sexta-feira, 5 de março de 2021

Moradores de Pelotas em 1895

 



Distante de ser um recenseamento completo dos moradores de Pelotas no período, nosso esforço foi o de, através de consulta aos jornais da época disponíveis na web, listar o quanto fosse possível de nomes relacionados à cidade, bem como inserindo as informações adjuntas que encontramos. Todavia, na maior parte dos casos, encontramos somente os nomes. De forma geral, quando usamos a denominação "morador" queremos dizer literalmente isso: apenas constatamos que o indivíduo citado viveu em Pelotas, mas não encontramos mais dados sobre sua ocupação, nacionalidade ou outros. A propósito, quando listamos "Fulano de Tal & Fulana de Tal", justamente com o uso do "&" queremos dizer que os indivíduos são casados. Esperamos contribuir de alguma forma para pesquisas genealógicas e historiográficas, mesmo que de modo muito modesto. Obs.: respeitamos a grafia encontrada na época.

 

Periódicos consultados para este período: A Federação (Porto Alegre/RS);

 

1895

 

Abrilino Abreu, tenente da Guarda Nacional.

 

Adelaide S. Boyunga, segurado da Associação de Seguro de Vida Amparo Mutuo, de Pelotas.

 

Adolpho G. Ferrugem, segurado da Associação de Seguro de Vida Amparo Mutuo, de Pelotas.

 

Adolpho Maurell, capitão.

 

Adolpho Traub, alemão, 52 anos, casado, pai de sete filhos, pautador da Livraria Americana.

 

Adriano Pereira da Rocha, sócio de João dos Santos Silva, num comércio de fazendas, miudezas e calçados, sob a razão Adriano da Rocha & Cia.

 

Affonso Jonet, morador, irmão de Victor Jonet, também morador.

 

Affonso José Esteves, conselheiro-fiscal da Empreza União Telephonica.

 

Agapito Fernandes da Silva, conferente da Mesa de Rendas do Estado, a partir de Fevereiro de 1895.

 

Agostinho Joaquim Rodrigues, soldado da Guarda Municipal.

 

Alberto Fróes, segurado da Associação de Seguro de Vida Amparo Mutuo, de Pelotas.

 

Alberto João de Almeida, 21 anos, morador.

 

Alberto Roux, carteiro, a partir de Outubro de 1895.

 

Albino Francisco da Silva, português, estabelecido com uma venda à Rua Andrade Neves esquina 16 de Julho, & Anna Rachel da Cunha e Silva, 43 anos, moradora; tinham sete filhos.

 

Albino G. Borges Filho, membro do conselho fiscal da Associação de Seguro de Vida Amparo Mutuo, de Pelotas; comerciante.

 

Albino João Cardoso & Prudencia Gonçalves Cardoso, moradores, pais de sete filhos.

 

Alcides Geraldo da Silva, médico-adjunto do Exército em Pelotas.

 

Alexandre Casanova, argentino, 22 anos, trabalhador na Vidraria Pelotense; veio do Rio de Janeiro.

 

Alexandre Garrastazú, morador à Rua Sete de Abril número 46, em conjunto com José Tavares Condeixa, José Newton e Mortimer Freitas. Aparentemente era uma residência de trabalhadores.

 

Alexandre Gastaud, tenente.

 

Alexandre Jacintho de Mendonça, conferente da porta da Mesa de Rendas alfandegada de Pelotas.

 

Alexandre Rodrigues de Souza, membro do conselho diretivo da Associação de Seguro de Vida Amparo Mutuo, de Pelotas; comerciante.

 

Alfredo Braga, major.

 

Alfredo de Carvalho Bastos, tanoeiro estabelecido à Avenida 20 de Setembro.

 

Alfredo Pinheiro Corrêa da Camara, capitão de estado-maior de 1ª. Classe, auxiliar da Secção do Material do Quartel General do comando do 6º. Distrito Militar, sediado em Pelotas.

 

Alfredo Pires de Bittencourt, escriturário da Mesa de Rendas de Estado, até Junho de 1895.

 

Alfredo R. Abreu, segurado da Associação de Seguro de Vida Amparo Mutuo, de Pelotas.

 

Amancio Francisco José da Costa, capitão, auxiliar da Secção do Material do Quartel General do comando do 6º. Distrito Militar, sediado em Pelotas.

 

Americo da Silva Braga, guarda da Mesa de Rendas alfandegada de Pelotas.

 

Americo Soares Wolff, tenente, escriturário da Secção Pessoal do Quartel General do comando do 6º. Distrito Militar, sediado em Pelotas.

 

Ananias Nunes Pereira, morador.

 

Anaurelino Marins, João Marius Marins, Pompilio Marins, comerciantes, irmãos.

 

Angelino José da Cruz, morador.

 

Anna B.P. Maia, segurada da Associação de Seguro de Vida Amparo Mutuo, de Pelotas.

 

Anna Bento Hormain, segurada da Associação de Seguro de Vida Amparo Mutuo, de Pelotas.

 

Antero Leivas, farmacêutico.

 

Antonio Agostinho Duarte, guarda da Mesa de Rendas alfandegada de Pelotas.

 

Antonio B.F. Moreira, segurado da Associação de Seguro de Vida Amparo Mutuo, de Pelotas.

 

Antonio B. Pinho Louzada, membro do conselho fiscal da Associação de Seguro de Vida Amparo Mutuo, de Pelotas; industrial.

 

Antonio C. de Magalhães, alferes, escriturário da Secção do Material do Quartel General do comando do 6º. Distrito Militar, sediado em Pelotas.

 

Antonio de Lima Bueno, tenente-coronel, assistente da Secção do Material do Quartel General do comando do 6º. Distrito Militar, sediado em Pelotas.

 

Antonio Dias de Castro, morador.

 

Antonio F. da Rocha, gerente da filial de Pelotas do Banco da Provincia do Rio Grande do Sul.

 

Antonio Francisco Madureira, segurado da Associação de Seguro de Vida Amparo Mutuo, de Pelotas.

 

Antonio Francisco Ribeiro, 60 anos, casado, capitão honorário do Exército, morador na Serra dos Tapes.

 

Antonio G. Portella, segurado da Associação de Seguro de Vida Amparo Mutuo, de Pelotas.

 

Antonio José Rodrigues de Araujo, proprietário e capitalista.

 

Antonio Julio da Fontoura, alferes, encarregado da confecção da ordem do dia da Secção Pessoal do Quartel General do comando do 6º. Distrito Militar, sediado em Pelotas.

 

Antonio Leivas Leite, farmacêutico, membro do Partido Republicano.

 

Antonio M. Centeno, segurado da Associação de Seguro de Vida Amparo Mutuo, de Pelotas.

 

Antonio M. Nunes Vieira, morador.

 

Antonio Maria Ferreira, comerciante.

 

Antonio Pereira da Conceição, membro do conselho fiscal da Associação de Seguro de Vida Amparo Mutuo, de Pelotas; caixa do Banco da Provincia.

 

Antonio R. Vasconcellos, contador da filial de Pelotas do Banco da Provincia do Rio Grande do Sul.

 

Antonio S. Lessa, segurado da Associação de Seguro de Vida Amparo Mutuo, de Pelotas.

 

Antonio Silos, morador no Morro Redondo.

 

Antonio Simões Lopes, membro do Partido Republicano.

 

Aristoteles R. Barcellos, segurado da Associação de Seguro de Vida Amparo Mutuo, de Pelotas.

 

Ataliba Borges Ribeiro da Costa, charqueador.

 

Atto Chaves Barcellos, promotor público da comarca de Pelotas.

 

Augusto Carlos de Souza, tenente, amanuense da Caixa Militar do Quartel General do comando do 6º. Distrito Militar, sediado em Pelotas.

 

Augusto Cassiano do Nascimento, membro e liderança do Partido Republicano.

 

Augusto Chagas, empregado do Correio, casado.

 

Augusto Hormain, segurado da Associação de Seguro de Vida Amparo Mutuo, de Pelotas.

 

Augusto Martins Solteiro, dono de uma bodega e baile noturno à Rua São Joaquim.

 

Barão Alves da Conceição, proprietário, industrialista.

 

Baronesa do Jarau, proprietária.

 

Benedicto Pintado, negro, sacerdote de um culto africanista estabelecido à Rua Santo Inácio número 13. Tinha como assistentes: Amelia Corval e Bernardina da Rosa.

 

Benjamin Leitão, membro do Partido Republicano.

 

Bento Antonio Menezes, segurado da Associação de Seguro de Vida Amparo Mutuo, de Pelotas.

