E a Lagoa do Abaeté tem sua cobra
SALVADOR, (M-JC) - Uma cobra enorme, que muitos, disseram ser a maior de tôdas as sucurís que até hoje apareceu na Bahia, é "dona" das profundezas da Lagoa do Abaeté
As lendas que já vão surgindo são muitas e variadas. Contadas e recontadas pelas lavadeiras, figuras tradicionais que passam dias inteiros na beira da lagoa.
Para a maioria a cobra imensa aparece sempre lá no meio da Abaeté. Geme muito alto. Como se quizesse dizer alguma coisa. Depois volta para "seu reino".
Outras, porém, dizem que algumas vezes a cobra parece chorar...
PRETA E LISTRADA
D. Luiza Portela Costa Lóia, de 54 anos, e 41 de vida ali na Abaeté, já viu o "monstro" algumas vezes. Foi também a primeira a ver. E garante:
Ela é preta e tem listras brancas. Quando a põe a cabeça enorme de fora solta gemidos. Gemidos muito altos. Parece uma sucurí. É uma sucurí...
Olha para a lagoa, com reverência, e diz, sentenciosa, que "a cobra é a protetora das lavadeiras".
- Por que?
- Embora assuste um pouco a gente, ela serve para afugentar os hippies, que vinham para a Abaeté, sem respeitar nada, nem a Mãe D'Água nem as famílias.
"CARETA"
O "monstro" de Abaeté já até nome. Os Bombeiros deram. É "Carêta".
O Corpo de Bombeiros, por ordem da Prefeitura de Salvador, montou um serviço especial de salvamento na lagoa. Em um mês morreram quase vinte pessoas afogadas. E lenda ou não - porque diziam que eram os eleitos da Mãe D'Água - as providências foram tomadas. Ninguém pode mais brincar livremente como até agora nas águas escuras do Abaeté.
- E a cobra?
Os Bombeiros esclareceram que estão de vigília permanente. Alguns já viram. É enorme mesmo. Se sair da lagoa êles matam. Mas ir lá no meio, caçar... não!
As lavadeiras ajudam os Bombeiros, que vivem de espingarda sempre armada. Mas o soldado Magno Pereira, que já viu a cobra várias vezes, disse que só mesmo se ela sair abatida. Ela aparece rápidamente, olha para todos os lados, solta gemidos... e some nas águas escuras, misteriosas, cheias de lendas, da Abaeté.
Fonte: JORNAL DO COMÉRCIO (Manaus/AM), 21 de abril de 1971, pág. 06












