quinta-feira, 29 de dezembro de 2022

Dia D'Rock

 



Com o objetivo de mostrar o potencial do rock garibaldense e o que foi feito em termos de música urbana até agora no município, é o que acontece, logo mais, às 21h no Cine Rex, o Dia D'Rock.

Na ocasião, estarão se apresentando três bandas de Garibaldi: Mutação, Casa de Fundos e Aro Zero.

Fonte: O PIONEIRO (Caxias do Sul/RS), Segundo Caderno, 05 de Junho de 1987, pág. 03

quarta-feira, 28 de dezembro de 2022

O Mate Brasileiro

 



O MATTE BRASILEIRO SERVINDO A NEGOCIOS POUCO ESCRUPULOSOS

BUENOS AIRES, 19 (E) - Vende-se aqui e em Rosario, com o nome de "Matte brasileiro" uma boa herva do Paraná, misturada com outra chamada "cauna", fortemente purgativa.

Essa especulação desacredita o matte brasileiro especialmente o do Paraná

Do Rio Grande do Sul acabam de exportar para Rosario 20.000 saccos de "cauna".

O governo já prohibiu essa exportação, e é de extranhar que o Rio Grande do Sul ainda a permitta.

Annualmente se recebe do Paraná 50 milhões de kilos de matte.

Fonte: CORREIO PAULISTANO (São Paulo/SP), 20 de Dezembro de 1911, pág. 05, col. 02

terça-feira, 27 de dezembro de 2022

O Tratado de Methuen



 Mecanismo essencial na vinculação do sistema colonial à economia de um mundo em desenvolvimento era o comércio anglo-português. Pelo tratado de Methuen de 1703 os produtos de lã, britânicos, entravam em Lisboa e Porto isentos de tributos e, em troca, os vinhos portugueses recebiam privilégios no mercado inglês. Na primeira metade do século XVIII o intercâmbio foi muito favorável à Inglaterra, sendo altos os lucros individuais. Tecidos de lã constituíam dois terços do total das exportações inglesas e de 1756-60 o vinho do Porto representou, em valor, 72% de todo o consumo de vinho da Inglaterra. Desde o início da década de 1730 o grande influxo de ouro e diamantes exagerara o desequilíbrio do intercâmbio anglo-lusitano. Os déficits podiam ser compensados e a aquisição de produtos estrangeiros era facilitada pela saída de ouro que, como observou Henry Feilding, "Portugal distribuía tão liberalmente para a Europa".

Na primeira metade do século XVIII somente a Holanda e a Alemanha sobrepujavam Portugal como consumidores das exportações inglesas, e apenas nos momentos mais críticos da Guerra dos Sete Anos os navios britânicos no porto de Lisboa ficaram aquém de 50% do total. O valor do intercâmbio português era óbvio e bem conhecido: "Com este tratado ganhamos maior saldo de Portugal do que de qualquer outro país", escreveu Charles King. Havia quem visse menos favoravelmente tal relacionamento: o terremoto de Lisboa de 1755 poderia ser transformado em vantagem, proclamava o panfletário Ange Goudar, desde que Portugal aproveitasse a oportunidade para romper vínculo rapace com a Inglaterra. O embaixador francês Choiseul escreveu, rudemente, cinco anos depois: "Portugal tem de ser considerado como uma colônia inglesa".

