quarta-feira, 18 de setembro de 2019

Colônia Azambuja em 1885


"AZAMBUJA

Esta colonia está situada no municipio de Nossa Senhora da Piedade de Tubarão, nas proximidades da estrada de ferro de Thereza Christina, da qual dista 9.990 metros pouco mais ou menos, á margem do rio Pedras Grandes confluente do Tubarão e do Urussanga, que desagua no oceano. Foi fundada em 1877 e emancipada em 1881.

Sua população excede de 2.000 almas, predominando a nacionalidade italiana.

Cortada por excellente estradas a ex-colonia tem para mercado de seus productos a villa de Tubarão da qual dista 40 kilometros. A sua producção consta especialmente de farinha de mandioca e cereaes, que exporta em abundancia, bem como de trigo, vinha e cana de assucar, cuja cultura tem tido o maior desenvolvimento, existindo 4 alambiques para o fabrico de aguardente.

Nos seus arredores existem terras devolutas onde póde com vantagem ser estabelecido numero consideravel de immigrantes."


Fonte: A IMMIGRAÇÃO: ORGÃO DA SOCIEDADE CENTRAL DE IMIGRAÇÃO (Rio de Janeiro/RJ), boletim 008, jan. 1885, pág. 02, col. 02-03, pág. 03, col. 01-02

terça-feira, 17 de setembro de 2019

O suplício do escravo Domingos



"Por notavel coincidencia, ao mesmo tempo que recebiamos de um prestimoso collaborador o artigo estampado em nossa primeira pagina sobre o 25 de março, dia escolhido para redimir os ultimos escravos no Ceará, tambem nos vinha ás mãos a carta de um distincto amigo narrando o seguinte hediondo caso:

A duas legoas, mais ou menos, da villa de S. Jeronymo, na fazenda do sr. Demetrio Pereira do Lago, foi barbara e deshumanamente torturado, o escravo Domingos, de propriedade d'esse mesmo sr. Demetrio.

O crime revestio-se das circumstancias que seguem:

A desgraçada victima foi amarrada em tronco especial e ahi sujeita a centenares de açoites.

Depois, em estado inanime, quando já estavam as carnes saltando em pedaços, pois tinha nas costas rombos enormes, ainda foi, por meio de correntes, ligada á um montão de ossos podres cobertos de vermes, que logo se puzeram em communicação com as immensas chagas que sangravam no corpo d'essa miseravel creatura.

Ainda assim os algozes, não satisfeitos com tudo isso, a tiraram d'esse leito infernal para collocarem-n'a novamente no tronco, até que ahi, sem comer nem beber, a morte viesse finalisar semelhante martyrologio.

Porém os proprios parceiros de Domingos, apezar de toda timidez, não se supportaram á vista de tão horrorosas scenas e o soltaram, favorecendo-lhe a fuga.

Esse infeliz dirigio-se para esta capital afim de apresentar-se ás autoridades.

Consta-nos mais que seu senhor tambem para aqui veio, e o amigo que escreveu-nos diz estar elle confiado em valiosos amigos d'esta cidade."

Fonte: A FEDERAÇÃO (Porto Alegre/RS),  27 de Março de 1884, pág. 02, col. 01

segunda-feira, 16 de setembro de 2019

Semana Farroupilha 2019 em Capão do Leão

Divulgação.

O machado do Arroio Pepino


"PELOTAS

(...)

- Diz o Diario:

<<Hontem de manhã procurou nos o sr. Antonio Ferreira Guimarães para nos mostrar um lindo machado de pedra indigena, que descobrio em sua chacara, além do Arroio Pepino, em umas escavações a que está mandando proceder."

Fonte: A FEDERAÇÃO (Porto Alegre/RS), 14 de Novembro de 1884, pág. 01, col. 03

domingo, 15 de setembro de 2019

Histórico do Município de Barão/RS


"A denominação da localidade de Barão provém, segundo o Pe. Rubem Neis, do Barão de Holleben, Luiz Henrique Von Holleben, que nasceu em Saxe Mainer, na Alemanha, formando-se em Engenharia na Inglaterra e vindo casar-se no Brasil com dona Maria da Luz dos Santos, na cidade de Curitiba, Estado do Paraná.

