quinta-feira, 1 de agosto de 2019

A caverna de Mundo Novo


"S. PEDRO DO RIO-GRANDE

Refere-se o Rio-Grandense de 9 do corrente:

<< Na margem esquerda do Rio da Ilha, quasi defronte do Mundo-Novo, existe nas immediações da fazenda do Dr. Brito uma grande e curiosa caverna, encravada n'um immenso paredão de rochedos.

<< Esta caverna, de difficil accesso, continha, quando foi descoberta, uma grande quantidade de esqueletos de homens, mulheres e crianças nas mais variadas posições, cujos ossos ainda hoje ahi existem.

<< É fôra de duvida que a caverna servia outr'ora de lugar de sepultura aos bugres que ha trinta annos ainda povoavam aquellas regiões.

<< Descoberta a caverna, entrou em scena a superstição. Os ossos ahi existentes a desafiaram e os camponezes da visinhança começaram a frequentar a caverna com religioso respeito.

<< Hoje existem nella um altar de pedra, diversas imagens de santos, e os ossos têem sido verdadeiramente adorados. A caverna é tida e havida por milagrosa, nella se rezam terços e o povo da visinhança já sabe contar milagres operados pelos milagrosos ossos... de bugres.

<< Porque cumpre-nos accrescentar que visitantes menos supersticiosos tiraram ha pouco tempo parte dos ossos e subjeitaram-nos aqui a um exame que poz em evidencia a sua procedencia."

Fonte: ILLUSTRAÇÃO BRASILEIRA (Rio de Janeiro/RJ), número 08, 15 de Outubro de 1876, pág. 122

quarta-feira, 31 de julho de 2019

As charqueadas de Pelotas em 1883


"Industria Agricola

(...)

RELATORIO PELOS DRS. COUTY E ENGENHEIROS LUIZ GODOFREDO DE ESCRAGNOLE TAUNAY E AUGUSTO CARLOS DA SILVA TELLES

Em sua viagem ao sul do Brazil e ás republicas vizinhas, um de nós estudára a questão da producção da carne e de sua preparação. Tendo visto por si aquillo de que fallava, não se tendo fiado em estatisticas nem em informações de interessados, julgava assistir-lhe o direito de ser acreditado ou ao menos comprehendido. Assim não succedeu, e esta parte da missão de que nos incumbimos foi, desde logo, na imprensa e até em assembléas provinciaes, alvo de attaques bastante fortes por não ser, dizia-se, util nem legitima. Uns e outros temos por habito só proceder após reflexão e, portanto, ligamos pouca attenção ás observações e censuras; no caso vertente, porém, a consideração que nos merecem as pessoas de que partirão nos leva a responder-lhes.

A seu vêr o Brazil está atrazadissimo em relação á criação do gado; tem os mercados invadidos pelas producções vizinhas e se acha na contingencia de comprar quantidades consideraveis de carne secca, pois não póde satisfazer as necessidades do proprio consumo.

Acreditamos haver nisso erro ou exagero de vulto. Talvez se tenha sido illudido - cousa bastante frequente, por estatisticas incompletas, mal feitas que só servem para obscurecer a verdade dos factos. É possivel que em certo anno o resto do Brazil só recebesse do Rio-Grande 1.833.000 kilos de xarque, ao passo que importava dos estados vizinhos 28.000.000; até nos parece inutil recorrer a outas estatisticas para indagar se a proporção não é excepcional. A questão primordial não é, de feito, saber onde vai o Brazil comprar o que consome, mas saber o que produz.

As xarqueadas de Pelotas visitadas pelo Dr. Couty apresentão uma producção regular de 350.000 a 400.000 cabeças á qual se deve juntar a de pequenas xarqueadas espalhadas pela provincia, sobretudo ao norte, perfazendo um total de 450.000 cabeças. A producção dos estados oriental e argentino é muito mais variavel por causas que já fôrão explicadas; tomando, porém, a média de muitos annos vê-se que cada uma de per si não excede á do Rio-Grande, e em certas épocas, depois de seccas por exemplo, tem-lhe sido até muito inferior.

