sexta-feira, 8 de março de 2019

1975 - Ano Internacional da Mulher


"O ano de 1975, por iniciativa da ONU (Organização das Nações Unidas), foi considerado o Ano Internacional da Mulher. No Brasil, algumas mulheres já se encontravam de certa maneira organizadas - com muitas dificuldades, é claro. Com a repressão política nas fábricas e nos sindicatos, os bairros populares de periferia transformaram-se em espaços de resistência, estimulados pelas mulheres, que constituíam a própria vida desses bairros.

São elas que geralmente reclamam da falta de escola, do custo de vida, dos salários baixos, das crianças desnutridas. Assim é que nos clubes de mães, enquanto teciam o tricô, elas falavam 'do governo distante do povo'. As mulheres parentes dos presos políticos, com o apoio de advogados, religiosos e estudantes, começaram a dar seus primeiros passos para reivindicar a anistia.

Graças ao desempenho das mulheres, 1975 tornou-se de fato o marco histórico para o avanço das ideias femininas no Brasil. Sob uma ditadura militar, mas com o apoio da ONU, a mulher brasileira passou, então, a ser protagonista de sua própria história, em que a luta por seus direitos específicos se fundia com as questões gerais. Respondia de maneira forte aos anseios da época: de se expressar, de falar, de enfrentar, de agir.

No começo, poucas e tímidas, mais intuitivas do que conscientes, as primeiras mulheres encontravam outras, muito assustadas, que tentavam resistir-lhe ao apelo, mas acabavam cedendo. Encontrando-se e desencontrando-se, as mulheres criaram condições para um feminismo vinculado aos interesses populares, particularmente dos trabalhadores. Antes de 1975, algumas mulheres, pertencentes a universidades e centros de pesquisa, já começavam a estudar a condição feminina sob um prisma feminista. Em 1969, Heleieth Saffioti escrevera o livro A Mulher na Sociedade de Classes: Mito e Realidade, que muito contribuiu para abrir horizontes. Mas é em 1975 que as ideias feministas, de exigir igualdade de direitos e questionar o papel de submissão da mulher, vão começar a ter ressonância junto à opinião pública.

Enquanto as mulheres dos países europeus e norte-americanos viam com desconfiança a iniciativa da ONU, no Brasil ela cai como uma luva: excelente instrumento legal para fazer algo público, fora dos pequenos círculos das ações clandestinas.

Maria Moraes afirma no seu livro Mulheres em Movimento que o Ano Internacional da Mulher constituiu 'um ponto de referência fundamental para a compreensão do movimento de mulheres. A iniciativa da ONU foi particularmente importante para as mulheres brasileiras por ter propiciado um espaço de discussão e organização numa conjuntura política marcada pelo cerceamento das liberdades democráticas'.

O 1o. Encontro de Mulher do Rio de Janeiro, realizado em junho de 1975, composto de debates, festas e outras atividades culturais, deu origem à formação do Centro da Mulher Brasileira.

Em São Paulo, realizou-se, ainda no mesmo ano, em outubro, o Encontro para o Diagnóstico da Mulher Paulista, patrocinado pelo Centro de Informação da ONU e pela Cúria Metropolitana. Desse encontro, nasceu o Centro de Desenvolvimento da Mulher Brasileira."

Fonte: TELES, Maria Amélia de Almeida. Breve história do feminismo no Brasil. São Paulo: Brasiliense, 2003, pág. 84-86

quinta-feira, 7 de março de 2019

Sobrenomes judaicos - Parte 02 - sobrenomes germanizados ou iídiches


Sobrenomes germanizados ou iídiches. Salientando, porém, que nem todos os sobrenomes são EXCLUSIVAMENTE judaicos.

Fonte adaptada para a língua portuguesa: Jewish Surnames Guide. NY, Pingeon Books, 2002. Também consultada: Jewish Encyclopedia. London, 1906.

Também consultados na web: 
https://en.wikipedia.org/wiki/Main_Page
https://de.wikipedia.org/wiki/Wikipedia:Hauptseite
https://pl.wikipedia.org/wiki/Wikipedia:Strona_g%C5%82%C3%B3wna
https://cs.wikipedia.org/wiki/Hlavn%C3%AD_strana
https://lt.wikipedia.org/wiki/Pagrindinis_puslapis
https://pt.wikipedia.org/wiki/Wikip%C3%A9dia:P%C3%A1gina_principal
https://es.wikipedia.org/wiki/Wikipedia:Portada
https://www.lds.org/ensign/1990/12/israelite-names-witnesses-of-deity?lang=eng
http://daten.digitale-sammlungen.de/0008/bsb00085893/images/index.html?seite=731


47. Bieber - castor.

48. Berlowitz, Berman, Bermann - urso.

49. Blieck, Blick, Balick, Balicks - em iídiche significa brilho ou esplendor. 

50. Bruck - ribeiro.

51. Dudewitz, Dudewicz, Dudeych, Dudevich, Dudevic, Dudowitz, Dudovitch, Doodovitch - o homem, ou mais especificamente dentro do contexto histórico da Baixa Idade Média: o homem da cidade, o burguês, o não-camponês, aquele que vive numa urbe.

52. Cook, Koch - embora possa significar cozinheiro (e este é o real significado do nome de família em linhagens não-judias), o significado idiomático remete ao tocador de trombeta judaica.

53. Gobel, Gabel - garfo.

54. Lapel - lapela. Na verdade faz referência a um detalhe do traje cerimonial judaico.

55. Lieb, Liep, Liebman, Liebmann, Libman, Liepman, Liepmann, Lippman, Lippman, Lipmann, Lipman, Liebkind, Liebeskind, Libkind, Lipkind - amor (no sentido do amor divino).

