segunda-feira, 28 de maio de 2018

Conde de Bobadela


"Nome por que ficou conhecido o administrador português Gomes Freire de Andrade (1685-1763), participante ativo da História do Brasil: governador do Rio de Janeiro em 1733 (com jurisdição sobre todo o Sul e Sudoeste do Brasil), mandou construir o Convento de Santa Teresa; o chafariz do Largo do Paço; os Arcos da Carioca (ainda hoje existentes); o Paço dos Governadores, além de hospitais e fortalezas; ordenou a abertura de ruas e estradas, incentivou as letras e permitiu a instalação da primeira tipografia no Rio de Janeiro (1747). Tinha quase 80 anos de idade quando morreu, desgostoso com a rendição da Colônia do Sacramento (no sul do Brasil) aos espanhóis."

Fonte: Dicionário Cívico-Histórico Brasileiro, 1980.

domingo, 27 de maio de 2018

Sociedade Italiana de Bagé em 1893


"Bagé. Noticias dadas pelo Quinze de Novembro de hontem:

(...)

- É este o resultado da eleição realisada ante-hontem na Sociedade Italiana:

Presidente, Pasquale Buero.

Vice-presidente, Rocco Cirone.

Thesoureiro, Nicola Cirone.

Mordomos: Eurico Fonyat, Giuseppe Manduca, Francesco Chicchi, Francesco Crededio, Giuseppe Grecco, Vincenzo Meranzano, Antonio Botti, Michele Rosso, Luigi Mazzini, Giuseppe Felijola e Luigi Aste."

Fonte: CORREIO MERCANTIL (RS), 13 de janeiro de 1893, p.02, c.03

sábado, 26 de maio de 2018

Imigração portuguesa em Pelotas


"Importante é observação sobre a naturalidade da população estrangeira: 'Os imigrantes portugueses em Pelotas, na sua grande maioria são provenientes do distrito de Aveiro e sua presença é vislumbrada também pela cultura, onde a 'cidade dos doces' possui como característica marcante destes, à base de ovos, influência presumível da doçaria de Aveiro, com seus famosos 'ovos moles'. Tal influência estende-se pelo nome dos estabelecimentos comerciais e nomes de ruas com motivos aveirenses.

Referem-se, a título elucidativo, nomes de ruas, estabelecimentos comerciais e edifícios que na cidade de Pelotas lembram Portugal:

* Panificadora e Lancheria Aveiro
* Agência de Bicicletas Águeda
* Edifício Vila Nova de Gáia
* Edifício Mondego
* Edifício Coimbra
* Bairro com o nome de 'Recanto de Portugal' onde está localizada a sede campestre do Centro Português e onde todas as ruas possuem nomes de concelhos de Portugal.

(...)

'Muitos são os relatos de imigrantes que justificam suas preferências pelo sul do Brasil e por Pelotas, não só devido a grande concentração de aveirenses, como pelos próprios aspectos geográficos dessa cidade traduzidos sobretudo em idêntica história geológica, dominada por um sistema lagunar onde se inscrevem a 'ria de Aveiro' bem como a Lagoa dos Patos e a Lagoa Mirim'.

(...)

'Sobre a situação e traços físicos tem-se que ambas estão localizadas em áreas planas e junto à encosta de zonas mais altas... Localizam-se junto a regiões lagunares... sofrendo, também influências climáticas (clima húmido), pela proximidade da água. Ambas as comunidades estão em uma faixa litoral apresentando formações arenosas e dunas costeiras, com clima subtropical e, portanto, com uma vegetação que se assemelha.'

Do ponto de vista histórico, 'cada comunidade possui aspectos tão próprios que não são comparáveis. Aveiro é milenar e Pelotas centenária... ambas tiveram sempre ideais de liberdade e foram pioneiras no republicanismo'.

(...)

Em Pelotas as duas associações representativas da comunidade portuguesa são a 'Sociedade Portuguesa de Beneficência' e o 'Centro Português 1o. de Dezembro'.

A primeira, fundada em 28 de junho de 1858, já com 350 sócios, sendo uma associação que surgia por desligamento daquela existente em Porto Alegre, ou seja, a uma distância de 250 km de Pelotas e que consequentemente ocasionava dificuldades.

