sábado, 7 de dezembro de 2019

População escrava no Brasil em 1884


"POPULAÇÃO ESCRAVA

Eis o recenseamento da população escrava no Brazil, segundo as ultimas estatisticos:

Rio de Janeiro e Municipio neutro.......... 304,399

Minas-Geraes.......... 279,010

S. Paulo.......... 170,808

Bahia.......... 99,718

Pernambuco.......... 84,700

Rio Grande do Sul.......... 61,908

Maranhão.......... 60,059

Alagôas.......... 29,349

Sergipe.......... 26,173

Pará.......... 25,393

Espirito Santo.......... 20,717

Parahyba do Norte.......... 20,717

Piauhy.......... 18,691

Santa Catharina.......... 11,049

Rio Grande do Norte.......... 10,051

Paraná.......... 7,559

Matto Grosso.......... 7,051

Goyaz.......... 6,899

Total........... 1.243,151"

Fonte: A FEDERAÇÃO (Porto Alegre/RS), 04 de Agosto de 1884, pág. 01, col. 04

sexta-feira, 6 de dezembro de 2019

Faroeste amazônico


"HORROROSA HECATOMBE

Do Commercio de Amazonas:

<<De envolta com o regresso do dr. Jansen Ferreira, presidente da provincia, veio-nos uma noticia sanguinolenta, uma tragedia horrorosa de que foi theatro o lugar Carapanatuba, no rio Madeira.

<<Historiemos. Telesphoro Salvatierra, ex-socio de Alvaro Cezar, dirigio-se a este, em sua casa commercial, para o fim de liquidarem, ambos, certos negocios.

<<Alvaro Cezar entendeu de si para si nada ter a liquidar com aquelle cidadão boliviano.

<<T. Salvatierra, porém, julgando-se esbulhado do direito que lhe assistia, retirou-se para seu barracão, tendo antes declarado voltar para o tão apregoado ajuste de contas.

<<De facto voltou, mas acompanhado por quarenta de seus aggregados, amplamente armados, e, com elles, assaltou a casa de Cezar, que se entrincheirou com seus trabalhadores, resistindo por meio de fogo e de balas ao ataque, do qual resultou a morte de seis pessoas e o ferimento grave de mais de quinze.

<<Entre os feridos acha-se o proprio aggressor T. Salvatierra!

<<É para lastimar que ande tão tresmalhada do direito e da moral a população do rio Madeira.

<<Infelizmente esse mal horrivel e divergene da civilisação a que temos direito não é um cancro localisado; suas raizes estendem-se por outros rios da nossa provincia e são uma consequencia da pirataria posta em circulação pelos nossos amaveis visinhos do Pará.

<<O testemunho valioso do dr. Jansen Ferreira, perturbado nas impressões de sua viagem pittoresca pela tragedia, cujas peripecias acabamos de dar á leitura dos nossos assignantes, talvez sirva de estimulo á policia para syndicar do facto de que nos occupamos, sem os aprestos bellicos e arreganhos nauticos do Affonso Celso...

<<Dos quinze feridos já estão a medicar-se n'esta capital 7, inclusive o sr. T. Salvatierra.>>"

Fonte: A FEDERAÇÃO (Porto Alegre/RS), 18 de Abril de 1885, pág. 02, col. 03

quinta-feira, 5 de dezembro de 2019

Histórico do Município de Canoas/RS


"Canoas, a 16 quilômetros de Porto Alegre, no centro geográfico da Região Metropolitana, foi originalmente ocupada pelos índios Tapes. Em 1733, o conquistador e povoador Francisco Pinto Bandeira, por razões estratégicas para o Reino Português, radicou-se na paragem Guaixim-Sapucaia dos Campos de Viamão. Esta propriedade foi chamada Fazenda Gravataí, correspondendo, hoje, a área ocupada pelo 1o. Distrito de Canoas.

O nome da cidade deve-se ao fato de que, quando da construção de uma estação de veraneio, seu proprietário à época, Vicente da Silva Freira, construiu algumas canoas para realizar serviços junto ao cais do Sobrado, no Rio dos Sinos.

Em março de 1938 Canoas deixou de ser sede do 4o. Distrito de Gravataí para ser elevada a condição de Vila. O desenvolvimento que se seguiu a partir de então proporcionou o nascimento de um forte movimento emancipatório, liderado pelo Capitão Miguel Lampert. Após a aprovação do General Flores da Cunha, Interventor Federal do Estado, em 27 de junho de 1939 criou-se o Município de Canoas."

Fonte: ATLÂNTICO (RS), 05 de Janeiro de 1999, pág. 05

quarta-feira, 4 de dezembro de 2019

O grande desastre da Ilha Sangihe


"Espalhou-se ha mais de uma semana na Europa a noticia que o telegrapho transmittiu a todo mundo ter desapparecido, com os seus 12000 habitantes, a ilha de Sangir [nota nossa: esta é uma outra denominação utilizada para o mesmo local. Vide artigo na Wikipedia em inglês: https://en.wikipedia.org/wiki/Sangir_Island]por effeito de um vulcão.

Não é exacto. É verdade que o antigo vulcão Awa teve repentinamente uma enorme erupção, que destruiu umas poucas aldéas, causando grandes desgraças, mas a ilha não desappareceu.

Foi no dia 17 de julho, ás 6 horas da tarde, que Awa, sem ter havido o menor indicio que fizesse prever a catastrophe, principiou a arrojar rios de lavas e a vomitar enormes pedaços de rochedos calcinados, sepultando na lava e nas cinzas duas povoações, como outr'ora foram sepultadas Pompeia e Herculanum.