 

Bernarda Lopes Duro, moradora.

 

Bertrand Gólgo, francês, casado, 61 anos, cambista, antigo morador da cidade.

 

Branca de Freitas Souza, moradora.

 

Brasilio de Salles Guerra, alferes, ajudante de ordens interino e comandante do piquete do Estado Maior do Quartel General do comando do 6º. Distrito Militar, sediado em Pelotas.

 

Caetano Gottuzo, segurado da Associação de Seguro de Vida Amparo Mutuo, de Pelotas.

 

Candida Pimentel Arvieiras, moradora.

 

Candido Arrieira, 62 anos, viúvo, morador.

 

Carlos A. Laquintinie, membro do conselho diretivo da Associação de Seguro de Vida Amparo Mutuo, de Pelotas; professor.

 

Carlos Augusto Plá & Maria Etelvina Farias Plá, moradores; ele, comerciante.

 

Carlos Echenique, Guilherme Echenique, irmãos, proprietários da Livraria Americana. Carlos Echenique casou com Maria da Annunciação Leite, filha de José Teixeira da Costa Leite, vice-cônsul de Portugal.

 

Carlos Pons, dono de um comércio nas Três Vendas.

 

Castorina Ferreira Braga, 19 anos, casada, moradora.

 

Christovam de Medeiros Germano & Anna Miranda Germano, moradores; ele, capitão; ela, filha de Candido Miranda, major e chefe das capatazias da Alfândega de Rio Grande.

 

Christovam S. Maia, proprietário.

 

Claudio do Amaral Savaget, general-de-brigada, deputado ajudante-general da Secção Pessoal do Quartel General do comando do 6º. Distrito Militar, sediado em Pelotas.

 

Clementina Smegrs Scholberg, viúva de Christovam Affonso Scholberg; ela sócia de Leopoldo Joucla, num comércio de armas, quinquilharias e cutelarias, sob a razão social Scholberg & Joucla (sedes da sociedade: Pelotas e Liège).

 

Conrado Wernes Coelho, alferes, amanuense da Caixa Militar do Quartel General do comando do 6º. Distrito Militar, sediado em Pelotas.

 

Constança Rodrigues Guimarães, 54 anos, moradora, viúva de Seraphim José de Freitas Guimarães.

 

Daniel da Rocha Sarmento, porteiro da Mesa de Rendas do Estado, a partir de Fevereiro de 1895.

 

Daniel Wiering, segurado da Associação de Seguro de Vida Amparo Mutuo, de Pelotas.

 

Dario da Fontoura Barcellos, morador.

 

Delfino Alvaro da Costa, escriturário da Mesa de Rendas de Estado, a partir de Junho de 1895.

 

Deolinda de Aguiar Guimarães, moradora.

 

Diogo P. Fonseca, comerciante.

 

Dionysio de Magalhães, segurado da Associação de Seguro de Vida Amparo Mutuo, de Pelotas.

 

Domingos Alves Requião, delegado de higiene pública.

 

Domingos da Silva Pinto, farmacêutico, fabricante do Peitoral de Angico Pelotense.

 

Domingos Diniz, português, dono de uma casa de comércio à Rua Barroso número 83.

 

Domingos Fernandes da Rocha, membro do conselho fiscal da Associação de Seguro de Vida Amparo Mutuo, de Pelotas; comerciante.

 

Domingos J. Dias, tenente-coronel.

 

Domingos José d’Oliveira, proprietário da fábrica À Rainha das Flôres (sabonetes e perfumarias), estabelecida à Rua Santa Cruz esquina Dezesseis de Julho.

 

Domingos Requião, médico.

 

Edmundo Gastal, proprietário.

 

Edmundo Rohnelt, Guilherme Rohnelt, irmãos, sócios numa loja de fazendas, sob a razão social Rohnelt & Irmão.

 

Eduardo Alberto Fróes, segurado da Associação de Seguro de Vida Amparo Mutuo, de Pelotas.

 

Eduardo Gastal, morador num sobrado à Rua São Miguel.

 

Eleutheria Ferreira de Sá, 26 anos, casada, moradora.

 

Eloy Antonio Pinheiro, 40 anos, casado, morador.

 

Emilia Praia de Sá, professora da cadeira do sexo feminino da Boa Vista.

 

Emilio Leão, médico, diretor do laboratório do Lyceu Rio-Grandense de Agronomia e Veterinaria.

 

Epaminondas Piratinino de Almeida, liderança do Partido Republicano.

 

Ernesto Alvaro Pereira de Miranda, major, chefe do serviço sanitário do Estado Maior do Quartel General do comando do 6º. Distrito Militar, sediado em Pelotas.

 

Estevam Brisolara da Rosa, morador.

 

Etelvina Antunes Maciel, segurado da Associação de Seguro de Vida Amparo Mutuo, de Pelotas.

 

Evaristo Lopes dos Santos, segurado da Associação de Seguro de Vida Amparo Mutuo, de Pelotas.

 

Eugenio Vaz de Oliveira, procedente de Pernambuco, morador.

 

Felicissimo Amarante, juiz distrital interino.

 

Felisbina Bittencourt d’Avila, 62 anos, viúva de David Pereira Machado, coronel.

 

Felix Antonio Gonçalves, conselheiro-fiscal da Empreza União Telephonica.

 

Fernando Nickel, alemão, preso.

 

Fernando Rohnelt, capitão.

 

Floriano Calvet & Clara da Silva Xavier Calvet, ele, comerciante; ambos, pais de seis filhos.

 

Francisco Antonio d’Alvarenga, capitão, auxiliar da Secção Pessoal do Quartel General do comando do 6º. Distrito Militar, sediado em Pelotas.

 

Francisco Araujo, médico.

 

Francisco Canedo, 23 anos, solteiro, morador.

 

Francisco Carlos Simões, vulgo Chico Gaita, 36 anos, trabalhador na cancha da charqueada de Arthur Guilherme da Costa.

 

Francisco de Brito Gouvêa, morador.

 

Francisco de Paula Guerreiro, diretor da Empreza União Telephonica; negociante, residente à Rua Andrade Neves número 131.

 

Francisco de Paula Lima, tabelião.

 

Francisco de Paula Nunes Baptista, patrão de trabalhadores rurais na Ilha do Pavão.

 

Francisco de Souza Franco, capitão do porto de Pelotas.

 

Francisco Farias Guimarães, segurado da Associação de Seguro de Vida Amparo Mutuo, de Pelotas.

 

Francisco Maira Pinheiro Bittencourt, coronel, deputado do quartel-mestre-general da Secção do Material do Quartel General do comando do 6º. Distrito Militar, sediado em Pelotas.

 

Francisco Martins, negro, praça do 4º. Regimento de Artilharia.

 

Francisco Moreira, morador no Morro Redondo.

 

Francisco Nascimento Fernandes, segurado da Associação de Seguro de Vida Amparo Mutuo, de Pelotas.

 

Francisco Nunes Junior, cônsul do Paraguay em Pelotas.

 

Francisco P. Sayão Lobato, morador.

 

Francisco P. Soares Pereira, segurado da Associação de Seguro de Vida Amparo Mutuo, de Pelotas.

 

Francisco Salles Lopes, morador.

 

Francisco Vieira da Costa e Silva, comerciante.

 

Frederico Bastos, juiz da comarca de Pelotas.

 

Frederico Kessler, alemão, empregado da Livraria Americana.

 

Frederico Klugmann, morador.

 

Frederico W. Romano, médico.

 

Frontino Vieira, dono de uma estância produtora de couros crus.

 

Gaudencio da Fonseca, morador no Morro Redondo.

 

Gentil Mascarenhas, morador.

 

Geraldino Romeu, comerciante.

 

Gerardo Petrucci, italiano, presidente da sociedade 20 Setembre.

 

Gervasio Alves Pereira, intendente municipal.

 

Godofredo José Ribeiro, morador.

 

Gregorio Antonio dos Santos, morador, casado, 40 anos.

 

Guglielmo Marcucci, italiano, presidente da sociedade Cristoforo Colombo.

 

Guilherme Aurelio do Carmo, coronel, assistente encarregado do pessoal da Secção Pessoal do Quartel General do comando do 6º. Distrito Militar, sediado em Pelotas.

 

Guilherme Cezar Sampaio, alferes, ajudante de ordens encarregado do detalhe da Secção Pessoal do Quartel General do comando do 6º. Distrito Militar, sediado em Pelotas.

 

Guilherme Gervasi, italiano, secretário de um teatro.

