História, Genealogia, Opinião, Onomástica e Curiosidades.Capão do Leão/RS. Para informações ou colaborações com o blog: joaquimdias.1980@gmail.com
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sexta-feira, 9 de janeiro de 2026
Granja de Santa Tecla, Capão do Leão
segunda-feira, 15 de dezembro de 2025
Os ratos atacam o Rio Grande do Sul
RATOS
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DAMNINHA PRAGA
Pessoa digna de fé infórma ao Dever, de Bagé, que certa zona do Estado, na qual se incluem as colonias de S. Lourenço, S. João do Camaquam, Dores de Camaquam, Taquara e outras localidades, vê se actualmente assolada por uma praga terrível, talvez peor que a dos gafanhotos.
Trata-se de uma praga de ratos que tem apparecido nesses logares destruindo por completo inteiras roças e invadindo as casas, dentro das quaes damnificam tudo quando encontram.
A pessoa que deu estas notas mostrou uma capa e um chapéo, que, apezar de pendurados a regular altura do sólo, haviam sido de noite em grande parte roídos pelos damninhos animaes.
Antigos moradores dos logares infestados por essa praga dizem que este phenomeno se reproduz periodicamente, de trinta em trinta annos, por occasião da florescencia das taquaras, abundantes naquella zona.
Felizmente, segundo essas mesmas pessoas, a praga não costuma ser muito duradoura.
Fonte: A OPINIÃO PÚBLICA (Porto Alegre/RS), 26 de junho de 1908
quinta-feira, 20 de novembro de 2025
Chaveiro Cosulati
sábado, 15 de novembro de 2025
quinta-feira, 4 de setembro de 2025
sexta-feira, 8 de agosto de 2025
quinta-feira, 21 de novembro de 2024
Fazenda Santo Onofre
terça-feira, 15 de outubro de 2024
Pelagens Bovinas
(...)
Bem. Começamos falando de boi. Tão importante como o homem. Mais velho que êste, mais educado que êste, porque docil e domesticável. Até a música do carro de bois o hipnotiza. Ele vai no abôio, ao ritmo e na melódica do berrante, ou do carreiro.
Por isso é que abistelado tem estrêlas ou manchas brancas; albardado, não malhado, nem sardo, mas tendo no lombo mazela de côr diferente da do resto do pêlo; almarado, que tem em volta dos olhos uma circunferência de côr diversa da do resto da cabeça; alvação, branco, sem manchas; araçá (bras.), amarelo mascarado, ou matizado de prêto; barroso (bras.) de pêlo branco-amarelado; bisco, que tem uma haste mais baixa que a outra; bocalvo, com focinho branco em cabeça escura; borralho, côr de cinza; botineiro, cujo pêlo das pernas difere do resto do côrpo; brasino, de pêlo avermelhado com listras pretas ou muito escuras; braúna (bras.) ou caraúno (bras.) muito prêto; broco, que tem um ou os chifres pequenos e cheios de rugas; cabano, que tem os galhos inclinados para baixo; caldeiro, de chifres um tantos baixos e menos unidos que os das gaiolas; cambraia (bras.), inteiramente branco; camurça, pardo-vermelho; capirote, de cabeça e pescoço da mesma côr e pintas diferentes no corpo; capuchinho, que desde a fronte à parte superior do pescoço, tem côr diferente da do resto do corpo; cardim, branco e preto; chita, branco e vermelho; chamurro, novilho castrado, que fica tendo a dupla aparência de boi e touro; chumbado, branco, vermelho ou castanho chumbado de prêto; churriado (bras.) que tem extensas listras brancas sôbre o pelame prêto ou vermelho; cornalão, de chifres muito grandes; cornicurto, de cornos curtos; cornífero ou cornígero, que tem cornos; cornilargo, de pontas muito afastadas uma da outra; cornudo, que tem cornos; corombó, de chifres pequenos ou quebrados; cubeto, que possui hastes muito caídas ou quase juntas das pontas; cumbuco (bras.) de chifres curvos, com as pontas voltadas uma para a outra; ensabanado, de pêlo todo branco; escardado, designativo dos chifres, quando se desfiam, batendo de encontro a objetos resistentes; espácio, de chifres muitos abertos; estorninho, zaino, com pequenas manchas brancas; fubá (bras.), de pêlo branco puxando a azul; fumaça (bras.) de pêlo vermelho tirante a prêto; fusco, de pêlo escuro, prêto; gaiola, de chifres em forma de meia lua, e muito próximos nas pontas; gravito, que tem armas direitas e quase verticais; hosco, de côr escura, com o lombo testado; jaguané (bras.), que tem branco o fio do lombo, prêto ou vermelho o lado das costelas e de ordinário branca a barriga; laranjo, de côr de laranja; listão o que tem no dorso uma listra de côr diferente da do resto do corpo; lobuno, de pêlo escuro e um tanto