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quarta-feira, 1 de outubro de 2025

Sobrenomes Portugueses Raros - Parte 01

 



De acordo com o Fórum Geneall, 2023. Sendo sobrenomes com origem genealógica e onomástica comprovadamente portugueses. Vale enfatizar que uma boa parcela é originária de regionalismos do País.

Também acrescentamos alguns outros coletados pelo Correio da Manhã (Lisboa, Portugal) de 28 de novembro de 2010.

ABEGÃO

ABÓBORA

ABRUNHOZA/ABRUNHOSA

ACABADO

AÇOR

ADÃES

AFILHADO

AFFONSECA/AFFONSEQUA

AGULHAS

ALBUFEIRA

ALCOBIA

ALDEANO

ALEIXO

ALGOZ

ALVOR

AMADO

AMANDI (embora induza a ter origem italiana, é o caso de homônimo, sendo um regionalismo arcaico de outro significado em português)

AREZ

ARMÁRIO

ARROZ

ARVELOS

BADUZ

BAIRROS

BALDAIA

BALDAIADA

BALDE

BALEIA

BARBAS

BARBUDO

BARNABÉ

BARROQUEIRO

BELIAGA

BELICANTES

BELINQUE

BELINQUETA

BELO

BELOTA

BETHO

BEXIGA

BICHO

BITOQUE

BOI

BOM

BONITO

BORRALHO

BOUGA

BRABO

BRANDILANÇA/BRANDILLANÇA

BRANQUINHO

BRASÃO/BRAZÃO

BROGUEIRA

BUNHEIRO

CABAÇOS

CABECINHA

CABELO

CADIMA

CAGIGAL

CAL

CALADO

CALÇADO

CALÇOA

CAMARADA

CAMARINHA

CANECA

CANEIRA

CANELÃO

CANENHO

CANUDO

CANSADO

CAPÃO

CARA DE ANJO

CARAPINHA

CARAVELA

CARILHO

CARINHA

CARIO

CAROCHINHO

CARRACA

CARRADA

CARRAMONA

CARRIPOTO

CARTEADO

CASTANHETA

CAVALEIRO

CAVALHEIRA

CEGONHA

CHAPADO

CHAMBEL

CHARULA

CHAVECA

CHUPA

CID

COLAÇO

CONDESSO

CONITAS

CONSCIÊNCIA

CONTA-ESTRELAS

CORTESÃO

CORUJEIRO

COSTEIRA

COTA

COURIÇA

COURINHA

CRAVINHO

CRISTÓVÃO

DAVIM

DISCA

DONA

DORDIO

DORES

DUCA

ENCERRABODES

EREIO

ESCUDEIRO

ESMERIZ

ESTAÇO

ESTRELA

FAGUNDO

FAÍSCA

FALEIRO

FANANA/VANANA/TANANA

FARTO

FAVA

FAZENDA

FELIZ

FERRARIAS

FITAS

FONTE

FORTES

FORTIO

FOUTO

FRADE

FRANCA

GADELHA

GAIVITA

GAITO

GALEADO

GANILHO

GORISO

GOYOS

GRÁDIO

GRAMAXO

GREGÓRIO

GUARIZO

GUEDELHA

GUEIFÃO

JANTARADA

LAGARTO

LAIRES/LARES

LAMBIQUE

LAMPREIA

LANÇA

LARGA

LARGUINHO

LIMÃO

LOUVADO

LUTAS

MACHÃO

MADORRA

MADRESSILVA

MALHADAS

MALHADO

MALVEIRA

MANCO

MANHOS/MANHÃS

MANETA

MANITA

MANSA

MÃO DE FERRO

MARNOCO

MARROAS

MARTELO

MARUM

MATABICHOS

MATONO

MAU

MEÃO/MIÃO (grafia antiga MYAM)

MEDANHA/MENDANHA

MEIO-LITRO

MEIRIM

MEMÉ

MENINA

MESTRA

MILHÃO

MILHEIRIÇO

MILHEIRO

MILHOMENS/MIL-HOMENS

MIMO

MÕES/MOENS

MOGO

MONTANHA

MONTANS

MORGADO

MORROA

MUDARRA

MURCHO

MURRÃO

MURTOSA/MURTOZA

MURZELA/MURZELO

NABEIRO

NEGRÃO

NENO

NUMÃO

OLHO-AZUL

PADINHA

PAGAIO

PAGAIMO

PAIM

PAMPULHA

PARDAL

PARDINHO

PARENTE

PASSARINHO

PATANÃO

PATACA

PATRÃO

PATUSCO

PAÚL (importante destacar o acento tônico; pois possui significado de diferente dos homônimos em línguas francesa e inglesa)

PAULOS

PEÇONHA (aliteração de PEÇANHA)

PÉ-LEVE

PEDRA

PEDREIRA

PÊGAS

PEIXEIRO

PELÁGIO/PELAJO

PELICÃO

PENEIRAS

PENETRA

PENIZ

PEPLOMATO

PERNADAS

PESTE

PICA-PEIXE

PICAMILHO

PICANÇO

PICOUTO/PICOITO

PILA

PINCHO

PIRÃO

PITA

PORTILHA

PRATAS/PRATES

PULGO

QUEIMADO

QUELFES

QUILHAS

RAPOSA

RATÃO

RATINHO

REBIMBAS

RECACHO

RECIO

REDONDO

REGUEIRAS

REMETÃO

RENDEIRO

REPUBLICANO

RECACHO/RECACHOS

REVEZ

RIBADENEIRA

RISCADO

RITA

ROLÃO

ROUPINHA/ROUPINHO/ROUPINHAS

ROVISCO

RUDIAS

RUIVO

SALGUEIRÃO

SALOMÃO

SALRETA

SALVADO

SAMORA

SARDA

SARDIACA/SARDICA

SARILHO

SAÚDE

SEIÇA

SERRANO

SOL

SOLDADO

TABACÃO

TACANHO

TAQUENHO

TAGASTE

TEMEROSO

TENEDORIO

TERLICA

TITÃO

TONCINHOS/TOUCINHOS

TOSCANO (está ligado ao adjetivo tosco e não à região da Itália)

