domingo, 14 de março de 2021

A Imigração no Paraná



"No Paraná, os imigrantes vinham sob a condição de colonos e tinham de formar as lavouras a partir da abertura das picadas na mata, bem como fazer suas próprias moradias. Neste Estado, o objetivo primordial era fomentar o cultivo da agricultura de subsistência, para manter abastecidos os centros urbanos que já passavam por raleamento de produtos agrícolas. Para tornar possível essa circulação das novas forças de trabalho, as estratégias estatais deveriam, em primeiro lugar, criar condições propícias a fim de que o território a ser ocupado se tornasse uma 'área de atração' aos imigrantes.

Até o começo do século XVIII, a população da região onde hoje se configura o Paraná era constituída de portugueses, vindos do Reino, castelhanos, índios, negros africanos e de nativos descendentes dessas três raças. A mão de obra constituía a maior dificuldade para o desenvolvimento do território. Nesse contexto, a imigração passou a ser vista como solução para o problema. Assim, os primeiros imigrantes foram trazidos, justamente, para povoar e defender um dos pontos de 'pouso' das tropas que demandavam do Rio Grande do Sul para São Paulo.

Algumas medidas tomadas no ano de 1808, pela presença da corte portuguesa no Brasil, foram essenciais para o desenvolvimento da imigração e colonização do país, como a abertura dos portos e a segurança ao estrangeiro em relação à propriedade territorial. Se, inicialmente, a imigração foi considerada fórmula ideal para a substituição da mão de obra escrava, posteriormente, passou a ser considerada importante para a ocupação de vazios demográficos, ocupação do solo e empreendimentos agrícolas. Dessa maneira, conforme afirmação de Balhana, Machado e Westphalen, inaugura-se, na América, a tradição da 'porta aberta' para os imigrantes de todas as procedências e culturas.

O início da imigração para os Estados do Sul do Brasil data da década de 1820, quando foram fundadas, por grupos de alemães, as primeiras colônias nas atuais cidades de Itajaí (Santa Catarina), Rio Negro (divisa entre os Estados de Santa Catarina e Paraná) e de São Leopoldo (Rio Grande do Sul).

O Ato Adicional de 1834, porém, deu novo estímulo ao programa imigratório, já que o Governo Imperial delegou aos governos provinciais competência para 'promover e estimular, em colaboração com o poder central, o estabelecimento de colônias'.

Em 1847 o médico francês, Jean Maurice Faivre, fundou, nas proximidades do rio Ivaí, a colônia Tereza Cristina. Com 87 imigrantes franceses, essa colônia tinha princípios do socialismo utópico (buscava viver sem promover lucros), mas acabou fracassando.

Com o fim do tráfico negreiro (Lei Eusébio de Queirós, 1850), com a lenta diminuição dos escravos e com a elevação do preço do café e sua expansão no Estado de São Paulo, parte considerável da população escrava paranaense foi vendida para cafeicultores paulistas, provocando uma relativa crise no abastecimento agrícola, uma vez que eles se constituíam na principal fonte de mão de obra rural.

Os documentos oficiais da época enfatizam a necessidade de se estimular a imigração no território paranaense. No Relatório do Presidente da Província, do ano de 1854, o Presidente Góes e Vasconcellos afirmou ser essencial 'encher de população ativa o vasto território [...] onde o europeu se depara com um clima análogo ao do país natal'. No Relatório de 1855 fica clara a ideia de se 'promover a imigração de colonos morigerados e laboriosos', ou seja, de colonos considerados de bons costumes e trabalhadores. O Relatório apresentado pelo Vice-presidente da Província, em 1857, esclarece que, se o governo desejasse promover a 'colonização', deveria proceder 'por meio da venda de terras devolutas'.

Em 1860, foi fundada, pelo governo da província, com o apoio do governo imperial, a Colônia Assungui, atual município de Cerro Azul, região de Curitiba. Porém, a falta de infraestrutura deixava-a em condições de isolamento, fazendo com que muitos imigrantes a abandonassem.

