quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

Italianos em Capão do Leão em 1912


Importante registro histórico de residentes italianos no então distrito pelotense de Capão do Leão. A notícia abaixo foi extraída de um periódico escrito em língua italiana do Rio de Janeiro destinado aos imigrantes e descendentes no Brasil. Trata de um levantamento de fundos para a Cruz Vermelha Italiana. Primeiramente, transcrevemos aqui a notícia original em italiano.

"Croce Rossa

Croce Rossa Italiana per il soccorso ai malati e feriti in guerra - Delegazione Generale di Brasile - Prima lista di sottoscrizioni - Capão do Leão, Pelotas-Rio Grande del Sud:

Bertoi Giovanni e Vitola Carmine, 60$000 cadauno - Favalli Innocenzio, Achini Tommaso, Albo Garibaldi, 20$. - Traversi Edoardo, Parmigiani Fioravanti, Franchini Giuseppe, Cantarelli Giovanni, Nisoli Rosa, Brigante Michele, 10$. - Aversa Giuseppe, 9$. - Bertoldo e Fratello, 10$. - Demoro Marini, 8$. - Turri Giovanni, Bertinetti Enrico, Bertinetti Domenico, Laner Domenico, Elster Luigi, Achini Mario, Marnati Eliseo, Ferrari Giovanni, Ferrari Napoleone, Fresi Enrico, Achini Tommaso Figlio, 5$. - Poliesti Stanislao, Lorenzati Constantino, Balestro Antonio, Gotuzzo Giacomo, 3$. - Ferraro Battista, Pieraban Ferdinando, N.N., Battesseli Gregorio, Sanarelli Silverio, Cantarelli Torquato, Pecoraro Giuseppe, Fernet Clotilde, Ferran Luigi, Ermaldi Gastone, Bernardo Giacobbe, Roia Sebastiano, Mastrantonio Francesco, 2$. - Lorenzati Alfonso, Bigliardi Regina, 1$. - Umberto Nettoo, 2$. Lorenzati Luigi, 5$. Totale: Rs. 369$000."

Fonte: IL BERSAGLIE, 03 de março de 1912, p.3, c.1

Os sobrenomes estão colocado na frente dos nomes pessoais. Em outras fontes da época (jornais e diversos), algumas destas pessoas aparecem com o nome aportuguesado. Por exemplo: Tommaso Achini é Thomaz Aquini - nome de uma rua em Capão do Leão; Edoardo Traversi é Eduardo Traversi ou Traverssi, antigo negociante local que, entre outros empreendimentos, foi dono de uma importante pedreira de granito por décadas; Rosa Nisoli nos remete à família Nizoli, que atualmente é encontrada com a grafia com a letra "z"; assim como Pecoraro nos remete à família Pegoraro e Pieraban parece com a família Pierobom.




quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

Canteiro Cultural do IHGCL - Colóquio de Janeiro e Lançamento do opúsculo "Pra Versejar tua História"


No próximo sábado, 13 de Janeiro, a partir das 16 horas, na sede do Instituto Histórico e Geográfico de Capão do Leão, sito à Avenida Narciso Silva 2131, centro do município, acontecerá o quarto colóquio do projeto "Canteiro Cultural" do instituto. Na ocasião, o pesquisador Arthur Victória Silva estará debatendo sobre a figura histórica de Rafael Pinto Bandeira. A entrada é franca! 

Entretanto, o colóquio não resumirá a tarde cultural no IHGCL, pois ocorrerá concomitantemente o lançamento do opúsculo "Pra Versejar tua História" (Reflexos do Cordel sobre a História do Capão do Leão), de autoria do escritor e poeta Carlos Eugênio Costa da Silva (também membro do IHGCL), como parte do Projeto "Canteiro Cultural".


Participe, prestigie, compareça! Mais uma vez reiteramos: a entrada é franca!


terça-feira, 9 de janeiro de 2018

Escola Barões de Santa Tecla


"PELOTAS, 6 - . (...)