O Barão Von Holleben acompanhou em setembro de 1880 como engenheiro ferroviário, o engenheiro Carvalho Borges, a Conde D'Eu, hoje Garibaldi e Bento Gonçalves, a fim de dirigir as obras da estrada de ferro entre Montenegro e Bento Gonçalves.

O Barão estabeleceu residência no ponto mais avançado da colonização alemã, entre Salvador do Sul e Carlos Barbosa, no local posteriormente denominado 'Barão', mas que na época era pouco habitado. Para designar o local onde morava, quando alguém queria falar com ele, dizia 'Vou lá no Barão'.

O Barão Von Holleben permaneceu aqui por mais dois anos, vindo a transferir-se depois para Porto Alegre, onde, entre 1882 e 1894, trabalhou na linha de bondes de Ferro Carril.

Existe, porém, uma outra versão sobre a origem do nome de Barão, encontrada no livro intitulado em Montenegro, editado em 1924, pelo historiador Campos Neto, na qual o mesmo afirma ser o nome de Barão originário de Francisco Mário de Abreu, chamado Chico Pedro, Barão do Jacuí.

Chegando a afirmar que o Barão Von Holleben não residiu no local: o seu nome Barão, querem uns que seja originário do Barão Von Holleben, mas supomos errônea essa afirmação. Não consta que esse titular alemão ali residisse. Posteriormente afirma o historiador: 'O Barão do Jacuí deve ter dado o nome a este Distrito'.

As famílias que povoaram o primeiro núcleo que deu origem a Barão, foram imigrantes italianos oriundos do Norte da Itália.

No começo do século, Carlos Selbach exerceu influência marcante em todas as áreas, bem como Luiz Calliari, que era Mestre da Capela. Até 1916, as celebrações religiosas eram feitas na residência do Sr. João Schmitz, um dos incentivadores da construção da primeira Capela, Regente do Coral, músico e doador do primeiro harmônio para a comunidade católica baronense.

De 1906 a 1911 foi construída a via férrea que liga Porto Alegre a Caxias do Sul, sendo inaugurada a estação de Barão em 1o. de dezembro de 1909.

Com os trabalhos de construção e conservação da ferrovia, foi aberta uma pedreira nas terras de João Basségio e Vva. Itália Dai Prá, grande fonte de renda, que na década de 30 trouxe 21 famílias de ferroviários, os quais fixaram residência nos arredores da pedreira, criando um núcleo habitacional organizado. Dedicavam-se a exploração da pedreira e também à agricultura.

Foi instalado o Recinto da Viação Férrea e aberto a Rua que hoje leva o nome de Antônio Simon, nas áreas cedidas pela família de Vva. Itália Dai Prá, ligando o centro do Distrito à pedreira, distante mais ou menos um quilômetro da estação. No centro funcionava a Cantina e Armazém de Secos e Molhados da família Hartmann, com grande sortimento de produção. As uvas eram adquiridas dos produtores de toda a região, que traziam os tonéis e cestos abarrotados em carroças puxadas por juntas de bois.

Além da estrada de ferro a rodovia Buarque de Macedo ligava Barão a Montenegro e Porto Alegre a Garibaldi - Bento Gonçalves - Caxias do Sul. Consta em arquivos que D.Pedro II teria passado por aqui, com sua comitiva.

Todavia, Barão cresceu ao lado os trilhos da Viação Férrea, mas as condições precárias da ferrovia, a região com solo bastante acidentado levaram a sua desativação em 10 de junho de 1979, desaparecendo o trem de carga e o trem de passageiros, surgiu, então a necessidade de ampliar os meios de transporte rodoviário. Surgiram mais ônibus, caminhões e carros particulares substituindo também os carros de boi e os próprios cavalos, muito usados antigamente na região.

A superfície geográfica do município abrange uma área de 135,45 km2, com uma população aproximada de 5484 habitantes e a densidade demográfica em 36.90 hab km2.

