quinta-feira, 21 de maio de 2020

Sobrenome Barreto


"BARRETO - Toponímico. É diminutivo de 'barro', palavra arcaica, que significa ardeola (garça portuguesa conhecida como 'papa-ratos', cuja nome científico é Ardeola ralloides). O solar da família é Barra de Diana, de que se derivou o sobrenome. O primeiro que o usou é Gomes Mendes de Barreto. Também significava barrete, em sua forma antiga. Em São Paulo há a cidade de Barretos, e um porto com esse nome na Baía de Guanabara.

Sobrenome muito difundido, apresenta numerosas personalidades: Antônio Pedro de Sá Barreto, militar brasileiro (1801-1881); Belchior Nunes Barreto, missionário jesuíta (1520-1573); Francisco Campos Barreto, bispo brasileiro (1877-1941); Francisco Ferreira Barreto, sacerdote e político (1790-1851); Gaspar Barreto, frade beneditino português, cronista da Casa de Bragança (1843-1885); João Augusto da Graça Barreto, sacerdote e escritor português (1600, falecido em data ignorada); João Paulo dos Santos Barreto, militar brasileiro (1788-1864); João Paulo Emílio Cristóvão dos Santos Coelho Barreto, jornalista brasileiro (1881-1921); José de Almeida Barreto, general brasileiro (1830-1912); Luiz do Rego Barreto, general português (1777-1840); Luiz Pereira Barreto, médico e polígrafo (1853-1923); Manuel Teles Barreto, fidalgo português, vinculado à conquista da Índia, no século XVI; Mário Castelo Branco Barreto, escritor e filósofo brasileiro (1879-1931); Melchior Nunes Barreto, jesuíta e missionário português (1530-1571); Pedro Barreto, governador de Sofala, em 1567; Pedro Velho Barreto, fidalgo da Casa Real Portuguesa, nascido em 1708; Tobias Barreto, poeta, jurista e filósofo brasileiro (1839-1889)."

Fonte: FOLHA DE HOJE (Caxias do Sul/RS), 12 de Agosto de 1990, pág. 03

Um drama regionalista gaúcho no século XIX


"Os gauchos

A sociedade particular Filhos de Thalia exhibiu ante-hontem, pela primeira vez, a comedia-drama de costumes rio-grandenses, em 3 actos e denominada Os gauchos, ultima producção do sr. Damasceno Vieira.

Até o 2o. acto, a peça é toleravel; no 3o., cáe redondamente, ficando reduzida a pouco mais do que um montão de expressões agauchadas, cantares a desafio e toques de viola.

O capataz da estancia em que se desenvolve a acção, a principio bello typo de gaucho franco e cheio de aspirações, com o qual o espectador sympathisa desde logo, desapparece bruscamente do entrecho da peça, feiamente bigodeado por um engenheiro nortista, muito immoral, que intercepta lhe os amores simples e sadios, com a prima, a quem seduz e deshonra.

É preciso convir que aquelles gauchos (de cujo numero faz parte o Agache, um idiota das ruas de Porto Alegre...) são muito atoleimados; ao contrario não lhes passariam desapercebidas as estradeirices de um don Juan que, pretextando medir a fazenda, aboleta-se n'ella com o fim preconcebido de conquistar, com a maior indignidade, a noiva do capataz, o que consegue, embuçalando a hospitaleira gente.

A filha do estancieiro, no 3o. acto, é uma mulher psychicamente indefinivel: sabedora de que o seu seductor é um libertino, que tem compromisso de casamento com outra, repelle-o energica e nobremente, para, momentos depois, acceital-o por marido...

Emfim, ainda não se póde fazer, uma apreciação definitiva d'Os gauchos; a peça foi representada pela 1a. vez, e ainda não está impressa.

Terminada a exhibição, o sr. Damasceno Vieira foi chamado á scena e applaudido, recebendo palmas e dois ramalhetes de flores, offertados, um pelos Filhos de Thalia, e outro por um seu irmão."

