quarta-feira, 2 de janeiro de 2019

A fruticultura no sul do estado do Rio Grande do Sul em 1909


"COMMERCIO DE FRUCTAS

A proposito das linhas que, recentemente publicamos, com relação ao elevados preços - mais que elevados, escandalosos - por que no mercado de Porto Alegre, se vendem as fructas e as passas de fructas originarias do Estado, recebemos de Pelotas a extensa carta que abaixo reproduzimos, em todos os seus detalhes:

<<Illustre sr. redactor da Federação - Porto Alegre.

Foi ha dias a proposito das viagens do vapor Salacia destinado ao transporte de peixe, fructas e legumes, publicado nesse jornal um escripto sobre o commercio de fructas, com considerações que exigem informações, que podem dar pessôas mettidas em chacaras, como eu.

Não alcancei o tempo em que, como refere o escripto, <a nossa producção de laranjas, uvas, maçãs, peras, melancias e melões, não só abastecia fartamente o Estado, como ainda chegava para exportar para o RIo em grande escala, originariamente, e sob a fórma de conservas e doces, que tinham ali alta cotação e davam resultados renumerativos>.

Modernamente testemunho: o mercado de Pelotas, e certamente todos os do sul do Estado, são dessas fructas e de outras mais como ameixas, marmellos, kakis e pecegos verdadeiramente inundados com enjôo da população, que farta e aborrecida de tanta fructa, já não quer nem vel-a, quanto mais compral-a!

Alguns chacareiros não sabendo como tirar proveito de tamanha producção, tractaram de experimentar a industria de compotas, passas, e semelhantes. Não encontrando procura, por sua conta expediram para o norte a consignação.

O resultado que tiveram, não os aconselhou a persistirem na experiencia. São poucos os que continuam esse fabrico, sujeitando-se com resignação a todos os seus precalços, porque não podem se livrar das chacaras, e são constrangidos e envidar esforços a vêr se conseguem costeal-as á custa dellas. Até agora os resultados não são de encorajar ninguem.

A produção de pecegos deste ano póde se até classificar aqui em Pelotas como uma calamidade que a tanto pobre cultivador prejudicou, fazendo perder pelas ruas da cidade pelo menos o tempo que podia descançar percorrendo-a de norte a sul, de leste a oeste, com a carreta carregada de fructas, sob os rigores do sol no mormaço do verão, com os bois despilhados nas pedras do calçamento ou os caballos abombados do pezo que arrastaram pelos deslives e repechos da serra, não encontrando na praça quem por qualquer preço lhes quizesse os pecegos.

Felizes foram muitos que puderam obter 200 réis pelo cento. Outros para mais leves voltarem á casa tiveram de varejar ao Santa Bárbara a carga incommodativa. Na estação do Capão do Leão, crivada de chacaras, todos os veranistas viram debaixo dos pecegueiros a fructa estivada, apodrecendo ao sol, porque nem valia a pena juntal-a para a dar a porcos.

Não resta duvida que a nossa laranja não póde competir com a do Rio ou a da Bahia, nem como a de nenhum outro Estado do Norte, a partir já de Santa Catharina: porém a culpa é mais da naturesa do terreno e do clima, que do cultivador, que quem lida com elle vê: esforça-se por conseguir genero apresentavel.

Pelos mesmos motivos a competencia com o Rio da Prata, extraordinariamente favorecido por condições naturaes, tem se de reconhecer difficil se não se quizer confessar impossivel.

Outro topico diz: <<O pecego, que era tambem fructa abundantissima entre nós e da qual hoje só se veem raros exemplares, custa convertido em conservas seccas 8$000 e 10$000 o kilo, e em calda 1$200 em latas de seis ou oito pedacinhos homeopathicos>>.

Penso dizer mesmo que entre outros, a <<Quinta Bom Retiro>> aqui estabelecida, tem introduzido e disseminado todas as novidades já obtidas e que se vão se conseguindo nos centros productores, e que muitas já aclimadas, estão em franca producção: não deverei occultar porém, que todos, inclusive os proprietarios daquella quinta, só trabalham em pura perda, e botam fóra ali, o dinheiro ganho no exercicio de outro ramo de actividade mais remuneradora.

A pasa que, pelo que com surpresa li, vale ahi de 8 a 10$000 rs., com difficuldade aqui consegue ser vendida a 2$000 o kilo, por gente, que preparando-a com todo o capricho no lugar denominado Santo Amor, perde dias pelas ruas desta cidade offerecendo-a de porta em porta com toda a humildade, de quem anda mendigando.

A tal compota se comporta ainda peior: é quasi repellida a páo.

Quando o dono não se decide a comel-a, empurra para longe a um commissario que seincumbe em alguma das praças do Norte de vendel-a aos melhores preços que possa alcançar. 

Às cançadas surde, quando já nem mais se pensa, uma conta de venda em que foi cotada a 500 réis a lata.

Não foi máo o preço para 8 ou 10 pedacinhos homeopathicos!

No emtanto muitos productores ha, cujos nomes não vêm no cazo, que resabiados da especulação, retiraram-se ás encolhas, e contemplam agora touradas de palanque.

Desanimaram por preguiça?

Vejamos.

Para fazer a compota, deixando o industrial de parte, que muita cousa consegue quasi de graça, o chacareiro que não obteve cotação para a fructa, trata de arrumar uma pequena installação. Torna-se-lhe preciso adquirir tachos para calda, baldes para agua, vasilhas para pôr a fructa de molho, taboleiros, panellão a proposito com correntes de suspensão para banho-maria, machina de descarcar e de descaroçar e ainda muita ferramenta miuda.

Na acquisição da fructa não pensa porque é justamente o que elle tem barato, porque não vale nada, nem o trabalho de leval-a ao mercado, - está em casa com a agua do arroio da Cacimba. Se não tem matto abundante, como succede, ha que comprar lenha ou carvão para o fogo que por muitos dias atiça desde a manhã até a noite. De assucartem de fazer ampla provisão pelos amaveis preços que os armazeneiros lhe impõem.

