História, Genealogia, Opinião, Onomástica e Curiosidades.Capão do Leão/RS. Para informações ou colaborações com o blog: joaquimdias.1980@gmail.com
Páginas
- Página inicial
- Biografias & Histórias de Vida
- Etnias & Colonização
- Lendas, Mistérios & Folclore
- Patrimônio Histórico & Lugares de Interesse
- Sobrenomes alemães
- Sobrenomes pomeranos
- Sobrenomes da Península Ibérica - Espanhóis & Portugueses
- Sobrenomes Brasileiros
- Sobrenomes Judaicos
- Sobrenomes Holandeses
- Outros Sobrenomes
- Nomes Étnicos
- História do Brasil
- Rio Grande do Sul
- Capão do Leão
- Pelotas
- Sobrenomes Alemães por ordem alfabética
sexta-feira, 26 de dezembro de 2025
sexta-feira, 28 de novembro de 2025
quarta-feira, 13 de dezembro de 2023
O Primeiro Natal Brasileiro
O PRIMEIRO NATAL BRASILEIRO
A primeira referência a uma festa de Natal no Brasil deve-se ao Pe. Fernão Cardim, e diz respeito como foi recordada a grande data de 1584. O Jesuíta assim descreveu sôbre a comemoração natalina: "Tivemos pelo Natal um devoto presépio na povoação, aonde algumas vêzes nos ajuntávamos com boa e devota música, e o irmão Barnabé nos alegrava com seu berimbau. Dia de Jesus, precedendo confissões gerais que quase todos fizeram com o padre visitador, se renovaram votos: pregou em nossa igreja o Sr. Bispo; tinha o Pe. visitador, já nêste tempo, avisado de sua parte o Pe. Antonio Gomes de todos os papéis, cartas e avisos necessários para tratar em Roma, em Portugal; pelo que determinou visitar a segunda vez as aldeias dos índios mais devagar".
Fonte: JORNAL DO DIA (Porto Alegre/RS), 25 de Dezembro de 1959, pág. 18
terça-feira, 12 de dezembro de 2023
O "Mateus" do Natal nordestino
O Natal do Nordeste
O interior do nordeste brasileiro anda cheio de tradições de Natal.
Começam, quase sempre, um mês antes os ensaios da Pastoril ou da Chegança, conforme os lugares, para a noite do nascimento do Menino Jesus. Tanto as sertanejas pobres como a gente rica, vão à "missa do galo" com vestidos novos, feitos para esse fim.
E, no regresso, junto ao presépio, há o folguedo denominado Reisado que uma espécie de bôbo a que chamam Mateus, com a cara cheia de tinta preta, vestes esfarrapadas, résteas de cebôlas, sem os bôlbos, e chocalhos de boi amarrados à cintura, andou anunciando, de tarde, como "função" que vai realizar-se e para a qual solicitou logo a sala e a cachaça... Há dansas e cantigas, versos e episódios ora trágicos ora cômicos e louvores à cavalaria antiga por homens de capas de ganga e corôas de lata dourada.
O pátio da Matriz é o lugar obrigado para os folguedos da Chegança que canta o amor e as saudades dentro de um navio armado a fingir e com cênas mitológicas à mistura.
Estas festas do Natal estendem-se ao dia de Reis que reservam para as visitas às fazendas dos que largamente podem contribuir para as folganças desejadas.
Fonte: JORNAL DO DIA (Porto Alegre/RS), 25 de Dezembro de 1957, pág. 29
quinta-feira, 30 de março de 2023
Canelazo
Canelazo (Equador, Peru e Colômbia): bebida típica dos Andes feita basicamente com aguardente, panella (rapadura) e água fervida com canela, servida quente.
{Canelazo}
Ingredientes
100g de rapadura ou de açúcar
150ml de água
Canela em pau
25ml de licor de anis
45ml de suco de laranja
45ml de cachaça ou rum
Rodela de laranja, para decorar
Junte a rapadura e a água e deixe ferver até que a rapadura dissolva por completo. Acrescente a canela, o licor de anis e o suco de laranja e deixe cozinhar por 10 minutos. Retire do fogo e adicione a cachaça à mistura. Sirva quente, decorado com uma rodela de laranja.
Fonte: SALDANHA, Roberta Mata. Histórias, lendas e curiosidades das bebidas e suas receitas [recurso eletrônico]. Rio de Janeiro: Senac Rio, 2017, pág. 194-195.
segunda-feira, 24 de outubro de 2022
Linguiça pantaneira ou Linguiça de Maracaju
LINGUIÇA PANTANEIRA (DE MARACAJU)
4 unidades
2 horas mais o tempo para descansar
Difícil
* 1 kg de picanha (ou outra carne gordurosa e macia), em peça
* 500 g de toucinho ou gordura de boi
* 3 pimentas-bodinho
* Suco de 1 laranja misteriosa (azeda)
* Sal e pimenta-do-reino a gosto
* Tripas grossas, para rechear
Hidrate as tripas, vire e lave bem; reserve. Corte a picanha e o toucinho na ponta da faca. Tempere com a pimenta amassada e o restante dos ingredientes. Deixe na geladeira por 30 minutos. Com um funil apropriado, recheie as tripas com a mistura de carnes; dê um nó em cada ponta, para a linguiça não abrir. Reserve na geladeira por algumas horas. Quando grelhar, faça alguns furinhos na pele, para tirar o excesso de ar e de líquido. Grelhe a linguiça inteira e corte em rodelas. Pode servir com mandioca cozida.
ESMIUÇANDO
No Pantanal, essa linguiça feita com carne de boi é considerada prato principal, especialmente em churrascos. Preparar o embutido foi a solução que tropeiros mineiros encontraram para conservar as carnes durante o povoamento de Maracaju e arredores, hoje Mato Grosso do Sul. A laranja do tipo azeda ou amarga, de casca enrugada, ainda na conservação.
Fonte: INSTITUTO BRASIL A GOSTO. Básico: Enciclopédia de receitas do Brasil. São Paulo: Melhortamentos, 1a. ed., 2017, págs. 115-116.
segunda-feira, 29 de agosto de 2022
Carne de Onça
CARNE DE ONÇA
2 porções
15 minutos
Fácil
* 300 g de coxão mole moído
* 1 xícara (chá) de cebola roxa picada
* 1 colher (sopa) de mostarda escura, mais um pouco para servir
* Suco de 1 limão
* Molho de pimenta
* 1 gema
* Azeite de oliva
* 2 fatias de pão preto
* 1/2 xícara (chá) de cebolinha-verde
Junte a carne, sal, metade da cebola, a mostarda, o suco de limão, algumas gotas de molho de pimenta, a gema e um fio de azeite. Misture até ficar uniforme. Aqueça o pão no forno 180 graus centígrados, por 2 minutos, até a borda firmar. Distribua a carne sobre o pão e cubra com a cebola restante e a cebolinha-verde. Sirva com mostarda escura.
ESMIUÇANDO
A receita surgiu no restaurante curitibano Embaixador, na década de 1950, e então ganhou os botecos até virar patrimônio imaterial da cidade. Quando pesquisei a origem do petisco, ouvi várias versões. Uma delas é a história de que, um belo dia, a onça que andava passeando pelas fazendas da região havia aparecido morta - ao mesmo tempo em que surgia o tira-gosto, para escândalo de todos na cidade. Outra versão, menos fantasiosa e mais provável, diz que, por vir carregada de ervas e cebola crua, a receita é responsável por provocar um forte "bafo da onça".