A facilidade com que o ouro em barras podia ser carregado pelos navios de guerra ingleses e pelos correios de Falmouth baseava-se na longa tradição do comércio britânico com Portugal. As feitorias ou comunidades comerciais inglesas de Lisboa e Porto tinham posição legal e privilegiada desde o século XVII. O tratado de 1654 assegurava aos ingleses não só as "mesmas liberdades e privilégios e isenções do comércio português metropolitano e colonial" como garantia tolerância religiosa e, por um artigo secreto, proibia a majoração das tarifas aduaneiras sobre os produtos britânicos além de 23%. Uma parte do tratado sempre foi letra morta, especialmente relacionada com a presença de comerciantes ingleses nas possessões portuguesas, mas o tratado de 1654 e os que vieram depois proporcionaram um ambiente favorável à criação de um estado de dependência semicolonial que caracterizou as relações do país com seu aliado do norte, no século XVIII. Em 1750 a feitoria contava com muitas velhas empresas britânicas influentes e há muito estabelecidas: entre elas a Bristow, Ward and Co., os agentes de John Bristow de Londres; a Burrel, Ducket and Hardy, agentes de Burrel and Raymond, Chase, Wilson and Co., agentes de T. Chase. "Ricos e opulentos, vendo a cada dia suas fortunas e interesses aumentarem, residiam em Lisboa um grande número de súditos de Sua Majestade", segundo comentário de Lord Tyrawly quando em missão especial em Portugal. "É um dito popular dos nativos", afirmou Costigan, "que, salvo pessoas das mais baixas camadas, não há ninguém nas ruas nas horas mais quentes do sol além dos cães e dos ingleses".

O ouro brasileiro não era o único vínculo entre os britânicos e o complexo colonial. "As cazas de negocio inglezas, associadas com outras estabelecidas na Grã-Bretanha e á imitação dellas outras muitas das differentes Nações da Europa encheu-se Portugal por estes canaes de manufacturas Estrangeiras, e com ellas e o grande cabedal que igualmente destinarão ao trafico deste Reino, se fizerão absolutas Senhora de todo o nosso Commercio assim interior como do Brasil", comentava um contemporâneo. "Poucos ou rarissimos forão os Negociantes Portuguezes em estado de negocear com os seus proprios fundos; nenhum com fazendas que não fossem estrangeiras. Todo o commercio do Brasil se fez a credito, e a maior parte delle por caixeiros das proprias Cazas Estrangeiras, e por commissarios volantes que levavão de Portugal para a America as Fazendas, e ali as vendião e negoceavão por conta dos mesmos Estrangeiros, recebendo uma simples commissão do seu trabalho ou alguma gratificação mais, quando fazião milhor a utilidade dos originarios senhores das mesmas fazendas".

Os "comissários volantes" - comerciantes portugueses itinerantes - compravam mercadorias na metrópole e vendiam-nas, pessoalmente, na América, recomeçando o processo. Eram um elemento essencial das conexões comerciais transatlânticas. Viajavam com falsos pretextos, levando a mercadoria em suas acomodações de bordo, com o que evitavam as despesas de frete, comissões e armazenagens.

Uma grande percentagem dos produtos ingleses exportados para o Brasil, via Portugal, iam diretamente para as colônias espanholas como contrabando. O resultado era importante, pois o funcionamento do sistema no máximo de sua prosperidade proporcionava prata à Inglaterra: vital para o comércio inglês na Ásia.

Fonte: MAXWELL, Kenneth R. A Devassa da devassa: a Inconfidência Mineira, Brasil - Portugal, 1705-1808. São Paulo: Paz e Terra, 2001, 5a. ed., pág. 25-27.

segunda-feira, 26 de dezembro de 2022

Grupo Transe

 



Um novo grupo de rock lança-se na cidade. É o Transe, que faz sua estréia hoje, às nove da noite, no Teatro Municipal da Casa da Cultura. O "Transe" é formado por quatro jovens caxienses com idade variando entre os 17 e os 19 anos: Marcelo Ribeiro Mendes, Sílvio Puccinelli, João A. de Bortoli e Renato Müller. Com exceção de Sílvio, estudante de Engenharia Mecânica na UCS, todos eles são alunos da Escola Cristóvão de Mendoza.

O show denomina-se "Aviões de Guerra" e vai apresentar 14 composições de João de Bortoli e mais "Perdidos na Selva", um dos primeiros sucessos desta nova safra do rock nacional, gravada pela Gang 90. Ao que tudo indica, a produção será muito cuidada. O som estará a cargo da Produ-Som e a iluminação será de Gid. Além do entusiasmo dos integrantes do grupo, esses dois elementos, som e iluminação, possibilitarão os recursos necessários para o rock pesado que o "Transe" se propõe a fazer. Ingressos à venda na bilheteria da Casa da Cultura ao preço único de 30 cruzados. Patrocínio cultural de Eberle S.A.