É só trabalhar agora. Então para colher a fructa, carregal-a para a modesta fabrica, estendel-a, descascal-a, descaroçal-a, partil-a, mettel-a na lata, cobril-a de calda, soldar latas, dar o banho-maria, retirar as latas da agua, pôl-as a refrescar, recolhel-as a deposito, é indispensavel tomar algum empregado, que não dispensa salario. Está o fabricante em época de pleno dispendio.

E não dispende só nisso. A lata que lhe custava 120 rs. cada uma, ainda agora lhe custa 90 e quando Deus quer, e o funileiro acorda, 100 réis, a solda inclusive serviço do soldador 40 réis, o rotulo 30 réis, o sello 50 réis, a caixa para cem latas 2$400, o papel para forrar a caixa e embrulhar cada lata de 5$000 a 8$000, a resma, conforme é mas ou menos fino.

A despesa continúa. Quer embarcar, paga corretos para o porto, paga o despacho e paga o despachante, paga imposto de exportação, paga o frete ao vapor e ainda no porto de desembarque até a cada do commissario, mais graudos que os de cá.

Além da fructa que representa trabalho e esforço em producção sem valor, cada lata contem tambem o assucar que custou bons vintens. No Rio, em S. Paulo, onde quer que consegue vender a razão de 60$000 a caixa, como é vulgar succeder, ainda tem commissão de venda a pagar no consignatario e de passe do dinheiro apurado, julgando-se feliz se não lhe descobriram outras despezas a fazer por lá.

Se apurou para o assucar, latas, soldas, piães, carretos e fretes, despachos e impostos, rotulos, sellos e encaixotamento e commissões, já teve sorte, conta-se feliz.

Alguns ha, que foram uma vez a Cascaes e nunca mais!

Meditam o escripto que me occupa e leem com enlevo o periodo: <<Não  ha perspectiva mais risonha>>.

Se o taverneiro vende a compota a 1$200 a lata, segue-se que ella deixa apreciavel lucro, que na forma do costume, ao productor não toca. Nós, como famulos do commercio que somos, continuamos a trabalhar exclusivamente para elle, neste como em qualquer outro, abundando a offerta sem haver a minima procura, e impossibilitada a venda directa, atulhados aqui os depositos, com todas as sahidas fechadas.

Se o consumidor pudesse comprar ao productor, sem a ganancia dos intermediarios de permeio, se o assucar, a lata, a solda, o rotulo, a caixa, o fisco, não andassem todos pela hora da morte, esta industria quitandeira poderia ainda animar-se e dar valor á terra, fraca para a criação bovina, que é ainda fóra do commercio, a unica cousa que serve.

Então vendendo bem barato, talvez encontrasse sahida para a producção, e um lucro razoavel animalo-ia a trabalhar em mais vasta escala, certo como ia de que não empregava esforço em pura perda.

É certo que ha fabricas, aqui e no Rio Grande que adquirem, que consomem a rastros de barato, uma parte da producção pomologica destes arredores: mas se ellas enriquecem a dois ou mais individuos, os que as abastecem do resultado do seu trabalho, tão escasso proveito tiram, que não chegaram a poder trocar o tamanco pela botina nos dias de festa. A camisa ainda é de riscado que compram.

Estas informações que julguei dever prestar-lhe, porque ouvida bocca de modesto cultivador, o digno redactor, pela esphera da sociedade que frequenta a convivencia mundana que mantem, não está habituado a receber, alongam-se por demais e devo terminar. Peço-lhe desculpa do precioso tempo que roubei-lhe com esta importunação e despeço-me, desejando todas as venturas e prosperidades de que é digno.

21 de 10bro.909. - Do co-relo.amar.sinco. - A. Costa>>.

Alegra-nos, sobremodo, que as palavras da Federação tenham encontrado echo em pessoa, que, pela maneira como discute a questão, parece ser nella muito entendida.

É isso signal de que o assumpto reveste interesse publico e pode ser encaminhado para uma solução que a todos satisfaça.

Antes de mais nada, devemos dizer ao missivista que o nosso articulado referente ao commercio de fructas dizia respeito em particular, á praça de Porto Alegre e, mostrando a carestia em que por aqui ellas andam, era justamente nosso intuito despertar a attenção dos cultivadores para o nosso mercado, e induzil-os a tentar a exportação para cá.

Da carta acima vemos que tinhamos toda a rasão em iniciar campanha a esse respeito.

Vae ver o nosso missivista quaes os preços phantasticos a que atingiram as fructas nos ultimos dias de festa, quer nas bancas do mercado publico, quer nas confeitarias e armazens de especialidades.

E os preços que abaixo indicamos não os obtivemos de informadores officiosos, mas nos proprios lugares onde taes artigos estão expostos á venda e qualquer um póde verificar:

Maçãs de S. Francisco, de 300 a 500 rs., uma.

Nacionaes 200 a 300 rs.

Figos, um, 300 rs.

Damascos, do tamanho de nozes, um, 100 rs.

Ameixas do Pará, cultivadas aqui, 300 a 500 rs.

Abacaxi 1$000 a 2$500.

Pêras cultivadas aqui, de 300 a 500 rs.

Passas de pecego, caixas pequenas 6$000, maiores 10$000 e 12$000, de pecegos maracotões, com quatorze ou quinze pecegos, no maximo.

Em uma das confeitarias acima nos foram mostradas pêras vindas do Rio Grande na ultima viagem do Salacia, que iriam sahir ao comprador em primeira mão a 300 rs. cada uma, ainda mal desenvolvidas.