56. Süss, Süssmann, Zisman, Süsskind, Suskind, Susskind, Süssekind, Ziskind - doce, doce criança, jovem dócil, docilidade.

57. Fried, Friedman, Friedman - paz, ou ainda uma corruptela para o patronímico de Shlomoh (Salomão).

58. Freud - o equivalente ao vocábulo simcha que significa alegria, felicidade.

59. Hirsch, Hirsh, Hirschfeld, Herz, Hertz, Jelinek, Jellinek, Szarvas, Zvi, Hershfiled, Hertzfeld, Herzfeld, Heartfield - cervo.

60. Selig, Seligman, Seligmann, Zelig, Zelikow - abençoado.

61. Walden, Waldmann, Walenmeier, Waldenberg, Walde - equivalente ao vocábulo Ya'ar que significa floresta, bosque.

62. Raedar, Räder, Raeder, Rader - roda ou carro.

63. Moscheles, Moischel, Moszkowski - patronímico de Moyshe (Moisés).

64. Loeb, Loew, Leib, Leibowicz, Leibowitz - leão.

65. Gelfand, Elephant - elefante.



quarta-feira, 6 de março de 2019

Sobrenomes judaicos - Parte 01 - sobrenomes derivados de nomes bíblicos


Sobrenomes patronímicos e matronímicos com origem em personagens bíblicos. Salientando, porém, que nem todos os sobrenomes são EXCLUSIVAMENTE judaicos.

Fonte adaptada para a língua portuguesa: Jewish Surnames Guide. NY, Pingeon Books, 2002. Também consultada: Jewish Encyclopedia. London, 1906.

Também consultados na web: 
https://en.wikipedia.org/wiki/Main_Page
https://de.wikipedia.org/wiki/Wikipedia:Hauptseite
https://pl.wikipedia.org/wiki/Wikipedia:Strona_g%C5%82%C3%B3wna
https://cs.wikipedia.org/wiki/Hlavn%C3%AD_strana
https://lt.wikipedia.org/wiki/Pagrindinis_puslapis
https://pt.wikipedia.org/wiki/Wikip%C3%A9dia:P%C3%A1gina_principal
https://es.wikipedia.org/wiki/Wikipedia:Portada
https://www.lds.org/ensign/1990/12/israelite-names-witnesses-of-deity?lang=eng
http://daten.digitale-sammlungen.de/0008/bsb00085893/images/index.html?seite=731

1. Aaron - de Aarão, irmão de Moisés, sumo-sacerdote dos hebreus, conforme o Livro do Êxodo. Variantes: Aron, Aarin, Aronbayev, Aronbayoff, Aarons, Ahrens, Aaronson, Aronov, Aronoff, Aronson, Aronovich, Aronowicz, Aronowitz, Arenstein, Arnstein, Baron, Barron, Hornstein, Horenstein, Gorenstein.

2. Abel - o segundo filho do casal primordial, Adão e Eva, morto por seu irmão, Caim. Variantes: Abelman, Abelson.

3. Abraham - de Abraão, o primeiro dos grandes patriarcas bíblicos, importante nas três principais religiões monoteístas (judaísmo, cristianismo, islamismo). Variantes: Aberke, Aberl, Aberle, Aberlein, Aberlieb, Aberlin, Abers, Aberzuss, Abrahams, Abrahamson, Abram, Abrams, Abramovitch, Abramovich, Abramowicz, Abramoff, Abramov, Abramowitz, Abramovitz, Abreska, Abromovitch, Avramides, Avramidis, Avraam, Afroemche, Afrom, Afromle, Aprahamian, Aprahamyan, Babrahams, Braham, Ebermann, Ebril.

4. Asher - de Aser, um dos filhos de Jacó, resultado de sua união com Zilpa, criada de Lia. Nomeia uma das doze tribos de Israel. Variantes: Anschel, Ansell, Anscher, Ancher, Antscher, Antschel, Ancel, Ancerl, Archer, Ascher, Asher, Asherson, Assur, Maschel.

5. Baruch - de Baruch ben Neriah, escriba do profeta Jeremias. Todavia, o vocábulo quer dizer "abençoado", por isso nem toda a família judaica homônima pode fazer menção a este personagem, mas sim ao seu significado. Variantes: Bendit, Bendict, Benedict, Beniton, Berthold, Borach, Boruch, Barouch, Barron, Brook, Bruck, Barrow, Brach.

6. Ben Yohanan - literalmente "filho de João". Variantes: Eanes, Yanez.

7. Bathsheba - de Betsabé ou Batseba, rainha-consorte de Israel, esposa do rei David, viúva de Urias. Variantes: Bashevis, Basevi, Bassevi.

8. Benjamin - o filho caçula de Jacó com sua mulher Raquel, nomeia uma das doze tribos de Israel. Variantes: Lopes, Lopez (neste caso, é importante salientar que nem todas as linhagens de Lopes ou Lopez são de ascendência judaica; os judeus adotaram como corruptela para aqueles que se consideravam descendentes da tribo de Benjamin ou de algum Benjamin), Seef, Seff, Wolf, Wolff, Wulff.

9. David - segundo rei de Israel, após Saul e pai do sucessor, Salomão. Variantes: Bendavid, David, Davidowitz, Dawydowicz, Davidovich, Davidovitch, Dawidowitsch, Davids, Davidson, Davies, Davis, Davison, Tewel, Tewele, Teweles, Tevye.

10. Eleazar - remete principalmente ao sumo-sacerdote homônimo, filho de Aarão. Variantes: Eleasser, Eleazar, Ellosor, Lasar, Lazan, Lazarus, Lazer.

11. Eliezer - homônimo de três personagens bíblicos, porém dentro da tradição judaica a tendência é que faça referência ao profeta que viveu na época do rei Josafá, rei de Judá. Variantes: Leeser, Leser, Leyser, Leiser, Löser.

