História, Genealogia, Opinião, Onomástica e Curiosidades.Capão do Leão/RS. Para informações ou colaborações com o blog: joaquimdias.1980@gmail.com
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terça-feira, 14 de maio de 2024
sexta-feira, 10 de novembro de 2023
Banquete no Cassino Jaguarense
JAGUARÃO
(...)
- Realizou-se no Cassino Jaguarense um lauto banquete, offerecido pelo sr. Manoel de Deus Dias ao ministro inglez lord Gilford Polgrave, residente em Montevidéo.
A Ordem diz sobre a festa o seguinte:
"Estiveram presentes a esse acto os mais grados membros da sociedade jaguarense. O banquete durou por espaço de 2 horas, trocando-se diversos brindes. Tomou a palavra o sr. dr. José Francisco Diana, dirigindo uma extensa saudação em francez ao illustre ministro de s.m. britannica, que por sua vez agradeceu no mesmo idioma.
Foi igualmente saudada a republica oriental representada pelo ajudante de ordens do general Santos, o distincto major Ricardo Esteves, que acompanha a lord Polgrave na viagem de recreio que faz pela republica visinha.
Ao terminar o banquete foi s. ex. acompanhado até a villa de Artigas, de onde seguirá para outros pontos da republica".
Fonte: A FEDERAÇÃO (Porto Alegre/RS), 09 de Fevereiro de 1885, pág. 02, col. 03
domingo, 10 de setembro de 2023
Os Alemães e o Rio Grande do Sul em 1892
Os allemães e o Rio Grande
Do Jornal do Rio:
"Tudo nos leva a crer que os allemães não desistiram da idéa de se apoderarem do Estado do Rio Grande do Sul. Pelo menos é isso o que indica um artigo que appareceu simultaneamente nos jornaes Post e Germania.
D'esse artigo damos aqui um extracto:
Quando ha alguns mezes, dizem esses jornaes allemães, caiu por terra o poder dictatorial e o marechal Fonseca, muitas pessoas, julgando as cousas sob o ponto de vista europeu, acreditavam que o Rio Grande do Sul, Boulevard principal dos allemães no Brasil e talvez o Estado de Santa Catharina, se destacariam cedo ou tarde da federação brasileira para se constituirem em republica independente. Ter a sido isso para o povo allemão um acontecimento de extraordinaria importancia.
Esses territorios são actualmente o centro mais forte e seguro do germanismo na America do Sul, e essa circumstancia teria permittido que os nossos irmãos mostrassem si eram capazes de dirigir a nova Republica. Si houvesse triumphado, a onde da emigração allemã dirigir-se-ia para aquelle ponto.
No Brasil do sul, os allemães têm fornecido desde muito a prova de que o clima e a situação do paiz prestam-se maravilhosamente para o desenvolvimento do germanismo. Á proporção que os inglezes vão occupando territorios em todos os pontos do globo, mais urgente se vai tornando a necessidade para os allemães da creação de uma nova patria, onde possam conservar a sua nacionalidade. A Providencia parece ter fadado o Rio Grande do Sul para ser uma nova Allemanha.
O Rio Grande do Sul conta 100.000 allemães, e o Estado de Santa Catharina 70.000. Podemos, pois, dizer que existem 170.000 allemães sobre 550.000 brancos de origem portugueza, 100.000 italianos e 75.000 negros. O commercio e a agricultura são exclusivamente allemães, e para propagação do idioma têm elles 14 jornaes.
Isto prova que as sociedades coloniaes e geographicas da Allemanha nunca deveriam perder de vista o Brasil do sul, para onde conviria que dirigissem a onda dos nossos emigrantes."
