domingo, 21 de novembro de 2021

A múmia de Rio Pardo

 



"Ainda sobre o pequeno cadaver mumificado a que já fizemos referencia e encontrado na matriz de Rio Pardo, refere o Primeiro de Março, daquella cidade:

'O director desta folha levou hontem para Porto Alegre, afim de entregar ao illustrado clinico dr. Jacintho Gomes, o pequeno cadaver mumificado, que por longos dias esteve em exposição em uma compartimento separado das nossas officinas, despertando a curiosidade publica.

Noites houve que esse compartimento tornou-se pequeno para conter o grande numero de pessoas, notadamente familias, que a custo conseguiam approximar-se da pequena mumia.

E então era curioso ouvir-se de parte os commentarios a respeito do cadaver, as versões quasi fabulosas, as presumpções mais originaes e desencontradas.

Entretanto não ha uma só pessoa, dentre milhares que aqui existem, mesmo das mais antigas, que possa fornecer esclarecimentos ou dados acceitaveis sobre o facto, envolvido no maior mysterio.

É de notar que esse pequeno cadaver, quando descoberto, estava collocado numa caixa de folha, hermeticamente fechada, no centro de uma das largas paredes da egreja, a dose ou quatorse metros de altura do sólo.

Ultima nota saliente: o fundo da lata, onde estava encerrado o pequeno cadaver, apresentava distinctos signaes de sangue."

Fonte: A FEDERAÇÃO (Porto Alegre/RS), 29 de Julho de 1904, pág. 02, col. 02

sexta-feira, 19 de novembro de 2021

Senegaleses na cidade de Pelotas

 



Os senegaleses chegaram a partir do início da década de 2010 em Pelotas, dentro de um processo que já estava em curso no Brasil desde a década anterior que era a 


migração em busca de melhores condições de vida para o país, de pessoas oriundas do continente africano. Não foi algo exclusivo dos procedentes do Senegal, pois também se registra nesse período no Brasil a vinda de congoleses, angolanos, moçambicanos, cabo-verdianos, gambianos, togoleses, ganeses, dentre outros etnias da África. No caso dos senegaleses, além da crise social existente no país, imperou também a sangrenta guerrilha separatista que agita a província de Casamance, no sul do Senegal.

            Em Pelotas, vários dos imigrantes senegaleses passaram anteriormente por grandes centros urbanos do Brasil como São Paulo, Florianópolis e Porto Alegre. Dedicam-se principalmente ao comércio de rua, vendendo produtos importados da China a preços populares. São em grande maioria muçulmanos e originários da capital Dacar e de sua região metropolitana.

Em 2017, o projeto Kanimambo da Secretaria Municipal de Cultura procurou dar visibilidade cultural aos senegaleses, com exposição de vestuário e artesanato típicos.

 

Fontes:

ROBERTO, Simone Assis Alves. Senegaleses e o comércio ambulante em Pelotas-RS: etnografia do encontro, acolhimento e dispersão. Pelotas/RS, Dissertação de Mestrado, Programa de Pós-Graduação em Antropologia, Instituto de Ciências Humanas/UFPel, 2019.

ROBERTO, Simone Assis Alves & PINHEIRO, Patrícia dos Santos. Do Senegal a Pelotas, RS: migração, identidade e violência. In: Século XXI, Revista de Ciências Sociais, v. 9, n. 1, jan.-jun. 2019, pág. 123-158.

quinta-feira, 18 de novembro de 2021

Jeronymo Soares de Faria



"Em um dos ultimos dias finou-se n'esta capital d. Maria Joaquina Ferreira Esteves, sogra do cidadão Ludovico de Araujo e Silva, empregado da Praça do Commercio.

✤✤✤✤✤

Em Pelotas falleceram:

No Capão do Leão, onde se achava em tratamento, o estimavel cavalheiro e nosso co-religionario Avelino Alves de Moura Bastos, viuvo, 25 annos e outr'ora negociante n'aquella cidade.

No hospital da sociedade Beneficencia Portugueza, com 40 annos de idade, o cidadão José Francisco Damião Junior, natural de Portugal, solteiro e de profissão tanoeiro.

O capitão honorario José Manoel da Silveira Rosa, viuvo, natural d'este Estado e com 76 annos.

No hospital da referida sociedade, o cidadão Jeronymo Soares de Faria, contando 80 annos, natural de Portugal."

Fonte: A FEDERAÇÃO (Porto Alegre/RS), 16 de Abril de 1895, pág. 02, col. 02

João Daniel Collin



"N'esta capital falleceu, hoje, d. Marcelina Candida de Faria.

A encommendação, effectua-se amanhã, ás 4 horas da tarde, na igreja da Conceição, saindo o feretro da casa n. 58 A da rua da Conceição.

(...)

N'esta capital falleceu ante-hontem, repentinamente, o nosso amigo tenente-coronel João Daniel Collin, respeitavel e estimado cidadão.

O finado era sogro do commerciante d'esta praça Guilherme Blauth.