12. Elijah - de Elias, o grande profeta hebreu que viveu no reino de Israel durante o reinado de Acab. Variantes: Elias, Eliasaf, Eliassof, Eliason, Elie, Elijah, Ellis, Ellison, Elisson, Elia, Eliyahu, Eli, Ilyas, Ilias.

13. Emanuel - o nome profetizado como o Messias, conforme Isaías 7:14. Variantes: Manuel, Mendel.

14. Ephraim - de Efraim, filho de José, neto de Jacó, nomeia uma das doze tribos de Israel. Variantes: Fischel, Fischl, Fishel, Fishl, Fischlin, Fraime.

15. Ezekiel - de Ezequiel, profeta bíblico durante o exílio da Babilônia. Variantes: Eheskel, Heskel, Haskil, Kaskel, Caskel.

16. Gabriel - nas religiões abraâmicas, o anjo/arcanjo que serve como mensageiro de Deus. Variantes: Gafril, Gefril, Gabrielsohn, Gabrieli.

17. Gedaliah - de Gedalias, governador nomeado para a Judeia por Nabucodonosor II após a destruição de Jerusalém no século VI a.C. Variante: Guedallz.

18. Gershon - de Gérson, nome hebraico que pode fazer tanto referência a um dos filhos de Moisés quanto a um dos filhos de Levi. Variantes: Geronymus, Gerson, Gershonson, Garson, Harris.

19. Gideon - de Gideão, juiz hebreu que libertou o povo dos midianitas. Variante: Gedide.

20. Harim - nome hebraico que significa "montanha". Variante: Harim Alon (montanha dos carvalhos).

21. Helon - de Elom, um juiz hebreu da tribo de Zebulom. Variantes: Chelon, Chêlôn, Elon, Gelin, Gelon, Holim, Khay-Ione, Holit (forma matronímica, pois este nome é o equivalente feminino).

22. Isaac - patriarca hebreu, o filho único do patriarca Abraão com Sara, também pai de Esaú e Jacó. Variantes: Eisech, Eissig, Gitzok, Ickzack, Isaac, Isaacs, Isaacson, Isaacstein, Isaakstein, Itzig, Izaaks, Hickman, Hickmann, Hitchcock, Lachman, Lachmann, Iachen, Sachs, Sack, Sacks, Sace, Sackel, Sakel, Seckel, Sichel, Zeklin, Izaak, Ihler.

23. Israel - o epíteto dado pelo Anjo do Senhor a Jacó, conforme Gênesis 32:24. Variantes: Israels, Israelson, Isril, Isserl, Isserlein, Isserles.

24. Issachar - de Issacar, filho de Jacó e Lia, nomeia uma das doze tribos de Israel. Variantes: Achsel, Axel, Bar, Baer, Barell, Barnard, Barnett, Berush, Berusch, Beer, Berlin, Bernard, Berthold, Schulter, Sachar.

25. Jacob - de Jacó, o filho de Isaac e Rebeca, também cognominado Israel. Variantes: Benjacob, Jackson, Jacob, Jacobi, Jacobs, Jacobson, Jacobus, Jacoby, Jacobí, Jakobi, Jacobeson, Jacof, Jainof, Yokelson, Jochelson, Vladimir.

26. Joel - do profeta hebreu homônimo, que também nomeia um livro do Antigo Testamento cristão. Variantes: Jool, Jolchen, Julius.

27. Jonah - de Jonas, profeta hebreu personagem do livro bíblico homônimo. Variantes: Jonas, Jonassohn, Jones, Taub, Taubmann, Taubman, Tauber, Dauber, Taube, Taubes.

28. Joseph - de José, o filho de Jacó que foi vendido por seus irmãos como escravo e mais tarde tornou-se governador no Egito. Variantes: Jees, Jessel, Jessop, Jocelyn, Josel, Jossel, Joselewicz, Joseph, Josephi, Josephs, Josephson, Joskin, Joslin, Josselson, Yoish, Yosl, Yossi, Yankel.

29. Judah - de Judá, filho de Jacó e Lia, que também nomeia uma das doze tribos de Israel. Variantes: Ben-Ari, Ben-Löb, Judah, Judel, Judelson, Judson, Idelsohn, Idelson, Judith, Leo, Leon, Leoni, Lionni, Leonte, Leontin, Leuw, Lion, Lionel, Löbel, Löblin, Leubusch, Löbusch, Löwe, Löwel, Lyon, Lyons.

30. Levi - filho de Jacó e Lia, que também nomeia a tribo de Israel responsável pelas atividades sacerdotais. Variantes: Aleuy, Elvy, Halevy, Ha-Levi, Lavey, Lavor, Lebel, Leblin, Levay, Levai, Leib, Leopold, Leve, Levene, Levenson, Levi, Levie, Levien, Levin, Levine, Levinsky, Levinsohn, Levison, Levit, Levy, Lewey, Lewi, Lewin, Lewinski, Lewinsky, Lewinson, Lewis, Löb, Löbl, Löbel, Loew, Loewe, Loewi, Louissohn, Lovy, Low, Löwy, Lowy, Levinson, Benlevi.

31. Manasseh - filho de José, neto de Jacó, que também nomeia uma das doze tribos de Israel. Variantes: Manasse, Mannes, Menasci, Mones, Meneses, Menezes, Moltow, Monasch, Menashe.

32. Mordecai - de Mardoqueu ou Mordecai, personagem bíblico com destaque no Livro de Ester. Variantes: Marcus, Marx, Mordchen, Mordkin.

33. Menahem - nome de um dos reis de Israel, no período pós-divisão. Variantes: Man, Mandl, Manin, Mann, Mendel, Mendelson, Mendelssohn, Mendl, Menke, Menken, Mencken, Minkin, Menkin, Menlin, Menzel, Monitz, Monnish, Moniuszko, Minkovsky, Minkowski.

