sexta-feira, 2 de janeiro de 2026

Florêncio de Souza aterroriza Rio dos Índios



BANDOLEIROS CRIAM UM CLIMA DE TERROR EM RIO DOS ÍNDIOS

PASSO FUNDO, 12 (Por Carlos de Danilo Quadros, via Varig) - Conforme já noticiamos, está operando em Rio dos Índios, distrito de Iraí, um grupo de bandoleiros, chefiado por Florêncio de Souza. As autoridades policiais de Iraí e Nonoai têm conhecimento da existência dos desordeiros radicados nas margens do rio Uruguai. Escorraçam colonos e se apropriam de suas terras, para depois, venderem para outros. Ameaçam de morte agricultores residentes naquela zona, e fazem emboscadas nas estradas da região. Tiroteiam agricultores de origem italiana e caboclos, deixando, muitas vezes, casas residenciais crivadas de balas de fuzil, mosquetão, Winchester e revólver de vários calibres. Florêncio tem 66 anos e 11 filhos, sendo que a maioria deles fazem parte das arruaças do pai, naquela zona. Um agricultor que está sendo ameaçado de morte por Florêncio, apresentou-nos um projetil que foi desencravado duma casa de agricultor atacada pelo grupo de bandoleiros de Florêncio. Esse colono, pediu que não publicássemos o seu nome, porque tem o chefe dos bandoleiros. Dita bala foi entregue a Polícia de Iraí. A reportagem, na DP iraiense, constatou a existência de mais balas de arma de guerra, levadas por pessoas que foram atacadas pelo referido grupo, em suas residências.

Fonte: DIARIO DE NOTÍCIAS (Porto Alegre/RS), 13 de maio de 1959

quinta-feira, 1 de janeiro de 2026

Cabo Pintado



Velharias

No anno de 1848, quando commandava a fronteira de Jaguarão o brigadeiro Francisco Pedro de Abreu, Barão de Jacuhy (por autonomasia Moringue) commandava um destacamento na mesma fronteira, no logar denominado S. Diogo, o major João Machado da Cunha, mais tarde tenente-coronel commandante do corpo de Cangussú.

Entre seus commandados achava-se o cabo de esquadra João Pereira de Barros, conhecido vulgarmente por João Pintado ou Cabo Pintado. Este, aborrecendo-se da vida militar, ou por qualquer outro motivo, evadiu-se das fileiras, commettendo portanto o crime de deserção. Depois juntou-se a um grupo de bandoleiros que vagavam pela fronteira, fazendo algumas depredações, o que veio aggravar mais o seu crime.

Como é natural, foi perseguido e afinal capturado, e, a bem da disciplina militar, rebaixado do posto de cabo de esquadra, e em conselho de guerra foi sentenciado a soffrer castigo corporal, que naquelle tempo era muito usado.

Na sexta-feira da Paixão, foi lida, na frente da força, a ordem do dia, assim como a sentença que condemnava o Cabo Pintado á penna citada, para manhã de sabbado da Alleluia ser dada execução.

Mas o réo, temendo tão barbaro castigo, reincidiu no crime, evadindo-se da prisão. Deixou escriptas umas decimas, na barraca do major João Machado da Cunha, que confirmara a sentença do conselho militar e a quem elle Pintado tratava de Poncio Pilatos.

Conservou-se fugitivo o Pintado, até que foi indultado.

Casou-se no Cerrito de Cangussú, com uma filha do capitão Henrique José dos Santos e falleceu a uns vinte annos, deixando numerosa prole.

Eis as decimas referidas:

Sexta-feira da Paixão, 

um dia tão respeitado, 

foi lida minha sentença, 

com Christo fui comparado.


A vinte e nove de Março,

um dia tão distinguido,

vi meu agudo sentido

perder de todo o compasso.

Como Pilatos foi falso,

lavando a tremenda mão,

seu infernal coração

que a Christo ordena o castigo,

assim fizeram commigo,

sexta-feira da Paixão.


O monstro sanguinolento,

Pilatos sentenciador,

contra mim com tal furor

quiz saciar seu intento;

mas eu no meu pensamento

tinha ao céo me encommendado

e já no Templo Sagrado

o Senhor me defendia;

minha sentença se lia

num dia tão respeitado.


Em tudo me compararam

com o grande Redemptor;

por vingarem seu furor

seu peccado eternisaram.

Taes falsos me levantaram,

sendo eu justo por essencia;

a sagrada Providencia

era quem me defendia;

na frente da companhia

foi lida a minha sentença.


Creio ser meu sempre o céo

e de Pilatos o inferno;

com mais alguns subalternos

que me tratarm de réo.

Cobriu-se o sol com um véo, 

de roxa cor adornado, e de nuvens circulado

cobrindo-lhe o resplendor, 

e pelo meu agressor

com Christo fui comparado.


Geraldo Ferreira Porto (Cerrito de Cangussú - R.G. Sul)


Fonte: ALMANAK LITTERARIO E ESTATISTICO DO RIO GRANDE DO SUL, edição de 1910, pág. 67-68

quarta-feira, 31 de dezembro de 2025

Feliz Ano Novo 2026!


Feliz Ano Novo 2026
a todos seguidores, apoiadores e visitantes do blog!
Rumo ao 20o. aniversário em 2026

 

terça-feira, 30 de dezembro de 2025

O Arco-Íris da Serra de Cubatão

 



A Revista Comercial de Santos dá a seguinte noticia:

"Foi observado por diversas pessoas desta cidade, na noite do dia 6 do corrente, às 11 horas mais ou menos, um Arco-Iris, que se tinha formado sobre a serra do Cubatão, em direcção oeste desta cidade. O firmamento estava estrellado e claro, e o arco distinguia-se em todo seu semicirculo com as mesmas côres de costume.

Confessando nossa insufficiencia, deixaremos aos entendidos na materia o dar uma explicacção satisfactoria desse phenomeno maravilhoso da natureza."

Fonte: CORREIO PAULISTANO (São Paulo/SP), 18 de maio de 1855

domingo, 28 de dezembro de 2025

Os Bandoleiros da Serra dos Vieiras

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LORIANÓOLIS, 29 - Telegrammas do Rio Negro dizem saber-se que os bandoleiros acoitados na Serra dos Vieiras estão divididos em tres grupos do commando de Aleixo Marcelo Silva e Joséphino que prometteram usar de todos os recursos para aterrorizar e vencer.

Pessoa chegada das immediações do theatro da luta affirma que esta será terrivel pois seus prodromos affirmam as palavras daquelles chefes dos bandoleiros.

Ha dias, foram encontrados na margem do Rio das Areias, affluente do Timbosinho, cinco cadaveres com as cabeças retalhadas a facão, os peitos rasgados, os corações arrancados.

Dizem que esses infelizes foram alcançados por uma escolta de bandidos quando pretendiam apresentar-se ás forças legaes, acampadas na Colonia dos Vieiras.

Entre as victimas estão Jorge Almeida, caixeiro e o negociante Lucindo Paula.

Fonte: A FEDERAÇÃO (Porto Alegre/RS), 30 de janeiro de 1915 

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