TOVIM

TRANQUADA/TRANCADA

TRAVASSOS

TRONCHO

VADRE

VALGA

VALOR

VEIROS

VIDE

VIDONHO

VILÃO

VINAGRE

VINHA MORTA

VIRGEM

XAGAS

XARATO

XARRETA

ZEUXIS

ZIBREIRO

domingo, 14 de setembro de 2025

Família Nobre Portuguesa: Moniz



Família muito antiga. No tempo de Dom João I vivia Gil Aires Moniz, parente de Dom Nuno Álvares Pereira. Moniz foi originalmente patronímico de Moninho, pelo que poderá haver mais de uma família com o mesmo nome.

Fonte: HERÁLDICA PORTUGUESA, Lisboa, 1960. 

segunda-feira, 30 de setembro de 2024

Barão de Tavares Leite


Barão de Tavares Leite em Jaguarão no ano de 1909
Pertencia à nobreza lusitana, embora estivesse radicado no Brasil há muito tempo

 

sábado, 16 de dezembro de 2023

A árvore de Natal em Portugal

 



Lê-se no Correio do Porto:

Na fórma que o nosso correspondente de Lisboa ha dias noticiou, a direcção do palacio de crystal resolveu proporcionar ás crianças portuenses um divertimento, vulgar na Allemanha, e já muito usado n'outros paizes pelo julgarem digno de imitação:

Esse divertimento, como os leitores estão adevinhando, é a inauguração da arvore do Natal.

No que esta consiste, poucos deixão já de o saber.

Uma arvore de maior ou de menor grandeza, e que de ordinario é um pinheiro, se colloca no meio de uma sala.

Dos seus ramos pende entre adornos de toda a especie uma variadissima collecção de "bonbons" e brinquedos destinados a fascinar os olhos ávidos das crianças.

Luzes em profusão illuminão com o seu reflexo as folhas da arvore e todos os objectos que a enfeitão.

Ao soar da meia noite, abrem-se as portas do recinto vedado.

A cada brinquedo se achão ligados bilhetes correspondentes a outros bilhetes distribuidos á sorte pelas crianças.

Estas, segundo o numero de bilhetes que lhes tocou, vão buscar o objecto que pende da arvore do Natal.

Eis no que consiste este divertimento, que será levado a effeito na nave central do palacio do crystal.

A differença está em que aquillo que lá fóra se costuma fazer no interior de cada familia sera feito em publico, e em vez de ser na vespera de Natal, como se costuma, terá logar no dia 23 pelas 6 horas da tarde por ser a vespera de Natal reservada á commemoração de um costume solemnissimo no seio de cada familia.

A distribuição dos premios terá logar no dia de anno bom.

A árvore começou hontem a ser levantada. Fica no salão grande, á pequena distancia do orgão, e será, além de enfeitada, brilhantemente illuminada a gaz.

O numero de premios ascende a 3.000.

Cada criança receberá um bilhete que a habilita para tirar um premio.

Afim de tornar mais brilhante esta interessante festa de crianças, uma dellas recitará a poesia do sr. Castilho, intitulada o "Natal do Pobre".

Varios poetas recitarão tambem poesias adequadas ao acto.

Ha tambem idéa de organisar um concerto em que só tomarão parte crianças um concerto em que só tomarão parte crianças.

Seria este o digno complementeo de uma festa, que só annuncia cheia de attractivos, principalmente para as infantis imaginações daquelles a quem é destinada.

Quasi podemos agourar que a arvore do Natal lhes vai deixar profundas e gratas recordações.

Fonte: DIARIO DE SÃO PAULO (São Paulo/SP), 14 de Março de 1866, pág. 02, col. 02

quinta-feira, 30 de dezembro de 2021

Bolinhas de gude


 ...na região do Minho, antiga província no norte de Portugal, havia pedrinhas redondas e lisas às quais as pessoas chamavam "godes". Com o tempo, os minhotos foram fechando a boca e passaram de "gode" para "gude". Quando por lá chegou o jogo de bolinhas de vidro que correm no chão, o povo não teve dúvida: chamou de "bolinha de gude", o que é quase "bolinha de bolinha", mas tudo bem. O nome se espalhou por Portugal, de lá veio para o Brasil.

Fonte: DE SANTI, Alexandre & VAN DEURSEN (edição).Oráculo. São Paulo: Abril, 2014, pág. 23

segunda-feira, 29 de novembro de 2021

Francisco Fernandes Braga



"No Rio Grande recebeu-se a noticia telegraphica de haver fallecido em Braga, Portugal, o sr. Francisco Fernandes Braga, socio e fundador da firma Braga & Palhares.

O morto deixou, no Rio Grande, dois irmãos, os srs. João Fernandes Braga e José Joaquim Fernandes Braga, e o seu socio Bernardino Lopes Palhares.

✤✤✤✤✤

Finaram-se em Pelotas, ante-hontem:

O respeitavel cidadão Bertrand Gólgo, francez, casado, de 61 annos de idade, antigo morador d'aquella cidade e cambista.

