sexta-feira, 19 de junho de 2015

A colonização europeia na região da Serra dos Tapes

Brasão de Armas da Pomerânia
Trecho extraído de: SALAMONI, Giancarla; WASKIEVICZ, Carmen Aparecida. Serra dos Tapes: espaço, sociedade e natureza. Tessituras, Pelotas, v. 1, n. 1, p. 73-100, jul./dez. 2013. (trecho das páginas 81 a 86)


A partir de 1848, a colonização passa a ser incentivada pelo Governo Geral, o qual cedeu certa quantidade de terras com o fim de formarem-se colônias agrícolas. Em princípio, essa ação do governo não foi bem vista pelos latifundiários, porém muitos desses proprietários de terras aderiram à política de colonização, parcelando porções das propriedades que não eram propícias ao desenvolvimento da pecuária, ou seja, as áreas de matas e de relevo mais íngreme. Assim, no sul do estado do Rio Grande do Sul a colonização também esteve amparada em iniciativas particulares, ainda que os Governos Imperial e Provincial tivessem o controle oficial sobre o processo de instalação de colônias, com base na imigração europeia não portuguesa. Com isso, ocorreu a introdução dos primeiros colonos na zona da mata da Serra dos Tapes. Diante deste contexto, surgem as iniciativas particulares de colonização, contribuindo para o parcelamento da terra (desconcentração fundiária), para a diversificação produtiva e, não menos importante, para a formação da diversidade étnico-cultural da Serra dos Tapes. Por outro lado, Grando (1989) esclarece que os estancieiros-charqueadores viram nesse processo de colonização mais uma oportunidade de enriquecimento, participando diretamente da especulação fundiária. Nas palavras da autora: “apossavam-se das terras de mato contíguas as suas propriedades e transformavam-nas em colônias a serem vendidas aos imigrantes, retendo para si, todavia, as terras planas. O sistema de colonização privada juntouse, assim, à colonização oficial” (GRANDO, 1989, p. 18).  Em 1849, tem-se a criação de colônias, em Pelotas, de caráter particular, como a colônia D. Pedro II, que se formou a partir da atuação da Associação Auxiliadora da Colonização. As colônias Nova Cambridge e Monte Bonito são fundadas em 1850, respectivamente, por irlandeses e alemães prussianos. Com relação à formação desta última colônia, Peñafiel (2006) diz que: Assim, outros empreendimentos foram surgindo.

Nesse mesmo período, Thomaz José dos Campos pediu licença ao Governo Provincial (referindo-se à província de São Pedro do Rio Grande) para contratar famílias de imigrantes irlandeses e obter financiamento para poder subsidiá-los nos primeiros anos nas terras da colônia Monte Bonito. Assim, entre o período compreendido entre 1850 e 1858, 14 empreendimentos privados foram realizados, resultando em 16 novos núcleos coloniais agrícolas (PEÑAFIEL, 2006, p. 49).

A colonização com imigrantes franceses se dá a partir de 1879, também na região da Serra dos Tapes, formando a Colônia Santo Antônio, por iniciativa do comerciante João Pinheiro. Sobre essa colônia, Salamoni (1992) explica que:

A importância histórica dessa colônia – Santo Antônio – é patente, haja vista que ela representa a origem da produção familiar de frutas e sua ação artesanal abriu caminho para a formação das primeiras indústrias rurais, no município de Pelotas. Atualmente, esta região  constitui-se na maior região produtora de pêssego do Brasil e apresenta o maior Complexo Agroindustrial de Doces e Conservas Vegetais do País (SALAMONI, 1992, p. 38).

Mais tarde, entre 1883-1887, é fundada a colônia São Simão, por Simão da Rocha, que contava, inicialmente, com 10 lotes e 23 moradores. Ullrich (1984) escreve que:  

Os habitantes são todos brasileiros, com exceção de uma família italiana. Não existe uma comunidade. Na entrada da colônia localiza-se um moinho e uma olaria, ambos pertencentes ao italiano. O fundador da colônia possui uma grande plantação de uva e, como único no sul deste estado, um canavial de açúcar, juntamente com a destilaria, a qual produz um excelente produto (ULLRICH, 1984, p. 4).

Em 1881, o Governo Imperial criou algumas colônias, sendo que a que obteve êxito foi a Colônia Maciel, que em 1883 passa a receber imigrantes italianos. Com imigrantes alemães, foi criada a Colônia Municipal, administrada pela Câmara Municipal de 1880 a 1886.  Ainda no início dos anos 1880, foi criada a colônia Santa Coleta, por Capitão Ribeiro, constituída por imigrantes alemães e, entre 1885-87, a Colônia de Domingos, formada por famílias brasileiras, portuguesas e originárias das Ilhas Canárias. Posteriormente, ainda por iniciativa do Governo Imperial, foram criadas as colônias de Arroio do Padre, Terrenos do Machado, Terrenos dos Chaves. Entre 1885-90 e 1893, respectivamente, criaram-se as colônias Zacarias e Batista, pelo Governo Imperial, e Santa Aura, fundada por iniciativa particular.  Em 1892, foi fundada a Colônia Santa Helena, pelo Barão Von Schlegel, composta por moradores alemães. Em 1893, a Colônia São Manoel (Fazenda Três Barras) é criada por Pedro Toledo, composta, em maior proporção, por alemães e pomeranos, sendo apenas duas as famílias de brasileiros e italianos. Ainda, em 1893, João Schild funda a colônia de Santa Maria, formada majoritariamente por alemães (ULLRICH, 1984). 