Fonte: INSTITUTO BRASIL A GOSTO. Básico: Enciclopédia de receitas do Brasil. São Paulo: Melhortamentos, 1a. ed., 2017, págs. 39-40.
terça-feira, 9 de agosto de 2022
Origem da palavra gaúcho
Por Suzete Dallegrave
(...)
Vamos citar algumas hipóteses do termo "GAÚCHO", mas já podemos adiantar aos nossos leitores que ainda hoje nenhuma palavra foi aceita oficialmente como tenha sido realmente a de origem.
GAUCHE: termo francês que significa torpe, inábil, esquerdo, derivado de gauchir - que quer dizer desviar-se. Mas a difusão deste vocábulo em espanhol foi demasiado escassa, e assim tal derivação é inverossímil. Verifica-se que foi a analogia morfológica que motivou tal hipótese, isto é, derivar "gaúcho" do francês "gauche", embora de pronúncia tão diferente: ghô-che ou gôch.
GAUCH: palavra germânica apresentada também como étimo do "gaúcho"; o que fonética e morfologicamente estaria explicado: bastaria acrescentar a vogal de encosto ou terminação "o".
GUACHO: foi indicado como provável étimo da palavra em estudo, e que por uma metátese da sílaba inicial a transformou em gaúcho.
GUAXO: em português aparece grifado também com X medial, conforme a ortografia oficial. Guaxo, entre vários significados quer dizer animal amamentado com outro leite que não é o materno.
CACHU ou CAUCHU: é de origem araucana. Assim os índios da região chamavam aos gaúchos o que é sinônimo de esperto, fino, arteiro e austucioso. A mudança do C para G é frequente, daí: caucho - gauchu - gaúcho.
JARUCHO: significa vaqueiro do México (século XVIII) e é citado como possível étimo da palavra em estudo (Instituo Histórico e Geográfico do Uruguai), como paralelismo eufônico de "gaúcho".
GUALICHO: empregado pelos índios Pampas, que designavam "o espírito mau", isto é, o diabo.
GARROCHA: Garrucha - Garrucho - é uma instintiva sinonímia riograndense: garrucho - gorucho - e gohucho - goúcho - gaúcho. No famoso livro do etnólogo Saint Hilaire, "Voyage à Rio Grande do Sul" (1820), lêem-se as formas garucho, gahucho e garrucho. Tanto em português como em espanhol, garrocha tem o mesmo significado e daí possivelmente, o chamar-se gaúcho ao portador de garrocha ou garrucha, o simulacro de lança de que habitualmente eram portadores, aqueles índios que tanto pelearam com íberos que aqui aportaram.
GAUDÉRIO: eis uma das hipóteses mais difundidas como provável origem do gaúcho. Atribuem a gaúcho corrupção de gaudeo, rusticamente pronunciado: gauzo, gaucho. Gaudeo é a primeira pessoa do presente do indicativo do verbo gauderi, que é gozar, estar em liberdade. Pelo século XVIII, gaudérios eram os camponeses da Banda Oriental e de Buenos Aires, a quem depois se chamou "gaúchos". Gaúcho e gaudério foram quase sinônimos no Uruguai. Alguns dizem que o primeiro derive logicamente do segundo.
GUAHÚ-CHE: significa "canto triste", e remonta dos tempos em que os minuanos viviam em estado propriamente livre entre os espanhóis e os portugueses. Esta hipótese refere-se a tristeza instada nos índios, especialmente minuanos; que os gaúchos primitivos eram grandemente afeiçoados a música e guahú seria então o "canto triste". A segunda parte che (partícula trazida do "quíchua" significa gente). Guahú-che significa "gente que canta triste".
ORIGEM ÁRABE-PERSA COM BASE NO SÂNSCRITO
Do árabe surgiria a forma gauch, calçada no persa gauchi que quer dizer boizinho, formado de gau (boi ou vaca) mais o sufixo diminutivo chi e que por sua vez é oriundo do sânscrito gaúh (boi, gado vacum), proveniente da raiz indo-européia gwo, gwow (boi, vaca).
Passa ao castelhano antigo chaucho com o sentido equivalente a gauche e este se documentou primeiro (século XVIII). Esta foi a primeira transição árabe, seguindo-se lhe a que prevaleceu: gaúcho. Envolvendo assim originalmente a idéia de gado, já que a riqueza primitiva, era constituída pelos rebanhos, como fonte de ganho e de lucro, passou à acepção de "criador ou guardador de gados", pastor, tropeiro, que se dedica a trabalhos, correlativos com seus usos e costumes característicos.
Fonte: O PIONEIRO (Caxias do Sul/RS), 04 de Setembro de 1976, pág. 10
sexta-feira, 24 de dezembro de 2021
Quando o Papai Noel chegou ao Brasil?
Antecipando que esse é um pequeno e modesto ensaio, com base em algumas fontes históricas disponíveis na internet, procurando delimitar uma época para a chegada da figura do Papai Noel no Brasil e seu uso tradicional e comercial nas comemorações natalinas.
A primeira menção que encontramos está na Gazeta de Notícias, do Rio de Janeiro, no dia 09 de fevereiro de 1881, num artigo que identifica o Father Christmas inglês ou Santa Claus estadunidense e o traduz como Papá Natal. Pois bem, o Papá Natal é descrito com ar bonachão e amável, tal qual os dias de hoje, bem como sua hora e dia de visita às crianças é à meia-noite do dia 25 de dezembro. Descrito como ancião, com uma enorme barba branca e trajando vermelho, sua roupa, entretanto, é apresentada como roupas de frade o que lhe confere um capuz. Aprecia uma boa taça de prata cheia de hydromel quente. Contudo, a tradição do Father Christmas/Papá Natal é colocado como típica de algumas famílias anglófonas (sejam elas inglesas, irlandesas ou estadunidenses), completamente desconhecido à sociedade brasileira.
A mesma Gazeta de Notícias, mais adiante em 1898, numa crônica justamente no dia do Natal, já descreve o Father Christmas/Santa Claus não como Papá Natal porém com uma forma mais próxima da atual: Papá Noel. O jornal é categórico em afirmar que o Papá Noel não se aventura por estas callidas regiões do Brasil (...), pois o Papá Noel ama o frio. A tradição dos sapatinhos ou meias colocadas para receber os presentes do bom velhinho é apresentada. A mesma crônica identifica o local de moradia do Papá Noel os bosques da Noruega, onde embrulha os presentes. Um ano depois, na sua edição de véspera de Natal, o periódico volta a aludir ao personagem natalino, mas usando o termo Papai Natal.
Parece-nos que a chegada do Papai Noel (Father Christmas/Santa Claus/Papai Natal/Pai Natal) ao Brasil se consolida principalmente a partir da primeira década do século XX, embora não tenha se tornado tradicional e enraizado na cultura nacional de forma ampla até à década de 1940.