Apresentamos os nossos pezames á sua exma. familia.

✤✤✤✤✤

N'esta cidade falleceu, domingo ultimo, o nosso co-religionario João Hahn, estabelecido com marcenaria á rua General Andrade Neves.

As nossas condolencias á sua exma. familia."

Fonte: A FEDERAÇÃO (Porto Alegre/RS), 26 de Abril de 1893, pág. 02, col. 03

quarta-feira, 17 de novembro de 2021

Japoneses na cidade de Pelotas

 



Pelotas teve uma pequena, mas expressiva colônia japonesa que se constituiu na cidade a partir do final da década de 1930, vindo dedicar-se à agricultura e ao comércio. Eram procedentes da fracassada tentativa da criação de uma colônia nipônica em Porto Santo Antônio, às margens do rio Uruguai, entre 1935 e 1936. Muitos desses colonos foram para Porto Alegre, outros para Santa Catarina e alguns para o sul do estado, especificamente Pelotas e Rio Grande. Alguns japoneses pelotenses também eram procedentes da colônia japonesa de Santa Maria e foram se estabelecendo mais tarde na cidade, no decorrer das décadas de 1940 a 1960.

            Atualmente, a colônia japonesa e os simpatizantes da cultura nipônica em Pelotas reúnem-se na sede campestre da Associação de Cultura Nipo-Brasileira de Pelotas, situada à avenida Ildefonso Simões Lopes 3750.

 

Fontes:

ALAGIA JÚNIOR, Humberto Gomes & CRAVO, Ana Carla. Imigração japonesa no Rio Grande do Sul: resgate da memória Nikkei no centro do estado. In: Anais do IV Simp: memória, patrimônio e tradição. Porto Alegre/RS, UFRGS, Instituto de Letras, 2009.

KÄFER, Natacha Klein; LIMA, Anita Estephane Vargas de; SOARES, André Luis Ramos. Memorial de Imigração e Cultura Japonesa do Rio Grande do Sul: tecnologia social a serviço do conhecimento histórico.  Santa Maria/RS, Núcleo de Estudos de Patrimônio e Memória da UFSM; Porto Alegre/RS, Núcleo de Estudos Japoneses da UFRGS; artigo, 2009.

O SUL (REDAÇÃO). 7º. Festival do Japão RS comemora os 110 anos da Imigração Japonesa. Evento faz parte do calendário oficial de comemorações no Brasil. O Sul, 08 de agosto de 2018. Disponível em: https://www.osul.com.br/7o-festival-do-japao-rs-comemora-os-110-anos-da-imigracao-japonesa-evento-faz-parte-do-calendario-oficial-de-comemoracoes-no-brasil/ Acesso em: 14 de julho de 2021.

terça-feira, 16 de novembro de 2021

Palestinos na cidade de Pelotas

 



Os árabes palestinos vieram para a região sul do estado do Rio Grande do Sul principalmente após a criação do Estado de Israel (1948), sobretudo por causa dos conflitos que marcaram o século XX entre esse povo e os israelenses. A maior concentração dos palestinos no estado é o município fronteiriço do Chuí, mas também são importantes as comunidades palestinas de Santa Vitória do Palmar, Bagé, Uruguaiana, Santana do Livramento, Jaguarão, Rio Grande, Porto Alegre e Pelotas.

            Em Pelotas, os palestinos se ocuparam principalmente em atividades comerciais, nomeadamente em lojas de roupas e calçados. Isso pode ser percebido em vários empreendimentos deles na região do Mercado Público e do Calçadão da rua Andrade Neves. Apesar disso, muitos filhos e descendentes receberam educação formal distinta, atuando na área da educação superior, em restaurantes ou como profissionais liberais. O professor Jabr Omar foi um dos pioneiros da criação da Faculdade de Economia da Universidade Católica de Pelotas, por exemplo.

            Atualmente, a presença palestina em Pelotas é percebida pelo crescimento da comunidade muçulmana na cidade, incrementada pela recente chegada de muitos migrantes senegaleses que compartilham a mesma fé. A Mesquita Islâmica de Pelotas está situada à Rua Marechal Deodoro 523, na zona central.

            A presença palestina em Pelotas também é rememorada pela Praça Palestina – área verde localizada no quadrilátero formado pelas ruas Cassiano do Nascimento, Voluntários da Pátria, Bento Martins e Álvaro Chaves – assim denominada pela lei municipal 4829 de 2002.


Fontes:

CALAZANS, Márcia Esteves de & PIÑEIRO, Emilia da Silva. A migração de mulheres palestinas para a fronteira sul do Brasil. In: VII Seminário Corpo, Gênero e Sexualidade, Rio Grande/RS, FURG, set. 2018, comunicação.

JARDIM, Denise Fagundes. Famílias palestinas no extremo sul do Brasil e na diáspora: experiências identitárias e aduaneiras. In: Cadernos Pagu, Porto Alegre/RS, UFRGS, n. 29, jul.-dez. 2007, pág 193-225.

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