O município situa-se na Encosta Superior do Nordeste. Limita-se ao norte com Carlos Barbosa e São Vendelino, ao Oeste com Boa Vista do Sul, ao Sul São Pedro da Serra, Salvador do Sul e Tupandi, ao Leste com Bom Princípio e São Vendelino. Faz parte da Microrregião Colonial da Encosta da Serra Geral. As vias de acesso são a RST 470, a distância entre o município e a capital do Estado, via rodoviária é de 120 km, BR 116, via Carlos Barbosa - 133 km a Porto Alegre, via Linha Francesa Alta; 100 km Barão a Porto Alegre. Existem muitas entradas municipais, que interligam todas as comunidades do município. O acesso aos distritos e as demais localidades são das carreteiras, não asfaltadas, mas em bom estado de conservação.

Em relação aos continentes, Barão está situada na Latitude Sul 2927'00" e Longitude 5130'00" do Meridiano de Greenwich, a uma altitude de 720 metros acima do nível do mar."

Fonte:  ATLÂNTICO (RS), 08 de Fevereiro de 1999, pág. 06

sábado, 14 de setembro de 2019

Grêmio Republicano Português de Pelotas


"Gremio Republicano Portuguez. - Hontem como estava annunciada, realisou-se a assembléa geral desta patriotica associação, para eleição da directoria que tem de reger os destinos da mesma desde 3 de maio proximo até 5 de outubro de 1912.

Foi eleita a seguinte directoria:

Presidente - Alvaro da Silva.

Vice-presidente - Gabriel Castro.

1o. secretario - Joaquim Ferreira de Castro.

2o. secretario - Arthur Correia de Azevedo.

1o. thezoureiro - Rodrigo de Rego Barreto.

2o. thezoureiro - José Rodrigues Sant'Anna.

Bibliotecarios - Antonio Faustino Fragata e José Augusto Dias.

Directores - Antonio Henrique Nogueira, Manoel Gomes da Silva, Abilio José de Mattos, Manoel P. P. Primo, José Machado Maia, Francisco Moreira Freitas.

Commissão de contas - Antonio da Nova Monteiro, Dionísio A. P. Magalhães e Eduardo Augusto de Menezes.

Reinou sempre o maior enthusiasmo. Ao proclamar-se o resultado da eleição ouviu-se uma calorosa salva de palmas.

No dia 3 de maio a directoria eleita será empossada em sessão solemne."

Fonte: A OPINIÃO PÚBLICA (RS), 24 de Abril de 1911, pág. 02, col. 03

sexta-feira, 13 de setembro de 2019

Sobrenome Royo


"Vários cronistas antigas e especialistas em Heráldica coincidem em afirmar que este sobrenome procede de Navarra, tendo sua casa e primitivo assento na cidade de Tudela. Entretanto, existe a possibilidade da origem ser tanto navarra quanto aragonesa.

Segundo Félix de Latassa, o sobrenome tem procedência francesa e teria passado a Aragão nos tempos da Reconquista. A mesma opinião é compartilhada pelo tratadista Bizén d'O Río Martínez, reconhecendo que há pelo menos três casas principais do ponto de vista histórico que ostentam o sobrenome: a primeira na cidade de Calatayud; a segunda na vila de Castellote, na província de Teruel; e a terceira na vila de Torrellas de Bernabé.

Miguel Royo foi Jurista de Zaragoza no ano de 1288, fidalgo por condição, sendo pai de Juan Royo, que passou a residir no castelo de Castellote em 1315. Neto deste últio foi Juan Royo Lánguera, que ocupou o cargo de Tenente do castelo de Morella, na província de Castellón.

A etimologia, conforme o linguista Gutierre Tibón, aponta que o sobrenome provém do moçárabe 'marruyo', que significa 'marrubio', do latim marrubium, sendo que todas elas remetem a um tipo de planta da Eurásia (Marrubium vulgare). Entretanto, outros autores consideram que o sobrenome pode também derivar do latim rubeus, que significa 'vermelho', 'ruivo', 'rosado'.

Royo também possui uma linhagem muito importante na Extremadura."

Fonte: Real Sociedade Aragonesa de Genealogia.
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