 

Guilherme Missen, segurado da Associação de Seguro de Vida Amparo Mutuo, de Pelotas.

 

Guilherme Sauter, agricultor.

 

Guilherme Wiener, segurado da Associação de Seguro de Vida Amparo Mutuo, de Pelotas.

 

Guiomar Augusta de Magalhães, segurado da Associação de Seguro de Vida Amparo Mutuo, de Pelotas.

 

Helena Wiener, segurado da Associação de Seguro de Vida Amparo Mutuo, de Pelotas.

 

Heleodoro de Azevedo e Souza, industrialista, & Maria da Gloria Azevedo e Souza, 53 anos, moradora.

 

Henrique Chaves, proprietário.

 

Henrique Grande, tripulante de um iate.

 

Henrique Humphrey, inglês, representante e agente de importação e exportação, estabelecido à Rua São Miguel.

 

Henrique Krentel, comerciante.

 

Heraclito João de Camargo & Albertina de Camargo, ambos professores públicos, pais de duas filhas.

 

Hermann Boyunga, segurado da Associação de Seguro de Vida Amparo Mutuo, de Pelotas.

 

Honorio Vieira de Aguiar, morador.

 

Ildefonso Badia, segurado da Associação de Seguro de Vida Amparo Mutuo, de Pelotas; leiloeiro.

 

Ildefonso Corrêa, gerente da Vidraria Pelotense.

 

Ildefonso Simões Lopes, membro do Partido Republicano.

 

Innocencio Rosa de Queiroz, 2º. Tenente, ajudante de campo do Estado Maior do Quartel General do comando do 6º. Distrito Militar, sediado em Pelotas.

 

Isidro José Bezerra, cabo do 4º. Regimento de Artilharia.

 

Izidro Freitas Feijó, uruguaio, casado, 50 anos, morador.

 

Jeronymo José de Pinho, português, morador.

 

Jesuina da Silveira, 50 anos, casada, moradora.

 

João Antonio Domingues, carpinteiro, fiscal de vistorias de embarcações mercantes do porto de Pelotas.

 

João Badia, sócio de João Henrique Kirst, num comércio de ferraria, serralheria e fundição de bronze, sob a razão social Badia & Kirst.

 

João Baptista da Silva, guarda da Mesa de Rendas alfandegada de Pelotas.

 

João Baptista Gotuzzo, italiano, 80 anos, pai de Thereza Prati, proprietária do Hotel Alliança.

 

João Baptista Martins, espanhol, solteiro, morador de um cortiço à Rua Gonçalves Chaves, na quadra entre as ruas Santo Antônio e General Argolo.

 

João Bento Alves, pescador, residente na Barra do São Gonçalo.

 

João Carlos Lobo Botelho, coronel.

 

João Celestino Salvatori, capitão, oficial da Caixa Militar do Quartel General do comando do 6º. Distrito Militar, sediado em Pelotas.

 

João Costa, trabalhador rural na Ilha do Pavão.

 

João da Silva Silveira, farmacêutico.

 

João de Oliveira Guimarães, major, chefe da Caixa Militar do Quartel General do comando do 6º. Distrito Militar, sediado em Pelotas.

 

João Francisco Nogueira, dono de um comércio na Barra do Velhaco.

 

João Francisco Velho, tenente, amanuense da Caixa Militar do Quartel General do comando do 6º. Distrito Militar, sediado em Pelotas.

 

João Geraldo Idiart, conferente dos guardas da Mesa de Rendas alfandegada de Pelotas.

 

João Jacintho de Mendonça, juiz distrital da sede de Pelotas.

 

João José de Freitas Machado, major, chefe das capatazias e armazéns da Mesa de Rendas alfandegada de Pelotas.

 

João José do Amaral Filho, administrador e tesoureiro da Mesa de Rendas alfandegada de Pelotas.

 

João Leão Sattamini, comerciante.

 

João Luiz de Souza Lima, comerciante, & Mariana Taveira de Lima, moradora.

 

João Manoel da Silva, major, empregado da Secção Pessoal do Quartel General do comando do 6º. Distrito Militar, sediado em Pelotas.

 

João Moura, gerente do jornal Diario Popular.

 

João Py Crespo, diretor do Lyceu Rio-Grandense de Agronomia e Veterinaria.

 

João Rezende, segurado da Associação de Seguro de Vida Amparo Mutuo, de Pelotas.

 

João Simões Lopes Netto, membro do conselho fiscal da Associação de Seguro de Vida Amparo Mutuo, de Pelotas; despachante geral.

 

João Thomaz Mignoni (Giovanni Tommaso Mignoni), italiano, orador da sociedade Cristoforo Colombo.

 

Joaquim Augusto Assumpção, proprietário.

 

Joaquim Bagueira, médico, chefe da Enfermaria Militar.

 

Joaquim Barbosa Cordeiro de Farias, tenente, ajudante de campo do Estado Maior do Quartel General do comando do 6º. Distrito Militar, sediado em Pelotas.

 

Joaquim da Costa Leite Junior, membro do Partido Republicano.Fagunde

 

Joaquim da Silva Fagundes & Lavínia Ribeiro Fagundes, moradores; tinham parentesco em Bragança, São Paulo.

 

Joaquim da Silva Ferreira, conselheiro-fiscal da Empreza União Telephonica.

 

Joaquim Eleutherio de Almeida Peres, conselheiro-fiscal da Empreza União Telephonica.

 

Joaquim F. da Cunha Trindade, comerciante.

 

Joaquim Francisco S. Abreu, morador.

 

Joaquim Marques Coelho, proprietário.

 

Joaquim Martins, dono de uma casa de negócio no Passo dos Negros.

 

Joaquim Oliveira Praça, segurado da Associação de Seguro de Vida Amparo Mutuo, de Pelotas.

 

Joaquim Pinto Portugual, português, solteiro, 55 anos, morador.

 

Joaquim S. Magalhães, segurado da Associação de Seguro de Vida Amparo Mutuo, de Pelotas.

 

Joaquim Silva, trabalhador rural na Ilha do Pavão.

 

Joaquim Teixeira da Costa Leite, diretor da Empreza União Telephonica; negociante, residente à Rua General Osório número 158.

 

Joaquim Xavier do Valle, alferes, encarregado do embarque e desembarque do pessoal e do material de guerra da Secção Pessoal do Quartel General do comando do 6º. Distrito Militar, sediado em Pelotas.

 

Joaquina Petin Braga, viúva, 69 anos, moradora.

 

José Alves Pereira, morador.

 

José Augusto Burlamaque, conselheiro-fiscal da Empreza União Telephonica.

 

José Avelino Gomes, segurado da Associação de Seguro de Vida Amparo Mutuo, de Pelotas.

 

José Casa Nova, contínuo da Mesa de Rendas do Estado, a partir de Fevereiro de 1895.

 

José Cypriano Nunes Vieira & Alice Alves Pereira, moradores; ele, médico, ela, filha de Gervasio Alves Pereira.

 

José da Silveira Villalobos, membro do Partido Republicano.

 

José de Sellis, morador.

 

José Ferreira Alves Guimarães, proprietário e capitalista.

 

José Francisco Agrifoglio, segurado da Associação de Seguro de Vida Amparo Mutuo, de Pelotas.

 

José Francisco Gomes, carteiro.

 

José Francisco Vieira, segurado da Associação de Seguro de Vida Amparo Mutuo, de Pelotas.

 

José G. Chaves, morador.

 

José Henrique Lara Ulrich, segurado da Associação de Seguro de Vida Amparo Mutuo, de Pelotas.

 

José Joaquim de Freitas, segurado da Associação de Seguro de Vida Amparo Mutuo, de Pelotas.

 

José L. Alves Pereira, tenente-coronel.

 

José L. Brisolara, tenente-coronel.

 

José Diogo Brochado, morador.

 

José M. Barcellos, segurado da Associação de Seguro de Vida Amparo Mutuo, de Pelotas.

 

José Maria da Silveira & Maria das Dores da Costa, moradores.

 

José Nery da Silva, guarda da Mesa de Rendas alfandegada de Pelotas.

 

José Newton, sócio de Manoel Teixeira da Cunha, num comércio de fazendas, miudezas e alfaiataria, sob a razão Newton & Cunha.

 

José Raphael Machado, segurado da Associação de Seguro de Vida Amparo Mutuo, de Pelotas.

 

José Ribeiro da Costa, proprietários de iates de carga e de passageiros.

 

José Rodrigues Gomes, segurado da Associação de Seguro de Vida Amparo Mutuo, de Pelotas; proprietário da fábrica de fumos Santa Cruz.