acinzentado como o do lôbo; lombardo ou lompardo, negro com o lombo acastanhado; machacá (bras.), mal castrado; malacara (bras.), de testa branca com listra branca do focinho ao alto da cabeça; mal-armado, de chifres defeituosos; malesso, que tem mau sangue; malhado ou lavrado, listrado, betado de prêto e branco, ou manchado ou raiado de castanho claro e escuro; mascarado, de cara branca, ou que tem uma grande malha na cara; meano, que tem branco o pêlo dos órgãos reprodutores; meirinho, diz-se do gado que no verão pasta nas montanhas, e no inverno, nas planícies; melanuro, que tem cauda preta; mocho, sem chifres; mogão, de chifres sem ponta; moico (reg.) privado de um dos chifres ou de ambos; moreno, menos avermelhado que retinto; mouro, prêto salpicado de pintinhas brancas; nambigu (bras.), o que tem orelhas fulvas ou amarelas; nevado, que algumas manchas brancas; nilo (bras.) com a cabeça metade dela branca e o resto do corpo de outra côr; oveiro, de malhas no corpo; pampa, de cara branca, ou malhado, no corpo inteiro; parrado, de orelhas caídas; pinheiro, de chifres direitos; pintarroxo, pintado de castanho-claro; pombo, branco ou camurça, com olhos brancos; punaré (bras.) amarelado; rabicho, sem pêlo na extremidade da cauda; retinto, que tem côr carregada ou pêlo semelhante ao dos cavalos castanhos; rosado, branco, mesclado de amarelo, vermelho ou prêto; rouxinol, da côr do pássaro de igual nome; salino, com o corpo salpicado de pintas brancas, pretas ou vermelhas; salmilhado (bras.), salpicado de branco e amarelo; silveiro, com malha branca na testa, tendo escura a cabeça; torrado, que têm o pêlo negro do meio para baixo; taruno, mal castrado e que ainda procura as vacas; troncho, a que falta uma orelha; vareiro, que tem o corpo mais comprido do que é vulgar; vinagre, de pêlo castanho claro, tirante a rubro.
JOÃO CHIARINI
Fonte: JORNAL DE PIRACICABA (Piracicaba/SP), 01 de Outubro de 1964, 1o. Caderno, pág. 01
segunda-feira, 7 de outubro de 2024
O folclore caipira agrícola da Lua
(...) Lua com til, pronuncia o nosso habitante rural, anota aquele autor. Relativamente a uma área que abrange o centro e o sul do planalto paulista, Aluisio de Almeida registra as informações que "os velhos em seu saber feito de experiencia", "zelosos guardiões da tradição", proporcionam àqueles todos que os inquirem. Para estes, "a lua nova é a conjunção mais importante". Nesta fase "começam a crescer os cornos, palavras que os antigos iletrados sabiam. Hoje dizem apenas o arco da lua". Muitas das influencias da nova são atribuídas ao quarto crescente. Por outro lado, as influencias da lua cheia assemelham-se às do minguante. A fase da lua vale durante três dias antes e três dias depois. Por nosso lado, já ouvimos, de gente muito antiga, que a "força" da nova são quatro dias antes e quatro dias depois, no que toca à influencia sobre o tempo. Nesse espaço de tempo, encontra-se sempre a maior probabilidade das perturbações. Abramos um parêntesis para registrar que as grandes chuvas que cairam sobre a Capital bandeirante em dezembro do ano (1960), causando tantas desgraças e tantos prejuízos, tiveram início na nova de dezembro, que caiu no dia 17 daquele mês. Fechemos o parêntesis. Quatro dias antes e quatro dias depois, ou três: neste período estaria a maxima influencia de qualquer das fases da lua, fosse qual fosse ela. Anota Aluisio de Almeida que o nosso homem rural prefere dizer quarto crescente e para o quarto minguante usa o verbo calar e o substantivo calação.
Na lua nova, não costumam plantar milho nem feijão, de vez que o coró, comum às duas plantas, as estragam. Como o arroz perfilha em muitos caules, esse pode ser semeado, sem perigo de prejuízo. A proposito, lembra que o coró que dá no arroz, comendo-lhe da semente o coração, é o mesmo que os índios comem. Coró de pau piuca, que a brugada mistura com mel de pau e "passa para os peitos", segundo versão de antigos sertanejos. O milho e o feijão são deixados para plantar no quarto crescente. Nesta fase da lunação são roçados os pastos e plantados o inhame, a mandioca e a batatas. O cipó não fica quebradiço e portanto é ocasião oportuna para amarrar as cercas. As galinhas devem ser postas a chocar. É na lua minguante, ou calante, que se cortam as madeiras e taquaras, para ficarem imunes ao caruncho e durarem "um século". O fruticultor possui nesta fase o melhor ensejo para enxertar suas plantas.