Fonte: A FEDERAÇÃO (Porto Alegre/RS), 27 de Abril de 1892, pág. 02, col. 01
terça-feira, 26 de julho de 2022
Brasileiros caçados no Uruguay
Recebemos hontem a seguinte carta do Sr. Marianno Porto, ex-redactor do Brasil, de Montevidéo:
"Coincidindo com a narrativa que ha alguns dias fizeram-nos em carta dois importantes estancieiros brasileiros dos departamentos de Paysandú e Tacuarembó, do Estado Oriental do Uruguay, sobre os barbaros castigos pelo celeberrimo coronel Klinger, do exercito d'aquella republica, inflingidos na pessoa do cidadão Bernardino Costa, filho do Estado do Rio Grande do Sul; coincidindo com essa narração, deparamos no periodico O Brasil, de Montevidéo, com algumas linhas de gazetilha que em sua manifesta simplicidade confirmam, sem discrepar uma só circumstancia, tudo quanto em carta nos contaram aquelles nossos compatriotas. La Razon, de Montevidéu, folha oriental, a mesma que no tempo de Maximo Santos constituiu-se acerrima defensora dos cidadãoes brasileiros, crucificados no Paso-Hondo, tambem se incumbiu de estigmatisar o procedimento criminoso do coronel Klinger.
Jamais nos guiaremos, porém, pelos ataques, porém, pelos ataques das folhas de Montevidéo, porque sabemos que ellas, quando se envolvem em questões d'essa natureza, são sempre inspiradas no espirito de opposição aos adversarios politicos.
É phenomeno que não falha, não em um, mas em todos os partidos em que se divide o povo oriental. Não é isso, no entanto, motivo para que não sejamos gratos ao illustrado jornalismo uruguayo. Sempre o fomos, e a prova existe no agradecimento que escrevemos em março de 1888, dirigido á imprensa uruguaya, que, com excepção de duas ou tres folhas, subvencionadas pelo governo, pediu, mesmo implorou, que nos fizesse justiça, quando, incendiado pelo amor patrio, tomámos a defeza do misero pernambucano Leopoldo Marques; e, quanto mais tarde, respondemos a tres julgamentos no departamento do Salto. E, caso singular, e do qual nunca os governos da monarchia fizeram cabedal; eramos absolvido pelos cidadãos jurados e incontenenti condemnado pelos tribunaes do governo!
N'essa época, repetimos, deixámos evidenciada nossa sympathia e gratidão para com a imprensa de Montevidéo.
Nosso intento, hoje, publicando na conceituada e popular Gazeta de Noticias este ligeiro artigo é - chamar a attenção do benemerito jornalismo fluminense para as folhas platinas, cujas columnas, é rarissimo passar-se um mez, que não constatem factos como o que nos foi narrado por dous compatriotas, O Brasil e La Razon.
A diplomacia nem sempre póde agir em taes casos: e, não obstante ser alli nosso ministro o Dr. Ramiro Barcellos, filho do Rio Grande, ainda assim nos aventuramos a consignar que serão totalmente infructiferos os esforços de S. Ex., desde que não seja apoiado sem reservas pelo glorioso governo provisorio. E a este, por sua vez, é indispensavel a palavra do jornalismo da capital federal.
Nós imploramos, em nome da briosa e patriotica communhão brasileira, residente no Estado Oriental do Uruguay, á illustrada imprensa fluminense o seu valioso auxilio, para a divulgação dos repetidos crimes de que são victimas alguns de nossos compatriotas que têm a infelicidade de cahir nas unhas dos Klingers d'aquelle bello paiz.
Si o honrado gabinete do immortal cidadão Deodoro da Fonseca deseja saber quem é o coronel Klinger, quaes os seus actos, passem os Srs. ministros, embora ligeiramente, os olhos por um exemplar do nosso livro - Leopoldo Marques ou o Volpi Patroni Brasileiro. SS. Exas. o encontram em poder do Dr. João Severiano da F. Hermes, a quem tivemos a honra de offerecer o unico volume que possuiamos.
O qualificativo - torturador - com que o mimoseou (ao coronel) La Razon, não ha muito, é propriedade nossa. Ha dous annos, em artigo firmado, o empregámos tratando das correrias de Klinger contra cidadãos brasileiros do departamento de Tacuarembó.
