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segunda-feira, 3 de março de 2025

Arroz de Cabanheiro



No final da década de 90, havia uma cabanha na região entre a Vila Casaubon e o bairro Teodósio, em Capão do Leão, que empregava pelo menos quatro peões. Ali cuidavam de cavalos e algumas vacas leiteiras, além de produzirem uma pequena quantidade mensal de queijo. Havia também uma pequena criação solta de aves de diferentes espécies, a saber, galinhas, patos e gansos.

A peonada tinha que se alimentar bem, mas a quantia semanal de carne, várias vezes, não era suficiente. Arroz tinham em abundância, algum feijão e temperos. Além dos ovos em profusão.

Final de semana chegava e os peões gostavam de reunir os amigos dos arredores para apreciar alguma coisa alcoólica e fazer um jantar improvisado. Só que carne mesmo não tinham muita, mas havia muito arroz. Então, o prato principal dos ajuntamentos era arroz, impreterivelmente. Daí cada um contribuía com algo para o arroz, seja que carne que fosse: guisado (carne moída), sobrecoxa de galinha, um pedaço de agulha, bacon, uma linguiça calabresa, etc. Não tinha jeito, o arroz virava um entreverão. Só que mesmo com a contribuição de cada peão e dos amigos, muitas vezes o arroz ficava pobrinho, com um naco de qualquer carne sendo encontrado ora aqui ora acolá. 

Pois bem... como que se podia tornar aquele arroz mais robusto, nutritivo? O que eles tinham muito eram ovos de diversas aves, portanto, cozinha-os e vai também. E igualmente tinham muito queijo. Rala-se o queijo e coloca-se por cima. O que importava era o arroz ficar nutritivo, saboroso e forte.

Essa então é a origem do Arroz de Cabanheiro, que aqui registramos para que não se perca.

Ingredientes

Arroz (o quanto baste)

Óleo de soja

Sal

Temperos

Cebola a gosto

Alho a gosto

Pimentão a gosto

Molho ou extrato de tomate

Carnes

Uma porção picada de carne bovina de segunda

Uma porção picada de carne suína

Uma porção de sobrecoxas de frango cortadas em pedaços

Uma tira de bacon cortada em pequenos pedaços

Linguiça calabresa picada

Preparo do arroz

Fritam-se as carnes na panela com o óleo até ficarem bem cozidas. Sal a gosto. Acrescentam-se os temperos gradualmente e, em seguida, o molho ou extrato de tomate. Após esperar o tempo normal de cozimento das carnes com temperos, coloque a porção de arroz que deseja, a água e espere finalizar.

Finalização com o queijo e os ovos

Uma porção generosa de ovos cozidos e picados de galinha, pato e ganso

Uma porção generosa de queijo colonial ralado

Após o arroz estiver pronto, acrescente as porções de ovos picados e queijo ralado. Misture, aproveitando a caloria do arroz recém pronto.

Pão d'água, pimenta e vinho são acompanhamentos recomendados.


quinta-feira, 25 de fevereiro de 2021

domingo, 21 de outubro de 2012

Informações sobre a origem de algumas escolas do município de Capão do Leão

Trecho extraído de: OLIVEIRA. M.A. & TAMBARA, E. ANÁLISE DO PAPEL DA EDUCAÇÃO NO GOVERNO DO DR. AUGUSTO SIMÕES LOPES (1924-1928), ATRAVÉS DOS RELATÓRIOS INTENDENCIAIS. Faculdade de Educação/UFPel, página 4.


