História, Genealogia, Opinião, Onomástica e Curiosidades.Capão do Leão/RS. Para informações ou colaborações com o blog: joaquimdias.1980@gmail.com
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quarta-feira, 29 de novembro de 2023
Bandoleiros & Salteadores no Rio Grande do Sul - Parte 05
terça-feira, 28 de novembro de 2023
O telégrafo no Rio Grande do Sul
O telegrapho
No Rio Grande do Sul
Um dos mais poderosos factores do progresso humano é sem duvida essa maravilhosa invenção americana descoberta por Morse a 19 de outubro de 1832 e que poucos annos depois estabelecia essa correspondencia espantosa que a rapidez inconcebivel do telegrapho derram por todo o universo.
Foi a 16 de janeiro de 1867 que o Rio Grande entrou na posse desse elemento de progresso inaugurando a primeira estação telegraphica nesta capital e dessa data em deante desenvolveu a sua rêde até constituir-se um dos principaes departamentos da União Brasileira.
Da data da inauguração ao fim do seculo passado a rêde compoz-se de 627.500 metros de linha de postes na linha tronco de 3 fios com o desenvolvimento de 1.735.500 metros de conductores e 2.323.108 metros de linha de postes nos ramaes com... 3.350.235 metros de conductores prefazendo os totaes de 2.950.608 metros para a extensão de linha de postes e 5.085.735 para o desenvolvimento de conductores.
A linha tronco extende-se de Torres a Jaguarão e os ramaes são: Porto Alegre a Xanxerê e a Uruguayana, Pelotas a Livramento e Pelotas ao Rio Grande com os sub-ramaes de Caçapava a S. Sepé, de Rosario a Livramento, de Alegrete a Itaquy a S. Borja e a Quarahy e do Rio Grande a Barra do Rio Grande e Barra do Chuy, o numero de estações elevou-se a 41 conforme o seguinte quadro indicando as datas de installação:
1a. Porto Alegre..... 16 janeiro 1867
2a. Torres..... 14 março 1867
3a. Rio Grande..... 14 janeiro 1868
4a. Pelotas..... 14 janeiro 1868
5a. Conceição do Arroio..... fevereiro 1868
6a. Barra do Rio Grande..... dezembro 1868
7a. Alegrete..... 2 abril 1870
8a. Triumpho..... 9 setembro 1870
9a. Rio Pardo..... 13 setembro 1870
10a. Cachoeira..... 1 novembro 1870
11a. Camaquam..... 7 abril 1871
12a. Jaguarão..... 29 outubro 1872
13a. Caçapava..... 29 setembro 1873
14a. S. Gabriel..... 29 setembro 1873
15a. S. Lourenço..... 2 dezembro 1873
16a. Federação..... 16 novembro 1874
17a. Uruguayana..... 28 agosto 1874
18a. Santa Maria..... 3 maio 1876
19a. Cruz Alta..... 13 maio 1876
20a. Cangussú..... 7 maio 1878
21a. Rosario..... 29 março 1878
22a. Livramento..... 13 novembro 1878
23a. Piratiny..... 13 dezembro 1880
24a. S.J. do Norte..... 1 janeiro 1881
25a. Cacimbinhas..... 2 fevereiro 1881
26a. Bagé..... 17 março 1881
27a. S. Borja..... 2 outubro 1881
28a. Itaquy..... 2 dezembro 1881
29a. Marg. Taquary..... 29 janeiro 1882
30a. Taquary..... 26 agosto 1882
31a. D. Pedrito..... 2 dezembro 1884
32a. Quarahy..... 3 agosto 1888
33a. Santa Cruz..... 18 março 1889
34a. Passo Fundo..... 28 outubro 1889
35a. Tahym..... 1 junho 1890
36a. S.V. do Palmar..... 17 julho 1890
37a. D. de Camaquam..... 26 março 1892
38a. S. Sepé..... 25 novembro 1892
39a. Pedras Brancas..... 1 janeiro 1894
40a. Nonohay..... 9 março 1896
41a. Viamão..... 8 julho 1896
Fonte: A FEDERAÇÃO (Porto Alegre/RS), 14 de Setembro de 1904, pág. 01, col. 01
segunda-feira, 27 de novembro de 2023
Club Açucena
Rio Pardo
Escrevem-nos:
"Conforme foi noticiado pela Federação, teve logar em a noite de 7 o baile á phantasia projectado pelo sympathico Club Açucena, o qual realisou-se no salão da residencia da exma. sra. d. Adelaide Meirelles.
