sábado, 24 de setembro de 2022

Colônias no Rio Grande do Sul em 1877



 (...)

Quatro são as colonias do Estado no Rio Grande. Tres sobre a serra geral e segregadas aos centros consumidores por falta absoluta de estradas - Caxias a mais importante com uma população de perto de 5 mil almas, italianos e tyroleses que se occupam da lavoura dos cereaes especialmente trigo e centeio, que muito bem produz ali, fica ao norte do porto de S. João do Cahy, é colonia nova e está em via de organisação - Deu-se nessa colonia ultimamente um desagradavel incidente devido a imprudencia de algumas praças que querendo apasiguar um conflito foram compellidas a travar luta de que resultaram duas mortes e alguns ferimentos; a presidencia foi em pessoa syndicar de ocurrencia, mas, não publicaram as folhas da provincia as causas verdadeiras de tal desastre.

Conde d'Eu, sobre a margem sul estrada de S. João a Vacaria, tem 3500 habitantes de origem italiana, está em organisação por ser colonia nova bem como D. Isabel que a ella se liga pela mesma estrada; esta é habitada por mais de 2500 habitantes, necessitão essas colonias de estradas que as liguem a S. Sebastião, Monte Negro e Taquary, necessidade tanto mais urgente quanto mais se precisa de dar trabalho a grande numero de chefes de familias alli recem-chegados e que desse auxilio carecem para manter-se. Com o systema de dar subsidios aos emigrantes nessa provincia por seis e mais mezes tem-se olvidado de dotar suas colonias de um systema de viação senão bom ao menos regular. Todas essas colonias dotadas de clima ameno, e terras ferteis para cultura de generos Europeus terem diante de si futuro semelhante á de S. Angelo (Provincial), sobre o rio Jacuhy, com sua população 2048 emigrantes laboriosos e felizes por sua prosperidade.

Sua exportação foi avaliada em mais de 85 contos, sendo a importação superior a 53 contos!

Nova Petropolis, florescente colonia provincial, tem 1,469 habitantes allemães em sua quasi totalidade; está fundada sobre as serras que bordam o "Cahy" e fronteira ao nucleo Caxias. Exportou generos no valor de 117 contos e importou no de 57:000$.

Mont'Alverne (provincial) tem 644 colonos e floresce. Produzem todas fumo e cereaes em quantidade avultada.

S. Lourenço é a mais importante colonia particular que existe na provincia. Tem 5130 habitantes em 737 fogos são allemães e acatholicos: produz todos os cereaes com especialidade centeio, cevada e trigo. O valor da exportação se bem que não tivesse sido abundante elevou-se  (1876) a 350 contos.

Alem dessas existem mais diversas colonias particulares sobre o rio Taquary, de propriedade de C. Bastos, e outras que florescem regularmente.

No municipio de Santa Maria da Bocca do Monte em excellente local, fixou-se um nucleo onde se estabeleceram os russos-allemães, catholicos e protestantes, mas induzidos áquelles por agentes argentinos, que desacorçoados de conseguil-os da Europa, envidaram todos os esforços para com promessas inexequiveis, obtel-os, deliberam-se a abandonar seus lotes e seguir para Porto Alegre, d'onde pretendiam ir para o Prata. A presidencia, pro previdente, fez abortar esse plano prohibindo a sahida aos que devessem ao Estado.

Fonte: O CRUZEIRO (Rio de Janeiro/RJ), 02 de Janeiro de 1878, pág. 02, col. 05

sexta-feira, 23 de setembro de 2022

Sobrenome Pinsky



PENSKI, PENSKE, PINSKY, PINSKE - todas são formas toponímicas relacionadas à cidade de Pinsky, na Polônia. 

Um monstro marinho em exposição no Hotel Brasil

 



Monstro marinho - Acha-se em Pelotas o sr. R.J. Campbell, portador de um monstro marinho capturado no canal de S. José e o qual vae ser exposto no sala terrea do Hotel Brasil.

O monstro mede 2 metros e 60 centimetros por 2 metros e 30 de amplitude, pesando 600 kilos.

Dá-se-lhe uma existencia de 300 annos e foi mumificado pelo systema egypcio.

A exposição será por poucos dias.

Fonte: A FEDERAÇÃO (Porto Alegre/RS), 09 de Agosto de 1927, pág. 05, col. 01

quinta-feira, 22 de setembro de 2022

Sobrenome Witschask



WITSCHAS, WITSCHASK, WITSCHASKI, WITSCHASKY são sobrenomes sorábios derivados do termo "wicaz" que significa agricultor livre, agricultor não-servil, camponês livre de obrigações feudais, normalmente dono da própria terra. 

Hotel Brazil de Pelotas em 1910


 Chegada do deputado Monteiro Lopes à cidade de Pelotas em 1910, em recepção de populares locais defronte ao antigo Hotel Brazil.

quarta-feira, 21 de setembro de 2022

Sobrenome Schatzmann



SCHATZMANN, SCHAZMANN é tesoureiro. Serve para designar o administrador dos bens monetários de um senhor feudal, burgo, associação ou comunidade. Também serve para designar cambista ou mesmo banqueiro (no contexto medieval). É um sobrenome que aparece mais relacionado a famílias cristãs, mas pode sim ser encontrado em famílias judaicas.