34. Moses - de Moisés, o líder hebreu que conduziu o êxodo dos israelitas do Egito para a Palestina. Variantes: Mausche, Mauss, Marcel, Moise, Moiseev, Moiseiwitsch, Moritz, Mosche, Moslew, Mosessohn, Mosesson, Moskin, Moss, Mosse, Mossel, Movsesian, Movsesyan, Musheyev, Mosheyev, Moisieyev.

35. Naftali - filho de Jacó, nomeia uma das doze tribos de Israel. Variantes: Cerf, Harris, Harrison, Hart, Herschell, Hershkovitz, Hertz, Hertzlein, Hertzen, Hertzl, Herz, Herzl, Hirsch, Hirschel, Hirschkovitsch, Huzka, Huszka, Zewi, Naftalin.

36. Nathan - profeta hebreu, filho de Atai, durante os reinados de Davi e Salomão em Israel. Variantes: Nathanson, Matan.

37. Reuven - de Rubem, o primogênito de Jacó, que também nomeia uma das doze tribos de Israel. Variantes: Rubin, Rubinstein, Ruebens.

38. Samson - de Sansão, o juiz hebreu traído por Dalila. Variante: Sampson.

39. Samuel - grande profeta hebreu que ungiu Saul e David como reis, também nomeia dois livros bíblicos do Antigo Testamento cristão. Variantes: Samuels, Samuelson, Sanders, Saunders, Sender, Sanvel, Sanville, Sanwil, Saville, Schmuel, Zangwill, Shinwell.

40. Simeon - no caso judaico faz referência a Simão Macabeu, que tomou parte na revolta judaica contra o Império Selêucida no século II a.C. Variantes: Shimeon, Simmel, Schimmel, Simon, Schimme, Schima, Schimchen, Simpson, Simonson.

41. Solomon - de Salomão, o terceiro rei de Israel, filho de Davi. Variantes: Salaman, Salman, Salmen, Salmon, Salmuth, Salom, Salome, Salomin, Salomone, Salomons, Schlemel, Schlome, Shlomo, Szlomowicz, Schlomowitz, Schlomowitsch, Shlomovich, Shlomovitch, Sloman, Slowman, Solomons, Suleiman.

42. Yohanan - do nome bíblico homônimo, mas a referência não é a algum personagem bíblico cristão, pois o nome era de uso comum entre os israelitas da Antiguidade. Variantes: Hans, Yochanan, Johns.

43. Zachariah - de Zacarias, profeta hebreu. Variante: Zacharias.

44. Alon - carvalho. Variante: Ilan.

45. Bavli - Babilônia.

46. Frug - do personagem bíblico homônimo, bisavô de Abraão. Variante: Frog.



terça-feira, 5 de março de 2019

Histórico do Município de Flores da Cunha/RS


"Em 1877, chegaram ao atual município de Flores da Cunha, 30 famílias das regiões do Vêneto, Piemonte e Lombardia. Pouco depois, em 1878, vieram outras famílias, principalmente, da região do Vêneto.

O Engenheiro Diogo dos Santos, vindo do Rio de Janeiro, demarcou as primeiras colônias. Fundaram-se dois povoados de ranchos cobertos de cascas de pinheiro. Um, o de São Pedro, no qual hoje é a cidade, sede do Município. O outro, o de São José, a 1 km à leste. Alguns anos mais tarde, os habitantes de São José mudaram-se para São Pedro e extinguiram aquele povoado, em virtude da falta da água. Aumentada, assim a Capela de São Pedro, os habitantes entusiasmaram-se e quiseram dar a esse pedacinho de pátria adotiva o nome tirado da pátria mãe. Aí começou a discórdia. Os tiroleses queriam que fosse Nova Tirol; os cremoneses preferiam que se chamasse Nova Cremona, assim por diante. Um dia Cisto Rosseto, colono de certa cultura e por isso exercia influência sobre os demais, propôs ao Engenheiro Diogo dos Santos, o nome mediador de Nova Trento. Na manhã seguinte, sem que o povo fosse consultado, apareceu pendurado no pinheiro mais alto da praça uma enorme tábua de 4 metros de comprimento com o nome de NOVA TRENTO, escrito a carvão.

Quando Caxias - Campo dos Bugres - 1890 passou a ser Município, e foi subdividido em distritos, Nova Trento foi seu segundo distrito.

Por Decreto Estadual no. 3320 de 17 de Maio de 1924, assinado por Borges de Medeiros e Protásio Alves, foi criado o Município, tendo por sede a Vila de Nova Trento e por segundo e terceiro distritos, os povoados de Nova Pádua e Otávio Rocha, respectivamente. Em 21 de dezembro de 1935, por Decreto no. 12, do Governo Municipal, foi substituída a denominação de Nova Trento para FLORES DA CUNHA. Em 1o. de Janeiro de 1939 a sede Flores da Cunha foi elevada a categoria de cidade e os seus distritos de Nova Pádua e Otávio Rocha foram elevados a categoria de Vilas, segundo o dispositivo da Lei Orgânica Federal no. 311 de Março de 1938.

No dia 13 de Maio de 1990 a Comunidade de Mato Perso que pertencia ao 3o. distrito de Otávio Rocha passou a ser o 4o. distrito de Flores da Cunha. E o 2o. distrito de Nova Pádua em 15/11/1991 promoveu o plebiscito emancipatório e tendo o "SIM" vencido, instalou-se o município de Nova Pádua em 20/03/1992."