O intendente dr. Augusto Simões Lopes creou, hontem, mais duas aulas, uma no Areal e outra no Capão do Leão, cujos patronos são, respectivamente, os saudosos conterrâneos dr. Piratinino de Almeida e os barões de Santa Tecla."

Fonte:  A FEDERAÇÃO, 08 de março de 1926, p.4, c.4

segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

Imigrantes italianos em Pelotas no período 1843-1844



Nota: A procedência é dada pelo porto em que o imigrante passou antes de chegar a Pelotas. Para que se entenda: os navios de grande envergadura que vinham da Europa com migrantes aportavam necessariamente num porto de maior calado, como o caso dos portos do Rio de Janeiro, Montevidéu e Buenos Aires. Tanto o porto lacustre de Pelotas, quanto o porto marítimo de Rio Grande, nesta época (meados do século XIX), não possuíam calado suficiente para receber embarcações de grande porte. Por isso, quase sempre, um viajante ou migrante que tomasse um navio na Europa com destino (provável ou improvável) a Pelotas, fazia uma espécie de "baldeação" numa destas escalas, embarcando numa nave menor para poder adentrar a Barra da Laguna dos Patos.

1. Giacomo Prezzi, originário da Itália continental, 40 anos, solteiro, curtidor, chegou em Pelotas em 15 de julho de 1844, procedente de Montevidéu via Rio Grande, chegou ao Brasil em 20 de dezembro de 1843, alfabetizado.

2. Antonio Lamberti, originário da Itália continental, 44 anos, solteiro, marceneiro, chegou em Pelotas em 28 de maio de 1843, procedente de Montevidéu via Rio Grande, chegou ao Brasil em 20 de maio de 1843, alfabetizado.

3. Raimondo Andreoli & esposa, originário da Itália continental, 24 anos, casado, dono de botequim, chegou em Pelotas a 10 de junho de 1844, procedente de Montevidéu via Rio Grande, chegou ao Brasil em 27 de fevereiro de 1844, alfabetizado.

4. Jan Baptista Sarmovia, originário do Reino da Sardenha, 22 anos, solteiro, sapateiro, chegou em Pelotas em 08 de abril de 1844, procedente de Montevidéu via Rio Grande, chegou ao Brasil em 14 de março de 1844, alfabetizado.

5. Joze Táçämo (sic), originário da Itália continental, 50 anos, casado, trabalhador, chegou em Pelotas em 15 de julho de 1844, procedente de Montevidéu via Rio Grande, chegou ao Brasil em dezembro de 1843, analfabeto.

6. José Bellagamba, originário do Reino da Sardenha, 28 anos, solteiro, marceneiro, chegou em Pelotas em 25 de março de 1844, procedente de Montevidéu via Rio Grande, chegou ao Brasil em 12 de fevereiro de 1844, alfabetizado.

7. Joze Lavalla, originário da Itália continental, 32 anos, solteiro, cozinheiro, chegou em Pelotas em 02 de maio de 1844, procedente de Montevidéu via Rio Grande, chegou ao Brasil em dezembro de 1843, analfabeto.

8. Agostino Perodi, originário da Itália continental, 35 anos, solteiro, cozinheiro, chegou em Pelotas em 24 de novembro de 1843, procedente de Montevidéu via Rio Grande, chegou ao Brasil em 20 de novembro de 1843, alfabetizado.

9. Francesco Molina, originário do Reino da Sardenha, 22 anos, solteiro, carneceiro, chegou em Pelotas em 05 de agosto de 1844, procedente de Montevidéu via São José do Norte, chegou ao Brasil em 20 de julho de 1844, analfabeto.

10. Luís Raffo, originário do Reino da Sardenha, 25 anos, solteiro, carneceiro, chegou em Pelotas em 07 de março de 1844, procedente de Montevidéu via São José do Norte, chegou ao Brasil em 01 de março de 1844, alfabetizado.

11. João Baptista Jordão (sic), originário da Itália continental, 30 anos, casado, trabalhador, chegou em Pelotas em 29 de janeiro de 1844, procedente de Montevidéu via Rio Grande, chegou ao Brasil em 26 de janeiro de 1844, analfabeto.

