segunda-feira, 22 de janeiro de 2018

A Laguna dos Patos por Hermann von Ihering


"É conhecido que a Província do Rio Grande do Sul possui os maiores lagos brasileiros na Lagoa dos Patos e na Lagoa Mirim, que se comunicam. Há muito pretendia submeter estas lagoas a um estudo pormenorizado, principalmente, a respeito de sua fauna, pois, pelo que sei, isto ainda não foi feito e tive oportunidade de fazê-lo no ano de 1884, quando me alojei na cidade de Rio Grande, e tinha vivido durante época em Pedras Brancas, no Guaíba, em frente de Pôrto Alegre, e pude estudar o afluente principal da Lagoa dos Patos, o majestoso Rio Guaíba e que lá tem caráter de lago e, muitas vêzes, é chamado de Lagoa de Viamão. Apesar de, como já disse, minhas pesquisas visarem, principalmente, fins faunísticos, resultou também tão interessante em sentido geográfico e, até agora, desconhecido que os seguintes comentários me parecem justificados.

Os dados gerais a respeito da posição, extensão e afluentes dêstes lagos podem ser obtidos, fácilmente, em algum compêndio geográfico, como por exemplo, Wappaeus: Manual do Brasil. Por conseguinte abstenho-me de repetir êstes dados conhecidos e relatarei em traços gerais, sómente, os aspectos mais importantes. Em sentido hidrográfico, a Província do Rio Grande do Sul se divide em duas regiões: uma ocidental e a outra oriental, se não considerarmos alguns rios menores que deságuam diretamente no mar. A região ocidental é representada pelo Rio Uruguai; a oriental por ambas as lagoas e seus afluentes. A Lagoa Mirim é a menor, o que já indica seu nome (mirim=pequeno) e não recebe rios consideráveis. O mais importante dêstes é o Rio Jaguarão, navegável para embarcações de pequeno porte até a cidade do mesmo nome. Esta lagoa está em comunicação com a Lagoa dos Patos por meio de um canal semelhante a um rio, o São Gonçalo, cuja parte inicial é denominada de Sangradouro. A Lagoa dos Patos recebe em sua margem ocidental, as águas que descem da Serra dos Tapes e da Serra do Herval e, entre os rios o Camaquã é o mais forte; e continua, a partir da Ponta de Itapoã, no Rio Guaíba, o qual, por sua vez, é formado pela confluência dos rios Jacuí, Caí, dos Sinos e Gravataí. Tôda a quantidade de água se junta na Lagoa dos Patos, que está em comunicação com o Oceano, sómente, através de uma saída curta e estreita, o Canal do Norte.

Êste, inicialmente, era considerado rio e, por isso, a cidade recebeu o nome de Rio Grande. Os bancos de areia que se encontram na desembocadura dêste canal, formam a mal afamada Barra do Rio Grande. (...)

A Lagoa dos Patos não deve seu nome, como muitas vêzes parece, aos patos grandes (Cairina moschata L.) que são muito raros e não ocorrem absolutamente, perto de Rio Grande, mas, aos índios da Tribo dos Patos que, antigamente, moravam nesta região. (...)

(...)

O Canal do Norte constitui um raro fenômeno por ser a única saída para o despêjo de massa total de água duma área enorme, sem no entanto possuir correnteza constante. Isto se pode compreender sómente, lembrando-se que o nível da Lagoa não difere, ou difere muito pouco do nível do oceano e que as correntezas, por conseguinte, são únicamente, expressão de equilíbrio de diferenças de nível, causadas pelo vento. Esta influencia do vento não se constata sómente na Lagoa dos Patos, mas também no Guaíba onde observei êste fato na desembocadura do Rio Passo Fundo, perto de Pedras Brancas. Lá tirei muitas vêzes do solo lodoso as grandes conchas que permaneceram ao recuar rápido da água em lugares onde no dia anterior, a água tinha ainda profundidade de 20 até 30 cm. Na desembocadura do Rio São Lourenço, na Lagoa dos Patos, a influência do vento exercida sôbre a altura do nível da água também é tão grande que a possibilidade de passagem da barra é determinada essencialmente pela direção do vento. A Barra é rasa e o Rio São Lourenço é navegável sómente por 2 ou 3km. Quando passei a Barra recentemente, de veleiro, vindo de Rio Grande, a profundidade do canal de navegação estava apenas a 4 palmos. Esta podia ainda ser superada, arrastando-se o navio pela âncora através do banco de areia. No dia seguinte, com a profundidade de 3 ou 3 e meio palmos isto não mais seria possível. Pelo fato que, neste ponto, não ocorre sedimentação forte, correnteza, etc., seria fácil aprofundar um canal de navegação por dragagem e que, provávelmente, se conservaria durante muitos anos. Atualmente, o Govêrno pretende mandar fazer êste trabalho útil com draga.

(...)