Além d'essas duas aldeias que desappareceram completamente, outras soffreram muito por causa dos rochedos que o vulcão arremessava.

Calcula-se em 600 o numero de victimas.

A erupção durou poucas horas no seu estado de violencia.

É o que consigna um jornal que acabamos de receber."

Fonte: A FEDERAÇÃO(Porto Alegre/RS), 22 de Novembro de 1892, pág. 01, col. 03

terça-feira, 3 de dezembro de 2019

Quinta do Bom Retiro


"Quinta do Bom Retiro, em Pelotas

São conhecidos por todos quantos têm visitado o pavilhão de Pelotas e pelas notícias da imprensa, os magnificos vinhos do operoso e intelligente industrial de Pelotas, sr. Ambrosio Perret.

Recentemente, deu elle mais desenvolvimento aos seus adeantados trabalhos de cultura, segundo se vê da seguinte noticia do apreciado Diario Popular:

<<QUINTA DO BOM RETIRO

O incansavel e intelligente commerciante e industrialista desta praça sr. Ambrosio Perret, proprietario da notavel Quinta do Bom Retiro, que elle tem sabido valorisar e aformosear pela variedade, abundancia e escolha das plantações, acaba de receber da Europa uma grande remessa de mudas e bacellos de parreiras em excellentes condições.

Vimos hontem o grande caixão em que vém as mudas, acondicionadas em musgo humido, e podemos calculal-as em dez mil, mais ou menos.

Para se avaliar da variedade e importancia desta encommenda, cujo preço foi bastante elevado, como se póde imaginar, basta reproduzir a lista das especies recebidas e que são as seguintes:

Rupestris monticola.

Syrah sobre rupestris monticola.

Malbec.

Cabernet Sauvignon.

Merlot.

Gamay noir.

Euillade.

Portugueza azul.

Pineau noir.

Sauvignon.

Semillion.

Frankental.

Panse.

Alicante.

Alicante rupestris terras.

Hybride Fournier.

Hybride Franc.

Hybride Auxerrois Pardes.

Hybrides Seibel n.1.

Othelo.

Noah.

Jacquez.

Senasqua.

Brandt.

Prunella gris.

Chasselas de Montauban.

Aramon gris.

Vert de Madeira.

Karabournoux.

Chasselas violet.

Esparenc.

Precoce de Saumur.

Juntamente vieram chromos lindissimos, mostrando claramente o que serão os cachos destas escolhidas parreiras, entre os quaes bellos exemplares de uvas roxas, verdes, gris, etc.

Felicitamos o sr. Perret pela valiosa acquisição que fez e temos verdadeiro prazer em ver introduzidas em nosso municipio especies tão raras e finas da impagavel planta que nos dá o vinho.>>"

Fonte:  A FEDERAÇÃO (RS), 08 de Abril de 1901, pág. 01, col. 02

segunda-feira, 2 de dezembro de 2019

Colonos no tronco


"O Diario Mercantil de S. Paulo traz os seguintes pormenores sobre o facto da fazenda Mont'Alverne, em Belém do Descalvado, pormenores transcriptos do Diario de Campinas e trasmittidos pela Sociedade Central de Immigração ao ministro da Justiça:

<<Chegou a Campinas o colono Alesio Francesco, que referio o facto do mesmo modo que o informante brazileiro.

<<Os nomes dos colonos que foram amarrados no tronco e castigados com bolos são: Giacomo Marcuzzi, Luigi del Guerccio, Giuseppe Brambilla, Alesio Francesco e Frederico de tal.

<<Os quatro primeiros são italianos e o ultimo allemão. O facto foi testemunhado por diversas pessoas.

<<Giacomo soffreu, além dos outros castigos, uma surra de couro e acha-se ferido.

<<Os colonos não tinham commettido desacato algum.

<<O crime commettido pelos colonos consistio em estarem se divertindo e cantando reunidos dentro de uma de suas casas.>>

O Diario pergunta se será procedendo d'este modo que havemos de chamar para o Brazil a desejada immigração."

Fonte: A FEDERAÇÃO (Porto Alegre/RS), 30 de Março de 1885, pág. 02, col. 02

domingo, 1 de dezembro de 2019

Campo dos Bugres


"Campo dos Bugres foi a denominação dada por exploradores a uma clareira aberta em plena mata do Nordeste do Rio Grande do Sul, onde surgiu a atual cidade de Caxias do Sul.

Localizava-se no espaço entre as ruas Olavo Bilac, Feijó Júnior, Ernesto Alves e Marechal Floriano.

As primeiras referências encontram-se, no tocante a região em publicações atribuídas ao Cel. Afonso Mabile que, prisioneiro dos índios Coroados, deve ter por aí transitado, acompanhando seus captores.

Em março d 1964, bem antes, portanto, da vinda dos imigrantes italianos, Antônio Machado de Souza, acompanhado por um grupo de exploradores, com destino aos Campos de Cima da Serra. Passou por ele e deixou uma descrição minuciosa, comprovando a existência de ranchos e de dois Cemitérios.

O 'Campo dos Bugres' situava-se no caminho do Taiaçuapé, isto é, caminho do porco do mato imemoravelmente utilizado pelos indígenas em suas viagens. Desse período, ficaram restos arqueológicos de um cemitério que, à chegada dos imigrantes deveria ter centenas de anos.

O 'Campo dos Bugres' estava privilegiadamente situado, sendo muito fácil a sua defesa, mesmo em tempo de inverno, uma vez que se localizava no divisor de águas entre o Rio das Antas e o rio Caí.