 

José Theophilo de Leon, morador.

 

Julio Constantino Pereira, calafate, & Rita Antonia da Silva Pereira, pais de Arlindo, 7 anos, Frontino, 5 anos, Arnaldo, 1 ano; Julio Constantino Pereira é filho de Laura Luiza Pereira; Rita Antonia da Silva Pereira é irmã de Florentino Silva, maquinista da estrada de ferro Southern Brazilian Railway, morador à margem oposta do São Gonçalo.

 

Junius Brutus Cassio de Almeida Filho, tenente.

 

Justina Rodrigues de Barros, professora da cadeira mista da Lomba do Fragata.

 

Justiniano Simões Lopes, morador.

 

Justo de Azambuja Rangel, gerente da filial do Banco da Republica em Pelotas; até Fevereiro de 1895, quando foi transferido para ser gerente do Banco Hypothecario do Rio de Janeiro.

 

Juvenal de Mattos Freire, capitão, segurado da Associação de Seguro de Vida Amparo Mutuo, de Pelotas.

 

Léon Bastide, francês, proprietário, comerciante.

 

Leopoldina de Castro Souza, 19 anos, solteira, filha de Bernardino Gomes de Souza; moradora na casa de Bernardino de Oliveira Escada, à Praça Domingos Rodrigues número 02.

 

Leopoldo Joucla, agente consular da França; representante do conhaque P. Frapin & Cie.

 

Leovegildo Alves de Paiva, tenente, auxiliar da Secção do Material do Quartel General do comando do 6º. Distrito Militar, sediado em Pelotas.

 

Lourenço Bandeira, capitão, oficial da Caixa Militar do Quartel General do comando do 6º. Distrito Militar, sediado em Pelotas.

 

Luigi Garbini, italiano, presidente e músico da banda Bellini.

 

Luiz Augusto Soares Wolff, coronel, secretário do Estado Maior do Quartel General do comando do 6º. Distrito Militar, sediado em Pelotas.

 

Luiz Beltrão Barbosa, proprietário de uma fábrica de sabão e velas.

 

Luiz Carlos Massot, deputado pelo Partido Republicano.

 

Luiz Lopes Siqueira, 19 anos, morador, filho de Carolina Lopes Siqueira, viúva.

 

Manoel Augusto Botelho de Athayde, alferes, amanuense da Caixa Militar do Quartel General do comando do 6º. Distrito Militar, sediado em Pelotas.

 

Manoel B.F. Casado, morador.

 

Manoel da Silva Lopes, sócio de José Alves da Conceição, num comércio de secos e molhados, sob a razão social Lopes & Conceição.

 

Manoel de Villas Bôas, carpinteiro.

 

Manoel Dias de Rezende, viúvo, chapeleiro.

 

Manoel José Bonifacio, 46 anos, solteiro, morador.

 

Manoel Justo de Souza, cigarreiro.

 

Manoel Lopes Sequeira, segurado da Associação de Seguro de Vida Amparo Mutuo, de Pelotas.

 

Manoel Pereira Junior, morador.

 

Manoel Pereira Valente, dono de carros de praça.

 

Manoel Rodrigues de Araujo, capitão, oficial da Caixa Militar do Quartel General do comando do 6º. Distrito Militar, sediado em Pelotas.

 

Manoel Tavares Ribeiro, morador.

 

Marcellina Gomes da Silva, 41 anos, solteira, moradora.

 

Marciano Terra, membro do Partido Federalista.

 

Marcos Lins Narciso, 36 anos, solteiro, jornaleiro, morador à Rua General Victorino.

 

Margarida Bittencourt, viúva, 83 anos, espanhola, antiga moradora da cidade.

 

Margarida Torres Barcellos, moradora; mãe de Viriato Barcellos e irmã de Maria Isidora Leivas.

 

Maria da Gloria Lobão, professora da cadeira mista do Retiro.

 

Maria Izabel de Azevedo, 80 anos, moradora.

 

Maria Joanna Fernandes, viúva, moradora, irmã de João Rodrigues Saraiva.

 

Maria Leopoldina Caldeira, maior de 60 anos, viúva, sogra de José Luiz Brisolára, tenente-coronel comandante do 84º. Corpo de Cavalaria.

 

Maria Wiering, segurado da Associação de Seguro de Vida Amparo Mutuo, de Pelotas.

 

Mathildes Avelina do Couto, 18 anos, moradora; filha de Honorato Luiz do Couto, maior de 70 anos, e enteada de Emilia Maria Jorge, amásia de seu pai.

 

Miguel Barcellos, médico, membro do Partido Republicano.

 

Miguel H. Nogueira, morador.

 

Miguel Rodrigues Barcellos Filho, oficial do registro geral de hipotecas da comarca de Pelotas.

 

Narciso Clara, morador.

 

Narciso Fernandes, alferes.

 

Octavio Carlos Pinto, major, comandante do 4º. Batalhão de Artilharia.

 

Olavo Alves, segurado da Associação de Seguro de Vida Amparo Mutuo, de Pelotas.

 

Olinda Maria Antonia Paradeda, professora da cadeira mista da Lomba do Fragata, a partir de Maio de 1895.

 

Oswaldo Job, conferente da Mesa de Rendas alfandegada de Pelotas.

 

Paulino Alves, soldado da Guarda Municipal.

 

Paulino Teixeira da Costa Leite, industrialista.

 

Pedro Antunes Baptista, morador.

 

Pedro Baptista, major, membro do Partido Republicano.

 

Pedro Castelhano, morador no Morro Redondo.

 

Pedro Fuão, negro, sacerdote de um culto africanista estabelecido à Rua da Constituição. Tinha como assistente o negro Lufalo.

 

Pedro Goularte dos Santos, morador, casado, pai de Floriano Peixoto dos Santos.

 

Pedro Lecort, 69 anos, alemão, morador, solteiro.

 

Pedro Osorio, coronel; membro do Partido Republicano.

 

Perichon y Garcia, uruguaio, coronel do Exército uruguaio, vice-cônsul do Uruguay em Pelotas.

 

Placido M. Germano, segurado da Associação de Seguro de Vida Amparo Mutuo, de Pelotas.

 

Plotino Amaro Duarte, membro do conselho fiscal da Associação de Seguro de Vida Amparo Mutuo, de Pelotas; corretor; dono de uma casa de câmbio à Rua General Osório número 200 esquina Rua General Netto.

 

Pompilio Irahy da Fontoura, membro do conselho diretivo da Associação de Seguro de Vida Amparo Mutuo, de Pelotas; guarda-livros.

 

Porfirio José da Costa Brazil, solteiro, 56 anos, morador, comendador da Ordem da Rosa e veterano da Guerra do Paraguay.

 

Possidonio Mancio da Cunha, liderança do Partido Republicano; secretário estadual da Fazenda.

 

Procopio Meirelles, major de 2ª. Classe, auxiliar da Secção Pessoal do Quartel General do comando do 6º. Distrito Militar, sediado em Pelotas.

 

Quiliandro Candiota, comerciante.

 

Ramão Serapião Gonçalves, furriel da Guarda Municipal.

 

Ramon Nievas, espanhol, padre.

 

Ramon Trapaga Filho, morador.

 

Raphael Couto, morador.

 

Regulo de Paula Couto, guarda da Mesa de Rendas alfandegada de Pelotas.

 

Rodolpho Amorim, diretor comercial da Companhia de Distillacção Pelotense; segurado da Associação de Seguro de Vida Amparo Mutuo, de Pelotas.

 

Rodrigo José Velloso, alferes, escriturário da Secção do Material do Quartel General do comando do 6º. Distrito Militar, sediado em Pelotas.

 

Salvador Aleixo Duarte, segurado da Associação de Seguro de Vida Amparo Mutuo, de Pelotas.

 

Salvador Duarte Lemos, conselheiro-fiscal da Empreza União Telephonica.

 

Salvador Gomes da Paixão, major, empregado da Secção Pessoal do Quartel General do comando do 6º. Distrito Militar, sediado em Pelotas.

 

Satyro A. de Lima, membro do conselho diretivo da Associação de Seguro de Vida Amparo Mutuo, de Pelotas; comerciante.

 

Secundina Braga da Costa, 35 anos, moradora, casada.

 

Serafim Rodrigues Pereira, capitão, comandante da Guarda Municipal.

 

Sergio Protestato Borges & Estephania da C. Borges, moradores.

 

Servando Gomes da Silva, cônsul do Uruguay em Pelotas, a partir de Dezembro de 1895.