Compreende-se que tais transformações não podem deixar de influir na vida faunística da lagoa. Não existe regra geral sôbre a relação dos animais aquáticos para com a composição química da água; geralmente os animais, habituados a determinada composição da água, toleram dificilmente alterações consideráveis da mesma. Nunca se pode manter, em sua maioria, vivas: mães-d'água, estrêlas-do-mar, etc.; na mesma água doce dos carangueijos, caracóis, conchas, etc perecem rápidamente, transportados à água do mar. Outros animais toleram alterações mais ou menos acentuadas de salinidade, tais como certos peixes do mar, que descem nos rios, ou seja os que vivem nos estuários. Segundo Moebius, chamam-se 'eurialinos' os animais que toleram consideráveis oscilações da salinidade, e 'estenoalinos', aquêles que pouco toleram estas oscilações. Mas, deve ficar constatato que as variações constante dentro de tôda a escala da água doce até à água marinha de quase 4%, são toleradas por poucos animais, com exceção de alguns peixes. Por conseguinte, não é milagre, que a fauna do estuário de Rio Grande seja tão extraordináriamente pobre. Crustáceos maiores ocorrem únicamente: Helice granulata, uma espécie de Lupe e Palaemon brasiliensis, regularmente, em maior número; no verão, ocorre ademais Penaeus brasiliensis Latr., o saboroso camarão. Tôda a fauna de moluscos é reduzida a duas conchas - Solecurtus platensis e Corbula (Azara) labiata - e um caracol ínfimo, Hidrobia australis.

Os últimos se encontram em milhões. As margens das baías mais rasas em volta de Rio Grande são revestidas por espessas massas de Confervales, Ulva e uma espécie de Zostera marítima. Nesta massa de plantas ocorre, freqüentemente, a Hydrobia; ademais, se encontram alguns crustáceos menores, uma Bryozoa e algumas Infusoria e grandes colônias de Epistylis. Não ocorrem vermes, lesmas, nem se fala de Echinoderma, naturalmente.

O número de peixes é limitado apesar de certas espécies ocorrerem em tais quantidades que a pesca é fonte de renda considerável da população. Jenynsia lineata e Girardinus decemmaculatus se encontram em tôda a parte e em grandes quantidades; mais raro, Cyprinodontae. De peixes maiores e comestíveis se encontram os seguintes, durante todo o ano e não dependem diretamente, ou pelo menos em menor grau, de salinidade: Lobotes auctorum Gthr., chamadao Breixereive; Pogonias chromis L., chamado Miraguaia; Pogonias fasciatus Lac., chamado de Burriquete; Umbrina sp. (martinicensis C.V.), chamado Papa Terra; Sciaena aduata Ag., chamada Corvina e Cascudo; Ancylodon jaculidens C.V., chamada Pescadinha; Atherinichthys C.V., chamada Peixe-rei; Mugil lizza C.V., chamada Tainha; Pseudorhombus vorax (?), chamado Linguado; Arius Commersonii Lac., chamado Bagre; Clupea aurea Ag., chamado Javelha.

São êstes os peixes mais freqüentemente representados no mercado de Rio Grande e que aparecem quase diáriamente em enormes quantidades, principalmente os maiores (Cascudo ou Corvina). Outros, como Bagres, escasseiam no verão, pois nessa estação permanecem na Lagoa dos Patos ou no Guaíba. Corvina, Tainha, Peixe-rei e Linguado são, provávelmente, os peixes melhor adaptados à vida no Canal. Outros, por exemplo a gigantesca Miraguaia, vivem sómente nas proximidades da Barra e apenas entram mais quando a água do mar se introduz e penetra duradoura e profundamente. Esta Miraguaia é idêntica ao Trommler da costa oriental da América do Norte, peixe comercialmente muito apreciado por lá e cuja propagação até a América do Sul, talvez com exceção da própriamente tropical é tão pouco conhecida como a dos Lobotes, tão apreciados. Peixes menos freqüentes são os que entram sómente no auge do verão com a água marinha, parcialmente são espécies mais conhecidas, provenientes do Rio de Janeiro ou outros lugares da costa brasileira, parcialmente também vivem na desembocadura do Rio de La Plata.

Ao todo encontram-se, entre as 40 espécies de peixes do Rio Grande, 10, isto é, cêrca de 25%, que também ocorrem no estuário La Plata. Com conhecimentos mais pormenorizados dos peixes, esta cifra certamente ainda se elevará, pois, a fauna do estuário La Plata ainda não foi estudada, tão pormenorizadamente, como a fauna de Rio Grande. Para a última, as minhas verificações, que relatarei mais detalhadamente noutro lugar, podem ser consideradas completas, pois as demais espécies não por mim observadas, são peixes marinhos que sómente entram ocasionalmente, no verão, enquanto os habitantes permanentes do estuário em traços gerais, é mais conhecida que a fauna de peixes dos rios que desembocam na Lagoa.