Diante desses preços, que em nenhuma parte do mundo se paga por fructa congenere, no estado de inferioridade em que é costume apresentarem-n'a aqui, temos sobrada razão em aconselhar aos cultivadores do littoral o mesmo de Jaguarão a tentarem explorar esse commercio.

Se em Pelotas e Rio Grande existe a fartura a que allude o nosso missivista, a tentativa impôe-se, ao menos como medida preparatoria para exploração mais ampla no futuro.

Com isso darão vasão aos seus productos e contribuirão para o barateamento das fructas entre nós, principalmente logo que o publico verifique a excellencia do artigo sobre o que por aqui ha presentemente, accessivel ainda sómente a bolsa de gente rica.

Os mercadores de fructas fazem uns calculos que, afinal, degeneram em circulo vicioso: pedem por ellas preços extravagantes a pretexto de que as pagam caro e ficam muitas podres; e o publico deixa de compral-as por serem carissimas e, quando barateiam,... porque estão podres.

Quanto ás fructas em passas, especialmente os pecegos, podemos garantir que os armazena de especialidades as vendem aqui como de Pelotas aos preços já marcados e o modo de barateal-as seria vendel-as a granel acondicionadas summariamente em grandes caixas, como nol-as mandam de Portugal.

Em summa, a nossa iniciativa tratando do assumpto, foi despertar, para elle a attenção dos nossos cultivadores, afim de que se entreguem, no caso, a um trabalho systematico e constante, que, se não der lucros immediatos, ha de dal-os forçosamente n'um futuro muito proximo."

Fonte:  A FEDERAÇÃO (RS), 04 de Janeiro de 1910, pág. 01, col.03-05













terça-feira, 1 de janeiro de 2019

A Bossa Nova


"Nos anos 1950, a televisão despontava como veículo de comunicação de massas, capaz de ditar modas e tendências. O modelo econômico e cultural estadunidense tomava o mundo de assalto: jazz, rock and roll e os filmes de Hollywood estavam por toda a parte.

No Brasil, a circulação de música aumentou, impulsionada pela tevê, que apresentava muitos programas musicais - fruto da influência do rádio. Desse rico diálogo com estilos musicais estrangeiros, surgiu a bossa nova. Seu cenário de origem foi a zona sul carioca, onde os músicos se reuniam em pequenas festas sociais, como as que aconteciam no apartamento da cantora Nara Leão (1942-1989), para experimentar novas formas de tocar e cantar. Entre seus principais expoentes estavam João Gilberto, Tom Jobim e Vinícius de Moraes (1913-1980).

A bossa nova representou uma verdadeira revolução na forma de fazer música popular, pois a concepção musical até então dominante valorizava as grandes formações de bandas e orquestras e dava destaque à melodia. Por essa razão, os cantores tinham um papel fundamental nessas formações, e suas interpretações comportavam arroubos melodramáticos, malabarismo vocais e demonstrações de grande virtuosismo. Rompendo com esse padrão, a bossa nova propôs arranjos para voz e violão. O cantor integrava-se ao conjunto como mais um instrumento, e seu canto fluía como ocorre na fala normal.

A relação com a harmonia da música também mudou. Como consequência da aproximação com o jazz, o bebop e a música erudita da vanguarda europeia, com a qual Tom Jobim estava bastante familiarizado, a bossa nova passou a valorizar harmonias complexas com sonoridades até então pouco exploradas em nossa música. E, tal como no canto, a batida dos instrumentos de base (violão ou piano) era contida, evitando-se virtuosismos e exibicionismos.

A batida do violão merece atenção especial. João Gilberto foi o principal responsável pela criação de um violão que gerava desencontros entre os acentos rítmicos e a melodia que era cantada, dando origem ao que ficou apelidado de 'violão gago'. Até então, a bossa nova era uma forma mais intimista e rebuscada de tocar o samba. A partir dessa criação e das composições do músico baiano, ela ganhou autonomia e se fixou como um estilo musical novo.

O samba, naquele momento já consolidado como estilo nacional, estava associado à produção de compositores das camadas populares e era considerado 'música de morro'. Em seu vocabulário, trazia termos que expressavam esse universo, como 'cabrocha', 'requebrado' e 'mulata'. Já a bossa nova, representativa do ambiente da classe média carioca, trazia termos como 'garota', 'balanço' e 'morena'. Nas canções românticas, o dramático era substituído pelo lírico e as desilusões amorosas ganhavam certa leveza com o uso de termos como o 'amor', o 'sorriso' e a 'flor'."

Fonte: MEIRA, Beá. Percursos da Arte: volume único: ensino médio. São Paulo/SP: Scipione, 2016, pág. 206.

segunda-feira, 31 de dezembro de 2018

Feliz Ano Novo 2019!


"Ano Novo
por Ferreira Gullar

Meia noite. Fim
de um ano, início
de outro. Olho o céu:
nenhum indício.

Olho o céu:
o abismo vence o
olhar. O mesmo
espantoso silêncio
da Via-Láctea feito
um ectoplasma
sobre a minha cabeça:
nada ali indica
que um ano novo começa.

E não começa
nem no céu nem no chão
do planeta:
começa no coração.

Começa como a esperança
de vida melhor
que entre os astros
não se escuta
nem se vê
nem pode haver:
que isso é coisa de homem
esse bicho
estelar
que sonha
(e luta)."

Nossos votos de muita paz, amor, prosperidade e realizações no ano de 2019 a todos os amigos que visitam e acompanham o blog. Feliz Ano Novo!

domingo, 30 de dezembro de 2018

A Colônia de Três Forquilhas - Parte 01


"Transcorre em Novembro proximo o primeiro centenario da Colonia das Torres que, desde sua fundação, abrange os nucleos de Tres Forquilhas e São Pedro de Alcantara situados nos municípios de Conceição do Arroio e Torres.

A colonia das Torres foi um desmembramento da de S. Leopoldo cujo centenario passou em 1924.