Na edição de 24 de dezembro de 1900, o jornal Cidade do Rio publica um pequeno conto natalino, curiosamente escrito por um brasileiro (assina como "B.C."), em que os personagens são crianças nacionais. No conto verifica-se o uso da árvore de Natal para comemoração do festejo. Tratando-se de um artigo cômico, pois as crianças rezam ao Papá Noel. O fogão da família é o lugar indicado para colocar os sapatinhos e receber o presente. Pensamos que isso talvez faça referência ao fato da chaminé das famílias brasileiras ser justamente aquela que expele a fumaça dos fogões à lenha e não de lareiras. O mesmo Cidade do Rio na sua edição de 26 de dezembro do mesmo ano, registra que bem mudados correm os tempos, pois se verifica o novo costume de deixar o sapatinho de guela aberta para receber os brindes de Papá Noel. Acreditamos que isso aponta que o costume de esperar o Papá Noel esteve se arraigando em famílias da sociedade brasileira, possivelmente mais letradas e financeiramente mais estabelecidas, na capital da República, durante o final do século XIX. Um pseudônimo denominado Carmen Dolores, numa folha fluminense de 1907, afirma ter esperado o Papá Noel na fazenda de seu veneravel pae num dezembro de 1887.
As primeiras representações do Papai Noel
Durante a primeira década do século XX, menções ao Papá Noel/Papai Noel são encontradas como figura natalina no próprio Rio de Janeiro, no Recife, em Porto Alegre, São Paulo, Curitiba, São Luís do Maranhão, Penedo (Alagoas) e em Belo Horizonte (ainda conhecida na época como Cidade de Minas). Em 1901 são percebidos um Sabat de Natal, no Rio de Janeiro, e uma festa natalina no interior de Minas Gerais entre os empregados de uma companhia inglesa de mineração, onde encontramos o Papá Noel. E nos parece também que a adesão brasileira ao senhor gordo e bonachão de grande barba branca ocorreu de forma muito rápida, mesmo para os padrões daquele período histórico. O Correio Paulistano em sua edição de 13 de novembro de 1907, lamenta que Hoje, em vez do reizado e do bumba, as senhoras ensinam aos filhos que Papá Noel vai pôr na chaminé os brinquedos e fazem a árvore do Natal. O mesmo Correio segue e acrescenta que estavam substituindo o tradicional vatapá no Natal pelas carnes adocicadas do allemão e os molhos envenenadores dos franceses. Mesma impressão tem o Diário do Maranhão de 20 de dezembro de 1909 que ataca veementemente o pinheiro de Natal e a exótica preocupacção de imitar o estranjeiro do brasileiro. Curvello de Mendonça, escritor carioca, ataca-o violentamente em uma crônica de 1910. Apesar disso, o Papá Noel já era visto sendo esperado em algumas fazendas do interior do estado do Rio de Janeiro em 1907, bem como na mesma época sendo utilizado como figura atrativa de associações de caridade para garantia do Natal das crianças pobres. O Jornal Pequeno de Recife, em sua folha de 21 de dezembro de 1909, identifica a chegada do Papá Noel ao Brasil à influência francesa, o que faz sentido, pois Noel é Natal naquela língua. Enquanto que em Portugal, o Father Christmas/Santa Claus é conhecido como Pai Natal.
A maioria das tradições associadas ao Papai Noel já aparece nesta década, exceto o costume de presentear as crianças más com carvão. O que difere bastante não é sua representação física (gordo, simpático e amável), mas o tipo de roupa que usa. Ora sua vestimenta assemelha-se muito à sua forma clássica (calças vermelhas, cinto, casaco vermelho, gorro vermelho), ora ele é descrito usando roupas vermelhas e verdes, ora usando azul. Bem verdade, numa ilustração que encontramos o Papai Noel lembra muito mais o Gandalf de O Senhor dos Anéis, com uma espécie de túnica pesada e capuz, botas mais simples e um cajado rústico de madeira. O sino é percebido fixado junto ao cinto. Noutra representação ele aparece usando ramos de azevinho nas orelhas e um gorro mais assemelhado a um quepe do que a uma touca. O Paiz de 26 de dezembro de 1909 o coloca chegando de balão (aeróstato, uma das maravilhas da época!) e não de trenó. Um detalhe incomum é que um conto da época é assertivo em apontar que Papá Noel adora vinho do Porto.
De modo geral, a imprensa direcionada ao público infantil serve para popularizar a figura do Papai Noel, com diversas histórias que mesclam quadrinhos, ilustrações e crônicas, onde o bom velhinho extrapola suas funções natalinas e é inserido em lendas e histórias mágicas com animais e seres folclóricos.
O Natal Brasileiro versus o Natal "Europeu"
A primeira nota que achamos sobre o Papá Noel sendo performado no Brasil situa-se no ano de 1910 no bairro carioca do Botafogo, em salões de festa que procuram celebrar o Natal de acordo com os ditames europeus, com o uso de frutas secas e a constante presença da árvore de Natal (mesmo cena encontrada no bairro das Laranjeiras). Todavia, no mesmo ano, diante desta exibição de um Natal europeu na capital da República, o mesmo jornalista que o assim o registra, o contrapõe lembrando das festividades natalinas brasileiras em outras localidades da cidade como a Gávea, em Vila Isabel, em São Cristóvão, na Avenida do Mangue, na Praça Onze de Junho e no Campo de Sant'Ana, como o reisado, os ranchos de pastorinhas, o boi, as cançonetas em honra ao Menino Jesus, as diversas representações populares do presépio e as tradicionais barraquinhas pela data que vendem toda sorte de produtos até quase à meia-noite. O único fator de união entre estes dois Natais é a Missa de Galo, prestigiada igualmente pela elite, classe média e pobres.
O Papai Noel "avança"
Durante as décadas de 1910 e 1920, apesar das críticas a figura do Papá Noel (agora já aparecendo também com a grafia Papai Noel) avança como símbolo natalino no Brasil e passa a constar de modo cada vez mais frequente na imprensa e na sociedade. Aqui e ali também se documenta seu uso comercial. A Casa Tem Tudo, sediada em Santos/SP, anuncia que Papá Noel a encarregou de expor aos papaes a completa colleção de brinquedos que destinas estas festas às creanças santistas! para o Natal de 1918.
Durante a década de 1910, o Papai Noel já aparece no interior do Rio de Janeiro, Minas Gerais e de São Paulo. No Club 12 de Agosto de Florianópolis/SC em 25 de dezembro de 1911, o Papai Noel aparece de surpresa numa festa infantil distribuindo presentes e doces para alegria da criançada. No Natal de 1913, o Papai Noel é visto em Belém do Pará e em Cuiabá, e do ano seguinte, nas ruas de Salvador, na Bahia. Uma livraria em Manaus o representa tradicionalmente num grande quadro à entrada do estabelecimento no Natal de 1913, embora o periódico que guarda tal informação o chama de figura exotica aos trópicos. O Quartel de Polícia de Teresina/PI promove uma festa em 1914 para os filhos de officiaes e praças (cerca de 750 brinquedos foram distribuídos) em que encarregam o cabo Antônio Celso de ir caracterizado do bom velhinho. Em 1917, no Ceará o escritor Herman Lima admoesta as crianças a irem dormir, do contrario não ha de vir Papá Noel. No distante Acre, na Vila Seabra, o Papai Noel faz sua estreia em 1918 numa festividade natalina. Em 1919, o Papai Noel é observado numa festa da colônia italiana em São Paulo para desespero dos mais conservadores que proclamam que quem traz presentes para os bambinos é o Menino Jesus e não aquele velho gordo de vermelho!
