segunda-feira, 2 de março de 2026

O PRN - Partido da Reconstrução Nacional

 



O Partido da Reconstrução Nacional (PRN) foi a legenda que serviu de plataforma à vitoriosa candidatura presidencial do ex-governador de Alagoas, Fernando Collor de Mello. Constituído originalmente em 1985 sob a denominação de Partido da Juventude (PJ), a sigla adotou a sua denominação definitiva em 1989, exatamente quando da filiação do futuro presidente. Na eleição presidencial em que concorreu, Fernando Collor obteve 30,5% dos votos em primeiro turno e, posteriormente, 53,0% das preferências eleitorais no segundo. Após a interrupção do seu mandato presidencial por impeachment em 1992, Collor foi substituído pelo vice-presidente Itamar Franco, que não tinha filiação partidária. O PRN, por sua vez, desapareceria quase tão depressa quanto surgiu: em 1994 ainda lançaria um obscuro candidato à presidência, que não passou de 0,6% dos votos, e teve o seu registro cancelado pelo TSE em 1999.

Fonte: SCHMITT, Rogério. Partidos Políticos no Brasil (1945-2000). Rio de Janeiro: Zahar, 2000, pág. 44.

domingo, 1 de março de 2026

A Invasão do Candomblé de Accú



Antônio Guimarães não esperava que tivesse de dar explicações por ter ordenado a invasão de um candomblé em sua freguesia. Mas, no dia 28 de agosto de 1829, ele precisou gastar algumas horas respondendo por escrito a uma interpelação feita sobre o incidente pelo presidente da província da Bahia, José Gordilho de Barbuda, o visconde de Camamú. Este recebera queixa de um liberto africano, Joaquim Baptista, de que uma patrulha, sob as ordens do juiz, invadira o candomblé e se apropriara de 20 mil réis, panos da Costa e um chapéu de sol. Infelizmente não conseguimos encontrar o registro da história na versão do africano.

O relato de Antônio Guimarães informa que num local chamado Accú (decerto o atual bairro do Acupe de Brotas) havia e 1829 um candomblé. Joaquim fazia parte dele, parte importante, uma vez que o documento se refere ao “sítio indicado do Accú, e morada do Suplicante”. Era certamente um morador de prestígio na comunidade do terreiro, um liberto que talvez por ter algum acesso aos poderosos – aspecto a ser discutido adiante – agia como protetor da mesma.

Uma referência ao culto do “Deus Vodum” indica a origem jeje do grupo religioso. Os vodus são as divindades dos jejes do Daomé, muito numerosos na Bahia da época. Já em 1785 encontramos notícia de uma casa jeje, também vítima de invasão policial, em Cachoeira, no Recôncavo baiano.

A casa de 1829 não era pequena, considerando a animação da festa, a variedade e quantidade dos elementos e objetos rituais descritos e, sobretudo, o número de pessoas ali encontradas. “Este festejo, havia já três dias que se fazia com estrondo”, escreveu Guimarães. Os homens da lei depararam com um mundo de movimentos, sons, cores e objetos de significado estranho para eles, assim descrito pelo juiz: “Em cima de uma mesa toda preparada, um Boneco todo guarnecido de fitas, e búzios, e uma cuia grande da Costa cheia de búzios, e algum dinheiro de cobre misturado de esmolas, tocando tambaque e cuias guarnecidas de búzios, dançando umas [mulheres], e outras em um quarto dormindo, ou fazendo que dormiam”. Os policiais ocuparam o terreiro, destruíram ou apreenderam os objetos rituais, dispersaram e prenderam frequentadores. Cerca de 36 pessoas foram presas. Destas, onze lavadeiras foram logo liberadas para guardar as roupas de seus fregueses ou senhores. Foram levados à casa do juiz três homens apenas e 22 mulheres que, somadas às onze lavadeiras deixadas para trás, perfazem 33 mulheres detidas. Isso pode indicar que estas eram maioria no terreiro e não que os homens tiveram pernas mais ligeiras para fugir dos assaltantes.