Pouco se ha escripto sobre a colonia das Torres situada no extremo Nordeste do Estado, pelo que, julgamos interessante sob o ponto de vista historico o trabalho organisado pelo nosso correligionario sr. Manoel E. Fernandes Bastos, advogado residente em Conceição do Arroio, e cuja publicação a 'Federação' hoje inicia:

1. - Fundação

Estava a provincia do Rio Grande sob a administração de José Feliciano Fernandes Pinheiro, Visconde de São Leopoldo, em 1824, quando entrou a prosperar a freguezia das Torres.

A recente emancipação politica do Brasil determinara a necessidade de se levantarem alli algumas obras de defeza, aproveitando-se as circumstancias especiaes do terreno que offerecia tres excellentes elevações proximas uma das outras, á beira mar e com baze de rocha, tres verdadeiras torres - a do Centro, a do Norte e a do Sul.

Como encarregado das obras de fortificação seguiu para alli o tenente-coronel Francisco de Paula Soares (Frantz Paul, como o chamavam os primeiros colonos).

Foi dado áquelle reducto o nome de Presidio das Torres, sendo nomeado seu commandante o referido tenente-coronel Soares.

Marchou para aquelle logar um parque de artilharia com palamenta e munição. Remetteu-se ao commandante um pavilhão nacional para tremular sobre o baluarte que se levantara e ao qual fôra dado o nome de Ypiranga. Seguiram com o mesmo destino uma guarnição de trinta soldados guaranys com tres officiaes, um cirurgião encarregado da vaccina, que levou tambem uma botica, e 16 presos sentenciados da justiça, assim como a necessaria ferramenta de mover terra.

A fundação do Prezidio trouxe comsigo apreciaveis vantagens.

A principal dellas foi a vinda de muitas familias da visinha provincia de Santa Catharina, especialmente da costa do rio Araranguá, as quaes se estabeleceram nas Torres, sendo arranchadas no logar ainda hoje chamado Potreiro.

Esses novos moradores, em geral, cuidavam da pesca, industria que confirmaram a exercer nas Torres com mais proveito por ser ahi muito abundante o peixe.

Desenvolvida essa industria nas Torres, iniciou-se o commercio de exportação para o mercado da Laguna. O transporte do peixe secco e salgado era feito em carretas tiradas por bois.

O Prezidio das Torres teve os seus dias de gloria. Em 5 de dezembro de 1826, por exemplo foi arvorado no baluarte Ypiranga  o pavilhão brasileiro e a artilharia poude salvar com 101 tiros o Imperador D. Pedro I quando fêz sua entrada na Provincia.

*****

Em fevereiro de 1824 passou pelas Torres o Visconde de São Leopoldo. As suas observações trouxeram-lhe algumas ideias tendentes a melhorar as condições do logar. Achou possivel a construcção de salinas e a abertura de uma estrada entre a torre pequena (a do Sul) e a do Meio. Recebeu, emfim, a melhor impressão do logar.

Francisco de Paula Soares, logo que concluiu as obras da Egreja e do Cemiterio, junto ao Prezidio,  passou a tratar da abertura de uma estrada para os campos de Cima da Serra, partindo do Mampituba e pela margem esquerda d'esse rio, e de outra que tambem conduzisse a Cima da Serra, pelo valle do rio Tres Forquilhas ou rio das 3 forquilhas como então se lhe chamava.

Em 1824 funda-se na Feitoria Velha a colonia de São Leopoldo com os colonos procedentes na Alemanha.

Essa colonia povoou-se rapidamente e o Visconde de São Leopoldo, Presidente da Provincia, passou a encontrar serios obstaculos para collocar os novos transportes de immigrantes allemães.

Subiram a tal ponto essas difficuldades, que o dito Presidente tomou a resolução de dirigir-se em officio á Côrte, o que fez em 22 de Maio de 1825, ponderando que, no caso de posteriores remessas de colonos, ou elles haviam de ser amontoadas em São Leopoldo, o que necessariamente traria perturbação e desarranjo, ou se lhe ordenasse a elle Presidente para collocal-os no despovoado districto das Missões ou beirando a estrada nova que se trabalhava por fazer praticavel entre o Prezidio das Torres e os habitantes de Cima da Serra.

Era necessario fundar uma nova colonia. Uma circumstancia veiu apressar esse acontecimento, como vamos ver.

Existiam em São Leopoldo dois pastores ou padres evangelicos. Os colonos se dividiram em dois partidos. Um partido apoiava o pastor João Jorge Ehlers, aliás o que exercia a funcção de director espiritual da colonia desde sua fundação. Percebia elle o ordenado de 400$000 annuaes pago pelo Governo Imperial. O outro partido era sympathico ao pastor Carlos Leopoldo Voges, chegado ao Brasil posteriormente.

Os colonos sympathicos a este ultimo pastor endereçaram á Côrte uma petição que pedia que o Governo Imperial concedesse identico ordenado ao pastor Voges, visto como este nada percebia e isso não era justo.

A Côrte, em officio de 17 de Maio de 1826 determinava que sobre o assumpto informasse o Presidente da Provincia.

Não administrava mais a provincia o Visconde de São Leopoldo. Substituira-o o Dr. José Egydio Gordilho de Barbuda. Este Presidente, empenhado em resolver a contenda, seguiu para São Leopoldo.

Depois de inteirar-se de que occorria e vendo que difficilmente poderia contentar as duas facções, lembrou-se de fazer insinuar ao referido Pastor Carlos Leopoldo Voges que informaria satisfactoriamente o pedido dos colonos que o apoiavam (a elle Voges), si o dito Pastor quizesse fazer parte da nova Colonia que se projectava fundar nas Torres.

Acceita a proposta, o referido Presidente deu conhecimento d'essa resolução á Côrte, propondo que se arbitrasse ao Pastor Voges o mesmo ordenado de 400$000 annuaes o Pastor João Jorge Ehlers.