As duas formas são encontradas em toda a Europa da língua alemã. 

A Casa de M'Bororé

 



Na região missioneira do Rio Grande do Sul as lendas são comuns ao Uruguai e Argentina. Vêm todas do ciclo das grandes guerras, quando os jesuítas foram obrigados a ir deixando terras e posses onde haviam imprimido o inapagável acento de sua atividade inesquecível. O método do jesuíta era uma obstinada organização do trabalho, a ordem inflexível, diária e completa, o cuidado minucioso e sereno na administração. A lenda multiplica sua riqueza e onde o padre saiu ficou um rastro de ouro atraindo os olhos ávidos. Subterrâneos, poços, casas, torres, são esconderijos que esperam uma ressurreição de suas entranhas de pedrarias, alfaias cintilantes, montões de moedas, barras de ouro, imagens de prata, armas fabulosas e ainda roteiros para novas minas, novos tesouros, novos deslumbramentos. As Sete Missões no Rio Grande do Sul são centros de interesse para os sonhos das "botijas", malas, jarrões, caixas, tudo repleto de ouro. Como, no acervo conhecido, as riquezas incalculáveis não apareceram, ninguém acredita que o jesuíta as tenha levado mas as escondera nos rincões desertos ou abruptos. Os índios fiéis foram indicados para sabedores desses segredos de Golcondas perdidas nos cerros e encostas gaúchas, no fundo frio das lagoas imotas, sob a muralha de pedras. Os índios sabem do segredo mas não trairão a confiança. Não dizem. Não confiam. Não desertam. É muitos ficaram vigilando, no meio do mistério secular, os montões que enriqueceriam países inteiros.

A Casa de M'Bororé pertence a este ciclo. É uma casa branca, erguida na mata, num termo que ninguém sabe onde fica. Certo que deve existir porque os "antigos" sempre falaram no caso. É um casarão ermo, caiado, escondido, plantado numa lombada. A casa está repleta de barras de ouro, de prata, de alfaias, imagens, em pilhas, em montes, em rumas. Nos corredores jazem lotes de surrões, carregados de moedas. É a mesma estória dos tesouros de Quimivil e Culumpajao, as Casas Brancas que esperam seu descobridor em Uruguai e Argentina.

O rondador da casa branca dia e noite anda em redor dela; é um índio velho, cacique que foi, M'Bororé, de nome, amigo dos santos padres das Sete Missões da serra, que dá vertentes para o Uruguai.

Os padres foram tocados pra longe, levando só a roupa do corpo... mas a casa branca já estava feita, sem portas nem janelas... e M'Bororé, que sabia tudo e era cacique, de noite, e precatado, com seus guerreiros, carregou de todos os lugares para aquele as arrobas amarelas e as arrobas brancas, que não valiam a caça e a fruta do mato e água fresca, e pelas quais os brancos de longe matavam os nascidos aqui, e matavam-se uns aos outros.

M'Bororé desprezava essas arrobas; mas como era amigo dos santos padres das Sete Missões, guardou tudo e espera por eles, rondando a casa branca, sem portas nem janelas.

Ronda e espera... (J. Simões Lopes Neto - Lendas do Sul, p. 75)

O padre Carlos Teschauer, S. J., saudosíssimo mestre do Folclore gaúcho, escreveu apenas que "Outro suposto depósito de ouro era A Casa Branca sem portas nem janelas de M'Bororé no Alto Uruguai. Na región misionera argentina, M'Bororé deixou de ser o vigia para transformar-se em topônimo. M'Bororé é o local escolhido pelos jesuítas, expulsos pelo Rei D. Carlos III d'Espanha, para esconderijo dos tesouros.

Es creencia muy arraigada en las gentes de Misiones que los jesuítas, al ser expulsados, amontonaron todos sus tesoros en un pueblo que precaucionalmente habían hecho construir ex profeso em medio de la selva virgen y de cuya existencia sólo ellos tenían conocimiento, pues los que actuaron en su construcción desaparecieron.

Este pueblo, llamado Emboré, tenía sus casas sin puertas ni ventanas, y la entrada a ellas se hacía por subterráneos, cuyas bocas estaban ocultadas escrupulosamente. Los que transportaron los tesoros, que según las gentes de allí sobrepasaron en valor y cantidad a todos los que refieren los cuentos de las mil y una noches, desaparecieron a su vez y con ellos los rastros que conducían al famoso Emboré, perdido desde entonces entre las sombras de la selva impenetrable y las densas nubes de la leyenda (Juan B. Ambrosetti - Supersticiones y Leyendas, p. 124, Buenos Aires; s/d).

Fonte: CÂMARA CASCUDO, Luís da. Geografia dos Mitos Brasileiros. São Paulo: Global, 2012, pág. 268-269. (edição digital)

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