Até no reino mineral influi a lua nova, Não serve para determinadas obras; as pedras não ficam bem ligadas, num tanque, por exemplo; solta-se o reboco e o barro abre-se em mil e uma rachaduras. No quarto minguante o fabricante de tijolos ou ceramica utilitaria, tira o barro, deixando-o em descanço à sombra, durante muitos dias.
Estudando o assunto desde 1946, e pelo menos até 1959, o sr. Salim Simão chegou à conclusão que nenhuma influencia exerce a lua sobre as semeaduras, as chuvas, as colheitas, a conservação dos produtos, o crescimento dos vegetais, a produção e o corte das madeiras. Baseado em observações, não encontrou qualquer relação entre as fases da lua e esta ultima operação. Quanto à influencia decorrente da claridade da luz refletida por ocasião da lua cheia, lembra que essa claridade recebida pela terra é inferior à de uma vela, o que a luz do sol é meio milhão de vezes mais poderosa. Quanto a este aspecto, pois, seria descabida qualquer justificação. Quanto à influencia da lua sobre a seiva, atraindo-a e elevando-a na arvore, tambem aí nada encontra que justifique. Em uma planta de um metro de altura a ação da lua não poderia elevar a seiva mais de 0,1 de micro. Sabendo-se que o micro corresponde a um milesimo de milimetro, pode ser aquilatada da inutilidade da ação lunar. Em qualquer fase da lua a arvore derrubada pode ser atacada por insetos, ou melhor, por brocas. O que é preciso é levar em consideração a especie cortada, sua idade, a época do corte e a presença de insetos, antes de tudo atribuir à lua. Existem especies de madeira mais apreciadas pelos insetos, sendo que a parte branca da madeira - o alburno - é mais atacada que o cerne. O alburno contem amido e substancias açucaradas, enquanto o cerno possui tanino.
O mesmo autor, em outra oportunidade, teve ensejo de reproduzir as opiniões de varios tecnicos que se dedicaram à procura da verdade, no que tange à influencia ou não, das fases da lunação. A maioria contraria a aceitar a crença popular, positiva; alguns concordam em dar razão ao que povo pensa e admita. Examinaremos a opinião de dois destes ultimos. Para Kolisko é possivel a influencia da lua na oportunidade da semeadura e da germinação das sementes. Experimentando com ervilhas, couves, feijões, alfaces e tomates concluiu que melhores eram as semeaduras realizadas dois dias antes da lua cheia. O mesmo resultado foi obtido com nabos, beterrabas, cenouras.
Convenceu-se mais que a semeação feita antes da lua cheia superava em 50% a 60% as executadas em outras fases. Outro experimentador que chegou a resultados positivos foi Azzi. Ele averiguou que a alface semeada na lua minguante desenvolvia-se muito bem, ao contrario da semeada na crescente, que florescia em duas ou três semanas. Assim tambem o rabanete: semeado na crescente, floresce em quinze a vinte dias; se na minguante, esse prazo prolonga-se até cento e vinte dias. As cebolas semeadas na crescente apresentavam bifurcação e floresciam, ao passo que as da minguante produziam belos bulbos. Afirmava Azzi que "o período que vai da lua nova até a cheia age no sentido favoravel ao desenvolvimento vegetativo". Encerrando este artigo, dizia o sr. Salim Simão que voltaria a fazer referencias, "com todos os dados obtidos, no sentido de demonstrar que a ação da lua, não possui tanta influencia como querem muitos lhe atribuir". Se não possui a lua tanta influencia, é que alguma interferencia o autor admite existir.