A Tartaruga aparece, às vêzes, a Thalassochelys caretta (Linn.) no mercado, onde é vendida muito cara como iguaria (cêrca de 25-30 marcos). Na água salobre vive, ademais Platemys Hilarii L.B., que recebi também procedente do Rio Jaguarão, enquanto nos afluentes ocidentais da Lagoa dos Patos se encontra Hydromedusa Maximilianii Fitz. Os mamíferos do estuário do Rio Grande são sómente dois tipos de golfinhos, Stenodelphia Blainvillei e que parece precisar de água do mar, e um golfinho muito grande provávelmente Delphinus cymodoce Gray, que não pude captar; sómente seu crânio me serviu de indicação.


Enquanto a fauna própria do estuário de Rio Grande pode ser denominada escassa, devido às condições desfavoráveis a qualquer vida animal, a riqueza e variação das aves que alegram o aspecto da paisagem formam um contraste agradável. O número de espécies de patos, galinholas, andorinhas-do-mar, gaivotas, etc. observadas é, de fato, muito grande. Não podemos tratas mais extensamente dêste assunto, mas também devemos ressaltar que entre estas aves constam as duas espécies sul-americanas de cisnes, Cygnus nigricollis, chamado Pato harminho e Cygnus coscoroba, chamado Capororoca. Mais estranhas nesta fauna variada são algumas aves das quais não se sabia, até então, que se encontram na costa brasileira, porque seu 'habitat' é a região ártica; é o pingüim do grupo Spheniscus. Depois de grande tormenta encontrei um exemplar na costa, já morto, mas sei de vários casos, em que êstes foram capturados com vida. Da mesma maneira obtive dos pescadores o Podiceps dominicus Lath., pêgo na rêde, enquanto o mergulhão (Pediceps bicornis Licht.), se pode obter sómente por tiro certeiro, porque, quase sempre, desaparece a cabeça no momento em que se movimenta o gatilho. Chamou-me a atenção que o Phalacroccorax brasilianus (chamado Biguá) não recusa a água salobre como campo de caça.

Em comparação com a escassês do resto da fauna do estuário de Rio Grande a classe de peixes é relativamente bem representada, pois, durante um ano de coleta captei cêrca de 50 espécies. Desta cifra devem ser subtraídos sómente os peixes de água doce, que durante as enchentes, são freqüentemente carregados pela água até Rio Grande, respectivamente, ao mar. Que, de fato, as enchentes são as responsáveis, se conclui das quantidades de plantas, únicamente ocorrentes na água doce, principalmente, Pontederiaceas, o água-pé dos brasileiros, e que flutuam várias vêzes, através do Canal. Um dia fiquei especialmente admirado pela ocorrência de um Pimelodus sapo entre os peixes do mercado. As pesquisa levaram ao resultado que imediatamente antes o Rio São Gonçalo aumentou considerávelmente seu volume por causa das fortes chuvas. No que êstes peixes, durante a vazante, se encontram em água predominantemente doce, são encontrados em estado normal; chegando à água salgada, ficam tontos rápidamente e podem ser capturados fácilmente; mais tarde, pérecem e flutuam mar adentro, ou são lançados à praia. Encontrei, uma vez na praia do Canal, perto de São José do Norte, um Macrodon trahira e soube depois que, freqüentemente, peixes de água doce são lançados à praia.

O que ocorre aqui isoladamente, ocorre em grande escala na Lagoa dos Patos, quando no auge do verão, a água marinha se introduz na Lagoa. Então os peixes da água doce ficam tontos e são coletados em massa pelos barcos. Mas, inúmeros perecem e infestam o mar. Aparentemente os peixes não compreendem de que direção vem a água marinha para poder fugir desta. Assim a natureza aniquila cruelmente, com um golpe, tôda a fauna existente, periódicamente, no que esta não consiste de formas eurialinas. É esta a razão, por que a fauna da Lagoa dos Patos é tão pobre na região média como no Rio Grande. No farol Cristóvão Pereira, na baía de Mostardas, encontram-se únicamente as duas espécies mencionadas de moluscos Corbula e Hydrobia, escassez que contrasta estranhamente com a rica fauna de moluscos do Guaíba, na qual existem numerosas espécies de Anodonta, Unio, Leila, Cyrena, Ampullaria, Chilina, Hydrobia e outras. De carangueijos decápodos encontram-se ainda algumas espécies no Guaíba, também observadas no Rio Grande. Fiquei muito surprêso em encontrar algumas carapaças de Corbula, ornadas de Balanus vivos. Êstes se encontram só excepcionalmente na água doce. Por conseguinte, também em sentido zoológico se observa um contraste nítido entre o Guaíba, que revela em sua fauna, o caráter de seus afluentes e da Lagoa dos Patos. Relação semelhante ocorre entre a Lagoa Mirim e o Rio Jaguarão. Corbula labiata, falta no último, assinala também o caráter peculiar do lago, enquanto se encontram no Rio Jaguarão espécies de Planorbis, Physa e outras, que não ocorrem na Lagoa Mirim pelo menos, em sua metade norte, pois desconheço a outra. Assim, como a água marinha ocasiona o perecimento dos peixes do rio, inversamente, a repentina predominância da água doce pode ser fatal para os peixes marinhos. As miraguaias são especialmente sensíveis neste sentido. Quando estas, na Barra ou na terminação do Canal, se encontram repentinamente na água doce, devido á forte vazante, o efeito é o mesmo anteriormente relatado, com relação aos peixes de água doce.

