-lhe: está bastante machucado. O coronel, com desprezo, disse:

"Déjelo que se jorobe! Si muere hagan un agujero en el monte y métanto adentro y sinó, larquen'o...ya tiene bastante para quejarse en su tierra!"

Não ha commentario digno.

Tenho comprido com estas linhas o pedido dos dous estrangeiros, e o dever de brasileiro patriota. - Marianno Porto.

Sobre esta occurrencia informaram-nos que o governo oriental já tomou providencias, suspendendo de suas funcções o coronel Klinger e mandando abrir inquerito.

Fonte: GAZETA DE NOTICIAS (Rio de Janeiro/RJ), 10 de Julho de 1890, pág. 01, col. 02-03

domingo, 12 de junho de 2022

O Brasil Independente e a visão nacional sobre os países vizinhos

 



Corria por certo no Rio de Janeiro a sahida do ultimo Correio, que a Republica de Buenos-Ayres tinha declarado guerra ao Imperio do Brasil pela occupação da Provincia Cisplatina, e pertendida Invasão da Provincia de Chiquitos. Custa a crer, que essa insignificante Republica, sempre desolada pelos Indios, e que não consta mais de cento e cincoenta mil almas ouse desafiar o vasto, rico, e poderoso Imperio do Brasil: pagará bem caro sua ousadia!!

He agora tempo de fazer o que há muito se devera ter feito Santa Fé, e Corrientes na Provincia de Entre Rios são pontos militares da maior importancia para a defeza do Imperio do Brasil; mas não basta a occupação destes pontos he preciso mais. Neembuco a margem do Paraguay ao Norte de sua junção com o Paraná he o estaleiro, em que se constroem os Corsarios de Buenos-Ayres: he preciso queimar-se tal espelunca, e na minha opinião toda á banda oriental do Rio Paraguay deve ficar pertencendo ao Imperio, e para esta conquista se devem dirigir as forças do Imperio. Devemo-nos convencer de huma verdade, e he que o Brasil será sempre incommodado por tão máos visinhos, em quanto não tomar estes pontos, e não castigar os Selvagens visinhos a ponto de os fazer perder todas as suas esperanças.

Fonte: O UNIVERSAL (Ouro Preto/MG), 28 de Dezembro de 1825, pág. 288, col. 01-02

quarta-feira, 8 de junho de 2022

Refugiados de guerra em Jaguarão

 



Lê-se no Onze de Junho, folha de Jaguarão, de 2 do corrente:

"O distincto coronel Manoel Amaro Barbosa, em virtude dos avisos e ordem do governo imperial, apresentou-se hontem voluntariamente ao commando da guarnição desta cidade, dando assim uma prova de obediencia ao governo, e proferindo em todo o caso antes de ser brasileiro, a perder todos os seus interesses no Estado-Oriental."

Os jornaes de Jaguarão, recebidos na capital, dizião que havia ali ajuntamentos, a todas as horas do dia, e com mais liberdade á noite, de gaúchos emigrados do Estado-Oriental, aos quaes se reunião escravos e outras pessoas da população; estes factos, que erão muito frequentes, despertavão apprehensões na cidade.

A Reforma, do Jaguarão, diz que se tinha apresentado em uma das guardas da nossa fronteira uma força de 80 a 100 homens, pertencentes ao governo de Montevidéo, e que se refugiára no territorio brasileiro, acossada pelas tropas da revolução. A força entregou as armas.

Na tomada de Artigas fôra morto o oriental José Bibiano Salgado, cujo nome era estimado em Jaguarão, pelo auxilio que prestou outr'ora á defesa desta cidade.

Fonte: DIARIO DE SÃO PAULO (São Paulo/SP), 24 de Setembro de 1871, pág. 02, col. 04-05

terça-feira, 7 de junho de 2022

Mercenários brasileiros no Uruguay



 Noticias das provincias

(...)

Ao Rio-Grandense communicárão do Jaguarão, em data de 12 do passado, relativamente ao cerco da proxima villa oriental de Artigas por uma força blanca:

"Alguns Brasileiros, enthusiastas do partido colorado, que para ali passarão, estenderão uma pequena guerrilha aos revolucionarios, na qual succumbiu como um leão, como verdadeiro Brasileiro, o nosso Elias sapateiro, que depois de morto foi esquartejado pelos salteadores de 27 de Janeiro."

Fonte: DIARIO DE SÃO PAULO (São Paulo/SP), 10 de Setembro de 1871, pág. 02, col. 01

quarta-feira, 27 de abril de 2022

A Quadrilha de Lauredos

 



No Estado Oriental, no lugar denominado Lauredos, segundo informam ao Canabarro, do Livramento, Rio Grande do Sul, uma quadrilha de ladrões e malfeitores assaltou a casa do rico fazendeiro Guilherme Fróes, ferindo duas ou tres pessoas e roubando o dinheiro que encontraram.

As noticas dizem que os ladrões, sendo perseguidos pelas auctoridades orientaes, passaram-se para aquelle municipio, onde consta estarem refugiados.

Fonte: GAZETA DE NOTICIAS (Rio de Janeiro/RJ), 26 de Novembro de 1886, pág. 01, col. 03

domingo, 17 de abril de 2022

Violência na fronteira

 



Os jornaes vêm cheios de noticias de violencias praticadas no theatro da revolução.

O Independente narra esta outra violencia:

"Chegou ao nosso conhecimento, que no dia 18 ou 19 do corrente foi preso e saqueado por forças do governo, commandadas por um tal Manuel Oriental, o Sr. Segundo Vigil, cidadão hespanhol, aqui casado e residente ha mais de 40 annos.