Até 1909 esse processo de colonização influenciou a organização da estrutura fundiária, fracionando os latifúndios e caracterizando a região montanhosa pela implantação da produção familiar em pequenas propriedades por imigrantes europeus não portugueses e, nas áreas de relevo plano, a ocupação por grandes proprietários luso-brasileiros. Esta diferença étnica na ocupação do território influencia, ainda na atualidade, uma diferenciação na organização espacial das duas porções de relevo dos municípios de Pelotas e São Lourenço do Sul. Ou seja, grandes propriedades nas terras de planície, ocupada pelos portugueses, e as pequenas propriedades na Serra dos Tapes, ocupada pelos colonos. Ainda, marcada pela presença da produção de arroz e gado de corte nas terras baixas da Planície e uma maior diversidade produtiva na região serrana, de base familiar, com produção de milho, batata, hortaliças, feijão, entre outros produtos agrícolas. Lima (2006) explica que:

Em termos históricos de ocupação do solo, cabem as seguintes observações: as terras baixas foram ocupadas primeiramente pelos portugueses, que se dedicaram à atividade pecuária, para a produção de charque e as terras dobradas, da chamada Serra dos Tapes, foram ocupadas a partir de 1858, pelos imigrantes alemães/pomeranos, que favoreceu a diversificação da produção (LIMA, 2006, p. 16).

A porção da Serra dos Tapes, no atual município de São Lourenço do Sul, recebeu imigrantes pomeranos e alemães para a formação de suas colônias. Assim, em 1856, após ter obtido autorização do Governo Imperial para a compra de terras, a iniciativa do empresário alemão Jacob Rheingantz, em sociedade com o lourenciano Cel. José Antonio de Oliveira Guimarães, deu início a colonização europeia não portuguesa. Conforme palavras de Coaracy (1957):

Hoje o próspero e rico município de São Lourenço do Sul celebra o primeiro centenário de sua fundação e origem, a Colônia de São Lourenço, que a 15 de janeiro de 1858, Jacob Rheingantz estabeleceu nas solidões agrestes da Serra dos Tapes, a margem do curso sinuoso do rio Camaquã (COARACY, 1957, p. 27).

Cabe ressaltar, que a então denominada Colônia de São Lourenço fazia, no ano de 1858, parte do município de Pelotas. Assim, os descendentes dos imigrantes distribuíram-se, posteriormente, pela região serrana dos municípios de Canguçu e Pelotas. A formação histórica de São Lourenço do Sul remonta à doação de uma sesmaria de terra ao capitão José Cardoso Gusmão, em 1786, pelo rei de Portugal. Assim, inicialmente as ocupações humanas foram representadas por portugueses/açorianos (século XVIII), que ocuparam as terras em torno da Capela de Nossa Senhora do Boqueirão, construída em 1807. Mais tarde, em 1830 foi construída a igreja, ano em que ocorreu o desmembramento do município de Pelotas do município de Rio Grande6.  Até meados do século XX São Lourenço do Sul era uma vila tipicamente portuária e esse fortalecimento do comércio e crescimento do porto elevou-a a categoria de cidade, em 1938. O êxito da colonização na Serra dos Tapes foi reconhecido em menos de cinco anos, quando os imigrantes pomeranos e alemães já produziam milho, feijão, batata, ovos, leite, entre outros gêneros alimentícios, destinados tanto ao autoconsumo das famílias rurais quanto ao abastecimento do mercado local e regional. Assim, reforçando as características da diversificação agrícola e do trabalho familiar, Salamoni (2001) ressalta que:

O tipo de economia colonial implantada pelos imigrantes alemães teve como característica marcante o estabelecimento da policultura a qual, segundo a tradição alemã, deveria solidificar o caráter independente dos colonos. Ao lado disso, o trabalho familiar serviria para reforçar essa ideia de independência, uma vez que não se utilizava mão de obra externa entre os colonos. Todos os membros da família envolviam-se nas tarefas domésticas e na produção agrícola a fim de alcançar a autonomia econômica (SALAMONI, 2001, p. 8).