(...)

A costa da Província é rasa e arenosa; não oferece lugares protegidos aos navegantes, principalmente perto de Rio Grande, razão pela qual não existe pesca regular na costa e os pescadores raras vêzes se aventuram a sair ao mar com suas embarcações frágeis e nunca vão a longa distância da barra. Pratica-se a pesca, especialmente no Canal do Norte até a Barra do Rio Grande, assim como nas baías vizinhas da Lagoa, como por exemplo no Saco da Mangueira, sendo que sempre trabalham vários pescadores em conjunto. Para as espécies mais freqüentes de peixe têm diferentes tipos de rêdes. Recentemente a Câmara Municipal decretou que, na região principal de reprodução, sómente se permite a pesca com rêde de malhas largas. Uma exceção disso é a rêde do camarão, a mais fina de tôdas, mas geralmente só usada na praia, em lugares arenosos e arrastam na terra. As rêdes são fabricadas pelos próprios pescadores, em parte de cânhamo russo (foi da Rússia), outras de fibras nacionais, especialmente tucum - de uma palmeira baixa e espinhosa (Astrocarium vulgaris). Esta ocorre também no Rio Grande, onde antigamente forneceu aos índios a fibra para as cordas de seus arcos, mas atualmente não é mais aproveitada e o tucum, empregado pelos pescadores, vem de Pernambuco. Ademais se empregam na fabricação das rêdes as fibras das fôlhas da Pita,
uma Bromeliácea grande que é freqüente na região norte da costa de Rio Grande. Os pescadores nas povoações pequenas da costa norte da Província, como Tramandaí, Cidreira e outras, como também os pescadores de Santa Catarina, usam para a confecção de rêdes a Pita. As rêdes têm seu nome pela espécie de peixe para a qual são destinadas, por exemplo, rêde de tainha, rêde de cascudo. É interessante que os pescadores já podem julgar de antemão o que quererão e poderão pegar. Em certos casos, por exemplo, nas tainhas, que ocorrem em grandes quantidades em maio, isto se orienta pela estação do ano. A época de pesca de Bagre e Miraguaia é o inverno.

(...)

Rio Grande, 20 de janeiro de 1885."

Fonte: Relatório originalmente publicado no periódico Deutsche Geographische Blätter, vol. VIII, fascículo 2, Bremen, Alemanha, 1885, pp. 164-203 sob o título "Die Lagoa dos Patos".

A tradução para o português foi feita por Luise H.G. Körner e reproduzida na revista "Organon"



domingo, 21 de janeiro de 2018

A gastronomia gaúcha


"Segundo Marques e Campos cada etnia deixou suas contribuições para a gastronomia gaúcha. As autoras ressaltam alguns exemplos, como a herança indígena percebida pela utilização da mandioca e de seus produtos e de seus produtos, no cozimento dos alimentos, que era realizado na tucuruva (trempe de pedras), no moquém (grelha de varas), utilizado para assar carne ou peixe e, finalmente, o mate, difundido como Chimarrão. As técnicas de churrasco, prato símbolo do estado e destacado como comida de festa por todos os entrevistados foram adaptadas para carne bovina quando da ocupação dos espanhóis que instituíram a criação de gado, principalmente na região dos pampas gaúchos, situado principalmente ao extremo sul do estado e nas regiões fronteiriças com a Argentina e Uruguai.

A cultura do gado e das migrações com as boiadas desenvolveu, também, outro produto emblemático do estado: a carne de charque, que é a carne bovina cortada em mantas, salgada e seca ao sol, ingrediente principal do arroz de carreteiro, que também ocupa posição de destaque entre os preparos considerados típicos do estado.

Os imigrantes italianos introduziram as massas recheadas, o galeto al primo canto (frango pequeno assado na brasa), a polenta, o salame, a sopa de capelleti (massa recheada de carnes cozida no caldo de frango) e o vinho. Dos alemães herdou-se o joelho de porco, as cucas, küschimier, as salsichas, os salsichões, preparos à base de batata e as cervejas; e, dos monastérios e portugueses, a produção de doces, principalmente de ovos, feitos na região de Pelotas.