"Segundo a afirmação de Augusto Simões Lopes, no Relatório de 1928, com outras verbas e através da lei especial n.º 174, votada pelo Conselho Municipal a 21 de Dezembro de 1925, que autorizou a conversão em apólices do patrimônio da “Fundação D.ª Antonia Chaves Berchon des Essarts” e da lei de n.º 136 que permitiu em 1926 uma nova operação de crédito com a Exma. Sra. D. Maria Francisca de Mendonça de Assumpção, foram construídos os dois grupos escolares “Dr. Joaquim Assumpção”, “D.ª Antonia”, na cidade, e as escolas “Mauá”, no Passo dos Negros; “Álvaro Berchon”, no Passo das Pedras; “D.ª Maria Antonia”, na Barbuda; “João da Silva Silveira”, no Monte Bonito; “Bernardo Taveira Junior”, na Colônia Santa Eulália; “Professor Affonso Massot”, no Quilombo; “Ministro Fernando Osório”, nas Três Vendas; “Bibiano de Almeida”, na Vila Gastão Duarte, “Jacob Brod”, nas Terras Altas e “Garibaldi”, na Colônia Maciel.
Além desses, de acordo com o intendente, a Municipalidade adquiriu os seguintes edifícios para escolas rurais: na Cascata, onde foi instalada a escola “Luiz Pennafiel”; no Areal, onde passou a funcionar a escola “Dr. Piratinino de Almeida” e no Capão do Leão, onde foi instalada a escola “Barões de Santa Tecla”. Instalou-se, também, no edifício cedido pela Maçonaria após os necessários melhoramentos, a escola “Barão de Arroio Grande”, no “Theodosio”. As escolas rurais n.º 15, 16, 18 e 20 foram estabelecidas em prédios alugados.
Além disso, Augusto Simões Lopes afirmou, no mesmo relatório, que a Municipalidade promoveu a criação de escolas subvencionadas especiais, no Passo do Retiro e na Colônia Santa Silvana (denominada “Dirceu Moreira”). Auxiliou na construção e posteriormente municipalizou a escola “Raphael Brusque”, na Colônia Z 6."

Obs.: todos os grifos são nossos.

terça-feira, 17 de maio de 2011

Fruticultura no Capão do Leão

"A viticultura também tinha um papel importante na economia agrária de Pelotas.Seus principais produtores eram Ambrosio Perret Filho, Luiz Carret, Emílio Ribes, Daniel Capdebosq, Domingos Pastorello entre outros. O interesse pela viticultura foi rapidamente estabelecido em diferentes setores da comunidade pelotense: em 1890 foi criada a disciplina de viticultura e enologia pela Escola de Agronomia e Veteriária de Pelotas; em 1898, a Sociedade Agrícola Pastoril do Rio Grande do Sul, com sede em Pelotas, passou a distribuir aos agricultores interessados castas apropriadas para o vinho e quando ocorreu a primeira exposição agrícola, foram expostas mais de 30 qualidades de vinhos produzidos no município.
Também desenvolvia-se nos arredores da cidade a pomocultura, principalmente na Theodósia e no Capão do Leão. Um dos importantes estabelecimentos de fruticultura é a quinta Bom Retiro, de Ambrósio Perret Filho.
"

Trecho extraído de: UEDA, Vanda(Universidad de Barcelona). A elite rural pelotense e a construção de um novo cenário urbano. In: SOCIEDADE PORTUGUESA DE ESTUDOS RURAIS. 1o. Congresso de Estudos Rurais: Mundo Rural e Patrimônio. Lisboa, Portugal, 2001.

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Lembranças Leonenses I


– Há pelo menos meio século atrás, como havia muito menos urbanização, as distâncias na Vila do Capão do Leão eram muito mais longas. Isto é, sem a facilidade de transporte e dos meios de telecomunicações atuais e com a ocorrência de extensos espaços desabitados, ir da Praça João Gomes ao Teodósio, por exemplo, era encarado como uma caminhada “puxada”. Ressalve-se que não existiam muitas ruas que hoje conhecemos e chegava-se a alguns lugares somente trilhando picadas muito estreitas. A Vila Casaubon até a década de 1970 era campo de vegetação rasteira. Uma outra curiosidade é que a atual Rua João Rouget Peres chamava-se Corredor do Teodósio, isto é, via a qual se chegava até lá. Não tínhamos ainda o prolongamento da atual Rua Idílio Victória (até a região da Escola Castelo Branco), muito menos a configuração moderna das ruas da Vila Real. Mais curioso ainda é que, para as pessoas da época, a atual Rua Rouget Peres era uma espécie de “última fronteira” da vila. Além dali começava o Teodósio. De certa forma: “um outro lugar diferente do Capão do Leão”.

