sábado, 3 de agosto de 2019

Sobrenome Doménech


"Segundo a explicação dos heraldistas e genealogistas García Carrafa, Doménech é um sobrenome de origem catalã, com casas solares nas cidades de Vic (Barcelona) e Gerona.

Um dos primeiros portadores deste sobrenome do qual se tem notícias, foi Juan Doménech, que migrou da França para servir o rei Jaime I de Aragão. Participou ativamente da conquista do castelo de Puig, nas cercanias da cidade de Valência, na fronteira entre as terras cristãs e as terras muçulmanas. Mais tarde, Juan Doménech ainda contribuiu na conquista final da cidade de Valência.

O Padre Doménech, natural de Valência, foi uma figura de destaque desta linhagem na cidade, pertenceu a Companhia de Jesus. Outro importante religioso foi Francisco Doménech, natural de Alcira, que pertenceu a Ordem de São Jerônimo.

Isidro Doménech, também natural de Valência, obteve privilégio militar do rei Felipe Iv, em 1653, e iniciou uma nova casa fidalga, com brasão de armas próprio.

Nas terras aragonesas se documenta uma casa com este sobrenome, escrito ora como Domenech ora como Domenec, radicada na povoação de Fraga cujos membros se estenderam por várias outras localidades de Aragão.

Natural de Fraga, Francisco Domenech obteve o titulo de Infanção em 1806.

Etimologicamente, Doménech é uma variante catalã do nome latino Dominicus. Entretanto, não se desconsideram as linhagens do lado oriental dos Pirineus, isto é, na França. Por isso, há linhagens do sobrenome com origem no sul e sudoeste francês."

Fonte: Real Sociedade Aragonesa de Genealogia.

Sobrenome Estefanía


"Segundo os genealogistas García Carraffa, os Estefanía tiveram seu primitivo solar na vila de Sorzano, pertencente ao distrito judicial de Logroño, na província de La Rioja. Um dos ramais deste núcleo original passou à província castelhana de Valladolid pelo casamento do cavaleiro Diego de Estefanía, natural de Sorzano, com Dona Teresa de Sorriva, natural de Valladolid.

Os mesmos autores apontam que os Estefanía do solar de Sorzano passarão posteriormente a Viscaya, estabelecendo principalmente em Bilbao e Guernica, e que, mais tarde, foram possuidores do Marquesado de Lanas.

Outros Estefanía, originários de Logroño, migraram para Brea, em Aragão.

Etimologicamente, Estefanía é um patronímico dos nomes Estéfan ou Esteban (correspondem a Estéfano ou Estevão, em português). A forma com 'f' é mais provavelmente originária e percebida nas regiões orientais da Península Ibérica."

Fonte: Real Sociedade Aragonesa de Genealogia.

Sobrenome Cuesta


"Antigo sobrenome castelhano de distinto solares nas províncias de León e Santander. Posteriormente se estendeu pelas duas Castelas, Aragão, Múrcia e Andaluzia.

O primitivo solar dos Cuesta de León radicou-se na antiga irmandade de Argüellos, do distrito judicial de La Vecilla, e desse solar se emanou a ramal que vai estabelecer a casa de mesmo sobrenome na vila de La Pola de Gordón, no mesmo distrito. Algumas linhagens do solar de La Pola de Gordón passaram mais tarde a Castela, e outra passou a Aragão. Em terras aragonesas, os Cuesta são documentados desde o século XVI.

Em Santander existiram solares da família Cuesta, na vila de San Vicente de la Barquera; na localidade de Tudanca, no distrito judicial de Cabuérniga; na localidade de Barros, no Valle de Buelna e distrito judicial de Torrelavega; e em Liérganes, no distrito de Santoña.

A origem do sobrenome Cuesta remete à ideia de 'encosta', 'inclinação', 'escarpa' - topônimo comum na Espanha da Idade Média."

Fonte: Real Sociedade Aragonesa de Genealogia.

Sobrenome Funes


"Segundo os genealogistas García Carraffa, esta antiga linhagem procede da Casa dos Duques da Bretanha, na França, quando um dos príncipes daquele família aristocrática veio a unir-se à Corte de Navarra durante o período da Reconquista. Como era de sangue aristocrático, o rei navarro uniu o príncipe a uma senhora nobre, que era proprietária das casas de Funes, Talaes, Peralta e outras. Entretanto, isso prova que a linhagem de Funes é mais antiga que a chegada do príncipe bretão, talvez tendo tomado relevância a partir do supracitado matrimônio.

