quinta-feira, 31 de dezembro de 2020

Feliz Ano Novo 2021!


Um próspero Ano Novo de 2021 repleto de saúde, amor, prosperidade e realizações
a todos visitantes, colaboradores e seguidores do blog!
O desejo sincero de um ano de paz e saúde!

 

Bernardino Joaquim da Silva


"Registro mortuario

Hoje, ás 11 1/2 horas, falleceu n'esta capital o respeitavel ancião Bernardino Joaquim da Silva, victimado pela variola.

O finado contava 64 annos de idade e ha mais de 40 era empregado no arsenal de guerra, onde gosava de geral estima e consideração.

Á sua familia, e com expecialidade aos nossos co-religionarios administrador das officinas d'esta folha Antonio Henrique da Silva e seus irmãos, tambem ahi empregados, as nossas condolencias pela morte de seu pai."

Fonte: A FEDERAÇÃO (Porto Alegre/RS), 22 de Setembro de 1892, pág. 02, col. 03

quarta-feira, 30 de dezembro de 2020

Manoel Nunes Brum


"Registro mortuario

(...)

No districto de Palmares, Conceição do Arroio, falleceu a 12 do passado, o cidadão Manoel Nunes Brum, contando 77 annos de idade."

Fonte: A FEDERAÇÃO (Porto Alegre/RS), 15 de Fevereiro de 1892, pág. 01, col. 03

terça-feira, 29 de dezembro de 2020

Diário Popular

 


Foi fundado por Theodósio Menezes em 27 de agosto de 1890, em Pelotas, Rio Grande do Sul. Em seu site, o Diário Popular se define como: “testemunha fiel da história e porta-voz dos interesses do sul do Estado” e “diretamente ligado ao desenvolvimento de Pelotas e região”. 

O Diário Popular surge como um periódico diário, que circulava de domingo a domingo, encadernado em papel, com seis a oito páginas por edição. Sua proposta era ser um jornal “independente”. Contudo, logo nos primeiros meses de circulação, foi vendido ao Partido Republicano Rio-Grandense, o PRR e, dessa forma, como órgão do PRR, tornou-se veículo oficial já em seu primeiro ano. 

Nessa condição permaneceu até o início dos anos 1930, quando perdeu o posto para O Liberal, marcando aproximadamente 40 anos de ligação partidária oficialmente declarada, definindo seu perfil inicial e tornando-se especialmente interessante para aqueles que buscam na imprensa escrita de Pelotas algumas definições da ideologia republicana e suas relações com as demais. 

O Diário Popular da década de 1920 geralmente dedicava sua primeira página aos fatos políticos de interesse do PRR, diferindo o conteúdo publicado apenas por modificações de enfoque, conforme a orientação da direção do jornal. Contudo, à semelhança de outras folhas da cidade e do estado, também publicava textos de caráter informativo, propagandas e notificações oficiais. Tinha seções dedicadas a assuntos locais (que não eram necessariamente políticos), textos de terceiros, geralmente sem autoria declarada (por vezes “transcritos” de outros periódicos do estado ou do país), propagandas diversas do comércio pelotense (destacando-se o setor varejista e de confecções) e “notícias internacionais”, vindas pelo telégrafo ou “transcritas”, novamente, de outras fontes. Era prática comum republicar artigos e textos de outros jornais. 

O Diário Popular passou por quatro diretorias até o início dos anos 1930, todas elas trazendo perfis diferenciados quanto ao tratamento dado aos posicionamentos do jornal. A partir de 1933, quando o adquiriu novo maquinário e adicionou mais duas páginas a composição semanal. 

Foi sob a direção de Sallis Goulart (que se tornou diretor do jornal e chefe eleito do PRR em Pelotas em 1927) que o Diário Popular enfrentou também sua maior crise “ideológica” quando se posicionou contrário a Getúlio Vargas em diversos momentos. A crise de compatibilidade política levou a sua desvinculação como órgão oficial em 1930 e a suspensão em 1932, quando Sallis Goulart deixou a direção em nome de Joaquim Luiz Osório. Esta “crise” esteve relacionada a diversos fatores em que o posicionamento do jornal sofreu com a própria situação do PRR gaúcho com a subida do nome de Getúlio Vargas nos quadros internos. 

O Diário Popular apoiara o governo instituído de Borges de Medeiros, sendo feroz combatente do federalismo e dos federalistas durante a Revolução de 1923. Seus líderes e principalmente Assis Brasil foram perseguidos e achincalhados pelos anos que se seguiram até a união em torno do nome de Getúlio Vargas, que viria a substituir Borges de Medeiros na presidência do estado. Dessa forma, quando Assis Brasil apoiou a indicação de Getúlio Vargas, o Diário Popular teve de dar “meia-volta” e apoiar os federalistas e, desta forma, os “gênios do assisismo”, foram saudados em 1927 como confrades, ironicamente para a recente história do Diário. 