Durante a década de 1920 os registros sobre o Papai Noel abundam na Imprensa brasileira e já contamos cerca de 400 citações de festividades, escritos, peças comerciais e notícias diversas. Principalmente a partir de 1924, podemos concluir que sua figura já está bem inserida nas principais capitais e centros urbanos do País. Na Porto Alegre de 1927, homens promovem ações beneficentes de Natal vestidos a caráter e com uma cesta distribuindo castanhas.. Na mesma capital gaúcha, no dia 21 de dezembro de 1929, assistimos talvez aquilo que vai ser a primeira chegada do Papai Noel documentada no Brasil com inúmeras celebrações, música, distribuição de doces e presentes, onde estiveram presentes mais de duas mil crianças! No interior mais agrário, as informações são mais escassas.
Durante as décadas de 1930 e 1940, o Papai Noel torna-se predominante no Brasil como figura natalina bondosa que distribui presentes às crianças bem-educadas. As mamães e papais começam a falar dele de forma mais frequente durante o ano, principalmente como personagem incentivador de boas práticas morais, caso contrário os rebentos podiam ter a desagradável surpresa de não ganhar nada de bom na noite de 25 de dezembro ou, pior ainda, um monte de cocô (conforme o registro de um periódico paulista de 1947) por causa de suas malcriações.
As antigas tradições natalinas brasileiras foram se tornando cada vez mais escassas, principalmente a partir da crescente urbanização iniciada na década de 1950.
Fontes:
GAZETA DE NOTÍCIAS (Rio de Janeiro/RJ), 09 de Fevereiro de 1881, pág. 01
GAZETA DE NOTÍCIAS (Rio de Janeiro/RJ), 25 de Dezembro de 1898, pág. 01
GAZETA DE NOTÍCIAS (Rio de Janeiro/RJ), 24 de Dezembro de 1899, pág. 01
GAZETA DE NOTÍCIAS (Rio de Janeiro/RJ), 28 de Dezembro de 1901, pág. 02
GAZETA DE NOTÍCIAS (Rio de Janeiro/RJ) - outras edições: 16/12/1905, pág. 01; 25/12/1905, pág. 01; 19/12/1906, pág. 03; 26/12/1906, pág. 02; 05/01/1908, pág. 02; 19/12/1909, pág. 02; 14/04/1910, pág. 02; 24/12/1910, pág. 04; 25/12/1910, pág. 06; 26/12/1910, pág. 03
CIDADE DO RIO (Rio de Janeiro/RJ), 24 de Dezembro de 1900, pág. 02
CIDADE DO RIO (Rio de Janeiro/RJ), 26 de Dezembro de 1900, pág. 01
DIÁRIO DE MINAS (Belo Horizonte/MG), 28 de Março de 1901, pág. 04
DIÁRIO DO MARANHÃO (São Luís/MA), 20 de Dezembro de 1909, pág. 01
A REPUBLICA (Curitiba/PR), 14 de Novembro de 1905, pág. 02
CORREIO PAULISTANO (São Paulo/SP), 13 de Novembro de 1907, pág. 01
JORNAL DO BRASIL (Rio de Janeiro/RJ), 07 de Abril de 1907, pág. 08
CORREIO DA MANHÃ (Rio de Janeiro/RJ), 30 de Dezembro de 1908, pág. 04
JORNAL PEQUENO (Recife/PE), 11 de Dezembro de 1907, pág. 02
JORNAL PEQUENO (Recife/PE), 12 de Dezembro de 1907, pág. 02
JORNAL PEQUENO (Recife/PE), 21 de Dezembro de 1907, pág. 03
JORNAL PEQUENO (Recife/PE), 24 de Dezembro de 1909, pág. 01
JORNAL PEQUENO (Recife/PE), 24 de Dezembro de 1910, pág. 04
O PAIZ (Rio de Janeiro/RJ), 24 de Novembro de 1901, pág. 02
O PAIZ (Rio de Janeiro/RJ), 07 de Janeiro de 1907, pág. 01
O PAIZ (Rio de Janeiro/RJ), 24 de Dezembro de 1909, pág. 05
O PAIZ (Rio de Janeiro/RJ), 26 de Dezembro de 1909, pág. 02
O PAIZ (Rio de Janeiro/RJ), 31 de Dezembro de 1909, pág. 01
CORREIO DA MANHÃ (Rio de Janeiro/RJ), 30 de Dezembro de 1903, pág. 04
CORREIO DA MANHÃ (Rio de Janeiro/RJ), 24 de Dezembro de 1908, pág. 01
CORREIO DA MANHÃ (Rio de Janeiro/RJ), 25 de Dezembro de 1911, pág. 01
CORREIO DA MANHÃ (Rio de Janeiro/RJ), 29 de Dezembro de 1913, pág. 01
FON-FON (Rio de Janeiro/RJ) - edições: Ano II número 38, 24/12/1908; Ano III número 02, 09/01/1909; Ano III número 43, 23/10/1909; Ano III número 45, 06/11/1909; Ano III número 52, 23/12/1909; Ano IV número 01, 01/01/1910; Ano IV número 48, 26/11/1910
DIÁRIO DE PERNAMBUCO (Recife/PE) - edições: 15/12/1908, pág. 03; 24/12/1908, pág. 03; 18/01/1909, pág. 01
A NOTÍCIA (Rio de Janeiro/RJ) - edições: 23/11/1901, pág. 02; 31/07/1907, pág. 02; 25/12/1909, pág. 01
O TICO-TICO; JORNAL DAS CRIANÇAS (Rio de Janeiro/RJ) - 125 ocorrências entre 1907 e 1955.
O MALHO (Rio de Janeiro/RJ) - 106 ocorrências entre 1904 e 1953.
A PROVINCIA (Recife/PE), 25 de Dezembro de 1909, pág. 01
KÓSMOS: REVISTA ARTÍSTICA, SCIENTIFICA & LITTERARIA (Rio de Janeiro/RJ), 1904, edição 012
KÓSMOS: REVISTA ARTÍSTICA, SCIENTIFICA & LITTERARIA (Rio de Janeiro/RJ), 1907, edição 012
O FILHOTE (Rio de Janeiro/RJ), Ano I número 15, 23 de Dezembro de 1909
O FILHOTE (Rio de Janeiro/RJ), Ano II número 36, 24 de Dezembro de 1910
O MONITOR (Penedo/AL), 21 de Junho de 1909, pág. 01
A FEDERAÇÃO (Porto Alegre/RS), 01 de Janeiro de 1906, pág. 01
A FEDERAÇÃO (Porto Alegre/RS), 24 de Dezembro de 1909, pág. 02
JORNAL DAS MOÇAS (Rio de Janeiro/RJ), Ano I número 15, 14 de Dezembro de 1914
O GATO: ALBUM DE CARICATURAS (Rio de Janeiro/RJ) - 06 ocorrências entre 1911 e 1917
GAZETA DO POVO (Santos/SP), 23 de Dezembro de 1918, pág. 04
REVISTA DA SEMANA (Rio de Janeiro/RJ), Ano XIII número 659, 28 de Dezembro de 1912
ILLUSTRAÇÃO PAULISTA (São Paulo/SP), Ano II número 65, 20 de Abril de 1912
ESTADO DO PARÁ (Belém/PA), 25 de Janeiro de 1914, pág. 01
A NOTICIA (Salvador/BA), 24 de Dezembro de 1914, pág. 06
JORNAL DO COMMERCIO (Manaus/AM), 25 de Dezembro de 1913, pág. 04
A NOTA (Fortaleza/CE), Ano II número 89, 24 de Dezembro de 1917
O DIA (Florianópolis/SC), 27 de Dezembro de 1911, pág. 02
DIÁRIO DO PIAUHY (Teresina/PI), 27 de Dezembro de 1914, pág. 02
A REFORMA (Vila Seabra, Departamento de Taranacá, Acre), 29 de Setembro de 1918, pág. 02
O DEBATE (Cuiabá/MT), 25 de Dezembro de 1913, pág. 01
Diversos periódicos de 16 estados brasileiros entre 1920 e 1949.
