segunda-feira, 7 de maio de 2018

Carnaval no Capão do Leão em 1970


"CONCURSO RAINHA DO CARNAVAL DO CAPÃO DO LEÃO

Foi lançado sábado, com sucesso, o concurso Rainha do Carnaval do Capão do Leão. Diversas candidatas disputam a honra de reinar no tríduo carnavalesco do Capão do Leão. A cerimônia de lançamento teve lugar nos amplos salões da Associação dos Trabalhadores do 4o. Distrito. Usaram da palavra, na oportunidade, o sr. Enedino da Silva e o sr. João Soares Viegas, subprefeito da localidade.

Foram apresentadas as seguintes senhoritas que concorrerão ao título do Carnaval do 4o. Distrito: Marilene Wrague Pereira, Marilaine Nolasco da Luz, Maria Lúcia Lopes Teixeira, Lúcia Centeno, Dinamar Leivas de Moura, Marta Conceição Cunha, Gladis da Silva Alves e Ieda Lutz.

A jovem vencedora ganhará como prêmio uma viagem a Pôrto Alegre nos confortáveis ônibus da Emprêsa Bertoldi e bem assim uma estadia na Capital. Inclusive para acompanhamento e desenvolvimento de um programa previamente estabelecido. Diversos outros prêmios oferecidos por firmas e indústrias locais serão distribuídos, contribuindo assim para maior brilhantismo do concurso.

A apuração final dar-se-á no próximo dia 31 do corrente mês, num grandioso baile que terá a animação do grupo musical C-9 (um dos maiores conjuntos da Zona Sul) e ao mesmo tempo será oferecido ao público as novas dependências da Associação cujo salão tornar-se-á mais amplo e mais confortável."

Fonte: DIARIO DE NOTICIAS, 22 de Janeiro de 1970, 2o. caderno, pág. 02


domingo, 6 de maio de 2018

Canteiro Cultural do IHGCL - Colóquio de Maio

Divulgação.

Lord Cochrane


"Almirante inglês, cujo nome completo era Thomas Alexander Cochrane, 10o. Conde de Dundonald (1775-1860). Contratado pelo Imperador D. Pedro I, em 1822, comandou a Esquadra Brasileira, contribuindo decisivamente para o êxito das campanhas de consolidação da Independência: ajudou as forças que derrotaram o General Madeira na Bahia e o Major Fidié no Maranhão e Piauí. Em 1824 comandou a Esquadra Imperial no ataque aos revoltosos da chamada Confederação do Equador (movimento separatista ocorrido no Nordeste do Brasil). Agraciado pelo Governo do Brasil com o título de Marquês do Maranhão, deixou nosso país em 1825. Deve-se-lhe ainda, em grande parte, a consolidação da Marinha da Guerra do Brasil."

Fonte: Dicionário Cívico-Histórico Brasileiro, 1980.

sábado, 5 de maio de 2018

O Touro Negro de Norroway


"Antigamente vivia em Norroway uma velha dama que tinha três filhos. Um dia a filha mais velha lhe disse: 'Mamãe, prepare uns bolinhos, pois vou partir em busca do meu destino'.

A dama obedeceu, e a moça ganhou a estrada. Chegando à casa de uma lavadeira bruxa, perguntou-lhe o que fazer para encontrar seu destino. 'Espere na porta dos fundos', respondeu a megera.

A moça assim fez e durante dois dias inteiros esperou inutilmente. Por fim, no terceiro dia, avistou um belo jovem numa carruagem puxada por seis cavalos. 'Eis aí seu destino!', a bruxa falou. A jovem entrou na carruagem feliz da vida.

Na manhã seguinte a filha do meio chegou à casa da lavadeira e esperou na porta dos fundos até surgir na estrada uma carruagem puxada por quatro cavalos, conduzindo um bonito rapaz. 'Eis aí seu destino!', a bruxa lhe disse.

Então a filha caçula pediu à mãe: 'Por favor, prepare uns bolinhos, pois também vou partir em busca de meu destino'. Feito isso, foi à casa da lavadeira e, como suas irmãs, aguardou na porta dos fundos.

No terceiro dia um grande touro desceu a estrada, em meio a uma nuvem de poeira, e parou diante da porta. 'Eis aí seu destino!', a bruxa exclamou. Bem que a moça gritou e chorou, mas teve de montar o touro e partir.

A viagem parecia não ter fim, e em dado momento a jovem avisou: 'Vou desmaiar de fome e de sede!'. O touro lhe explicou que em sua orelha direita encontraria o que comer e em sua orelha esquerda encontraria o que beber. Esperou até ela saciar a fome e a sede e prosseguiu.

Então chegaram a um castelo esplêndido. 'Pertence a meu irmão mais velho', o animal informou. 'Podemos passar a noite aqui'.