Atualmente, o jornal é impresso em cores, formato tabloide e circula diariamente em Pelotas e em cidades da região (nos 23 municípios da Zona Sul). São oferecidos dois tipos de assinaturas: do impresso e do digital (via web e via aplicativo). 

O primeiro site entrou no ar em 1997. O atual, além de transpor para a internet conteúdos do jornal impresso, tem uma seção dedicada ao jornalismo on-line, com enfoque nos fatos da região, do estado, do país e do mundo. O objetivo é manter o portal em constante atualização, reforçando a tradição de ser ponto de referência na cobertura de notícias, serviços e entretenimento na Zona Sul. 

O Diário Popular pertence a uma sociedade por quotas formada em 1938. Sucessores de Adolfo Fetter, que presidiu a empresa por 15 anos, detêm a maioria do capital. Os atuais diretores da Gráfica, Virgínia Fetter e Luiz Carlos Fetter, comandam equipes de profissionais de diversas áreas de comunicação num conjunto de mais de 200 funcionários. 

Em editorial de 9 de dezembro de 2017, intitulado “Fazer jornalismo é trabalhar pela comunidade”, o jornal destacou a importância de seu papel de ajudar a contribuir com o desenvolvimento da cidade, “por meio de reportagens que levem a todos o cenário real da população”. Compromisso que destacou ter se consolidado com as comunidades de Pelotas e da Zona Sul ao longo de mais de um século de circulação. 

Fonte: LENE, Hérica. Jornais centenários do Brasil. Covilhã/Portugal: LabCom.IFP/Universidade da Beira Interior, 2019, pág. 191-193.

População de São José do Norte em 1890


"Recenseamento

A commissão de recenseamento do 1o. districto da villa de S. José do Norte, composta dos cidadãos Emiliano José da Cunha Junior, Ramiro de Araujo, Cesar Augusto Machado e José Maria Garcia organisou o seguinte quadro demonstrativo da população residente no mesmo districto em 31 de dezembro de 1890:

Sexo - Homens, 1553; mulheres, 1279; total, 2832.

Estado civil - Casados, 746; solteiros, 1986; viuvos, 100.

Côres - Brancos, 1998; pretos, 435; mestiços, 399.

Instrucção - Sabem lêr e escrever, 1087; não o sabem, 1745.

Legitimidade - Legitimos, 2159; illegitimos, 673.

Nacionalidades - Brasileiros, 2553; naturalisados, 3; adoptaram, 97; allemães, 31; inglezes, 19; hespanhóes, 2; portuguezes, 50; italianos, 11; paraguayos, 4; orientaes, 5; francezes, 10; dinamarquezes, 3; suecos, 9; russo, 1; hollandezes, 10; americano, 1; manilha, 1; norueguenses, 22.

Idade - De 1 a 10 annos, 861; de 10 a 20 annos, 569; de 20 a 30 annos, 492; de 30 a 40 annos, 377; de 40 a 50 annos, 245; de 50 a 60 annos, 146; de 60 a 70 annos, 96; de 70 a 80 annos, 32; de 80 a 90 annos, 13; de 90 a 100 annos, 1.

Total, 2832 almas."

Fonte: A FEDERAÇÃO (Porto Alegre/RS), 17 de Abril de 1891, pág. 01, col. 05

segunda-feira, 28 de dezembro de 2020

Os primeiros municípios do Rio Grande do Sul


 O início do estabelecimento das divisões municipais do atual Estado do Rio Grande do Sul se dá a partir da Real Resolução de 27 de abril de 1809, quando as povoações de Porto Alegre, Rio Grande, Rio Pardo e Santo Antônio da Patrulha tornam-se vilas da então Capitania de São Pedro do Rio Grande do Sul. Entretanto, o documento que efetivamente estabeleceu a divisão político-territorial e administrativa destas terras foi a Provisão Real de 07 de outubro do mesmo ano, a qual definiu as autoridades a serem nomeadas em cada uma das vilas, bem como sua subdivisão em freguesias. 

O conceito de vila era utilizado para designar núcleos de povoamento que já possuíam certo contingente populacional. Quando do estabelecimento oficial das quatro primeiras vilas, passa a ser obrigatório que cada uma delas possua uma câmara municipal. As freguesias, por sua vez, eram subdivisões das vilas. Cada freguesia possuía um cartório eclesiástico e um padre que residia permanentemente na igreja. 