Fonte: ATLÂNTICO (RS), 30 de Novembro de 1998, pág. 04

segunda-feira, 4 de março de 2019

As pulperías


"Pulpería é um nome confuso, inclusive se sucumbimos ao costume de buscar a origem das palavras. Tenda onde se vendem pulpas [nota nossa: polpas], comércio de pulpos [nota nossa: lugar onde se vendem produtos de primeira necessidade], uma derivação das pulquerías mexicanas [nota nossa: no México, o mesmo que botequim] ou simples deformação das abacerías espanholas [nota nossa: comércio que vende legumes, azeite, bacalhau, etc., comum na Espanha de outrora], são algumas das definições que tomam de assalto o investigador ávido para dar forma ao que se desvanece a cada indício.

Nas pulperías havia de tudo, mas também quase nada. Isto dependia da oferta dos produtos, da ênfase que cada um pusera na forma de cumprimentar o pulpero [nota nossa: o dono da pulpería], ou da soma de dinheiro que se tinha na mão. A ordem da pulpería, igual ao da memória, se alimentava de recordações e esquecimentos que o pulpero manejava de forma magistral.

Centro de sociabilidade por excelência, a pulpería foi, mais que o espaço ideal da revolução - entendida esta como um movimento letrado orgânico que produz códigos e constituições - o espaço da revolta, de espasmos entrecortados que traziam consigo resplendores de esperança na Venezuela do período entre 1750 e 1850.

Na pulpería se podia falar muito, mas também tinha-se que saber falar, e nada melhor que o pulpero para controlar as conversas. Assim, este personagem se move entre os rumores que o situam como ladrão e salvador da vez, como o homem que em determinado momento pode defender o mais pobre e que também sabe cobrar os favores de um oportuno 'fiado'.

Embora a pulpería não foi o âmbito de um utopia igualitária, se constituiu num micro espaço em que 'uma plebe inquieta elaborava a síntese de suas cores', como sustenta Ramón Díaz Sánchez."

Fonte livremente traduzida do original em espanhol de: ZAMORA 200, 08 de Fevereiro de 2017, pág. 01

domingo, 3 de março de 2019

Rio Grande em 1849


"UM GOLPE DE VISTA SOBRE ESTA CIDADE.

Haverá quatro para cinco annos tem esta cidade, soffrido algumas mudanças que longe de a prejudicarem, pelo contrario lhe tem dado um outro aspecto mais brilhante e mais condigno com o seu commercio e população.

Sentimos um indisivel prazer, todas as vezes que vemos irem-se consumindo esses enormes comoros de areia, que além de impedirem um terreno que podera ser aproveitado, incommodão os habitantes, quando sopra uma brisa forte e tempestuosa.

O tempo ajadado das humanas fadigas, consumirá de todos esses colossos que tornão esta cidade tão insipida, e poderemos espalhar as vistas sem perigo de termos um obstaculo que occulte as planicies que almejamos encontrar.

Já possuimos alguns edificios bons, situados em uma praça que vae proporcionalmente embeilecendo com a sua eddificação. A praça municipal é sem duvida, a melhor cousa que possuimos e que dá algum valor a esta cidade, ainda não ha muitos annos despida de bons predios e inteiramente defeituosa. A alfandega encerra uma bella peça de obra; o interior desse edificio é vasto. As differentes repartições bem divididas; a maior parte dellas independentes, de modo que não ha receio de confusão, como se observa em muitas alfândegas, onde por falta de um bom combinado delineamento perigão muitas vezes a boa ordem e andamento das differentes repartições. A nossa alfandega não sendo um daquelles edificios gothicos, que só serve de magnificencia aos grandes, é não obstante magestoso e solida, de modo resistir ás intemperies do tempo.

Ao lado da alfandega podemos ver o edificio que serve para as reuniões commerciaes desta praça, que não deixa de ser elegante e assás espaçoso para o fim que moveu a sua edificação. A sala principal é boa, e offerece ás commodidade para o concurso que por ventura ahi afflúa. Tem mais algumas salas independentes e commodas para effeitos aproveitaveis.

No meio da praça apercebe-se um passadiço de pedra que conduz ao mercado, ornado com algumas pilastras que realmente realção e embellesão o lugar; circundão esse passadiço bancos de pedra, que são bem uteis muito principalmente na estação calmosa em que se torna necessario um refrigerio. É lástima porém, que o material de que são compostas as pilastras não seja mais consistente para poder resistir ao tempo.

Entra-se no mercado, que vai gradualmente augmentando, e adoptando aquella boa ordem, estabelecida em todos os mercados europeos; já não se vê reinar como outr'ora a confusão, que tornava daquella praça mais um mercado de marchantes, do que um lugar destinado para as vendedeiras de fructas e hortaliças. Tem-se escrupulisado bastante na limpesa, ponto essencial que sempre estabelece uma idéa boa ou ruim da administração que o dirige. Os açougues hoje conservão mais aceio, e já não se vê comparativamente a outros tempos, as portadas salpicadas e besuntadas de sangue de carne pendurada, que impedião muitas vezes a entrada ao comprador, infundindo-lhe o receio de sujar as vestes nessa materia chamariz das moscas.

Estamos convencidos dos progressos que tem feito a praça do mercado, e estamos tambem convencidos de que se a presente administração continuar incansavel em seus trabalhos em pouco tempo essa praça ha de apresentar uma perspectiva brilhante, e serviu de recreio, como já vae servindo, a todos aquelles que queirão distrahir-se em passeios.

Notamos porém neste edificio dois defeitos, que remediados muitos realçarião a nossa praça do mercado. O primeiro ser elle um pouco baixo, defeito este que o torna acanhado, na posição que occupa. O segundo o ser o interior pouco vasto, para a população desta cidade.