 

Silverio A. Taveira, segurado da Associação de Seguro de Vida Amparo Mutuo, de Pelotas.

 

Silvestre Moreira Fabião, proprietário do bazar À Popular.

 

Theodoro Brauner, membro do conselho fiscal da Associação de Seguro de Vida Amparo Mutuo, de Pelotas; comerciante.

 

Thomaz Lopes Sequeira, segurado da Associação de Seguro de Vida Amparo Mutuo, de Pelotas.

 

Thomaz Rodrigues Pereira, 86 anos, médico.

 

Thomaz Teixeira Brazil, morador.

 

Tito Chaves & Emilia Guilhermina da Costa Chaves, moradores, proprietários; ela, irmã de Domingos Guilherme da Costa (coronel) e Arthur Guilherme da Costa.

 

Trajano Ubatuba, morador.

 

Ulrich Müller, suíço, 34 anos, solteiro, distribuidor de cerveja da fábrica Carlos Ritter & Irmão.

 

Urbano Martins Garcia, coronel.

 

Venancio Lima, praça da 3ª. Companhia do 2º. Batalhão de Engenharia.

 

Vicente Caetano Machado Pinto, conferente da Mesa de Rendas do Estado, até Fevereiro de 1895.

 

Vicente Cypriano da Maia, médico.

 

Vicente Rodrigues Soares, morador em Pelotas, mas com propriedade na Ilha da Feitoria; era filho de Melchior José Rodrigues Soares, capitão, já falecido.

 

Virgilio Gonçalves Vieira, morador.

 

Willam (sic) Dunt, sul-africano, marinheiro, 20 anos.

 

 

quinta-feira, 4 de março de 2021

Colônia Maciel de Pelotas em 1888

 


Nostre corrispondenze

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Pelotas, li 28 maggio 1888.

Sig. Direttore - Essendo noto quanto a petto le stiano gli'interessi delle colonie italiane, e como aperte siano sempre le colonne del pregiato di lei periodico a tutto che concerne gl'Italiani dimoranti in questo impero del Brasile, le ìnvio questa mia chiacchierata, cui diedi il titolo di - Galoppata da Pelotas alla Colonia Maciel - gradito essendomi se vorrà darne pubblicazione.

Colla piú alta stima la mi creda di Lei Devmo. corrispondente.

Cortese lettore, troverai in alcuni punti la penna mia tinta un pochino in vero, ma l'ossequio alla veritá mi vi costringe a tributar lodi ove le trovi ben meritate, non senza sottacere l'espressione di biasimo volta che giustizia lo richiegga.

Lasciata Pelotas al Ponte di Sta. Barbara all'alba di una promettente giornata, dopo sorseggiata una eccellente tazza di moka, a sella di ardito destriero ci avviamo a Monte Bonito per tortuoso ed ondeggiato cammino, ove si giunge dopo una galoppata di due buone ore. Superato questo colle ed ai piedi dello stesso sul lato opposto incontrasi una venda detta del Gioan Padre.

Da questa venda mi si dice principiare la strada, che entrando nelle colonie della Camera, ora da questa si sta riattando. Sebbene l'appaltatore faccia piú del prescrito (ne viddi il capitolato) ciò null'ostante sarebbe meglio raccomandarsi alla sezione areonautica italiana portatasi ora in Abissinia piuttosto che percorrere a piedi, a cavallo o con carro si barbaro camino. E già non potevasi sperare di meglio da un'amministrazione si poco oculata, che giammai pensò d'abbelire la città di Pelotas con un bel viale piantumato, che dal Ponte di Sta. Barbara porti i cittadini non solo a due ritrovi d'allegria quale l'ippodromo, e la villa Soares, ma bensi a quel sacro recinto ove quasi tutti sentonsi attrati, piangenti e chinati a deporre una corona e scioglier preci sulla tomba di qualche loro caro estinto. <<Parce iilis qui nesciunt... e seguito.

Passato il Ponte pericolante sul rio Pelotas, convien far sosta nella venda del Sig. Pedro (toscano) ove si puó rifocilarsi per bene e riposare le sconquassate ossa.

Rimontanto a sella e varcate parecchie colline com strade sempre orribili, eccoci finalmente al principio, nelle colonia Alemanna di Sta. Elena (cosi chiamata) alla nuova via che ci porta nella colonia Maciel.

Il nucleo della Colonia Maciel, per fortuna piccino, perchè di soli 50 lotti, non è di meno delle maggiori e di data piú remota, dacchè in soli tre anni è ora tutta occupata da laboriosi coloni italiani, che fabbricate le loro case, e dissodato gran parte di bosco, già raccolgono copiosi frutti del loro travaglio.

Esistono già due molini che oltre servire ai bisogni della colonia, tengono molti clienti di fuori, e gl'industriosi e bravi loro proprietari meritano esse e menzionati nelle persone di Talamini Noé da Longaron (Belluno) e Zanotti Giuseppe da Biella (Piemonte).

Mí si dirà: come mai la colonia porta il nome Maciel? Appartiene questo nome a distinta e ricca famiglia di Pelotas, che per ora nulla fece in colonizzazione, ma é da sperare che per la sua influenza, vorrà d'oggi innanzi provare come a ragione meriti essere ricordata ai posteri, e legittimare il battesimo dato alla colonia dal passato capo ing. Dr. Araujo.

Dalla colonia Maciel nessuna altra strada esisteva per la città, in modo che a questi bravi coloni, come ai reclusi nell'isola Fernando Noronha, poteva venire meno lo spirito d'aumentare i loro prodotti, riescendo quasi impossibile il commerciarli alla città da cui dista otto leghe. L'ing. De Britto, nel Febbraio dello scorso anno fecesí vivo in colonia, accompagnandovi alcune famiglie venete qui entrate, per amore... di colonizzazione, e per dar lavoro a queste, ebbe dall'imperiale governo un sussidio per aprire una strada, ma la noncuranza da parte della direzione fece sí, che si costruí un mal fatto tronco, che non finito, era come se non esistente; i conti sicut nebulam sfumarono, e v'ha di peggio, si lasciarono insoluti mandati, retribuzioni mensili al maestro, suo particolare impiegato, e giornate di lavoro a parecchi colonisti. Ed il governo tutto ignorava?

Mutatasi la direzione ebbe la colonia, fortuna, di trovare nelle egregio ing. Dr. Nicolao Pederneiras un vero padre, che riscontratane la necessità, lottó contro il negativo governo ed ottenne ora una discreta strada generale fino al centro della colonia. Siano quindi tributate giuste lodi all'ottimo direttore e di ciò ne sappia anche il R. Consolato d'Italia in Porto Alegre, come un nazionale brasilero possa amare il benessere di coloni italiani, mentre questi concordi stanno ora organizzando una festa d'innaugurazione di detta strada. In tale ricorrenza l'egregio sig. Dr. Pederneiras col concorso di una sottoscrizione fra i coloni stessi, intende pure far entrare un Padre per celebrare nella colonia alcuni matrimoni e molti battesimi.

Cosi per incidente mi si permetta: come mai dacchè la religione cristiana in tutto l'orbe cattolico é una sola, retta dal Capo dimorante in Roma, si riscontrano cosi sentite anomalie?

In Europa sta dovere dei Parroci nei Comuni, di battezzare i figli di cattolici poveri che li portano alla chiesa, anche senza retribuzione, e qui non si ebbe vergogna di chiedere l'enorme cifra di ottocento mila reis pari piú o meno a lira due mila, per quaranta battesimi circa, rifuse essendo le spese di trasporto e vitto? E si chiaman, diró con Amneris, ministri del Ciel? Il disprezzo fù sia loro sentenza.

Diedi il qualificativo di discreta alla strada fatta, e ciò per alcuni peccatucci che si riscontrano provenienti da poca corretteza tecnica nei manufatti e livelli delle vallete, e per male intesa economia. Li corregga sig. Dottore che è a tempo, e cosi potrà dire, aver fatta un'opera completa. Ora poi il governo non dovrebbe lasciar imperfetta tale opera, ma bensí proseguire, in primo luogo, questa via nelle eguali proporzioni per anco due chilometri e ciòè fino al confine della colonia, da dove certo la previdente camera della vicina villa di Cangussù nell'interesse del suo commercio vorrà collegarla colla già esistente che da Cangussù per monte Redondo va a Pelotas, risparmiando col transito per la colonia Maciel piú di quattro leghe; ed in secondo luogo con vie in piú limitate proporzioni dare sfogo a tutte le colonie, sulla strada principale, anco per principio di giustizia, come fu fatto in altre provincie.