Concluiremos com o novo attentado:
Bernardino Costa, brasileiro, vai todos os annos a Corrales, na qualidade de capataz, levar tropas de gado. N'uma d'essas viagens, ha um mez mais ou menos, Klinger, por meio da força, fal-o sentar praça. Costa pensa em desertar e escreveu uma carta a Klinger, dizendo-lhe francamente que a servir á força ou de qualquer outro modo no exercito oriental preferia fazer o serviço das armas no Brasil, que era a sua patria. Chegada que foi essa carta ao conhecimento de Klinger, este, depois de a ler, mandou chamar Bernardino e perguntou-lhe se era elle o auctor da carta. Bernardino respondeu affirmativamente. Klinger ordenou que por occasião da parada fossem apllicados em Costa TRES MIL AÇOITES!! A ordem foi cumprida á risca. A victima não soubre o numero de açoites, porque perdeu os sentidos! No outro dia tinha o corpo em chaga viva! Klinger foi á enfermaria, dias depois, e perguntou ao praticante:
- Como vá el brasilero? - Responderem-lhe: está bastante machucado. O coronel, com desprezo, disse:
"Déjelo que se jorobe! Si muere hagan un agujero en el monte y métanto adentro y sinó, larquen'o...ya tiene bastante para quejarse en su tierra!"
Não ha commentario digno.
Tenho comprido com estas linhas o pedido dos dous estrangeiros, e o dever de brasileiro patriota. - Marianno Porto.
Sobre esta occurrencia informaram-nos que o governo oriental já tomou providencias, suspendendo de suas funcções o coronel Klinger e mandando abrir inquerito.
Fonte: GAZETA DE NOTICIAS (Rio de Janeiro/RJ), 10 de Julho de 1890, pág. 01, col. 02-03
domingo, 12 de junho de 2022
O Brasil Independente e a visão nacional sobre os países vizinhos
Corria por certo no Rio de Janeiro a sahida do ultimo Correio, que a Republica de Buenos-Ayres tinha declarado guerra ao Imperio do Brasil pela occupação da Provincia Cisplatina, e pertendida Invasão da Provincia de Chiquitos. Custa a crer, que essa insignificante Republica, sempre desolada pelos Indios, e que não consta mais de cento e cincoenta mil almas ouse desafiar o vasto, rico, e poderoso Imperio do Brasil: pagará bem caro sua ousadia!!
He agora tempo de fazer o que há muito se devera ter feito Santa Fé, e Corrientes na Provincia de Entre Rios são pontos militares da maior importancia para a defeza do Imperio do Brasil; mas não basta a occupação destes pontos he preciso mais. Neembuco a margem do Paraguay ao Norte de sua junção com o Paraná he o estaleiro, em que se constroem os Corsarios de Buenos-Ayres: he preciso queimar-se tal espelunca, e na minha opinião toda á banda oriental do Rio Paraguay deve ficar pertencendo ao Imperio, e para esta conquista se devem dirigir as forças do Imperio. Devemo-nos convencer de huma verdade, e he que o Brasil será sempre incommodado por tão máos visinhos, em quanto não tomar estes pontos, e não castigar os Selvagens visinhos a ponto de os fazer perder todas as suas esperanças.
Fonte: O UNIVERSAL (Ouro Preto/MG), 28 de Dezembro de 1825, pág. 288, col. 01-02
segunda-feira, 17 de agosto de 2020
Consulados estrangeiros no Rio Grande do Sul em 1886
quinta-feira, 26 de dezembro de 2019
Incidente com o cônsul norte-americano
"RIO GRANDE
9 de Junho:
- Pelo tribunal do jury foi unanimente absolvido o cidadão Beckford Mackay, consul dos Estados-Unidos, ali residente, submettido a processo por haver tomado publicamente um desforço pessoal contra Thadio Amorim, pelas tôrpes aggressões que este lhe dirigio em um pasquim impresso.
Foi seu defensor o dr. Miranda Ribeiro.
Toda a imprensa dirige felicitações ao honrado funccionario estrangeiro - um moço de 23 annos - e toda a população exultou com o resultado do julgamento.
O cidadão Mackay recebeu as mais honrosas demonstrações de subito apreço e á noite foi alvo de uma enthusiastica manifestação.
Poucos dias demorou-se o sr. Mackay no Rio Grande depois do julgamento do jury, pois seguio para seu paiz natal no gozo de uma licença.
(...)"
Fonte: A FEDERAÇÃO (Porto Alegre/RS), 11 de Junho de 1885, pág. 01, col. 05






