Canto Grande, Capão do Leão, Rio Grande do Sul
História, Genealogia, Opinião, Onomástica e Curiosidades.Capão do Leão/RS. Para informações ou colaborações com o blog: joaquimdias.1980@gmail.com
Páginas
- Página inicial
- Biografias & Histórias de Vida
- Etnias & Colonização
- Lendas, Mistérios & Folclore
- Patrimônio Histórico & Lugares de Interesse
- Sobrenomes alemães
- Sobrenomes pomeranos
- Sobrenomes da Península Ibérica - Espanhóis & Portugueses
- Sobrenomes Brasileiros
- Sobrenomes Judaicos
- Sobrenomes Holandeses
- Outros Sobrenomes
- Nomes Étnicos
- História do Brasil
- Rio Grande do Sul
- Capão do Leão
- Pelotas
- Sobrenomes Alemães por ordem alfabética
Mostrando postagens com marcador Canto Grande. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Canto Grande. Mostrar todas as postagens
segunda-feira, 26 de abril de 2021
sexta-feira, 6 de outubro de 2017
Histórias Curiosas LVIII
Virada da década de 60 para a década de 70, viviam no Canto Grande (atualmente interior do município de Capão do Leão) o pai, Seu Boaventura, a mãe, Dona Otília, e o filho José Túlio, num rancho à beira da estrada daquela localidade. O Sr. Boaventura era trabalhador rural que vivia de serviços diversos, mas preferencialmente ocupava-se na lida das lavouras de arroz. O filho José Túlio mal cursou até o quarto ano primário, desde cedo acompanhando o pai no trabalho, para complemento de renda da família. A mãe cuidava do rancho e da pequena horta, além da criação doméstica de galinhas.
José Túlio já estava crescido o suficiente para querer ter as próprias escolhas. Uma coisa que lhe fascinava eram os cavalos. Tinha vários amigos que já haviam lhe convidado para trabalhar no trato com os animais. Porém, Seu Boaventura via a aspiração do filho como bobagem e insistia que o mesmo lhe acompanhasse nas lavouras de arroz - ofício que ele considerava mais estável do ponto de vista financeiro. Mas, vai convencer um jovem disso? Mesmo naquela época, o fato gerava tensão entre pai e filho.
José Túlio acabou sendo contratado informalmente por um cabanheiro da região, graças à intervenção de um amigo que também trabalhava lá. Todo empolgado, chegou a avisar a mãe que viria em casa somente a cada quinzena e foi alardear com os amigos o novo emprego. Mas quem disse que o velho Boaventura sabia do trato do filho? E, mais ainda, quem disse que ele concordava?
Boaventura era "bagual" da mais profunda raiz. Filho de pai uruguaio e mãe brasileira, viveu a vida toda na zona rural, mal sabia ler e escrever. Ao mesmo tempo que era leal, dedicado ao trabalho e honesto, era machista, conservador, dono de uma personalidade profundamente rústica. Uma pessoa de seu tempo e contexto, antes de qualquer julgamento.
Foi na tardinha de sábado, quando Boaventura chegou em casa. Tomou seu chimarrão na cozinha, previamente cevado por Dona Otília. Viu, então, duas trouxas de roupas e apetrechos no canto da minúscula sala interligada à cozinha. Perguntou sobre as trouxas e a coitada da mulher timidamente tentava explicar ao marido a decisão do filho de ir trabalhar numa cabanha:
- Pois é, meu véio. O Tuio pegou serviço lá na cabanha do Guimarães. Ele disse que o dinheiro que dá é bom. Tá indo amanhã para lá.
O Boaventura ficou irritado, nem discutiu com a mulher e aguardou o filho chegar, pronto para lhe dar uma tremenda reprimenda.
O filho chegou e imediatamente é interpelado:
- Ô, Túlio! Que bobagem é essa de trabalhar com o Guimarães? Tem que terminar a safra lá na Granja do Chico. Como é que tu vai largar este serviço para pegar outro? Além disso, quem te disse que eu te autorizei a trabalhar com o Guimarães? Enquanto tu estiveres vivendo debaixo das minhas asas, não quero saber de filho meu trabalhando com cavalo. Esquece essa porcaria!