Antes da chegada dos portugueses, a ocupação do município de Canguçu esteve ligada a presença dos índios Tapes, mencionados anteriormente. Por volta de 1756, inicia-se a colonização portuguesa, pela qual as terras foram distribuídas a militares a serviço da Coroa, na forma de sesmarias. Segundo Silva Neto e Basso (2005), a formação de uma estância pecuarista, com tamanho correspondente a uma sesmaria (13.000 hectares), poderia envolver a criação de 4.000 a 5.000 cabeças de gado. No entanto, por quase duas décadas as terras ficaram sob o domínio espanhol, sendo somente retomadas pelo exército português em 1777. As áreas destinadas à formação das estâncias foram, principalmente, as zonas de campo, localizadas ao norte do município e que possibilitaram o desenvolvimento da pecuária extensiva. 

Por outro lado, as áreas de floresta da Serra dos Tapes, abrangendo os municípios de Canguçu, Pelotas e São Lourenço do Sul, tiveram sua ocupação relacionada à presença dos imigrantes, em três momentos distintos:   1º (1756): concedidas datas de terras (cerca de 272 hectares) a famílias açorianas;  2º (1850): chegada de imigrantes alemães e pomeranos. Essa ocupação se deu como processo de expansão das fronteiras agrícolas, mais especificamente da colônia de São Lourenço do Sul;  3º (1875): destinados lotes de 20 hectares de terras a famílias italianas. Com o passar do tempo, os rendimentos obtidos com a atividade agrícola propiciaram a compra de mais terras para os filhos desses imigrantes (COTRIM, 2003). Além destes, podem ser mencionadas as ocupações de pequenos espaços destas áreas por escravos e seus descendentes, seja por doações de terras ou por posse, tanto de escravos libertos quanto fugitivos (ZARTH, 2002; RUBERT e SILVA, 2009). Neste sentido, expressando a organização espacial nas áreas de pequenas propriedades agrícolas, Salamoni (2001) escreve que:

Por meio da pequena propriedade familiar e da produção de gêneros alimentícios diversificados, introduziu-se um novo padrão econômico e sociocultural no Sul do Império. Da mesma forma, o fato de os imigrantes terem ocupado a mesma condição de colonos, determinou a estruturação de uma organização social original, nessa mesma porção do território nacional (SALAMONI, 2001, p. 7).

A colonização na Serra dos Tapes enfrentou algumas dificuldades para a implantação dos cultivos agrícolas. Desde os condicionantes físicos, representados por um relevo íngreme, coberto por mata densa, até a precariedade da infraestrutura oferecida aos colonos (falta de instrumentos de trabalho e péssimas condições de moradia). Assim, inicialmente, os colonos derrubaram a mata e implantaram a rotação de terras, caracterizando um sistema primitivo de cultivo, também denominado de “roça” (WAIBEL, 1979).  As informações obtidas sobre o sistema agrário das primeiras colônias mostram indícios da primitividade dos meios de produção utilizados nas atividades agrícolas. O isolamento em que se encontravam, aliado à falta de iniciativa governamental no sentido de criar as bases para o desenvolvimento nas colônias, provocou um rebaixamento no padrão técnico do imigrante, em relação ao utilizado na Europa. Muitos colonos abandonaram o uso do arado e passaram a empregar apenas instrumentos para trabalhos manuais. Grando (1989) confirma as condições sob as quais a natureza foi apropriada pelos colonos no município de Pelotas, quando diz que estes adotaram “um sistema de culturas sobre queimadas, após a derrubada do mato virgem ateavam fogo e em seguida preparavam a terra só com o uso da enxada” (GRANDO, 1989, p. 66). As terras de matas foram consideradas o centro de expansão das colônias na Serra dos Tapes e, não importando qual tenha sido o agente colonizador, nem a natureza étnica do povoamento nessas áreas, a implantação e consolidação da propriedade agrícola familiar enfrentou a mesma série de dificuldades. 

As restrições de ordem técnica e econômica também se deveram, em parte, ao isolamento geográfico das colônias. Em Pelotas, esse último fator foi amenizado com a construção de um ramal ferroviário, no inicio do século XX, que ligava Porto Alegre com a fronteira argentina, a oeste, criando a possibilidade de integrar as áreas coloniais situadas na Serra dos Tapes com o restante da região (SALAMONI, 2001). Nas palavras de Grando (1989, p. 78), “os colonos sentiam-se atraídos pelas terras da Serra dos Tapes, pela certeza da boa qualidade dos solos e da facilidade de colocação da produção agrícola nas cidades de Pelotas e Rio Grande-onde se situa o único porto marítimo do Rio Grande do Sul”. 

