História, Genealogia, Opinião, Onomástica e Curiosidades.Capão do Leão/RS. Para informações ou colaborações com o blog: joaquimdias.1980@gmail.com
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segunda-feira, 29 de dezembro de 2025
domingo, 28 de dezembro de 2025
Os Bandoleiros da Serra dos Vieiras
F
LORIANÓOLIS, 29 - Telegrammas do Rio Negro dizem saber-se que os bandoleiros acoitados na Serra dos Vieiras estão divididos em tres grupos do commando de Aleixo Marcelo Silva e Joséphino que prometteram usar de todos os recursos para aterrorizar e vencer.
Pessoa chegada das immediações do theatro da luta affirma que esta será terrivel pois seus prodromos affirmam as palavras daquelles chefes dos bandoleiros.
Ha dias, foram encontrados na margem do Rio das Areias, affluente do Timbosinho, cinco cadaveres com as cabeças retalhadas a facão, os peitos rasgados, os corações arrancados.
Dizem que esses infelizes foram alcançados por uma escolta de bandidos quando pretendiam apresentar-se ás forças legaes, acampadas na Colonia dos Vieiras.
Entre as victimas estão Jorge Almeida, caixeiro e o negociante Lucindo Paula.
Fonte: A FEDERAÇÃO (Porto Alegre/RS), 30 de janeiro de 1915
sábado, 27 de dezembro de 2025
As esferas luminosas da Serra do Lopo
Phenomeno
Com o titulo acima noticia O Curralinhense, de 3 do corrente:
"Na noite de 27 de dezembro p. passado foram testemunhas de um phenomeno interessante, os cidadãos A.F. de Oliveira, A.S. de Farias, J.B.G. de Oliveira e Luciano Ribas.
Ás 10 e um quarto da noite, voltando estes do bairro da Moenda, foram sorprehendidos por um clarão, e procurando ver de onde emanava, avistaram duas espheras luminosas, de diametro apparente de 25 centimetros mais ou menos, que, levantando-se da serra do Lopo, corriam, uma em perseguição da outra, em direcção a Bragança.
Quando chegaram a ponta da serra retrocederam e seguiram direcção inversa até o ponto em que fica a estrada que desta villa vae á Santa Ritta da Extrema.
E assim continuaram perseguindo-se mutuamente, até que, passados alguns minutos, ligaram-se em uma cadeia de 1, 5 mais ou menos, justamente no ponto donde tinham emanado, e assim começou essa cadeia a subir e descer por alguns minutos, até que esse feixe dividiu-se em tres espheras, sendo as duas lateraes maiores e a do meio pequena, como uma estrella, comçando de novo uma verdadeira lucta, na qual desenvolviam uma velocidade extraordinaria.
Fundiram-se em um só nucleo do tamanho da lua, mais ou menos, e depois de fazer ascenção até 90 graus, approximadamente, no horizonte, baixou, e entranhando-se na floresta, deixou um clarão.
O que é de extranhar e nos affirmam os observadores é que essa luz era perfeitamente egual á do sol, apresentando-lhes as mesmas irradiações.
Que será?"
Fonte: CORREIO PAULISTANO (São Paulo/SP), 07 de janeiro de 1897
sexta-feira, 26 de dezembro de 2025
quinta-feira, 25 de dezembro de 2025
Natal no Brasil Colonial
No Brasil Colonial, as comemorações do Natal caracterizavam-se por uma forte presença da Igreja, que moldava não apenas a dimensão religiosa, mas também a social e cultural das festividades. Registros dos Jesuítas, como os de José de Anchieta, mencionam a realização de autos religiosos e presépios vivos desde o século XVI. Anchieta, por exemplo, descreve a utilização de teatro catequético para ensinar episódios bíblicos, sobretudo nas aldeias indígenas, onde o Natal era ocasião para reunir diferentes grupos em torno da liturgia.
Em vilas e cidades coloniais, documentos da administração portuguesa e relatos de viajantes, como o do francês Jean de Léry (1578) e, mais tarde, de Antonil em Cultura e Opulência do Brasil (1711), indicam que as festividades natalinas incluíam procissões, sermões especiais, além da tradicional Missa do Galo, celebrada à meia-noite. Nessas descrições, nota-se que o ambiente era de grande solenidade: a igreja decorava-se com velas, tecidos coloridos e, quando possível, com imagens sacras trazidas de Portugal.
Nas casas grandes dos engenhos, registros em inventários e cartas privadas mostram que se preparavam ceias com alimentos locais, como mandioca, peixe, frutas tropicais e carnes salgadas, já que ingredientes típicos da mesa portuguesa eram escassos ou caros. Mesmo assim, buscavam criar uma atmosfera festiva, mantendo tradições trazidas pelos colonizadores.
Nas senzalas, apesar das duras condições de vida, o Natal também ganhava expressão. Cronistas do período registram momentos de relativa folga para as pessoas escravizadas, que podiam se reunir para cantar, dançar e praticar manifestações culturais afro-brasileiras, como batuques e cantos religiosos reinterpretados dentro das possibilidades permitidas pela ordem colonial.
Em algumas regiões, especialmente no Nordeste, surgiram ainda tradições que se tornariam marcantes, como os ternos de reis e folias, documentados desde o século XVIII, unindo canto, devoção e festividade popular.
Assim, os testemunhos históricos revelam que o Natal no Brasil Colonial resultava de um encontro complexo entre a religiosidade católica portuguesa, as culturas indígenas e africanas, e as condições específicas da vida na colónia — produzindo uma celebração profundamente diversa e característica do Brasil.