Fonte: A FEDERAÇÃO (Porto Alegre/RS), 17 de Agosto de 1891, pág. 01, col. 06

quarta-feira, 20 de maio de 2020

Sobrenomes da Mesoamérica - Parte 01


Os sobrenomes aqui listados são de origem asteca, maia e de demais povos da Mesoamérica, encontrados principalmente em famílias do México, mas também no sul dos Estados Unidos, na Guatemala, no Belize e em El Salvador, e mais raramente na própria Espanha. Vale dizer que, a grande maioria foi castelhanizada, enquanto uma parcela menor conservou uma grafia mais próxima à pronúncia nativa original.

Fonte: Heraldica Mesoamericana

1. Moctezuma - vosso senhor irado.

2. Tezozómóc - senhor que golpeia (quebra) pedras.

3. Chimalpopoca - estaca fumegante.

4. Popoca - fumaça, fumaça de raiva, por extensão, "aquele que fica furioso".

5. Tezcoco, Texcoco - juncos na água.

6. Tezcucano, Texcucano - aquele que procede de Texcoco.

7. Xalpeño, Zalpeño - aquele que procede de Jalpan.

8. Amozoqueño - aquele que procede de Amozoc.

9. Milpero - cuidador do milharal.

10. Amilpampa - do lado de terras irrigadas do sul.

11. Tlamilpa - campo por excelência, por extensão, campo excelente para o plantio do milho.

12. Chamilpa - sementeira de chia (Salvia hispanica).

13. Cipactli - aquele que nasceu no primeiro dia do mês, no calendário asteca. Também um nome de um deus da terra.

14. Xóchitl - aquele que nasceu no vigésimo dia do mês, no calendário asteca.

15. Xochime - flores.

16. Xochihua - florista.

17. Xochímitl - flecha de flores.

18. Xochitótol - pássaro das flores.

19. Xochicale, Xochicalli - casa das flores.

20. Xotémol, Xochitémol - besouro das flores.

21. Ixtlilxóchitl - flor negra, baunilha.

22. Calli, Caletec, Caléteque - casa.

23. Tecpan - casa real; homem saudável.

24. Cóatl, Cuate, Cuachi - cobra; amigo próximo; aquele que nasceu no quinto dia do mês no calendário asteca.

25. Coateco - lugar de cobra.

26. Pancóal - aquele que destrói o lugar da(s) cobra(s).

27. Mixcóatl, Mixcohua - a Via-Láctea (galáxia).

28. Tzompaxtle, Zompaxtle, Tzompantzi - local de sacrifícios. Literalmente: local em que os crânios são enfileirados.

29. Miquiztli, Miquixtle - morte; aquele que nasceu no sexto dia do mês, no calendário asteca.

30. Mazahua, Mázatl - cervo; aquele que nasceu no sétimo dia do mês, no calendário asteca.

31. Tochtli - coelho; aquele que nasceu no oitavo dia do mês, no calendário asteca.

32. Toxcatl - aquele que nasceu no quinto mês, no calendário asteca.

33. Ometochtzin - dois coelhos.

34. Tochí - coelho.

35. Toxqui, Tosqui - voz de quem canta, voz do cantor, voz maviosa. 

36. Atl - água; aquele que nasceu no nono dia do mês, no calendário asteca.

37. Atzin - água pequena, água venerável.

38. Atlixco - na superfície da água.

39. Acuáhuitl - canal de irrigação.

40. Apango, Apanco - vala de água, na vala de água.

41. Panoaya - fiorde onde o rio vadeia e corre.

42. Moloya - fontes em turbilhão, fontes abundantes.

43. Amixtián - local de nuvens de água, local em há nevoeiro de respingos d'água.

44. Ácatl - junco; aquele que nasceu no décimo-terceiro dia do mês, no calendário asteca.

45. Acatitla - aquele (ou aquilo) que está entre os juncos.

46. Acamapichtli - aquele que tem os juncos na mão.

47. Cuauhtémoc - águia que desceu, águia que pousou.

48. Cuauhcóatl - águia-serpente.

49. Cozcacuauhtli - águia; aquele que nasce no décimo-sexto dia do mês, no calendário asteca.

50. Cózcatl - colar de pedras finas.

Sobrenome Noronha


"NORONHA - Sobrenome português toponímico, de origem espanhola. Sendo que existem as formas NOROÑA, LORONHA e LOROÑA. 