- Mas, pai, eu tenho o trabalho acertado com o próprio Guimarães. Vai ser melhor. O Ramiro e o Gomes também trabalham lá.
- Não vais e pronto! - retrucou o velho Boaventura.
Entre reprimendas do velho e pedidos de consideração do jovem, a discussão chega a seu auge. Neste instante, o José Túlio comete o pecado de falar uma besteira e lembrar ao pai que ele nunca tinha conseguido nada além do que o rancho em que moravam, ao pretender trabalhar com lavouras de arroz. Imediatamente, um som seco de uma batida muito forte ecoa da salinha para os outros cômodos da casa. Dona Otília, muito apreensiva, corre para ver o que aconteceu. Encontra para sua surpresa e desespero o filho desacordado no chão, após ter recebido um único e decisivo murro do próprio pai.
- Homem ignorante, para quê isso? Matastes nosso filho! Guri, acorda! Acorda, guri!
Boaventura não fala nada e sai da sala em direção à cozinha onde leva a mão em direção à chaleira sobre a chapa do fogão à lenha para seguir o mate que tinha parado por causa da chegada do filho. Indiferente, ele permanece lá, calmo e sereno.
Dona Otília aturdida pede o socorro dos vizinhos. Alguns chegam a considerar que se faça um mutirão para que se leve o José Túlio até um hospital na (até então!) distante cidade de Pelotas. Após o alvoroço, o José Túlio acorda já com um monte de mulheres em volta, algumas já chorosas. O rapaz fica quieto e se recompõe. Naquele noite permanece longe do olhar do pai, escondido no próprio quarto.
No outro dia, José Túlio desfaz as trouxas e confirma com o pai que vai concluir o trabalho na lavoura de arroz. O Boaventura não fala nada. Os dias passam e o José Túlio dá uma desculpa e não vai para o emprego na cabanha.
Pelo menos, naquele momento, o jeito rústico e antigo do pai gerou o efeito. Apesar disto, no próximo verão, finalmente Boaventura permitiu que o filho fosse se instalar na cabanha.
O fato é documento dos costumes de uma época. O curioso é que se pode imaginar que, José Túlio possa em função do murro que tomou do pai, tenha guardado mágoa do velho. Ao contrário. Muitos anos depois, José Túlio, casado e com filhos, velava o corpo do pai e orgulhosamente proclamava a importância das lições que aprendeu com o véio desde a infância.
domingo, 28 de agosto de 2011
Histórias Curiosas XIV
Existe um corredor que liga a Capela da Buena ao Canto Grande, isto é, zona "bem" rural e afastada de Capão do Leão. Havia uns anos atrás um bolicho, destes a beira de estrada, naquela região, onde os trabalhadores rurais e agricultores costumavam se reunir nos finais de tarde para tomar a sua "branquinha" e "mentirem um pouco um para o outro". O lugar era simples, com algumas linguiças defumadas dependuradas, pacotes de fraldas plásticas presos em cordinhas de nylon, bebidas agrupadas na parede, bem no alto, numa prateleira em destaque. O vendeiro se defendia e, pelo que sei, não era nada além daquilo mesmo que ele almejava ali. Talvez fosse agricultor também, mas isso não vem ao caso.
O bolicho era no meio do pampa - campo de um lado, campo de outro, umas arvorezinhas na frente e a estrada. Porém acontecera um causo inusitado que muitos lembram no tal bolicho, lá pelos idos do início da década de 90.
Não é que apareceram dois assaltantes e fizeram uma limpa no caixa do vendeiro. Poucos cruzeiros e mais uns pacotes de bolachas e aproveitaram também para surrupiar os cobres minguados que haviam nos bolsos dos clientes que estavam no bolicho. Um tinha um revólver calibre 38, o outro um 22. Talvez, por pena, deixaram de abordar um "pobre velhinho", já visivelmente ébrio, que estava encostado num banco (um caixote de madeira adaptado, na verdade) e olhava o desenrolar do assalto em "profunda serenidade". Saíram em disparada num Corcel "Um", cor caramelo. Não eram daqui seguramente e, com certeza, eram aquilo que as próprias vítimas denominaram "ladrões chinelos" - pois talvez tivessem tido mais lucro roubando reses de uma propriedade, do que eles mesmos que viviam sempre com poucos cruzeiros no bolso, ou no caixa do próprio vendeiro.