Apesar da influência das diversas etnias ser tão presente na identidade gaúcha, em suas várias regiões e na própria capital Porto Alegre, os hábitos tradicionais de cada uma destas etnias vêm sofrendo um processo de hibridização cultural. Esse processo influencia e é influenciado tanto pela cultura já instalada no Rio Grande do Sul e pelos turistas vindos de outras localidades do Brasil e do mundo, como, também, pelas mudanças econômicas, tecnológicas e sociopolíticas forçando a sua adaptação ao novo contexto e à novas demandas, (...)

(...)

Sobre isso, observa-se que há heterogeneidade de significados para os atores envolvidos com a gastronomia tradicional. Woortman observa, em suas pesquisas numa colônia alemã no Rio Grande do Sul, que há uma diferença de valorização da gastronomia tradicional entre os mais velhos e os mais jovens. Para os mais velhos, comer o que é produzido em casa é fator de orgulho por terem conseguido produzir, além de considerarem mais seguro e saudável. Para os jovens comer o que é feito em casa é uma fraqueza, revelando o baixo poder aquisitivo para comprar os alimentos, por isso 'ocorre o caso da desvalorização do que é 'feito em casa', pelo signo de atraso e pobreza que podem evocar'.

A mesma autora afirma que o turismo e a migração tem um papel fundamental para a ressignificação dos alimentos tradicionais, atrelando um aumento de valor simbólico e econômico para os produtos tradicionais, como explica no trecho 'As comidas tradicionais sofreram adaptações, devido ao impacto de turismo e da migração para áreas urbanas. É o caso da sofisticação (...) O turismo conduziu a uma ressignificação dos hábitos de consumo de comidas tradicionais e conduziu a uma revolarização da comida 'étnica'.

Visto a diversidade de elementos que compõe a cultura culinária do RS, seria simplista afirmar que exista uma única identidade gastronômica gaúcha. Nessa perspectiva, no ano de 2010, foi realizada uma pesquisa pela DCS Comunicação e Segmento. Pesquisa em vinte municípios do Estado com uma amostragem de 1,2 mil entrevistas, em 20 cidades do estado para investigar a autopercepção dos gaúchos sobre sua identidade. A pesquisa mostrou que 77% deles identificou o churrasco como sua comida típica, seguido de 9% das indicações para o arroz de carreteiro."

Fonte: ZANETI, Tainá Bacellar. A Cozinha Gaúcha: um resgate dos sabores e saberes da Gastronomia do Rio Grande do Sul. In: Ágora, Santa Cruz do Sul/RS, v. 18, n. 01, jan./jun. 2016, p. 33-35

sábado, 20 de janeiro de 2018

A breve história do município de Santa Isabel do Sul


"Em 1865, durante a viagem a Jaguarão, D. Pedro II foi visitar a nascente Vila de Santa Isabel, episódio a que o Conde D'Eu fez referência em suas Memórias Militares. Naquele tempo, sua igreja já estava benta; o terreno para a construção da igreja foi doado em 1859 e as obras concluídas em 1861. Movimentos no porto, produtos importados do Uruguai, e nos empórios da Vila o vinho do Porto, sabonetes Alvar, munição, tecidos de seda e anis fomentavam a rede de comércio que subia a serra até Arroio Grande.

As queixas contra Arroio Grande e o descaso de sua administração cresceram. Os novos sopros liberais e movimentos de emancipação irremediavelmente sairiam dos fuxicos interioranos para converter-se na mais importante experiência emancipatória do extremo sul. Em 9 de maio de 1882, com a Lei Provincial 1.368, foi criada a Vila de Santa Isabel. As eleições para vereadores ocorreram em 01 de julho de 1882 e o Auto de Instalação ocorreu no dia 27 de janeiro de 1883.

A arrecadação da Vila girava em torno de impostos taxados das exportações de gado, olarias, caieiras, casas de comércio e arrematações dos Passos dos Canudos, Maria Gomes e Orqueta. Com percentuais menores, apareciam as ferrarias, carpintarias e mascates. Não era tipicamente um município rico, mas as principais dificuldades estavam nos constantes embates com Arroio Grande, que não aceitava a perda de seu ex-distrito.

Com a queda do Império e a chegada da República em 1889, novos e fortes rumores circulavam e atormentavam a Junta Municipal. Depois das rixas ao longo dos anos, agora os liberais sairiam da cena da vida política e uma nova batalha se avizinhava. Arrastou-se até 1893, quando o Ato no. 11 de 16 de janeiro, com a rubrica já preestabelecida de Julio de Castilhos, Presidente do Estado, suprimiu o município isabelense, que lhe fora infiel politicamente.

Novos tempos começaram, Santa Isabel voltou a ser distrito e os antigos prédios públicos ficaram vazios. Viriam, ao mesmo tempo, a Revolução Federalista e os caminhos flancos aos revolucionários de Gaspar Martins e Gumercindo Saraiva. Desordem social, vândalos, oportunistas, abandono e despreparo das forças policiais e processos de imigrações forçadas caracterizaram a curta resistência que Santa Isabel poderia oferecer. Restaram frágeis raízes que vêm se perdendo ao longo do tempo, além do desconforto de não serem reconhecidos os herdeiros da antiga Santa Isabel."