Nos anos de 1875-1877, o Presidente da Província do Paraná, Adolpho Lamenha Lins, permitiu a formação de várias colônias. Sua intenção era que os imigrantes pudessem adquirir em condições facilitadas bons lotes de terras; para isso induziu a construção de meios físicos, como estradas e pontes, para permitir o melhor escoamento da produção, evitando o isolamento socioeconômico do imigrante.

As colônias Orleans, Tomás Coelho, Santo Inácio, Rivière, D. Pedro, Dom Augusto, Lamenha e Santa Cândida, localizadas, na sua maioria, a Oeste de Curitiba, resultaram dessas iniciativas de Lamenha Lins. Não é sem sentido, também, que essa política de implantação de colônias para estrangeiros recebeu diversas críticas, sobretudo daqueles que defendiam que as colônias deveriam ser organizadas para colonos pobres nacionais.

O processo imigratório no Paraná apresenta algumas particularidades que o tornam diferente, em parte, dos processos ocorridos no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina. Como relata Maria Tereza Petrone, poucos foram os núcleos de colonização compacta, com uma só etnia. Em geral, os núcleos acabavam sendo formados por duas ou mais etnias. Essa heterogeneidade de nacionalidades impediu uma colonização mais homogênea, apesar de os grupos tentarem, constantemente, preservar sua identidade cultural única.

A entrada de imigrantes acabou auxiliando, posteriormente, a expansão industrial, mas contribuiu, também, para mudanças nas relações de trabalho, mesmo quando a escravidão ainda era vigente. Foi sendo construída, principalmente nos núcleos urbanos, uma cultura de trabalho assalariado, mesmo que em pequenas empresas.

Aliás, um dos aspectos que é importante salientar é essa gradativa transferência de descendentes de imigrantes para os centros urbanos. Muitos fatores colaboraram para isso, como a proximidade das colônias com as cidades, a religião, pois muitos imigrantes começaram a fazer parte das cerimônias, sacramentos e corais, e as dificuldades e falta de condições estruturais para o trabalho no campo.

O contraste entre as propagandas realizadas na Europa e as dificuldades encontradas pelos imigrantes em terras paranaenses levavam muitos colonos a abandonarem a província. Conforme Machado, a falta de apoio aos colonos, a existência de terras inférteis e ausência de infraestrutura básica causaram um impacto negativo na imigração paranaense. Tanto que houve uma crise de imigração no final da década de 1870 e início da de 1880. O processo foi retomado com mais ênfase a partir de 1885, quando o então Presidente da província, Alfredo d'Escragnolle Taunay, recuperando a política imigratória do Presidente Lamenha Lins, incentivou e subsidiou a vinda de colonos estrangeiros.

Apesar das dificuldades, o Paraná recebeu milhares de imigrantes. No ano de 1934 haviam adentrado no Paraná cerca de 47.731 poloneses, 19.272 ucranianos, 13.319 alemães, 8.798 italianos e 9.826 grupos de outras nacionalidades, compondo um número total de 101.331 imigrantes.

Os alemães foram os primeiros imigrantes a chegar ao Paraná, no ano de 1829, fixando-se em Rio Negro. Essa iniciativa coube ao fazendeiro, comerciante e tropeiro João da Silva Machado, que depois se tornou o Barão de Antonina. Os alemães tiveram longa história de imigração no Paraná, que se estendeu desde as primeiras décadas do século XIX, até meados do século XX. Durante a Primeira e a Segunda Guerra Mundial parcelas significativas se radicaram no Paraná. Os alemães trouxeram consigo suas atividades tradicionais (agricultura, olaria, marcenaria e carpintaria) e com isso ajudaram no desenvolvimento das cidades, sobretudo no comércio e indústria. As maiores concentrações alemães do Estado encontram-se em Rolândia, Cambé, Rio Negro e, principalmente, Marechal Cândido Rondon.