O castelão e sua esposa serviram uma lauta refeição à moça, deram-lhes roupas limpas e a acomodaram num amplo aposento. Quanto ao touro, levaram-no a um imenso prado verde, onde poderia pastar à vontade e descansar.

De manhã eles deram à viajante uma maçã, dizendo-lhe que só a mordesse quando se visse na situação mais difícil que alguém poderia enfrentar.

Ao fim do segundo dia de viagem a moça e o touro chegaram a outro castelo. 'Pertence a meu irmão do meio', o animal explicou. 'Podemos passar a noite aqui'.

Pela manhã os castelões deram à jovem uma pêra, recomendando-lhe que só a mordesse quando se visse na situação mais difícil que alguém poderia enfrentar.

Os viajantes seguiram caminho e, ao entardecer do terceiro dia, foram ter a outro castelo, o maior dos três em que haviam pernoitado. 'Meu irmão caçula mora aqui', o touro declarou.

Os anfitriões deram à hóspede uma ameixa, dizendo-lhe que só a mordesse quando se visse na situação mais difícil que alguém poderia enfrentar.

Novamente os viajantes partiram e horas depois chegaram a um vale sombrio e deserto. O touro pôs a moça no chão e falou: 'Agora devo ir enfrentar o diabo. Sente-se naquela pedra e não se mova até eu voltar. Se você se mexer, não poderei encontrá-la. Se tudo a sua volta ficar azul, é porque venci a luta; se ficar vermelho, é porque o diabo me derrotou'.

A jovem sentou na pedra e não moveu um músculo. Muito tempo depois, tudo a seu redor ficou azul, e ela, feliz com a vitória do touro, cruzou as pernas.

Ora, o animal era na verdade o duque de Norroway, que fora condenado a viver como touro até eliminar o diabo. Ele venceu a luta e recuperou sua forma humana, mas, como a moça havia se mexido, não a encontrou ao voltar.

Sozinha, ali, sentada na pedra, a pobre jovem esperou durante muito tempo, chorando de aflição e de medo. Por fim se levantou e partiu, sem saber para onde.

Caminhou, caminhou e foi ter a uma montanha de vidro. Tentou escalá-la, tentou contorná-la, porém não conseguiu. Entrou então na oficina de um ferreiro e lhe pediu que fizesse uns sapatos de ferro para que ela pudesse escalar a montanha. 'Eu faço', o homem respondeu, 'se você me servir durante sete anos'.

Assim, ela trabalhou para o ferreiro e, no final do prazo estabelecido, recebeu os sapatos que queria. No entanto, quando chegou ao topo da montanha, encontrou-se novamente na casa da lavadeira. 'Lave estas camisas', a velha falou, 'e eu a ajudarei a encontrar seu verdadeiro amor'.

A bruxa não lhe contou que as camisas estavam manchadas com o sangue do diabo e pertenciam ao duque de Norroway, que jurara se casar com quem conseguisse limpá-las. A lavadeira e sua filha bem que tentaram remover as manchas, mas não tiveram êxito. A moça, no entanto, deixou as camisas imaculadamente brancas.

Muito satisfeita com o resultado, a megera as entregou ao ilustre hóspede, dizendo-lhe que sua filha as lavara. E ele, fiel à palavra dada, anunciou que se casaria com a autora da façanha.

Quando a moça percebeu que fora vítima de uma trapaça, mordeu a maçã que ganhara no primeiro castelo e descobriu que a fruta continha jóias. Com as preciosas peças na mão, procurou a filha da bruxa e lhe propôs: 'Se você adiar seu casamento por um dia, eu lhe darei estas jóias'. A noiva aceitou o trato, mas sua mãe preparou um sonífero para o duque, e a moça não conseguiu acordá-lo para lhe contar toda a tramoia.

No dia seguinte a jovem mordeu a pêra e encontrou jóias mais esplêndidas que as encerradas na maçã. Novamente as ofereceu à filha da bruxa para que adiasse o casamento, e novamente a megera serviu um sonífero ao hóspede, que dormiu como uma pedra a noite inteira.

No terceiro dia o duque saiu para caçar. Seus amigos lhe contaram que nas últimas duas noites ouviram soluços e suspiros em seu quarto. Ele ficou perplexo, pois nada escutara, mas decidiu prestar atenção.

Enquanto isso a moça mordeu a ameixa e se deparou com riquezas maiores que as contidas na pêra. Mais uma vez as usou para convencer a filha da bruxa a adiar o casamento. Mais uma vez a megera preparou um sonífero para o hóspede, porém ele não o tomou.