Diante do juiz Antônio Guimarães, um ritual de arrogância e poder teve lugar: “(...) e fiz tirar e quebrar em presença de todos, o tambaque, e os mais vis instrumentos de seus diabólicos brinquedos”. Anteriormente, por ocasião da invasão, os homens do juiz já haviam destruído “o chamado Deus Vodum, cuias, e tudo lançando por terra”.

O assalto ao terreiro, a destruição dos objetos de culto, a prisão dos participantes são atos que ressaltam a intolerância da dominação escravista. A repressão à cultura negra, à religião em particular, foi um fato comum na vida dos escravos. O documento é uma evidência eloquente disso. Mas no esforço de Guimarães fez para se explicar, ele terminaria por revelar que esse método de dominação dos escravos, que era o seu, convivia e por vezes se chocava com outros mais refinados.

Fonte: REIS, João José & SILVA, Eduardo. Negociação e conflito: a resistência negra no Brasil escravista. São Paulo: Companhia das Letras, 1989, pág. 35-37.

sábado, 28 de fevereiro de 2026

A cabeça humana do Coliseu

 



O Coliseu, a popular casa de diversões dos Irmãos Petrelli, continúa apresentando programmas cinematographicos verdadeiramente attrahentes.

Hoje, entre outros, será exhibido o film drammatico em 4 partes - O Phantasma.

- A cabeça humana, um curioso phenomeno ali exposto, ha dias, têm sido muito visitada, sendo notavel a preoccupação de muitas pessoas em descobrir algum truc, o que não têm conseguido.

Brevemente farão sua estréa os artistas que compõem o Trio Jercolis.

Esses artistas, afamados dançarinos, têm sido procurados por grande numero de pessoas que desejam aprender a dansar.

Fonte: A FEDERAÇÃO (Porto Alegre/RS), 12 de setembro de 1916, pág. 02

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026

The Walcarce - o Rei dos Presídios

 



THE WALCARCE

Encontra-se, ha dias, nesta capital, e deu-nos hontem o prazer da sua visita o sympathico artista "The Walcarce", eximio manipulador e illusionista, que com grande successo se vem exhibindo nos theatros do paiz e do extrangeiro.

"The Walcarce" é também cognominado o "Rei dos Presidios", pelo trabalho que executa com correntes e algemas atadas aos pulsos é das quaes se livra, sem auxilio de pessoa alguma e á vista do publico.

Esse trabalho, que é de uma perfeição extraordinaria, "The Walcarce" tem chamado a attenção das autoridades e da imprensa das grandes capitaes europeas e americanas onde elle se exhibiu, a ponto de ter sido elle já submettido a exame medico.

Com esse exame, ficou apurado que "The Walcarce" consegue livrar-se das cadeias devido tão sómente ao phenomeno da dilatação de suas mãos.

"The Walcarce" dentro de poucos dias vae trabalhar em um dos nossos theatros.

Fonte: A FEDERAÇÃO (Porto Alegre/RS), 09 de abril de 1919, pág. 02

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

Discos voadores em Blumenau


Estranhos objetos cruzaram os céus de Blumenau em dias diferentes

O espetáculo foi assistido por um casal

Blumenau, 17 (Do Correspondente) - Os "discos voadores" ou o que quer que sejam, resolveram agora excursionar aos céus blumenauenses, segundo as declarações de diversas pessoas que viram os famosos aparelhos. Já estava tardando que alguém os visse nesta cidade, depois da peregrinação que fizeram pelos mais remotos lugares do planeta. E o interessante é que as pessoas que avistaram os discos não se conhecem. Viram-os, além do mais, em dias seguidos.

As primeiras a afirmarem que avistaram um objeto prateado cortando velozmente o espaço de sul a norte, foram duas senhoras residentes à margem do Itajaí-açu, aos fundos das oficinas da E.F.S.C. - Estavam as mesmas lavando roupa na barranca do referido rio quanto notaram estranho aparelho, girando velozmente no espaço. Não conseguiram acrescentar outros detalhes além de que jamais haviam observado qualquer coisa semelhante. O fato teria se passado na tarde de sábado.

