segunda-feira, 11 de maio de 2026

A Guerra de Buopé

 



(...)

Essa digressão aos domínios secretos e misteriosos do Jurupari era indispensável antes de fazermos o registro de uma das mais longas lendas colhidas por Brandão de Amorim, intitulado "Guerra de Buopé", em face do seu sentido histórico e pela revelação das qualidades deste guerreiro, tuhixaua (Brandão de Amorim prefere esta pronúncia) dos Tárias, ou Tarianas, na forma vernácula, a mais importante tribo do Waupés, que se dizia, de conformidade, com a mitologia tariana, Filhos do Trovão. Essa versão é detalhadamente explicada na lenda de Brandão "Gente Tária", que fora ouvida, pelo autor, do tuxáua Kara, que naquele tempo, 1891, era o mais velho dos chefes Tárias aldeados em São Calixto, já então com o nome de Marcelino.

Barbos Rodrigues, citado e apoiado por Câmara Cascudo, disse que os Tárias constituíam uma tribo de chefes, de fidalgos e de tuxáuas.

Buopé era o grande chefe dessa nação privilegiado de guerreiros indomáveis, que, pela inteligência e sabedoria do seu líder e através de intermináveis e bem sucedidas guerras, conseguiu impor o seu poderio militar e as suas leis em toda a região do Waupés. O sucesso nessas campanhas levou ainda o mesmo Câmara Cascudo a qualificá-lo como "o Carlos Magno dos Tárias", comparação que, mesmo ressalvadas todas as restrições e relatividade no distanciamento cultural entre ambos, não deixaria de ser extremamente honrosa ao herói ameraba do Waupés, ainda vivendo a era neolítica.

Particularmente, de admirar no comportamento do dirigente supremo dos Tárias eram os seus dons de caráter, de magnanimidade, poupando mulheres e crianças em suas campanhas, assim como poupando os tuxáuas vencidos. Parece assim que, sob o ponto de vista moral e humano, Buopé estava bem mais avançado do que os líderes das tribos inimigas suas contemporâneas.

Para comprovar esses seus dons de espírito, reproduzimos aqui um pequeno trecho da lenda "Gente Tária", onde ele deplora a morte de mulheres numa dura refrega guerreira com os Uananas.

Assim conta a narrativa ouvida por Brandão:

"Depois que tudo acabou (alusão à batalha) Buopé foi ver os que tinham morrido, encontrou no meio deles, as mulheres Uananas. Ele voltou para junto de sua gente, disse: Meu coração está triste porque todos nós já sujamos nossas frechas em sangue de mulher!

Iurupari sabe que nós não sabíamos que vinha mulher no meio de nossos inimigos. Não foi de coração que sujamos nossas frechas".

Prosseguindo, num desabado que revela a filosofia e a de sua gente com relação às companheiras, influência, talvez, das leis de Jurupari, exclamou sem ironia, mas com um compreendido sentimento de amargura:

"É bem certo que na terra ainda não vive mulher que tenha cabeça!

Que vieram fazer essas mulheres no meio dos homens?"

A seguir, como num desafogo de consciência, mas com certa tranquilidade, acrescentou:

"Ainda bem não trouxeram seus filhos porque também eles estariam agora aqui sem vida".

Essa manifestação de pesar, esse sentimento de humanidade, seguramente, não seriam comuns entre os chefes de tribos da bacia amazônica de um modo geral, mas partiu de um selvagem nas margens do Waupés, num chocante contraste com a violência, imperante na sociedade moderna, em nossos dias, precisamente quando os conhecimentos humanos, sublimados na tecnologia e na cibernética, conduzem-nos às maravilhas do computador, da desintegração do átomo e da exploração espacial.

Pelo seu discernimento e equilíbrio, sua fama correu longe, a tal ponto que, após a sua morte, o rio que testemunhou as suas proezas e a grandeza da nação Tária, cujo nome original era Ucaiari, passou a ser designado com o nome de Rio Buopé.