quarta-feira, 13 de outubro de 2021
Live comemorativa do IX Aniversário de Fundação do Instituto Histórico e Geográfico do Capão do Leão
terça-feira, 28 de setembro de 2021
Livro "Granito" terá sessão de autógrafos no dia 06 de Novembro
A obra "Granito" - romance da escritora gaúcha Janice Barth que tem como pano de fundo a história e o passado do município de Capão do Leão - já tem data marcada para seu lançamento na terra que inspirou a autora a buscar as suas origens familiares, aliás, o que constitui a trama central do livro. Será no dia 06 de novembro próximo na Casa de Cultura Jornalista Hipólito José da Costa, junto à Praça João Gomes, a partir das 16 horas.
A obra de grande fôlego merece ser lida com atenção, pois além do enredo envolvente, está entremeado de fatos históricos verdadeiros que se sobrepõem como elementos importantes do romance.
O livro está em pré-venda pelo e-mail indicado nas fotos e informações podem ser adquiridas pelo WhatsApp do fone ali informado.
Prestigie! Participe! Valorize a cultura do nosso município!
sábado, 21 de agosto de 2021
Granito - obra literária que visita o passado do Capão do Leão será lançada em novembro!
Em novembro de 2021, a escritora gaúcha Janice Barth lançará um importante romance histórico que visita o passado do Capão do Leão, muito bem construído em sua trama, com muitos desdobramentos que tem como pano de fundo nossa realidade regional com suas paisagens, relevos, pessoas, lugares, costumes, tradições e história.
Será um marco importante para a nossa história literária, nos oferecendo a possibilidade de visitarmos aspectos de nossa própria identidade e da nossa terra. Prestigie!
Press Release oficial
“Granito”, romance de estreia da escritora gaúcha Janice Barth, será lançado em novembro, com data e local a serem definidos.
A narrativa descreve a saga de Laura MacNeil, começando com sua chegada em Capão do Leão, cidade localizada no extremo sul rio-grandense, que serve de cenário para esta instigante obra.
Vinda de Toronto, Canadá, para pesquisar documentos de sua família, Laura acaba por descobrir que é possuidora de poderes mediúnicos que lhe permitem rever a história de seus antepassados numa tela líquida dentro de uma cavidade, esculpida numa rocha de granito por milênios de erosão.
Nessa busca por suas origens, ela conhece Gerson Nunes, um advogado de Pelotas, com quem vive um intenso caso de amor, quando se sentem unidos por uma forte conexão que só seria explicada por elos forjados em vidas passadas. Num processo de redescoberta, a personagem desvenda uma nova dimensão em sua vida, vivenciando uma nova realidade, na qual ela se reinventa como mulher.
Realidade, fantasia e sonho se misturam em “Granito”, numa mescla de fatos históricos e criações ficcionais, encontrando-se nessa narrativa uma combinação entre vivências pessoais e criação literária sob a pena de Janice Barth:
“Todo autor traz parte de suas experiências para a sua escrita. É comum encontrarmos conexões entre autores e suas histórias. Olhando pela perspectiva de uma projeção freudiana, há vários aspectos meus em Laura,” conclui a autora.
Numa história repleta de drama, aventura, lendas e emoção, as visões de Laura MacNeil em “Granito” resgatam a travessia do Atlântico por seus antepassados, num vapor no final do Século XIX, reveem fatos históricos, testemunham paixões avassaladoras, além de presenciar perdas, traições e assassinatos, numa sequência de eventos capturados pelo poder mediúnico de Laura, mediados por sua conexão sobrenatural com a rocha milenar.
Antes de seu lançamento em novembro, “Granito” terá pré-venda em livrarias e plataformas ainda a serem definidas. A editoração do livro é da Memorabilia Books.
ADQUIRA SEU EXEMPLAR do romance histórico GRANITO em PROMOÇÃO, com valor reduzido na pré-venda, e ainda receba um BRINDE ESPECIAL em sua compra!
Envie seu nome completo, CPF, endereço físico completo com CEP e telefone celular para o email: livrogranito@gmail.com
O LANÇAMENTO SERÁ EM NOVEMBRO DE 2021 EM PORTO ALEGRE, CAPÃO DO LEÃO E PELOTAS!
domingo, 23 de maio de 2021
Tabus alimentares brasileiros - Parte 03
Uma pequena coletânea de tabus alimentares encontrados no Brasil
"81. Não presta comer banana-felipe: a pessoa mudará de sexo ou morrerá dentro de três dias.
82. Não presta dar banana para criança nova: poderá matá-la.
83. Não presta comer goiaba com sementes: dá apendicite.
84. Gestante não deve comer jaca: a criança nascerá com a cabeça 'pocada' ou terá perebas.
85. Mulher de resguardo ou menstruada não deve chupar fruta cítrica (laranja, limão, mexerica, etc.): faz mal.
86. Não presta chupar laranja durante a Semana Santa: faz mal e é pecado, 'pois foi com espinhos de laranjeira que fizeram a coroa de Nosso Senhor'.
87. Não presta chupar laranja e, em seguida, tomar café: faz mal.
88. Não presta engolir sementes de qualquer fruta cítrica: dá fome canina.
89. Mulher não deve comer gomo anão de qualquer fruta cítrica: terá filho anão.
90. Não presta consumir limão (mesmo em limonadas às refeições): ataca o fígado.
91. Não presta consumir frutas 'azedas' (ácidas): dão azia.
92. Não presta comer frutas 'frias' (laranja, melancia, abacaxi e outras assim chamadas): 'é perigodo, até dá pneumonia, se a pessoa estiver resfriada.
93. Não presta comer mamão-macho (mamão de cordão): dá papo.
94. Não presta comer jatobá: dá amarelão (opilação, ancilostomose).
95. Não presta comer manga verde (geralmente, com sal): dá congestão.
96. Gestante não deve comer melancia: 'dá congestão, e a mulher nunca mais ficará boa'.
97. Gestante não deve comer melancia quente do sol: 'a criança passará mal dentro da barriga da mulher e poderá até morrer'.