Desse modo, essa região colonial esteve, desde cedo, numa posição privilegiada, dada a proximidade de dois importantes mercados consumidores e exportadores – os núcleos urbanos de Pelotas e Rio Grande. Assim, os colonos encontraram incentivos para desenvolver, imediatamente à sua instalação na Serra dos Tapes, uma produção de caráter comercial, baseada em sistemas de cultivo voltados à semiespecialização agrícola. Esta tendência representou um avanço: os colonos substituíram o sistema primitivo sobre queimadas, baseado no uso de ferramentas manuais, por sistemas que empregavam a tração animal.  Nos anos que se seguiram à colonização, a fisionomia natural da Serra dos Tapes foi sensivelmente modificada, pois, os grupos humanos nela fixados imprimiram, sobre o espaço, formas de adaptação às condições do meio físico. O modo particular de organização social e econômica dos colonos pode ser associado ao que Sorre chama de “gênero de vida”, ou seja, “[...] através do qual o modo do habitat, a estrutura agrária, partilha e forma dos campos - o tipo de propriedade e exploração - inscrevem no solo, em traços materiais, o funcionamento do gênero de vida” (SORRE, 1963, apud SALAMONI, 2001, p. 37)

quarta-feira, 17 de junho de 2015

Margarida Gastal

Imagem extraída do site: http://www.geni.com/people/Marguerite-Marlin/6000000003864233596
Notas de pesquisa: Louise Marguerite Marlin Gastal nasceu na cidade de Coulommiers, Departamento do Sena e Marne, província da Région Parisienne, França, na data de 24 de Setembro de 1858, e faleceu em Pelotas, Rio Grande do Sul, Brasil, em 09 de Abril de 1909. Segue-se o noticiário de sua morte em um periódico pelotense.

Trecho extraído de: A OPINIÃO PÚBLICA, 10 de Abril de 1909, página 01, coluna 1

"NECROLOGIA
MARGARIDA GASTAL

Hontem, ás 2 horas da tarde, falleceu, victimada pelo typho, a distincta educacionista Exma. Sra. D. Margarida Gastal, natural da França, de 50 annos de idade, viuva do Sr. Amadeo Gustavo Gastal e madrasta dos Drs. Eduardo e Gabriel Gastal e do Sr. Amadeo Gastal, este residente em Santa Maria e das sras. Paulina, Maria e Mathilde Gastal.
A finada deixou tres filhos, os appreciaveis jovens Carlos, Paulo e Edmundo Marlin Gastal.
A Exma. Sra. D. Margarida era directora e professora do conceituado Externato Francez e gozava de geral estima na sociedade pelotense.
Era uma senhora intelligente e digna de muita consideração.
Sua morte tem sido geralmente sentida.
O enterro realiza-se, hoje ás 4 horas da tarde, sahindo o féretro do predio n.173 da rua Andrade Neves.
Á respeitavel e considerada família apresentamos condolencias."

Interessante artigo sobre a biodiversidade no Cerro das Almas

Teiú ou Lagarto do Mato
Acesse o link: Cerro das Almas - Rastro Selvagem, seguindo as trilhas em Pelotas

domingo, 14 de junho de 2015

Descrição da instalação da Compagnie Française du Port du Rio Grande du Sul nas pedreiras de Monte Bonito e Capão do Leão

Detalhe de uma rocha a descoberto na Pedreira do Cerro do Estado em Capão do Leão (Ano 2010)

Trecho extraído de: DIÁRIO OFICIAL DA UNIÃO, 28 de Outubro de 1910, seção 01, p. 11-13

(...)
Pedreiras. Duas são as pedreiras de onde a companhia pretende extrahir a pedra necessária para as obras – a pedreira do Capão do Leão e a pedreira de Monte Bonito – ambas na vizinhança da cidade de Pelotas.
A pedreira do Capão do Leão foi adquirida amigavelmente pela companhia; quanto á de Monte Bonito, a companhia obteve imissão de posse, não tendo sido, porém, concluída a desapropriação até á data em que nos retirámos do Rio Grande, quando ia se proceder finalmente ao arbitramento.
Na pedreira de Monte Bonito a rocha emerge em alguns pontos, mas está geralmente coberta por uma camada de terra mais ou menos espessa. É um granito de grã fina, de excelente qualidade, devendo-se notar, porém, que em alguns pontos os trabalhos de preparação da pedreira puzeram a descoberto algumas bolsas de rocha mais ou menos decomposta.
Juntamos cinco photographios (ns. 1 a 5), das quaes três foram tiradas por ocasião de nossa visita, e que dão uma idea da natureza da rocha e de modo que se apresentam actualmente as diversas frentes ou côrtes de ataque.
Juntamos igualmente, sob n. 2, uma planta da pedreira que nos permite apreciar o que a companhia tem feito em Monte Bonito. Como se vê esta planta, a rocha está a descoberto, prompta a ser explorada ou já explorada em quatro pontos, nos côrtes ns. 1 e 2, cujos planos de base estão ambos situados na cota de nível de 80 metros, e nos côrtes ns. 3 e 4, cujas bases estão situadas em planos superiores, nas cótas respectivas de 98m e de 103,5m. o comprimento total das linhas de ataque é de cerca de 1.000 metros, subdivindindo-se da seguinte fôrma:
Corte n. 1................. 210 metros
Corte n.2..................320 metros
Corte n.3..................280 metros
Corte n.4..................150 metros
                                       ________
                                       960 metros