- D. Eleutheria Ferreira de Sá, casada, d'este Estado e 26 annos;

- Eloy Antonio Pinheiro, de 40 annos, d'este Estado e casado;

- D. Jesuína da Silveira, d'este Estado, 50 annos e casada.

- Manoel José Bonifacio, solteiro, d'este Estado e de 46 annos."

Fonte: A FEDERAÇÃO (Porto Alegre/RS), 15 de Agosto de 1895, pág. 02, col. 02

terça-feira, 4 de maio de 2021

Imigração Judaica no Rio Grande do Sul



 No século XVI, chegaram ao Brasil, vindos de Portugal, os primeiros judeus, que, na maioria, tinham vivido antes na Espanha. A 31 de Março de 1492, em Granada, os reis Fernando e Isabel assinaram o decreto que ordenava a saída da Espanha de todos os judeus que no prazo de 4 meses não se convertessem ao catolicismo. Dos milhares de judeus que viviam na Espanha, bom número foi para Marrocos e para a Turquia. Mas de a metade, porém, atravessou a fronteira e entrou em Portugal, a corrida por Dom João II mas, em dezembro de 1496, o novo Rei de Portugal, Dom Manuel, decretou a expulsão de todos os judeus de Portugal que não se convertessem ao catolicismo dentro de 10 meses. Tinham que sair pelo Porto de Lisboa. o cerca de 5000 mais ricos embarcaram para Marrocos e países da África a maior parte, porém, se converteu ao catolicismo, passando a ser os cristãos novos. E os que, as ocultas, se mantiveram ligados a crença judaica, passaram a se chamar marranos no final de 1497 Não havia mais nenhum judeu declarado em Portugal, todos se tinham convertido em cristãos-novos. 

O Brasil, colônia portuguesa, sujeito a inquisição, foi o país do mundo que recebeu o maior número de marranos, mas os que praticassem qualquer ação atestando se judeus eram enviados a Lisboa para julgamento, enquanto os judeus que iam para Turquia, Marrocos, Holanda e Inglaterra tinham liberdade de viverem como judeus. 


No descobrimento do Brasil, já com três anos de Governo, Dom Manuel converterá ao catolicismo todos os judeus residentes em Portugal assim, os 250 mil judeus vindos da Espanha e o cerca de 150.000 que desde remotos tempos viviam em Portugal foram integrados à comunidade cristã Portugal tinha, então, 1200000 habitantes, dos quais 400.000 eram de origem judaica e a maioria praticava, azul cultas, sua religião de cada três portugueses, um era Cristão novo. eram cristãos novos, por exemplo, Gaspar da Gama, da expedição de Cabral; Fernando de Noronha que em 1503, recebia de Dom Manuel autorização para explorar a costa brasileira, e descobriu a ilha batizada com seu nome. João Ramalho também era Cristão novo.  o governador geral, Duarte Coelho, trouxe da Ilha da Madeira idade São Tomé numerosos capatazes e Operários de Deus, que, além de eficientes, libertavam da Furia religiosa da Península Ibérica Gilberto Freyre refere uma especializada ação de mecânico judeus nos engenhos de Açúcar.


 Em 1544 no quarto auto-de-fé realizado pela inquisição em Lisboa, temos o primeiro degredado para o Brasil por crime de judaísmo, o que depois se tornaria  comum. Olinda, Recife e Salvador foram especiais para deimos de judeus degredados o degredo para o Brasil era caminho para liberdade de ser judeu o próprio Dom sardinha dizia " enterra tão vasta e despovoada convém fechar os olhos ", maneira de pensar também adotada pelos padres jesuítas José de Anchieta e Manoel da Nóbrega "vieram traço diz Pedro Calmon, em sua história do Brasil traço na qualidade de cristãos-novos, mas tão se implantou entre nós. transferiu para o reino os que lá deviam ser julgados. Ao contrário, sem nunca terem importado A Perseguição, o Brasil exportou a coexistência, com a missão política que levou ao Portugal, em 1641, o Padre António Vieira, comissionado pelos Mercadores e homens bons para pedir a Dom João quarto justiça e segurança para os cristãos novos... "


 A propósito dos marranos, conclui Calmon: "onde estão as dezenas de milhares de cristãos novos que desde a expedição de Martim Afonso E desde o povoamento maciço da terra do Ouro deram com os ossos nestas plagas e com eles a adubação ponto e, os que vieram com Tomé de Souza; os que vieram por todo século 17; os que vieram durante o século 18, Cujo sobrenomes lusos, peixeira, do primeiro poeta nosso, Silva, de Antonio Jose, o teatro logo, se confundem com os dos cristãos velhos deste país? Hoje é impossível identificar eles a descendência. "


 Em 1752 se instalaram nas margens do Guaíba, junto a capital do Rio Grande do Sul, 60 casais açorianos, entre os quais havia bom número de judeus.  pela lei assinada em 25 de maio de 1773, pelo Marquês de Pombal, foram revogadas as leis discriminatórias aos cristãos novos não mais sujeitos a Perseguição, também, em consequência dos casamentos mistos, os marranos do Brasil foram se filiando ao catolicismo religião oficial. antes de meados do século 18, milhares de judeus sefaradim, judeus orientais emigrados para Espanha, depois para Portugal, para Marrocos e, enfim, entrados na Amazônia , estabelecendo-se principalmente em Belém e Manaus e localidades menores, atuando maciçamente no comércio, utilização de vias fluviais, transformando barcos em lojas flutuantes.

 em Belém e Manaus estão as comunidades judaicas mais antigas do Brasil, Como se comprova pela sepulturas judeus em Belém de 1830 e 1840 a partir de 1870, chegam ao Brasil, especialmente em São Paulo, Porto Alegre e Rio Grande judeus alsacianos, franceses e ingleses.