Fonte: SALABERRY, Jeferson Dutra. Inventário do patrimônio arquitetônico e histórico em Santa Isabel do Sul - Arroio Grande-RS: o caso das edificações institucionais e de socialização. In: XIII - SHCU - Tempos e Escalas da Cidade e do Urbanismo, Brasília, 2014, p. 146-147

sexta-feira, 19 de janeiro de 2018

Pedras do Capão do Leão na Argentina


"O Rio Grande do Sul vae fornecer pedras á Republica Argentina - Um syndicato inglez acaba de fechar contracto com o dr. Eduardo Traverssi, que há muito tempo explora as pedreiras de Capão do Leão, município de Pelotas, para o fornecimento de pedras á República Argentina.

Para esse fim, o referido syndicato manterá ali uma turma de 300 homens para proceder a extracção das pedras.

Como os leitores não devem ignorar, Capão do Leão representa uma das multiplas riquezas naturaes do nosso solo, como grande e inexgottavel jazida de pedra que é, a par do seu notavel progresso que dia a dia se desenvolve e toma impulso e incremento.

A referida pedreira já tem fornecido material para a construcção de grandiosas obras, não só no porto e cidade do Rio Grande como em Pelotas e, agora, para a Argentina."

Fonte:  A FEDERAÇÃO, 28 de novembro de 1924, p. 6, c. 3

"ARGENTINA

O arrendamento das pedreiras do Capão do Leão

BUENOS AIRES, 3 (A.A.) - (Pelo submarino). - A noticia de que um Syndicato Anglo-Argentino arrendou as pedreiras do Capão do Leão e Monte Bonito, no Rio Grande do Sul, causou optima impressão em todos os circulos, commentando-se este como o primeiro fructo da projectada linha da Companhia de Navegação Costeira, - pois, assim, ter-se-á assegurado o transporte de pedras a todas ás municipalidades do littoral argentino, que estão precisando e pagando preço carissimo."

Fonte: A FEDERAÇÃO, 03 de fevereiro de 1926, p. 4, c.5

quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

A imigração pomerana no sul do estado do Rio Grande do Sul


"Conquanto à emigração pomerana para o Brasil, assim como às associadas aos demais europeus emigrantes, inicia-se em meados do século XIX. O desequilíbrio entre a demanda e a oferta de trabalho na Europa, agravado pelo aumento demográfico, condicionou muitas pessoas à busca de soluções através da migração, primeiramente em termos europeus, dentro ou fora de seu país. Mas como estes países não tinham capacidade de absorver o elemento flutuante e pendular, a solução encontrada foi a emigração para a América. Segundo Klaus Granzow, havia incentivo à emigração pomerana para o Brasil na própria Pomerânia, onde o general prussiano Johann Jakob Sturz teria afirmado: 'Mais do que qualquer outra terra oferece o Brasil uma riqueza de elementos, com os quais pode-se desenvolver uma existência feliz para os imigrantes'. Quanto a este processo, do ponto de vista brasileiro, segundo Podewils, 'o país começava a se desenvolver neste momento, porém a densidade demográfica era baixa, fator que levou ao investimento nessa forma de imigração'. A regulamentação da Lei de Terras, lei no. 601 de 18 de setembro de 1850, abriu espaço para a colonização oficial, organizada pelo governo e que instalou importantes núcleos coloniais baseados na pequena propriedade em distintas áreas desocupadas do Estado, mas a colonização de iniciativa privada, organizada por empresários particulares, também buscava angariar trabalhadores rurais para fixá-los à terra com o propósito de formar colônias para produzir alimentos. A imigração germânica no Rio Grande do Sul teve início, segundo Willems, em 1824, por ocasião da Colônia São Leopoldo. Quanto à região sul do Rio Grande do Sul, em 1858 foi criada a colônia particular São Lourenço, uma colônia agrícola instalada na Serra dos Tapes, em terras do município de Pelotas - área que hoje se encontra no município de São Lourenço do Sul, emancipado de Pelotas em 1884 - composta majoritariamente por imigrantes pomeranos. De acordo com Schröder, a maioria pomerana deveu-se à sua capacidade agrícola: 'Após a chegada de mais de 115 pessoas no ano de 1858, os anos posteriores trouxeram elementos mais apropriados: trabalhadores rurais da Pomerânia."

Fonte: SILVA, Danilo Kuhn. Ik dáu dót bláuma futéla: apontamentos sobre a memória e a identidade pomerana através da música. In: DAPesquisa, v.11, n.17, p. 62-63

quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

O centenário do nascimento de Giuseppe Garibaldi no Rio Grande do Sul

"Attraverso Il Brasile
Da Rio Grande do Sul

(...)