Foi definitivamente resolvida a fundação da nova Colonia das Torres. Faltava escolher a pessoa que pudesse desempenhar satisfactoriamente essa tarefa.

Ninguem mais competente e capaz de desempenhal-a que o Tenente-Coronel Franciso de Paula Soares, que continuava no posto de Commandante do Prezidio. Homem zeloso e, sobretudo conhecedor perfeito da zona escolhida para a nova Colonia, d'elle lembrou-se logo o Presidente Gordilho de Barbuda.

Dirigido por este um officio ao referido Tenente-Coronel e acceito o convite, foi elle nomeado Director da nova Colonia. A Junta da Real Fazend Publica lhe arbitrou a gratificação de 30$000!! pelo exercicio d'essa funcção.


Tudo projectado e resolvido, passou-se á sua execução.


Em principios de Outubro de 1826 o proprio Presidente da Provincia foi a São Leopoldo para tratar pessoalmente dos assumptos que se prendiam ao estabelecimento da nova Colonia.


Fez constar que as familias e individuos solteiros que ainda não tivessem recebido datas de terras, e bem assim os que não estivessem contentes com as que haviam recebido, poderiam alistar-se para seguir com destino as Torres.

Regressando a Porto Alegre, poucos dias depois, recebia elle a relação dos colonos destinados á nova Colonia, relação essa que fôra organisada pelo Inspector da de S. Leopoldo.

Passou o Governo da Provincia a tratar das ultimas providencias para o encaminhamento dos colonos.

Por essa occasião chegava a Porto Alegre uma nova remessa de immigrantes encaminhados da Cõrte. Esses immigrantes ficaram naquella cidade, aguardando a chegada dos de São Leopoldo, afim de se encorporarem a estes.

Em fins de Outubro chegavam á Porto Alegre os colonos procedentes de São Leopoldo e afinal, em 27 do referido mez, largavam do porto da Capital cinco hiates conduzindo-os com destino á nova Colonia das Torres.

A viagem até á barra do rio Capivary, na lagoa dos Patos, foi feita sem incidentes. Alli aguardavam a chegada dos hiates vinte carretas toldadas, tiradas a bois, enviadas pelos Commandantes da Villa de Santo Antonio e da Freguezia de Conceição do Arroio para o transporte dos colonos até á lagoa da Pinguella, donde proseguiram em sua viagem embarcados.

Ao mesmo tempo que o Presidente da Provincia tomava todas essas providencia, ordenava em officio de 5 de Outubro d'aquelle anno ao Commandante do Districto de Cima da Serra que comprasse com a possível brevidade, para os colonos das Torres e mediante a melhor escolha, 300 bois, 150 vaccas, 150 cavallos e 300 eguas, conservando esses animaes á disposição do Tenente-Coronel Francisco de Paula Soares, com quem deveria entender-se.

Ao chegarem os colonos ao seu destino, o Tenente-Coronel Francisco de Paula Soares tomou a resolução, aliás muito acertada para evitar qualquer dissidio entre elles, de formar dois nucleos coloniaes.

Como os colonos protestantes não precisassem do socorro espiritual do Cura das Torres, os estabeleceu junto á estrada de Tres Forquilhas, em duas linhas parallelas, nas margens do rio do mesmo nome.

Os catholicos, que careciam d'aquelle socorro, foram arranchados ao longo da estrada recem aberta, junto aos rios Mampituba e Verde.

Mais tarde transferiram-se estes para os terrenos devolutos que havia entre as lagoas do Morro do Forno e do Jacaré, por motivo de uma grande innundação que destruiu varias habitações d'elles.

Estavam formadas as duas novas colonias allemãs.

Uma d'ellas passou a denominar-se das Tres Forquilhas: a outra recebeu o nome de São Pedro de Alcantara, em homenagem ao primeiro Imperador. Encontra-se frequentemente em documentos antigos a denominação commum de Colonia de São Pedro das Torres ou, simplesmente, Colonia das Torres.

Não é possível fixar, de accordo com os documentos e obras consultadas nem com as informações colhidas in loco,  o dia em que chegaram ás Tres Forquilhas os primeiros colonos.

Conhecida, entretanto, a data de sua partida da Capital da Provincia (27 de Outubro de 1826, officio da Presidencia da Provincia da mesma data), é presumivel que chegassem ao Capivary entre 29 e 30 do mesmo mez. Na viagem entre Capivary e Pinguella empregaram-se nunca menos de tres dias e entre Pinguella e o rio do Deposito (Tres Forquilhas) outros tres, de modo que, incluindo-se quatro dias para estadia nos portos de baldeação, pode-se acceitar como sendo o dia 10 de Novembro de 1826 a data que marcará em 1926 a passagem d'aquella Colonia."

Fonte: A FEDERAÇÃO (RS), 20 de Outubro de 1926, pág. 01, col. 05-07, pág. 02, col. 01




sábado, 29 de dezembro de 2018

Significado e origem de sobrenomes alemães - Parte 89 - Topônimos alemães na Polônia


Muitos sobrenomes de origem alemã são toponímicos (isto é, indicam a procedência de um lugar) que estão vinculados à área do antigo Império Alemão (1871-1919). Pois bem, o Império Alemão ou II Reich (de acordo com a historiografia germânica) abarcava territórios que hoje correspondem a vários países da Europa Central e Oriental (além da própria República Federal da Alemanha, hodiernamente), dentre eles a Polônia. Este fato é  importante, pois tanto a Pomerânia, quanto a Prússia Oriental (também um bom pedaço da Prússia Ocidental) - duas importantes províncias do Reich - estavam majoritariamente, em termos territoriais, na terra polonesa da atualidade. Segue uma lista de antigos nomes alemães para lugares na época do Império Alemão e seus correspondentes atuais na Polônia.

