quarta-feira, 26 de março de 2025

Ritos de casamento



Já o rito era feito de gestos que atravessaram os séculos.

A união das mãos: simboliza o socorro mútuo e o laço de fidelidade entre os esposos.

Anel de noivado: a troca de anéis entre prometidos existe desde a Antiguidade. Na época, era um anel de ferro. A diferença entre o anel de noivado e o de casamento apareceu na Idade Média. No século XV, o primeiro passou a ostentar uma pedra preciosa para se diferenciar do segundo, sóbrio e discreto. O hábito de usá-lo no anular da mão esquerda, correspondia a uma crença egípcia segundo a qual um nervo ligava esse dedo diretamente ao coração. A aliança, promessa de fidelidade, simboliza o compromisso mútuo entre esposos. A troca de alianças como signo exterior de responsabilidade conjugal é uma tradição inglesa do século XIX adotada depois no resto do mundo.

Acordo de casamento: é termo nascido no Renascimento para designar a permissão dos pais aos jovens nubentes e a reunião na qual se assinava o contrato de casamento.

Coroa de flores na cabeça da noiva: a tradição é bizantina e tem por função atrair proteção divina. As flores brancas, em particular as de laranjeira, símbolo de virgindade e fecundidade, eram obrigatórias no passado. A França exportou a moda para o Brasil no século XIX.

Dote: conjunto de bens doados pelo pai à filha por ocasião do casamento, doação destinada a compensar a herança dos irmãos. Ele podia compreender mobiliário, louça, roupa de cama e mesa, e joias. No Brasil, entravam no dote escravos, terras e animais de criação. Entre noivas pobres, até mesmo sacos de mantimentos e galinhas o poderiam compor. Teoricamente, as mulheres podiam manipulá-lo, mas cabiam ao marido a gestão e o dever de restituí-lo à família em caso de divórcio. Não foram poucas as esposas que entraram na justiça contra o mau uso que os consortes faziam de sua fortuna.

Lua de mel: tradição adotada no século XIX. É um tradução de honey moon, expressão de origem viking: o hidromel, bebida fermentada feita de água e mel, era bebido durante a semana nupcial.

Sair à francesa: expressão que designava a retirada discreta do casal de nubentes para a lua de mel, sem que ninguém percebesse.

Jogar arroz sobre os noivos: acontecia na saída da igreja e tinha o intuito de dar sorte ao casal. Esse costume já existia na China antiga - é a ressurgência da tradição de lançar frutas secas, símbolo de fecundidade, sobre os nubentes.

Enxoval: dado pelos pais da noiva, era composto de lingerie pessoal e roupa de cama e mesa. Trata-se de um costume antigo. No século XIX, era chamado trousseau.

Corbeille: a palavra refere-se à tradição, popularizada no século XIX, de o noivo oferecer presentes à noiva: rendas finas, lenços bordados e raros xales da Índia, em geral de caxemira; luvas de pele e, sobretudo, joias pequenas e grandes. A ideia era seduzir a jovem senhorita pela opulência. A corbeille era também uma demonstração do poder financeiro do noivo perante o dote da futura esposa, além de um prêmio pela virgindade dessa última. Os presentes podiam ser ofertados em baú, caixa ou pequena cômoda, onde tais pertences eram guardados. Os presentes ficavam expostos, às vésperas do casamento, para deleite e críticas da família e dos amigos. Na vitrine das lojas, ofereciam-se corbeilles completas. No Brasil, os presentes dados aos noivos passaram a ser expostos não necessariamente sobre a cama, mas com destaque para demonstrar, como na França oitocentista, o poder financeiro da família dos contraentes.

O branco no casamento: a moda do branco foi introduzida por Amélia de Leuchtenberg, segunda esposa de Dom Pedro I. Ela adotou o costume que vinha da época do Consulado napoleônico: o vestido de casamento longo, branco e acompanhado de véu de renda, como o que usou Carolina Bonaparte para esposar o general Murat. A seguir, dona Francisca, irmã de Dom Pedro II, casou-se com o Príncipe de Joinville também vestida de branco, em meio às damas de amarelo e verde. A princesa Isabel, ao trocar alianças com o Conde D'Eu, também vestiria filó branco, véu de rendas de Bruxelas, grinalda de flores de laranjeiras e ramos destas no lado esquerdo do vestido.

Traje da noiva: eis um exemplo de "toilette de noiva" publicado em setembro de 1859, no jornal feminino O Espelho: "um saiote aberto na frente, cercado de fofos, mas mangas muito largas cercadas de fofos como os do saiote, o corpinho é fechado com cabeção  que vem até o cinto onde se prende por um laço de fitas, cujas pontas prendem ao comprido do vestido. O véu preso à cabeça pela coroa de noivas cai pelos ombros".

Fonte: DEL PRIORE, Mary. Conversas e histórias de mulher. São Paulo: Planeta, 2013, pág. 36-37.

terça-feira, 25 de março de 2025

Família Nobre Portuguesa: Brito



É muito antiga esta família a dos Britos, cujo apelido se tornou entre o Rio Ave e a portela dos Leitões. Aires Brito doou todas as suas herdades em 1033 e fundou o Mosteiro de Oliveira. Sua filha recebeu-se com Dom Soeiro de Brito, rico-homem do Rei Dom Afonso VI de Leão, o qual restaurou o Mosteiro de Oliveira fundado por seu sogro e lhe confirmou as suas doações deste, acrescentando-lhe outras. Deste proveio a linhagem dos Britos.