Os Funes são de origem navarra, portanto. Inicialmente, foram senhores da vila e do castelo do mesmo nome, que foi adquirido dos mouros ainda no século X. No ano de 1015 figura como senhor de Funes, Fortún López de Funes, e em 1091, Aznar Fortún Aznar. Ainda em 1091, figura como rico-homem na corte de Sancho Ramírez IV de Navarra, Aznar Garcés de Funes.

Em Aragão, a linhagem de Funes aparece durante o reinado de Jaime I, sendo que, Bernardo de Funes, natural de Huesca, se distinguiu nas campanhas de conquista de Mallorca e Menorca.

Já em 1278, serve ao rei Pedro III de Aragão, Rui González de Funes, que recebeu por serviços prestados o castelo de Ariza. Em 1285, esteve na batalha de Tarazona. Também tomou parte na guerra de Mallorca contra os muçulmanos e serviu igualmente o rei aragonês Jaime II quando este esteve em conflito com o Reino de Castela, em 1299.

José Antonio Funes de Villalpando Ariño y Climente, nascido em 1623, foi terceiro marquês de Ossera, senhor das baronias de Quinto y Figueruelas, Estopiñán, Vilafranca de Ebro, Cabañas e Almer, além de ter sido membro do Conselho Supremo de Aragão, General de Artilharia em Flandres, Governador de Gante, Castelão de Brujas e Amberes e Vice-rei de Cerdeña e Guipúzcoa.

Segundo Mogrobejo, funes significa 'pastiçal', 'prado', 'pastagem'."

Fonte: Real Sociedade Aragonesa de Genealogia.

sexta-feira, 2 de agosto de 2019

Festividade no Cassino, Rio Grande, em 1910


"No Casino

Com o brilhantismo que tem sido o cunho de todas as festas até agora organizadas pelo Club Casinense, teve logar ante hontem no Cassino a esplendida festa sportiva que tão agradavel impressão deixou no espirito de quantos a ella assistiram.

Entre as casas de banhos e o pavilhão da praia foram collocados bancos para as familias e o logar onde tiveram logar os jogos foi enfeitado com bandeiras, flammejando no alto a bandeira do Sport Club.

A excellente banda Gioacchino Rossini abrilhantava o acto.

Ás 3 horas tiveram começo os diversos jogos ante uma assistencia de mais de 400 pessoas, sendo muito crescido o numero de familias que do Rio Grande e de Pelotas vieram especialmente para essa festa.

Os jogos correram sob a direcção da digna commissão sporrtiva, que tem como presidente o Sr. Arthur Cecil Lawson.

Achava-se presente a Directoria de Honra, cujos membros serviram de juizes.

Foram os jogos:

1o. - Corridas de 100 metros, a pé, para moços. - 1o. premio, Edgar Pereira, 2o. dito Duca Werneck.

2o. - Pulos de altura - 1o. premio, Cedrig Wigg (1m, 475mil).

3o. - Corridas de 100 metros, a pé, para meninos - 1o. premio, Didu Dias, 2o. dito, Luiz Muller.

4o. - Pulos em distancia - 1o. premio, Duca Werneck (4m, 97 cm), 2o. dito, Edgar Pereira, (4m, 90 cent).

5o. - <<Foot-Ball>>. - Côres 1 <goal>, contra brancos 0.

O Sr. Martim Guilayn foi quem marcou o unico <goal>.

6o. - Corridas em saccos para meninos. - 1o. premio Pio Monteiro da Silva.

*****

O <<match>> de <<foot-ball>> foi interessantissimo, tendo todos os logares se apresentado vestidos com saias, o que produzio franca hilaridade, não só pelo lado comico das exoticas figuras, mas tambem pelos diversos tombos que tiveram logar.

A bella festa terminou ás 6 horas, dirigindo-se a enorme concorrencia em marcha de <<polonaise>> para o salão, onde foi entregue ao Sr. commendador João E. Vianna o estandarte do Club Casinense.

Era porta estandarte a distincta <<señorita>> Santinha Nunes Vieira.

*****

Á noite houve animado baile, tocando o <<quarteto>> do Sr. Adelino Britto. Marcaram a <<polonaise>> o Sr. Dr. Pio Angelo da Silva e sua Exma. esposa.