Naquela noite, o duque estava cochilando, quando a moça entrou em seu quarto e cantou:

Sete anos de criada servi por você,
A montanha de vidro escalei por você,
As camisas manchadas lavei por você, 
Mas só quero que acorde e olhe para mim!

O duque abriu os olhos e, quando soube de tudo o que acontecera, abraçou a amada docemente e lhe prometeu que nunca mais se afastariam um do outro. Estão abraçados até hoje, lá em Norroway, enquanto a bruxa e sua filha sumiram no tempo."

Fonte: PHILIP, Neil. Volta ao mundo em 52 histórias. São Paulo: Companhia das Letrinhas, 2005, p. 154-157.

sexta-feira, 4 de maio de 2018

Sociedades Italianas do Rio Grande do Sul em 1886


"Societá Italiana di Mutuo Soccorso - Victorio Emanuelle II -

In seduta straordinaria dell'assemblea generale il giorne 14 del corrente mese, risultava ellsta ad unanimita di voti la segente commissiono Editi per la construzione dell'ospitale italiano:

Primo Presidente Onorario, S.M. Umberto I, Rê d'Italia.

Secondo Presidente Onorario, Signor Comme. Ernesto Martuscelli, Inviato Straordinario e Ministro Plenipotenciario di S.M. Rê d'Italia in Rio de Janeiro.

Vice-Presidente Onorario, Signor Conte Antonio Greppi, gla console in Porto Alegre ed attualmente in Montevidéo.

Signor Angelo Cademartori, Regio Agente Consolare d'Italia in Rio Grande.

Presidente effectivo, Signor Cav. Avv. Pasquale Corte.

Vice-Presidente Effectivo, Signor Enrico Quaglia.

Signor Nicolo Dapelo.

Primo segretario, Signor Adolfo Bozano.

Secondo segretario, Signor Giacomo Puggina.

Terzo segretario, Signor Carlo Ferrari.

Tesouriere, Signor Giuseppe Viale.

Aggiunti, Signor Raffaele Abramo.

Giovanni Marsicano.

MEMBRI ONORARI

Signor Giuseppe Bina, Regio Agente Consolare d'Italia in Bage.

Signor Luigi Chiesa, Presidente della Societá Italiana di Mutuo Soccorro, in Alegrete.

Signor Rocco Cirone, Presidente della Filodramatica Italiana, in Bagé.

Signor Giacomo Canini, Presidente della Societá Italiana di Mutuo Soccorro, in Conde d'Eu.

Signor Sacerdote Giovanni Menegotti, Presidente della Societá Italiana Musicale, in Donna Isabella.

Signor Domenico Loss, Presidente della Societá Italiana di Mutuo Soccorso, in Donna Isabella.

Signor Francisco Fusaro, Presidente della Societá Reunite Unione Filantropia e Circolo Garibaldi, in Pelotas.

Signor Giacomo Prati, Presidente della Societá Italiana Unione Filantropia Leste, in Pelotas.

Signor Adolfo Bozano, Presidente del Club Italiano Michelangelo Buonarrotti in Porto Alegre.

Signor Bernardo Fossati, Presidente della Societá Italiana Mutua Cooperazione, in Rio Grande.

Signor Lorenzo Ferrando, Presidente della Societá Italiana di Mutuo Soccorso Unione e Benevolenza in Sant'Anna do Livramento.

Signor Giuseppe Tassistro, Presidente della Societá Italiana Beneficenza, in Santa Victoria do Palmar.

Signor Sacerdote Antonio Sorlo, Presidente della Societá Italiana Musicale, in Silveira Martins.

Signor Albino Zanchi, Presidente della Societá Italiana di Mutuo Soccorso, in Silveira Martins.

Signor Andrea Demarchi, Presidente della Societá Italiana Unione e Beneficenza, in Uruguayana.

MEMBRI EFFETIVI

Signor Adriano Pittanti.

Signor Ascanio Marchetti.

Signor Carlo Fossati.

Signor Professore Francesco S. Pedotti.

Signor Giuseppe Dapelo.

Signor Giuseppe Zucchelli.

Signor Giuseppe Baldani.

Signor Guelfi Zanirati.

Signor Luigi Dapelo.

Signor Mose Bigliardi.

Signor Santino Ungaretti.

Signor Tommaso Legri.

Porto Alegre, 21 de Novembro de 1886. - Il Segretario, Adolfo Bozano."

Fonte: A FEDERAÇÃO, 23 de Novembro de 1886, p.02, c.05






quinta-feira, 3 de maio de 2018

36 anos de emancipação do município de Capão do Leão


Na data de hoje, 03 de maio de 2018, o município de Capão do Leão comemora o seu trigésimo sexto aniversário de emancipação. Nossos cumprimentos a todos os leonenses por essa data magna em sua história!