Os imigrantes espanhóis formaram suas colônias em Jacarezinho, Wenceslau Braz e Santo Antônio da Platina. O movimento imigratório para o Paraná tornou-se mais intenso no período compreendido entre os anos de 1942 e 1952, possibilitando uma fixação também na cidade de Londrina. Suas principais atividades estão ligadas ao comércio e à indústria moveleira.

Os holandeses vieram para o Estado por volta de 1909 e se fixaram nas proximidades de Irati. Algumas famílias, não se adaptando à região, acabaram voltando para a Holanda, enquanto que aquelas persistiram dirigiram-se para a região dos Campos Gerais (Carambeí), fundando uma Cooperativa Holandesa de Laticínios em 1925, a qual é destaque até os dias atuais.

Os italianos contribuíram muito para o trabalho nas lavouras de café e, posteriormente, em outras culturas. A maior concentração italiana do Estado está em Curitiba, na Lapa, no Litoral, em Palmeira e, também, em Morretes. No Norte do Paraná, praticamente não há cidade sem a presença dos italianos, que primeiramente se radicaram no Estado de São Paulo e, depois, se transferiam para o Paraná, acompanhando as frentes de ocupação e a cultura do café.

Os poloneses chegaram ao Paraná por volta de 1871, transmigrados de Brusque, Santa Catarina. Fixaram-se, principalmente, nas áreas de Mallet, Cruz Machado, Ivaí, Reserva, São Mateus do Sul, Rio Claro e em Curitiba, onde residem, em maioria, nos bairros de Santa Cândida e Abranches.

Os ucranianos vieram para o Paraná entre os anos 1895 e 1897, formando suas colônias entre Mallet e Prudentópolis. Além destas cidades, estão também espalhados por Pato Branco, Roncador e União da Vitória.

Os árabes instalaram-se primeiramente em Paranaguá, ocupando depois, as cidades de Londrina, Maringá, Curitiba, Araucária, Lapa, Ponta Grossa, Guarapuava, Serro Azul e Foz do Iguaçu, que, hoje, abriga a maior colônia desses imigrantes. Além da forte influência gastronômica, os árabes, no Paraná, se ligaram à arquitetura, à música e à dança.

A imigração portuguesa também representa seus traços fortes no Estado. A presença dos lusos no país sempre foi marcante e intensa por toda a conjuntura da história do Brasil ligada a Portugal. No Paraná, a cidade de Paranaguá, a qual servia de porta de entrada, possui a maior concentração de imigrantes portugueses. Também houve interesse dos lusos pelas regiões de Maringá, Londrina, Campo Mourão e Umuarama, durante o auge do ciclo do café. No Norte do Paraná, ainda hoje os portugueses se destacam, por suas atividades comerciais.

Por fim, entre os grupos que merecem destaque estão também os japoneses. Maringá, Londrina, Uraí e Assaí são os grandes núcleos de presença japonesa, e as duas últimas cidades originaram-se como colônias fundadas por japoneses. Em 2008 tivemos as comemorações do centenário da imigração japonesa para o Brasil. Nesse longo século, os imigrantes que chegavam dirigiam-se, principalmente, às lavouras cafeeiras do Estado de São Paulo e Paraná. Além da cultura tropical, os japoneses se empenharam na piscicultura, cultivo de hortaliças, fruticultura e na introdução da criação do bicho-da-seda no Estado."

Fonte: AMÂNCIO, Silvia Maria; IPÓLITO, Veronica Karina; POMARI, Luciana Regina; PRIORI, Angelo. História do Paraná: séculos XIX e XX [livro eletrônico]. Maringá: Eduem, 2012.

sábado, 13 de março de 2021

Dia dos Reis em Pelotas em 1860



"Dia de Reis. - Como de costume percorreu na vespera e no dia de Reis uma banda de musica as ruas tocando e cantando n'algumas das principaes casas de Pelotas. Na noite de 6 do corrente percorreu tambem um bando de mascaras algumas das ruas."