Fonte: JORNAL DO COMÉRCIO (Manaus/AM), 04 de janeiro de 1977, pág. 05

domingo, 10 de maio de 2026

Sobrenomes Argentinos - Parte 34



Todos os sobrenomes abaixo tem etimologia mapuche.

 331. Ayinñku - águia preferida.

332. Ayinray - flor preferida.

333. Ayinyang - altar preferido.

334. Ayllapan - nove leões (pumas).

335. Ayllapange - nove tigres (onças-pintadas).

336. Ayme - sem significado identificado com clareza.

337. Ayun - amor.

338. Ayunkurha - pedra preferida.

339. Ayunlewfu - rio preferido.

340. Ayvlen - agraciada.

sábado, 9 de maio de 2026

Sobrenomes Argentinos - Parte 33



Todos sobrenomes abaixo tem etimologia mapuche. 

321. Antvchiway - neblina do sol.

322. Antvl - sol.

323. Antvlaf - sem significado identificado com clareza.

324. Antvpi - com a força do sol.

325. Antvyanka - pérolas do sol.

326. Anuillang - altar em movimento; altar estabelecido.

327. Aukaman - condor não domado.

328. Aukan - guerreiro.

329. Ayinko - águia preferida.

330. Ayinkuy - sem significado identificado com clareza.

sexta-feira, 8 de maio de 2026

Disco voador em Florianópolis


Visto em Florianópolis um disco voador

Intensificam-se no mundo e já começam a aparecer nos céus desta capital, os falados "discos-voadores", que vêm de algum tempo para cá, abalando a opinião pública. Como se sabe, foi grande o surto de "discos voadores" há alguns anos passado. Agora, com a aproximação de Marte, o fenômeno tende a intensificar-se mostrando assim que aeronaves estão em permanente contacto com a Terra. Ainda agora, aqui em Florianópolis, no dia 15 pelas 11 e meia da manhã, o menino José Berber, residente no Balneário, olhando para o céu, para o que lhe parecia uma pandorga, achou estranho o objeto percorrer horizontalmente uma certa distância e depois parar por curto tempo e elevar-se com rapidez, na vertical, desaparecendo das vistas em menos de 3 minutos.

O fato foi comprovado por essas pessoas e muitas outras verão com maior frequência o fenômeno em dias mais próximos, quando o planeta Marte estará mais próximo da Terra.

(Distribuído pela Secção de Imprensa da AMI - Florianópolis).

Fonte: O ESTADO DE FLORIANÓPOLIS (Florianópolis/SC), 21 de agosto de 1956, pág. 01

quarta-feira, 6 de maio de 2026

Sobrenomes Argentinos - Parte 32

 



Todos sobrenomes abaixo tem etimologia mapuche.

311. Amuylifko - água pura.

312. Amuylewfu - rio que não se detém, que não se controla.

313. Ancamilla - sem significado identificado com clareza.

314. Antecao - gaivota do sol.

315. Antilef - rio do sol.

316. Antillanca - joia do sol.

317. Antiman - condor do sol.

318. Antinanco - águia do sol.

319. Antinirre - raposa do sol.

320. Antipani - leão (puma) do sol.

terça-feira, 5 de maio de 2026

Sobrenomes Argentinos - Parte 31



 301. Zutara - nome kunza para o beija-flor (independente da espécie).

302. Alen - do mapuche. Com a claridade da noite.

303. Aliwen - do mapuche; sem significado identificado com clareza.

304. Aliwenko - do mapuche. Árvore sagrada da água.

305. Aliwenkura - do mapuche. Pedra sagrada.

306. Alofantv - do mapuche. Luz do sol.

307. Alon - do mapuche. Luz.

308. Alonkura - do mapuche. Pedra luminosa, pedra preciosa.

309. Amunkura - do mapuche; sem significado identificado com clareza.

310. Amuway - do mapuche. A partida, ponto do qual se inicia uma caminhada.

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