De anos a esta parte a produção agrícola, dizem quase todos, tem caído bastante, de maneira a justificar, em parte, a grande alta do custo de vida. Por que essa queda? A varios motivos pode ser atribuida. Inclusive, por parte de alguns, como velhos lavradores da região de Cunha entendem, ao abandono, por parte dos agricultores, de certas normas de "especial cautela, quais sejam sejam aquelas de atentar à fase da lua por ocasião das semeaduras. "Os mais idosos nos tem contado que muitas, lavouras não vão para diante porque já não se observam mais essas épocas, não escolhem a lua certa". Esta explicação foi registrada pelo professor Alceu Maynard Araujo, em pesquisa que entre 1945 e 1950 levou a cabo naquela tradicional area paulista. No trabalho elaborado em decorrencia de mencionada pesquisa, premiado em primeiro lugar num concurso promovido pela prefeitura paulistana, podem ser encontradas informações outras sobre a influencia da lua na lavoura, tal como a entende o habitante rural daquela região de São Paulo. Para o lavrador cunhense, a primeira semeadura do arroz deve ser feita na nova de setembro: a do amendoim na lua cheia, porque na minguante dá chôcho; milho e feijão deve ser plantados na minguante para não caruncharem; o alho planta-se na crescente; a cana de açúcar na minguante, pois na crescente bichará; a plantação da batatinha, das aguas e da seca, sempre três dias antes da lua cheia, quando está brotada, e, caso contrario, da minguante em diante; batata doce planta-se na cheia de novembro, pois plantada na minguante só dá rama; a mandioca deve ser plantada somente na crescente; a cebola é semeada na minguante e mudada na crescente, que é lua forte.
E continuam as observações feitas em Cunha. A lua, da nova em diante é forte; planta de chão é na crescente e planta de ar, que são as que frutificam fora da terra, deve ser semeada na minguante; os frutos que se apresentam rachados, os "que não aguentam crescer", resultam de floradas abertas na lua nova; a abobora, o melão, o pepino e a melancia são plantados no minguante para não bicharem; cenoura, pimentão e tomate na crescente; alface e repolho são semeados em qualquer lua, mas o transplante é feito na minguante para fecharem bem; a couve de muda é plantada na força da lua para sair viçosa, e se o for no minguante será evitado o pulgão. Na mesma região, "até para barrear casa, observam a lua. Não se deve barreá-la na lua crescente porque o barro rachará; na minguante é bom porque o barro mingua e não se racha".
Fonte: DIÁRIO DE SÃO PAULO (São Paulo/SP), 19 de março de 1961, 2o. caderno, pág. 04
segunda-feira, 29 de julho de 2024
Anúncio de arame farpado de 1880
segunda-feira, 26 de fevereiro de 2024
Agricultura & Pecuária em Pelotas em 1935
Agricultura
É intensiva em todos os districtos (7) em que se divide o município.
No 1o. (Sede) cultiva-se de preferencia o arroz de que ha grandes culturas com irrigação natural e mechanica bem como modernos engenhos.
Nos demais districtos a agricultura é mais variada plantando-se batatas - feijão de que se faz larga exportação para os mercados do paiz e mais cevada, milho, lentilhas, alfafa, cebolas, etc.
Cultiva-se tambem a vinha fazendo-se neste momento grande campanha para o seu reerguimento com o plantio avultado de novas especies sendo seus vinhos muito apreciados, destacando-se os viticultores francezes, italianos e muitos nacionaes.
A pomicultura por sua vez atravessa promissora phase sendo variadissimas as especies de fructas, havendo muitas quintas que fazem exportacção de mudas e enxertos para o paiz e republicas do Prata.
Com successo está se fazendo a exportação de pessegos, ameixas e laranjas para o Rio de Janeiro sendo que destas ultimas já exportamos para a Inglaterra onde foram muito apreciadas e alcançaram bons preços.
A Directoria de Agricultura Municipal recentemente criada dá assistencia technica á lavoura e á criação para o desenvolvimento de novas industrias ruraes e melhoria e racionalização dos methodos de producção até aqui existentes.
Pecuária
Quando a esta pôde-se dizer que é muito apreciavel a percentagem de gado fino mestiçado em nossos rebanhos predominando as raças Hereford - Durham - Hollandeza - Jersey e Switz, existindo importante contigente de animaes puros de pedigrée importados por adiantados criadores.
Identica selecção veem soffrendo os rebanhos lanígeros Cara Negra - Romey - Maosh - Lincoln e outras raças fazendo-se annualmente avultada exportação das lãs dos varios typos para os mercados do paiz e mesmo do exterior.
Para melhorar a raça suína de grande futuro no municipio a Prefeitura depois de decretar a criação de postos de monta nos districtos ruraes adquiriu 12 marrões das raças Duroc-Jersey e Polland-China, fazendo entrega dos mesmos ao presidente da Cooperativa nas Colonias onde se encontram actuando com lisongeiros resultados.
Quanto ás raças cavallares notadamente os animaes de tiro, montaria e corridas prosseguem sendo cuidadas com carinho regional contando-se muitos reproductores estrangeiros nos diversos haras e cabanhas.