Fonte: O BRADO DO SUL (Pelotas/RS), 08 de Janeiro de 1860, pág. 01, col. 03

quinta-feira, 11 de março de 2021

Pai Joaquim de Taquari



"Noticia a folha local de Taquary:

'Falleceu ha dias n'este municipio, onde residia ha muitos annos, o velho africano geralmente conhecido por pae Joaquim.

Era medico, adivinho, feiticeiro e não sabemos que outras virtudes lhe emprestava a tradição popular.

Até de longe, de localidades bem distantes, vinham clientes consultar o pae Joaquim, que os desenfeitiçava em tres tempos e meio.

Tinha uma popularidade extraordinaria o bom preto velho. Ás vezes que aqui apparecia era acompanhado por um estado-maior que faria inveja... a quem não tem estado-maior. Trajava bem e tratava-se melhor ainda. As suas paixões predilectas, pelo que deixava vêr, eram as mulheres, o bom vinho e os anneis, que usava abusivamente: quasi todos os dedos cheios d'elles, de todos os feitios e de todos os metaes.

Que a terra seja leve ao pae Joaquim, que com todos os sortilegios, nunca fez mal a quem quer que fosse."

Fonte: A FEDERAÇÃO (Porto Alegre/RS), 07 de Agosto de 1895, pág. 02, col. 05

quarta-feira, 10 de março de 2021

Sorveteria Falcone & Albanese



"Fabrica de gelados

Temos uma bem montada fabrica de gelados na capital.

Estabeleceram-n'a os srs. Falcone & Albanese, a rua General João Manoel, n. 2.

Era de estranhar que, até á data presente, Porto Alegre com o seu verão abrazador, abafadiço, quasi impiedoso, não conhecesse em materia de refrigerantes sinão o sorvete barato dos cafés e das carrocinhas.

Em todas as cidades adiantadas os gelados sob mil fórmas galantes constituem uma das mais delicadas gulosias da boa sociedade.

Ao nosso escriptorio trouxe hontem o sr. Giovanni Falcone, intelligente pintor-cenographo, que ora dedica a sua actividade á industria, amostras de gelados de baunilha, chocolate, morango, limão, etc., tendo todos por base creme.

Os gelados são consistentes e tomam varias configurações, como dissemos acima.

Em um só artigo encontram-se reunidos o morango, a baunilha, o limão, etc., e cujo delicioso gosto se junta o aspecto do producto, que ora é delicadamente bicolôr, como que para lembrar que foi um artista que o matisou.

Os gelados, sobre serem extremamente agradaveis, não contem nenhuma substancia prejudicial á saude.

Antevemos o seu geral acolhimento, da estação calmosa que vae principiar."

Fonte: A FEDERAÇÃO (Porto Alegre/RS), 24 de Outubro de 1895, pág. 02, col. 02

terça-feira, 9 de março de 2021

Vinhos gaúchos de 1899



Adaptação de uma análise  produzida pela Estação Agronômica do Estado do Rio Grande do Sul publicada no jornal A FEDERAÇÃO de Porto Alegre em várias edições durante o mês de dezembro de 1899, sendo elas: 01 de Dezembro, pág. 01, col. 02-03; 02 de Dezembro, pág. 01, col. 04-05

1. Produtor: Antonio Joaquim Gonçalves; Procedência: 1o. distrito de São José do Norte; Uva: não indicada; Observações:

"O vinho em questão comparado com aquelles que vieram de S. José do Norte é um dos melhores. A côr que apresenta, porém, não está em relação á sua força alcoolica que é representada por 8,3% em volume e 6,64% em peso."