O centenario de Garibaldi

As festas em honra a Garibaldi tiveram nesta capital solemne imponencia. O rio-grandense, povo por excellencia guerreiro enthusiastico pelos heróes da espada, rendeu ao excelso amigo do seu formoso torrão, espontaneamente, a homenagem posthuma que elle pedia pela sua admiravel bravura, incontestavel lealdade, tinha direito.

Annita está ligada a historia da Italia; Garibaldi é uma figura heroica a destacar-se na moldura brilhante dos Farroupilhas de 35. D'ahi o carinho com que o Rio Grande homenageou o illustre batalhador. A população de Porto Alegre confraternisou, entusiasticamente, com a luzida colonia italiana nos testemunhos de amor ao valoroso cabo de guerra que é hoje, uma glória universal.

Ao amanhecer do dia 4 era belissimo o aspecto da nossa capital. Nas fachadas de varios edificios tremulavam pavilhões italianos e brazileiros, pondo a nota fortemente suggestiva do patriotismo, a fazer pulsar com mais vehemencia os corações cheios da figura heroica do homenageado.

Para a séde da importante sociedade <<Vittorio Emanuele II>> convergiram as sociedades italianas, outras brazileiras e extraordinaria massa do povo.

A's 18 horas estava organisado o prestito, era extensíssimo.

Abriam-no as garbosas bandas musicaes do 1o. e 3o. batalhões da brilhante Brigada Militar do Estado; seguia-se a illustre aggremiação Vittorio Emmanuele II, com o seu esplendido estandarte, trajando a farda do veterano garibaldino empunhava a bandeira do 35 subdito e velho italiano, José Casagrande; vinha após o comitato das festas; flammejava o estandarte do Club Progresso Bento Gonçalves entre os entusiasticos associados; seguiam-se as distintas Sociedades Princeza Helena de Montenegro com o seu adorável pavilhão, Umberto I, Giovanni Emmanuel com os custosos estandartes; fechava o prestito, outra bandeira de 35 levada pelo italiano Antonio Barbiere, outro veterano garibaldino.

Bellisimo o effeito.

O enorme prestito era dirigido pelo nosso talentoso collega, director do <<Il Tempo>>, Dr. Del Guzzo, que ostentava o seu bello uniforme de official da Guerra Greco-Turca de 1897, como um dos 1300 garibaldinos que, heroicamente, combateram sob as ordens do General Ricciotti pela legendaria guerra.

O cortejo deslisou, soberbo, pelas ruas apinhadas do povo até à Praça Concórdia que, em homenagem ao celebre batalhador, recebeu solemnemente, o nome de <<Praça Garibaldi>>, em placas emolduradas em lauros, no meio de delirantes acclamações, ao som das bandas marciaes, ao estrugir de uma salva de morteiros.

No silencio solemne dos grandes momentos o povo descobriu-se ao som do vibrante hino de 35.

Nesta occasião orou, brilhantemente o sr. Guido Bertolotti, presidente do <<Comitato>>, lembrando a idea de se erguer uma catatua ou monumento, naquella praça, ao heróe que, por nós, combatem abnegadamente; e terminou a sua bem architectada oração, incitando o povo italiano à tributar forte gratidão ao illustre patricio, Dr. Montaury Leitão, intendente municipal, por aquella eloquente prova de apreço e estima que acabava de dar a querida Italia.

O nosso distinctissimo collega da <<Stella d'Italia>> foi quem leu o acto da Intendencia Municipal substituindo a denominação de <<Praça da Concordia>> para a de <<Praça Garibaldi>>. Finda a leitura o nosso digno collega convidou, enthusiasticomente a colônia italiana a levantar um viva ao Dr. Montaury, viva que fôsse, pela sinceridade e calor, repercutir na Italia para que lá se fizesse conhecido o nome honrado daquelle grande amigo dos italianos.

O sr. Lucarelli tambem se fez ouvir com muitos applausos.

O nosso talentoso collega Dr. Del Guzzo impressionou, então, o vasto audictorio com o brilho e eloquencia de sua palavra quente e burilada.

A's duas horas da tarde foi inaugurado no lindissimo salão <<Vittorio Emanuele II>> a lapide commemorativa do centenario. Teve a palavra o illustrado professor sr. Luiz Petrocchi, consul interino da Italia, que discorreu, com proficiencia, sobre o magno thema, obtendo muitos victores.

Eis os dizeres da Lapide:

In questa libera terra, che rifulse di gloria, l'eroe dei due mondi Giuseppe Garibaldi, a perpetuo ricordo dei posteri, nel centenario della sua nascita, la colonia italiana unanime pose. IV-VIII-MCMVII.

Esta homenagem da <<Vittorio Emanuele II>> teve a alacre assistencia dos alunos das escolas italianas, da Imprensa e do Dr. Intendente e povo.

No salão daquella sociedade, que apresentava feérico e deslumbrante aspecto, via-se em requíssima moldura uma carta de Garibaldi agradecendo a distincção de ter sido eleito presidente honorario daquella aggremiação, que é a mais antiga do Estado.