Mas o início da imigração Judaica organizada no Rio Grande do Sul inicia em 1904 com a vinda do primeiro grupo para phillipson, através da Jewish colonization Association (ICA), onde 1905 funcionava a primeira sinagoga do estado, e Em 1906, a primeira escola judaica no Rio Grande do Sul ponto. e continuaram chegando Imigrantes para phillipson, donde foram partindo para Santa Maria, Cruz Alta e Porto Alegre na capital logo foram se organizando, tanto assim que, em 1909, já formaram o primeiro miniam, mínimo de dez homens preparados, em condições de iniciar as orações, nos dias do rosh hashaná ( ano novo) e do  yom kippur ( dia do Perdão) ponto fizeram parte das orações, que tiveram lugar Na casa de Salomão Levy, além dele, as seguintes pessoas: Leon Back, Jacob Mostowsky, Maurício Rosenbaum, Natan Cohen, Harry Fineberg,  Martin Horris,  Bernardo lewgoy,Isaak Holman, Miguel Galanternick, Jacob Pagorelsky, Volf Melzer, Abrahan Silverstone,  Francisco Rosemberg e Marcos Saffer, Todos da comunidade israelita de Porto Alegre em 1910 era fundada a união Israelita Porto Alegrense, entidade Judaica mais antiga do município.


Em 1911 chega o primeiro grupo de imigrantes para quatro irmãos ( fazenda com 93850 hectares, que fazia parte de Passo Fundo e hoje, de Erechim e Getúlio Vargas, transformada em colônias), e em 1913, o segundo grupo bom dois outros grupos vieram em 1926 e 1927, fugindo da opressão dos países Onde viviam.


A Comunidade Judaica Gaúcha está preparando Com intensa programação o primeiro Centenário da imigração Judaica no Rio Grande do Sul, a 18 de outubro, lembrando a mesma data de 1904, quando 38 famílias, após longa viagem, desembarcavam de um vagaroso trem maria fumaça na pequenina estação da colônia phillipson, próxima de Santa Maria Diferentemente dos demais Imigrantes não vinham propriamente em busca de fazer América do desenvolvimento econômico, mas em busca de segurança, fugindo da discriminação, do preconceito, na miséria, das humilhações e do antissemitismo. Como todos os imigrantes, enfrentaram dificuldades iniciais com o desconhecimento da língua, a falta de experiência no cultivo da terra, atividade que eles era proibida em suas pátrias exatamente por serem judeus. mas em phillipson, onde Imigrantes de diferentes etnias tentavam viver o mesmo sonho a ser alcançado pela solidariedade e pelo trabalho, logo construíram belas amizades com liberdade de se organizarem e cultivar em também sua identidade familiar, histórica, social e religiosa.


De países diferentes, os judeus foram se reencontrando em famílias e comunidades, respeitando e sendo respeitados pelas demais etnias, que, juntando diferentes histórias e experiências, construíram esta maravilhosa realidade brasileira O que é a fisionomia mais completa da humanidade intermos de raças, etnias e culturas para uma sempre mais rica e sólida unidade nacional.


FONTE: CORREIO RIOGRANDENSE (Caxias do Sul/RS), 13 de Outubro de 2004, pág. 04


sexta-feira, 17 de abril de 2020

Quatro casamentos e uma prisão


"Matrimoniomania?

Está recolhido á cadêa civil d'esta capital um criminoso que bem póde merecer o epitheto de celebre e sobre o qual pesa a responsabilidade de nada menos de quatro matrimonios, havendo suspeita de que tenha elle perpetrado o quinto.

Em poucas linhas vamos referir ao leitor a historia matrimonial do heroe.

✤✤✤✤✤

Ha cinco annos, mais ou menos, appareceu em Piracicaba (S. Paulo) um individuo que dizia chamar-se Eduardo Augusto Guerreiro e ter vindo de Portugal para propagar o methodo de João de Deus.

Demorou-se dois mezes, leccionando em um collegio particular.

Casou-se com a filha do negociante portuguez - capitalista - Serafim Tabeliano da Costa.

Logo depois partio para a Europa com a mulher.

✤✤✤✤✤

Chegado a Portugal, segundo refere o Correio da Europa de 24 de maio de 1881, foi preso em Coimbra, a pedido da autoridade de Vizeu, por estar pronunciado ali, com o nome de Eduardo Augusto de Oliveira Guerreiro, em dois crimes sem fiança, sendo além d'isso accusado do de bigamia.

Consta que, comdemnado por esses crimes, foi degradado para as possessões portuguezas da Africa, afim de cumprir sentença, conseguindo de lá evadir-se e vir para o Brazil.

Tabeliano assim que soube que Eduardo fôra preso em Portugal, e que tinha apparecido na cadêa em que foi este recolhido a primeira mulher com os filhos, mandou vir sua filha (segunda mulher de Eduardo) para Piracicaba, onde falleceu ella pouco depois.

✤✤✤✤✤

Apparecendo em 1883, na cidade de Penha do Rio de Peixe, com recommendações e o nome supposto de Ernesto Alvaro de Oliveira Godinho, conseguio fundar um collegio e casou-se logo depois com uma filha do cidadão Domingos Joaquim da Rocha, pessoa estimada no lugar.