2. Produtor: Antonio Joaquim Gonçalves; Procedência: 1o. distrito de São José do Norte; Uva: "ordinária"; Observações:

"O vinho d'esta amostra é inferior ao da primeira: elle é menos alcoolico e mais acido; certamente com a uva melhor foi fabricado o vinho da 1a. amostra.
Nos nossos vinhos nacionaes provenientes da Izabel acontece geralmente que a acidez augmenta quando diminue a força alcoolica.
A côr de ambos os vinhos nos faz suppôr ter sido o vinhedo atacado por molestias cryptogamicas particularmente pela peronospora viticola."

3. Produtor: H. Otto Glaeser; Procedência: 1o. distrito de São José do Norte; Uva: não indicada; Observações:

"Vinho muito ordinario; o mais fraco dos que vieram de S. José do Norte e o mais fraco tambem dos que foram analysados. Não póde ser certamente se não um segundo produto isto é a uva melhor foi vendida ou com ella foi feito outro vinho.
Tambem o vinhedo póde ter sido atacado por molestias cryptogamicas.

4. Produtor: João Simões da Rosa; Procedência: São José do Norte; Uva: não indicada; Observações:

"Vinho fraco dos mais ordinarios; vinho que difficilmente se conserva.
A cifra acido-alcool é inferior á normal."

5. Produtor: José Francisco Costa; Procedência: São José do Norte; Uva: "ordinária";Observações:

"Vinho de côr duvidosa visto que distillado emittia a côr junto ao alcool.
Veiu tambem mal engarrafado, seria necessario outra amostra para ser procedida nova analyse."

6. Produtor: Luiz Antonio Teixeira; Procedência: São José do Norte; Observações:

"Vinho meio regular."

7. Produtor: João Feliciano Xavier; Procedência: Quinta Felicidade, Capão do Meio, São José do Norte; Uva: não indicada; Observações:

"O vinho em questão é o melhor dos vinhos de procedencia de S. José do Norte, pois possue 9,3% de alcool. Sua côr é de vinho velho e é por isso que o extracto secco é um pouco escasso. Parte da acidez é devida á presença do acido carbonico que contém."

8. Produtor: Agostinho A. de Almeida; Procedência: Santa Tecla, Bagé; Uva: não indicada; Observações:

"Vinho picante, mas bom. Quanto a cor que apresenta, faz suppor que as videiras foram borrifadas pela solução cuprica antiperonosperica.
O acido sulforoso provem da sulfuração racional dos toneis."

9. Produtor: Ambrosio Perret; Procedência: Quinta do Bom Retiro, Pelotas; Uva: Isabel; Observações:

"É um dos melhores vinhos de uva Isabel, dos que foram analysados; sua transparencia, cor, gosto agradavel e acondicionamento merecem ser elogiados."

10. Produtor: Ambrosio Perret; Procedência: Quinta do Bom Retiro, Pelotas; Uva: Portuguesa; Observações:

"O vinho em questão foi engarrafado antes do tempo. É muito acido e fraco e o extracto secco provém em parte por estar o vinho toldado.
A videira chamada ampelographicamente 'Portuguesa' si bem que em geral seja cultivada como uva para mesa, deveria dar um producto melhor; duvidamos, portanto, que o producto seja realmente d'esta variedade de vitis vinifera."

11. Produtor: Indústria Vinícola Pelotense; Procedência: Pelotas; Uva: não indicada; Observações: 

"O facto de encontrar-se surforça alcoolica n'este vinho, o que não se dá com os nossos nem com qualquer vinho tinto commum, demonstra que este vinho foi alcoolisado."

12. Produtor: André Demarchi; Procedência: Uruguaiana; Uva: Lord Harriague; Observações:

"Este como os demais vinhos fabricados pelo sr. Demarchi tem pouca acidez, tornando assim o producto mais delicado e agradavel ao paladar. São vinhos excellentes e, a nosso ver, são os melhores, que se fabricam no Estado."

13. Produtor: Bergalho & Pinto; Procedência: Uruguaiana; Uva: Lord Harriague; Observações:

"Vinho mais tino que o da amostra n. 2.
Devido a isto tem tambem 3 grammas mais por litro de extracto secco."