2301. Grodzisko (entre 1925 e 1938 Schlossberg, entre 1938 e 1945 Heidenberg), condado de Angerburg, Prússia Oriental - Grodzisko, aldeia no município de Banie Mazurskie, Vármia-Masúria.
2302. Grodzisko (entre 1932 e 1945 Burgdorf), condado de Johannisburg, Prússia Oriental - Grodzisko, comunidade no município de Biala Piska, Vármia-Masúria.
2303. Gronden, condado de Angerburg, Prússia Oriental - Grady Wegorzewskie, localidade no município rural de Budry, Vármia-Masúria.
2304. Gronden (entre 1938 e 1945 Grunden), condado de Johannisburg, Prússia Oriental - Grady, aldeia no município de Orzysz, Vármia-Masúria.
2305.  Grondzken (entre 1938 e 1945 Funken), condado de Lötzen, Prússia Oriental - Gradzkie, localidade no município de Wydminy, Vármia-Masúria.
2306. Gronsken (entre 1938 e 1945 Steikendorf), condado de Lyck, Prússia Oriental - Gradzkie Elckie, aldeia no município de Kalinowo, Vármia-Masúria.
2307. Gross Bartelsdorf, condado de Allenstein, Prússia Oriental - Bartolly Wielkie, aldeia no município de Barczewo, Vármia-Masúria.
2308. Gross Benz, condado de Naugard, Pomerânia - Bienice, aldeia no município de Dobra, Pomerânia Ocidental.
2309. Gross Bertung (entre 1928 e 1945 Bertung), condado de Allenstein, Prússia Oriental - Bartag, vila no município de Stawiguda, Vármia-Masúria.
2310. Gross Bestendorf, condado de Mohrungen, Prússia Oriental - Dobrocin, aldeia no município de Maldyty, Vármia-Masúria.
2311. Gross Bludszen ou Gross Bludschen, condado de Goldap, Prússia Oriental - Bludzie Wielkie, distrito-aldeia no município de Dubeninki, Vármia-Masúria.
2312. Gross Blumenau (até 1894 tinha a denominação de Gross Schweinern), condado de Kreuzburg, Alta Silésia - Swiniary Wielkie, localidade no município de Wolczyn, voivodia de Opole.
2313. Gross Blumenau, condado de Ortelsburg, Prússia Oriental - Kwiatuszki Wielkie, aldeia no município de Rozogi, Vármia-Masúria.
2314. Gross Borckenhagen, condado de Labes, Pomerânia - Borkowo Wielkie, vila rural no município de Radowo Male, Pomerânia Ocidental.
2315. Gross Borek, condado de Rosenberg, Alta Silésia - Borki Wielkie, cidadela no município de Olesno, voivodia de Opole.
2316. Gross Brüskow, condado de Stolp, Pomerânia - Bruskowo Wielkie, aldeia no município de Slupsk, Pomerânia.
2317. Gross Brzosken (entre 1932 e 1945 Birkenberg), condado de Johannisburg, Prússia Oriental - Brzózki Wielkie, aldeia extinta em 1945 que existiu na área do município de Biala Piska, Vármia-Masúria.
2318. Gross Budschen, condado de Angerburg, Prússia Oriental - Budzewo, localidade no município rural de Budry, Vármia-Masúria.
2319. Gross Bürgersdorf (entre 1928 e 1945 Bürgersdorf), condado de Rastenburg, Prússia Oriental - Poganowo, localidade atualmente desabitada que existiu até 1945 na área do município de Ketrzyn, Vármia-Masúria.
2320. Gross Chelm - Chelm Slaski, município na Silésia.
2321. Gross Cronau (entre 1929 e 1945 Cronau), condado de Allenstein, Prússia Oriental - Kronowo, aldeia e distrito no município de Barczewo, Vármia-Masúria.
2322. Gross Deutschen, condado de Kreuzburg, Alta Silésia - Duczów Wielki, localidade no município de Wolczyn, voivodia de Opole.
2323. Gross Döbern, condado de Oppeln, Alta Silésia - Dobrzen Wielki, município rural na voivodia de Opole.
2324. Gross Drensen - Dzierzazno Wielkie, aldeia no município de Wielen, voivodia da Grande Polônia.
2325. Gross Dubberow, condado de Belgard, Pomerânia - Dobrowo, vila no município de Tychowo, Pomerânia Ocidental.
2326. Gross Dübsow, condado de Stolp, Pomerânia - Dobieszewo, vila no município de Debnica Kaszubska, Pomerânia.
2327. Gross Duneyken (entre 1938 e 1945 Duneiken) - Dunajek, aldeia no município de Goldap, Vármia-Masúria.
2328. Gross Ehrenberg, condado de Soldin, Brandemburgo - Przekolono, localidade provavelmente extinta no século XIX.
2329. Gross Eschenort, condado de Angerburg, Prússia Oriental - Jasieniec, vila no município de Kruklanki, Vármia-Masúria.
2330. Gross Gablick, condado de Lötzen, Prússia Oriental - Gawliki Wielkie, aldeia no município de Wydminy, Vármia-Masúria.
2331. Gross Garde, condado de Stolp, Pomerânia - Gardna Wielka, aldeia no município de Smoldzino, Pomerânia.
2332. Gross Gardienen - Gardyny, cidadela no município de Dabrówno, Vármia-Masúria.
2333. Gross Gluschen, condado de Stolp, Pomerânia - Gluszyno, aldeia no município rural de Potegowo, Pomerânia.
2334. Gross Gonschorowen (entre 1938 e 1945 Klinken), condado de Oletzko/Treuburg, Prússia Oriental - Gasiorowo, localidade no município de Wieliczki, Vármia-Masúria.
2335. Gross Grünow, condado de Dramburg, Pomerânia - Gronowo, vila-distrito no município de Ostrowice, Pomerânia Ocidental.
2336. Gross Guja, condado de Angerburg, Prússia Oriental - Guja, aldeia no município de Wegorzewo, Vármia-Masúria.
2337. Gross Jagodnen (entre 1938 e 1945 Grosskrösten), condado de Lötzen, Prússia Oriental - Jagodne Wielkie, aldeia no município de Milki, Vármia-Masúria.
2338. Gross Jahnen, condado de Darkehmen/Angerapp, Prússia Oriental - Jany, localidade no município de Goldap, Vármia-Masúria.
2339. Gross Jannewitz, condado de Lauenburg, Pomerânia - Janowice, vila no município de Nowa Wies Leborska, Pomerânia.
2340. Gross Jauer, condado de Lötzen, Prússia Oriental - Jora Wielka, aldeia no município de Mikolajki, Vármia-Masúria.
2341. Gross Jerutten, condado de Ortelsburg, Prússia Oriental - Jeruty, aldeia no município de Swietajno, Vármia-Masúria.
2342. Gross Jestin, condado de Kolberg-Körlin, Pomerânia - Goscino, cidade na Pomerânia Ocidental.
2343. Gross Jesziorken (entre 1930 e 1945 Schöntal), condado de Goldap, Prússia Oriental - Jeziorki Wielkie, aldeia no município de Goldap, Vármia-Masúria.
2344. Gross Jodupp (entre 1938 e 1945 Holzeck), condado de Goldap, Prússia Oriental - Czarnowo Wielkie, assentamento florestal no município de Goldap, Vármia-Masúria.
2345. Gross Justin, condado de Cammin, Pomerânia - Gostyn, vila no município de Swierzno, Pomerânia Ocidental.
2346. Gross Kessel, condado de Johannisburg, Prússia Oriental - Kociol, aldeia no município de Pisz, Vármia-Masúria.
2347. Gross Konopken (entre 1938 e 1945 Hanffen), condado de Lötzen, Prússia Oriental - Konopki Wielkie, aldeia no município de Milki, Vármia-Masúria.
2348. Gross Kosarken-Dönhoffstädt (entre 1938 e 1945 Köhlersgut), condado de Sensburg, Prússia Oriental - Kozarek Wielki, localidade no município rural de Sorkwity, Vármia-Masúria.
2349. Gross Kosarken-Wehlack (entre 1938 e 1945 Köhlershof), condado de Sensburg, Prússia Oriental - Kozarek Wielki, localidade no município rural de Sorkwity, Vármia-Masúria.
2350. Gross Koschlau (entre 1938 e 1945 Koschlau) - Koszelewy, aldeia no município de Rybno, Vármia-Masúria.