Reconhecido por pessoa que ali chegou, ida de Piracicaba, desappareceu, sem que se soubesse o destino que havia tomado, sendo certo, entretanto, que de Santos dirigio uma carta á sua mulher, carta em que dava uma relação das pessoas a quem devia, dizendo-lhe que se tinha retirado porque devia muito e não tinha meios para pagar.

✤✤✤✤✤

Em 13 de Maio de 1885, esse mesmo individuo casou-se na Vaccaria com d. Clara Fernandes de Lima, filha do cidadão Antonio Mariano dos Reis.

Ahi estava elle residindo e exercendo o magisterio, quando foi preso, em virtude de ordem do dr. chefe de policia d'esta provincia, por estar pronunciado em Penha do Rio do Peixe no art. 249 do cod. crim.

✤✤✤✤✤

O réo chegou no dia 7 do corrente a esta capital, escoltado pelo tenente commandante da secção policial da Vaccaria e praças da mesma, sendo logo recolhido á cadêa civil por ordem do chefe.

✤✤✤✤✤

Na policia, interrogado pelo chefe, ostentou um cynismo admiravel, negando ser o heróe d'essa campanha polygamica e attribuindo-a a outro muito parecido com elle.

✤✤✤✤✤

Prosegue-se em averiguações para verificar-se si é exacto, como consta, que esse individuo casou-se tambem em Barbacena (Minas).

Eduardo é branco, regula ter 27 annos, estatura regular, magro, cabellos corridos e pretos, pouca barba, que costuma fazer, deixando unicamente o bigode - É portuguez."

Fonte: A FEDERAÇÃO (Porto Alegre/RS), 10 de Janeiro de 1887, pág. 02, col. 02

domingo, 5 de abril de 2020

Theodosio Martins de Oliveira Menezes


"Dr. Theodosio Menezes

Na cidade de Pelotas, a Patria noticia o fallecimento, em Portugal, do dr. Theodosio Martins de Oliveira Menezes, medico, que durante longos annos residio na cidade do Rio Grande.

Dando a triste noticia, accrescenta a Patria:

'O illustre finado, que era natural de Vizeu, residio durante muito annos na cidade do Rio Grande, lugar para onde foi nomeado consul portuguez, em 1845, pelo governo de d. Maria II.

No exercicio d'esse cargo, tão salientes serviços prestou aos nossos compatriotas, que o governo de sua magestade agraciou-o com a commenda de Christo, em signal de recompensa.

Casando-se com a exma. sra. d. Maria Julia Lecour, natural de S. José do Norte, retirou se annos depois para Portugal, de onde regressou a esta provincia em 1856, vindo encontral-a a braços com a terrível epidemia do cholera.

Cumprindo com heroismo um dos mais sagrados deveres de sua profissão, o dr. Menezes dedicou-se desde logo com devotamento ao tratamento dos cholericos, sendo afinal atacado tambem d'esta molestia.

Em 1869 deixou para sempre esta provincia, regressando a Portugal, que assim o exigia a administração de seus bens.

O sr. dr. Menezes era aqui geralmente estimado, principalmente na cidade do Rio Grande, onde contava sinceros amigos, conquistado pela nobreza de seu procedimento e pela elevação de suas qualidades.

- Ao nosso co-religionario e collega Theodosio Menezes, digno filho do finado, apresentamos as expressões sinceras de nosso pezar pelo doloroso golpe que acaba de soffrer."

Fonte: A FEDERAÇÃO (Porto Alegre/RS), 19 de Novembro de 1886, pág. 01, col. 02

segunda-feira, 7 de outubro de 2019

sexta-feira, 4 de outubro de 2019

O reino africano vassalo de Portugal


"Revista da Europa

PORTUGAL

(...)

- Consta que o rei do Congo vai brevemente a Lisboa, com o fim de apresentar pessoalmente as suas homenagens ao sr. d. Luiz e renovar os seus actos de vassalagem á corôa portugueza. O rei do Congo deseja e quer reclamar de Portugal contra qualquer invasão ou occupação estrangeira nos seus territorios.

(...)"

Fonte: A FEDERAÇÃO (Porto Alegre/RS), 16 de Dezembro de 1884, pág. 01, col. 03

domingo, 14 de julho de 2019

A História dos Judeus em Portugal


Excelente e muito interessante documentário encontrado no canal Augustoaac no YouTube. O título original da produção é "Caminhos da Memória - A Trajetória dos Judeus em Portugal" e tem a direção de Elaine Eiger e Luize Valente, sendo uma produção da Fototema, ano 2002. Aproveite!

domingo, 7 de julho de 2019

Sobrenome Siqueira


"Siqueira, Sequeira, Sequerra - é um sobrenome da região de La Coruña, Espanha. Há registros de um Brás Siqueira no Espírito Santo em 1694. 

As variáveis do nome são; Sequeira e Sequeros. Em português, de acordo com Ferreira et al., 1994, o nome significa o local sem (ou falta de) água, seco. Existe outro significado para o nome 'siqueira' como 'sekher' que significa 'açude' em português (reservatório de água). A origem de 'sekher' é hebraica. Acredita-se que o nome Sequeros venha da região de Salamanca, ou Esquerra, situada na província de La Coruña, ambas na Espanha. Em 1279 eles já estavam usando a alcunha como família Esquerra. 

No século XIV, Ben Esquerra era conhecido e no século XVII foram utilizadas as variantes de Sequeira, Sequerra e Sequeyra. No sul de Portugal - na localidade de Faro, os cemitérios judaicos têm nomes da família Sequeira. Havia numerosas famílias judias em Portugal, no entanto, quando a inquisição foi introduzida, aqueles que conseguiram escapar ou imigrar para países europeus mais tolerantes ou para as Américas. 