A linha principal de evacuação dos produtos da pedreira tem a sua estação terminal na pedreira, no nível dos cortes n.1 e n.2. Uma linha de concordância desenvolve-se em zig-zag e liga os córtes n.3 e n.4 á linha principal.
Passando pela zona de exploração a estrada municipal que liga a colónia de Cangussú á cidade de Pelotas, tornou-se necessária a modificação do traçado desta estrada, levada a efeito pela companhia, por conta própria e em virtude de acordo com a Intendencia de Pelotas.
Ao longo da estrada e em volta da pedreira, a companhia creou uma verdadeira villa, com moradias para o pessoal operário e chefes de serviço, onde fomos encontrar venda, açougue, padaria, hotel e posto policial, e mais um hospital e uma enfermaria de isolamento, entregues á direção de um medico, que reside na localidade.
As fotografias sob ns. 6 e 7 mostram dous aspectos da povoação creada em Monte Bonito.
O explosivo adoptado para a exploração da pedreira é a chedite, para cuja preparação a companhia montou no local uma fabrica, que se acha funcionando. A chedite é um explosivo novo, de base de chlorato de potassa, convenientemente misturado com um óleo especial cuja composição ainda constitue o segredo de seu inventor.
Acham-se concluídas as modificações destinadas a armazéns, forjas, oficinas, depósitos de machinas, escriptorios e usina central.
Para fornecimentos de água ás caldeiras dessa usina central, foi captada uma fonte e canalisada através de duas pequenas bacias de decantação, para um reservatório de 25 a 30 mil metros cúbicos de capacidade, creado num talweg apertado por uma represa de terra, de cinco metros de altura. A instalação da usina central, está muito adiantada. Esta usina é destinada a produzir o ar comprimido necessário ao funcionamento dos perfuradores e á corrente electrica continua, que tem de ser distribuída aos guindastes, motores de oficinas e bombas centrifugas e utilizada igualmente no serviço de iluminação. A usina dispõe de 649 cavallos de força, subdivididos em dous grupos pneumáticos e dous grupos electrogéneos. Cada grupo pneumático compõe-se de: uma caldeira Babook-Wilcox de 81m2 de superfície de aquecimento, trabalhando a oito kilos; um motor Garnier-Faure-Beaulieu, de 160 cavallos, a expansão Corliss; um compressor Ingersoll-Raul. Cada grupo electrogéneo comprehende: uma caldeira e um motor, dos mesmos typos anteriores, e um dynamo gerador de corrente contínua, trabalhando com a tensão de 500 volts e a intensidade de seis a sete ampéres.
A água de condensação, depois de resfriada em um refrigerador Zshokke, de 15 metros de altura, volta novamente aos condensadores. Esse refrigerador, cuja construção está sendo ultimada, consiste essencialmente em uma torre metallica, com uma serie de planos inclinados invertidos ou chicanas de madeira, que a agua aquecida vae atravessando de cima a baixo, em zig-zag, para cahir finalmente resfriada no deposito inferior de alvenaria, devidamente cimentado. A fotografia n. 8 mostra esse refrigerante ao lado da usina central.
O material em pregado na pedreira consiste em linhas de serviço, linhas Decauville, linhas de transporte de energia electrica, canalização de ar comprimido, wagões de aterro, wagonetes, balanças diversas, guindastes electricos, pás a vapor, etc. Merecem uma rápida descripção as pás a vapor e os guindastes electricos. Vimos funcionar uma pá a vapor “Ruston”, utilizada, na ocasião, na abertura de um corte. Esse aparelho não é mais do que um guindaste a vapor, montado sobre um wagão, cuja lança suspende uma enorme caçamba de 2 toneladas de capacidade. Essa caçamba, cuja bôcca, no bordo superior, é armada de quatro possantes dentes, póde receber todos os movimentos que lhe permitam descer até á base do corte, avançar enterrando os seus dentes para o interior do massiço de terra e subir novamente, raspando o talude em profundidade conveniente, enchendo-se, nesse movimento ascensional, do material excavado que, acompanhando o movimento da lança, ella irá depois despejar de uma vez nos wagões de aterro.
As fotografias sob ns. 9, 10 e 11, as duas ultimas tiradas por ocasião de nossa visita á pedreira, mostram o aspecto geral de interessante e poderoso aparelho.
Os guindastes electricos, em numero total de 14, todos na pedreira de Monte Bonito, serão posteriormente divididos entre essa pedreira e a do Capão do Leão. Cada guindaste, montado sobre o seu truck, póde levantar 10 toneladas a 4,00 m de altura, com o raio de acção de 4,00 m a 8,00 m e é dotado de cinco movimentos diversos, comandados por seis motores independentes: um motor para orientação de lança, um para translação do truck, um para suspensão de carga, um para arrastamento da mesma, permitindo a utilização do guindaste como guincho, e finalmente dous motores para modificação do raio de acção do aparelho. As fotografias sob ns. 12 e 13 mostram o estado actual do local onde estão sendo montados os guindastes electricos.