12. Giosé Delfino (esposa e dois filhos), originário da Itália continental, 25 anos, casado, confeiteiro, chegou em Pelotas em 16 de dezembro de 1843, procedente de Montevidéu via Rio Grande, chegou ao Brasil em 10 de dezembro de 1843, alfabetizado.

13. Joze Molina, originário da Itália continental, 25 anos, solteiro, confeiteiro, chegou em Pelotas em 16 de dezembro de 1843, procedente de Montevidéu via Rio Grande, chegou ao Brasil em 10 de dezembro de 1843, analfabeto.

14. Giuseppe Piaggio, originário do Reino da Sardenha, 70 anos, viúvo, padeiro, chegou em Pelotas em 30 de junho de 1844, procedente de Montevidéu via Rio Grande, chegou ao Brasil em 27 de junho de 1844, alfabetizado.

15. Giacomo Becaris, originário da Itália continental, 36 anos, solteiro, marceneiro, chegou em Pelotas em 18 de fevereiro de 1844, procedente de Montevidéu via Rio Grande, chegou ao Brasil em 10 de dezembro de 1843, alfabetizado.

16. Joze Capadonio, originário da Itália continental, 22 anos, solteiro, carpinteiro, chegou em Pelotas em 18 de fevereiro de 1844, procedente de Montevidéu via Rio Grande, chegou ao Brasil em 10 de dezembro de 1843, analfabeto.

17. Marcos Perotto, originário da Itália continental, 42 anos, casado, pedreiro, chegou em Pelotas em 20 de agosto de 1844, procedente de Montevidéu via Rio Grande, chegou ao Brasil em fins de dezembro de 1843, analfabeto.

18. João Craviotto, originário da Itália continental, 25 anos, solteiro, padeiro, chegou em Pelotas em 10 de dezembro de 1843, procedente de Montevidéu via Rio Grande, chegou ao Brasil em 01 de dezembro de 1843, analfabeto.

19. Pedro Garbarin, originário da Itália continental, 26 anos, solteiro, pedreiro, chegou em Pelotas em 15 de dezembro de 1843, procedente de Montevidéu via Rio Grande, chegou ao Brasil em 03 de março de 1843, analfabeto.

20. Luís Vinholo (sic) e esposa, originário da Itália continental, 41 anos, casado, padeiro, chegou em Pelotas em setembro de 1829, procedente de Gênova, Itália, viveu primeiramente no Rio de Janeiro, chegou via Rio Grande, chegou ao Brasil em 12 de outubro de 1826, alfabetizado.

21. Luigi Cortino, originário da Itália continental, 41 anos, casado, pintor, chegou em Pelotas em 10 de março de 1844, procedente de Montevidéu via Rio Grande, chegou ao Brasil em 20 de janeiro de 1844, alfabetizado.

22. Nicolas Joze Cesta, originário da Itália continental, 22 anos, solteiro, sapateiro, chegou em Pelotas em 01 de julho de 1844, procedente de Montevidéu via Rio Grande, chegou ao Brasil em 15 de junho de 1844, analfabeto.

23. Francesco Serra, originário da Itália continental, 32 anos, solteiro, marítimo, chegou em Pelotas em 29 de agosto de 1844, procedente de Lisboa, Portugal, via Rio Grande, chegou ao Brasil em 24 de julho de 1844, analfabeto.

24. Antonio Ravello, originário da Itália continental, 16 anos, solteiro, lavrador, chegou em Pelotas em 15 de dezembro de 1843, procedente de Montevidéu via Rio Grande, chegou ao Brasil em 10 de dezembro de 1843, analfabeto.

25. Pietro Beruto, originário da Itália continental, 33 anos, solteiro, lavrador, chegou em Pelotas em outubro de 1843, procedente de Montevidéu via Rio Grande, chegou ao Brasil em 11 de setembro de 1843, alfabetizado.