Segundo informações do Jesuítas, os indígenas que se encontravam na região, total ou parcialmente ficaram aprisionados por Antônio Raposo Tavares, por volta de 1636. Foram conduzidos a São Paulo e aí encaminhados às plantações de cana-de-açúcar. Os índios que eventualmente aqui ficaram, fundiram-se com os Coroados (ou Caigangues), que pelo fim do século XVII devem ter vindo de Santa Catarina.

'Campo dos Bugres' não era local de residência permanente. A ele voltavam os indígenas de tempos em tempos.

Foi no 'Campo dos Bugres' que se estabeleceram os primeiros civilizados, entre os quais Generoso Mainardo Cardoso e Pedro Pinto Guerreiro.

Antônio Machado de Souza, tido como descobridor do 'Campo dos Bugres', era um grande entusiasta dos Campos de Cima da Serra. Trajava-se preferencialmente à gaúcha, sendo a fotografia conhecida com poncho.

'Campo dos Bugres' transformou-se na 'Colônia de Caxias', e por ai passaram, durante dezenas de anos, os comerciantes que de Cima da Serra, se dirigiam a Feliz ou São Sebastião do Caí, e daí a Porto Alegre.

Representa um dos caminhos tradicionais do Rio Grande do Sul, desde épocas remotas."

Fonte: ATLÂNTICO (RS), 08 de Março de 1999, pág. 04-05

sábado, 30 de novembro de 2019

Histórico do Município de Cascavel/PR


"Origem Histórica. O núcleo colonial que gerou o atual município de Cascavel foi fundado pelo guarapuavano José Silvério de Oliveira, em 1930. O lugar ficou sendo conhecido como Encruzilhada. No entanto, antes de 1920, residiam na localidade o caboclo Benedito Modesto e a índia Maria da Conceição. Em seguida fixaram-se famílias sulistas na região. Os primeiros a chegar foram os Bartnik, Wichoski, Galeski, Fardoski, Shumoski. Em 1921 se instalou o colono Antônio José Elias, acompanhado da família e grupo de parentes.

Em 1932 o núcleo apresenta vários ranchinhos de pinho lascado, coberto de tabuinhas. Nessa época chega Jacob Munhak e funciona a primeira escola, sendo professores Ozoredo Cordeiro de Jesus e as irmãs Genoveva e Estanislava Boiarski. O Monsenhor Guilherme Maria Thiletzek lança os fundamentos de uma igreja em 1934 e batiza a vila de Encruzilhada de Aparecida dos Portos.

Em 1943, o povoado passa a se chamar Guairacá, mas a vontade popular sempre pendeu para a denominação Cascavel. Segundo a crença popular, a denominação Cascavel remonta ao período da construção da estrada Colônia Mallet a Foz do Iguaçu, quando tropeiros faziam pouso às margens de um riacho (atual Rio Cascavel), certa noite ouviram o som de forte guizo de cobra cascavel, e após localizarem o réptil, o mataram. O local passou a ser chamado de 'Pouso da Cascavel' e emprestou seu nome ao riacho, e dentro de pouco tempo esta denominação percorria os mapas cartográficos estaduais e identificava a localidade.

Pela Lei no. 790, de 14 de novembro de 1951, foi criado o município de Cascavel, com território desmembrado de Foz do Iguaçu. A instalação deu-se à 14 de dezembro de 1952.

Segundo o pesquisador José Carlos Veiga Lopes, 'Cezar Prieto Martinez fez, mais ou menos em 1920, uma viagem ao oeste paranaense, publicado no jornal curitibano O Dia em 1923 e 1924 e no livro Sertões do Iguaçu, em 1925, onde diz: Fizemos boa marcha até o 'Cascavel'... Cascavel é um ponto de encontro da estrada para o porto de São Francisco. Tem apenas cinco casas no caminho. Em uma delas deixamos gasolina para a volta'. O Distrito Judiciário de Cascavel foi criado pela Lei 6.214, de 18/01/1938 e o Administrativo pela Lei 7.3737, de 20/10/1938."

Fonte: FERREIRA, João Carlos Vicente. Municípios paranaenses: origens e significados de seus nomes. Curitiba/PR: Secretaria de Estado da Cultura, 2006, pág. 79-80.

sexta-feira, 29 de novembro de 2019

Um caso de escravidão em Itapetininga


"FACTO GRAVE

Escrevem, em 5 do corrente, de Itapetininga á Provincia de S. Paulo:

<<Aproveito a occasião para comunicar-lhe um facto horroroso que se deu hontem n'esta cidade: hontem, ás 7 horas da manhã, o fazendeiro Procopio de Mattos juntamente com um capanga de nome Salvador Romano vieram de Botucatú a esta cidade com o fim de levarem uma escrava de nome Francisca, que estava manutenida em sua liberdade, e encontrando a mesma preta na casa de Pedro Furriel, arrastaram-n'a, passando pelas ruas mais conccorridas da cidade e castigando-a barbaramente.

<<O povo indignou-se e foi no encalço dos mesmos, fazendo-lhes notar que não podiam levar a escrava que estava manutenida em sua liberdade e elles a isto respondiam arrancando pelas garruchas e dizendo que aquelle que se approximasse morreria; foi tal o tumulto, que a força publica foi obrigada a intervir afim de evitar algum conflicto e manter a força moral da autoridade judiciaria.