A pedreira de Monte Bonito está instalada para uma produção de 2.000 toneladas diárias, com uma extensão de 1.000 metros de linhas de ataque, e por si só póde muito provavelmente fornecer toda a pedra necessária ás obras da barra e do porto, mas a companhia, querendo aparelhar-se para o fornecimento diário de 3.000 a 3.500 toneladas e precaver-se contra qualquer eventualidade, adquiriu uma pedreira de reforço em Capão do Leão, onde principiou a instalar-se para a produção de 1.300 toneladas diárias, com uma extensão de 600 metros de linhas de ataque, que poderá ser augmentada, conforme as necessidades. Na pedreira do Capão do Leão, a rocha é igualmente um granito de excelente qualidade, mais rica aparentemente em feldspatho, mas de grã um pouco menos fina do que a rocha de Monte Bonito. O único trabalho em execução, além de estudos topográficos, é o de roçada de capoeirinhas para descobrir a pedreira, como se vê pelas fotografias sob ns. 14 e 16, que juntamos.
Em material já recebido e a receber, destinado ás suas pedreiras, a companhia já despendeu a quantia de 2.580.000 francos, sendo que o valor do material recebido eleva-se a 1.540.000 francos e o do material a receber a 720.000 francos.
Vejamos agora como a companhia resolveu o problema do transporte da pedra das pedreiras ao local do emprego.
Transportes da pedra. – Esse transporte tinha evidentemente de ser feito parte por terra e parte por agua, atendendo á situação das pedreiras aproveitáveis e á posição dos projectados molhes separados por largo braço de mar.
Estradas de ferro. – A questão de transporte terrestre, em estradas de ferro, passou por três phases diferentes. Na primeira phase a companhia, apenas instalada, limitou-se a assignar um requerimento, onde pedia ao Governo autorização para construção de uma estrada de ferro de Monte Bonito á Barra do Rio Grande, aceitando dessa fôrma a solução que o primitivo concessionário, cuja responsabilidade technica fora mantida, tinha julgado mais conveniente de acordo com o seu colaborador anterior, o conhecido capitalista e empreiteiro Sr. Pearson. Esse requerimento deu logar ao decreto n. 7.159, de 29 de outubro de 1908, que autorizou a construção da estrada com a bitola de 1,44 m e a extensão de 73,516 km de linha e 14 km de desvios, limitando o seu custo á importância na conta de capital das obras do porto e reservando o direito do Governo de, concluídas as obras, resgatar a estrada por quantia igual á metade do custo verificado.
Na segunda phase da questão, a Companhia procedendo a estudos próprios, reconheceu a conveniência de reduzir a bitola a 1,00 m, mantendo dessa fórma a desejável uniformidade na viação férrea do Estado do Rio Grande do Sul, tornando possível a circulação do seu material rodante sobre as linhas da Compagnie Auxiliaire de Chemins de Fer au Brésil e reduzindo o custo da estrada projectada, de modo a poder dar-lhe maior desenvolvimento que julgava necessário. Querendo iniciar a execução de seu plano a companhia, a 23 de fevereiro de 1909, requeria a aprovação de diversas linhas de 1,00 m em substituição a estrada primitiva de 1,44 m, dando esse requerimento lugar ao decreto n. 7.411, de 14 de maio de 1909, que fechou a segunda phase da questão, mantendo por um lado as clausulas do decreto n. 7.159, relativas ao custo máximo da estrada, ao seu resgate e á porcentagem a ser levada á conta do capital das obras do porto, e autorizando por outro lado a construção das seguintes linhas:
1)      Uma linha-tronco de Monte Bonito á margem do Rio São Gonçalo, de acordo com as plantas apresentadas;
2)      Um ramal ligando essa linha-tronco á Estrada de Ferro do Rio Grande a Bagé, na vizinhança de Pelotas.
3)      Um ramal entre a cidade do Rio Grande e a Barra, partindo da referida Estrada do Rio Grande a Bagé.
Na 3ª. phase da questão, tendo concluído os estudos dos dous ramaes mencionados
no decreto n. 7.411, e chegado a um acordo com a Compagnie Auxiliaire de Chemins de Fer au Brésil, arrendatária da Estrada de Ferro do Rio Grande a Bagé, para a duplicação desta linha, tendo além disso verificado a necessidade da construção de uma linha entre Cocuruto, na margem leste do Canal do Norte e o projectado Molhe Léste da Barra, a companhia requeria ao Governo, em data de 11 de dezembro de 1909, a aprovação dos seguintes projectos: 1) projecto de ramal anteriormente autorizado de juncção entre Pelotas e a linha de Monte Bonito ao São Gonçalo; 2) projecto de duplicação da linha da Compagnie Auxiliaire entre Pelotas e Rio Grande; 3) projecto de ramal do Rio Grande á Barra, anteriormente autorizado, igualmente; 4) projecto da linha do Cocuruto ao Molhe Léste.
