domingo, 13 de maio de 2018

A Abolição da Escravatura em Porto Alegre em 1888


"Manifestações abolicionistas

Ante-hontem mesmo soube-se aqui da passagem e sancção da lei libertadora.

Durante o dia o movimento era desusado; a notícia foi recebida com grande alegria e espalhada por toda a cidade.

Havia agglomeração de povo nas ruas, principalmente junto ás redacções dos jornaes.

A' noite todas as folhas iluminaram.

A imprensa organisou então uma passeata que, sahindo do Jornal do Commercio, começou por saudar o Mercantil, representando na pessoa do seu proprietario, o sr. João Cancio Gomes; este agradeceu em breves palavras a manifestação que lhe era feita.

Depois do Mercantil foi saudado o Jornal do Commercio, seguindo o prestito encorporado para o Conservador, Federação e Reforma, fallando novamente o sr. Aurelio de Bittencourt, dr. Domingos dos Santos, pelo Conservador, dr. Adriano Ribeiro de uma das janellas da Reforma, e um dos redactores d'esta folha, do nosso escriptorio, correspondendo ao comprimento.

Na Ladeira foi saudada a Folha da Tarde, respondendo ao comprimento o sr. João J. Cesar, proprietario d'aquella folha, em um enthusiastico discurso.

Em frente á casa do coronel Salgado, que se achava illuminada, parou o prestito, orando de uma das janellas o dr. Torres Homem.

No palacio da presidencia fallou em nome da imprensa o nosso collega Aurelio de Bittencourt, respondendo o dr. Villanova, que disse congratular-se com os seus compatriotas por ver que a reforma se fizera sem abalos, desejando que a riqueza e a tranquilidade annunciadas correspondessem aos bons desejos e ás esperanças de todos.

Seguindo, a multidão penetrou no palacio epicospal, sendo calorosamente saudado o sr. bispo diocesano, que, em palavras repassadas de commoção, expressou o seu contentamento por não haver mais brazileiros escravos.

O prestito, sahindo do bispado, percorreu ainda diversas ruas ao som de musicas, dissolvendo-se em seguida.

(...) [Nota nossa: retiramos essa parte por se tratar basicamente de felicitações e oratórias]

Durante toda a festa reinou a maior ordem.

Os edificios publicos e as redacções dos jornaes estavam illuminados, bem como algumas casas particulares.

A camara municipal convidou os habitantes a illuminarem, durante tres dias, a frente das suas casas e manda amanhã, ás 11 horas do dia, cantar um Te Deum solemne em acção de graças."

Fonte: A FEDERAÇÃO, 15 de maio de 1888, pág. 02, col. 04

Os edi

sábado, 12 de maio de 2018

Dona Amelia de Leuchtenberg - Imperatriz do Brasil

Excelente vídeo disponível no também fantástico canal Paulo Rezzutti no YouTube, o qual acompanhamos e recomendamos para os amantes de História do Brasil. Embora, o vídeo esteja no canal deste pesquisador, o tema abordado é narrado e explorado pela pesquisadora convidada Claudia Witte. De qualquer forma, o conteúdo do canal é muito interessante e o vídeo que trata sobre Dona Amelia de Leuchtenberg (segunda imperatriz brasileira) é muito instrutivo. Acompanhe!

sexta-feira, 11 de maio de 2018

Jerônimo de Albuquerque Maranhão


"Patriota Brasileiro (1548-1618). Nascido em Olinda (PE), notabilizou-se no combate aos franceses que sob o comando de Daniel de la Touche se estabeleceram no Maranhão em 1612. O então governador do Brasil, Gaspar de Sousa, encarregou Albuquerque de organizar uma jornada contra os invasores. Em agosto de 1613 ele partiu de Pernambuco e fundou na Baía das Tartarugas o Forte Nossa Senhora do Rosário, de onde iniciou o ataque. Malogrando essa primeira investida, organizou uma segunda, erguendo o Forte de Santa Maria, perto de São Luís. Os franceses foram derrotados, mas permaneceram no Maranhão, sendo expulsos mais tarde, quando Gaspar de Sousa mandou reforços a Albuquerque, sob o comando de Alexandre de Moura. Depois da retirada dos franceses, Jerônimo de Albuquerque foi nomeado governador da capitania e acrescentou ao seu nome o cognome Maranhão."