<<Procopio de Mattos a nada quiz attender, resistindo sempre, o que deu lugar a que o subdelegado Antonio Pereira Mestre lhe désse ordem de prisão, e então Procopio resistindo mandou que seu camarada fizesse fogo sobre os soldados; cumprindo este a ordem dada, matou o soldado de nome Affonso evadindo-se em seguida, sendo preso unicamente Procopio, que continuava a ameaçar a força com a garrucha engatilhada.

<<Ao entrar o preso na cidade quiz o povo esquartejal-o, gritando todos em altas vozes - que não estavam em Botucatú - ; n'esta occasião compareceu o dr. juiz municipal e aconselhou ao povo que confiasse na justiça e que se mostrassem dignos filhos de Itapetininga; acalmando-se os animos, foi o preso recolhido á cadêa."

Fonte: A FEDERAÇÃO (Porto Alegre/RS), 20 de Março de 1885, pág. 01, col. 03

quinta-feira, 28 de novembro de 2019

terça-feira, 26 de novembro de 2019

Conde D'Eu em Santana do Livramento


"O SR. CONDE D'EU EM SANT'ANNA

O Mercantil de Sant'Anna do Livramento, em 17 do passado, assim noticia a recepção que ali teve o sr. conde d'Eu:

<<Chegou ante-hontem a esta cidade, procedente de Alegrete, s.a. o sr. conde d'Eu, acompanhado de sua comitiva.

<<S.a. teve um recebimento frio e puramente official.

<<Acha-se hospedado em casa do sr. Rafael Cabeda e consta-nos que no dia de sua chegada passára até ás 9 horas da noite sem comer, pelo que s.a. não deixou de dar um pequeno cavaco.

<<Nem era para menos: s.a. que havia passado o dia anterior muito mal, apanhando chuva e dormindo ao relento, chegar a esta cidade ao meio dia e passar até as 9 horas da noite sem encostar o estomago, que vinha magoado pelos balanços de seu coche, era mesmo uma crueldade, uns apuros que nem mesmo na guerra do Paraguay s.a. talvez passasse iguaes.

<<É uma recordação indelevel que s.a. levará de Sant'Anna, conjunctamente com o recebimento acanhado que teve.>>"

Fonte: A FEDERAÇÃO (Porto Alegre/RS), 09 de Março de 1885, pág. 02, col. 01

segunda-feira, 25 de novembro de 2019

Histórico do Município de Nova Roma do Sul/RS


"O início de Nova Roma do Sul aconteceu a partir de 1880 quando mais de 200 famílias de eslavos, poloneses, suecos e russos, instalaram-se na região. Em 1888, chegaram os imigrantes italianos, denominando o lugar em homenagem a capital italiana Roma.

Desde que se emancipou, o aspecto cultural, seja no ensino escolar, promoção de cursos e eventos, é uma preocupação constante do Município, surgindo assim: A Semana da Poesia e La Prima Vendemmia, entre outros.

Os caminhos que levam a Nova Roma do Sul são emoldurados por vales, rios e cascatas. A natureza exuberante e ainda intacta é nosso maior tesouro. O cheiro de mato, a romântica travessia de balsa sobre o Rio das Antas, o ar puro da serra e sua inigualável culinária de dar água na boca, soma-se à hospitalidade e a poesia, fazendo a alegria e o prazer de quem vive neste pedacinho de céu.

LOCALIZAÇÃO

Encosta Superior do Nordeste/RS - 'Serra Gaúcha'

Vias de acesso:

Norte - Antônio Prado

Leste - Nova Pádua (travessia de balsa)

Oeste - Vila Flores, Veranópolis

Área - 147 km2

Altitude - 750 m

População - 3099 hab.

Distância da Capital - 165 km

Economia: Agropecuária, Suinocultura, Avicultura, Agricultura, Hortifrutigranjeiros, Fruticultura e Viticultura, Produção de Cebolas, Móveis e Esquadrias, Artefatos de Couro, Escovas e Pincéis."

Fonte: ATLÂNTICO (RS), 26 de Outubro de 1998, pág. 04

domingo, 24 de novembro de 2019

Imigração Árabe no Brasil - Parte 01


"A Imigração Árabe para o Brasil inscreve-se entre aquelas que formaram os contingentes mais recentes, Clark S. Knowlton, um dos primeiros a estudar com profundidade o problema migratório árabe, notou os fluxos modestos ocorridos até 1895, cujo adensamento se daria a partir de 1903. Embora vindos de países ou regiões distintas como o Líbano, Síria, Turquia, Iraque, Egito ou Palestina, a união comum entre esses povos acontecia através da língua ou dos dialetos derivados do árabe. Dessa forma, não se pode falar de uma imigração de um país localizado para o Brasil, como no caso de portugueses ou italianos, mas sim povos com diferentes organizações políticas e um fundamento comum na língua e práticas culturais.

Alguns autores, como Heliana Prudente Nunes, localizam a origem da imigração na chegada ao Brasil de Youssef Moussa, em 1880, originário da aldeia de Miziara, norte do Líbano. Outros pesquisadores, como Jorge S. Safady, remontam esse pioneirismo a chegada dos irmãos Zacarias, no Rio de Janeiro, em 1874, ou mesmo identificam um remoto Antun Elias Lupos, libanês de grandes propriedades naquela cidade, que teria oferecido em 1808 uma quinta em São Cristóvão para moradia de D. João VI, depois transformada no Paço Imperial de São Cristóvão. Seja qual for o marco inicial, ideia de resto pouco significativa para a compreensão do fenômeno, sua importância reside em apontar para a contemporaneidade do processo migratório.