Eis alguns fatos marcantes da história do Capão do Leão, listado abaixo:

1777 - Registro da primeira sesmaria concedida a um português na região: no Passo das Pedras, cujo concessionário era o Sargento Alberto da Silva Roiz.

1809 - Primeiro documento oficial que atesta o logar denominado Capão do Leão da fazenda de Pelotas.

1828 - Passagem do viajante alemão Carl Seidler em Capão do Leão.

1836 - Batalha do Capão do Leão na Revolução Farroupilha - vitória dos revolucionários!

1852 - Instalação da Colônia Dom Pedro II entre os arroios Fragata e São Thomé, formada por colonos irlandeses e ingleses.

1884 - Inauguração da Estação Ferroviária do Capão do Leão.

1893 - Capão do Leão é elevado a distrito de Pelotas.

1897 - Criação da Vila Theodósio.

1909 - Instalação da Companhia Francesa nas pedreiras do Cerro do Estado.

1926 - Instalação da Companhia Americana nas pedreiras do Cerro do Estado.

1944 - Surgimento do Instituto Agronômico do Sul (Agrisul), embrião do futuro campus rural da Universidade Federal de Pelotas.

1954 - Criação do bairro Jardim América.

1963 - Primeira tentativa de emancipação: vitória nas urnas, porém malogro na Justiça Federal.

1974 - Criação do bairro Parque Fragata.

1977 - Criação do Loteamento Zona Sul.

1981 - Criação da Vila Gabriela Gastal.

1982 - Segunda tentativa de emancipação: Vitória do SIM!

1983 - Elberto Madruga assume no dia 01 de janeiro como primeiro prefeito da história de Capão do Leão.

1985 - Morte de Elberto Madruga, assume o vice, Getúlio Teixeira Victória.

1989 - Início do mandato de Manoel Nei Neves.

1993 - Início do segundo mandato de Getúlio Teixeira Victória.

1997 - Início do segundo mandato de Manoel Nei Neves.

2001 - Início dos dois mandatos consecutivos de Vilmar Motta Schmitt.

2003 - Capão do Leão passa a integrar a Aglomeração Urbana do Sul, juntamente com Pelotas, Turuçu, Rio Grande, Arroio do Padre e São José do Norte.

2009 - Início do mandato de João Serafim Quevedo.

2013 - Início do mandato de Cláudio Luís Schroeder Victória.

2017 - Início do mandato de Mauro dos Santos Nolasco.

A primeira obra sobre Capão do Leão?

A arte acima não corresponde à verdadeira capa da obra,
trata-se apenas de uma ilustração ao tema e a esta postagem

Pesquisando há algum tempo atrás no banco de dados virtual em língua francesa, Gallica, da Biblioteca Nacional da França, que reúne um extenso acervo de jornais, documentos, revistas, etc., para pesquisa via web, deparei-me com muitos documentos tratando da presença da Compagnie Française du Port du Rio Grande do Sul em nosso estado e com algumas menções (poucas, é verdade) ao município de Capão do Leão. 

Alguns são relatórios de ordem jurídica e/ou financeira, outros são reportagens da época que apenas fazem alusão que as rochas do novo porto e barra de Rio Grande eram extraídas das pedreiras de Monte Bonito e Capão do Leão. Entretanto, um dos documentos traz uma informação importante: um pequena obra, de caráter científico, que trata especificamente da pedreira de Capão do Leão (isto é, para os conterrâneos a pedreira do Cerro do Estado), datada de 1913 e escrita por um engenheiro da companhia francesa. Não tive acesso à obra, mas o registro está numa publicação científica da época, a Revue de Etudes Geologiques. Na bibliografia da fonte consultada, consta também que o engenheiro responsável, um francês de nome Edmond Marne, chegou apresentar suas conclusões sobre seus estudos em conferências na cidade de Paris. 

O nome da obra de Marne é originalmente em francês o seguinte: Recherches géologiques sur la carrière de Capão do Leão, municipalité de Rio Grande, état de Rio Grande do Sul, Brésil: collection d'enquêtes techniques initiales. Traduzindo: Pesquisas geológicas sobre a pedreira de Capão do Leão, municipalidade (ou município) de Rio Grande, estado do Rio Grande do Sul, Brasil: coleção de investigações técnicas iniciais (ou primárias). 

Patentemente, é uma obra técnica do campo da geologia, relação mais que óbvia com o trabalho do engenheiro. Só fiquei realmente admirado com o fato de, no título, a carrière (pedreira) de Capão do Leão, vir associada a Rio Grande. Talvez um erro do autor causado pelo vínculo da pedreira com as obras naquela cidade marítima.

Seria esta a primeira obra que trata sobre Capão do Leão, exclusivamente? 

Fica a curiosidade e o estímulo para mais pesquisas.

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