sexta-feira, 28 de dezembro de 2018

Tradições de Ano Novo na América Latina


O Boneco do Ano Velho

Essa tradição é celebrada na Colômbia, Venezuela, Cuba, Panamá, Argentina (principalmente em La Plata e Buenos Aires) e Equador. Consiste em construir um boneco cheio de palha seca em seu interior que representa a figura de uma pessoa  que se destacou durante o ano ou uma pessoa que se deseja satirizar. À meia-noite, esses bonecos serão incinerados, na crença de que esta é uma forma de se livrar da energia ruim do ano anterior.

Varrer a casa

Em vários países latino-americanos, à meia-noite, as pessoas varrem as casas para se livrar de qualquer energia negativa. Também é uma crença centrada na ideia de expurgar toda ruindade que se fixou na casa durante o ano que se despede.

Andar com malas

Na véspera do Ano Novo, durante as horas que antecedem a meia-noite, as pessoas que querem viajar muito devem andar pelo bairro com malas e bagagens. Em alguns lugares, para que não se pareça um maluco andando de malas na rua sem sentido, as pessoas preferem caminhar em círculos com as malas dentro da própria casa.

Roupa íntima amarela

Para trazer sorte nos próximos 365 dias, pessoas de países como Chile, Colômbia ou Venezuela usam roupas íntimas amarelas. Elas acreditam que a prosperidade está intimamente relacionada à cor amarela. Algumas pessoas também usam uma peça exterior de roupa amarela ou mesmo um detalhe do vestuário na mesma cor. Também há a crença que as roupas íntimas amarelas ganhas de presente são mais eficientes em conseguir aquilo que se deseja no próximo ano. Se além de prosperidade, a pessoa quer ter sucesso no amor, no Chile, a tradição recomenda usar a roupa íntima amarela do avesso.

O vermelho é mais comumente relacionado ao desejo de se ter um novo amor ou manter vivo um relacionamento, principalmente no Brasil e na Argentina. Já no Uruguay, os assuntos amorosos estão mais ligados ao uso de roupas íntimas na cor rosa.

Doze uvas

É uma tradição muito comum na América Latina. As pessoas comem doze uvas e pedem doze desejos. A intenção é ter os doze meses vindouros de muita prosperidade. Na Argentina, é mais comum usarem-se doze passas.

Lentilhas

Costume muito comum em toda a América Latina, que encontra eco também em vários países europeus. O grão é consumido em fartura na forma de diversos pratos, pois segundo a crença as lentilhas trazem prosperidade e abundância.

Velas iluminadas

Um ritual comum de Ano Novo no México é colocar velas brancas ou amarelas em um prato branco cercado por lentilhas, feijão, arroz, milho, farinha e canela. Cada elemento ali presente representa um desejo de sucesso numa área específica  (prosperidade, profissão, amor, etc.). As velas são deixadas para queimar até o fim. Depois de se consumirem, o resto de cera e a os alimentos são coletadas e enterrados na primeira manhã do ano para promover boa sorte e abundância naquela novo ano.

Queimar objetos antigos e quebrados

Este costume aparece em alguns lugares do México, Peru, Nicarágua e Honduras. É muito parecido com o ritual de queimar o "boneco do Ano Velho". As queimas são realizadas ainda na tarde ou início da noite do dia 31 de Dezembro, simbolizando o desejo de se livrar das "coisas velhas" do ano que finda para que as "coisas novas e boas" possam entrar.