14. Produtor: Bergalho & Pinto; Procedência: Uruguaiana; Uva: Lord Harriague; Observações:

"Á vista dos algarismos o vinho d'esta amostra tem mais valor do que o da amostra antecedente, n. 4."

15. Produtor: André Demarchi; Procedência: Uruguaiana; Uva: Lord Harriague; Observações:

"Vinho inferior ao da amostra n. 3.
Os vinhos do sr. Demarchi quer sejam fabricados com uvas de sua propriedade, quer sejam com uvas dos srs. Bergalho & Pinto apresentam quais a mesma composição. Assim o alcool varia entre 10,1 e 10,4% em volume e acidez entre 4,3 e 4,9 gs. por litro. São, repetimos, os melhores vinhos que foram remettidos."

16. Produtor: Luiz Danigno; Procedência: Jaguarão; Uva: Isabel; Observações:

"O vinho veiu mal engarrafado. É muito acido e o algarismo 20,2 do extracto secco é devido em parte á materia corante, sendo que quanto á côr nada deixa a desejar."

17. Produtor: José Antunes; Procedência: Ilha dos Marinheiros, Rio Grande; Uva: Isabel; Observações:

"É o mais acido dos vinhos analysados. As cifras 7,8 e 6,9 que exprimem a acidez total por litro em acido sulfurico e a força alcoolica indicam ser um vinho muito ordinario. Entretanto na exposição agricola de Pelotas foi distinguido com menção honrosa.
O vinho tem aliás um defeito: tem um amargo pronunciado de barril."

18. Produtor: Jean Capdebosq; Procedência: Pelotas; Uva: Isabel; Observações:

"Na exposição agricola e pastoril de Pelotas realisada durante o anno corrente foi concedido o primeiro premio a este producto. O vinho é bom attendendo a ter sido fabricado com uva Isabel, porém as amostras remettidas pelo sr. Perret de Pelotas, pelo sr. Angelo Rocca de Jaguarão e pelo sr. Portella de Uruguayana são de qualidade superior."

19. Produtor: Carlos Reguly; Procedência: São Lourenço do Sul; Uva: não indicada; Observações:

"A cor do vinho deixa muito a desejar tirando-lhe parte do seu valor.
Provavelmente as videiras foram atacadas por molestias cryptogamicas e a uva foi colhida passada de madura."

20. Produtor: Ambrosio Perret; Procedência: Quinta do Bom Retiro, Pelotas; Uva: Herbemont; Observações:

"O vinho foi engarrafado antes do tempo, pois que chegou toldadissimo como se vê pelo resultado da analyse do extracto secco.
É um producto superior ao tal da uva Portugueza e em geral aos das videira Isabel, a cor, porém, absolutamente não agrada."

21. Produtor: Jeronymo Vieira de Souza; Procedência: Jaguarão; Uva: não indicada; Observações:

"Vinho bom, só tem um defeito accidental que lhe foi communicado pelo recipiente, tem gosto á madeira.
Parte da acidez provém do acido carbonico que contém este vinho."

22. Produtor: Antonio Portella; Procedência: Uruguaiana; Uva: não indicada; Observações:

"A cor influiu muito no peso do extracto secco. Si for vinho fabricado com uva Isabel é dos analysados um dos melhores."

23. Produtor: Francisco dos Santos Oliveira; Procedência: Chácara do Sr. Amancio Nogueira, Jaguarão; Uva: Isabel; Observações:

"Nos vinhos provenientes de uva Isabel, pobres am alcool, geralmente a cor é indicio de muita acidez. O vinho mencionado é pois um dos mais ordinarios dos procedentes de Jaguarão."

24. Produtor: Raphael Antonio Bastos; Procedência: Jaguarão; Uva: não indicada; Observações:

"Vinho regular. Tem, porém, gosto de barril parecendo até que este tivesse contido alcatrão."