sexta-feira, 5 de outubro de 2007

Histórias Curiosas VII


Capão do Leão na década de 1940 apresentava uma situação particular: apesar da vila ser povoada, existiam grandes espaços abertos (campos) entre a zona da avenida e adjacências e a Vila Teodósio. Ir ao Teodósio não era dar uma “caminhada” de vinte minutos, como hoje. Em alguns lugares chegava-se somente percorrendo picadas não muito bem traçadas. Embora houvesse várias famílias que possuíam telefone, a grande maioria ainda se comunicava no “tetê-a-tetê”.
Pois bem as mensagens entre um amigo e outro, quando não podiam ser dadas diretamente, ficavam a cargo dos mandaletes – meninos da própria família ou da vizinhança que “corriam rua” e prestavam vários favores, muitas vezes o de passar recados. Numa feita, uma família da vila do Capão do Leão tendo conhecimento que um parente seu no Teodósio estava muito doente, a ponto de já se esperar a sua morte, mandara constantemente o menorzinho da casa para lá, a fim de trazer notícias. Ele trazia-as, mas sempre se atrapalhava na hora de dize-las.
Houve um dia que este parente já dando sinais de um estado terminal irreversível, mobilizara a família para a notícia iminente. O doente permanecera com sua esposa no Teodósio e o restante da família retornou à vila. Desceu a noite, os parentes preocupados adormeceram e, no outro dia, cedíssimo, logo ao amanhecer mandaram o menorzinho até o Teodósio para saber a quantas andava o moribundo. Por volta das 9 horas, o guri voltou no seu jeito atrapalhado. A mãe perguntou:
- Então, Zezinho, o que a tua tia disse? Como ta o Tio João?
- A tia não me disse nada disso.
- Como assim ela não te disse nada se ele melhorou ou piorou?
- Isso ela não me disse, se melhorou ou piorou. Nem sei o que ela me disse. Ah... sei! Ela disse que ele faleceu, mas ta bem!

sábado, 23 de junho de 2007

Vila Teodósio - Fotos & Patrimônio - Parte II

Casa Comercial que relembra os antigos armazéns de Campanha
Ponte sobre o Arroio São Thomé (Ponte do Teodósio)

Mata ciliar às margens do Arroio São Thomé



domingo, 17 de junho de 2007

Vila Teodósio - Fotos & Patrimônio - Parte I


Fábrica de conservas

Portão de estância


Vila Maria (1922)