Siqueira foi um dos nomes mais importantes mencionados entre os judeus migrantes na América. Um deles era um físico chamado Isaac Henriquez Sequeira (1738-1816), o outro era de medicina - o Dr. John de Sequeyra (1712-1795), que viveu na colônia de Williamsburg, na Virgínia, Estados Unidos. O Dr. John praticou medicina durante 50 anos e foi responsável pela introdução e uso do tomate como alimento, visto que era considerado uma flor e não um vegetal. 

A família Sequeira foi também uma das primeiras famílias a instalar-se em São Jorge - Ilha dos Açores. "

Fonte: Familypedia

sábado, 5 de janeiro de 2019

Uma rifa portuguesa


"Em Guimarães, província do Minho, Portugal, um sujeito rifou sua mulher e sua filha.

O preço dos bilhetes para a primeira era de 200 rs. e de 500 rs. para a segunda.

A filha tocou por sorte a um padeiro, que a reclamou; a mãe, porém, que não sabia que havia sido rifada com sua filha, ao ter d'isso noticia, correu a contar o facto ás autoridades policiaes que metteram no xadrez o rifador das duas mulheres."

Fonte:  A FEDERAÇÃO (RS), 18 de Janeiro de 1892, pág. 02, col. 01 

quarta-feira, 4 de julho de 2018

O Namoro de Bufarinheiro


"Uma vez que, na Idade Moderna, erótico designava 'o que tivesse relação com o amor', como essa definição se materializaria em práticas? Há registros de estratégias de sedução que soariam pouco familiares e mesmo pueris aos olhos de hoje. É o caso do 'namoro de bufarinheiro', descrito por Júlio Dantas, corrente em Portugal e no Brasil, ao menos nas cidades. Consistia em passarem os homens a distribuir piscadelas de olhos e a fazerem gestos sutis com as mãos e bocas para as mulheres que se postavam à janela, em dias de procissão, como se fossem eles bufarinheiros a anunciar seus produtos. É também o caso do 'namoro de escarrinho', costume luso-brasileiro dos séculos XVII e XVIII, no qual o enamorado punha-se embaixo da janela da moça e dizia nada, limitando-se a fungar à maneira de gente resfriada. Caso a declaração fosse correspondida, seguia-se uma cadeia de tosses, assoar de narizes e cuspidelas. Escapa-nos, sobremaneira, o apelo sedutor que os tais 'escarrinhos' poderiam ser naquele tempo, mas sabe-se que até hoje, no interior do país, o namoro à janela das moças não desapareceu de todo."

Fonte: DEL PRIORE, Mary. História íntima. São Paulo: Planeta do Brasil, 2011, pág. 45-46.

segunda-feira, 9 de abril de 2018

A gastronomia portuguesa


"Mesmo em tempo de globalização (ou até por conta deles, como uma forma de reação), os portugueses se mostram muito ligados às suas origens, seu local de nascimento ou o de seus antepassados. Reconhecem-se como 'minhotos', 'algarvios', 'beirões', 'alentejanos', 'transmontanos' ou 'ilhéus', por exemplo.

A temática regional é algo muito atraente para os pesquisadores acadêmicos. E 'recuperar as raízes', conhecer a região, a cidade ou a aldeia 'da família' é atividade que entusiasma profissionais e amadores em Portugal.

A valorização das identidades regionais também está nos corações e mentes de emigrantes portugueses espalhados pelos quatro cantos do mundo. No país hospedeiro, além da Casa de Portugal, costumavam fundar e ainda mantêm 'Casas' do Minho, da Beira, do Alentejo... Tais 'Casas' são associações culturais, desportivas e sociais que procuravam reunir os portugueses que vivem fora de Portugal, esforçando-se por manter tradições trazidas 'lá da terrinha'.

A gastronomia regional portuguesa tem, entre os portugueses e estrangeiros, um forte apelo. Além de reforçar identidades locais, tem servido como estímulo ao turismo, sendo, por isso, uma importante fonte de divisas. A diversidade interna do pequeno país tem atraído estrangeiros de várias partes do mundo; os pratos típicos de cada localidade estão entre os carros-chefe do marketing turístico.

Dos inúmeros pratos salgados à rica doçaria, somados aos famosos vinhos nacionais, Portugal, tem, de fato, muito a oferecer.

O ingrediente mais conhecido da gastronomia portuguesa entre os brasileiros é o bacalhau. Em Portugal, ele é chamado de 'fiel amigo', por estar presente na 'mesa do rico e na do pobre', em muitas ocasiões, especialmente nas comemorações natalinas. Na véspera do Natal, a 'Consoada', receita que tem o bacalhau como base, é o prato escolhido 'por nove entre dez portugueses'.

Os portugueses 'descobriram' o bacalhau no século XV, na época das grandes navegações. Seus primeiros apreciadores haviam sido os vikings, muitos séculos antes. No século IX, já existiam fábricas para processamento de bacalhau na Islândia e na Noruega. O preapro, contudo, consistia em apenas deixar o peixe secar ao ar livre até que perdesse quase todo seu peso e endurecesse como uma tábua, para que pudesse ser consumido em pedaços por um longo tempo. O bacalhau curado, salgado e seco, tal como costumamos comprar no Brasil, foi criação de habitantes dos Pirineus (entre a Espanha e a França) que passaram a comercializá-lo por volta do ano 1000. A nova forma de preparo agradaria os navegadores portugueses, quatro séculos mais tarde, por garantir uma melhor conservação do produto. Eles precisavam de alimentos que suportassem as longas viagens marítimas. O ingrediente logo se popularizou e, no início do século XVI, o bacalhau já correspondia a 10% do pescado comercializado em Portugal. Incorporou-se aos hábitos alimentares dos portugueses e virou parte importantíssima da tradição. Em carta enviada no século retrasado ao historiador e político Oliveira Martins, o famoso escritor Eça de Queirós declarou:

Os meus romances, no fundo, são franceses, como eu sou, em quase tudo, um francês - excepto num certo fundo sincero de tristeza lírica que é uma característica portuguesa, num gosto depravado pelo fadinho, e no justo amor do bacalhau de cebolada!