O problema religioso é um dos pilares para a compreensão da corrente migratória árabe. No Império Otomano de fé islâmica, as comunidades cristãs da Síria, Líbano e Egito sofreram perseguições e os autores mais ligados à panegírica da colonização árabe sempre fizeram questão de destacar os sofrimentos passados nos mãos dos turcos. São citados como fatos importantes o massacre de 1860, a extensão do serviço militar obrigatório aos cristãos em 1909, ou a condição de cidadãos de segunda classe dentro do Império. Em Beirute e Trípoli, os cristãos não podiam andar nas calçadas, sendo frequentemente molestados pelos muçulmanos.

O maior contingente de imigrantes portanto é de cristãos, vindos em grande parte do Líbano e da Síria, sendo bem menores as levas saídas de outros pontos do antigo Império Otomano como Turquia, Palestina, Egito, Jordânia e Iraque. Entre 1871 e 1900 apenas 5400 pessoas tinham aportado no Brasil. Até 1892 todos os imigrantes recebiam passaportes turcos, o que para maioria síria e libanesa cristã era uma desqualificação pois os identificavam com o opressor muçulmano. Depois dessa data, os sírios passaram a ter um estatuto próprio, embora o Líbano fizesse parte da Síria até a Primeira Guerra Mundial, quando as grandes potências ocidentais vitoriosas fragmentaram o Império Otomano, que tinha tomado, durante a conflagração, o partido da derrotada Alemanha.

O cristianismo oriental divide-se em quatro grupos: os Maronitas, predominante no Líbano; a Igreja Ortodoxa, presente no Líbano e em maior número na Síria, porém com grande penetração no mundo eslavo; os Melquitas, na Síria, Palestina e Egito e os Coptas, no Egito. Em termos gerais, os Maronitas têm como chefe espiritual o Patriarca de Antióquia, lêem a Bíblia em árabe e estão em união estreita com o Igreja Católica Romana, pois o Patriarca é confirmado por Roma. Os Melquitas estão sujeitos ao Patriarca de Antióquia, estão vinculadas à Santa Sé, mas seguem o ritual bizantino. Os Ortodoxos crêem conservar a doutrina e o ritual dos Apóstolos, daí a denominação, não possuem um Papa nem outra autoridade suprema, mas uma federação de igreja autônomas, que celebram o culto em sua própria língua e costumes. Os Coptas, por fim, acreditam somente na divindade de Cristo, recusando a sua humanidade. Sua linguagem com maiúsculas gregas, sendo uma 'língua morta' só usada em caráter religioso. O chefe espiritual é o Patriarca de Alexandria. Essas diferenças religiosas, presentes em algum grau em 95% dos imigrantes árabes, foram transplantados para o Brasil, tornando-se uma das características da colônia. Vale ressaltar que o grupo islâmico que imigrou sempre foi menor, sendo o número de árabes protestantes pouco significativo.

Um segundo fator importante para a saída de sírios e libaneses das regiões de origem, assinalado por Oswaldo Truzzi, foi a estrutura agrária. A propriedade de pequenos lotes de terra arável, onde o trabalho era feito pelo núcleo familiar, começou a sofrer limites para a partilha entre os filhos, já que o parcelamento chegara ao ponto de não mais suprir o sustento das novas famílias formadas. Diante desta realidade, iniciou-se a emigração. A condição de pequenos proprietários nos seus países de origem também teve reflexos nas escolhas profissionais que fariam no Brasil.

A viagem para a América tinha como ponto de partida os portos de Beirute e Trípoli. Por meio de agências de navegação francesa, italiana ou grega, dirigiram-se para outros portos do Mediterrâneo como Gênova, na Itália, onde às vezes esperavam meses por uma conexão que os levassem para o Atlântico Norte ou Sul (Rio, Santos ou Buenos Aires). Muitos imigrantes com o objetivo de chegarem aos Estados Unidos, destino principal da imigração árabe, acabavam vindo para o Brasil ou Argentina enganados pelas companhias de navegação. Afinal, explicavam, tudo era América. A imigração para os Estados Unidos começou na mesma época, a década de 80 do século passado, acreditando-se que atualmente haja entre 1 e 2 milhões de americanos de origem árabe vivendo naquele país.

Desembarcados no Rio ou em Santos, a opção de trabalho das primeiras levas dirigiu-se ao comércio. O objetivo da maioria dos jovens solteiros era fazer algum capital para poder voltar à aldeia natal. Embora pobres e, em geral, afeitos ao trabalho agrícola, o sistema da grande propriedade era um entrave para o estabelecimento no campo. Poucos foram os árabes que após o desembarque dirigiram-se para a agricultura, havendo histórias de famílias nas quais isso ocorreu após formarem um pequeno capital no comércio, facilitando a compra de fazendas. Além do mais, as condições de trabalho na lavoura tinham horrorizado a muitos. A miséria da população rural e o sistema de compra vinculado ao proprietário da terra fizeram com que muitos repelissem a possibilidade de se ocuparem na agricultura. Zuleika Alvim, citando P. Colbacchini, lembrou o desapontamento de muitos imigrantes italianos com as condições de vida na grande propriedade cafeeira: 'Distante da casa do fazendeiro se estende uma fileira de casinhas, normalmente construídas com barro e cobertas de palha, minúsculas para o número de pessoas que devem abrigar e com portas assinaladas por números progressivos, porque, de agora em diante, cada família, mais do que pelo número da casa onde mora [...]'. Os japoneses, ainda segundo esta mesma autora, chegando '[...] às fazendas, ficavam à mercê dos donos das vendas', onde tinham que comprar mantimentos com os quais era difícil recriar o universo alimentar a que estavam acostumados. Compravam carne-seca e bacalhau que, na falta de quem os ensinasse o preparo, eram comidos assados. Desse modo, não é de estranhar que Knowlton tenha apontado para casos de fuga de trabalhadores árabes do campo para a cidade.