Estação Ferroviária do Teodósio

O trabalho realizado contou com a participação de alunos de sexta e sétima série dos turnos diurno e noturno. Foram feitas entrevistas com o senhor José Maiche Afonso, filho de ferroviário, e também com o senhor Valdeni Vaguetti, também filho de ferroviário, que, além da entrevista acompanhou os alunos durante o trajeto até o prédio da antiga estação ferroviária.
A ferrovia e o transporte ferrroviário tiveram relevada importância no desenvolvimento econômico e social/educacional do município de Capão do Leão.
O primeiro trem a circular no Brasil foi em Minas Gerais, em 1825. No Rio Grande do Sul, a ferrovia divide-se em três etapas distintas:
VFRGS – Viação Férrea do Rio Grande do Sul, que funcionou até os anos 50;
RFFSA – Rede Ferroviária Federal S.A.;
AAL – América Latina Logística, que é a atual concessionária desde a privatização da malha ferroviária no início dos anos 90.
Antes da emancipação, em maio de 1982, Capão do Leão/Theodósio eram apenas duas comunidades que viviam com seus próprios recursos, embora fossem politicamente ligadas a Pelotas (Capão do Leão era o 4o. Distrito).
Segundo o senhor Valdeni, as duas comunidades eram pouco diferenciadas por pequenos detalhes que poderão ser significativos: enquanto Capão do Leão vivia em função da exploração da pedra (possui uma considerável jazida mineral) e da agropecuária (diziam, na época possuir sete estâncias), a comunidade Theodósio garantia seu sustento na produção de chácaras e plantação de enxertos de árvores frutíferas para comercialização.
Nos anos 50/60 havia uma família no Thedósio (Rebelo – Fresteiro) que era grande produtora de frutas e fornecedora de enxertos, tanto para a comunidade, quanto para “exportação”.
A produção de frutas era tanta que fretavam vagões da Viação Férrea, os quais ficavam estacionados nos trilhos (desvio) defronte à estação para o carregamento e posterior transporte para os grandes centros (Pelotas e Rio Grande).
O senhor José comentou que além da estação ser parada de trem e lugar de venda de frutas era chamada de “Estação Primeira do Theodósio”.
O transporte de passageiros era o ponto alto da época. Havia duas modalidades de trens. Uma linha funcionava de Rio Grande até Pedro Osório, diariamente de segunda a sexta-feira. (Esse trem era utilizado por estudantes e trabalhadores que tinham seu emprego na cidade de Pelotas). O outro trem de passageiros fazia um trajeto mais longo – Rio Grande a Bagé, posteriormente até Cacequi.
Aos domingos trafegava o trem excursão com o trajeto de Rio Grande a Pedro Osório. Ele partia às sete horas de Rio Grande e retornava ás dezessete horas.
Seguramente, a estação ferroviária era muito importante, pois era lá que todos se conheciam, comercializavam seus produtos e, contam até, que grandes casamentos bem sucedidos tiveram início na estação e nos trens de passageiros.
A estação também serviu também de Escola de Aprendizado para muitas pessoas. O telégrafo era o meio de comunicação da época e quem sabia operá-lo tinha emprego garantido até na própria Viação Férrea.
Ainda pela estação do Theodósio passavam as pedras de nossas pedreiras para a construção dos Molhes da Barra, em Rio Grande. Bem, até linha férrea especial com trajeto específico, foi traçada pelos franceses e belgas, para agilizar o transporte de pedras
Atualmente, com a privatização, somente o escoamento de carga é transportado por nossa ferrovia, e a “nossa estação, onde tantos sonhos se realizaram, tornaram-se apenas sonhos, visto o estado degradado em que se encontra. É o preço que pagamos por não sermos disciplinados e por não termos protegido nosso patrimônio”.
Caberia então à comunidade leonense, juntamente com forças políticas e empresariais, somarem forças que possibilitassem a reestruturação e valorização desse patrimônio; grande símbolo da identidade leonense.

Obs.: trabalho originalmente apresentado pela escola Barão de Arroio Grande, durante a Semana Farroupilha 2006, no CTG Tropeiros do Sul, no I Concurso Conhecendo Capão do Leão.

quinta-feira, 15 de março de 2007

sábado, 2 de setembro de 2006

Vila Teodósio

Trecho extraído do jornal Diário Popular, de 30 de julho de 1941 (página 8):
"Há cerca de quarenta anos, num pitoresco rincão dêste município, á margem da via-férrea Rio Grande-Bagé, distante mais ou menos, quinze quilômetros desta cidade, começaram a ser construídas as primeiras casas de uma povoação que, dentro em pouco, estava transformada num aprazível ponto de veraneio.
Para que, entretanto, a povoação nascente se desenvolvesse com a rapidez desejada, indispensável se tornava estabelecer um meio rápido e cômodo de comunicações com a cidade, o que se tornaria possível com a construção de uma estação no local.
Isso, após as necessárias demarches, foi conseguido da direção da hoje Viação Férrea do Rio Grande do Sul.
Obtido o favor, foi doado o terreno por um dos proprietários* dali, e, entre os demais, foram angariados fundos para auxiliar as obras da estação que, pouco tempo depois, erguia-se elegante em suas linhas e sólida em sua estrutura, como um marco de progresso no cenário bucólico da povoação que nascia.
Depois disso foram aparecendo por todos os lados novas edificações, quasi todas destinadas a veraneio e quasi todas, também, elegantes e confortáveis, cercadas de belos jardins e bem cuidadas hortas e pomares.
Eis em rápidos traços descrita, a fundação da Estação Teodósio, o lindo centro de veraneio que todos conhecem e admiram.
Como era natural, a grande afluência anual de veranistas, não só desta cidade, como de Rio Grande, deu em resultado ir adquirindo a localidade certa vida própria, com a instalação de algumas casas comerciais e exploração da fruticultura para a qual, as terras se prestam magnificamente.
E assim, no lapso de quarenta anos, a Estação Teodósio tem vivido, prosperando de acôrdo com suas possibilidades.
Já teve, como estação de veraneio, seus períodos aúreos, sob o ponto de vista social, pois realizavam-se ali, em verões sucessivos, festas memoráveis, elegantes e encantadoras.
Tornou-se, por isso, além do mais, a Estação Teodósio, uma encantadora tradição social."
Este pequeno histórico foi produzido por um jornalista da época e constitui precioso documento sobre a Vila Teodósio e a Estação daquela localidade. Convém destacar que, por seu relato, a Estação e a Vila surgiram por volta de 1900 - conclui-se.
*O proprietário do terreno que foi doado para construção da estação foi o Sr. Teodósio Fernandes da Rocha, daí a razão do nome da estação ser este, primeiramente, e, conseqüentemente estender-se à vila.