O baile foi interrompido, para fazer-se a entrega dos premios ganhos nos jogos da tarde.

A entrega dos premios foi feita pela Exma. Sra. D. Carmen Trapaga Simões, acompanhada pelos Srs. commendador João E. Vianna, Dr. Francisco Simões Lopes, Arthur Cecil Lawson, Duca Werneck e Martim Guilayn."

Fonte: A OPINIÃO PÚBLICA (RS), 15 de Março de 1910, pág. 02, col. 03

quinta-feira, 1 de agosto de 2019

A caverna de Mundo Novo


"S. PEDRO DO RIO-GRANDE

Refere-se o Rio-Grandense de 9 do corrente:

<< Na margem esquerda do Rio da Ilha, quasi defronte do Mundo-Novo, existe nas immediações da fazenda do Dr. Brito uma grande e curiosa caverna, encravada n'um immenso paredão de rochedos.

<< Esta caverna, de difficil accesso, continha, quando foi descoberta, uma grande quantidade de esqueletos de homens, mulheres e crianças nas mais variadas posições, cujos ossos ainda hoje ahi existem.

<< É fôra de duvida que a caverna servia outr'ora de lugar de sepultura aos bugres que ha trinta annos ainda povoavam aquellas regiões.

<< Descoberta a caverna, entrou em scena a superstição. Os ossos ahi existentes a desafiaram e os camponezes da visinhança começaram a frequentar a caverna com religioso respeito.

<< Hoje existem nella um altar de pedra, diversas imagens de santos, e os ossos têem sido verdadeiramente adorados. A caverna é tida e havida por milagrosa, nella se rezam terços e o povo da visinhança já sabe contar milagres operados pelos milagrosos ossos... de bugres.

<< Porque cumpre-nos accrescentar que visitantes menos supersticiosos tiraram ha pouco tempo parte dos ossos e subjeitaram-nos aqui a um exame que poz em evidencia a sua procedencia."

Fonte: ILLUSTRAÇÃO BRASILEIRA (Rio de Janeiro/RJ), número 08, 15 de Outubro de 1876, pág. 122

quarta-feira, 31 de julho de 2019

As charqueadas de Pelotas em 1883


"Industria Agricola

(...)

RELATORIO PELOS DRS. COUTY E ENGENHEIROS LUIZ GODOFREDO DE ESCRAGNOLE TAUNAY E AUGUSTO CARLOS DA SILVA TELLES

Em sua viagem ao sul do Brazil e ás republicas vizinhas, um de nós estudára a questão da producção da carne e de sua preparação. Tendo visto por si aquillo de que fallava, não se tendo fiado em estatisticas nem em informações de interessados, julgava assistir-lhe o direito de ser acreditado ou ao menos comprehendido. Assim não succedeu, e esta parte da missão de que nos incumbimos foi, desde logo, na imprensa e até em assembléas provinciaes, alvo de attaques bastante fortes por não ser, dizia-se, util nem legitima. Uns e outros temos por habito só proceder após reflexão e, portanto, ligamos pouca attenção ás observações e censuras; no caso vertente, porém, a consideração que nos merecem as pessoas de que partirão nos leva a responder-lhes.

A seu vêr o Brazil está atrazadissimo em relação á criação do gado; tem os mercados invadidos pelas producções vizinhas e se acha na contingencia de comprar quantidades consideraveis de carne secca, pois não póde satisfazer as necessidades do proprio consumo.

Acreditamos haver nisso erro ou exagero de vulto. Talvez se tenha sido illudido - cousa bastante frequente, por estatisticas incompletas, mal feitas que só servem para obscurecer a verdade dos factos. É possivel que em certo anno o resto do Brazil só recebesse do Rio-Grande 1.833.000 kilos de xarque, ao passo que importava dos estados vizinhos 28.000.000; até nos parece inutil recorrer a outas estatisticas para indagar se a proporção não é excepcional. A questão primordial não é, de feito, saber onde vai o Brazil comprar o que consome, mas saber o que produz.

As xarqueadas de Pelotas visitadas pelo Dr. Couty apresentão uma producção regular de 350.000 a 400.000 cabeças á qual se deve juntar a de pequenas xarqueadas espalhadas pela provincia, sobretudo ao norte, perfazendo um total de 450.000 cabeças. A producção dos estados oriental e argentino é muito mais variavel por causas que já fôrão explicadas; tomando, porém, a média de muitos annos vê-se que cada uma de per si não excede á do Rio-Grande, e em certas épocas, depois de seccas por exemplo, tem-lhe sido até muito inferior.