In questo punto cesso d'annojare i benigni lettori, riservandomi riprendere la penna, per esporvi alcuni schizzi fotografici della direzione, sue gesta, una relazione sulla festa e sua disposizione, e per dirvi pure che tutte le strade saranno fatte, fidente che l'imperial governo comprenderà di leggeri come la viabilità facilita il commercio, e come questo sia la fonte principale della ricchezza d'ogni Stato.

DR. EDOARDO FINARDI.

Fonte: L'ITALIA: IN CONTINUAZIONE DEL "COSMOPOLITA" (Rio de Janeiro/RJ), 30 de Junho de 1888, pág. 02, col. 03-04

quarta-feira, 3 de março de 2021

"Bicheiros" em Porto Alegre em 1899



"O 'BICHO'

Relação nominal dos individuos chamados até esta data á presença do delegado de policia do 1o. districto como implicados no jogo do bicho:

Albino Martins, portuguez, taverneiro.

José Gonçalves Corrêa Netto, portuguez, taverneiro.

João de Oliveira Primo, portuguez, taverneiro.

Alvaro de Azevedo, portuguez, sem profissão conhecida.

Manoel Francisco de Carvalho, portuguez, taverneiro.

José Teixeira Bastos, portuguez, taverneiro.

Antonio José da Silva Madeira, portuguez, taverneiro.

Miguel Alves de Carvalho, portuguez, sem profissão conhecida.

Aniello Fedullo, italiano, sem profissão conhecida.

Gennaro Francesco, italiano, cambista.

Pasqual Marsicano, italiano, cambista.

Francisco Limonge, italiano, funileiro.

Miguel Baldini, italiano, taverneiro.

Affonso Salatino, italiano, sem profissão conhecida.

Elias Lippo, italiano, sem profissão conhecida.

Miguel Mouront, italiano, cambista.

Rocco Postiglione, italiano, açougueiro.

José Richinetti, italiano, sapateiro.

Salvador Oliva, italiano, engraxate.

João da Silva Lemos, brazileiro, sem profissão conhecida.

Antero de Souza Borges, brazileiro, sem profissão conhecida.

Liberato Gomes Vianna, brazileiro, taverneiro.

Frederico Gerst, brazileiro, sem profissão conhecida.

José Barbosa Fusquine, brazileiro, tamanqueiro.

Francisco Barbosa Fusquine, brazileiro, colxoeiro.

Pedro Caetano Pereira de Mello, brazileiro, açougueiro.

Albino da Rocha Farias, brazileiro, sem profissão conhecida.

José Luiz de Mello, brazileiro, sem profissão conhecida.

Lothario de Lavra Pinto, brazileiro, sem profissão conhecida.

José Silveira Peixoto, brazileiro, taverneiro.

Firmino Pinho, brazileiro, taverneiro.

Heleodoro de Azevedo Filho, brazileiro, sem profissão conhecida.

Florampelio de Castro Loureiro, brazileiro, sem profissão conhecida.

Emygdio Ribeiro de Oliveira, brazileiro, sem profissão conhecida.

Esperidião Alves Chaves, brazileiro, barbeiro.

Coriolano Rosa, brazileiro, sem profissão conhecida.

Lydio de Carvalho, brazileiro, sem profissão conhecida.

José Antonio Machado Ourique, brazileiro, sem profissão conhecida.

Albano de Souza, brazileiro, sem profissão conhecida.

José dos Santos Motta, brazileiro, sem profissão conhecida.

Godofredo Palma Dias, brazileiro, sem profissão conhecida.

Patricio Praxedes, brazileiro, alfaiate.

Custodio Lopes Pereira, brazileiro, alferes reformado da Brigada Militar.

Bernardo Antonio da Silva, brazileiro, taverneiro.

Jorge Dias, brazileiro, sem profissão conhecida.

José Alves Garcia, brazileiro, alfaiate.

Serafim Agostinho de Vasconcellos, brazileiro, caixeiro.

Julio Rodrigues Simões, brazileiro, sem profissão conhecida.

Ricardo Antonio de Andrade, brazileiro, caixeiro.

Thomaz Caetano da Silva, brazileiro, cocheiro.

Luiz Terragno de Magalhães, brazileiro, sem profissão conhecida.

Bibiano Severo Leal, brazileiro, sem profissão conhecida.

Joaquim Pinto Meirelles, portuguez, sem profissão conhecida.

Manoel Fernandes Novo, portuguez, taverneiro.

José Pereira Duro, portuguez, cocheiro.

José Gonçalves Netto, portuguez, armador.

Eugenio Oscar Borowski, allemão, caixeiro.

Victor Maximiliano Borowski, allemão, caixeiro.

Boaventura Maia, brazileiro, sem profissão conhecida.

Pelagio Coll, hespanhol, sem profissão conhecida.

Carlos Maroski, italiano, cigarreiro.

João de Macedo Pinto, brazileiro, sem profissão conhecida.

Pellegrine Cuchiarilli, italiano, barbeiro.

Joaquim Monteiro d'Albuquerque, brazileiro, sem profissão conhecida.

Julio Gonçalves da Silva, brazileiro, sem profissão conhecida.

Francisco de Braga Fontoura, brazileiro, sem profissão conhecida.

Augusto Marques Guimarães, portuguez, sem profissão conhecida.

Jeronymo Rodrigues Teixeira, brazileiro, vidraceiro.

João Giovaggini, italiano, sapateiro.

Miguel Juliano, italiano, funileiro.

Temistocle Grecco, italiano, cambista.

Antonio de Carvalho Bastos, portuguez, taverneiro.

Joaquim José de Sá, portuguez, sem profissão conhecida.

Zica Amarante, brazileiro, sem profissão conhecida.

Porto Alegre, 31 de agosto de 1899."

Fonte: A FEDERAÇÃO (Porto Alegre/RS), 31 de Agosto de 1899, pág. 02, col. 03

terça-feira, 2 de março de 2021

As Lágrimas de Potira



"Muito antes de os brancos atingirem os sertões de Goiás, em busca de pedras precioas, existiam por aquelas partes do Brasil muitas tribos indígenas, vivendo em paz ou em guerra e segundo suas crenças e hábitos.

Numa dessas tribos, que por muito tempo manteve a harmonia com seus vizinhos, viviam Potira, menina contemplada por Tupã com a formosura das flores, e Itagibá, jovem forte e valente.

Era costume na tribo as mulheres se casarem cedo e os homens assim que se tornassem guerreiros.

Quando Potira chegou à idade do casamento, Itagibá adquiriu sua condição de guerreiro. Não havia como negar que se amavam e que tinham escolhido um ao outro. Embora outros jovens quisessem o amor da indiazinha, nenhum ainda possuía a condição exigida para as bodas, de modo que não houve disputa, e Potira e Itagibá se uniram com muita festa.

Corria o tempo tranquilamente, sem que nada perturbasse a vida do apaixonado casal. Os curtos períodos de separação, quando Itagibá saía com os demais para caçar, tornavam os dois ainda mais unidos. Era admirável a alegria do reencontro!

Um dia, no entanto, o território da tribo foi invadido por vizinhos cobiçosos, devido à abundante caça que ali havia, e Itagibá teve que partir com os outros homens para a guerra.

Potira ficou contemplando as canoas que desciam rio abaixo, levando sua gente em armas, sem saber exatamente o que sentia, além da tristeza de se separar de seu amado por um tempo não previsto. Não chorou como as mulheres mais velhas, talvez porque nunca houvesse visto ou vivido o que sucede numa guerra.

Mas todas as tardes ia sentar-se à beira do rio, numa espera paciente e calma. Alheia aos afazeres de suas irmãs e à algazarra constante das crianças, ficava atenta, querendo ouvir o som de um remo batendo na água e ver uma canoa despontar na curva do rio, trazendo de volta seu amado. Somente retornava à taba quando o sol se punha e depois de olhar uma última vez, tentando distinguir no entardecer o perfil de Itagibá.

Foram muitas tardes iguais, com a dor da saudade aumentando pouco a pouco. Até que o canto da araponga ressoou na floresta, desta vez não para anunciar a chuva mas para prenunciar que Itagibá não voltaria, pois tinha morrido na batalha.

E pela primeira vez Potira chorou. Sem dizer palavra, como não haveria de fazer nunca mais, ficou à beira do rio para o resto de sua vida, soluçando tristemente. E as lágrimas que desciam pelo seu rosto sem cessar foram-se tornando sólidas e brilhantes no ar, antes de submergir na água e bater no cascalho do fundo.

