quinta-feira, 9 de junho de 2022

Ataque dos índios Uaymiris

 



AMAZONAS. - (...)

Tinhão-se recebido em Manáos noticias desagradaveis do Rio-Negro: o Amazonas narra-as do seguinte modo:

"Os Uaymiris, selvagens bravios do rio Jauapery, descêrão ás praias e dominão a margem esquerda do Rio-Negro, desde o quarteirão de Anna-Vilhana até a embocadura do Rio Branco. A população, sobresaltada, procurou asylar-se na margem direita, nos districtos de Ayrão e de Moura, onde não é provavel que os selvagens vão, porque não são navegadores, e nem as ubás, de que usão, se prestão ás grandes travessias. Apenas servem para se transportarem para as ilhas pelo lado mais estreito, e nesses ilhas passão o verão por causa da abundancia de ovos e peixe que ha na secca do rio.

O tenente Souza Lobato, que segue para o Rio-Branco, acha-se parado em Moura e receioso de proseguir em sua viagem.

De bordo do vapor, distinguiu-se perfeitamente na praia da ilha do Jacaré um magote de gentios, a mui curta distancia, tanto que houve quem contasse até ao numero de 14 seres.

Todos os annos, os Uaymiris fazem suas correrias, e o mais é que, tão proximo da capital, ainda se não pôde extinguir essa horda de selvagens, cuja indole perversa e sanguinaria tão tristes resultados tem dado.

Ha bem pouco tempo, derão elles cabo de uma familia de 14 pessoas, escapando apenas uma, que pôde fugir em uma pequena montaria. O anno passado, atacárão a embarcação do Venezuelano d. André Level, ferindo e matando-lhe algumas pessoas de equipagem, além do roubo e prejuizo que soffreu em suas mercadorias."

Fonte: DIARIO DE SÃO PAULO (São Paulo/SP), 27 de Dezembro de 1871, pág. 01, col. 02

quarta-feira, 8 de junho de 2022

Refugiados de guerra em Jaguarão

 



Lê-se no Onze de Junho, folha de Jaguarão, de 2 do corrente:

"O distincto coronel Manoel Amaro Barbosa, em virtude dos avisos e ordem do governo imperial, apresentou-se hontem voluntariamente ao commando da guarnição desta cidade, dando assim uma prova de obediencia ao governo, e proferindo em todo o caso antes de ser brasileiro, a perder todos os seus interesses no Estado-Oriental."

Os jornaes de Jaguarão, recebidos na capital, dizião que havia ali ajuntamentos, a todas as horas do dia, e com mais liberdade á noite, de gaúchos emigrados do Estado-Oriental, aos quaes se reunião escravos e outras pessoas da população; estes factos, que erão muito frequentes, despertavão apprehensões na cidade.

A Reforma, do Jaguarão, diz que se tinha apresentado em uma das guardas da nossa fronteira uma força de 80 a 100 homens, pertencentes ao governo de Montevidéo, e que se refugiára no territorio brasileiro, acossada pelas tropas da revolução. A força entregou as armas.

Na tomada de Artigas fôra morto o oriental José Bibiano Salgado, cujo nome era estimado em Jaguarão, pelo auxilio que prestou outr'ora á defesa desta cidade.

Fonte: DIARIO DE SÃO PAULO (São Paulo/SP), 24 de Setembro de 1871, pág. 02, col. 04-05

terça-feira, 7 de junho de 2022

Mercenários brasileiros no Uruguay



 Noticias das provincias

(...)

Ao Rio-Grandense communicárão do Jaguarão, em data de 12 do passado, relativamente ao cerco da proxima villa oriental de Artigas por uma força blanca:

"Alguns Brasileiros, enthusiastas do partido colorado, que para ali passarão, estenderão uma pequena guerrilha aos revolucionarios, na qual succumbiu como um leão, como verdadeiro Brasileiro, o nosso Elias sapateiro, que depois de morto foi esquartejado pelos salteadores de 27 de Janeiro."