25. Produtor: José Tellechea; Procedência: Uruguaiana; Uva: não indicada; Observações:

"Vinho muito bem conservado occupando o primeira logar entre os analysados.
Tanto este como o da amostra seguinte serão mais tarde submettidos a uma outra analyse. Certamente o vinho não provém de videira Isabel, porque o vinho d'esta uva não possue tanto alcool."

26. Produtor: Domingos Tellechea; Procedência: Uruguaiana; Uva: não indicada; Observações:

"É inferior ao antecedente. É bastante acido e revelando quantidade de acido acetico, que o desvalorisa.
O extracto secco (24,8 gramas p. litro) é devido em parte a cor carregada, podendo servir para colorir outros vinhos.
Tambem este vinho, suppomos, não provir de uvas de videira Isabel."

27. Produtor: Angelo Rocca; Procedência: Jaguarão: Uva: Isabel; Observações:

"Vinho de videira nova. O mais forte e encorpado dos analysados, fabricado com uva de videira Isabel, merecendo ser elogiado."

28. Produtor: Leivas; Procedência: Pelotas; Uva: não indicada; Observações:

"Vinho alcoolisado."

29. Produtor: Rodrigues Vieira; Procedência: Jaguarão; Uva: não indicada; Observações:

"Vinho muito fraco. É o mais ordinario de todos os que vieram de Jaguarão."

30. Produtor: Estevão Piuma; Procedência: Jaguarão; Uva: não indicada; Observações:

"Vinho meio fraco - tem, porém, bastante extracto secco."

31. Produtor: Manoel Valente; Procedência: Jaguarão; Uva: não indicada; Observações:

"Vinho um pouco acido, tem, porém, cor agradavel."

32. Produtor: Manoel de Almeida Neves; Procedência: Jaguarão; Uva: não indicada; Observações:

"Vinho agradavel, relativamente bom."

33. Produtor: João Frederico Rache; Procedência: Jaguarão: Uva: não indicada; Observações:

"A garrafa da amostra não estava cheia: falta quasi a metade do conteudo. A analyse portanto não tem valor absoluto, o vinho analysado é, porem, ordinarissimo."

34. Produtor: Neves & Irmãos; Procedência: Chácara Bona Vista, Jaguarão; Uva: não indicada; Observações:

"Vinho ordinario, acido e mal engarrafado."

35. Produtor: Antonio de Bom; Procedência: Jaguarão; Uva: não indicada; Observações:

"O vinho foi mal conservado; é melhor, todavia, que o antecedente."

36. Produtor: Basilio Rodrigues; Procedência: Chácara de Oliveira Pereira Bretanhas, Jaguarão; Uva: não indicada; Observações:

"É um dos mais ordinarios remettidos de Jaguarão."

37. Produtor: Jeronymo Vieira; Procedência: Chácara de Beatriz Amaro da Silveira Rangel, Jaguarão; Uva: não indicada; Observações:

"Si não fosse tão acido seria um producto regular."




segunda-feira, 8 de março de 2021

Frases sobre mulheres do final do século XIX no Rio Grande do Sul



 Mulher que só vive de rosário na mão, fujam dela: só está estudando meios para viver sem trabalhar.

Mulher beata, nem sonhar com ella é bom: é coito de malvadez.

Mulher faladeira tem a língua de dez matracas.

Mulher vaidosa é fazenda avariada.

Mulher ciumenta é carrapato de catinga.

Mulher janeleira é telegrapho urbano.

Mulher preguiçosa é sapo, que não tem utilidade.

Mulher que perde o brio, é sapato sem fundo, que não serve para nada.

Mulher que chupa aguardente é pote rachado, pois não merece confiança.

Mulher que acredita em feitiço é bolço rasgado, todo dinheiro lá se vae.

Fonte: FARRAPO: JORNAL DEMOCRATA (Quaraí/RS), Ano I, número 13, 16 de Novembro de 1896, pág. 04, col. 02

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