Fonte: Dicionário Cívico-Histórico Brasileiro, 1980.



quinta-feira, 10 de maio de 2018

Duarte Coelho


"Militar português que teve atuação marcante na História do Brasil. Em 1498 viajou na armada de Vasco da Gama, e, em 1500, na de Pedro Álvares Cabral. Designado donatário da Capitania de Pernambuco, chegou ao Brasil em 1535. Fundou Olinda e iniciou com êxito a cultura de cana-de-açúcar: entrou em contato com mercadores de Lisboa para a efetivação das primeiras plantações e a construção de engenhos. Teve dois filhos em 1537, e que o substituiu na direção da Capitania, e Jorge Duarte de Albuquerque Coelho, também ali nascido, em 1539, e que se destacou na luta contra os índios. Seu cunhado, Jerônimo de Albuquerque, o Torto, foi pai de vinte e quatro filhos e durante meio século foi a grande figura da Capitania de Pernambuco, a mais importante do século XVI. O historiador Malheiro Dias chama Duarte Coelho de 'construtor da nação' e legítimo 'fundador da dinastias'. Morreu em Lisboa, em 1554."

Fonte: Dicionário Cívico-Histórico Brasileiro, 1980.

quarta-feira, 9 de maio de 2018

Jantar Beneficente do Instituto Histórico e Geográfico do Capão do Leão


Divulgação. Participe!

Escandinavos no Brasil


"Quase ninguém sabe que a vinda de escandinavos para nosso país remonta aos tempos da chegada da corte portuguesa ao Rio de Janeiro. Sua história é parcamente documentada e, segundo os pesquisadores e biógrafos que se dedicaram ao assunto, a imprecisão relativa às nacionalidades dificulta a identificação dos fluxos migratórios entre os povos considerados germânicos de uma maneira geral. Mesmo sendo poucos, alguns escandinavos que desembarcaram em terras brasileiras entre 1808 e as primeiras décadas do século XX desempenharam papel de relevo na ciência, na arte e na indústria nacionais, e até lutaram pela pátria.

Com D. João VI, a família real, os fidalgos e os altos funcionários do Reino de Portugal também vieram para o Rio de Janeiro representantes diplomáticos de cortes europeias amigas. Um deles foi o barão Johan Albert Kantzow, primeiro representante sueco em terra brasileira. Pode-se apenas imaginar o quão pitoresco deve ter parecido para este escandinavo o traslado e o estabelecimento de toda a administração de um reino europeu nos trópicos.

Após a independência do Brasil, com o advento das revoltas separatistas e da Guerra Cisplatina, o capitão de mar e guerra dinamarquês Johan Carl Peter Prytz ofereceu seus serviços à Marinha Imperial brasileira. Prytz era um veterano das guerras napoleônicas, havendo comandado uma flotilha de canhoneiras na defesa de Copenhague contra os ingleses, em 1811. Na década seguinte, como muitos oficiais europeus, seguiu o exemplo de lorde Cochrane (o Lobo dos Mares) e se destacou na defesa do território do Brasil independente nas campanhas navais do rio da Prata, contra a Argentina, de 1826 a 1828.

Promovido a almirante, João Carlos Pedro Prytz (ele abrasileirou seu nome) ainda recebeu a incumbência de levar a Lisboa Dona Maria da Glória (a filha de Pedro I que seria, ao final, impedida de assumir o trono de Portugal) e de escoltar, no caminho de volta para o Brasil, a noiva do imperador (em segundas núpcias), a princesa da Baviera Amélie de Beauharnais. Em seguida à abdicação do trono por D. Pedro I, o almirante Prytz retornou à Dinamarca, onde manteve vínculos estreitos com o Império do Brasil na função de cônsul-geral e encarregado de negócios entre 1835 e 1848.

(...)