Hoje a Beneficência é uma casa de saúde que funciona como qualquer outro hospital mas sempre ligado à comunidade portuguesa de onde são escolhidos seus dirigentes e dada como preferência, pela mesma comunidade, quando da necessidade de hospitalização. 'Possui 254 sócios ativos (sócios com título e pagamentos mensais), 1708 sócios remidos (sócios com título de pagamento integral), banco de sangue e plano de Saúde Maior. Este último é oferecido e garantido pela própria Beneficência com um total de 11500 pessoas, destes são 1 por centro de portugueses natos e 60 por cento são de descendentes'.

A segunda associação, recreativa e cultural - 'Centro Português 1o. de Dezembro' - é onde se observa com mais objectividade o interesse pelo resgate e preservação das origens lusitanas.

Fundado em 26 de Janeiro de 1926 como resultado da fusão de dois grupos: o 'Congresso Português 1o. de Dezembro' e do 'Grêmio Republicano Português', ambos com ideias divergentes mas que suplantadas as divergências políticas, acabam por unir esforços e fundar o 'Centro Português 1o. de Dezembro'."

Fonte: ARROTEIA, Jorge Carvalho & FISS, Regina Lucia Reis de Sá Britto. Traços da comunidade portuguesa em Pelotas. Artigo de 2006, p. 180-181, 184.

sexta-feira, 25 de maio de 2018

Padre Cícero Romão Batista


"Eclesiástico e líder político brasileiro, cujo nome completo era Cícero Romão Batista (1844-1934). Nascido no Crato (CE). Ordenado sacerdote em 1870, radicou-se no pequenino arraial de Juazeiro do Norte, onde fundou uma igreja. Desde logo adquirindo fama de santo milagroso, conseguiu formar em torno da sua igreja um núcleo de população que aumentou dia a dia até se transformar em verdadeira cidade: em 1914 Juazeiro tinha já cerca de 30.000 habitantes. Político influentíssimo, depôs o governador do Ceará, elegendo-se depois vice-presidente do Estado e deputado federal. Sempre em desavença com os poderes constituídos, à frente de milhares de romeiros sustentou prolongada luta armada contra os contingentes da polícia cearense, determinando inclusive a intervenção do governo federal (o presidente da República era então o Marechal Hermes da Fonseca). Suspenso das ordens eclesiásticas, ameaçado de excomunhão, nem por isso deixou de celebrar missa na sua igreja. Em seguida foi a Roma e conseguiu uma reconciliação parcial com a Igreja. Sua vida tem sido constantemente celebrada pelos poetas sertanejos na célebre literatura de cordel do folclore nordestino."

Fonte: Dicionário Cívico-Histórico Brasileiro, 1980.

quinta-feira, 24 de maio de 2018

Morte de Lobo da Costa


"Lobo da Costa

A 19 do corrente foi encontrado morto em um vallo existente nas proximidades de Santa Cruz, em Pelotas, o desventurado poeta Lobo da Costa.

A morte devia ter sido occasionada pro congellação, resultante do intenso frio que reinou na noite de 18.

O cadaver foi encontrado completamente encharcado, devido á torrencial chuva que cahio na mesma noite. 

Lobo da Costa foi um talento de inestimavel valor e ninguem melhor do que elle poderia occupar o primeiro lugar na poesia rio-grandense dos ultimos tempos, se uma infelicidade atroz não o houvesse quasi impossibilitado para os prélios da litteratura.

Deixa varios livros de versos e dramas e muitas producções esparsas pelo jornalismo da provincia.

O enterro do infeliz poeta foi extraordinariamente concorrido.

A imprensa pelotense prestou ao finado as honras que lhe eram devidas."

Fonte:  A FEDERAÇÃO, 22 de Junho de 1888, p.02. c.04

quarta-feira, 23 de maio de 2018

A História da primeira edição da Fenadoce em 1986


"A festa surgiu com o objetivo de divulgar os produtos na área de doces, enlatados e confeitarias da cidade tendo o propósito de estimular a comercialização destes produtos. O sonho era que a festa do doce fosse como a festa da uva, mas isso não aconteceu devido à falta de promoção publicitária.

A Fenadoce teve sua abertura no dia 14 de janeiro de 1986 ao som do Hino Nacional tocado pela Banda da Brigada e com a presença do prefeito da cidade Bernardo de Souza.

À noite o show pirotécnico que durou 20 minutos, encantou a todos que prestigiaram a festa. O sistema de som de 50 mil watts era equivalente à metade do som do Rock in Rio, prometendo incentivar a festa.

Com um lancheria montada em estilo circense numa área de 1.500 m2, haviam dentro do pavilhão cerca de 55 estandes e 20 ao ar livre. Assim começou a trajetória da Fenadoce que buscava mostrar a doçaria, indústria, comércio, artesanato e os serviços de Pelotas.

