terça-feira, 2 de maio de 2023

Sobrenome Schelk

 



SCHELK, SCHELCH é um tipo de embarcação fluvial que existiu no centro e no sul da Alemanha, uma espécie de canoa de cargas, de 12 a 20 metros, com capacidade de até 1.200 kg. No caso, o sobrenome está diretamente associado ao canoeiro que exerceu a função de conduzir este tipo de embarcação. Eis aqui uma foto de um "schelch/schelk" na cidade de Knetzgau, na Baixa Francônia, Baviera: https://de.wikipedia.org/wiki/Datei:Knetzgau_Schelch.jpg

segunda-feira, 1 de maio de 2023

O caso da galinha de pirão de Caçapava



 Ficou famosa a sobriedade de D. Pedro II em matéria de comida. Seu prato predileto era a canja; mas nem só de canja vive o homem. Qualquer que fosse o cardápio, o Imperador comia depressa, como quem se despacha de um dever incômodo. E um narrador antimonarquista das coisas do Império chegou a contar que os camaristas viviam esfomeados, por falta de tempo para comer, e o Visconde de Itapagipe, o mais estimado deles, "trazia sempre provisões na algibeira".

Entre o Conde d'Eu, de apetite aberto para as delícias que Deus nos deu, e o Imperador, o contraste, na viagem militar ao Rio Grande do Sul em 1865, para assistir à rendição dos paraguaios em Uruguaiana, surge mais de uma vez.

No dia 27 de agosto, perto do arroio de Santa Bárbara, nas proximidades de Caçapava, conta o Conde: "a boa dona de casa encontra meio de acrescentar ao churrasco uma galinha cozida e uma tigela de pirão, massa de farinha de mandioca, sem sal, que eu acho sem sabor, mas que o Imperador declara deliciosa".

Mas nesse tempo o Imperador estava na força da vida, Depois... tinha tanto fastio de tudo, a começar por governar, que nem mais de canja gostava... Foi-se embora sem briga...

Fonte: COSTA FILHO, Odylo. Pequena história do Brasil guloso. In: Manchete, Rio de Janeiro/RJ, edição 235, 20 de Outubro de 1956, pág. 33.

sábado, 29 de abril de 2023

Andradina de Oliveira

 



Educadora, escritora e feminista.

Nasceu em 12 de junho de 1864, na cidade de Porto Alegre (RS), filha de Joaquina Pacheco de Andrade e Carlos Montezuma de Andrade. O pai era médico e morreu cedo, deixando Andradina órfã aos 7 anos de idade. Recebeu esmerada educação; estudou na escola de Luciana de Abreu e depois fez com brilhantismo o segundo grau na Escola Normal de Porto Alegre, atualmente Instituto de Educação General Flores da Cunha. Casou com um oficial do exército brasileiro, natural do estado da Paraíba, Augusto Martiniano de Oliveira, e teve dois filhos.

Andradina América Andrada de Oliveira exerceu o magistério público durante oito anos nas cidades gaúchas de Pelotas, Rio Grande, Santa Maria e Porto Alegre. Enviuvou muito cedo e teve que manter a família com seu talento e o magistério. Indo morar em Bagé, dedicou-se ao jornalismo e fundou, em 1898, o jornal Escrínio, cujo lema era "Pela Mulher". No editorial do primeiro número assim se apresentava: "surge também como um incitamento à mulher rio-grandense, convidando-a a romper o denso casulo de obscuridade e vir à tona do jornalismo trazer as pérolas de sua cultivada inteligência! O Escrínio aparece como um verdadeiro propagandista da instrução, do cultivo do espírito feminil. A mulher deve ser instruída, deve ser educada para melhor cumprir a sua divina missão na Terra - ser mãe."

O jornal foi editado durante nove anos, primeiro em Bagé e depois em Santa Maria; sua publicação foi interrompida pela morte de um filho de Andradina, que a deixou muito abalada. Em 1909, esta publicação reapareceu em Porto Alegre, sob a forma de uma revista ilustrada.

Andradina publicou sete livros e deixou outros inéditos, sendo os mais importantes: Cruz de pérolas (contos), que em 1908 recebeu medalha de ouro na Exposição Nacional do Rio de Janeiro, e O divórcio?, de 1912, que provocou grande repercussão pelo fato de abordar um tema polêmico; defendia o direito à felicidade e o divórcio como uma forma de evitar tragédias nas famílias brasileiras. O livro foi escrito na forma epistolar, 26 cartas, cada uma com um argumento diferente, baseado em casos reais, denunciando a hipocrisia da sociedade quanto à indissolubilidade do matrimônio. Cada uma dessas cartas possuía em epígrafe o depoimento de um personagem ilustre sobre o tema do divórcio: Osório Duque Estrada, José do Patrocínio, Mirtes de Campos, Carmen Dolores, Julia Lopes de Almeida, entre outros. Em duas cartas, Andradina faz elogio ao feminismo, que "abrirá os olhos de todas as mulheres. E elas hão de, em futuro que não está longe, conquistar a sua verdadeira posição na família, na sociedade, na pátria - a mulher deixará de ser a escrava, a serva, a besta de carga, o objeto de prazer do homem, o animal procriador, o bibelô das salas".