Fonte: DIÁRIO DA MANHÃ (Recife/PE), 27 de Outubro de 1935, pág. 51
quarta-feira, 6 de dezembro de 2023
Nuvem de marimbondos em Santa Maria
Nuvem de maribondos
Diz o Estado, de Santa Maria:
"Estamos informados de que no 5o. districto appareceu densa nuvem de maribondos. Accrescenta o nosso informante que os terríveis vespões cairam sobre uma carreta de bois, a qual conduzia um carregamento de palha.
Os carreteiros, logo que se viram atacadaos pelos terríveis assaltantes, trataram de soltar os bois, o que effectivamente conseguiram.
Para lograra escapar á sanha dos terríveis inimigos, um escondeu-se entre as palhas e o outro envolveu-se em um poncho. Os bois fugiram espavoridos. Informam-nos tambem que, no Ribeirão, os maribondos, caindo sobre um transeunte, cujo nome não nos foi dado, o deixaram em tal estado que veio a fallecer tres dias depois".
Fonte: A FEDERAÇÃO (Porto Alegre/RS), 01 de Fevereiro de 1907, pág. 02, col. 02
sábado, 2 de dezembro de 2023
Uruguaiana em 1905
URUGUAYANA
O municipio de Uruguayana attrae cada vez mais as vistas e attenções geraes. Sua extensão, seus campos especiaes, dos de melhor qualidade, o desenvolvimento colossal que ali têm tido todos os negocios, as relações, que cada vez mais se entrelaçam com o Estado Oriental e a Argentina, dão-lhe destaque, proporcionando uma situação notavel sob todos os pontos de vista.
A importante xarqueada da barra do Quarahy, o estabelecimento de lacticínios do nosso amigo tenente-coronel Lagranha, fazendas-modelo, como, por exemplo, a do sr. José Maria Bellesa, em nada inferior ás melhores do Uruguay, importantes estabelecimentos industriaes, salientando-se os vinicolas, principalmente o do sr. Luiz Bettinelli e, além desse, o do sr. Telechea, e outros, o prospeto e rico commercio que avulta extraordinariamente, fizeram de Uruguayana um grande e moderno emporio da actividade, vida e labor, que se multiplicam á sombra do regimen politico do Estado e das amplas garantias da situação republicana.
A cidade, que progride a largos passos, extendendo-se dia a dia, apresenta edificação moderna, ruas largas e bem cuidadas, lindissimos predios que offerecem o maximo conforto.
Destaca-se o edificio do Club Commercial, de vastos salões e com todos os serviços e attractivos, e onde se reune a selecta sociedade uruguayanense, brilhante no seu primeiro cultivo e nas relações que naquella nossa cidade cosmopolita confundem, em fecunda confraternisação, brasileiros, hespanhóes, platinos, italianos, francezes, inglezes e allemães.
O municipio, cuja base de vida é a criação pastoril, tem seus campos e invernadas repletos de gados de cria e de córte, fornecendo, em avultada cifra, a materia prima para as xarqueadas do Estado.
Está ali generalisada a selecção no maximo que comportam as circumstancias, os recursos dos estancieiros e as condições de clima, etc. Melhoramentos, experiencias, não cessam de ser realisados, demonstrando que a rotina cedeu o passo a intelligentes iniciativas dos nossos estancieiros, que está em dia com os avanços dos mais adiantados processos usados sobretudo nas republicas platinas concernentes a tal ramo industrial.
São elles que movimentam, em maior escola, as feiras pastoris na fronteira oriental e argentina. De tal natureza são os resultados já obtidos pelos criadores do Estado que, como tem succedido em varios municipios do sul, Jaguarão, Pelotas, Bagé, em Uruguayana e Itaquy projectam-se feiras que exhibirão o rico mostruario do desenvolvimento pastorial d'aquellas zonas.
A cidade de Uruguayana, cujo commercio, como, em geral, todas as classes, merece a maxima protecção, está, para bem dizer, em contacto com as grandes capitaes, Buenos-Ayres e Montevideu, pelas vias ferreas, de uma banda e outra, além da fluvial. Em menos de dois dias se está n'uma ou n'outra cidade, e a preços baratos, sobretudo pela banda argentina.
Assim tambem occorre com o transporte de mercadorias, que é rapido e barato. Em virtude de accordo entre as companhias de estradas de ferro e navegação, esta é insignificante, quasi nulla, occupando-se os vapores no transporte de mercadorias, do porto de Libres, onde os vagões descarregam, ao de Uruguayana.
Essas mercadorias procedem de Buenos-Ayres ou da Europa, via Buenos-Ayres, quando não vem já a um dos portos no Uruguay, o que facilita ainda mais, reduzindo o tempo e o custo de fretes.
