Nota nossa: O mito também é conhecido como Cumacanga ou Curacanga.
Crôa-Canga
(Por Maciel de Alverne)
Há uma lenda muito interessante
nos campos da minha terra:
méte mêdo ás creanças,
assustando os seus crentes,
- uma coisa que nem mesmo sei dizer o que é. -
Só aparece de noite,
Crôa-Canga, é o seu nome.
É de fôgo, e não queima,
não tem aza, mas vôa,
não tem vida e, no entando,
corre atraz do novilho
e do homem tambem.
Muita gente acredita
que é cabêça de velho,
que tem néto
e bisnéto.
Crôa-Canga não é nada,
mas é tudo, no campo.
O vaqueiro não anda sosinho de noite.
Ele acha que a bicha
é Mãe-d'agua que sae do riacho encantado.
Crôa-Canga não existe,
mas a gente do campo acredita em sua vida.
E ninguem a convence
de isso ser fôgo-fátuo.
Essa lenda que vem de milenios,
está firme:
O cabôclo acredita,
tal e qual o politico baixo,
- Crôa-Canga que é de poder,
que por mais derrotado que seja,
com a derrota jamais se convence.
Crôa-Canga é a politica "dele"
que o ilúde, o convence, o engana,
como aquele cabôclo do campo
que por mais que se explique a verdade,
vive cégo e enganado na vida
crendo firme na lenda encantada
que a desgraça da tal Crôa-Canga,
foi na vida, mulher de algum padre.
Fonte: O COMBATE/MA, 11 de Outubro de 1933, pág. 03, col. 01