A reunião das phantasiadas foi na casa de residencia do sr. João Frederico Carbuhn.
Ás 9 horas teve logar a saida dos phantasiados, os quaes foram puxados pela banda musical União Operaria. O prestito era formado por mais de 40 pares, muitos dos quases vestiam vistosas e elegantes phantasias.
Á entrada achava-se uma commissão de alumnos militares, os quaes receberam os phantasiados com uma verdadeira chuva de confetti.
O salão vistosamente ornamentado e illuminado, tinha um aspecto alegre e festivo dos dias felizes em que esta cidade teve a ventura de ter em seu seio á brilhante e saudosa Escola Militar e o seu nunca esquecido Club Cara Dura.
Em um dos intervallos da dança o intelligente alumno militar Valentim Benicio, em phrases vibrantes, saudou a mulher como o ente ideal e que naquelle momento achava-se representada pela gentil rainha.
As senhoritas, que mais se salientaram em suas phantasias, são as seguintes:
Georgina Ottoni, a rainha (açucena); Agueda Ferreira (contrabandista); Luciana Ferreira (caçador); Clara Legendre (papoula); Alayde Ferreira (visco); Dulce Ottoni (margarida); Carmelina Neves (sultana); Palmyra Neves (toureiro); Almerinda Barreto (marinheiro); Ocarlina Barreto (alsaciana); Percilia Eichemberg (estrella d'Alva); Cecilia Rocha (florista); Esther Galvão (flora); pagens da rainha, os meninos Franco Ferreira e David Ottoni.
Dominós: Frederico Legendre e Frederico Ottoni; e muitos outros que na occasião não foi possivel tomar seus nomes.
O salão achava-se repleto de exmas. sras. e cavalheiros. O baile terminou pela madrugada, reinando sempre o enthusiasmo. Os convidados foram cumulados de attenções pelas gentis directoras.
Esplendido e correcto esteve o baile das moças.
Hoje deve realisar-se outro baile no mesmo salão, offerecido pelas moças aos alumnos que aqui se acham."
Fonte: A FEDERAÇÃO (Porto Alegre/RS), 11 de Fevereiro de 1904, pág. 01, col. 06
domingo, 26 de novembro de 2023
Sobrenome Heser
O curandeiro de Cotia
Facto curioso
Facto deveras curioso é o que registra o Sãoroquense e que, si não é blague, merece a attenção dos homens da sciencia.
"Existe no logar denominado Cruz Grande, municipio de Cutia, nas proximidades da divisa deste municipio com o de S. Roque, um homem de cerca de 50 annos, de nome João Miguel, de instrucção rudimentar, que assombra ás redondesas pelos maravilhosos resultados que tem conseguido na cura das mordeduras de cobras.
Mas, o que sobretudo exalta o merito de J. Miguel é que as curas se operam sem emprego de qualquer medicamento interno ou externo.
Eis como opera o maravilhoso curandeiro:
Sendo mordido por qualquer especie de cobra uma pessoa ou animal no bairro, mandam logo á casa de João Miguel um proprio e sendo este avisado, sem dar remedio algum, faz voltar o proprio, garantindo estar curado o offendido, o que de facto dá-se infallivelmente.
Tres casos destes foram relatados ultimamente por pessoa de todo conceito e despida de toda especie de preconceito e crendice ao Sãoroquense. São elles os seguintes:
Um camarada de um cavalheiro foi mordido por uma jararaca, quando trabalhava e teve que vir para casa em uma carroça por se achar muito mal, pois bem, mandaram contar isto a João Miguel e elle sem dar remedio algum ao portador que voltasse porque o homem estava fóra do perigo, e este de facto ficou bom.
Mais tarde foi mordido um cavallo daquelle senhor e João Miguel e curou da mesma fórma. Agora, ha poucos dias, outro cavallo foi mordido por uma jararaca-ussú e curou-se pelo mesmo systema.
É, como se vê, um facto verdadeiramente curioso e digno de observação.
Fonte: A FEDERAÇÃO (Porto Alegre/RS), 08 de Julho de 1903, pág. 01, col. 02
sábado, 25 de novembro de 2023
Um caso cômico em Montenegro
Caso comico
O Progresso de Montenegro, publica a seguinte noticia, que fornece assumpto para uma boa farça:
"O sr. Leonardo Ernzen, morador na picada Langschneiz, no 6o. distrito deste municipio preparou em dias da semana passada um grande varal de linguiças, que depositou em sua cosinha.