Fonte: O PIONEIRO (Caxias do Sul/RS), Caderno Sete Dias, 22 de Novembro de 1986, pág. 04

domingo, 25 de dezembro de 2022

sábado, 24 de dezembro de 2022

Festas de Natal em Porto Alegre em 1907



Festas de Natal

Amanhã é o dia consagrado pelos christãos á commemoração ao nascimento de Jesus Christo e por esse motivo repetir-se-ão as festas de todos os annos.

No salão Leopoldina, sob a direcção dos srs. Pedro Müller, Arnaldo Gonçalves, Arlindo Petersen, José A. Rath e Alberto Fehlauer Filho, será commemorado o natal, com o caracter de festa familiar.

Realisar-se-á uma kermesse de creanças, sendo a distribuição dos bilhetes gratuita.

Áquelle salão tem affluido muitos presentes para a arvore do natal.

O Pão dos Pobres, a instituição benemerita do venerando conego Marcellino, fará o natal das creanças pobres, tendo para o fim recebido donativos de casas commerciaes e particulares.

Ás 5 1/2  horas na séde da instituição, no Areal da Baronesa, dar-se-á inicio ao sorteio dos objectos em exposição.

Depois será organisado um premio festivo, sendo feitas manifestações ao Menino Deus, recitadas poesias e feita uma surpresa final.

No arrabalde do Menino Deus as festas obedecerão a um programma mais vasto.

Hoje, ás 6 horas da tarde, haverá vesperas solemnes, e a meia-noite missa solemne, cantando a Ave-Maria a festejada cantora d. Rachel Cartier.

Amanhã, ás 7 horas da manhã haverá missa com acompanhamento de orgam, e ás 9 1/2 missa solemne, pregando ao Evangelho, o bispo de Santa Catharina d. João Becker.

Cantará a Ave-Maria ao prégador d. Sinhásinha Pinheiro.

Ás 6 horas da tarde será entoado solemne Te-Deum.

Em varias casas particulares e arrabaldes, como em Belém Velho, realisar-se-ão tambem festas commemorativas de natal.

Fonte: A FEDERAÇÃO (Porto Alegre/RS), 24 de Dezembro de 1907, pág. 02, col. 03

sexta-feira, 23 de dezembro de 2022

Uma nota sobre o Natal em Porto Alegre em 1867

 



Festejos de Natal no Menino Deus

Aquelle gosto que é peculiar a Monsieur Villain, que teve a bondade de encarregar-se dos ornamentos da capella e de seus arrebaldes; a luz magnetica á noite é de effeito magnifico, e centenares de lampiões de côres augmentão o effeito da illuminação de maneira maravilhosa. Tivemos no dia de Natal musica, mastro da cocanha e fogo de artificio, e a concurrencia foi extraordinaria. Os botequins offerecião opiparos manjares, excellentes refrescos e bebidas refrigerantes, e o proprio tempo esteve propicio, favorecendo a festa com uma bella e estrellada noite de verão. Tambem reinou a maior satisfação em todos os circulos; e foi uma verdadeira festa popular.

As minhas bellas e amaveis leitoras, esses mimosos anjos do Paraizo porto-alegrense, acharão-se ali naturalmente em grande numero?

Podéra não; barcas e carros não tinhão mãos a medir para o transporte de passageiros, e o madamismo ostentou as suas galas em todo o seu explendor. Havia ali toilettes do mais apurado gosto e physionomias dignas do cinzel de um Phydias ou do pincel de um Apelles.

Quanto á isto, não duvido, porque nenhuma outra localidade da provincia e quiçá do Imperio, póde rivalisar com Porto Alegre na belleza e perfeita graça de suas damas. Sinto não ter podido assistir á festa do dia de Natal, mas não perderei as dos dias 5 e 6, tanto mais quanto vamos ter cavalhadas e eu sou maniaco por esse divertimento, que ha de attrahir grande concurrencia de espectadores.

Fonte: A SENTINELLA DO SUL (Porto Alegre/RS), ano I, número 26, 29 de Dezembro de 1867, pág. 219.

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