sábado, 29 de julho de 2006

O Flâneur

O alemão Walter Benjamin em um famoso ensaio no qual analisa a França na época do Império de Napoleão III, nos fala de várias figuras e personagens que surgem naquele momento. Num mundo completamente novo, marcado pela expansão do industrialismo na Europa, o ambiente urbano apresenta transformações intensas. Típico desta época, nas grandes cidades européias, é a figura do flâneur - um andante, um habitante da cidade que "vive a vagar". A bem da verdade, um "vagabundo" que percorre a cidade, o subúrbio, a vila. Atenuando esse aspecto um tanto quanto negativo, o flâneur, por essa caracterísitica intrínseca, acabou por tornar-se uma "testemunha ocular dos fatos", um "observador da História".
O flâneur do século XIX é alguém que além de muito andar, é alguém que escreve as suas "andanças", registra-as. Daí a sua importância como fonte histórica. Escreve de maneira livre, sem métodos, inclui preconceitos, diz o que lhe convém. Por isso, seu testemunho é profundamente original.
A professora Lorena Almeida Gill, regente da cadeira de Educação Patrimonial no curso de História, da UFPel, diz que Pelotas, na época das charqueadas, também teve o seu flâneur. Personagem conhecida dos meios artísticos e literários pelotenses, teve também uma importância ligada ao Partenon Literário de Porto Alegre. Certos estudiosos da história de Pelotas, inclusive, o consideram como o "maior historiador de Pelotas" em todos os tempos. Estou referindo-me a Alberto Coelho da Cunha.
Cunha escreveu na década de 1920, um precioso manuscrito que fala sobre Capão do Leão. Jamais foi editado, encontrei-o no Museu da Bibliotheca Pública Pelotense. Abaixo transcrevo as informações que encontrei na obra intitulada "História dos Distritos de Pelotas".
"Outro povoado maior conta o (...)districto. Esse foi se colocar ao redor de duas estações da estrada de ferro, pouco distanciadas uma da outra, e ambas na região de Capão do Leão. Ficou elle situado entre o curso médio do arroio S.Thomé e os serros da Pedreira. Acompanhando a estrada de rodagem que segue para a Campanha, elle busca se insinuar pela garganta que se rompe entre esses serros e os campos dobrados da antiga estância do serro de Sant'Anna, fundada pelo Padre Doutor, e nessa direção vae subindo ao longo do curso do encaixotado córrego, conhecido por arroio S.Pedro.
Tendo se tornado proprietario do antigo estabelecimento que à beira da estrada real, possuia Florentino A. dos Santos, que mantinha uma taverna com hospédaria e potreiro amnexo, para negociar com tropeiros e viandantes, Domingos Fernandes da Rocha, derrubou os ranchos e construio predio de alvenaria, reformou e ampliou o pomar e estabeleceu ahi a sua vivenda de recreio. Do outro lado da estrada, sobre a encosta de um serro o proprietario do jornal Correio Mercantil, Antonio Joaquim Dias, edificou um chalet, em que costumava ir fazer seu veraneio. Tendo tomado assento na localidade, Domingos Rocha achou de bom aviso a compra de um campo de criação que possuía uma herança e do qual os interessados desejavam se desfazer.
Por ter posteriormente soffrido reveses de negocios, que o obrigavam a uma liquidação forçada, resolveu vender tudo o que possuia no lugar. O campo, retalhado em pequenos lotes, ficava valorizado e dava ensejo a negocio mais facil e mais lucrativo, desde que pretendentes apparecessem. Por proximidades da cidade, com commodo transporte por estrada de ferro, com uma estação à mão, elles não vieram a faltar e um arrabalde para a cidade, foram construir àquella distancia.