Fonte: HERÁLDICA PORTUGUESA, Lisboa, 1960. 

segunda-feira, 24 de março de 2025

Sobrenome Andaguaçu



Sobrenome brasileiro de origem indígena, verificado desde a época colonial.

Fonte: SERAINE, Florival. Relação entre os fatos históricos e a onomástica no Brasil. In; Revista do Ceará, 1964.

domingo, 23 de março de 2025

A vendetta dos tripeiros - a omertà em São Paulo



Alguns exemplos mostram a presença do transplante cultural. Nenhum deles é mais expressivo do que a sequência de crimes ocorrida nos anos 1918-1919, batizada pela imprensa de "
vendetta dos tripeiros", por envolver italianos ligados ao comércio de carnes no matadouro e mercado de Vila Mariana. Em fevereiro de 1918, Luís Signorelli e seu cunhado Angelo Grecco caminham à noite pelas ruas do bairro, inteiramente despreocupados. Estão bêbados e cantam. Um grupo oculto no escuro lhes dirige a palavra em italiano, presumivelmente para identificá-los. Logo a seguir, ambos são mortos a tiros de espingarda. A polícia encontra dificuldades na apuração dos fatos, pois como diz o delegado encarregado do inquérito, em seu relatório, "tivera de lidar com grupo de tripeiros italianos da Vila Mariana, gente que se guia pelo princípio da 'omertà', segundo o qual devem resolver privadamente seus problemas, sem recorrer às autoridades. Afinal é acusado como mandante do crime um certo Basile Messano, rival dos mortos no negócio das tripas, e como mandatários três italianos e um brasileiro. Os italianos - vítimas ou acusados - são todos de Castellabate, pequena cidade da Campânia (Itália meridional), o que sugere o transplante não apenas de solidariedade mas de inimizades na vida para a América. Messano, segundo testemunhas, fora "chefe de quadrilha" na sua região natal por mais de vinte anos. De sua ficha policial na Itália, consta uma tentativa de homicídio mediante emboscada (1897) e uma acusação no ano seguinte por lesões corporais. Homem de posses no Brasil, acusado de ameaçar e subornar testemunhas, livra-se do processo graças a um habeas corpus obtido no Tribunal de Justiça. Este desfecho põe em risco a vida do acusado. Ele próprio não tem dúvidas a respeito: em anúncio publicado na imprensa solicita maior proteção policial. Afinal, menos de um ano após a morte de Luís Signorelli, um de seus irmãos abate Messano com sete golpes de uma enorme faca de cortar reses. Representante de seu grupo familiar, o criminosos é apoiado por outro irmão, que se lamenta não ter estado presente ao ato para ajudá-lo, e pelas mulheres da família, que lavam as mãos na poça formada com o sangue da vítima. Ele próprio pôde afinal lavar uma cueca ensanguentada do irmão, guardada intacta até o dia da vingança.

Fonte: FAUSTO, Boris. Crime e cotidiano: a criminalidade em São Paulo (1880-1924). São Paulo: Brasiliense, 1984, pág. 67-68.

sábado, 22 de março de 2025

Família Nobre Portuguesa: Barros



A origem desta família é incerta, o mais antigo apelido de quem parece poder deduzir-se a linhagem dos Barros é Fernão Dias de Barros, residente no lugar de Barros, concelho de Regalados, que se supõe que vivessem nos reinados de Dom Afonso IV e Dom Dinis.

Fonte: HERÁLDICA PORTUGUESA, Lisboa, 1960. 

sexta-feira, 21 de março de 2025

Família Nobre Portuguesa: Seixas



Família galega, cujo solar é a Casa de Narla, junto à cidade de Lugo. Entrou na conquista de Sevilha e passou a Portugal no reinado de Dom João I na pessoa de Vasco Gomes Seixas.

Fonte: HERÁLDICA PORTUGUESA, Lisboa, 1960. 

quinta-feira, 20 de março de 2025

Terremoto misterioso em Açu

 



EPHEMERIDES NACIONAES

8 - AGOSTO

(...)

1808 - Na povoação de Assú, hoje cidade, provincia do Rio Grande do Norte, ouve-se pelas 8 horas da manhã um grande estrondo vago, á maneira de um trovão subterraneo, que se dirigia de léste a oeste, e em seguida sente-se tremer a terra por algum tempo, abalando de tal modo as pessoas que mal podiam suster-se em pé, causando choque, nos vidros e louças, que perdiam o equilibrio. Esse terremoto foi sentido em todo o sertão do Assú, desde a costa até vinte leguas para o interior e ao longo da costa até o sertão do Piauhy, onde se attribuiu o terremoto o castigo por haveream alli umas mulheres torrado uma criança pagã, pondo-a dentro de um tacho sobre bruxas, para fazerem feitiçaria com as suas cinzas!

Esse facto é referido pelo juiz de direito João Valentino Dantas Pinagé, citado na Selecta Braziliense, pág. 268.

Fonte: GAZETA DE NOTÍCIAS (Rio de Janeiro/RJ), 08 de Agosto de 1880, pág. 02, col. 06

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