Fonte: DIARIO DE SÃO PAULO (São Paulo/SP), 10 de Setembro de 1871, pág. 02, col. 01

segunda-feira, 6 de junho de 2022

Chuva de sangue no Maranhão

 



Chuva de sangue. - Lê-se no Paiz do Maranhão:

De Chapadinha escrevem-nos:

No lugar Bacabal-velho, distantes desta povoação cerca de mil e dusentas braças, onde mora Licinio Pereira Bastos, appareceu uma neblina de sangue, pelas 5 horas da tarde, do dia 3 deste mez, que tem dado abalo a muita gente, especialmente a diversas pessoas que vierão do Ceará corridas da secca; pois dizem ellas que o annuncio da secca ali for uma cacimba de sangue do rio Canindé! Ás horas acima do dia mencionada, achando-se só a esposa de Licinio, D. Rita Barroso com Agostinha, sua visinha, e estando esta sentada no terreiro da cada, dando papa á filha de D. Rita, quando appareceu um vento tangido do sul, conduzindo a chuva de sangue como aqui dizem; e sentindo Agostinho a humidade do sangue, disse a D. Rita que sentia estar levando uma especie de chuva; e olhando esta para aquella, vio-a toda pintada de sangue e assim tambem a menina; ficaram muito atemorisadas, lançaram um panno branco no terreiro, o qual ficou logo chuviscado de sangue, e tambem cessou a chuva.

A casa de Licinio está com as goteiras do lado do sul, pintadas de chuviscos de sangue, como as paredes até certa altura, e assim ficou o cabo de um machado, um pilão e outros objectos, como observei.

Fonte: O CEARENSE (Fortaleza/CE), 12 de Outubro de 1880, pág. 02, col. 03

domingo, 5 de junho de 2022

Geada na província do Rio de Janeiro

 



Escrevem de Sapucaia ao Jornal do Commercio:

"Phenomeno virgem no medio e baixo Parahyba, a temperatura desceu nas noites de 9 para 10 do corrente e de 10 para 11 a 13 cent. As proprias margens do rio amanheceram cobertas de geada; facto de que não ha lembrança em taes paragens.

Esta geada dissipou as esperanças que alimentava o estado prospero dos cafezaes, de uma abundante safra em 1880. A deste anno, que foi a quinta parte da do anno passado, terá por successora uma ainda menor.

Quando a geada chegou ás margens do Parahyba, quaes não terão sido os estragos em todas as outras zonas cafezeiras?"

- Escrevem da freguezia do Paty do Alferes à citada folha:

"Nas noites de 8 e 9 do corrente cahiu tão forte geada que queimou os cafezaes e causou grande prejuizo. É facto virgem no municipio."

Fonte: O CEARENSE (Fortaleza/CE), 05 de Setembro de 1879, pág. 02, col. 01


sábado, 4 de junho de 2022

Ataque dos índios coroados

 



Mato Grosso. - (...)

- Os indios coroados continuavam em suas correrias. Em S. Vicente Ferrer assassinaram a Theotonio Góes Aranha e incendiaram a caza.

No sitio Olhos d'agua mataram a flexadas, cacetadas e com fogo ao velho Manoel do Nascimento, a Miquelina de Goveia e uma moça, filha desta, de nome Maria da Conceição, cujos corpos forão mutillados por forma horrorosa.

Os indios, em serra acima vão se tornando cada vez mais encarniçados nas suas medonhas e devastadoras correrias. Já existem queimados muitos sitios de lavoura, outros abandonados pelos proprietarios que não dispõem de grande pessoal.

- A presidencia contratou o bravo indio capitão Alexandre Bueno para cathechisar e aldear os indios que infestam a provincia.

Fonte: O CEARENSE (Fortaleza/CE), 16 de Setembro de 1877, pág. 01, col. 03

sexta-feira, 3 de junho de 2022

Serpente marinha na costa da França



 Serpente marinha. - A Gazeta de Macdo, diz que o capitão Biliman, da barca dinamarqueza Eulalia, acaba de chegar a Shanghae com noticia authentica da serpente marinha. Pela longitude 223 de Paris, e latitude 9 N, estando o tempo em calmaria observou-se de repente um movimento insolito no mar á distancia de cerca de quatro milhas da barca. Em breve do meio das aguas sahio uma mole enorme de côr esverdeada que se conheceu ser fóra de toda a duvida, o costado de algum grande animal, depois de alguns movimentos desordenados, surgio mais adiante deste ponto, no meio de violento espadanar das aguas, a cabeça hedionda do monstro reptil. A grande distancia não permittia bem reconhecer o feitio do horrivel monstro e depois de se conservar algum tempo á tona d'agua, agitando o seu enorme corpo, o animal sumio se no abysmo, deixando grandemente maravilhados o capitão e a tripolação da Eulalia.

Assignaram um termo do que haviam presenciado.

Fonte: O CEARENSE (Fortaleza/CE), 08 de Março de 1874, pág. 04, col. 01

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