Em satisfação a insistentes pedidos dos moradores do lugar, e dos veranistas que por aquellas cercanias se foram estabelecer, a administração da estrada, a pouca distancia da sua ponte sobre o arroio S.Thomé, criou um apeadeiro, que o tempo e desenvolvimento do lugar, converteram em estação. O recanto em que ella se levantou, tomou o nome de Villa Théodosio. A pequena distancia, uma da outra situada, acanou a localidade no gozo da posse de duas estações, gastando os trens no percurso entre ellas cinco minutos de marcha lenta. O territorio intermediário, dividido e subdividido em quinhões pequenos, veio a cobrir-se de casas, com os seus pomares e quintalejos. Grande numero de moradores da cidade por lá montaram suas estancias de veraneio. Como arterias de communicação, e seu serviço, sobre esse terreno se romperam divrsas veredas que dão pelo nome e, algum tanto pomposo, de avenidas.
Por ter ahi adquirido um vasto terreno, em que se contem uma pedreira que fornece material para o calçamento de ruas, e diversas casas de moradia, a Intendencia para uma transferiu o 5. Posto Policial e no chalet, construido por Antonioi Joaquim Dias, resolveu localizar a sub-intendencia do 4. districto, a que foi resolvido incorporar a localidade, para lhe servir de séde. Na região a pequena cultura de hortas e pomares tem-se desenvolvido e progride, para satisfazer um pequeno commercio de fructas a varejo. O seu principal commercio é de extracção de granito para abastecer as duas cidades do litoral e a remessa de lenha para a praça do Rio Grande. Esse movimento foi extraordinario enquanto duraram as obras da barra e porto marítimo do Estado. Tendo a Companhia Franceza que se contractara, mettido para a extracção de pedras, em grande actividade de exploracção, uma das pedreiras do serro, ao redor da usina que se levantou, e pela cumiada do serro, improvisou-se um extenso povoado, de caracter provisorio, que teve a duração das obras da barra, de cujo movimento dependia sua existencia. A povoação que, sem dependenciar de tal serviço, pela baixada se vinha formando, essa, continuava a se desenvolver e accentuar a sua marcha progressista. Esse facto acha-se demonstrado no seguinte dado estatístico: lotados para o imposto predial suburbano foram no anno 1910 - 180 predios; no anno 1921 - 236 predios, verificando-se um accrescimo de 56 no periodo referido. Esse aumento se representa por 27 casas no raio de influencia da estação do Leão e estação do Theodozio. Embora distanciado do centro urbano por longa campina, quasi despovoada, que se intercala, o serviço da estrada de ferro de 25 minutos de percurso, tem transformado este pequeno povoado de veranistas, num bairro da cidade."

quarta-feira, 31 de maio de 2006

Um crime contra o patrimônio histórico

Datando do início do século XX, a Estação Ferroviária do Teodósio é um dos testemunhos da Vila de Capão do Leão nos seus primórdios. Entretanto, o cidadão que passa por perto vê a construção ruindo! O tempo, cronológico e meteorológico, encarrega-se de demolir suas estruturas, contudo, não pode-se esquecer do vandalismo que não poupa nem o passado.
Indago: em que situação está a associação comunitária que recebeu aquele prédio em permuta no final dos anos 90? Posso estar enganado, mas uma das primeiras cláusulas que se coloca num contrato de permuta de um prédio, é aquele que garante a sua preservação.
O poder público e a comunidade também podem se mobilizar... Parte importante da história de Capão do Leão está se perdendo. Que fim terá a estação do Teodósio? O mesmo que teve a Casa de Pedra próxima à escola Barão de Arroio Grande? Ou irão dizer que a estação do Teodósio não é "histórica" e sim "um prédio velho"?
Aguardo comentários.
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