Dizem que Tupã, condoído com tanto sofrimento, transformou suas lágrimas em diamantes, para perpetuar a lembrança daquele amor."

Fonte: BRASIL. MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO. Contos tradicionais, fábulas, lendas e mitos, vol.2.[Livro Eletrônico] Brasília: FUNDESCOLA/MEC, 2000.



segunda-feira, 1 de março de 2021

Rubinei Machado


 Liderança que zelava por suas convicções, mantinha-se aberto ao diálogo. Contemporizando diferenças, foi permanente debatedor acerca da justiça, dignidade e reparação à comunidade negra. Como diretor do Clube Cultural Fica Ahí Pra Ir Dizendo, esteve à frente de projetos que fomentaram tanto a criatividade artística e a integração cultural, quanto a troca de ideias, proporcionando a reflexão acerca da discriminação e preconceito, bem como do contexto ideológico, político e econômico. Rubinei tanto incentivava a Biblioteca Negra do Fica Ahí, quanto a “rústica” comemorativa a Zumbi no 20 de novembro. Liderança do movimento negro, empenhou-se pela vinda de autores para lançamento de livros, e esteve junto da organização de inúmeras palestras com convidados do País e exterior. 

Uma das reflexões de Rubinei: “Cada vez tenho mais certeza que precisamos mudar as estratégias para buscar a reparação aos negros deste País. Não podemos negar que, com os governos populares, algumas coisas estão acontecendo, mas para nós isto não deve bastar. O que temos é um Estado reformista que ajuda aqui, ali, mas não resolve a questão maior que é a Reparação. Necessitamos equidade para atingir a igualdade. Um estado reformista não atende nossas necessidades e reivindicações históricas. Leia isto no Estatuto da Igualdade Racial e tantas outras ações governamentais. Enfim cabe a nós sabermos qual Estado queremos, nos insubordinando através de discussões e estratégias para que possamos fazer frente ao Estado que, racista, não quer reconhecer a dívida que tem com os negros. Age com truculência e usa palavras bonitas como ‘ações afirmativas’ e ‘igualdade racial’. Porém, esconde a real intenção de não atender as lutas históricas do povo negro brasileiro. Necessitamos de um Estado transformador. Como negros precisamos debater dois assuntos: ações afirmativas e participação dos negros nos espaços de poder”. 

Assim impunha-se Rubinei, com lucidez e firmeza, suas marcas registradas, e que deixarão saudades para sempre, no âmago da comunidade negra pelotense.

Fonte: Ícones Inesquecíveis. Pelotas/RS: Conselho da Comunidade Negra/Prefeitura de Pelotas, 2019. (folder de divulgação cultural)

domingo, 28 de fevereiro de 2021

A Revolta do Vintém



"A Revolta do Vintém

Sérgio Arnad Costa

Há um século, em dezembro de 1879 e janeiro de 1880, ocorreu na cidade do Rio de Janeiro uma revolta popular que, oriunda do descontentamento com as novas medidas econômicas adotadas pelo Gabinete Sinimbu, ficou conhecida como a 'Revolta do Vintém'.

O então ocupante da Pasta das Finanças, Afonso Celso de Assis Figueiredo, ex-ministro da Marinha do Gabinete Zacarias e futuro visconde de Ouro Preto, preocupado com a situação financeira do império, começou a procurar meios para melhorar a arrecadação nacional.

Por meio de decretos e regulamentos, iniciou Afonso Celso um processo de elevação de impostos como o imposto do selo, o imposto sobre o fumo, imposto sobre vencimentos, foros e laudêmios, cobrança de armazenagem, etc.

A cada nova medida, os contribuintes iam-se mostrando irritados e a imprensa republicana, a cada dia que passava, acirrava suas críticas ao governo. Veja-se, por exemplo, a que aparecia, a 12/12/1879, em A Província de São Paulo: ' como cousa mais odiosa, dentre os feitos de desastrada situação actual é difícil estabelecer preferência entre o enxerto chinez, a restauração da guarda nacional e o exagerado e monstruoso argumento de impostos'.

O último dos tributos, e que foi a gota d'água para a impopularidade do Gabinete Sinimbi, veio com o decreto no. 7.565, de 13 de dezembro de 1879, logo apelidado pelo povo de 'Imposto do Vintém', que regulamentava a arrecadação da taxa sobre transportes.

Ficou estabelecido que, a partir de 1o. de janeiro de 1880, seriam cobrados vinte réis - 1 vintém, como era chamada a pequena moeda de cobre, com a efígie do imperador e a inscrição aforística: 'Vintém poupado, vintém ganho' - a mais em cada passagem de bonde.

Um vintém a mais no preço das passagens quase nada significava para as pessoas que transitavam de bonde. Mas a ilegalidade do estabelecimento do tributo e a pressão despótica com que foi atirado ao público é que geraram a indignação da população.

A imprensa antimonarquista hostilizava-o de todas as formas. O ministro da Fazenda passou a ser chamado de Afonso Vintém e Afonso Xenxém. O folhetinista da Gazeta imaginava as seguintes reflexões feitas pelo governo como razão e fundamento para decretação do imposto sobre a passagem de bonde: 'então, seu Zé Povinho, vos mecê também já tem luxos, hem? Anda de bond, meu animal, como quem tem renda fácil, como quem é ministro ou Souza Carvalho? Pedaço de patife, espera lá, que eu vou arranjar um negócio contigo. Tu és o anonymo, que eu excluo por incapaz do meu voto e do meu jury, porque tu não sabes lêr, nem nasceste meu parente. Não tens direito'. '(...)'. 'Não ter direito, pois seu Zé, não quer dizer não ter deveres; vossê é diante de mim o mesmo que o negro é diante do seu senhor: eu sou o governo, vossê é o Zé Povinho. Venha para cá um vintém para pagar-me o desaforo de andar de bond! Vamos, para cá o vintém!'

O novo tributo foi tenazmente combatido tanto pela imprensa conservadora como pela republicana, com exceção do Jornal do Comércio que procurava, através de suas páginas, defendê-lo. Entre todas as folhas oposicionistas, a que mais se destacava pelas críticas ao 'Imposto do Vintém' era a Gazeta da Noite, dirigida pelo tribuno popular, jornalista e agitador republicano Lopes Trovão, que declarava em editorial, ser 'justo que o povo apelasse para todos os meios, e até mesmo para a violência, que é também um direito do povo quando exercido contra as violências do poder'. Em outro editorial afirmava peremptoriamente: 'Só por meio de uma revolução o povo conseguirá chamar o poder ao cumprimento dos seus deveres'.

Lopes Trovão não se limitou a escrever artigos contra o 'imposto'. Saiu para as ruas, realizando comícios e instigando a população a não pagar o novo tributo.

No dia 21 de dezembro organizou uma conferência de protesto no teatro do Ginásio, à qual compareceu também José do Patrocínio, que durante aproximadamente meia hora fez violentas críticas ao novo tributo e à escravidão. Ao encerrar seu discurso foi entusiasticamente aplaudido pela platéia que gritava: 'Abaixo o ministério! Morra Afonso Vintém! Abaixo a monarquia! Viva a república!'

No final do ato, foi formada uma comissão para protestar contra o 'Imposto do Vintém' e foi marcado um novo comício, para o dia 28 de dezembro, no Campo de São Cristóvão. 'Depois da conferência do dr. Lopes Trovão, o povo acompanhou o orador em passeata pelas ruas, sendo felicitadas na passagem as redações da Gazeta da Noite, Gazeta de Notícias e Cruzeiro.

As companhias de bonde, acompanhando o desenrolar dos acontecimentos, receavam a cobrança do 'Imposto do Vintém'. A Revista Ilustrada ironizava-as: 'As companhias de bond não assentaram ainda no meio de cobrar o vintém. A de S. Cristóvão quer dois policiaes que prendam cada passageiro recalcitrante. Como, porém, os policiaes tomam lugar nos carros, o governo destacará um piquete de cavalaria atraz de cada bond. Os passageiros vão ter honras imperiaes'.

O governo, percebendo o vulto do movimento contra o novo tributo, começou a tomar providências para impedir as agitações. A Gazeta de Notícias comentava: 'Consta-nos que o sr. dr. chefe de polícia mandou hontem chamar à sua repartição os emprezarios dos diversos theatros da côrte e pediu-lhes que, ao menos durante certo tempo, não cedessem as suas casas para conferências ou reuniões'. Referindo-se, ainda, a tal medida, concluía que, 'o acto de s. exc. é justificado e é uma prova da iniquidade do imposto que a população da côrte vae pagar'.