Á direita da praça do mercado, está situado o edificio que tem de servir para a camara municipal e audiencias, etc. O plano deste edificio é delicado. A sua fachada assás elegante, as janellas arcadas, o seu portico, as frisas que avultão por baixo da cimalha, bem demonstrão que os obreiros que em tal obra se empregão, comprehendem as finas proporções que se dilatão na architectura.

A sala destinada para as reuniões da camara é bella e espaçosa, e logo que forem concluidas as obras que ainda se achão entre mãos, hade indubitavelmente ser uma das peças do edificio mais magnifica.

A sala que dizem destinada para as reunioes do jury é mais pequena do que a que acabámos de descrever. Não deixa de ser elegante e airosa.

Abstemo-nos de elogiar as demais divisões do edificio; só diremos que merecem ellas os nossos elogios.

A Matriz desta cidade erecta em um tempo, em que ainda quasi nenhuns edificios apparecião nesta cidade, devia necessariamente no futuro apresentar muitos defeitos. Hoje que a cidade do Rio Grande está mais augmentada, que ha mais concurrencia de estrangeiros, e por conseguinte mais população, offerece este templo diminutas proporções. Podia elle ser magnifico sem a dependencia de outro que lhe corta toda a extensão que podera ter. Se com effeito se obtivesse a trasladação da igreja de S. Francisco para outro qualquer ponto da cidade, ficando então aquella de posse do terreno devoluto, não podia por ventura ficar mais augmentada a matriz, um dos edificios que tanto atrahe as vistas do estrangeiro? - Tirar-se-hia deste augmento ainda uma vantagem, qual fosse a de situar o templo com a frente para uma praça publica, onde soffreria menos a inclemencia dos ventos que impellem a areia dos Comoros que lhe ficão fronteiros.

Tem apparecido algumas ideias, sobre a trasladação da matriz para a Praça da geribanda, mas taes ideias não podem fortificar-se, attenta uma melhor posição qual seja a da praça Municipal, mais frequentada, e onde figurão melhores edificios.

Sem duvida que muito aproveitaria a matriz com esta mudança; mas estamos certos de que ao decorrer do tempo, esta nossa ideia hade ser apoiada.

A cadeia, é um dos edificios sobre o qual desejavamos mais extensivamente lançar as vistas, mas tanto della se tem fallado, já na tribuna provincial, já mesmo nas sessões de jury que nos abstemos de fazer longos commentarios.

Entristece-nos por sem duvida a perspectiva que apresenta este edificio e suas hediondas paredes, e ainda mais nos entristece a lembrança da desditosa collisão em que se achão alguns presos, a quem ainda por ventura possão restar sentimentos nobres, e cuja posição decente requer certas attenções, que por modo algum podem ter lugar todas as vezes que não haja em tal edificio as commodidades, isto é as divisões competentes, que afastão os grandes dos pequenos crimes. De facto, é duplicada a pena, quando somos constrangidos a tratar com outros cujos cries são em maior escala, pois que para estes já é difficil o arrependimento, por já estarem avesados a trilhar uma senda torpe, em quanto que aquelles são ainda susceptiveis de emenda, e abrem seu coração ás suaves revelações da consciencia.

Oxalá que não passe desapercebida a intenção de edificar uma nova cadeia; essa é talvez uma das necessidades mais urgentes que se faz sentira nesta cidade afim de que o estrangeiro não faça uma opinião desfavoravel da nossa civilisação.

Não proseguimos em nossa analyse, pois cremos haver tocado em todos aquelles edificios que mais interessão este lugar. Evultaremos, se as ideias que vimos de laborar, produzirem algum effeito em abono desta cidade."

Fonte: O RIO-GRANDENSE (RS), 29 de Novembro de 1849, pág. 02, col. 03-04, pág. 03, col. 01

sábado, 2 de março de 2019

Afonso Pena em Pelotas em 1906


"Affonso Pena no Sul
MANIFESTAÇÕES AO CHEFE

O nosso desenvolvido serviço telegraphico já noticiou, sabbado, o que de mais importante occorreu em Pelotas e Rio Grande sob a visita dos drs. Affonso Penna e Borges de Medeiros áquellas cidades.

A viagem desta capital, para o sul do Estado foi regular, tendo o vapor fundeado algum tempo devido ao temporal que caiu e por isso chegado a Pelotas só depois de 2 horas da tarde.

Por occasião da passagem do Florianopolis para o Mercedes, na barra de Pelotas, este atracou rapidamente áquelle, tendo o dr. Affonso Penna felicitado o commandante Gadret pela precisão da manobra.

No porto de Pelotas estava a população daquella cidade, em peso, aguardando o desembarque.

Na barra daquella cidade, do edificio da conservação do porto, foi solta uma grande gyrandola de foguetes de dynamite.

O dr. Affonso Penna conservou-se de binoculo na mão, analysando as margens do rio e as xarqueadas.

Na altura da xarqueada Alfredo Braga estava uma flotilha de rebocadores, gigs, barcos-escolas do Club Sportivo com socios uniformisados, que aguardavam a passagem do Mercedes, tendo comboiado o vapor até á cidade.

Num rebocador especial vinham o major Gonçalves de Almeida, director do Diario Popular, e dr. Boloto, que tomaram conta dos jornalistas da comitiva.

Um esquadrão da União Gaucha, com o respectivo estandarte, esperava a passagem do vapor na xarqueada Pedro Osorio, tendo dado estrepitosos vivas ao dr. Affonso Penna, ao frontear o Mercedes. 

Fundeado o vapor, atracou a elle o escaler da capitania do porto no qual vinha o capitão-tenente Raphael Brusque, e outro conduzindo o vice-presidente do Estado, o intendente de Pelotas e o presidente do conselho municipal.

Em outro escaler vinham o dr. Cassiano do Nascimento e conselheiro Francisco Maciel.