26. Lorenzo Saviglione, originário da Itália continental, 38 anos, solteiro, pedreiro, chegou em Pelotas em 16 de março de 1844, procedente de Montevidéu via Rio Grande, procedente de Montevidéu via Rio Grande, chegou ao Brasil em 12 de março de 1844, alfabetizado.

27. Giovanni Orengo, originário da Itália continental, 30 anos, solteiro, comerciante, chegou em Pelotas em 28 de julho de 1844, procedente de Montevidéu via São José do Norte, chegou ao Brasil em 20 de julho de 1844, alfabetizado.

28. Lois Tomas Repetto, originário do Reino da Sardenha, 24 anos, solteiro, carpinteiro, chegou em Pelotas em 04 de abril de 1844, procedente de Montevidéu via Rio Grande, chegou ao Brasil em março de 1844, alfabetizado.

29. Giacomo Perana, originário da Itália continental, 20 anos, solteiro, lavrador, chegou em Pelotas em 10 de novembro de 1843, procedente de Montevidéu via Rio Grande, chegou ao Brasil em novembro de 1843, analfabeto.

30. João Rebema, originário da Itália continental, 49 anos, casado, músico, chegou em Pelotas em 07 de fevereiro de 1844, procedente de Montevidéu via São José do Norte, chegou ao Brasil em 01 de fevereiro de 1844, analfabeto (?).

31. Giacomo Gig, originário do Reino da Sardenha, 43 anos, solteiro, carpinteiro, chegou em Pelotas em 10 de dezembro de 1843, procedente de Montevidéu via São José do Norte, chegou ao Brasil em novembro de 1843, alfabetizado.

32. Agostino Vafino, originário da Itália continental, 21 anos, casado, mascateador, chegou em Pelotas em 28 de agosto de 1844, procedente da Itália via Rio Grande, chegou ao Brasil em 10 de julho de 1844, analfabeto.

33. Santiago Matiada, originário da Itália continental, 31 anos, solteiro, lavrador, chegou em Pelotas em 16 de julho de 1844, procedente de Montevidéu via Rio Grande, chegou ao Brasil em 10 de julho de 1844, analfabeto.

34. Carlos Castigianno, originário da Itália continental, 25 anos, solteiro, lavrador, chegou em Pelotas em 10 de outubro de 1843, procedente de Montevidéu via Rio Grande, chegou ao Brasil em 01 de outubro de 1843, alfabetizado.

35. João Rivaldo, originário do Reino da Sardenha, 21 anos, solteiro, marinheiro, chegou ao Brasil em 20 de abril de 1843, procedente de Montevidéu via Rio Grande, chegou ao Brasil em abril de 1844, alfabetizado.

36. Miguel Magarino, originário do Ducado de Savoia, 32 anos, casado, padeiro, chegou em Pelotas em 07 de setembro de 1844, procedente de Porto Alegre, mas esteve anteriormente em Rio Grande, chegou ao Brasil em 18 de junho de 1844, analfabeto.

37. Francesco Parrole, originário de Gênova, 27 anos, solteiro, marceneiro, chegou em Pelotas em novembro de 1843, procedente de Montevidéu via Rio Grande, chegou ao Brasil em agosto de 1843, analfabeto.

38. Luigi Pertico, originário da Itália continental, 17 anos, solteiro, caixeiro, chegou em Pelotas em 01 de maio de 1844, procedente de Montevidéu via Rio Grande, chegou ao Brasil em abril de 1844, alfabetizado.

39. Santiago Selle, originário da Itália continental, 25 anos, solteiro, padeiro, chegou em Pelotas em 13 de dezembro de 1843, procedente de Montevidéu via Rio Grande, chegou ao Brasil em 10 de outubro de 1843, analfabeto.

40. Miguel Parna, originário da Itália continental, 26 anos, solteiro, sapateiro, chegou em Pelotas em 04 de agosto de 1844, procedente de Montevidéu via Rio Grande, chegou ao Brasil em janeiro de 1843, analfabeto.

41. Giuseppe Casaccio, originário da Itália continental, 27 anos, solteiro, confeiteir, chegou em Pelotas em 20 de março de 1844, procedente da Itália via Rio Grande, chegou ao Brasil em 20 de março de 1844, alfabetizado.