O grosso da imigração dirigiu-se para São Paulo e Rio de Janeiro, localizando-se núcleos menores em Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Bahia. Até 1920, mais de 58 mil imigrantes tinham entrado no Brasil, sendo que o Estado de São Paulo recebeu 40% do total.

Segundo Truzzi, na cidade de São Paulo, em 1934, eles se concentravam nos Distritos da Sé e Santa Ifigênia, ou seja, entre as ruas 25 de Março, da Cantareira e Avenida do Estado; no Rio de Janeiro, um processo semelhante ocorreu com um número significativo de comerciantes instalados nas ruas da Alfândega, José Maurício e Buenos Aires.

A eleição da rua 25 de Março como pólo de atração é melhor conhecida. Em 1893 já há referências a casas de comércio, sendo que 90% dos mascates eram sírios e libaneses. Em 1901, já eram mais de 500 casas comerciais na região. Seis anos depois, um levantamento indicou que de 315 firmas de sírios e libaneses, 80% eram lojas de tecido a varejo e armarinhos. A eclosão da Primeira Guerra Mundial aumentou os lucros do comércio e da indústria com a interrupção da importação dos produtos europeus.

No Rio de Janeiro, o processo de instalação do comércio árabe na área atualmente conhecida como 'Saara' vem sendo pesquisado por Paula Ribeiro. Com a abertura da avenida Presidente Vargas na década de 40, muitos comerciantes foram obrigados a abandonar o quadrilátero próximo à praça da República, mudando-se para a Tijuca. Como na rua 25 de Março, em São Paulo, o comércio da rua da Alfândega é conhecido pelo caráter popular. Em 1962, foi fundada a Sociedade de Amigos das Adjacências da Rua da Alfândega - SAARA, cuja sigla serviu como uma luva para o tipo de comerciante ali estabelecido. O trabalho de mascate pelo qual muitos começaram no comércio já era exercido anteriormente por imigrantes portugueses e italianos, tanto em São Paulo como no Rio. Mas a mascateação que se tornaria uma marca registrada da imigração árabe, foi completamente alterada pelos recém-chegados. Knowlton faz menção ao trabalho inicial com miudezas e bijuterias (terços e joias), expandida com o tempo e o acúmulo de capital para tecidos, armarinhos, lençóis, roupas prontas, artigos que pudessem ser vendidos em lugares isolados ou nos vilarejos, sendo transportados dentro de uma mala ou em baús. O ideal era que cada mascate levasse nas viagens o máximo de artigos que pudesse carregar, citando-se casos em que alguns chegaram a levar 80 quilos de mercadorias.

Para as populações interioranas, principalmente nas fazendas onde vigorava o sistema de compra vinculado ao proprietário, os mascates eram bem-vindos por fornecerem uma alternativa vantajosa em termos de qualidade e preço. Conforme acumulavam os ganhos, os mascates podiam contratar um ajudante ou comprar uma carroça. O passo seguinte era o estabelecimento de uma casa comercial urbana que podia permanecer no varejo ou evoluir para o atacado. O último grande passo era a indústria.

Truzzi destacou o sucesso do comércio da colônia sírio e libanesa como baseada no relacionamento dos agentes envolvidos nos negócios. Os elos eram montados dentro de uma cadeia que começava na chamada e recepção de novos imigrantes, passando por mecanismos de concessão de crédito e mercadorias, acompanhamento dos negócios, até o assentamento do mascate como varejista, atacadista ou industrial, dentro de uma linha de complementaridade de interesses. Entre os decênios de 1940 e 1950 notou que no Estado de São Paulo, embora o número de comerciantes varejistas tivesse caído, o atacado tinha quase dobrado e, os industriais, quintuplicado, mostrando a pujança do capital acumulado, passando do pequeno comércio para posições mais vantajosas na produção e circulação de mercadorias.

Esse mesmo autor, ao contrário de muitos outros que passam com amargor pelo termo pejorativo do 'turco da prestação' surgido com o mascate, destacou a revolução nas práticas comerciais implantadas pelos sírios e libaneses, considerando-os inclusive como criadores do 'comércio popular' no Brasil. Enquanto os mascates portugueses eram muito rígidos nos seus negócios, os italianos foram paulatinamente sendo expulsos pelas novidades trazidas pela concorrência. As inovações apresentadas pelos árabe na mascateação e no comércio varejista encontravam-se na redefinição das condições de lucro, alta rotatividade e alta quantidade de mercadorias vendidas, promoções e liquidações e o interesse pelo consumidor."

Fonte: IBGE, Centro de Documentação e Disseminação. Brasil: 500 anos de povoamento. Rio de Janeiro/RJ: IBGE, 2007, pág. 179-187

sábado, 23 de novembro de 2019

A escravidão indígena e a escravidão africana no Brasil


"No século XVI, a colonização da América portuguesa foi totalmente dependente da escravidão indígena. Apenas no século XVII a escravidão africana se impôs como a principal forma de exploração do trabalho. Como explicar essa mudança?

Três importantes historiadores procuraram responder a essa pergunta e chegaram a diferentes conclusões. Vale a pena conhecê-las, pois é assim que se desenvolve o processo de produção do conhecimento.