98. Gestante não deve chupar manga quente de sol: ''dá febre na criança que tem na barriga, que pode até morrer'.
99. Mulher de resguardo não deve chupar manga: faz mal.
100. Comer banana ou mamão e tomar água por cima faz mal.
101. Comer melancia e tomar caldo de cana (garapa) por cima, mata.
102. Melancia com uva não combina: 'é muito perigoso comer as duas juntas'.
103. Laranja, de manhã é ouro, de tarde é prata, de noite mata.
104. Não presta tomar bebida alcoólica (principalmente, cachaça) com ovo: faz mal, 'podendo até matar'.
105. Não presta tomar bebida alcoólica (principalmente, cachaça) quando se vai comer alguma verdura (hortaliça) 'pesada', como rabanete, repolho, pimentão, pepino; dá congestão (indigestão).
106. Tomar cachaça e comer aipim (mandioca mansa), faz mal.
107. Tomar cachaça depois das refeições, 'dá dor de barriga e faz vomitar'.
108. Não presta misturar cerveja com guaraná: faz mal.
109. Não presta misturar licores, bebendo a mistura num só copo: faz mal.
110. Não presta tomar licor de abacaxi e, em seguida, licor de jenipapo: pode até matar.
111. Não presta tomar limonada: 'faz o sangue virar água' (enfraquece o sangue).
112. Não presta tomar vinagre para emagrecer: fica tuberculoso.
113. Mulher que amamenta não deve usar vinagre como tempero: seu leite azeda no próprio seio.
114. Mulher de resguardo não deve tomar bebidas geladas, sorvetes ou qualquer alimento gelado: fazem muito mal.
115. Não presta tomar água de chuva: fica papudo.
116. Não presta tomar água sem uso de vasilha ou das mãos, sorvendo-a com a boca diretamente da fonte: faz mal, pois é assim que os cachorros e outros animais a tomam.
117. Não presta tomar água por cima de qualquer bebida alcoólica: faz mal.
118. Não presta tomar chá doce, à noite: faz mal.
119. Não presta pessoa casada tomar café em xícara sem pires: se mulher, perderá o marido, e vice-versa.
120. Não presta criança tomar café: ficam muito nervosas.
121. Não presta beber água, enquanto segura-se uma lamparina: é mau agouro.
122. Não presta tomar caldo de cana (garapa) durante a Semana Santa, pois 'foi com um pedaço de cana que bateram em Nosso Senhor'.
123. Não presta tomar cachaça sem antes jogar um golinho no chão, 'para o anjo-da-guarda ou as almas'; ficará sem proteção.
124. Não presta comer feijoada sem o obrigatório acompanhamento de uma cachaça ou batida de limão: dá congestão (indigestão).
125. Não presta deixar alguém beber o resto de bebida da gente: a outra pessoa descobre nossos segredos.
126. Não presta comer com chapéu na cabeça: é desrespeito a Nosso Senhor, pois Ele sempre está presente às refeições.
127. Não presta comer no escuro: o diabo pode estar comendo com a gente.
128. Não presta comer ou beber, batendo 'ar' (reflexo do sol, por espelho ou água) na cara: fica com a boca torta.
129. Não presta noivos comerem juntos, na mesma panela, no dia do casamento: faz chover.
130. Não devem sentar-se à mesa treze pessoas: a mais velha morrerá antes das demais.
131. Não presta duas pessoas comerem juntas, no mesmo prato: sofrerão fome, futuramente.
132. Não presta derrubar sal na mesa ou no chão: dá azar.
133. Não presta chupar cana-de-açúcar durante a Semana Santa, pois foi com uma cana que bateram em Nosso Senhor.
134. Gestante não deve comer fora de hora: "terá indigestão e a criança sofrerá dentro de sua barriga'.
135. Não presta chupar cana-pau (cana-de-cavalo): dá coceira.
136. Não presta comer na hora de dormir: dá 'pisadeira' (pesadelo). Contudo evita-se o mal, colocando-se uma tesoura sob o travesseiro.
137. Não presta comer andando: 'o Anjo-da-Guarda não acompanha a gente'.
138. Não presta dar café a uma visita, logo que esta chega a nossa casa: é o mesmo que tocá-la pra fora.
139. Não presta deixar cair comida no chão, quando se toma uma refeição: um parente, que mora longe, passará fome.
140. Não presta comer doce perto de criança, sem dar-lhe um pouco: esta 'fica aguada' (doença indefinida, causada por desejo não satisfeito).
Fonte adaptada: TEIXEIRA, Fausto. Tabus Alimentares. In: Revista Brasileira do Folclore, Brasília/DF, Ministério da Educação e Cultura, ano XI, número 30, maio/agosto de 1971, pág. 191-208
sábado, 22 de maio de 2021
Tabus alimentares brasileiros - Parte 02
Uma pequena coletânea de tabus alimentares encontrados no Brasil
"41. Comer ovo e chupar manga, a seguir, mata.
42. Comer ovo misturado com pepino faz mal.
43. Comer ovo misturado com repolho faz mal.
44. Não se deve comer muito feijão, pois é alimento 'pesado', que faz mal.
45. Criança não deve comer feijão com casca nem misturá-lo com farinha de mandioca: faz mal.
46. Gestantes e lactentes não devem comer feijão com arroz: faz mal.
47. Quem comer feijão não deve comer goiaba, logo em seguida: faz mal, pois esses alimentos não se combinam.
48. Mulher que amamenta não deve tomar sopa na qual entre o feijão: diminuirá sua lactação.
49. Água de arroz é boa dieta para criança doente, que não deve ingerir outro alimento.
50. Não presta jogar fora pedaço de pão, sem antes beijá-lo: passará fome, um dia, quem o fizer, 'porque pão é coisa sagrada' (representa o corpo de Nosso Senhor.
51. Não presta deixar pedaço de pão na mesa, com a parte cortada para baixo: é mau agouro.
52. Não presta moça solteira comer a ponta do pão: nunca se casará.
53. Mulher casada que comer pamonha 'em dia de domingo' ficará grávida brevemente.
54. Não presta crianças comerem biscoitos: faz mal.
55. Não presta mulher grávida comer 'rapa de polenta' (polenta que fica grudada no fundo da panela): a criança sofrerá no ventre materno, podendo 'grudar' no útero e dificultar o parto.
56. Não presta comer 'rapa de polenta': perde-se a inteligência.
57. Não presta comer verduras: é comida de cabrito ou lagarto.
58. Criança não deve comer verdura: faz mal.
59. Gestante não deve comer aipim: faz mal.
60. Mulher de resguardo não deve comer certas verduras, como pepino, couve, inhame, pimenta: faz mal.
61. Gestante não deve comer inhame: faz mal.
62. Gestante não deve comer pimenta: o filho a nascer será muito bravo.
63. Não presta comer pepino e depois pêssego: é morte certa!
64. Gestante não deve comer repolho: 'a criança a nascer será chorona e aparecerão 'nascidas' (furúnculos) nela'.
65. Não presta comer muito tomate: 'o sangue não se une com ele'.
66. Não presta comer muita cebola: perde a memória.
67. Pepino só não faz mal 'quando se faz salada com ele e joga-se fora' (Quer dizer: sempre faz mal comê-lo).
68. Não presta comer pimenta: perde a memória.
69. Não presta comer repolho com tomate: faz mal.
70. Pessoa que esteja com febre não deve comer repolho: piora.
71. Não presta mulher que amamenta comer batata doce: 'dá dor de barriga na criança lactente e saem perebas na cabeça desta'.