O amor é tanto que, atualmente, os portugueses são os maiores consumidores de bacalhau do mundo.

Em Portugal podemos saborear o bacalhau preparado de infinitas maneiras, para além da nossa conhecida 'Bacalhoada' com batatas, cebolas, ovos e pimentões, que - graças aos portugueses - também é prato tradicional no Brasil, apreciado especialmente na Sexta-Feira Santa e no Sábado de Aleluia.

A cozinha lusa pode agradar paladares exigentes, mas também intimidar estômagos sensíveis. Pratos tradicionais pesados e calóricos como 'Rojões à moda do Minho' ou 'Papas de sarrabulho' podem se tornar uma aventura gastronômica inesquecível! Os tais rojões são feito à base de carne de porco, cortada em cubos e temperada na banha e no vinho, levam ainda tripas, fígado de porco e sangue cozido. Nas 'Papas de sarrabulho' vão fígado de porco, bofes de porco, goelas de porco, coração de porco, osso da suã de porco, galinha gorda, carne de vaca, sangue de porco cozido e farinha de milho peneirada.

Os pratos fortes do Norte estão associados às carnes, aos 'enchidos', às 'alheiras', 'às morcelas' (feitas com o sangue de porco) e aos 'chouriços'.

Trás-os-Montes é o berço da 'posta a mirandesa': carne de vaca temperada com sal grosso e grelhada em brasas, servida com 'batatas ao murro', assadas no sal com a casca, e 'grelos salteados'. Essas batatas têm inúmeras receitas e a mais comum é a que recomenda lavar as batatas e, em seguida, cozinhá-las por cerca de 30 minutos em fogo médio. Ao saírem do fogo, devem ser colocadas em um pano de prato, onde estão prontas para receber o 'murro' (é um soco mesmo!). Depois, são temperadas com azeite, sal grosso e alecrim e levadas ao forno em uma assadeira por 15 ou 20 minutos. Os grelos são os talos ou as hastes de legumes, como nabo e couve-flor, por exemplo. 'Saltear' é uma forma de cozinhar pequenos pedaços de alimentos em lume (fogo) alto com pouca gordura.

Os 'enchidos' são feitos com carne e gordura de porco, carne de aves, pão de trigo, azeite e banha condimentados com sal, alho e colorau (doce ou picante). Podem ainda incluir carne de caça, a carne de vaca, salpicão e/ou presunto. Os 'enchidos' têm formato de cilindros curvados como ferraduras, seu invólucro é de tripa natural (de vaca ou de porco) e o recheio é composto pelas carnes desfiadas unidas por uma pasta fina.

A origem das 'alheiras' remete às artimanhas que os judeus desenvolveram para escapar das perseguições impostas pela Inquisição. Como os israelitas religiosos não comem carne de porco, para escapar à repressão da Igreja Católica substituíam esse ingrediente por outras carnes (como vitela, coelho, peru, pato, galinha ou perdiz) envolvidas por uma massa de pão que lhes conferia consistência. Assim, como todos os vizinhos, eles também defumavam seus 'enchidos', não atraindo as suspeitas dos demais. Mais tarde, a receita acabaria por se popularizar também entre os cristãos, embora estes acrescentassem carne de porco ao preparo.

No Alentejo, um dos pratos típicos é a 'carne de porco à alentejana', em que a carne é preparada com banha, vinho, alho e ameijoas (mariscos). Esse prato é preparado cozido em fogo brando na cataplana, uma espécie de panela composta por duas partes côncavas que se encaixam com auxílio de uma dobradiça.

As sopas estão em praticamente todas as refeições dos portugueses. A mais conhecida é o 'caldo verde', feito à base de batata, couves e chouriços.

Por último, uma especialidade gastronômica incorporada há poucas décadas nos bares portuenses: a 'francesinha', uma novidade trazida por conta da emigração portuguesa para a França. A 'francesinha' é uma sande (sanduíche no pão de forma) recheada com carne de vaca, linguiça de porco, salsicha fresca e fiambre (presunto cozido) e coberta com queijo e um molho especial chamado 'molho de francesinha', que leva cerveja, caldo de carne, folhas de louro, margarina, Brandy ou Porto, farinha maisena, polpa de tomate, tomate fresco, leite e piri-piri (um tempero picante)."

Fonte: SCOTT, Ana Silvia. Os portugueses. São Paulo: Contexto, 2012, p. 85-87.

segunda-feira, 29 de janeiro de 2018

A Lebre Branca e o Galo Preto

"Havia um homem muito selvagem que tinha uma devoção de rezar todos os dias um Pai Nosso a S. Francisco. Quando esse homem estava para morrer apareceu-lhe um anjo e disse-lhe: 'Se deres três esmolas avultadas, ainda te salvarás'. Passado algum tempo entrou um velhinho na quinta e os cães não lhe fizeram mal. O guarda quando viu o velhinho dirigiu-se até ele e disse-lhe:

- Como é que entrou aqui sem os cães lhe fazerem nada?