Pelotas contava com a cooperativa das doceiras que inicialmente tinham 100 doceiras associadas, mas que se reduziu à metade, pois estavam desviando a verba. Pelotas distribuía seus doces para vários estados como Santa Catarina, São Paulo, Porto Alegre, Curitiba. A preferência na época eram pelos doces cristalizados.

A presidente da cooperativa, Amadelina Marini nos colocou a importância da realização desta festa, dizendo: 'Com a Fenadoce o doce de Pelotas voltará a se impor no mercado e o mais importante vai ser a imagem da festa, onde haverá uma constante procura o ano todo'.

O sucesso da Fenadoce possibilitou que a rádio Cosmos transmitisse um programa espacial sobre a 1a. Fenadoce, integrando uma série: 'Coisas da Província', apresentando um painel sobre Pelotas, suas riquezas, potencialidades e sua gente. O especial foi gerado pela rádio do Mec no Rio de Janeiro.

Dia 19 de janeiro de 1986, último dia da festa, na coluna Marina Especial, do jornal Diário Popular foi mencionada a importância da festa, já que os turistas hospedados no Hotel Manta adoraram o atendimento e prometeram voltar em outras festas.

Um dos maiores estandes que merece ser mencionado foi da Agapê, que superou as expectativas e também ofereceu degustação de alguns produtos.

O desejo era que a cidade se tornasse um seu pólo turismo, gerando dinheiro, riqueza e trabalho.

Entre os comentários da festa, o presidente do diretório municipal do PDS, Adolfo Fetter, criticou a feira dizendo que não tinha infraestrutura e que deveria ter sido realizada na Associação Rural e ainda reclamou que a cidade está mal cuidada e suja.

Carlos Alberto comentou 'Um velho sonho meu vejo em realidade. O turismo de Pelotas sendo conduzido pelos doces'.

Maria do Carmo Haertel Sobral falou sobre as confeitarias de Pelotas, recordando a Confeitaria Nogueira, Confeitaria Gaspar, Confeitaria Brasil, Confeitaria Abelha, homenageando-as por terem aberto o caminho para Pelotas se tornar a capital do doce.

A Prefeitura e a Fundapel, os setores de comércio, indústria e turismo que há muito desejavam que a cidade tivesse a sua festa ficaram realizados com a sua merecida promoção.

O prefeito Bernardo de Souza falou sobre a festa: 'Há a crença e o entusiasmo de muitos. Há também a certeza de que nada nasce perfeito, mas de que é preciso ousar e começar. A grande festa que Pelotas quis!'

A Fundapel avaliou que o sucesso da 1a. Fenadoce estava garantido, pois até o sábado mais de 60 mil pessoas já haviam visitado a festa, sendo que na sexta-feira o mau tempo havia prejudicado o movimento. Mesmo assim a Fundapel comunicou uma reunião para avaliar os possíveis erros.

A 1a. Fenadoce foi sinônimo de grande alegria e satisfação para os pelotenses, abrindo portas, dando esperanças de crescimento e desenvolvimento para o município."

Fonte: TRIARCA, Taíza Corrêa Schmidt. Fenadoce: cultivando e divulgando o patrimônio de Pelotas. Trabalho Acadêmico apresentado ao Curso de Pós-Graduação em Artes, IAD/UFPel, 2008, p. 44-46.

terça-feira, 22 de maio de 2018

Os primórdios da imigração europeia não-portuguesa para o Brasil (1818-1850)


"A imigração, no conceito estrito da palavra, ou seja, o ingresso de estrangeiros em 'um país para nele encontrar trabalho e com a intenção presumida de aí estabelecer-se' só começou de fato no Brasil a partir de 1808, com o Decreto de 25 de novembro, permitindo a concessão de sesmarias aos estrangeiros residentes no Brasil.

(...)

A Carta Régia de 02 de maio de 1818, autorizando o estabelecimento de algumas famílias suíças no Brasil, assinale o início da imigração planejada, escolhida e subsidiada pelo Estado. Segue-se a este documento, uma série de outros regulamentando o estabelecimento de imigrantes europeus em território brasileiro. Entre eles, o Decreto de 06 de maio de 1818 mandando comprar a fazenda do Morro Queimado, em Cantagalo, no Rio de Janeiro, para o assentamento de uma colônia de suíços. Desta colônia se originou a vila de Nova Friburgo, criada oficialmente pelo Alvará de 03 de janeiro de 1820, com o objetivo de 'povoar e fazer produzir terras despovoadas e fornecer alimentos para a cidade do Rio de Janeiro que estava crescendo e que constantemente era castigada por crises de abastecimento'.