72. Não presta engolir sementes de quiabo e de tomate: dão apendicite.
73. Não presta comer ou chupar qualquer fruta e tomar bebida alcoólica: faz mal, podendo dar congestão e até matar.
74. Comer mais de uma fruta no mesmo momento faz mal; conforme a mistura pode até matar.
75. Comer qualquer fruta quente do sol dá congestão.
76. Comer banana e tomar café quente, em seguida, faz mal.
77. Banana, de manhã é ouro, de dia é prata, de noite mata.
78. Gestante não deve comer abacaxi: 'é veneno, podendo fazer a mulher perder seu filho'.
79. Gestante não deve comer abacaxi: 'seu filho nascerá com a cabeça 'pocada' (rachada, trincada) e cheia de perebas'.
80. Se uma mulher comer banana-felipe (geminadas), terá filhos gêmeos. Contudo, se repartir as bananas geminadas com outra pessoa, nada sucederá, uma vez que ambas não sejam parentes, pois se o for, uma delas deverá ter gêmeos.
Fonte adaptada: TEIXEIRA, Fausto. Tabus Alimentares. In: Revista Brasileira do Folclore, Brasília/DF, Ministério da Educação e Cultura, ano XI, número 30, maio/agosto de 1971, pág. 191-208
sexta-feira, 21 de maio de 2021
Tabus alimentares brasileiros - Parte 01
Uma pequena coletânea de tabus alimentares encontrados no Brasil
"1. Leite com qualquer fruta faz mal; principalmente se a fruta for cajá, abacaxi, caju, goiaba, jaca, jenipapo, mamão, manga, maracujá, ou banana.
2. Leite com fruta verde dá tifo.
3. Leite com fruta azeda (ácida) dá congestão ou mata, 'porque um é doce, outro azedo'.
4. Leite com abacaxi, laranja ou mexerica faz vomitar sangue.
5. Leite com pepino não presta; 'pode até matar'.
6. Leite com batatinha é mortal.
7. Leite com qualquer verdura faz mal.
8. Leite com carne de galinha é um perigo.
9. Leite com cachaça mata.
10. Leite com qualquer bebida alcoólica é muito perigoso.
11. Leite com café, fervidos juntos, faz mal.
12. Leite de vaca, para mulher que está amamentando, faz mal.
13. Leite de vaca, para criancinha de peito, faz mal.
14. Queijo com qualquer bebida alcoólica faz mal.
15. Queijo não presta, quando se come muito dele: perde-se a memória.
16. Carne é um alimento 'quente e pesado'; faz mal para quem sofre de fígado, dos rins ou do coração.
17. Comer carne na Sexta-Feira da Paixão faz mal, pois 'é a carne de Nosso Senhor'.
18. Mulher de resguardo só deve comer carne de galinha, pois qualquer outra espécie de carne, inclusive de peixe, faz mal.
19. Comer carne durante a Semana Santa faz mal e é um grande pecado; 'mas bacalhau e peixe pode-se comer'.
20. Carne de porco com ovos faz mal.
21. Fígado de porco só não faz mal se for comido com açúcar.
22. Carne de caça é reimosa (faz mal ao sangue); faz mal, principalmente para quem sofre de reumatismo, do fígado ou dos rins.
23. Mulher de resguardo só deve comer alimentos preparados com banha de porca, pois a de porco faz mal.
24. Não presta comer carne e peixe na mesma refeição; faz mal.
25. Não presta comer um ossinho que as galinhas têm nos pés, pois nascerá um ossinho igual na barriga de quem comeu, ou, então, nascerá um dente defeituoso.
26. Quem comer galinha choca 'ficará com dor de barriga e terá fome canina'.
27. Faz mal comer cabeça de galinha: perde-se o juízo.
28. Comer coração de galinha faz a pessoa ficar medrosa.
29. Mulher que comer ovo com duas gemas terá filhos gêmeos.
30. Crianças novas não devem comer carne de qualquer espécie: faz mal.
31. As carnes escuras, de animais de caça, são 'mais pesadas' do que as vermelhas, de boi, de porco, de carneiro ou cabrito; e estas 'mais pesadas' do que as carnes brancas, de galinha, aves em geral e peixes.
32. Não presta misturar carne de boi com carne de onça; faz mal, podendo até causar a morte de quem comer.
33. Gestante não deve comer carne-seca com polenta: faz mal.
34. Mulher de resguardo não deve comer ovos: faz mal.
35. Os recém-nascidos não devem comer carne de porco: 'é um veneno'.
36. Gestante não deve comer fígado de boi ou de vaca: 'faz vomitar, botando até as tripas pra fora'.
37. Mulher de resguardo não deve comer carne de galinha temperada: faz mal.
38. Pessoas doentes nunca devem comer peixe: faz mal.
39. Faz mal comer pé de galinha: a pessoa 'fica andeja, não parando em lugar algum'.
40. Não presta comer carne de macaco: 'é perigoso'.
Fonte adaptada: TEIXEIRA, Fausto. Tabus Alimentares. In: Revista Brasileira do Folclore, Brasília/DF, Ministério da Educação e Cultura, ano XI, número 30, maio/agosto de 1971, pág. 191-208
sábado, 1 de maio de 2021
Mister Pelé
Vilson Couto, o “Mister Pelé”.
Uma figura alegre, ímpar! Caricatura dele próprio! Assim foi, em intensa vida, de nosso popularmente conhecido “Mister Pelé”!
Negro em movimento como poucos, vivia pulsante desde os áureos anos 80, quando já fazia imenso sucesso nas memoráveis “Festas Black”, promovidas pela saudosa “Transa Negra” e pelo “Studio 466” em Pelotas e região.
Dançarino exímio, espelhava-se em ninguém menos que James Brown, para suas coreografias! Cantor de Reggae e RAP, lembrava pelo estilo e semelhança física, o cantor Jimmy Cliff, em apresentações irrepreensíveis!
Mister, pela alegria e desprendimento, rompeu inúmeras barreiras e propagou a ‘Cultura Black’ especialmente periférica, mais do que qualquer outro em Pelotas e região.
Um lutador! Homem trabalhador, honrado, comerciante inigualável!
Uma referência.
Homem negro que escolheu fazer da alegria seu talento e sua arma no embate cotidiano contra as agruras que tristemente ainda assolam a condição do ‘ser negro’.
Inesquecível no coração de todos que perpassaram sua militância negra.
Fonte: Ícones Inesquecíveis. Pelotas/RS:
Conselho da Comunidade Negra/Prefeitura de Pelotas, 2019. (folder de divulgação
cultural)
segunda-feira, 1 de março de 2021
Rubinei Machado
Liderança que zelava por suas convicções, mantinha-se aberto ao diálogo. Contemporizando diferenças, foi permanente debatedor acerca da justiça, dignidade e reparação à comunidade negra. Como diretor do Clube Cultural Fica Ahí Pra Ir Dizendo, esteve à frente de projetos que fomentaram tanto a criatividade artística e a integração cultural, quanto a troca de ideias, proporcionando a reflexão acerca da discriminação e preconceito, bem como do contexto ideológico, político e econômico. Rubinei tanto incentivava a Biblioteca Negra do Fica Ahí, quanto a “rústica” comemorativa a Zumbi no 20 de novembro. Liderança do movimento negro, empenhou-se pela vinda de autores para lançamento de livros, e esteve junto da organização de inúmeras palestras com convidados do País e exterior.