A criação dos quatro primeiros município sul-rio-grandenses foi proposta ao governo de Portugal pelo governador Paulo José da Silva Gama em uma exposição dirigida ao Príncipe Regente de Portugal, datada de 04 de dezembro de 1803. Esse pode ser considerado um ponto de partida, sendo o primeiro ato no qual fica exposta a intenção de dividir administrativa e judicialmente o território do Estado. 

Entretanto, é importante destacar que já havia núcleos de população consolidados no atual território do Rio Grande do Sul nos séculos XVII e XVIII, a partir das iniciativas criadas pelas missões jesuíticas, sendo estes os primeiros grupos de povoamento organizados em áreas então pertencentes à Espanha. Nesse período, surgiram os Sete Povos das Missões: São Nicolau, São Luís Gonzaga, São Miguel Arcanjo, São Francisco de Borja, São Lourenço, São João Batista e Santo Ângelo. As Missões tiveram um importante desenvolvimento, destacando-se pelas práticas agrícolas nelas realizadas, sobretudo na primeira metade do século XVIII. Na segunda metade daquele século, as Missões entraram em declínio até serem efetivamente conquistadas pelos portugueses em 1801. 

Antes mesmo das quatro vilas originárias, em 1747 foi criada a Vila de Rio Grande de São Pedro, com delimitações territoriais estabelecidas, sendo essa a primeira povoação a receber tal distinção até aquele momento. Essa vila foi originada a partir da construção de um pequeno forte chamado Jesus-Maria-José, destinado ao apoio da ação dos portugueses contra possíveis invasores interessados na Colônia de Sacramento (então pertencentes a Portugal). 

Até o final do século XVIII, o atual território do Rio Grande do Sul ainda era praticamente inexplorado, sendo conhecidas apenas a região missioneira, a do litoral e a do nordeste. A primeira foi fruto da intervenção dos jesuítas espanhóis. Já na região dos altiplanos e no litoral, a passagem dos tropeiros e bandeirantes levando gado para São Paulo formou os primeiros caminhos para o Estado. Nessa região, havia um ponto de registro composto por alguns soldados cuja função era deter o contrabando, numa ocupação que iniciaria a formação do atual município de Santo Antônio da Patrulha. No entanto, as demais regiões, sobretudo o sudoeste, eram desconhecidas dos governantes, sendo habitadas por tribos indígenas. 

Em 1780, segundo Fialho, o tenente Antônio Inácio Rodrigues Córdova elaborou a chamada “Planta do Continente do Rio Grande”, na qual o território sul-rio-grandense aparece dividido em quatro províncias (ou regiões): Rio Grande, Viamão, Rio Pardo e Vacaria (ou Cima da Serra). Em 1798, o português Domingos José Marque Fernandes foi enviado pelo governo da metrópole para estudar as terras atualmente pertencentes ao Rio Grande do Sul. O objetivo era apreender sua realidade e posteriormente encaminhar suas impressões e sugestões ao Reino de Portugal. Fernandes retornou em 1804, com uma carta escrita sobre suas impressões do território visitado. Ele ainda retornaria ao Brasil quando do estabelecimento da Corte Portuguesa no Rio de Janeiro em 1808. 

Tanto a formação como o desmembramento dos municípios foram predominantemente condicionados ao fator “povoamento”. Pelo entendimento de Salvia e Marodin, é possível dividir o território rio-grandense em três porções com padrões de formação diferenciados. Em um primeiro momento, o povoamento deu-se nas áreas de campo pela população luso-brasileira, que possuía a pecuária como atividade econômica principal. Nesse período, a formação dos municípios ocorreu principalmente nas regiões de campos de pastagens, gerando unidades com grandes extensões territoriais, baixas densidades populacionais e poucas subdivisões de núcleos populacionais. Essa região ocupava mais da metade da superfície do Estado, com a quantidade de municípios crescendo de forma lenta, com tendência à estabilização. 

Fonte: ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL. Genealogia dos municípios do Rio Grande do Sul. Porto Alegre/RS: Secretaria de Planejamento, Governança e Gestão, Depto. de Planejamento Governamental. 2018, pág. 10-12.

Felippe Canessa


"Registro mortuario

Hoje, ás 7 horas da manhã, cessou de viver o nosso co-religionario Felippe Canessa, maior de 60 annos de idade, natural da Italia, antigo habitante d'esta capital e cidadão brasileiro, naturalisado.

Foi outr'ora commerciante e ultimamente empregado na delegacia de terras e colonisação.

O primeiro jornal italiano que se publicou aqui, La Colonia Italiana, teve como redactor o estimavel cavalheiro cujo desapparecimento ora registramos com pezar."

Fonte: A FEDERAÇÃO (Porto Alegre/RS), 16 de Setembro de 1892, pág. 02, col. 05
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