Em Portugal, os Noronhas aparecem como originários de Castela, no século XIV, da Casa de Gijón. Procedem de Dom Afonso, filho bastardo do rei Dom Henrique de Castela. Foi o conde Dom Afonso, senhor da Vila de Noronha (ou Loronha), nas Astúrias, donde se derivou o apelido a seus descendentes."

Fonte: FOLHA DE HOJE (Caxias do Sul/RS), 08 de Outubro de 1993, pág. 02

Sobrenome Guaraná


"GUARANÁ - Sobrenome brasileiro derivado de uma alcunha. Os primeiros registros aparecem em meados do século XIX. É um tipo de planta amazônica cujo suco tem propriedades revigorantes."

Fonte: FOLHA DE HOJE (Caxias do Sul/RS), 25 de Setembro de 1992, pág. 02

Sobrenome Amado


"AMADO. - Do latim 'amatus', amado, querido. Também pode vir de 'Hamad', árabe, que quer dizer 'louvor'. Como sobrenome, é do tempo do Conde D. Henrique, falecido em 1114.

Personalidades: Gilberto Amado foi escritor, professor, jurisconsulto e diplomata brasileiro, nasceu em 1887; Jorge Amado, escritor e político brasileiro, nasceu em 1912. 

Santo Amado foi arcebispo de Lens, na França. Morreu em 690. É comemorado em 13 de Setembro.

Variante: Amador. Do latim 'Amator', o que ama."

Fonte: FOLHA DE HOJE (Caxias do Sul/RS), 10 de Junho de 1990, pág. 03

O tesouro dos bandeirantes


"Noticiamos ha dias que o naturalista brazileiro sr. Motta Junior tendo descoberto ultimamente os indicios de um thesouro em Tieté, provincia de S. Paulo, seguio para ali afim de exploral-o.

Esse thesouro, segundo diz-se, é composto de ouro em pó e em barra e foi enterrado ha dois seculos pelos bandeirantes que se internavam pelos sertões em busca do precioso metal.

Sobre esse assumpto escreveram o seguinte para o Paiz do Rio, em fins do mez passado:

'O thesouro descoberto pelo sr. J. P. da Motta Junior data de 1630, e deve conter, segundo a tradição, centenas de arrobas de ouro.

Ha mais de dois seculos existe uma grande cruz aberta sobre rocha viva, proximo ás margens do rio Tieté e ha pouco mais de kilometro da cidade do mesmo nome.

Essa cruz, que se acha em posição obliqua, e que deve commemorar algum facto ou assignalar alguma cousa, porque na época em que foi feita não tinha outra razão de ser, n'aquelle sertão invio, foi sempre observada com manifesto indifferentismo por todos que a visitavam.

Em setembro ultimo, o activo cidadão Motta Junior, visitando-a, teve a idéa de que a cruz fôra intencionalmente um signal, e publicamente revelou a sua opinião, chegando mesmo a publicar no Diario Popular um artigo com referencia a esse marco.

Desde então o notavel descobridor não cessou de empregar todos os esforços ao alcance de sua intelligencia para descobrir o mysterio da celebre cruz.

Correu todos os pontos da provincia, visitou as igrejas mais antigas, examinou os livros de tombo; veiu á côrte visitar o archivo publico, e seguiu para as provincias do sul, até encontrar o fio da historia ou da lenda.

O que é facto, é que o incansavel cidadão, ao regressar das provincias do sul, sem descansar um dia na capital de S. Paulo, onde tem sua familia, seguiu para Tieté a visitar a cruz.

Ali celebrou contracto com o dono do terreno para descobrir o famoso thesouro.

Annuncia-se que com effeito descobriu o Eldorado formado pelos valentes bandeirantes.

Não lhe faltaram propostas vantajosas de pessoas para associarem-se á empreza, mas rejeitou-as todas. Associou apenas aos seus trabalhos alguns parentes e amigos, que subscreveram o pequeno capital necessario.'

- No dia 23 o sr. Motta Junior partio de Curuçá para o Tieté, com o pessoal preciso para proceder ás excavações no lugar em que suppõe existir o thesouro, e onde vai levantar os ranchos para abrigo dos exploradores.

O serviço, que está orçado em dois contos de réis, si não fôr interrompido, deve ficar concluido dentro de 30 dias."

Fonte: A FEDERAÇÃO (Porto Alegre/RS), 14 de Abril de 1887, pág. 01, col. 02
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