                No primeiro despacho o Sr. Ministro da Viação deixou de aprovar os planos e orçamentos apresentados, em consequência de informações contrarias da Comissão Fiscal das obras da barra e do porto do Rio Grande; mas posteriormente, atendendo á petição em que a Companhia pedia reconsideração do despacho dado ao seu requerimento de 11 de dezembro de 1909, o ministro resolvia favoravelmente a pretensão da Companhia, estipulando, porém, certas restricções que em nada alteraram o traçado proposto, o que deu logar a promulgação do decreto n. 8.089, de 7 de junho de 1910, que fechou a 3ª. phase da questão das estradas de ferro para o transporte da pedra.
                O conjunto de linhas aprovadas está representado na planta geral das obras da barra e do porto, que anexamos sob n. 3, ao presente relatório.
                Nessa planta também figura o traçado projectado da linha de ligação de Pelotas á nova pedreira do Capão do Leão, que a Companhia acaba de adquirir. Tivemos ocasião de percorrer o traçado projectado que, em metade de sua extensão, é a duplicação, além de Pelotas, da linha da Compagnie Auxiliaire e apenas necessita, quanto a obras de arte, de maior monta, a construccção de duas pontes de madeira de 50 metros de vão sobre os arroios Capão do Leão e Fragata.
                Combinando o traçado, a tinta preta ou amarela, das estradas de ferro com a indicação a traços vermelhos do transporte marítimo, compreende-se facilmente o plano geral de transporte que está executando a Companhia franceza.
                A pedra para o Molhe de Oéste e para o porto, virá da pedreira do Capão do Leão, seguindo os trechos Capão do Leão á Pelotas, Pelotas a Porto Novo e Porto Novo a Molhe Oéste; ou da pedreira de Monte Bonito, seguindo os trechos Monte Bonito a Rio S. Gonçalo até a juncção no kilometro 8,87288 m e os trechos Juncção-Pelotas, Pelotas a Porto Novo e Porto Novo a Molhe Oéste.
                A pedra destinada ao Molhe Léste virá da pedreira de Monte Bonito, seguindo pela linha de Monte Bonito ao Rio S. Gonçalo, sendo dahi transportada por agua até Cocuruto e dahi novamente por terra, até o respectivo molhe.
                Qual o estado de adiantamento dos serviços em relação ás estradas de ferro?
                A linha do Capão do Leão a Pelotas com 17 kilometros está em estudos. A linha Monte Bonito ao Rio S. Gonçalo com 21 kilometros está prompta para o trafego e sobre ella corriam os últimos trens de lastro. A linha Juncção-Pelotas, com sete quilômetros, está com a sua plataforma prompta em toda a sua extensão e com trilhos assentados em mais de seis quilômetros entre a Juncção e o arroio de Santa Barbara, onde está sendo construída uma ponte de madeira de 56 metros, com dous vãos de 3,625 m e treze vãos de 2,75 m. Uma fotografia sob n. 17, tirada por ocasião de nossa visita, mostra o bate-estacas a vapor, em serviço de cravação dos esteios da ponte. A linha Pelotas a Porto Novo, que é a duplicação da linha da Estrada de Ferro do Rio Grande a Bagé, é dividida em duas secções separadas pela ponte sobre o Rio S. Gonçalo, onde não foi possível fazer a duplicação da linha. A segunda secção tem 2,5 kilometros de extensão e a plataforma está prompta em 1,5 kilometros. Na primeira secção de 51 kilometros de extensão, a plataforma está prompta entre os quilômetros 8 e 22, 33 e 40, em outros trechos pequenos, em um total de cerca de 22 kilometros, não estando iniciadas as obras de arte, nem assentado os trilhos em qualquer das duas secções. Na linha Novo Porto a Molhe Oéste, a Companhia tem cerca de dous quilômetros de linha prompta, o aterro sobre o Sacco da Mangueira está terminado e já está no local a ponte metallica de 400 metros que vae ser montada para completar a travessia do referido sacco. O taboleiro dessa ponte repousará sobre duas linhas de estacas metálicas, cheias, de 0,14m de diâmetro, armadas inferiores de roscas de ferro fundido para a sua penetração no solo por torsão, em vez de percursão, até a profundidade de 5,00m. O espaçamento das estacas entre eixos será de 2,00m no sentido transversal e 6,00m no sentido longitudinal. O nível dos trilhos fica a 3,30 m acima do zero hydrographico ou 2,50m acima das aguas máximas. O taboleiro apresenta lateralmente uma saliência de 1,60m de largura, que será devidamente assoalhada para a passagem de pedestres. A partir da ponte do Sacco da Mangueira, a continuação dos trabalhos da linha do Novo Porto a Molhe Oéste está dependendo da desapropriação de terrenos de propriedade do Dr. Ernesto Otero, antigo chefe da Commisão Fiscal das obras da barra e do porto do Rio Grande.
                A linha de Cocuruto ao Molhe de Léste, tem cerca de 12 kilometros de desenvolvimento; a plataforma está prompta e os trilhos assentados em mais de 7 kilometros; a plataforma sem os trilhos está prompta em outros 2 kilometros. A linha é interrompida em dous trechos por terrenos de propriedade do Dr. Ernesto Otero que teem de ser desapropriados. As fotografias ns. 18 e 21 mostram o estado actual da estação do Cocuruto com suas linhas, installacções diversas e depósitos de materiaes. As fotografias ns. 22 e 23 mostram a linha interrompida no principio e no fim de uma faixa de terreno pertencente ao Dr. Ernesto Otero e ainda por desapropriar.