Tres amigos, Damião, Mathias e João, combinaram suspender, em uma das ultimas noites, com todas as linguiças do sr. Ernzen.
Tendo, porém, elles recusado para socio da empresa um quarto companheiro de nome Leonardo, que não convinha por ser muito indiscreto; este despeitado, com a exclusão que soffrera, dirige se ao sr. Ernzen e desvenda-lhe a projectada falcatrua que o ameaçava em suas linguiças.
O sr. Ernzen logo formou um plano de fórma a apanhar esses marrecos e não lhe foi difficil achar um meio.
No sotão da cosinha onde se achava o almejado e appetitoso varal, foram postados um filho do sr. Ernzen e Leonardo, o traidor, ambos munidos de muitos baldes d'agua fria. Junto aos baldes cheios collocaram muitas latas de kerosene, vasias.
O dono da casa e um outro companheiro, armados de espingardas, ficaram á espreita na estrada por onde deviam passar os pianistas.
Assim dispostas as cousas ficaram todos na expectativa.
Geava, e o frio da noite, intenso e penetrante, fazia as vedetas bater o queixo.
Enfim, surgiu na curva da estrada o vulto da commandita, que se approxima a passo lento, rompendo a densa treva.
Pouco além do sitio onde estavam o sr. Ernzen e o seu companheiro, os meliantes amarraram os cavallos e a pé tomaram a direcção da cosinha, onde penetraram por uma pequena janella que propositalmente ficara aberta.
Eil-os na escuridão, tacteando silenciosos.
Mãos avidas tocavam já as roliças conservas.
Subito, de alto, desandam catadupas d'agua gelada; latas vasias, jogadas com força, caem com estrondo infernal sobre os infelizes. Correm, topando-se uns com os outros, caem, esmurram-se e do alto chove agua e chovem latas de kerosene vasias!
Era um chaos!
Por fim um delles atina com a janella e os outros, quaes cabritos, seguem-no numa disparada louca, em direcção aos cavallos.
Mas oh! Decepção! Os animaes estão sem estribos, sem freios, sem rabichos e sem pellegos!...
Desde logo suppondo que todos estes desastres eram causados pelo dono da casa, resolveram procural-o logo e pediram-lhe mil desculpas pela tentativa que tinham feito.
O sr. Ernzen recebeu-os cordealmente, devolveu o que tinha tirado aos cavallos, offerecendo ainda aos meliantes uma chicara de café e um assado da maldita linguiça, que tanto barulho occasionara, deixando-os depois ir em paz.
É o caso: Ir buscar lã..."
Fonte: A FEDERAÇÃO (Porto Alegre/RS), 13 de Junho de 1903, pág. 01, col. 03
sexta-feira, 24 de novembro de 2023
Club de Atiradores da Linha Araripe
Nova Petropolis
Escreveram-nos da Linha Araripe de Nova Petropolis:
"No dia 10 do corrente realisou-se a imponente festa da benção da bandeira do Club de Atiradores da Linha Araripe, de Nova Petropolis.
Estiveram presentes quatro sociedades e muitos habitantes desse districto, em tudo mais ou menos seiscentas pessoas, que foram cumprimentadas pelo digno presidente do mencionado Club, capitão João Wazlanvick. A uma hora da tarde subiu a tribuna o tenente-coronel Alfredo Steglich, rei dos atiradores da povoação de Nova Petropolis, e pronunciou longo discurso, consagrando a nova e bonita bandeira, pregando o primeiro prego na honra em honra ao Estado do Rio Grande do Sul.
Os padrinhos da bandeira foram os clubs dos atiradores da Linha Nova e da Povoação, os quaes offereceram, como prenda, duas finas fitas de seda.
Nesta occasião usaram da palavra o presidente dos Atiradores da Povoação, Augusto Dunher, e o representante dos da Linha Nova, o tenente-coronel Alfredo Steglich. Falaram ainda José Weingarten, Henrique Drecheler, José Neumann Filho e a estimada filha do sr. Alberto Sorgotz, que foram muito applaudidos.
De noite houve baile, que foi muito animado".
Fonte: A FEDERAÇÃO (Porto Alegre/RS), 29 de Maio de 1903, pág. 01, col. 07