O Brazil, ou antes a unica provincia que luta nesse terreno, a actividade industriosa do Rio-Grande, não se acha, pois, áquem dos estados vizinhos; diversos factos patenteão até que lhes leva vantagem, pelo menos sob o ponto de vista da criação.

EIs um que parece probante. Todo o norte da republica oriental e uma grande parte do centro e do oeste, isto é, as regiões de Jaguarão, Serro-Largo, Durasno, Salto, mesmo de Paysandú são occupados por estancieiros brazileiros. Calcula-se em cêrca de um terço dos pastos cisplatinos, a superficie possuida por brazileiros, e esta annexação pacifica, a unica real, a unica util, fez se rapidamente e se estende de dia em dia. Tanto mais justo seria incluir na producção do Brazil todas estas criações, quanto continuão os seus possuidores a ser verdadeiros e bons rio-grandenses, habitão Uruguayana, Alegrete, Bagé, Pelotas e trazem a seu paiz as vantagens colhidas no commercio e industria que exercem. Á producção das xarqueadas de Pelotas se deveria juntar tambem a de uma parte dos saladeiros de Paysandú, Barra-Blanca, Salto, etc. Assim se verificaria que os estancieiros brazileiros crião mais gado do que os orientaes e argentinos.

Em todo o caso, já o facto de vê-los emigrar e espalhar gradualmente pelas regiões vizinhas prova que a sua criação luta com vantagem contra a das zonas proximas.

Não queremos parecer optimistas nem pessimistas mas, justamente pela ausencia do espirito partidario, achamos censuravel a mania, hoje commum no Brazil, de se encontrar por toda a parte producções melhores e modêlos a copiar. Sem duvida alguma tem o paiz progressos não pequenos a realisar na criação do gado como, aliás, em outros pontos; para isso não carece, porém, de imitar vizinhos que não lhe são superiores...

Causas faceis de analysar determinárão a falsa apreciação que atacamos.

Se a producção de carne no sul do Brazil é igual e até superior á dos vizinhos, o seu preparo é, pelo contrario, differente. E, força é confessar, os xarqueadores de Pelotas, com a mão de obra escrava, progredirão menos do que os saladeiristas das republicas oriental e argentina - inglezes, francezes, italianos ou bascos - que souberão aproveitar-se de todas as condições favoraveis. A carne do Rio da Prata é menos secca, menos salgada, menos irregular de aspecto e gosto, mais agradavel á vista do que a do Rio-Grande; se é menos conservavel é, em compensação, mais saborosa. Assim acontece que, de alguns annos a esta parte, e apezar de direitos bastante pesados, os productores do Rio da Prata vêm a sua carne mais e mais procurada nos mercados brazileiros, ao passo que a de Pelotas tende a limitar-se ás regiões do norte, Jamaica e sobretudo Cuba. Dahi poder-se-hia inferir progresso do Brazil quanto á alimentação; outras razões, porém, dão logar a esta anomalia curiosa.

Os saladeiros do Rio da Prata produzem, pela maior parte, carne pouco secca que por perder menos peso traz mais lucro; é necessario, porém, vende-la depressa e não muito longe, pois é pouco conservavel. Por isso os consumidores de Cuba comprão de preferencia a carne de Pelotas e os grandes interpositarios do Rio e da Bahia mandão para o norte os productos brazileiros, mais seccos. A razão de conservabilidade não é unica; segundo nos foi dito entra tambem em consideração o frete de retorno, especial para navios impregnados de cheiro e, ao que parece, mais facil, do Brazil ao Rio da Prata ou das Antilhas ao Brazil do que das Antilhas ao Rio da Prata.

Para ter, pois, servindo-se de estatisticas, idéa da producção do Brazil, é necessario não recorrer só as estatisticas brazileiras, cotejar tambem as das Antilhas e até as das compras dos saladeiros orientaes: é necessario juntar á carne brazileira vendida no paiz, a vendida nas Antilhas e ainda a preparada pelos saladeiros orientaes e vendida sob designação falsa."

