quarta-feira, 22 de novembro de 2023

terça-feira, 21 de novembro de 2023

Escavação no Forte de Santa Tecla

 



Forte de Santa Tecla

Lê-se no Commercio de Bagé:

"Em companhia de varios amigos fizemos ante-hontem uma visita ao local do antigo forte de Santa Tecla, onde o sr. Bagini Garibaldi está fazendo excavações, de accôrdo com o proprietario do campo onde se acha a velha fortaleza, sr. Manuel Dutra Filho.

A legua e meia a nordeste da cidade, no cabelo mais saliente da serra de Santa Tecla, e a poucas quadras das nascentes do Pirahysinho, encontra-se a lendaria fortificação dos jesuítas, apresentando ainda, depois de quasi dois seculos de destruição, os seus contornos nitidos, as possantes massas de terra de seus baluartes mal disfarçados sob a gramma e a sua praça com os vestigios ainda apreciaveis dos quarteis e outras edificações.

Um quadrilatero abaluartado, com uma area não inferior a 8 mil metros quadrados, assente em um ponto perfeitamente defensavel para as armas de então, deveria ter sido um poderoso elemento da dominação missioneira e hespanhola nestas paragens e por isso de calcular-se de quanta bravura não foi elle theatro até a sua destruição pelos nossos antepassados.

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O sr. Garibaldi, nas suas pesquizas, encontrou uma entrada subterranea, e a 12 metros de profundidade, sob o centro do forte, vasto paiol de abobada, entulhado de ossamenta e lodo de que já começou a extracção.

É possível que feita a necessaria limpeza, e como espera o sr. Garibaldi, outras galerias dahi partam, em harmonia com o systema de edificações da Companhia de Jesus.

Não alimentamos, porém, a crença do sr. Bagini, que espera tirar grandes lucros da sua obra, mas acreditamos que seu trabalho não será de todo perdido para o Rio Grande".

Fonte: A FEDERAÇÃO (Porto Alegre/RS), 07 de Fevereiro de 1901, pág. 01, col. 06

segunda-feira, 20 de novembro de 2023

Gatos Pelados vs. Galinhas Gordas


 PE-GON, o clássico estudantil da cidade

As disputas futebolísticas entre os Colégios Pelotense e Gonzaga, que ficaram conhecidas na cidade como Pe-Gon's, marcaram a vida esportiva de Pelotas, principalmente entre as décadas de 1930 e 1960. Eles estão fartamente documentadas nas atas de reuniões dos Grêmios, na imprensa diária local, nos periódicos estudantis e nas entrevistas, realizadas para este estudo, com pessoas que vivenciaram esse tempo.

Como se pode observar pela note, em um jornal local, bem antes da década de 1930 já existiam competições entre as duas escolas: " Foot-Ball: teve lugar, ontem, no 'ground' do Sport Club Pelotas, o 'match' entre os 'teams' infantis dos Gymnasios Pelotense e Gonzaga. O jogo teve grande entusiasmo de ambas as partes. [...] o resultado foi 0 x 0 (zero a zero)" (CORREIO MERCANTIL, 02.12.1911). Assinala-se que esse jogo, provavelmente, tenha sido um dos primeiros Pe-Gon's.

Nessa época, diante da inexistência dos grêmios estudantis, os jogos de futebol entre as duas escolas, nos anos vinte, eram organizadas pelo Sport Club Gonzaga e o Sport Club Pelotense, também do mesmo período. Eram entidades estudantis que possuíam diretoria própria, eleita todos os anos, e que não eram necessariamente constituídas somente por alunos.

Até a década de 1960, as maiores disputas esportivas entre o Pelotense e o Gonzaga ocorriam nos campos de futebol, embora houvesse, também, competições em outras modalidades de esportes como basquete, voleibol, atletismo e xadrez. Mas era nos jogos de futebol que se podia nitidamente constatar a rivalidade entre os dois estabelecimentos escolares. Rivalidade esta que não era demonstrada somente por alunos, mas por toda a comunidade escolar que eles representavam, e que acabava por dividir a própria comunidade pelotense. A defesa das cores dos dois colégios não se limitava, portanto, somente aos membros de cada. Havia uma efetiva participação da população da cidade nos jogos, junto às torcidas e nos posteriores debates que dividiam opiniões sobre os dois times. A cada jogo que ocorria, esse era um assunto que ganhava destaque nos cafés, nos bares, nas emissoras de rádio e nos jornais locais.

Daí decorre, portanto, o significado da análise de tais disputas frente aos objetivos desse trabalho, uma vez que buscar-se-á o significado dessas práticas esportivas considerando-as como práticas culturais de um contexto escolar e urbano. Contexto esse permeado pela influência maçônica na cidade e pelos desdobramentos da crescente organização e influência político-ideológica da Igreja Católica em nível nacional e local. E que tinha, também, como pano de fundo, marcadamente a partir da década de 1930, o conflito entre os defensores do ensino público e do ensino privado, em sua maioria, católico.

Os jogos eram previamente combinados entre os representantes das duas equipes. Além do local, horário, juiz, regras específicas para o jogo, os alunos determinavam, também, a destinação dos valores recolhidos na bilheteria, os times convidados para jogar a partida preliminar, a localização das torcidas, o troféu e as medalhas a serem distribuídas aos vencedores. Era comum que nos Pe-Gon's se realizasse o "melhor de três", ou seja, ocorriam três partidas de futebol, geralmente no final do ano, e as medalhas, os troféus e os prêmios eram entregues somente no último jogo ao time campeão. No período entre os jogos havia muitas notícias e debates, veiculados pela imprensa diária e estudantil, sobre o condicionamento físico e preparo técnico dos atletas e, logicamente, sobre a organização das torcidas.