Estamos informados de que Uruguayana já possue agentes de casas desta capital e do littoral que ali recebem, com muito mais rapidez e barateza, a importação européa, encaminhada pelo porto do Prata, e destinada ao supprimento da freguezia da fronteira e interior.
Os commerciantes de Uruguayana costumam frequentar pessoalmente as praças da Europa, importanto directamente das fabricas. Si o commercio por atacado tem essa significação, que está longe de ser referida nestas ligeiras notas, não é menos importante, nem menos movimentado o commercio a varejo. Assim, por exemplo, a casa Barbará & Irmãos, só em generos de armazem e vendas á vista, não tem uma media diaria inferior seguramente a dois contos de réis, podendo computar-se noutro tanto os supprimentos a praso na cidade.
Essa acreditadissima casa gyra com diversos ramo de negocios, um colosso de alta valia, espalhando de preferencia, entre os consumidores, artigos nacionaes e de producção do Estado, generos coloniaes, sem prejuizo da grande importação directa que recebe da Europa, dos Estados-Unidos, etc.
Essa casa dá trabalho a algumas dezenas de empregados. Nos balcões de varejo, o serviço incessante é feito, com extraordinaria precisão e presteza, por meninos que ali encontram todo o amparo, protecção e garantia de presente e de futuro, alem de preciosas vantagens de ordem moral e social.
As casas Peró & Cia. Krammer, e outras, de alta importancia, pelas suas operações bancarias e outras, auxiliando o gyro de negocios e a movimentação dos capitaes, prestam reaes serviços a Uruguayana, á fortuna publica e particular, em summa, ao desenvolvimento local, que se reflecte sobre o conjuncto da vida riograndense.
Fonte: A FEDERAÇÃO (Porto Alegre/RS), 06 de Maio de 1905, pág. 01, col. 01-02
quarta-feira, 1 de novembro de 2023
O dia que a colônia virou um carnaval
Festival do Agricultor terminou com Carnaval
Após dois dias de festejos - prolongados em virtude das más condições atmosféricas imperantes domingo último - o III Festival do Agricultor, promovido pela Frente Agrária Gaúcha e Sindicato dos Trabalhadores Rurais, encerrou-se, às últimas horas de segunda-feira, na localidade do Grupelli, com um autêntico Carnaval: houve desfile de carros alegóricos e de bandas coloniais. Milhares de pessoas participaram da promoção.
Fonte: DIÁRIO POPULAR (Pelotas/RS), 29 de Julho de 1971, 2o. caderno, pág. 04
quinta-feira, 26 de outubro de 2023
A colônia judaica Quatro Irmãos
Colonisação judaica
No relatorio correspondente a 1912, enviado pelo dr. C. Lila da Silveira, inspector do povoamento sobre o serviço neste Estado, encontram-se as informações abaixo sobre o modo por que está sendo feita pela "Jewish Association" o povoamento de suas colonias no Estado.
A "Jewish Association" sociedade beneficente judaica, que se propõe a encaminhar para a lavoura os judeos, afim de lhes criar uma situação materialmente independente em paizes livres e fazer delles bons cidadãos desses paizes conforme seus estatutos, tem já contribuido neste Estado, para o desenvolvimento de sua colonisação.
Ella começou seus ensaios sobre colonisação na Argentina, ha 20 annos. Estabeleceu nesse paiz cerca de 3.000 famillias em 8 colonias. Mantêm nessas colonias 50 escolas, onde as creanças, fazem os estudos primarios na lingua do raiz e de accordo com os programmas officiaes.
Em 1911, esses colonos cultivaram 224.500 hectares de terras, naquella republica. O primeiro ensaio de colonisação dessa sociedade no Brazil data de 1904. Um grupo de 30 familias vindas da Argentina foi installada na colonia "Philippson", no municipio de Santa Maria. A escolha das terras foi má; sua qualidade deixa muito a desejar. Apesar disso, depois de quatro annos de luctas, nos quaes a sociedade teve de manter pecuniariamente os colonos, hoje a situação da colonia é prospera, vivendo elles de seus proprios recursos.
Em virtude deste resultado a sociedade resolveu desenvolver sua acção no Rio Grande.
Ella comprou no municipio do Passo Fundo, a grande fazenda denominada dos "Quatro Irmãos", com cerca de 80.000 hectares.
Conseguiu comprar mais do governo mais do governo do Estado, 1.600 hectares de terras que lhe permittiram estender seus dominios até a via-ferrea do Passo Fundo ao Uruguay.
Esta fazenda já foi criteriosamente dividida em lotes, de modo que cada lote fique com parte de campo, parte de matto, e com a indispensavel aguada. Cada lote tem em média 70 hectares.