Os drs. Affonso Penna e Borges de Medeiros desembarcaram em escaler, em companhia do coronel Pedro Osorio, dr. Cypriano Barcellos e capitão-tenente Raphael Brusque.

Ao pisarem no caes foram erguidos vivas aos drs. Penna e Borges de Medeiros, seguindo todos a pé até o edificio da mesa de rendas federaes, onde tomaram os carros que eram em grande numero, todos os existentes em Pelotas.

No caes tocavam tres bandas de musica.

Em bondes especiaes estavam os collegios devidamente uniformisados.

Os alumnos eram em numero aproximado a 600, tendo faixas distinctivas com as cores da bandeira republicana.

Tomaram conta da organisação das aulas os professores Bernardo Figueira Filho e Romeu Irusen.

No porto estavam tambem praças da Brigada Militar do destacamento ali aquartellado.

O carro do dr. Affonso Penna era escoltado por um piquete de policia administrativa, apresentando bonito aspecto.

A commissão de recepção no porto era composta do capitão-tenente Raphael Brusque, Delfino Resende, Delfino Costa, drs. Hypolito Boleto e Emílio Leão.

O prestito começou a desfilar pelas ruas Benjamin Constant e era bellissimo.

Todos os carros de Pelotas nelle formavam, conduzindo as comitivas dos presidentes e pessoas graudas da localidade.

Ás janellas dos predios affluiam senhoras e moças, dando um alegre aspecto á recepção.

Muita gente foi a pé para a cidade, que fica a regular distancia.

Outros que quizeram tomar carros pagaram 50 e 60$000 pela conducção.

Nas ruas estavam erguidos arcos e a de 15 de Novembro apresentava o aspecto de uma avenida pela disposição da ornamentação.

No primeiro carro iamo os drs. Affonso Penna e Borges de Medeiros.

No segundo tomaram passagem o vice-presidente do Estado e o general Godolphim.

Ambos eram escoltados por praças da policia administrativa.

O prestito parou ao edificio da intendencia.

A commissão de recepção na intendencia era composta dos seguintes cavalheiros: dr. João Jacintho de Mendonça, dr. Joaquim Augusto de Assumpção, commendador A.P. Rego Magalhães, Carlos Ritter, dr. João Py Crespo, coronel Manoel Simões Lopes, coronel Luiz Carlos Massaud, dr. Manoel Luiz Osório, capitão Augusto Leão Pinheiro, dr. Joaquim da Costa Leite, coronel Manoel Soares da Silva, José Ignacio do Amaral, capitão Joãos Simões Lopes Neto e dr. Francisco Luiz Osorio.

A commissão da cidade, encarregada da formação do prestito da Intendencia ao Club Caixeiral, compunha-se do dr. José Chaves, Emilio Nunes, dr. Nunes Vieira, capitão Pedro Lourival, drs. Edmundo Berchon, Frederico Bastos e Joaquim Luiz Osorio, Baldomero Trapaga y Zorrilla e Lucio Lopes dos Santos Sobrinho.

Ahi o dr. Affonso Penna e mais pessoas presentes subiram ao palacio municipal, sendo feita a saudação pelo dr. Cypriano Barcellos, intendente de Pelotas.

Foi-lhes offerecido, então, um artistico ramalhete com as chaves da cidade, ceremonia usada em paizes extrangeiros.

Dahi o dr. Penna seguiu a visitar a Bibliotheca Publica e a Santa Casa de Misericordia, tendo admirado os dois estabelecimentos.

Nesta s.ex. elogiou a sala de operações, que é excellentemente installada.

Os sinos repicaram festivamente á chegada de s.ex. na Santa Casa.

Dahi o dr. Penna veio para o Club Caixeiral, onde lhe foi offerecido um sumptuoso banquete, pelo municipio.

O aspecto do local, a praça da Republica, era excepcional e o povo que se apinhava em frente ao edificio do club constituia uma verdadeira multidão.

Ao chegar o dr. Affonso Penna, os nossos collegas do Diario Popular fizeram-lhe significativa homenagem, entregando-lhe, em quadro, a primeira pagina do jornal impressa em setim e tendo o retrato do presidente eleito envolto na bandeira mineira que foi hasteada na frente do Diario durante o dia.

Logo após, começou o banquete.

O edificio do Club Caixeiral é um palacio, tendo custado 180 contos e sido feito a expensas da classe.

Referindo-se ao salão do banquete, havia dito o Diario Popular:

<<É bellissimo o salão nobre, cognominado Salão Belmondy, onde terá logar o banquete.

A sua architectura é magestosa, magestosas são as alteroas columnas, encimadas por lindos capiteis, de que destacam-se em relevo emblemas do commercio.

O forro do salão é todo de aço, esmaltado de branco, com filetes roseos e dourados.

Do teto pendem quatro artisticos lustres de bronze, a gaz corrente, e cinco luzes duplas.

Adaptadas ás paredes ha mais seis arandelas do mesmo metal.

Ha ainda quatro grandes e lindos lampeões-estatuetas, de bronze, em pedestal de alvenaria.

Encrustados em uma das paredes lateraes, vêm-se dois enormes espelhos de crystal bisauté, circumdados de artistica moldura de cantaria e gesso.

O salão tem quatro escadas, que dão para a rua General Victorino.

Nas tribunas que deitam para o salão e onde tocará a orchestra de professores, regida pelo maestro Cavalcanti, nota-se uma tela a oleo, do pintor Litran, do grande bemfeitor e querido membro do Club Caixeiral, major Eugenio Belmondy.

A ornamentação de flores é surprehendente, de extraordinario e encantador effeito, embora a sra. d. Maria Izabel Lopes Barcellos, encarregada da ornamentação, lutasse com grandes dificuldades para conseguir flores, que nesta época são raras.