Ah...e o "pobre velhinho", o que tem haver com a estória? Simples: sujo, de sandálias gastas, com cigarro de papel no canto da boca, camisa de malha desbotada, não poderia inspirar nenhum outro tipo de impressão a não ser o de piedade. Como ainda ficou quieto o tempo todo, encaixava-se no típico perfil de "pobre coitado". Só não sabiam os assaltantes, que o "pobre velhinho" era um dos maiores proprietários de terra da região, com vários hectares em diferentes sítios e fazendas, e um dos maiores criadores de ovinos corriedale do Brasil!
Ah...e o "pobre velhinho", o que tem haver com a estória? Simples: sujo, de sandálias gastas, com cigarro de papel no canto da boca, camisa de malha desbotada, não poderia inspirar nenhum outro tipo de impressão a não ser o de piedade. Como ainda ficou quieto o tempo todo, encaixava-se no típico perfil de "pobre coitado". Só não sabiam os assaltantes, que o "pobre velhinho" era um dos maiores proprietários de terra da região, com vários hectares em diferentes sítios e fazendas, e um dos maiores criadores de ovinos corriedale do Brasil!
domingo, 2 de maio de 2010
A Zona Rural de Capão do Leão
Os três distritos (Pavão, Passo das Pedras e Hidráulica) que compõem a zona rural de Capão do Leão são muito antigos e remontam à época das sesmarias e das tropeadas. Aliás, a área do município sempre se caracterizou por uma destacada atividade agropecuária, desde os seus primórdios.
Boquête: trata-se de um corredor próximo à Capela da Buena. O nome advém de uma passagem estreita entre dois morros. O “Boquête” ou “Capão do Boquête” já aparece listado em 1785.
Canto Grande: a localidade já aparece descrita em 1830. O nome evidencia a característica geográfica: um “canto de terras” entre os arroios Palma e Itaita. Atualmente, apresenta economia baseada na pecuária leiteira, avicultura, soja, milho e arroz.
Cerro das Almas: existem várias teorias para explicar o nome do morro que dá nome ao local. Argumenta-se que ali eram mortos escravos negros no século XIX. Outra explicação sustenta que ali houve uma batalha com grande número de mortos, na época farroupilha. Inclusive já se teria achado uma espada na encosta do morro. Há relatos também que dão conta de um ataque a fugitivos na Revolução Federalista de 1893 ou na Revolução de 1923. Diferente versão informa a respeito de um cemitério indígena no cerro. Misturam-se aí lendas e histórias de ouro enterrado e grutas mal-assombradas. O fato é que o Cerro (ou Morro) das Almas aparece descrito e identificado no final do século XVIII, com clareza. Um obscuro historiador pelotense escreveu que o Cerro das Almas teria recebido este nome em função de ali ter ocorrido um massacre de fugitivos portugueses, quando da invasão de Rio Grande pelos espanhóis (1763). Uma patrulha castelhana os teria perseguido desde o litoral, entrando “sertão adentro” e os encontrando no morro, onde ocorreu a tragédia. É a localidade rural mais próxima da zona urbana e, atualmente, apresenta uma economia sustentada pela pecuária de leite e plantações de milho, além de outras pequenas culturas.
Coxilha Florida: uma das explicações que pode sustentar a existência de localidades como Coxilha Florida, Canto Grande, Boquête e Passo da Eira é que todas surgiram em função de antigas rotas de tropeiros. Só que, comumente, aplica-se a idéia de que todas as tropas de gado que passavam em nosso atual território direcionavam-se à Pelotas. É importante considerar, contudo, que algumas estâncias do Pavão também foram charqueadas, além de terem sido redutos de gado para engorda. Por isso, havia rotas que levavam o gado proveniente do norte ou do oeste para estas estâncias. Se observarmos, as localidades citadas perfazem um conjunto de pequenas vias conducentes ao Passo das Pedras e, deste, ao Pavão. A Coxilha Florida é uma área na qual carecem maiores informações históricas.