42. Antonio Maria Barbieri, originário do Reino da Sardenha, 28 anos, solteiro, confeiteiro, chegou em Pelotas em 08 de setembro de 1844, procedente de Montevidéu via Rio Grande, mas esteve anteriormente em Santa Catarina, chegou ao Brasil em 22 de julho de 1844, alfabetizado.

43. Migel (sic) Sanguinetti, originário da Itália continental, 22 anos, solteiro, marceneiro, chegou em Pelotas em setembro de 1843, procedente de Montevidéu via Rio Grande, chegou ao Brasil em setembro de 1843, alfabetizado.

44. Luigi Bonino, originário da Itália continental, 21 anos, casado, pedreiro, chegou em Pelotas em 26 de setembro de 1844, procedente de Montevidéu via Rio Grande, chegou ao Brasil em 16 de setembro de 1844, alfabetizado.

45. Juan Manuel Benaliente (sic), originário da Itália continental, 50 anos, solteiro, comerciante, chegou em Pelotas em 25 de setembro de 1844, procedente de Buenos Aires via Porto Alegre, chegou ao Brasil em 12 de maio de 1844, alfabetizado.

46. Sellestino Giorello (esposa e dois filhos), originário do Reino da Sardenha, 38 anos, casado, ferreiro, chegou em Pelotas em 25 de setembro de 1844, procedente de Montevidéu via Rio Grande, chegou ao Brasil em 16 de setembro de 1844, alfabetizado.

47. Secondo Cottalordes, originário do Reino da Sardenha, 30 anos, solteiro, carneceiro, chegou em Pelotas em 24 de setembro de 1844, procedente de Montevidéu via Rio Grande, chegou ao Brasil em 16 de setembro de 1844, alfabetizado.

48. Bernardo Lando, originário do Reino da Sardenha, 29 anos, solteiro, trabalhador, chegou em Pelotas em julho de 1844, procedente de Montevidéu via Rio Grande, chegou ao Brasil em julho de 1844, analfabeto.

49. Giuseppe Fraseria, originário da Itália continental, 23 anos, casado, lavrador, chegou em Pelotas em fevereiro de 1844, procedente de Montevidéu via Rio Grande, chegou ao Brasil em fevereiro de 1844, alfabetizado.

50. Pedro Boario, originário da Itália continental, 30 anos, casado, trabalhador, chegou em Pelotas em fevereiro de 1844, procedente de Montevidéu via Rio Grande, chegou ao Brasil em fevereiro de 1844, analfabeto.

51. Giuseppe Bonino, originário da Itália continental, 27 anos, solteiro, pedreiro, chegou em Pelotas em 26 de setembro de 1844, procedente de Montevidéu via Rio Grande, alfabetizado.

52. Francesco Giorello (esposa e um filho), originário do Reino da Sardenha, 25 anos, casado, carpinteiro, chegou em Pelotas em 23 de setembro de 1844, procedente de Montevidéu via Rio Grande, chegou ao Brasil em 02 de setembro de 1844, alfabetizado.

53. Giovanni Rossi, originário da Itália continental, 35 anos, casado, padeiro, chegou em Pelotas em 24 de julho de 1844, procedente de Montevidéu via Rio Grande, chegou ao Brasil em 20 de julho de 1844, alfabetizado.

54. Antonio Renan, originário das Duas Sicílias, 21 anos, solteiro, trabalhador, chegou em Pelotas em 12 de junho de 1844, procedente de Montevidéu via Rio Grande, chegou ao Brasil em 11 de junho de 1844, alfabetizado.

Fonte: Adaptação nossa a partir de: BECKER, Klaus. A imigração no Sul do Estado de 1844-1852. In: BECKER, Klaus (org.). Imigração. Canoas/RS: Editora Regional, 1958, p. 324-351. (Enciclopédia Rio-Grandense)

domingo, 7 de janeiro de 2018

As feijoadas brasileiras no século XIX

"FEIJOADAS

Estou vendo a leitora aristocratica torcer o rozeo narizinho diante d'este titulo e exclamar com enfado:

-Ora esta! Que lembrança infeliz! Pois este homem não podia achar assumpto menos prosaico para o folhetim de hoje?!