Na mesma época, o também dinamarquês Peter Lund trouxe para o país outro tipo de habilidade, de natureza científica, e acabou sendo reconhecido como 'pai da paleontoloia brasileira'. Em 1825, aos 24 anos, formado em Medicina e imbuído de curiosidade científica pelas zonas tropicais ainda pouquíssimo exploradas, Lund passou alguns meses no Rio de Janeiro com o intuito de realizar estudos botânicos e zoológicos. Três anos depois, voltou para o Brasil com o firme propósito de expandir sua área de pesquisa, em andanças pelo interior de São Paulo e Minas Gerais. Ouviu falar da existência de grutas e dirigiu-se para a região de Lagoa Santa, ao norte de Belo Horizonte.

Ao entrar na gruta de Maquiné, deixou anotado: 'nunca meus olhos viram nada mais belo e magnífico nos domínios da natureza e da arte' (Maquiné e Lapinha se estendem, cada uma, por quase meio quilômetro de galerias, à profundidade de até 40 metros). Durante anos, Lund coordenou escavações, com seu auxiliar e ilustrador norueguês Peter Brandt; e encontrou uma quantidade enorme de fósseis de animais extintos como a preguiça-gigante (4 metros de comprimento e 4 toneladas de peso) e o tatu-gigante (3 metros de comprimento e 1,5 metro de altura). Na gruta do Sumidouro, o dinamarquês desenterrou crânios e ossos humanos de características específicas, distantes dos indígenas das Américas e datados de 11 mil a 8 mil anos. Esses vestígios ficaram conhecidos nos estudos de paleontologia como o Homem de Lagoa Santa.

Além do conjunto de grutas e cavernas estudadas pela primeira vez por Lund e Brandt, o estado de Minas Gerais abriga o município com o curioso nome de Catas Altas da Noruega. A 'cata' se refere, compreensivelmente, à procura e ao garimpo do ouro, pelos idos do século XVIII, quando o povoado pertencia à administração de Vila Rica de Ouro Preto. Mas é forçoso reconhecer que o complemento 'da Noruega' não terá sido uma alusão ao país nórdico, mas um conceito dele derivado (provavelmente pelos pescadores portugueses de bacalhau). Segundo o dicionário Houaiss, noruega significa 'terra úmida e sombria na encosta sul da montanha que recebe pouco sol'.

(...)

Poucos imigrantes escandinavos decidiram rumar ao sul e refazer sua vida no Brasil. A cidade de Joinville foi fundada por cerca de cem famílias alemãs, suíças e escandinavas, quando ali se instalou a Colônia Dona Francisca, em 1849. As listas de desembarque no litoral catarinense relacionam cerca de 400 suecos e noruegueses, mas alguns seguiram viagem para a Argentina. O Rio Grande do Sul recebeu cerca de 50 famílias de pioneiros suecos, que passaram aos descendentes brasileiros os sobrenomes Hellström, Sundström, Anderson, Danielson, Petterson, Olsen, Pettersen, Hansen, Nilsson. Os finlandeses, por sua vez, fundaram sua colônia em Penedo, perto do Parque Nacional de Itatiaia, na divisa do Rio de Janeiro com Minas Gerais. Chegam em período mais recente, por volta dos anos 1930-1940.

Quem diria que as Casas Pernambucanas, com este nome, tinham sua gênese a participação de um jovem empreendedor sueco que desembarcou no Recife em 1855? Herman Lundgren fundou uma fábrica de pólvora e uma manufatura têxtil, que seu filho Frederico Lundgren transformou, graças aos baixos custos do algodão nordestino, numa das mais importantes plantas industriais do Brasil, sob a denominação de Companhia de Tecidos Rio Tinto. A partir de 1908, os tecidos fabricados pela Rio Tinto passaram a ser distribuídos pelas Pernambucanas, uma rede comercial varejista que rapidamente se expandiu por todo o país. Um descendente da quarta geração de Lundgren ainda controla a empresa que, curiosamente, já não possui filiais em Pernambuco.