São entregues aos colonos cercados e com uma casa de madeira em cada lote.
Cada colono, chefe de familia, recebe tambem: 1 arado, 1 carroça, 4 bois e 10 vaccas. Toda installação monta, fóra a terra, a tres contos de réis, por familia, que deve ser reembolsada pela sociedade em 20 annuidades, com o juro de 4% ao anno.
Em Quatro Irmãos, já estão 50 lotes occupados com familias vindas da Argentina, e brevemente chegarão 60 familias directamente da Russia, sendo que 20 dessas familias ja passaram por esta capital, em direcção áquella colonia.
É assas conhecido que o futuro a grandeza de uma colonia, depende das vias de communicação. Partindo dessa sabia previdencia a esclarecida direcção da "Jewish Association", decidiu construir um caminho de ferro atravessando toda a sua propriedade. Parte da estação Erebango (estrada S. Paulo- Rio Grande) e attingirá o limite noroeste da colonia, em frente a Nonohay, com a extensão approximada de 100 kilometros.
Presentemente está em construcção o primeiro trecho de 20 kilometros, obedecendo ás condicções impostas aos caminhos de ferro do Estado.
Com o fim de dar aos productos da colonia uma forma que supporte melhor os fretes de transporte, ainda elevado, foram installados na colonia uma fabrica de manteiga e queijo; machinas para o preparo do fumo; um moinho a vapor; etc.
Está tambem em installação uma estação experimental para cultura do trigo, fumo, e de outras plantas que possam dar resultados industriaes.
Cada grupo de 50 a 60 familias terá uma escola, onde o ensino será feito em portuguez.
Ás escolas serão annexos jardins escolares, dirigidos por agronomos, vindos das escolas agricolas da Europa, e onde os meninos apprenderão a trabalhar a terra de um modo cuidadoso e intelligente, de modo a fornecer bons agricultores. É director da colonisação judaica no Estado o illustrado dr. Baruch.
Fonte: A FEDERAÇÃO (Porto Alegre/RS), 11 de Janeiro de 1918, pág. 04, col. 01-02
quarta-feira, 17 de maio de 2023
sábado, 18 de março de 2023
quarta-feira, 4 de janeiro de 2023
Empresa de Fiação da Seda em Bento Gonçalves
Porto Alegre - (Em 30 de maio) - Está em via de organização uma empresa sericicola e de fiação de seda no prospero municipio de Bento Gonçalves.
Para esse fim, está nesta cidade o dr. Sylvio Pottinelli, espirito emprehendedor, que aqui veiu tratar da incorporação da referida empresa sob os auspicios do Banco da Provincia.
Nas conferencias realizadas entre o organizador e os directores daquelle estabelecimento de credito, ficou resolvido, definitivamente, a creação dessa empresa, cujo capital será de 1.000:000$000 dividido em acções de 200$000 réis.
A futurosa empresa trabalhará com a materia prima produzida nas colonias italianas, onde as condições do clima vantajosamente se adapta á referida cultura.
Naquella importante zona colonial que, como dissemos, será o centro de producção, grande é o interesse pelo incremento dessa industria, sendo de esperar que neste anno ainda se inicie a plantação em larga escala da "moras alba", (droose do bicho da seda).
Fonte: CORREIO PAULISTANO (São Paulo/SP), 27 de Junho de 1910, pág. 05, col. 02
domingo, 7 de agosto de 2022
Inventário de Ignacia Pereira de Araujo
Ignacia Pereira de Araujo, viuva do finado José Ferreira de Araujo, para endenisação dos credores de seu casal, e de commum acordo com a maior parte delles, faz publico, que em requerido os bens do mesmo casal a praça para serem vendidos a quem mais der, cujos bens são os seguintes: uma rica, e bem conhecida estancia, cita entre o Rio de Piratinim e Arroio do Pavão, ambos navegaveis, com avultados mattos, estabelecimentos de charqueada, corraes, e casas de vevenda, e uma olaria de faser telha, e tijolo com 5 legoas de fundo e uma de frente na parte mais estreita, 50 escravos entre maxos e femeas, 3400 a 4000 reses pouco mais ou menos, enclusivos alguns bois mansos, 176 cavallos mansos de todo o serviço e 5 ditos de carreiras, e 500 egoas, e 400 ovelhas, e dois hyates, e assim mais huma legoa de campo, em Camaquam, com casas, e pomar; e um pedaço de campo nas Bertanhas, que tocou ao annunciante por herança, de seu falecido Pai Nicoláo Pereira Machado, cujos bens assima declarados, se hondem rematar em praça publica, no Juiso de Orfãos da Villa de S. Francisco de Paula, todas as pessoas que pertenderem rematar a mesma estancia e mais bens assima annunciados, poderáo comparecer na ditta Villa, para lançarem, e no Cartório do dito Juiso poderáo ver o Inventario; cuja publicação teve principio no dia 21 do corrente mez de Outubro. Rio Grande 25 de Outubro de 1833.