OUTRO TESTEMUNHO

Domingo pela manhã, o sr. Ernesto Wuerges, motorista com ponto em Itoupava Seca, dirigia-se para o ponto do Salto, levando passageiros. Naquele local, êle e os ocupantes do carro tiveram a atenção despertada para uma "bola" luminosa na direção do sol nascente dotada de brilho invulgar e que girava soltando fagulhas vivíssimas. A bola se movimentava com rapidez de um lado para outro, subindo e baixando, até que desapareceu ofuscada pelo brilho do sol, que aumentava de intensidade. Em suas declarações, o sr. Ernesto Wuerges não deixou dúvidas de que avistara um "disco voador", muito embora a reportagem sugerisse a possibilidade de se tratar da Estrela Matutina, colocada entre o Sol e a Terra.

ESPETÁCULO RARO

Outra pessoa que viu foi a sra. Erica Fette, espôsa do sr. Francisco Fette, também residente em Itoupava Seca.

"Ao alvorecer de segunda-feira - disse - notou um objeto com a forma de uma estrela, de um vermelho brilhante fazendo evoluções no espaço".

Achava-se numa das janelas de sua residência, quando observou o fenômeno. Acordou incontinenti o marido, que também passou a observar o estranho corpo celeste. Êste girava velozment, soltando fagulha e repentinamente, mudou de côr passando do vermelho para um verde marinho lindíssimo. O objeto sempre girando, ora baixava, ora se erguia, rapidamente no espaço, embora seguisse sempre numa única direção: de norte a sul. Mudou de côr várias vezes, até que desapareceu no horizonte.

Fonte: O ESTADO DE FLORIANÓPOLIS (Florianópolis/SC), 19 de abril de 1950, pág. 01


quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

Pedra fundamental da Escola de Artes & Ofícios de Pelotas

 



Pedra Fundamental. - Em terreno, sito á praça Constituição, realisou-se, domingo, com toda a solemnidade a ceremonia do lançamento da pedra fundamental da Escola de Artes e Officios.

Ao acto compareceu enorme e selecta assistencia, tendo pronunciado o discurso official o talentoso dr. Fernando Luis Osorio.

Gentilmente, compareceram as bandas de música do Gymnasio Pelotense, Diamantina e União Democrata.

Fonte: A ALVORADA (Pelotas/RS), 02 de junho de 1918, pág. 04

terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

A Lenda das Três Flautas Munduruku



Mito mundurucu

Diz a lenda, conforme foi narrada pelo pesquisador alemão (Walter Kampf), que antigamente as mulheres mundurucu habitavam a casa dos homens, chamada ecsá. Por sua vez, os homens da tribo viviam alojados na casa grande, junto com as crianças e os velhos. Eles tinham de caçar e fazer todo o trabalho das mulheres, como trazer lenha para o fogo, carregar água e até colher raízes de mandioca para preparar a farinha. Chamadas Yanyubêri (a chefe da tribo), Taimbiru e Parawarê, as três mulheres haviam encontrado três flautas caroquê num rio de onde três peixinhos jejuas tiraram.

As mulheres começaram a tocar. Gostaram do som. Diariamente e às escondidas elas se dirigiam para lá. Desconfiados, os homens queriam saber "aonde vão sempre as mulheres?". Escondidos, eles espreitaram as mulheres e viram-nas tocando as flautas. Mas o que fazer "se não sabemos tocar", perguntaram-se. Dois irmãos mais novos de Yanyubêri, Mari-marabê e Mari-bumbê sugeriram que fossem tiradas as flautas das mulheres. "Experimentaram-nas". "Soam bem", disseram. Então tocaram. As mulheres entristecidas, acomodaram-se na casa grande e os homens voltaram ao ecsá".

Fonte: O LIBERAL (Belém/PA), 26 de fevereiro de 1989, caderno dois, pág. 02

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