Lançar um balde de água

No Uruguay se tem o hábito de atirar na rua um balde cheio de água na rua para limpar o "caminho do ano que começa". O costume também é verificado em Cuba. Em vários outros países também se faz um limpeza geral nas casas antes da hora da virada, para que o lar esteja limpo para o ano novo.

Em Porto Rico, o costume é jogar um copo ou balde de água pela janela como forma de se livrar dos maus espíritos. Em algumas partes da Colômbia, o que vale mesmo é jogar uma panela de água pelo ombro, evitando assim toda a negatividade do ano que termina.

Alasitas bolivianas

Na Bolívia, o ano novo começa no dia 24 de Janeiro, na chamada Fiesta de las Alasitas, donde se invoca o deus indígena Ekeko para pedir desejos. Na forma de pequenos papéis, que são colocados no corpo da estátua da divindade, os devotos esperam com fé que eles se tornam realidade no ano que se inicia.

Ir ao cemitério

Por mais estranho e tétrico que possa parecer, o cemitério municipal de Talca, cidade localizada a 260 quilômetros ao sul de Santiago do Chile, se enche de visitantes na noite do Ano Novo. O costume é verificado também em outras cidades chilenas como Iquique e Valparaíso. Afirma-se que a tradição começou quando os moradores de Talca desejaram em certa ocasião estar com seus entes defuntos na passagem do Ano Novo.

Vestir branco e saltar sete ondas na praia

Costume típico do Brasil e com influência das religiões africanas.

Colocar dinheiro no bolso

Se for em forma de moedas, melhor. É uma tradição ligada à prosperidade e encontra-se arraigada em toda a América Latina. Na Guatemala, a recomendação é um pouco mais específica: não é necessário ser no bolso, mas deve se escolher doze moedas de um centavo, colocá-las com a "cara" numa janela aberta e voltadas para a rua. No Paraguay, o vezo é colocar uma moeda no sapato direito.

A Flor de Santa Lúcia

Diz-se que uma pequena flor roxa e selvagem, conhecida na Costa Rica como Flor de Santa Lúcia, traz muito boa sorte. Encontrando uma, deve-se secá-la e colocar na carteira para ter um ano cheio de prosperidade.

Simpatia da Maçã para o amor

Deixando uma maçã com o nome da pessoa amada ou com o desejo de encontrar uma pessoa no próximo ano para ter um relacionamento amoroso num prato com um pouco de mel e canela em pó em volta é uma tradicional simpatia (ritual) encontrada em muitos locais da América Latina. Num e outro lugar há pequenas variações do ritual, mas a presença da maçã é universal.

Água ou bebida alcoólica para os "santos"

Em Cuba e alguns países caribenhos, logo nos primeiros minutos do novo ano encontra-se a seguinte tradição: num lugar especial da casa se oferecem copos de água ou de uma bebida alcoólica local para os "santos" - isto é, os bons espíritos que auxiliam a paz e a prosperidade daquele lar para que os mesmos garantam as mesmas benesses no ano que se inicia.

Comer carne de porco

Hábito muito arraigado, de alcance universal em todo o continente, devido principalmente à influência ibérica. À carne de porco é creditada que traz progresso em muitos aspectos da vida humana no novo ciclo, pois se diz que o mesmo "fuça para frente".

Tiros de Canhão

Na República Dominicana, além dos tradicionais fogos de artifícios e foguetes, na capital Santo Domingo, o Ano Novo é saudado com tiros de canhão que são efusivamente comemorados pelos habitantes locais. Já em El Salvador conjuntos musicais de címbalos e baixos animam a chegada do Ano Novo com melodias festivas.

Chuva de papel colorido picado

Era uma praxe comum no centro de Buenos Aires até bem pouco atrás.

Decoração com espigas de trigo

No Paraguay e na Bolívia, usam-se espigas de trigo para decorar a mesa da ceia de Ano Novo, bem como decorar a casa de modo geral. A convicção que as espigas de trigo trazem paz e especialmente prosperidade. Melhor ainda que cada pessoa presente tenha uma espiga em mãos à meia-noite e a guarde num lugar especial durante o ano vindouro.


Fontes livremente adaptadas:






quinta-feira, 27 de dezembro de 2018

João Cândido Felisberto


"Líder da Revolta dos Marinheiros, ocorrida em 1910 e motivada pelos castigos corporais então vigentes na Marinha do Brasil. Nasceu em Encruzilhada, Distrito de Rio Pardo (RS), em 1880. Ingressou na Marinha aos 15 anos de idade; antes, porém, de chegar a marinheiro de 1a. classe, participou, voluntariamente, do movimento deflagrado por Plácido de Castro no Acre. Integrou depois a tripulação do navio 'Benjamin Constant', em que foi à Inglaterra assistir ao lançamento do encouraçado 'Minas Gerais'. Neste encouraçado foi aos Estados Unidos, de onde retornou a bordo do 'North Caroline', no qual vieram os despojos do Embaixador Joaquim Nabuco, falecido em Washington. De novo no 'Minas Gerais', comandou o movimento de repúdio aos castigos corporais então comuns na Marinha: apossara-se do navio, mas, sob promessa de anistia, entregou-o ao novo comandante designado, Capitão-de-Mar-e-Guerra João Pereira Leite. Contudo, logo foi preso juntamente com outros 69 marujos, e todos encerrados em calabouços infectos, de tal modo que sobreviveram apenas dez, entre eles João Cândido. Julgado e finalmente absolvido, exerceu as mais variadas profissões, sempre sob o apelido de o Almirante Negro, que lhe ficara dos dias de notoriedade: morreu em 06 de dezembro de 1969."

Fonte: Dicionário Cívico-Histórico Brasileiro, 1980.



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