Fonte: REVISTA AGRICOLA DO IMPERIAL INSTITUTO FLUMINENSE DE AGRICULTURA (Rio de Janeiro/RJ), edição 001, março de 1883, pág. 145-147


terça-feira, 30 de julho de 2019

Histórico do Município de Toledo/PR


"As origens históricas da formação do núcleo inicial do que hoje se constitui o município de Toledo estão intimamente ligadas à Industrial Madeireira e Colonizadora Rio Paraná S.A. - MARIPÁ.

Em 1949, foram iniciados os trabalhos topográficos, efetuando-se o traçado da povoação de Toledo. Em 1950 intensificaram-se as negociações de terras e diversos núcleos foram fundados ao longo da área de influência da companhia. Tal foi o sucesso do empreendimento, que sem fazer muito alarde, em abril de 1951 todos os lotes urbanos e rurais já haviam sido vendidos.

Pela Lei Estadual no. 790, de 14 de novembro de 1951, foi criado o município de Toledo, sem passar pelo estágio de Distrito e com território desmembrado de Foz do Iguaçu. A instalação oficial ocorreu no dia 14 de dezembro de 1952, sendo primeiro prefeito municipal o sr. Ernesto Dall'Oglio.

O nome da cidade é de origem geográfica, constituindo-se em referência ao Arroio do Toledo, que já existia ao tempo da colonização. Outra fonte afirma que, ao tempo da exploração de madeiras e erva-mate, antes da colonização regional, habitava a região um argentino de nome Toledo, administrador de algumas pousadas que serviam aos tropeiros e viajantes, ficando a localidade conhecida por Pousada do Toledo, mais tarde simplesmente Toledo."

Fonte: FERREIRA, João Carlos Vicente. Municípios paranaenses: origens e significados de seus nomes. Curitiba/PR: Secretaria de Estado da Cultura, 2006, pág. 322.

segunda-feira, 29 de julho de 2019

Sobrenome Burillo


"Segundo assegura Roberto Faure, Burillo é um sobrenome de origem aragonesa, não muito frequente, porém registrado em todo Aragão e também na Catalunha e no País Valenciano. É uma aliteração do sobrenome Murillo, que por sua origem é toponímica (quer dizer murinho, pequeno muro). A forma Burillo aparece na Idade Média nos falares arcaicos da língua basca e da língua castelhana.

Em 1750, temos o nascimento de Frei José Burillo, dominicano e missionário nas Filipinas, onde foi Vigário-Provincial de sua Ordem, Reitor da Universidade e cronista, pela cédula real de 09 de Dezembro de 1814. Foi nomeado para ser bispo de Cebú, nas Filipinas, porém morreu antes de assumir a função, em 1815.

De uma casa que houve em Villar de los Navarros, na província de Zaragoza, nasceu em 1786 o destacado escritor e sacerdote Pedro Burillo. Fez parte do corpo eclesiástico do Pilar e de Santa Maria Magdalena de Zaragoza, assim como acadêmico do Número da Academia Histórico-Crítica-Teológica de Roma. Também foi integrante da Real Sociedade Econômica dos Amigos do País, de Zaragoza."

Fonte: Real Sociedade Aragonesa de Genealogia.

Sobrenome Yagüe


"Antigo sobrenome que teve ramais importantes em Navarra, em ambas as Castelas, Aragão e Andaluzia. Várias destas ramais passaram à América logo nos primeiros tempos da colonização.

Em Aragão, houve assentamentos desta linhagem na província de Teruel, onde durante o século XVII floresceu o poeta e escritor Juan Yagüe de Salas, que foi notário do reino e posteriormente secretário da prefeitura de sua cidade natal. 

Também de Teruel era natural Agustín Yagüe, filho de Juan Yagüe, também celebrizado por sua produção literária.

