domingo, 1 de fevereiro de 2026

Padre Ozy Fogaça prepara-se para o Carnaval de 1980

 



Salomé, personagem do programa humorístico de televisão "Chico City", será a próxima fantasia burlesca do padre católico e vereador da Arena de Pelotas, Ozy Alves Fogaça. Já afastado de suas atividades eclesiásticas pela Mitra Diocesana, o folião promete voltar à passarela e cair no samba, antecipando que não pedirá nenhuma licença para as autoridades da Igreja para participar do Carnaval - para ela considerada uma festa pagã e que até deve ser escrita em letra minúscula.

Ele está prometendo abrir novamente o desfile do bloco burlesco "Bafo da Onça", afastado das apresentações oficiais depois de sérios problemas com o Departamento de Censura Federal por ter ferido a moral e os bons costumes, faltando com o decoro em plena rua 15 de Novembro, traduzido em cartazes que, segundo as autoridades, primavam pela obscenidade.

O "Bafo da Onça", um dos numericamente mais expressivos blocos de Pelotas, passou a enfrentar problemas, já que seu "presidente de honra", o padre Ozi, também se envolvera com problemas pessoais e não estava motivado para o samba. Era acusado, inclusive na Justiça, de apropriar-se de bens da Mitra, quando tentava transformar a Sociedade Assistencial Nossa Senhora Aparecida, Sansa, em fundação. Além disso, seu comportamento era duramente condenado à época pelo então bispo diocesano, Antonio Záttera, por não ser coadunar com a condição de ministro da Igreja.

Ozy, considerado um polivalente, não apenas, tornou-se polêmico por participar do "Bafo da Onça", tradicionalmente uma entidade composta por milhares de participantes, a maioria com trajes femininos. Ele ganhou destaque porque foi um dos mais votados vereadores, na sua primeira eleição, principalmente quanto todo mundo sabia que ele era um indefinido politicamente. Tanto poderia concorrer pelo MDB quanto pela Arena.

Polivalente o consideram porque além de padre, vereador da Arena, folião, ele também é professor e advogado e tem uma vida diferente dos clérigos, de modo geral. Gosta de ser citado pela Imprensa e já posou para os fotógrafos tomando aguardente em botequins, deu um grande número de entrevistas e seguidamente é notícia nacional.

Uma alta fonte do clero local, dias atrás, confidenciou estar preocupado com as informações dadas pela Imprensa a respeito de Ozy, pois na sua opinião, "isso está prejudicando a imagem da Igreja" e acusava os jornalistas de "colaborarem nesse trabalho". Na verdade, independente dessa opinião, Ozy procede de forma a ser citado e a população exige saber o comportamento de quem tem vida pública.

Fonte: DIÁRIO POPULAR (Pelotas/RS), 11 de novembro de 1979

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