Fernando Novais considera que o tráfico atlântico se tornou um eixo da acumulação mercantilista europeia. Assim, os interesses metropolitanos no tráfico teriam sido fundamentais para a substituição da mão de obra indígena pela africana, enquanto a escravização de indígenas seria uma atividade pouco controlada pela coroa portuguesa.

Visão diferente é apresentada por Luiz Felipe de Alencastro. Para ele, a incapacidade de se estabelecer regularmente o comércio de escravos indígenas no Brasil foi ocasionada, entre outros motivos, pela escassez de capital, pelas dificuldades no transporte terrestre e pela falta de interesse de grupos mercantis e da coroa portuguesa. A íntima ligação que se estabeleceu entre Brasil e Angola no século XVII, via tráfico atlântico, tornou a utilização da mão de obra escrava africana muito mais vantajosa e adequada aos interesses de vários grupos que participaram da expansão do Império português no Atlântico. Além dos senhores de engenho brasileiros, dos traficantes e dos colonos em Angola, destacam-se os jesuítas, cujos interesses econômicos e políticos no Brasil e na África os impeliram a justificar a escravização de africanos para assegurar a liberdade dos indígenas.

Stuart Schwartz propôs uma visão mais diversificada para o processo. Para ele, uma combinação de declínio demográfico indígena, mudança nos níveis de oferta e preços dos escravos indígenas e africanos, a percepção, por parte dos senhores, de uma maior produtividade e habilidade dos africanos para realizar tarefas específicas, além da eficiência cada vez maior do tráfico atlântico, explicariam a substituição.

Entretanto, é sempre bom lembrar que a mão de obra indígena não deixou de estar presente em várias regiões do Brasil ao longo do período da escravidão africana."

Fonte: ABREU, Martha; DANTAS, Carolina Vianna; MATTOS, Hebe (orgs.). O negro no Brasil: trajetórias e lutas em dez aulas de História. Rio de Janeiro/RJ: Objetiva, 2012, pág. 17-19.


quinta-feira, 21 de novembro de 2019

O treme-treme na Bahia


"Refere o Diario de Noticias, da Bahia, em seu numero de 9 do passado:

<<Os leitores conhecem perfeitamente a tal molestia que ha tempos para cá tem perseguido a nossa classe pobre e chamada dança de S. Guido, caruára, treme-treme ou que melhor nome tenha.

<<Pois bem: na quinta-feira ultima, dia da lavagem da igreja do Rio Vermelho, foram acommettidas pela tal, em um abrir e fechar de olhos, nada menos de 32 pessoas!

<<E então?

<<Em que ficaram os taes estudos e as taes providencias sobre o treme-treme?>>"

Fonte: A FEDERAÇÃO (Porto Alegre/RS), 07 de Março de 1885, pág. 02, col. 01

quarta-feira, 20 de novembro de 2019

Thomas Cochrane


"Thomas Cochrane influenciou a História pelo desempenho de amplas realizações. Ele se destacou na Marinha inglesa, na qual introduziu inovações na área da propulsão naval que modificariam os rumos do poder marítimo. Além disso, aproveitando uma fase em que estava afastado do serviço, cooperou no movimento pela independência no Chile, Peru, no Brasil e na Grécia. Finalmente, seus trabalhos sobre guerra química fizeram deles um gênio para alguns e um excêntrico para outros, pois são seus os primeiros planos concretos que conduziriam aos ataques com gás na Primeira Guerra Mundial.

Após o nascimento, ocorrido em 1775, em Anesfield, Lanarkshire, ele sofreu a influência do pai, que empobrecera a família com suas experiências científicas, e do tio, um oficial naval. Aos 17 anos entrou para a Marinha como aspirante e em 1800 atingiu o posto de tenente no comando do brigue da Marinha Real Speedy. Com este navio ele fez mais de 50 presas, inclusive a fragata espanhola El Gumo, em 1801.

Sua coragem pessoal e capacidade fizeram-no merecedor do respeito dos subordinados e do louvor do público inglês, mas seu idealismo e sua franqueza provocaram a ira dos superiores e a desconfiança do Almirantado. Em abril de 1809, ele comandou uma série de vitoriosos ataques com navios incendiários contra os franceses em Aix Roads, perto de Brest, mas suas críticas ao comandante da frota por não aproveitar o êxito levaram-no à corte marcial.

Também acabou prejudicando sua carreira militar, com sua eleição, em 1807, para o Parlamento, onde protestou contra o que considerava má administração da Marinha. Por volta de 1814 já granjeara inimigos na Marinha e no Governo, que o detestavam o suficiente para levá-lo a julgamento por fraudes na bolsa de valores. O júri o condenou, embora inocente; expulsou-o da Marinha e cassou seu mandato no Parlamento. Na década seguinte, ele emprestou seus conhecimentos navais a causa revolucionárias. Em maio de 1817 aceitou uma oferta para comandar a Marinha chilena na guerra da independência contra a Espanha. Com uma campanha de bloqueios navais, bombardeios de instalações litorâneas e incursões para desembarque de pequenos grupos, por volta de 1820, ele destruiu o domínio naval espanhol em águas chilenas. No ano seguinte, conduziu seus navios para o Norte, para ajudar José de San Martín a libertar o Peru.

Cochrane permaneceu no Chile como herói do recém-libertado país até, como de hábito, entrar em discussão com o Governo e ficar desencantado com a paz que ajudara a conquistar. Em 1823, novamente assumiu o comando de uma Marinha rebelde, dessa vez no Brasil contra Portugal. Com apenas duas fragatas, fustigou a frota portuguesa de 60 transportes e 13 navios de guerra, ajudando vários e impedindo outros de entrar no porto no Maranhão, para reparos e ressuprimento. Isso obrigou a frota a retornar a Portugal, assegurando a vitória dos brasileiros na guerra pela independência.