A Companhia Antarctica Paulista foi outro importante empreendimento de origem escandinava. Fundada em 1891, a fábrica de gelo e cerveja (com câmaras frias para armazenagem de alimentos perecíveis) tinha entre seus acionistas o dinamarquês naturalizado brasileiro Adam Ditrik von Bülow, proprietário de uma importadora de máquinas e equipamentos industriais. Em poucos anos, Bülow e seu parceiro alemão, naturalizado brasileiro, Antônio Zerrenner, assumiram o controle da companhia. A Antarctica, cuja cerveja adquiriu o rótulo com a imagem do pinguim em 1935, disputou durante décadas o gosto do consumidor brasileiro com a Brahma. Até a fusão das duas empresas no grupo AmBev (hoje InBev, terceiro fabricante de cerveja do mundo), a família Bülow detinha 38% das ações da companhia cervejeira.

Quando, em 1919, a Ford norte-americana decidiu tornar-se o primeiro fabricante de veículos a se estabelecer no Brasil (com capital inicial de 25 mil dólares da época), o gerente da primeira filial do Bom Retiro, em São Paulo, foi o dinamarquês Kristian Orberg. No primeiro ano de operações, foram vendidos 2.447 dos históricos automóveis Modelo T e caminhões TT. Dois anos depois, eram montados na fábrica da rua Solon 4.700 automóveis (40 por dia) por cerca de 120 operários. O dinamarquês Orberg permaneceu na gerência da Ford Brasil até 1953.

Na seara artística, o pintor norueguês Alfred Andersen, que chegou ao estado do Paraná na virada para o século XX, passou para a História como o iniciador da pintura paranaense e seu protagonista até o ano de 1935. O navio em que Andersen viajava fez escala no porto de Paranaguá por problemas mecânicos e ele decidiu não reembarcar. Durante mais de trinta anos, retratou as autoridades e a burguesia de Curitiba, bem como as paisagens do estado, com predileção para os panoramas de montanhas e pinheirais - quadros que guardam nítida relação com o cenário de sua Noruega natal, porém com mais luminosidade e com o colorido brasileiro."

Fonte: GUIMARÃES, Paulo. Os escandinavos. São Paulo: Contexto, 2016, p. 242-245.

terça-feira, 8 de maio de 2018

Manoel Lucas de Oliveira


Por Fernando Osório

"Abnegado e intrépido farrapo, foi Ministro da Guerra da República Rio-Grandense e o comandante da Brigada que se organizou em Pelotas e Piratini para a Guerra do Paraguai. 

Definia como virtudes características do verdadeiro republicano: valentia no conflito dos combates, amigo da ordem, respeitador dos direitos do cidadão e grande inimigo do arbítrio. Entre outros oficiais da República Rio-Grandense que deram depois ao Exército Brasileiro todos os serviços de que eram capazes, recusando, porém, sobranceiros, as honrarias com que o Império procurava conquistar-lhe o apoio, conta-se o Cel. Manoel Lucas de Oliveira, cuja espada mais de uma vez se desembainhou para combater os inimigos da pátria, nada aceitando do governo como recompensa a seus serviços.

Sentindo-se gravemente enfermo, veio de Piratini para o Rio Grande, onde se hospedou em casa do Comendador Domingos Faustino Correia. Não lhe valeram os recursos da Ciência, nem os desvelos de seu amigo, o Dr. Pio Angelo da Silva. O mal era de morte. Na hora da última agonia, pediu que o levantassem da cama e que lhe vestissem a gloriosa farda de farrapo. Sentado, procurava com os olhos e as mãos - olhos que já não distinguiam o que viam, mãos que já não sentiam o que tocavam - a espada, a fiel companheira com que batalhara dez anos pela liberdade de seu amado Rio Grande.

Para que o Ministro da Guerra da República Rio-Grandense, o comandante superior da Guarda Nacional de Piratini, o comandante do corpo de Voluntários Pelotenses, o chefe político cheio de prestígio, o oficial carregado de serviços tivesse um enterro decente, foi preciso que amigos se cotizassem para ocorrer às despesas. 'Soberba geração de outrora e que é o orgulho da minha terra!"

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