                Material das estradas de ferro. – A Companhia já possue no Rio Grande, para serviços de suas estradas, 3 locomotivas de 30 toneladas, 12 locomotivas de 20 toneladas, 150 wagões de plataforma e 150 caixas para enrocamento, no valor de 1.500.000 francos com a encomenda de 5 locomotivas de 30 toneladas e 5 de 20 toneladas, 250 wagões de plataforma e 250 caixas para enrocamento. Em trilhos, talas de juncção e mais acessórios e taboleiro metallico do Sacco da Mangueira, a Companhia gastou 2.300.000 francos, e em dormentes de madeira nacional, 1.200.000, até o fim de junho de 1910.

sábado, 13 de junho de 2015

Passo da Eira


Eira de acordo com a Wikipedia é "é um espaço plano com um chão duro, de dimensões variáveis, onde os cereais, eram malhados e peneirados, depois de colhidos, com vista a separar a palha e outros detritos dos grãos de cereais.  Sua origem está ligada ao advento da agricultura e o consequente cultivo dos cereais, onde desenvolveram-se várias técnicas, ferramentas e instalações especificas". (Vide artigo)

A localidade de "Passo da Eira" no Capão do Leão já é documentada em 1830, mas aparece com clareza como parte da Freguesia da Nossa Senhora da Consolação da Capela da Buena numa convocação de alistamento militar de 1851.  Por isso, podemos intuir que a localidade é muito antiga e de alguma forma era um dos pontos de passagem dos tropeiros de gado bovino que se dirigiam às estâncias do Pavão ou ao núcleo charqueador de Pelotas (A Zona Rural de Capão do Leão). De acordo com a coleção Varella, João Sulpício Barboza de Menezes estabeleceu na região uma plantação de trigo, em época não especificada, mas creio que seja ainda na primeira metade do século XIX. Posteriormente, João Sulpício teria vendido parte de seus campos a João Francisco Costa, que ali criou um "potreiro e curral de engorda". 

Acredito que, por ser tratar inicialmente de uma plantação de trigo, a existência de uma eira na região não seja algo improvável. A denominação "Passo da Eira" talvez deva-se a existência de um pequeno córrego que ali passa. Eu tive a oportunidade de visitar a localidade, numa altura em que já é quase Coxilha Florida, e é possível observar o tal córrego que, inclusive tem muitas pedras no seu leito. Só não sei precisar se aquele é o Arroio das Pedras ou o Arroio Ávila. Existem muitas fazendas e sítios centenários na região e me chamou a atenção, em especial, um deles que possui uma espécie de abatedouro (hoje desativado) a céu aberto, com muros e construções bem características.

A zona rural de Capão do Leão tem um potencial cultural, histórico e turístico inestimável e desconhecido.

sexta-feira, 12 de junho de 2015

A Capoeirinha

Trecho extraído de: PATRIOTA, Annibal. Rememória: projeto de revisitação do tropeirismo no Sul do Brasil. Porto Alegre: Globo, 1995, p. 63


"Na altura do Capão do Leão, logo depois que se sai do Descanso, há uma taberna no entrocamento da estrada que vai ao Cerro das Almas. Parada obrigatória dos viajantes, onde um vermouth escuro e alguns nacos de queijo dão alívio aos corpos cansados dos tropeiros. Desde os tempos do antigo João Cunha, dos arrozais na encosta do morro, foi aberto ali perto uma capoeirinha, que é usada para descanso dos cavalos. Nos fundos da capoeirinha, existe um tipo de curral formado pela densa vegetação, onde deixavam o gado. 
Fazendo questão de pernoitar ali, caso a tropa tivesse chegado no fim da tarde, a capoeirinha era escolhida como o acampamento ideal. Ora era disputada com os ciganos que também tinham sua preferência pelo local. Contam os antigos tropeiros que a capoeirinha era d'um formato estranhamente circular, coberta por uma relva macia. Via-se a descoberto no solo restos de louçaria e de pequenos santinhas católicas quebradas - o que faz concluir que em tempos de outrora estivesse erguida uma choupana ou casa de habitação."
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