Estou vendo tambem o leitor elegante, de perfumado charuto entre o fura bolo e o pae de todos mettido em luxuoso robe de chambre, encolher os hombros, atirar a Gazeta para um lado, e dizer-me com o mais desdenhoso dos sorrisos:

-Meu caro amigo, outro officio.

A' vista do exposto, corre-me o dever de entrar em explicações.

E ahi vão ellas:

A palavra - feijoada, cuja origem perde-se na noite dos tempos d'El-Rei Nosso Senhor, nem sempre designa a mesma coisa.

Na acepção commum feijoada é a iguaria appetitosa e succulenta dos nossos antepassados, baluarte da mesa do pobre, capricho ephemero do banqueiro rico, o prato essencialmente nacional, como o theatro do Pena e o sabiá das sentidas endechas de Gonçalves Dias.

No sentido figurado aquelle vocabulo designa a patuscada, isto é, - <<uma funcção entre amigos feita em logar remoto ou pouco patente>>.

Constancio, que assim define a patuscada, accrescenta o seguinte:

<<De ordinario é comezana lauta, em que se bebe muito, e muitas vezes com moças.>>

E' n'esta accepção e não n'aquella, que vou tratar de feijoadas.

Já vêm, pois, a leitura aristocratica e o leitor elegante, que não é meu fito irritar-lhes os nervos com a pintura minuciosa d'essas negras caldeiradas onde a cabeça de porco e o toucinho de Minas unindo-se me fraternal amplexo ao rubicundo paio d'além mar, fallão em prol da grande naturalisação mais eloquentemente que todos os deputados reunidos.

A razão por que chama-se feijoada a patuscada é porque aquella geralmente é um pretexto para esta.

Dadas as explicações conveniente, passo a classificar as feijoadas em tres grandes cathegorias:

Feijoadas propriamente ditas.

Pick nicks, ou feijoadas aristocraticas.

Feijoadas carnavalescas.

As feijoadas propriamente ditas vão cahindo em desuso.

Se uma ou outra apparece, já não traz aquella physionomia franca e expansiva dos tempos d'outrora.

Imaginem este travesso Rio de Janeiro ha trinta annos passados.

O macadam ainda não era conhecido, o parailelipipedo era um sonho, o gaz um ideal!"

Fonte: O MONITOR CAMPISTA, 06 de janeiro de 1878, p. 02, c. 1-2. 



"Ha quatro principais tipos de feijoada que appetecem o paladar do sr. Rodrigues. A mais commum de entre todas se affirma que  e' aquella consumida pelo povoréu nos dias de festas, seja nos suburbios d'esta cidade, ou ainda nas zonas agrestes onde abunda a matta virgem e os homens rusticos. Basicamente, acompanha-lhe o feijão preto e varios e diversos pedassos da mais gorduroza carne de porco.

Na casa aristocratica, o custume é accrescentar varias especiarias ao feijão e juntal-o com bacalháo, de tal modo que o peixe esteja levemente fervido antes de sua apotheotica coroação ao legume.

Nas Minas Gerais, é dito que a feijoada é melhor e fica mais saborosa com puro toucinho de qualidade e o xarqui de boa proccedencia. Não sabemos porem as minucias do gosto de tal iguaria.

Pelo ultimo, ha quem diga que nas casas de pasto d'outrora se via uma caldeirada de feijão acompanhada táo somente de pequenos pedaços de galinha - o que muito maudosamente os detrattores dizem ser pombos ou rolas de rocio."

Fonte: O QUINZE DE ABRIL, 17 de março de 1858, p. 1, c. 3


sábado, 6 de janeiro de 2018

A tradição francesa da Festa de Reis


Nos países católicos da Europa, a Festa dos Reis (ou Santos Reis), ou Epifania, era a terceira e final das comemorações do chamado ciclo natalino (a ela se juntam obviamente o Natal e o Ano Novo). Na Península Ibérica, a celebração da Festa dos Reis em 06 de janeiro ainda persiste como traço cultural em pequenas povoações e o fato também é verificado em outros lugares da Europa e também na América Latina. Cada lugar possui um modo peculiar de manter a tradição com diversos tipos de folguedos ou costumes. 