Uma das reflexões de Rubinei: “Cada vez tenho mais certeza que precisamos mudar as estratégias para buscar a reparação aos negros deste País. Não podemos negar que, com os governos populares, algumas coisas estão acontecendo, mas para nós isto não deve bastar. O que temos é um Estado reformista que ajuda aqui, ali, mas não resolve a questão maior que é a Reparação. Necessitamos equidade para atingir a igualdade. Um estado reformista não atende nossas necessidades e reivindicações históricas. Leia isto no Estatuto da Igualdade Racial e tantas outras ações governamentais. Enfim cabe a nós sabermos qual Estado queremos, nos insubordinando através de discussões e estratégias para que possamos fazer frente ao Estado que, racista, não quer reconhecer a dívida que tem com os negros. Age com truculência e usa palavras bonitas como ‘ações afirmativas’ e ‘igualdade racial’. Porém, esconde a real intenção de não atender as lutas históricas do povo negro brasileiro. Necessitamos de um Estado transformador. Como negros precisamos debater dois assuntos: ações afirmativas e participação dos negros nos espaços de poder”.
Assim impunha-se Rubinei, com lucidez e
firmeza, suas marcas registradas, e que deixarão saudades para sempre, no âmago
da comunidade negra pelotense.
Fonte: Ícones Inesquecíveis. Pelotas/RS:
Conselho da Comunidade Negra/Prefeitura de Pelotas, 2019. (folder de divulgação
cultural)
segunda-feira, 1 de fevereiro de 2021
Mestre Batista
Neives Batista ou simplesmente ‘Mestre Batista’ – nasceu em 27 de junho de 1936.
Mestre Batista é notadamente uma figura clássica e rememorada no carnaval pelotense. Com passagens por escolas como Estácio de Sá, Academia do Samba e General Telles, Batista foi quem trouxe novamente o uso do sopapo nas baterias das escolas de Pelotas.
Em 2007, Mestre Batista foi reconhecido pelo governo federal como ‘Mestre Griô’.
‘Tudo que se refere à cultura me agrada. Sou negro em movimento. Sou feliz’, disse o Mestre Batista, em depoimento ao Museu da Pessoa. Um dos últimos sonhos dele, e talvez o que mais queria fazer ainda em vida, é uma grande homenagem aos lanceiros negros.
Pedia ajuda aos orixás pra realizar esse desejo. Está registrado aqui, mestre. Você fez, com toda a sua vida.
Batista não queria ‘deixar morrer’ esta história. Nós também não podemos deixar morrer a que aprendemos e tivemos com ele. No sopapo, a memória de um povo inteiro está viva na batida de um tambor. Mestre, tamboreiro, griô, fiel companheiro, para nós também um legítimo lanceiro negro lutando por suas raízes e sua libertação.
Dizia que ‘o Sopapo oferece som grave’, e era mestre na confecção. A técnica praticamente desaparecida, foi resgatada por ele através do projeto Cabobu – Encontro dos Tambores – designação que homenageia os carnavalescos Cacaio, Boto e Bucha. Ao final dos anos noventa, o pelotense Giba Giba conseguiu apoio do governo gaúcho e viabilizou o projeto. Foram duas edições, ambas em 2000, com apresentações de talentos como Naná Vasconcelos, Djalma Corrêa, Paulo Moura, Chico César. Baptista integrou-se à iniciativa – em 1999. Na ocasião, ele confeccionou quarenta instrumentos resultado de oficinas abertas, ao público ministradas no Colégio Pelotense, que foram distribuídas para personalidades da música e entidades carnavalescas.
Para Baptista, mais do que a sonoridade que distinguia o Carnaval de Pelotas, o tambor é instrumento espiritual e equivale ao ‘atabaque-rei’. Ele acrescenta: ‘O tambor é o som sagrado dos orixás’.
Mestre merecedor de toda a nossa
reverência, e nosso agradecimento!
Fonte: Ícones Inesquecíveis. Pelotas/RS:
Conselho da Comunidade Negra/Prefeitura de Pelotas, 2019. (folder de divulgação
cultural)
terça-feira, 5 de janeiro de 2021
Maria Helena Vargas
Maria Helena Vargas da Silveira, conhecida como Helena do Sul, foi uma escritora pelotense. Brava mulher guerreira, militante das causas negras.
Estreou com o romance ‘É Fogo’, em 1987. Publicou contos, crônicas, poemas e romances. A marca de sua obra é a denúncia do preconceito racial na sociedade brasileira. A partir de ‘Odara – Fantasia e Realidade’ (1993), passou a integrar palavras da língua iorubá em seus textos.
‘Não me seduz apenas escrever sobre o universo da população negra, sem que eu tenha algum tipo de envolvimento, além de mim mesma, pois gosto de me envolver com a Negrada, fazendo algo que eu acredite que tenha valor para a comunidade, principalmente atividades ligadas à área educacional’.
Assim era a Helena do Sul, uma ‘Obá Contemporânea’, uma guerreira que não cansava a luta e seguia... de memória lúcida e sanidade total.
Sua obra individual, mostra obras como: ‘É Fogo’. Porto Alegre: Grupo Editorial Rainha Ginga, 1987. ‘Meu Nome Pessoa – Três Momento de Poesia’. Porto Alegre: Grupo Editorial Rainha Ginga, 1989. ‘O Sol de Fevereiro’. Porto Alegre: Grupo Editorial Rainha Ginga, 1991. ‘Odara – Fantasia e Realidade’. Porto Alegre: Grupo Editorial Rainha Ginga, 1993. ‘Negrada’. Porto Alegre: Grupo Editorial Rainha Ginga, 1994. ‘Tipuana’. Porto Alegre: Grupo Editorial Rainha Ginga, 1997. ‘O Encontro’. Porto Alegre: Grupo Editorial Rainha Ginga, 2000. ‘As filhas das lavadeiras’. Porto Alegre: Grupo Editorial Rainha Ginga, 2002.
Nas Antologias: ‘O Bacião e Jacuba. Nós, os Afro-gaúchos’ (vários autores). Porto Alegre: Editora da UFRGS, (s/d). ‘Nós. Uma Visão do Mundo Negro Hoje’ (vários autores). Porto Alegre: Câmara Legislativa de Porto Alegre, (s/d). ‘A Lágrima’ (poema). Roda de Poesia (vários autores). Porto Alegre: Editorial Grupo Semba, (s/d).
Na área da não ficção: ‘Questões de Negro e Espaço de Realizações. Educação, Etnias e Combate Ao Racismo: Cadernos da Educação da Comissão de Educação da Câmara Federal de Deputados’. Distrito Federal, s/d. ‘Jovens Negros’ em São Paulo. Revista Palmares, no. 4, Fundação Cultural Palmares, Brasília/DF, 2000.
Helena do Sul, nascera em Pelotas, em 1940, e veio a falecer em Brasília, aos 24 de janeiro de 2009, deixando imensa saudade por tudo o que representava para comunidade negra em todo o Brasil.
Fonte: Ícones Inesquecíveis. Pelotas/RS: Conselho da Comunidade Negra/Prefeitura de Pelotas, 2019. (folder de divulgação cultural)

