Mais uma vez ele se mostrou incapaz de manter bom relacionamento com os superiores, depois do final das hostilidades. Em 1825, aceitou o comando da nascente Marinha grega, mas não conseguiu reunir apoio suficiente do Governo para lançar uma frota de alguma expressão. Frustado, voltou à Inglaterra e, em 1829, limpou seu nome das acusações de fraude. Depois de muitos questionamentos, obteve o perdão do rei e a reincorporação na Marinha Real, em 1832.

Um tanto quanto abrandado pela idade, ele deu seu melhor com seus superiores quando comandou as estações navais americana e das Índias Orientais de 1848 a 1851, sendo promovido a almirante. Nessa época, tornou-se ardoroso defensor da propulsão a vapor e a hélice, empregando caldeiras tubulares, inovações que passou a experimentar pelo restante de sua longa vida. Morreu em Londres, em 30 de outubro de 1860, aos 85 anos."

Fonte: LANNING, Michael Lee. Líderes e Pensadores Militares. Rio de Janeiro: Biblioteca do Exército Editora, 1999, pág. 415-417.


terça-feira, 19 de novembro de 2019

Histórias Curiosas LXXV

"Construção pelo método barato

A torcida do Brasil de Pelotas - quinto clube gaúcho na Copa Brasil - é uma das mais pobres e humildes do país, mas também uma das mais fiéis e fanáticas. Os exemplos são dados em todos os jogos, quando o clube consegue grandes arrecadações. Nas promoções, os torcedores também não deixam de colaborar. Um fato, tornado público nos últimos dias, revela o grau de fidelidade e fanatismo dos torcedores. Dois meses antes do início da Copa Brasil, os torcedores foram chamados para ajudar o clube na reconstrução do Estádio Bento Freitas. Muitos colaboraram, trabalhando durante as noites no estádio porque de dia precisavam cumprir com suas obrigações habituais. Porém, nem sempre encontravam material para o serviço e tomaram uma decisão: visitar outras obras da cidade para arrecadar material. Só que não se preocuparam em pedir cimento, tijolos, cascalhos e areia, aos donos. Iam lá e pegavam tudo, sem cerimônias.

Mas quando os roubos foram descobertos, nada mais restava a fazer. O estádio já estava praticamente pronto. Não há dúvida que se trata de um método econômico."

Fonte: MANCHETE ESPORTIVA (Rio de Janeiro/RJ), edição 028, 25 de Abril de 1978, pág. 23

segunda-feira, 18 de novembro de 2019

Os facínoras do Rio Purus


"OS FACCINOROSOS DO RIO PURÚS

O Amazonas diz o seguinte sobre os criminosos que desciam, a bordo de uma esquadrilha de vapores, em demanda de Manáos, devendo a maior parte seguir para Belém e Fortaleza:

<<Emquanto a canhoneira Affonso Celso vai subindo o rio Purús, os vapores Japurá, Caquetá, Conde d'Eu, Acará, D. Pedro II, Augusto, Paumary e outros vem descendo, conduzindo entre os passageiros, diversas féras humanas para esta capital, Belém e Fortaleza.

<<Assim é que no Caquetá veio o assassino de José Puerte e passou para o Pará.

<<Não ha quem no Alto Acre não saiba os pormenores d'aquelle crime, pois o homicida, não satisfeito com o sangue da sua victima, apoderou-se da sua esposa, ainda afflicta e dolorosa, prendeu-lhe os pulsos com pesada corrente, ameaçou matal-a como fizera ao marido, e, amedrontada, conseguio trazel-a escravisada muito tempo.

<<Para avaliar-se a quanto sóbe a perversidade d'essa faccinora, basta relatar mais o seguinte facto:

<<Tinha, como escravo seu, a um pobre indio, e, querendo mostrar que nas suas veias gira sangue dos Cortezes, amarrou-o e n'esse estado lhe cortou os pés com uma navalha e com um tiro de rifle o matou!!

<<No Japurá veio o afamado Leonel, caçador de indios, e desceu para o Pará, lugar de seu nascimento.

<<Esse tigre das florestas do Purús tem por companheiros das suas carnificinas o assassino de Puerte e mais um outro individuo do Ceruiny.

<<No Apurinã veio tambem outra féra, com passagem para o Pará.

<<Esse individuo fez parte da comitiva que atacou no Acre, a tiros de rifles, a lancha a vapor de Getulio Orlando de Paiva.

<<N'esse affluente do Purús tem commettido esse monstro diversos assassinatos.

<<No Acará passou para o Pará outro assassino.

<<No Purús deu-se o facto de sahir uma comitiva, da qual fez elle parte, com o fim de tomar de João Cassiano dois indios, e n'essa occasião foi morto um da comitiva. A autoridade policial, tendo conhecimento do facto, procedeu a corpo de delicto e reconheceu os verdadeiros criminosos, mas tudo ficou no archivo da policia!

<<Assim como estes, têm vindo outros assassinos, que aqui visitaram todas as autoridades e até andaram de braços dados com a policia pelas ruas e praças da cidade!

<<Quando remettidos para a cadêa, não lhe faltam aqui advogados, para pôl-os salvos, limpos e puros de pena e culpa, com ordem de habeas corpus!

<<Tal é presentemente o castigo dos máos.>>

Fonte: A FEDERAÇÃO (Porto Alegre/RS), 25 de Fevereiro de 1885, pág. 02, col. 03
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...