Ainda assim, alcançou a habil florista confeccionar trinta corbeilles, que revelam aprimorado gosto.

Ao fundo do salão, no logar de honra, avulta magestoso tropheu de bandeiras e do centro do qual ressaltam duas grandes letras - A.P., em fragrantes flores.

Em toda a volta da toalha adamascada, que cobre a ampla mesa do banquete, vê-se delicada guirlanda de hera, em graciosas curvas.

A mesa era sumptuosa, em fórma de A. do comprimento de 14 metros.

A base do A era de 8 1/2 metros e o cabeço de 4.

Havia 122 logares dispostos na mesa, sendo esta coberta com baixella nobre de crystaes e prata e cheia de artisticos ramalhetes.

No travessão do A havia duas estatuas de bronze e por sobre todo elle lindas fructeiras e doceiras repletas.

Os guardanapos eram armados em fórma de cysne.

Cada logar era assignalado pelo nome da pessoa que o devia occupar, impresso em cartão amnexo ao cardapio.

O banquete foi servido pelo Hotel Alliança.

Às 4 horas da tarde este começou.

Sentavam-se no cabeço do A os drs. Affonso Penna, Borges de Medeiros, general Godolphim, dr. Cassiano do Nascimento, coronel Pedro Osorio, dr. Cypriano Barcellos e capitão Guilherme Echenique.

Dos lados ostentavam-se os outros convidados e pessoas gradas da localidade.

O cardapio era o seguinte:

BANQUETE OFFERECIDO PELO MUNICIPIO DE PELOTAS AO EXMO. SR. DR. AFFONSO A. M. PENNA, PRESIDENTE ELEITO DA REPUBLICA, EM 17-8-1906. - Menu: Potage, créme votaille; mayonnaise de saumon; vol-au-vent à la reine; galantine de canard; cotelletes panées à la belle-vue; dindon farci à la rio-grandense; tournedos truffé à la parisienne; asparges au beurre; desserts à la mode de Pelotas; fruits de saison, café, liqueurs; vins: Xérez, Collares, Blanc, Chateau-Bordieu, Borgone, Champagne-Clicquot.

Este cardapio tinha no canto as armas do Rio Grande e era impresso com lettras douradas.

Em logar apropriado, onde ensaia a banda do Club Caixeiral, uma orchestra dirigida pelo maestro Cavalcanti executou o seguinte:

Programma do concerto - Hymno nacional - 1a. Keler Bella - Lustspiel - ouverture, 2o. Waldteufel - Mon Rève - walze, 3o. G. Verdi - Rigoleto Potpourri, 4o. G. Mariani - Rosa delle Alpi - mazurka, 5o. G. Puccini - La Bohême - fantasia de E. Cavalcanti, 6o. Pirani - Flora - polka, 7o. C. Gomes - Condor - preludio, acto 3o. (Notturno), 8o. Leoncavallo - Il Pagliacci - fantasia de E. Cavalcanti, 9o. Waldteufel - Berceuse - walzer, 10o. A. Boito - Mefistofele - Centone, 11o. Donizetti - Lucia di Lammermoor - Potpourri, 12o. J. Bayer - Hoch Wien - marcha, hymno nacional.

Nessa especie de tribuna achavam-se exmas. familias, entre as quaes d. Cecilia Osorio, esposa do coronel Pedro Osorio, acompanhando d. Carlina de Medeiros, esposa do dr. Borges de Medeiros.

A commissão do banquete era a seguinte:

Coronel vice-presidente do Estado, intendente e vice-intendente municipal, dr. Cassiano do Nascimento, dr. Bruno Chaves, capitão Alfredo José Rodrigues de Araujo, presidente do conselho, e dr. Joaquim Luiz Osorio.

Servido o quarto prato, devido ao adeantado da hora, o dr. Affonso Penna foi saudado pelo dr. Cassiano do Nascimento, deputado federal.

Respondeu o dr. Affonso Penna em rapidas palavras, bebendo á saude do povo de Pelotas.

O dr. Borges de Medeiros fez o brinde de honra ao dr. Rodrigues Alves, presidente da Republica.

O dr. Affonso Penna retirou-se logo, ficando em meio o banquete.

S.ex. pediu desculpas, mas tinha pouco tempo e desejava sair no dia seguinte a barra.

Fez uma visita particular á familia do conselheiro Maciel e em seguida foi no Club Commercial, onde foi saudado pelo sr. Emilio Nunes, respondendo o dr. Penna, fazendo votos pela prosperidade do club e da classe commercial.

Dali s.ex. dirigiu-se para a estação da estrada de ferro, onde devia tomar o trem para o Rio Grande.

Na passagem pelo 29o. batalhão formou a guarda e a officialidade, que já havia estado no porto, em segundo uniforme, para cumprimentar s.ex.

Na estação foi o presidente eleito recebido pelos drs. Octacilio Pereira, Lassance Cunha e Alfredo Avila, da administração e fiscalisação da viação ferrea.

Era enorme a multidão que aguardava ali os drs. Penna e Borges de Medeiros, entre a qual muitas exmas. familias e moças de Pelotas.

A estação estava ornamentada com muito gosto.

Ás 6 horas mais ou menos o trem dava apito de partida, movendo-se logo em seguida lentamente o comboio, por entre vivas aos drs. Borges de Medeiros e Affonso Penna, tocando as bandas de musica.

A multidão premia-se na estação e o trem teve que caminhar muito devagar para evitar algum desastre.

Incorporaram-se á commitiva republicanos e amigos de Pelotas, entre os quaes o vice-presidente do Estado, e aos jornalistas que daqui partiram o nosso collega Florentino Paradeda, talentoso redactor do Diario Popular."

Fonte: A FEDERAÇÃO (RS), 20 de agosto de 1906, pág. 01, col. 04-05


Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...