Apesar da população estar proibida de realizar reuniões ou comícios nos teatros, houve no dia 28 de dezembro, no Campo de São Cristóvão, a anunciada manifestação com o comparecimento expressivo de aproximadamente 7 mil pessoas. Logo após o comício, o povo dirigiu-se ao Paço da Quinta da Boa Vista, para entregar um manifesto de protesto ao imperador, em que era pedida a revogação do regulamento do 'Imposto do Vintém'. A entrega não foi possível, pois os manifestantes foram barrados no caminho pela polícia, que os ameaçou com a cavalaria. Impossibilitados de dirigirem-se diretamente ao imperador, nomearam uma comissão, que entregou o ofício com a seguinte introdução: 'Augusto e Imperial Senhor Dom Pedro II - A comissão encarregada de dirigir-se a V.M. para protestar contra o regulamento que impõe ao passageiro de bonde o tributo de vinte réis, não devendo tornar aos vossos paços, resolveu enviar-vos a petição junta, em que a iniquidade, a ilegalidade e o vexame daquele imposto ficam à saciedade postos em evidência. A petição é a mesma que foi assinada por sete mil cidadãos que acorreram ao 'meeting'. Enviando-a a V.M., a comissão explica o seu procedimento pelo fato de representar o povo num pleito em que a sua e a nossa dignidade foi desrespeitada pela força policial, no momento justamente de exercermos esse direito que nos era garantido pela Constituição Nacional, base e princípios da legislação vigorante. Fomos repelidos, Imperial Senhor. Assim, cumpre a V.M. vir ao encontro do povo, pronunciando-se favoravelmente sôbre uma petição em que o povo representa a justiça e o vosso govêrno o capricho. A ordem das nações depende sempre da combinação dos governantes com a vontade dos governados. O assunto que nos preocupa já deve estar suficientemente estudado por V.M., porque há seguramente quinze dias que ele é o tema obrigado dos artigos da imprensa e das conversações da praça pública. A comissão espera, portanto, que vos pronuncieis até amanhã pelo 'Diário Oficial', para aliviar-se do seu pesado encargo, amanhã mesmo, no largo do Paço da cidade. É um rigorosíssimo dever que sôbre nós pesa e do qual havemos de desempenhar-nos em público, mesmo porque em público é que nos cumpre lavar as mãos no credo dos sucessos lastimáveis que V.M poderá conjurar, desprezando o ferrenho capricho do govêrno para harmonizar-se com a justa vontade do povo. Os compatriotas de V.M. - Dr. Lopes Trovão, Dr. Ferro Cardoso, Joaquim Pedro da Costa'. O imperador nada respondeu.

Em 31 de dezembro, Lopes Trovão pelas colunas da Gazeta da Noite instigava a população a não pagar o 'Imposto do Vintém', mostrando os meios com que cada um poderia resistir ao novo tributo: 'O Zé Povinho felizmente tem consciência da sua força e sabe quais são os meios de que lançar mão para fugir ao pagamento: - Recusando-se todos ao pagamento e sujeitando-se à prisão. Para onde levará o governo tanta gente, sem forças para contê-la e continuar as prisões? E, uma vez presos, não será fácil arrombar as portas? A ilegalidade da prisão justifica a ilegalidade do arrombamento e da fuga. Outro meio: - Recusem-se todos ao pagamento do Imposto e, se os obrigarem tão-somente a apear-se do bonde, pedirem a restituição da importância da passagem. Tomarem logo o primeiro bonde que passar e proceder da mesma maneira. E assim percorrerão gratuitamente a extensão que quiserem. Também podem lançar mão de outro meio, se a polícia do sr. Afonso Vintém quiser tirar-nos o vintém à força de espada: é arrancarem os trilhos em cem, duzentos ou mil pontos da cidade'.

Chegando o dia de Ano-Novo, houve, como estava anunciado, uma reunião no largo do Paço, à que assistiram cerca de cinco mil pessoas. Lopes Trovão tomando a palavra congratulou-se com o povo pela sua atitude e disse que, 'não tendo havido resposta do imperador à representação que lhe foi dirigida, elle não se animava a aconselhar o procedimento que deveriam ter os cidadãos presentes'.

Concluído o discurso, dissolveu-se o comício e o povo seguiu em massa pela rua Primeiro de Março, onde de uma das sacadas de um hotel falou o alferes honorário Frederico Severo: 'Nesta hora em que troa o canhão militar saudando a realeza, troa também o canhão popular, para defender os direitos do povo'.

Os manifestantes seguiram pela rua do Ouvidor, levantando aplausos em frente às redações dos jornais O Cruzeiro, Gazeta de Notícias e Gazeta da Noite. Chegando à rua Uruguayana, a massa popular havia aumentado de forma expressiva, entrincheirando-se nesta rua e no largo de São Francisco, onde estavam localizados os bondes da Companhia Vila Isabel. Postava-se ali grande quantidade de policiais à paisana, munidos de grossas bengalas. Um grupo desses agentes tentou dispersar a multidão que, aos gritos de 'fora o vintém', começou a virar bondes e a arrancar os trilhos, com auxílio de picaretas e alavancas, da rua Uruguayana e do largo de São Francisco. Novas forças policiais chegaram, utilizando-se de cassetetes para conter os populares que passaram a reagir com pedras do calçamento. O coronel Enéias Galvão, futuro barão do Rio Apa, por ter sido atingido por uma das pedradas, deu ordem de fogo. Dos disparos resultaram, segundo o noticiário, cerca de dez mortos e muitos feridos.

Apesar de todo o aparato policial, o povo não se dispersou e continuaram as manifestações hostis ao 'Imposto do Vintém'. Quando chegou um esquadrão do '1o. Regimento de Cavalaria, alguns populares invadiram a casa Coelho & Martins na rua Uruguayana para obter grandes sacos de rolhas, que foram atirados à rua fazendo com que os cavalos escorregassem.

O movimento se estendeu a vários locais da cidade. Nas ruas Senador Pompeu, Conceição, Alfândega, Primeiro de Março, Sete de Setembro, Arcos e outras foram também arrancados os trilhos e virados diversos bondes. A única companhia que não sofreu danos foi a Botanical Garden, pois ela mesma se propusera a pagar o imposto.

Segundo o jornal A Província de São Paulo, de 4/01/1880, 'esse movimento durou até aproximadamente à meia-noite, hora em que o público foi-se retirando bem como as tropas'. Os hospitais civis e militares estavam lotados, e só no 1o. Distrito havia cerca de setenta detidos. Encerrava-se assim a 'Revolta do Vintém'.

A 6 de janeiro, em correspondência à condessa do Barral, escreveu D. Pedro II: 'eu só não admito populaça em ar de ameaça, como sucedeu no domingo atrasado'. Mas, temendo novos distúrbios, o imperador foi obrigado a revogar o decreto que estabelecia o 'Imposto do Vintém'.

A vitória popular precipitou a queda do gabinete Sinimbu, substituído, em 28 de março, pelo Ministério do Conselheiro José Antonio Saraiva. Deu oportunidade também para que os republicanos ampliassem a propaganda contra a monarquia e em favor da instituição do novo regime, que seria proclamado nove anos depois da 'Revolta do Vintém', pequena moeda de cobre que, hoje, como muito bem lembrou Luís Martins em saborosa crônica, é 'apenas preciosa raridade numismática'."

Fonte: O ESTADO DE SÃO PAULO (São Paulo/SP), Suplemento Cultural, 27 de Abril de 1980, pág. 13-14.

sábado, 27 de fevereiro de 2021

População escrava do Paraná em 1883



"População escrava do Paraná. - Segundo estatistica recentemente organisada ha sido este o movimento da população escrava na provincia do Paraná, a contar de 30 de Setembro de 1873 até 30 de Junho do anno proximo passado:

Escravos matriculados até 30 de Setembro de 1873.......... 10,713
Entrados.......... 1,390
Sahidos.......... 1,602

Maior numero de sahidos.......... 212

População escrava matriculada.......... 10,501

Diminuio esta população:
Por obitos.......... 1,175
Por manumissões concedidas pelo fundo de emancipação.......... 148
Por manumissões a titulo oneroso particular.......... 343
Por manumissões a titulo gratuito particular.......... 1,276

Total.......... 2,942

População escrava a 30 de Junho de 1883.......... 7,559

A descendencia livre desta população é actualmente de 2,881 almas. Apenas 5 tem sido entregues ao Estado."

Fonte: JORNAL DO COMMERCIO (Rio de Janeiro/RJ), 03 de Janeiro de 1884, pág. 01, col. 05
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