O velho respondeu:

- Eles são mansinhos, fiz-lhe umas festas e eles não me fizeram mal.

O velhinho foi visitar o homem que estava para morrer e pediu-lhe uma esmola, o homem vira-se para o criado e diz-lhe:

- Dá-lhe cinquenta alqueires de milho.

- Mas ele não trás saco - diz o criado para o patrão.

- Dá-lhe um saco dos melhores para levar o milho.

- Também não te como transportá-lo - diz o criado.

- Então põe o milho na carroça e vai levá-lo a casa.

O criado assim fez tudo e lá mais o velhinho. Quando já iam a caminho ouviram o sino da igreja tocar. O homem que tinha dado as esmolas ao velhinho já tinha falecido. Nisto passou-lhes por perto uma lebre branca a fugir de um galo preto. O velhinho vira-se para o criado e diz-lhe:

'O teu patrão já morreu, e a lebre branca, que passou, significa que ele se salvou, o galo preto era o inimigo que vinha a correr atrás dele, mas não o apanhou. Aquele que fizer o bem já neste mundo se salvará e tu meu amigo podes levar o milho que eu não preciso' - e dito isto desaparece.

O velhinho, a quem o homem deu a esmola e com quem o criado falou era o Santo a quem o homem rezava todos os dias um Pai Nosso.

Recolha efectuada em Caféde - Concelho de Castelo Branco."

Fonte: MOURA, José Carlos Duarte. Contos, mitos e lendas da Beira. Coimbra/Portugal: A Ar Arte/Associação Cultural Outrem, 1996, p. 10.

sábado, 23 de dezembro de 2017

Lenda do Bolo-Rei


"O Bolo-Rei é o bolo tradicional natalício português por excelência. A sua origem tem várias raízes. A ideia de um bolo misturado com fruta cristalizada terá surgido na corte do rei luís XIV, em França, que com os tempos foi-se espalhando pelo resto da Europa. Chegada a Portugal a receita foi adaptada, adquiriu a forma com que é vendido atualmente e passou a ser associado à época natalícia. A introdução da fava vem no tempo dos Romanos, em que era costume durante as festividades eleger-se o 'rei da festa' colocando-se uma fava num bolo. Já a introdução do brinde como recompensa (ficando o perdedor com a fava) é uma criação portuguesa, embora este costume tenha sido, à uns anos, passado a ser proibido por apresentar risco de sufoco, sobretudo para as crianças.

Apesar do nome 'Bolo-Rei' não vir, como erroneamente se pensa, do dia de Reis - a nomenclatura 'Rei' é apenas uma indicação da riqueza dos ingredientes com que é feito, tornando-o no bolo 'maior' das festividades - isso não impediu a tradição oral de o associar aos Reis Magos, havendo inclusive uma lenda portuguesa que lhes atribui a origem do bolo e lhe dá simbologia. Segue-se a história:

Conta a lenda que num país distante viviam três homens sábios que analisavam e estudavam as estrelas e o céu. Estes homens sábios chamavam-se Gaspar, Melchior e Baltazar, a que a tradição deu a nomeação de 'três Reis Magos'.

Numa noite, ao analisarem o céu, viram uma nova estrela, muito mais brilhante que as restantes, que se movia pelo céu, e interpretaram-na como um aviso de que o filho de Deus nascera. Resolvidos a segui-la, levaram consigo três presentes: incenso, ouro e mirra, para poder presentear o Messias recém-nascido.

Chegados à cidade de Belém, já perto da gruta onde estava o menino Jesus, os Reis Magos depararam-se com um dilema: Qual deles teria o privilégio de oferecer primeiro o seu presente? Esta pergunta gerou a discussão entre os três.

Um artesão que por ali passava ouviu a conversa e propôs uma solução para o problema de maneira a ficarem todos satisfeitos. Pediu à sua mulher que fizessem um bolo e que na massa colocasse uma fava.

Mas a mulher não se limitou a fazer um simples bolos e arranjou forma de ali representar os presentes que os três homens levavam. Desta forma fez um bolo cuja côdea dourada simbolizava o ouro, as frutas cristalizadas simbolizavam a mirra e o açúcar de polvilhar simbolizava o incenso.

Depois de cozido o bolo foi repartido em três partes e aquele a quem saiu a fava foi efetivamente o primeiro a oferecer os presentes ao menino Jesus."

Fonte: VÁRIOS AUTORES. Contos de Natal Portugueses. Coletânea de Histórias, Textos, Lendas e Poemas. Lisboa: Luso Livros, 2015, p. 26-28.

Receita de Bolo-rei

Ingredientes
130 gramas de açúcar
130 gramas de manteiga
15 gramas de fermento biológico
2 colheres de sopa de aguardente velha (espécie de aguardente de uva armazenada em barris de carvalho)
2 colheres de sopa do vinho do Porto
200 mililitros de leite
3 ovos
500 gramas de farinha
Amêndoas o quanto bastar
Frutas cristalizadas o quanto bastar
Nozes o quanto bastar
Pinhões o quanto bastar
Açúcar em pó (opcional)

Preparo:
Dissolva o fermento num pouco de leite e acrescente a farinha. Junte todos os ingredientes, exceto as frutas cristalizadas e os frutos secos, e amasse bem. Quando a massa começar a fazer bolhas, junte as frutas cristalizadas e os frutos secos.

Estenda a massa em forma de rosca, colocando-a num recipiente redondo, vazado no meio, previamente untado. Deixe repousar durante três horas.

No momento de ir ao forno, pincele por cima com gema de ovo e acrescente algumas frutas cristalizadas. Asse em forno médio até dourar.

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