Fonte: AMARAL, Giana Lange do. Gatos Pelados x Galinhas Gordas: desdobramentos da educação laica e da educação católica na cidade de Pelotas (décadas de 1930 a 1960). Porto Alegre: Tese de Doutoramento do Programa de Pós-Graduação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, 2003, pág. 225-226.

domingo, 19 de novembro de 2023

Sobrenome Fietz

 



FIETZ é um termo para qualquer membro de uma tripulação marítima sem patente, isto é, qualquer marítimo que se ocupa com os ofícios próprios de uma embarcação sem possuir a formação de um oficial da Marinha. Porém, isso não é um depreciativo. Boa parte das tripulações marítimas, não somente nas regiões germânicas, mas bem como em toda a Europa, não era formada por "profissionais", mas por homens que adquiriam conhecimentos náuticos pela prática e vivência. Quase todas as embarcações de cunho mercantil, por exemplo, eram repletas de fietz, principalmente nos trabalhos de convés e cordas.

Em certa medida, Fietz pode ser também entendido como marítimo da Marinha mercante.

Uma outra denominação para a mesma ocupação profissional é BESTMANN.

Enterrado vivo em São Luiz Gonzaga



Enterrado vivo!

Do Estado, de 11 do corrente:

"Na ultima edição d'esta folha noticiamos haver fallecido o nosso co-religionario Joaquim Chaves Cavalheiro, digno official do corpo provisorio da Brigada Militar estacionado em S. Luiz.

Pessoas procedentes d'aquella localidade informam-nos agora que o desventurado moço - é horrivel de dizer-se! - fôra enterrado vivo.

Ao montar a cavallo para effectuar uma diligencia no Passo do Quaresma - narram os nossos informantes - Joaquim Chaves Cavalheiro teve uma syncope, sendo recolhido á sua residencia.

Isto no da 3 ou 5 de junho ultimo.

Como melhorasse, tentou o official seguir viagem, quando foi outra vez accommettido de nova syncope, não dando mais signal apparente de vida.

Fizeram, então, preparar o caixão mortuario, onde collocaram o infeliz Chaves, que foi velado durante a noite.

Na tarde do dia seguinte realisaram-se as ceremoniras do enterramento.

Collocado o caixão na carneira, retiraram-se as pessoas que compunham o sequito funebre.

No cemiterio apenas ficaram dois pedreiros.

Concluiam estes a sua tarefa quando ouviram gemidos e gritos abafados que partiam da carneira.

Homens rusticos, supersticiosos, largaram os instrumentos do trabalho e fugiram aterrados.

Levada a noticia á villa, diversas pessoas, inclusive o general Salvador Pinheiro Machado, encaminharam-se incontinente para o cemiterio, um tanto distante, e, ahi chegados, procederam á exhumação.

Joaquim Chaves Cavalheiro era cadaver.

A tampa do caixão, porém, quebrada, dilacerado o panno que a revestia, contrafeita a posição do corpo, tudo, tudo denotava a tremenda lucta, a morte horrivel em que se debatera o infeliz!

Havia sido enterrado vivo!

Catalepsia?

Não nos souberam dizer.

Fonte: A FEDERAÇÃO (Porto Alegre/RS), 16 de Julho de 1900, pág. 01, col. 06


sábado, 18 de novembro de 2023

As águas milagrosas do riacho de Sertão de Cima

 



Lê-se no Diario da Tarde, de Curityba:

"Caso verdadeiramente interessante é este que acaba de nos chegar ao conhecimento e que se está passando no Sertão de Cima, municipio de Jaguariahyva.

Trata-se nada mais nada menos do que de um riacho, cujas aguas estão se tornando celebres pelas curas prodigiosas que estão fazendo.

Diariamente chegam a esse local pessoas e familias vindas de S. Paulo, de Matto Grosso e de pontos longinquos do Estado, arrastando as suas doenças até á margem do riacho milagroso.

A superstição fez com que se espalhasse a noticia de que essas aguas possuem qualidades medicamentosas, cujos effeitos serão sentidos por todos quanto as beberem, ou nellas banharem as partes do corpo affectadas de molestia.

Como sempre succede em casos semelhantes, a fé produz curas extraordinarias; ora no local em questão têm chegado doentes que após o uso da agua, voltam a seus penates completamente curados.

O riacho, um pouco acima do ponto em que se reunem os romeiros, rola por entre pedras escuras.

Essas aguas, aos raios do sol, produzem prismas das mais variadas côres... Tem determinado este facto ser acreditado por muitas pessoas no apparecimento de uma santa, chegando algumas a avançar tel-a visto ricamente vestida, como no nicho das igrejas.

Tudo isso concorre para o augmento da crença no milagre das aguas e chamada de concorrencia ao local.

Ainda ha poucos dias passaram por Jacarezinho com destino ao Sertão de Cima, quatro familias, vindas de longe, em busca do lenitivo aos doentes que carregava.

Dar-se-á o caso que tenhamos no Estado uma nova Lourdes?"

Fonte: A FEDERAÇÃO (Porto Alegre/RS), 16 de Agosto de 1899, pág. 02, col. 05

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