Mostrando postagens com marcador História Medieval. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador História Medieval. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 25 de agosto de 2022

A estrutura de um exército medieval



 Gregos, romanos, persas e mongóis tiveram suas próprias estruturas de comando militares, mas na Europa Ocidental elas desapareceram no início da Idade Média, quando os grandes exércitos organizados cederam lugar a grupos de cavaleiros informais e pouco disciplinados (salvo nas ordens religiosas militares), organizados com base na vassalagem feudal e complementados por mercenários e conscritos plebeus, que complementavam a cavalaria com tropas de arqueiros e lanceiros.

Na Baixa Idade Média, as forças de um rei medieval eram comandadas por um condestável-mor (high constable em inglês), chefe de cavalaria e dos condestáveis locais (comandantes de castelos e fortalezas) e era auxiliados por um marechal de campo (field marshall), chefe de logística e organizados dos acampamentos.

As tropas de campo eram formadas por senhores feudais, que eram obrigados a servir militarmente o rei por um período limitado (geralmente 40 dias) por ano. Cada senhor feudal de importância ("senhor de pendão e caldeira", como se dizia em Portugal) era o capitão (captain) de sua companhia (grupo de cavaleiros e soldados que acampavam e comiam juntos) e tinha como subordinados diretos um ou mais lugares-tenentes (lieutenants), que o representavam e serviam como auxiliares diretos ou comandavam seções da companhia, chamadas lanças, cada uma com um líder ou "cavaleiro abandeirado", seguido por quatro a dez cavaleiros, apoiados por escudeiros, pagens, besteiros, arqueiros e cutileiros. Além disso, podia ter como subordinado um alferes ou porta-bandeira (ensign) para comandar a infantaria, formada por lanceiros.

Os oficiais escolhiam por sua conta, entre artesãos plebeus, especialistas de vários tipos, e recrutavam, geralmente entre camponeses, os praças, assim chamados em português por guarnecerem as praças de guerra (castelos e fortalezas), ou "praças de pré" por receberem "prés", ou seja, pagamentos adiantados por uma temporada de até três meses (do francês prêt, "empréstimo" ou, neste caso, "adiantamento").

Praças de pré (privates) eram organizados em pequenos grupos chamados "esquadras", cada um sob o comando de um cabo de esquadra (caporal), assistido por veteranos chamados anspeçadas (lancepesade ou lance, do italiano lancia spezzate, "lança partida", por terem quebrado lanças em sua carreira). Depois de anos de experiência, um cabo de esquadra podia se tornar um sargento (sergeant), servidor direto de um oficial no recrutamento de pessoal, operações e logística, possivelmente possuindo seu próprio cavalo e armadura, embora de qualidade inferior à dos oficiais cavaleiros.

Fonte: COSTA, Antonio Luiz M.C. Títulos de Nobreza e Hierarquias: um guia sobre as graduações sociais na história. São Paulo: Draco, 2014, págs. 235-236.

sábado, 6 de outubro de 2018

A sociedade nórdica


"O tríplice universo nórdico é a origem de todas as sociedades germânicas.

Apóia-se numa classe de baendr (singular: bondil), isto é, de proprietários de terra, e entre eles, apoia-se nos chefes de cantão e nos chefes de clã, na paz e na guerra, sacerdotes do santuário local. No seu hall com lareira central, no seu assento-elevado de espaldar esculpido, o chefe comanda um harad (Dinamarca, Noruega Oriental, Gotäland) ou um hundari (Uppland e Gotland). O hundari é a 'longa centena' de 120 guerreiros camponeses, como era costume entre os Francos, os Anglo-Saxões e no conjunto do mundo germânico. Todos os homens livres reúnem-se ao ar livre, cada semana ou cada quinzena, num lugar de culto ou num centro de comunicação. O thing (assembleia) de cantão delega uma representante para o thing superior, o da província.

A província, landskab dinamarquesa, landskap sueca, fylk norueguesa, remonta à pré-história. As quatro províncias dinamarquesas estão separadas por braços de mar; lagos e florestas dividem, na Suécia, o Svealand do Gotäland; cada província norueguesa é compartimentada por um fiorde. Foi no centro destas províncias que desenvolveram as tribos da primeira Germânia.

Quem se apresenta ao thing está protegido por uma 'paz' especial. A região realiza suas assembleias num local central consagrado pelos deuses: o landsthing de Fiônia que se reúne em Odense, santuário de Odin. Para ser proclamado, o rei dinamarquês deve subir sobre a rocha do Daneryg, no landsthing de Viborg, na Jutlândia. O rei sueco, soberano-sacerdote do Antigo Uppsala, é proclamado no thing de Uppland sobre a pedra mágica da campina de Mora.

As realezas unificadoras não estão previstas na antiga divisão territorial da Escandinávia. A única autoridade apoiada nos costumes é o thing de clã e de província, que promulga suas leis e julga as proposições do rei; herdeiro de um Königtum, uma realeza antiquissima, o thing fundamenta suas funções nos seus mitos de proteção comunitária e de fecundidade; ele é árbitro, pacificador, porém não legisla. Somente em caso de guerra sua autoridade é reconhecida por todos: então, ele comanda o levante em massa (lething), para a defesa do litoral e a guerra marítima; e os cantões costeiros de Uppland (Roden) fornecem ao rei os contingentes de remadores; cada um equipa um navio, comandado pelo membro mais importante da família.

(...)

Essas sociedades inteiramente rural, na qual não existem cidades, é portanto centralizada na residência do jarl (chefe regional hereditário) e na herdade do bondi. O chefe norueguês da época viking reside numa casa de madeira, retangular, com uma alta empena inclinada, rodeada de cozinhas, celeiros para víveres, estábulos e dormitórios, onde se alinham as fileiras de catres e os cofres tacheados, espalhados pela 'habitação alongada' (langeldr). Na Dinamarca e na Escânia a construção é uma só, em forma de T, rodeada por um pátio nos três lados; e os muros são, frequentemente, de tabiques. Na Suécia, a casa de madeira às vezes é desmontável. Nem janelas nem chaminés: um orifício no teto, protegido por uma bexiga de porco, esticada num caixilho; contudo, o fazendeiro norueguês tem a sua badhstôfa (sala de banhos).

A fazenda tem sua forja, onde o ferro é trabalhado com martelo, lima e pedra de afiar, segundo uma tradição milenar, assim como o seu tear vertical no qual as mulheres tecem um pano grosseiro, o vadhmâl. Em volta das construções, estendem-se as terras que o bondi possui, através de aquisições ou, por herança (quatro ou seis gerações), em ôdhal: este regime arcaico de propriedade plena protege a herdade contra as divisões e dá ao clã um direito de resgate por preempção, em caso de alienação dos bens. Na época viking, somente os chefes de famílias importantes tinham o direito ao ôdhal.

É neste meio ambiente de aristocratas camponeses, cujos fazendeiros usam a espada, que tem sua origem a corrente viking."

Fonte: LOUTH, Patrick. A civilização dos germanos e dos vikings. Rio de Janeiro: Otto Pierre Editores, 1979, pág. 159-161.
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...