O Brazil, ou antes a unica provincia que luta nesse terreno, a actividade industriosa do Rio-Grande, não se acha, pois, áquem dos estados vizinhos; diversos factos patenteão até que lhes leva vantagem, pelo menos sob o ponto de vista da criação.

EIs um que parece probante. Todo o norte da republica oriental e uma grande parte do centro e do oeste, isto é, as regiões de Jaguarão, Serro-Largo, Durasno, Salto, mesmo de Paysandú são occupados por estancieiros brazileiros. Calcula-se em cêrca de um terço dos pastos cisplatinos, a superficie possuida por brazileiros, e esta annexação pacifica, a unica real, a unica util, fez se rapidamente e se estende de dia em dia. Tanto mais justo seria incluir na producção do Brazil todas estas criações, quanto continuão os seus possuidores a ser verdadeiros e bons rio-grandenses, habitão Uruguayana, Alegrete, Bagé, Pelotas e trazem a seu paiz as vantagens colhidas no commercio e industria que exercem. Á producção das xarqueadas de Pelotas se deveria juntar tambem a de uma parte dos saladeiros de Paysandú, Barra-Blanca, Salto, etc. Assim se verificaria que os estancieiros brazileiros crião mais gado do que os orientaes e argentinos.

Em todo o caso, já o facto de vê-los emigrar e espalhar gradualmente pelas regiões vizinhas prova que a sua criação luta com vantagem contra a das zonas proximas.

Não queremos parecer optimistas nem pessimistas mas, justamente pela ausencia do espirito partidario, achamos censuravel a mania, hoje commum no Brazil, de se encontrar por toda a parte producções melhores e modêlos a copiar. Sem duvida alguma tem o paiz progressos não pequenos a realisar na criação do gado como, aliás, em outros pontos; para isso não carece, porém, de imitar vizinhos que não lhe são superiores...

Causas faceis de analysar determinárão a falsa apreciação que atacamos.

Se a producção de carne no sul do Brazil é igual e até superior á dos vizinhos, o seu preparo é, pelo contrario, differente. E, força é confessar, os xarqueadores de Pelotas, com a mão de obra escrava, progredirão menos do que os saladeiristas das republicas oriental e argentina - inglezes, francezes, italianos ou bascos - que souberão aproveitar-se de todas as condições favoraveis. A carne do Rio da Prata é menos secca, menos salgada, menos irregular de aspecto e gosto, mais agradavel á vista do que a do Rio-Grande; se é menos conservavel é, em compensação, mais saborosa. Assim acontece que, de alguns annos a esta parte, e apezar de direitos bastante pesados, os productores do Rio da Prata vêm a sua carne mais e mais procurada nos mercados brazileiros, ao passo que a de Pelotas tende a limitar-se ás regiões do norte, Jamaica e sobretudo Cuba. Dahi poder-se-hia inferir progresso do Brazil quanto á alimentação; outras razões, porém, dão logar a esta anomalia curiosa.

Os saladeiros do Rio da Prata produzem, pela maior parte, carne pouco secca que por perder menos peso traz mais lucro; é necessario, porém, vende-la depressa e não muito longe, pois é pouco conservavel. Por isso os consumidores de Cuba comprão de preferencia a carne de Pelotas e os grandes interpositarios do Rio e da Bahia mandão para o norte os productos brazileiros, mais seccos. A razão de conservabilidade não é unica; segundo nos foi dito entra tambem em consideração o frete de retorno, especial para navios impregnados de cheiro e, ao que parece, mais facil, do Brazil ao Rio da Prata ou das Antilhas ao Brazil do que das Antilhas ao Rio da Prata.

Para ter, pois, servindo-se de estatisticas, idéa da producção do Brazil, é necessario não recorrer só as estatisticas brazileiras, cotejar tambem as das Antilhas e até as das compras dos saladeiros orientaes: é necessario juntar á carne brazileira vendida no paiz, a vendida nas Antilhas e ainda a preparada pelos saladeiros orientaes e vendida sob designação falsa."

Fonte: REVISTA AGRICOLA DO IMPERIAL INSTITUTO FLUMINENSE DE AGRICULTURA (Rio de Janeiro/RJ), edição 001, março de 1883, pág. 145-147


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