No entanto, é na França que se encontra uma curiosa tradição relacionada a um prato típico da data: a galette des rois! Literalmente, o nome do prato em língua portuguesa pode ser traduzido como "hóstia dos reis", mas simplificando pode ser interpretado como "torta dos reis" ou "bolo rei francês". A peculiaridade consiste que a galette des rois é servida do seguinte modo: a família se reúne e o filho mais novo vai destinando a fatia da torta a cada um dos membros conforme a sua própria vontade. No interior da massa da torta há um feijão. Aquele que for simbolicamente "premiado" com o feijão em sua fatia, é declarado o "rei" e recebe uma coroa de papelão ricamente decorada com ornamentos dourados. Porém, o encargo do "rei", além de ser o condutor da festividade, será o de, no próximo ano, ele mesmo banquetear os convidados na Festa de Reis.

Para saber mais sobre a receita, segue um link com a adaptação da galette des rois em português: Galette des Rois 

sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

Matheus Gomes Vianna


Por Fernando Osório

"Nasceu aos 14 de setembro de 1809; faleceu em 1839. Era filho do Tenente Balthazar Gomes Vianna e de D. Joana Margarida da Silveira. Teve alguma instrução primária e secundária haurida nas aulas dirigidas pelo Pe. Felício e Francisco Condal. Destinado, contra sua vontade, ao comércio, foi empregado na loja de fazendas de Luiz Marques (Rua do Comércio, hoje Félix da Cunha), estabelecendo-se, mais tarde, por sua conta, casando-se então com D. Maria Francisca Antunes Maciel. 

Por várias vezes foi eleito vereador, tendo sido presidente da Câmara Municipal. Foi o primeiro promotor público de Pelotas (1835). Por convite do Cel. Bento Gonçalves e do Gal. Netto (1835) aderiu à causa da revolução no posto de major (que já tinha na Guarda Nacional). Terminada a primeira fase da revolução, tendo se retirado para a côrte o então presidente da província, Antonio Fernandes Braga, e vindo para esta, por nomeação do governo, o Dr. Araújo Ribeiro, a este apresentou-se o Maj. Matheus Gomes Vianna, manifestando-se-lhe monarquista. Inteligente e habilitado, o Presidente Araújo Ribeiro convidou-o para seu secretário, cargo esse que Vianna exerceu com dignidade.

Reviravolta política trouxe à direção dos negócios públicos o partido - corcundo vermelho - ; foi nomeado presidente da província o Gal. Antero J. de Brito, que ao assumir o seu posto  prendeu e deportou para o Rio de Janeiro o Dr. Araújo Ribeiro. Os liberais partidários do ilustre decaído foram perseguidos, sendo muitos deles presos e deportados; o Maj. Matheus Vianna foi do número dos marcados: foi preso e conduzido para Porto Alegre. 

O Gal. Antero, porém, preso pelos farrapos, foi substituído no governo pelo Dr. Saturnino, que relaxou da prisão o Maj. Vianna; o Dr. Saturnino foi, por sua vez, substituído pelo cidadão Nunes Pires, que novamente chamou para secretário do governo provincial o recente preso. Nesse ínterim livrou-se ele de ser assassinado, de dia, em plena rua, pela intervenção enérgica do então Maj. Osório, o futuro Marquês do Herval.

Advogou também no foro desta cidade, adquirindo nomeada; daí adveio-lhe a alcunha simpática de - Matheusinho das leis. Ainda quando secretário do governo, adoeceu gravemente e retirou-se para o Rio Grande, onde faleceu aos trinta anos de idade, deixando com seis meses apenas de nascido o único filho, Francisco Antunes Gomes da Costa, o venerando Sr. Barão do Arroio Grande."

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