João Rodrigues Cardoso.
Fonte: O NOTICIADOR (Rio Grande/RS), 04 de Novembro de 1833, pág. 04, col. 02
sábado, 6 de agosto de 2022
Fábrica Lagranha & Cia.
Em outros testemunhos, a Exposição Estadual de 1901 revelou a pujança do desenvolvimento industrial de Uruguayana, onde se multiplicam os estabelecimentos officiaes e iniciativas de alto apreço. No ramo pastoril, Uruguayana apresenta farto cabedal de actividade na selecção e cruzamento.
Occupam sem duvida, logar de destaque na primeira plana dos esforçados, operosos e intelligentes emprehendedores os srs. Lagranha & C., que acabam de montar uma fabrica de sabão e manteiga.
De uma e outra dá-nos noticia um collega da localidade nos seguintes termos:
"Actualmente, o numero de vaccas, para a producção de vinte e poucos kilogrammas de manteiga, é insignificante, mas assim que os srs. Lagranha & C., possam aproveitar o leite de 500 vaccas, como acontecerá de outubro em diante, a producção da manteiga será de 50 kilos diarios.
Sendo fabricado aquelle numero de kilos de manteiga, importará a receita mensal, sómente em manteiga, em 4:500$, sem contar a venda de leite desnatado, o queijo produzido do excesso do leite, e mais o engorde de suinos, etc.
Dentro de pouco tempo, a fabrica Lagranha & C., poderá dispor por de mil vaccas, poderá contar com o leite de outros estabelecimentos que lhe ficam perto, assim que os creadores de gado compreendam que é o leite uma receita que virá concorrer para a prosperidade de seus bens, assim que o fazendeiro compreenda que com o gado manso se facilita o cruzamento dos nossos gados creoulos coma as raças superiores.
Quando fôr aproveitada toda essa riqueza, quando fôr compreendido que a nossa prosperidade industrial depende do que ahi deixamos dito, então, sim, a fabrica Lagranha & C., poderá exportar, em grande escala, todos os seus productos, para fôra do municipio.
E então lá teremos mais de uma fabrica, teremos duas, tres ou quatro, pois que as machinas para esta industria são todas de pouco valor, como se compreende á primeira vista.
Chamamos para este assumpto a attenção dos nossos creadores em pequena escala, que podem aproveitar o producto de suas vaccas da seguinte fórma, sem empregar sinão trabalho e uma machina.
Manda vir uma machina de desnatar o leite e vender a nata ou a gordura, por litro, como se faz em Buenos Aires, Entre Rios e outros paizes, recebendo por cada litro de nata, de 1$000 até 1$500 vendidos nas fabricas.
E cremos que os nossos amigos Lagranha & C., comprarão por aquelles preços toda a gordura extraida do leite, por aquelle meio.
Ora, quem tirar leite de cem vaccas terá, pelo menos, conforme a qualidade da vacca, de 10 a 15 litros de gordura, no mínimo, que, vendidos áquelles preços, produzem de 400$ a 600$000 por mez.
E o leite desnatado que se aproveita, já para queijos, já para vender, ou para o engorde de suinos? Aproveitado tudo isso não constituirá para nós immensa riquesa, e para a fortuna particular um enorme capital?
- O nosso amigo coronel Lagranha, um genio com todas as aptidões naturaes para a industria, além da fabrica de manteiga e queijo, tem uma fabrica de sabão, que tambem começou agora a funccionar e que produz um sabão amarello superior espumoso, e que se póde ser posto em praça a 5$000 a arroba.
Além deste sabão, nos foi mostrado outro melhor, imitação do sabão hespanhol muito aromativo e que, fabricado em quantidade, terá grande consumo, não só nesta praça, como para a exportação.
- No mesmo estabelecimento, vae ser montada uma fabrica de velas, imitação á stearina, e que terá tambem, como os outros productos, todos de primeira qualidade, a melhor aceitação.
- Os srs. Lagranha & C. têm as seguintes raças de gado: Hereford, Durham, Piemontez e Polled Angus. Dessa raça, possuem um reproductor puro-sangue, em crusa com a Durham, o que proporciona productos optimos em peso e leite."
Fonte: A FEDERAÇÃO (Porto Alegre/RS), 17 de Agosto de 1904, pág. 01, col. 01