Foi em 1920 para São Paulo, onde continuou sua carreira literária, e lá faleceu em 1935.

Fonte: SCHUMAHER, Schuma & BRAZIL, Érico Vital (orgs.). Dicionário Mulheres do Brasil (de 1500 até a atualidade). Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2001, pág. 188-189.

sexta-feira, 28 de abril de 2023

Sobrenome Hupp

 



HUPP - Há três acepções possíveis:


1. Uma forma curta patronímica para o nome masculino germânico Hubert/Hupert/Hugbert/Hugpert.

2. Um profissional que produz doces, ou genericamente qualquer tipo de produto de confeitaria, como tortas, pães doces, bolos, biscoitos, waffers, etc. Está associado ao termo do alto alemão medieval "hipe" que serve para designar qualquer tipo de massa doce.

3. Um patronímico para o nome medieval húngaro "Huba".

quinta-feira, 27 de abril de 2023

Pista de esqui artificial em Garibaldi


 Pista de esqui artificial (material utilizado é plástico) na cidade de Garibaldi, Rio Grande do Sul, 
no ano de 1968

quarta-feira, 26 de abril de 2023

Bandos de cangaceiros do século XIX

 



A grande seca de 1877-1879 é o ponto de partida para o desencadeamento de ações dos grupos de cangaceiros mais famosos do século XIX: os Brilhantes, os Viriatos e os Calangros. Alguns lutam entre si, como estes últimos e os Mateus, que se fazem fortes em Pajeú de Flores, Pernambuco, e aparecem no Ceará "à frente de cento e tantos homens". Os Calangros tinham uns 60. Em 1878, os jornais "reclamavam enérgicas providências contra salteadores, que continuavam a infestar o interior. Formavam-se todos os dias novos grupos. Em Milagres (Ceará) havia aparecido o dos Quirinos, sob a proteção de João Calangro. Compunha-se de trinta homens, acompanhados por três chefes e irmãos, o mais velho dos quais chamava-se Quirino.

Acrescente Teófilo que "João Calangro fazia guerra de extermínio aos grupos que se formavam sem seu consentimento... O seu grupo era perfeitamente disciplinado, montado, bem armado e uniformizado".

Era naturalíssimo que assim acontecesse. Em fins de 1879, a população indigente, no Ceará, ultrapassava a casa dos 300 000 homens, mulheres e crianças. Outras 300 mil pessoas haviam morrido ou emigrado. (pág. 103)

(...)

Destes 100 000 deslocados, a maior parte ficava perambulando sem rumo certo, vivendo de esmolas, de roubos, de assaltos a mão armada. Estão na história do Nordeste os grupos aguerridos de salteadores, cujas ações se multiplicam nos anos de seca: os Brilhantes, os Serenos, os Viriatos, os Simplícios, os Meireles, os Calangros, os Quirinos, que em geral tomavam o nome ou apelido de seu chefe. Se o latifúndio os gerava, as grandes estiagens, matando as lavouras, dizimando os gados, exterminando a gente, exacerbava lhes o desespero, não lhes deixando outra alternativa a não ser o banditismo sem quartel. Na grande seca de 1877-1879, quando começaram a se intensificar-se as ações dos grupos de bandoleiros, uma correspondência da cidade caririense de Barbalha para Fortaleza comentava este fato, que devia traduzir mais ou menos, que devia traduzir mais ou menos uma realidade: "Hoje, é perigoso ser rico, pois o povo pobre [os bandidos] lhes hão declarado guerra de extermínio".

Trecho de um relatório do Governo da Província referente ao ano de 1878 indica a gravidade do problema. Diz o presidente: "Chegando ao meu conhecimento que hordas de salteadores conhecidos pelos nomes e antonomásia dos chefes, Viriato, Quirino e Calangro, que há alguns anos cometem toda sorte de violência nos confins desta província com as de Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte, recomeçavam suas excursões no Cariri, dirigi-me aos presidentes daquelas províncias requisitando a sua cooperação para perseguirmos eficazmente os malfeitores, que com facilidade escapam fugindo de uma para outra jurisdição". "Forças combinadas desta Província e da Paraíba conseguiram sitiar o grupo da povoação de Boa Esperança, do termo de Milagres, da qual se tinha assenhoreado; e aí travou-se o combate, em que morreram doze salteadores e um soldado, tendo-se dado de parte a parte muitos ferimentos. Vigorosamente atacado e batido, o grosso da quadrilha pôde todavia evadir-se; mas ficaram treze prisioneiros, mais de cem cavalgaduras, e valores de subida importância, fruto de suas depredações". Prossegue o relatório oficial: "Assim creio poder afirmar que o Cariri está libertado desses facínoras que, originados em grande parte das províncias vizinhas, haviam demandado em razão da seca à mais fértil região do Ceará, e inspiravam tal horror que, depois dos morticínios e roubos praticados de julho do ano passado a abril deste ano, entravam de público nas vilas e povoados, soltavam os presos, tributavam a população e declaravam-se seus protetores contra os outros bandos". (pág. 136-137)

Fonte: FACÓ, Rui. Cangaceiros e Fanáticos: gênese e lutas. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 8a. edição, s/d, pág. 103.

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