Figueirinhas: está situada no distrito da Hidráulica. O nome provém de um agrupamento de figueiras existentes no local que, segundo dizem, eram ponto de parada para tropeiros. Na década de 1940, a Igreja Católica comprou uma propriedade no local para utilizá-la como chácara do seminário diocesano. É localidade pequena, com economia baseada no minifúndio.
Hidráulica: o distrito recebe este nome em razão de, em 1873, ter sido ali construída a “Companhia Hydraulica Pelotense”, que capta água do Arroio Moreira para abastecimento da cidade vizinha. Zona limítrofe aos municípios de Morro Redondo e Pelotas, concentra o maior número de médias e pequenas propriedades do Capão do Leão, muitas voltadas à fruticultura e a produção de hortaliças. A Estrada da Hidráulica originou-se de um antigo caminho de tropeiros que se estabeleceu na região por volta da década de 1870.
Passo das Pedras: área do município de inquestionável valor histórico, com diferentes localidades e grandes extensões de terra. O Passo das Pedras já era conhecido antes do Tratado de Santo Ildefonso (1777), por isso é provável que desde aquela época ali passassem tropas de gado rumo à Pelotas. Cartas da época farroupilha dão conta do transporte de couros bovinos e apontam o lugar como paragem de tropeiros. Inúmeras vendas e repartições retalharam a área no decorrer das décadas, que inicialmente pertencia em quase sua totalidade à Família Barboza de Menezes. No final do século XIX, foi erguida uma estação ferroviária no local e ocorrera a visita da Princesa Isabel e do Conde D’Eu. Também desta época, acusa-se a existência do Sanatório Passo das Pedras, de propriedade de Antônio Ribeiro Tacques. Espécie de hospedaria de perfil campestre, procurada por pessoas que precisavam tratar problemas respiratórios, possuindo benfeitorias diversas, pomares e passeio eqüestre. Na década de 1920, o político Assis Brasil veio a possuir estância no local. Atualmente, apresenta produção agropecuária diversa, com ênfase à criação de bovinos, equinos e ovinos.
Passo do Descanso: localizado entre o Passo das Pedras e o Cerro das Almas, o nome parece ter origem na antiga Estância do Descanso, ainda hoje existente. Tal propriedade teria servido de abrigo para tropas farroupilhas na época da revolução, bem como ponto de parada de tropeiros, daí o nome “Descanso” (isto é, das tropas). Alguns estudos de pesquisadores independentes têm apontado o local com grande valor arqueológico, possuindo este antigas trilhas de mato, currais centenários e restos de aldeamentos indígenas. Nesta região também, comenta-se a respeito de uma pedra com inscrições, até hoje não encontrada, mas que remontaria à época dos jesuítas (sic). Foram encontrados registros da localidade nos anos de 1851 e 1877.
Passo do Ricardo: localizado junto ao Rio Piratini, adjacente ao Pavão, seu nome provém de um antigo tropeiro que teria estabelecido ali rancho de moradia na época das sesmarias. Foi passagem de tropas de gado durante o período das charqueadas. Em meados do século XIX, cita-se “a antiga estrada do Capão do Leão que vai pelo Passo do Ricardo”. Atualmente, existem algumas pequenas propriedades na área, direcionadas à pecuária leiteira e ao cultivo da melancia.
Pavão: remonta à antiga sesmaria do Pavão, que era imensa e ocupava mais da metade da área do atual município. O nome já aparece em mapas espanhóis antigos com a denominação “Serranías Del Pabón”, em meados do século XVIII. O termo “pavão” designa um tipo de ave encontrada nos banhados típicos daquela região que, obviamente, não é o pavão europeu verdadeiro. A área foi sede de charqueada importante no século XIX, bem como de grandes rebanhos de gado bovino, eqüino e muar. Há fazendas históricas e centenárias no distrito, que merecem um estudo particular cada. Em especial, a Fazenda da Gruta, da Sra. Antonia Berchon Sampaio – que, entre outros fatos importantes, serviu como locação às cenas do filme “Negrinho do Pastoreio”, de 1973. Atualmente, além das pecuárias de leite e corte, o Pavão apresenta as culturas de arroz e soja com destaque.
quinta-feira, 17 de setembro de 2009
Assinar:
Postagens (Atom)