O Sr. Segundo vinha do centro da Republica Oriental, e já perto da linha foi preso na Carpintaria e alli foi depenado do dinheiro e outros objectos, dando graças a Deus ter escapado com vida."

Da Patria, de Montevideo, transcreve o Echo do Sul diversos attentados praticados contra nossos patricios.

Um filho de D. Alexandrina da Cruz Porciuncula foi recrutado no Durazno pelo chefe politico Ricardo Estevão, e estava alistado como policial, fazendo todo o serviço das armas.

O recrutado chama-se Drumonde Antonio da Porciuncula e nasceu no Rio Grande do Sul.

O subdito brazileiro Jeronymo Luiz Mendes foi barbaramente espancado pela auctoridade policial de Villa Collon. Mendes apresentou sua papeleta, mas isso de nada valeu á sanha da auctoridade.

Foi preso depois, amarrado e conduzido á Montevidéo, onde foi solto em virtude de reclamação apresentada pelo Sr. Ponte Ribeiro.

O offendido pretende trazer sua queixa ao governo, se ella não fôr patrocinada pela legação.

O vice-consul do Brazil no Salto, Sr. Firmino da Silva Santos, fez soltar oito brazileiros que estavam servindo em Itapevy sob as ordens do coronel Escayola.

Segundo consta, o governo oriental, como satisfação a reclamações que n'este sentido apresentou-lhe o Sr. Ponte Ribeiro, e á vista de telegrammas d'aqui expedidos pelo Sr. barão de Cotegipe, resolveu substituir e coronel Escayola pelo coronel Nemesio Escobar no commando d'aquellas forças.

Os chefes de partidos continuam a suspender gados e cavalhadas nas estancias brazileiras e ha muitas denuncias de taes violencias na legação imperial.

Fonte: GAZETA DE NOTICIAS (Rio de Janeiro/RJ), 05 de Abril de 1886, pág. 01, col. 05

segunda-feira, 4 de abril de 2022

Antonio Leonel Forte Gatto

 



URUGUAY

(...)

- Falleceu na villa da União o cidadão portuguez Antonio Leonel Forte Gatto. Na idade de 83 annos Forte Gatto era muito conhecido em ambas as margens do Prata, e muito mais ainda na provincia do Rio Grande do Sul.

Fez parte da revolução dos farrapos; esteve na batalha de Ituzaingo como instructor de um batalhão de allemães. Possuia grande numero de documentos ineditos de Bento Gonçalves e outros illustres rio-grandenses.

O Correio de Portugal vai publicar a biographia do velho patriota, que será lida com summo prazer no Brazil e em Portugal.

Fonte: GAZETA DE NOTICIAS (Rio de Janeiro/RJ), 25 de Maio de 1883, pág. 01, col. 06

sábado, 26 de março de 2022

Massacre nas Minas de Canaperú



 - Uma folha de Bagé dá minuciosos pormenores do cobarde e horroroso assassinato de 14 subditos brazileiros, assassinados no Estado Oriental por ordem de uma auctoridade militar d'aquella republica.

Diz a alludida folha:

"O coronel encarregado do recrutamento no departamento de Taquarembó, acompanhado de força armada, pois andavam n'este serviço, dirigiu-se ás Minas de Canaperú, recrutou para o serviço 14 individuos, entre estes cinco brazileiros, provavelmente alli empregados.

Sem attender a menor reclamação, poz-se em marcha o heróe, satisfeito com a colheita, indo fazer acampamento ainda cedo, como é costume, em uma casa vizinha, onde, para maior segurança, mandou encerrar em um galpão os recrutados.

Sendo avisado ou suspeitando de que os presos projectavam evadir-se, mandou carregar armas, e fez chamada nominal de cinco, os quaes, ao sahirem, receberam uma descarga, cahindo quatro atravessados pelas balas, e um, que ficou incolume, foi incontinente morto a garrote (pequeno páo) sendo o primeiro a espancal-o um joven official d'essa força de... bandidos!

Não satisfeitos com tanta cobardia e para cumulo de malvadez, entenderam que deviam exterminar os poucos infelizes que restavam, mandando o commandante, já enfurecido, invadir pela força o galpão, e matar a garrotaços os nove existentes!!!

Um menino, que tambem havia sido recrutado no trajecto das Minas á pousada, que se achava em companhia das desventuradas victimas, á voz da mata, movido pelo natural instincto de conservação, escondeu-se por entre os arreios e foi mudo espectador d'essa repugnante hecatombe, e tal foi a impressão moral que lhe produziu tão medonho quadro, tanto horror encarava elle, que o pobre menino, quando foram dar com elle, estava louco!..."

Ainda sobre este assumpto adianta o mesmo jornal:

"Informam-nos ainda o seguinte relativamente aos assassinatos de brazileiros no Estado-Oriental, de que já demos noticia.

O numeo de recrutas attingia a 60, sendo os 14 assassinados todos brazileiros!

Dizem-se tambem que o heroe commandante da força, que ordenou esses barbaros assassinatos, foi um coronel Santos, irmão do actual ministro da guerra d'aquella republica.

E até onde póde chegar a audacia e malvadez de uma auctoridade ignorante e inconsciente do lugar que occupa!"

Fonte: GAZETA DE NOTICIAS (Rio de Janeiro/RJ), 05 de Junho de 1881, pág. 02, col. 03-04

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