Outro documento importante deste período é o Decreto de 16 de maio de 1818, através do qual o governo aprova a concessão de uma série de favores à famílias de imigrantes europeus que viessem se estabelecer no Brasil. Tais como: transporte gratuito, doação de lote rural, instrumentos de trabalho, sementes, ajuda em dinheiro para os primeiros anos, assistência médica, religiosa e outras vantagens.

As medidas adotadas por D. João VI refletem o interesse da Coroa portuguesa em incentivar a imigração europeia para o Brasil. Através da vinda de imigrantes europeus e da criação de núcleos coloniais de pequenos proprietários, o governo pretendia ocupar, fazer produzir e valorizar terras despovoadas; instaurar uma agricultura camponesa policultura que abastecesse as cidades e os latifúndios escravistas mais próximos; além de criar uma classe social intermediária entre os latifundiários e escravos.

(...)

No período de 1822 a 1830, D. Pedro I deu prosseguimento à política de criação de núcleos coloniais praticada por seu pai, D. João VI. Pela Constituição de 1824, o imperador reservou para si a questão da colonização, interessando-se, 'pessoalmente, pelo povoamento e pela exploração de novas regiões do Brasil por brancos não-portugueses'. Foi responsável pela implantação de um projeto colonizatório destinado à ocupação e à defesa de parte do território nacional, em oposição aos interesses imediatistas dos grandes proprietários, preocupados em garantir para si os escassos recursos do Estado.

Neste período foram estabelecidas, sob a tutela do imperador, sete colônias oficiais e uma particular. Entre elas, destaca-se a colônia imperial de São Leopoldo, 'marco inicial do processo colonizatório com imigrantes não-lusos no Rio Grande do Sul'. Criada através da Decisão n. 80 de 31 de março de 1824, em terras pertencentes a Coroa, na antiga Real Feitoria do Linho Cânhamo, nas proximidades de Porto Alegre. Por iniciativa de D. Pedro I, o major José Antônio Schaeffer foi encarregado do recrutamento de imigrantes na Alemanha. E, para atraí-los mais facilmente, Schaeffer oferecia-lhes condições extremamente favoráveis: os colonos receberiam, gratuitamente, a passagem, 77 hectares de terra, sementes, animais e subsídios. A única condição imposta era a inalienabilidade das terras recebidas por um período de dez anos. O sucesso e a prosperidade da colônia garantiram a José Feliciano Fernandes Pinheiro, primeiro Presidente da Província do Rio Grande do Sul e responsável em âmbito local pela sua instalação, o título de Visconde de São Leopoldo. De 1824 a 1830, 5350 imigrantes alemães estabeleceram-se em território gaúcho.

(...)

De 1830 a 1840, o país atravessou um período de crise que culminou com a abdicação de D. Pedro I, em 7 de abril de 1831. O Ato Adicional de 12 de agosto de 1834 que, entre outras coisas, criou a Regência Una, constituiu uma tentativa de reformar a organização política e administrativa do Império, conferindo maior autonomia às províncias. Através dele, o governo central dividiu com as províncias 'a obra da colonização, sem, no entanto, oferecer-lhes poderes precisos. Todas as terras livres pertenciam ao Império e as províncias não tinham condições para promover a colonização: nem meios, nem experiência'.

Durante esta década, nenhuma colônia foi estabelecida no Brasil. (...)

De 1840 a 1850, 'foram organizadas vinte colônias, sendo que dessas, 33% eram imperiais e 67% particulares'. A presença de um número significativo de colônias particulares, pode ser relacionado à Lei n.514, de 28 de outubro de 1848, através da qual o Império concedia terras devolutas às províncias para a colonização (Art. 16). A falta de recursos dos governos provinciais fez com que eles se associassem à iniciativa privada, estimulando a criação e a atuação de companhias de colonização. (...)

Dois outros importantes fatores estimularam a participação da iniciativa privada na introdução de imigrantes europeus: a Lei n.581 de 04 de setembro de 1850, que extinguiu o tráfico negreiro para o Brasil e Lei n.601 de 18 de setembro do mesmo ano, conhecida como Lei de Terras, determinando que, a partir daquela data, as terras só poderiam ser adquiridas através da compra."

Fonte: IOTTI, Luiza Horn. Imigração e colonização. Artigo de 2003, p.02-06.





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