A Colonia italiana acompanhada do povo fez os respectivos comprimentos às autoridades civis e militares, sendo de todas recebida carinhosamente.

Na Intendencia Municipal teve festiva recepção, sendo accumulada de gentilezas pelo Dr. Montaury Leitão, que pronnunciou eloquente e fraternal discurso.

A' noite no vasto Theatro S. Pedro realisou-se a magna sessão em honra ao eminente guerreiro. Uma enorme e jubilosa multidão enchia a ampla e bella casa de espectaculos, artisticamente adornada. Alterôso trophéo architectado de bayonetas, sabres, espadas, bandeiras italianas e brazileiras, rodoadas de sarechos d'armas de infanteria, ostentava o retrato de Garibaldi, grande, magnifico esplendido de energia, soberbo de lealdade, sob jorros fortes de luz.

Ladeavam-no as sociedades italianas, o <<comitato>> e os oradores inscriptos.

A assistencia de familias era numerosa.

O Presidente do Estado, Dr. Borges de Medeiros, o commandante do districto, General Carlos Eugenio, estavam presentes.

Foi aberta a sessão pelo distincto cavalheiro Sr. Guido Bertolotti, presidente do <<comitato>> que, após bellissima allocução, deu a palavra ao orador official da solemnidade, o nosso ilustrado collega da "Stella d'Italia"', Sig. A. Colnaghi, o qual, com o maximo brilhantismo, fez o historico do bravo Garibaldi, arrancando do numeroso audictorio freneticos applausos.

Em nome do exercito falou o illustre patrício Cap. João Manoel de Campos Souza, orador eloquentíssimo e de talento e que mereceu vibrantes palmas.

Ainda fez-se ouvir, com enthusiasmo, o nosso collega do "Il Tempo", Dr. Del Guzzo, em phrases expontaneas, rendilhadas e bellas.

Pelo partido republicano teve a palavra o extraordinario orador riograndense, Dr. Pereira da Cunha, considerado o principe da tribuna judiciaria daqui e genro do notável publicista Carlos von Koseritz.

O Dr. Pereira da Cunha arrebatou a selecta assemblea. A sua palavra é quente como uma lava, fôrte como um trovão, luminosa como um raio de sol de primavera, delicada como uma flor, emocionante como uma lágrima.

Terminou assim o seu discurso em honra a Garibaldi:

'Quando se medir o seu tamanho, hão de ver que só a sua sombra dá para encher o coração de um século, porque Garibaldi é um desses homens que a morte mata, mas não leva!'

Os jornaes italianos da Capital e o 'Correio do Povo' estamparam o retrato de Garibaldi e de sua idolatrada esposa, a extraordinaria brazileira, hoje uma celebridade universal tambem.

Em Pelotas e Rio Grande tiveram intenso brilhantismo e animação as festas em homenagem ao Centenario de Garibaldi. Em vários pontos do Estado, nas colonias italianas, commemoraram festivamente, a memoria augusta do immortal italiano."

Fonte: IL BERSAGLIERE, Rio de Janeiro, 09 de Agosto de 1907, p. 4, colunas 3 à 4

terça-feira, 16 de janeiro de 2018

Sindicato dos Canteiros do Capão do Leão na década de 1920

"O 3o. Congresso Operario Brasileiro
Vão chegando as delegações dos Estados
Importante circular da F.T. do Rio de Janeiro
Os Trabalhos Preparatorios

Começam a affluir a esta capital os primeiros delegados dos nucleos trabalhadores, nos Estados e que vém participar do 3o. Congresso Operario do Brasil.

(...)

Além da relação por nós já publicada adheriram ao Congresso, as seguintes associações de classe: 

(...)

Syndicato dos Canteiros de Capão do Leão, Rio Grande do Sul;

(...)"

Fonte: A VOZ DO POVO, Rio de Janeiro, 22 de abril de 1920, p. 1, colunas 4 à 6

"Congresso Operario do Rio Grande do Sul

A Federação Operaria do Rio Grande do Sul, depois de haver ultimado os trabalhos correspondentes ao 3o. Congresso Operario Estadual, fixou a ultima semana de setembro para a sua celebração.

O 2o. Congresso effectuou-se nesse Estado, nos dias 21, 22, 23, 24 e 25 de março de 1920, na cidade de Porto Alegre, com a assistencia de 30 delegações, e, algumas, representando vários syndicatos, como por exemplo a da Federação Operaria de Pelotas, que, representava oito.

O Conselho Federal, nos seus trabalhos preparatorios, já recebeu grande quantidade de adhesões de todas as cidades do Estado, entre as quaes se contam: (...); Syndicato dos Canteiros, (Capão do Leão, Pelotas); (...)"

Fonte: CORREIO DA MANHÃ, Porto Alegre, 30 de Setembro de 1925, p. 08, coluna 04

Para mais informações do Sindicato dos Canteiros do Capão do Leão:


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