Os Yagüe de Navarra tiveram um papel importante na colonização da Colômbia. Neste país, houve a escritora e novelista Maria Isabel Yagües, com grande relevância.

O Arquivo Geral Militar de Segóvia cita as seguintes personalidades de militares com o sobrenome Yagüe: Antonio Yagüe Aguado, do Estado Maior de Praças, 1811; Eustaquio Yagüe Cuadrado, Infantaria, 1874; Aniceto Yagüe Herrero, Guarda Civil, 1847; Mateo Yagüe y Mateos, Castrense, 1872.

Etimologicamente, o sobrenome é um patronímico de Yagüe, uma forma regional ibérica para o nome Yago (Thiago, ou Jacó)."

Fonte: Real Sociedade Aragonesa de Genealogia.

Sobrenome Zuleta


"Segundo o 'Dicionário Hispano-americano de Heráldica, Onomástica e Genealogia', o cronista Francisco de Lozazo assinala que este sobrenome é originário de Guipúzcoa, e Francisco Zazo y Rosillo que é do senhorio de Viscaya, mais especificamente.

Dom Endika de Mogrobejo, autor da obra supracitada, recolha a informação que igualmente no ano de 1547, uma linhagem com este sobrenome se radicou na cidade de Orduña, em Viscaya.

Francisco Fernández de Bethencourt indica que este sobrenome teve um solar na localidade de Las Cabezas de San Juan, em Sevilha, de onde outro ramal passou a Jerez de La Frontera. Com parentesco e descendência da Casa de Reales, outro ramal da alcunha se estabeleceu na localidade de Navajeda, Trasmiera, Cantábria, no princípio do século XVI. Portanto, inaugurou-se a linhagem Zuleta de Reales.

Nobres que fizeram parte da Ordem de Santiago: José de Zuleta de Reales y de Avila, natural de Sevilha, em 1646; Gabriel Francisco, García Francisco e José Antonio Zuleta de Reales y de Córdoba, todos os três naturais de Sevilha, em 1695.

Por outra parte, no Arquivo Geral Militar de Segóvia, se custodiam os seguintes militares: José Zuleta, Cadete de Artilharia, 1813; José Zuleta, Infantaria, 1824, nobre; Polión Zuleta y Carnicero, Guarda Civil, 1826; Manuel Zuleta del Castillo, Infantaria, 1833, nobre.

O sobrenome procede do substantivo basco zulueta, cujo significado é 'lugar de cavernas', 'lugar de grutas' ou 'lugar de muitas cavernas' (por extensão)."

Fonte: Real Sociedade Aragonesa de Genealogia.

Sobrenome Aznárez


"Segundo assinala Roberto Faure, um dos co-autores do 'Dicionário de Sobrenomes Espanhóis', o sobrenome Aznárez é a forma patronímica do nome próprio Aznar, bastante frequente e bem distribuído na Espanha. Aznar, por sua vez, procede de um antigo nome pessoal que esteve muito difundido em Aragão durante a Idade Média. Sua etimologia tem sido muito discutida. 

Alguns autores defendem a tese que o nome Aznar é derivado do antigo nome latino Asinarius. Já outros opinam que o nome pessoal provém do árabe hisn-ar cujo significado é 'fortaleza de fogo'. Também há a possibilidade de ser originário do termo basco azenari, cujo significado é raposa. Por fim, pode estar aparentado com o nome germânico Iserhard, ou mesmo da palavra germânica medieval asinahariis, cujo significado é 'o exército dos deuses'.

Para o pesquisador aragonês Bizén d'O Rio Martínez, há duas casas solares do sobrenome Aznárez, ambas situadas na localidade de Jaca, sendo entretanto diferentes uma da outra, principalmente por causa de seus respectivos brasões de armas.

Já no século XVI se documenta Dom Bernardino Aznárez, que junto com Dom Miguel Sagaun foi Boticário e Mayordomo de seu Colégio em Zaragoza."

Fonte: Real Sociedade Aragonesa de Genealogia.
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