segunda-feira, 7 de novembro de 2016

É o fluxo vem! ✩ 1a. edição ✩ no Alkimia Espaço Cultural


Na próximo sábado, 12 de Novembro, a partir das 23h50min, no Alkimia Espaço Cultural ocorre o evento "É o fluxo vem - 1a. edição". O Alkimia fica à Avenida Narciso Silva 2025.
Ingressos masculinos R$ 15,00; Ingressos femininos R$ 10,00

Para mais informações, acesse a página do evento no facebook: https://www.facebook.com/events/208530729557122/

domingo, 6 de novembro de 2016

III Encontro Moleques Doidos Capão do Leão - Edition Molas


O evento acontece dia 13 de Novembro, a partir das 19 horas, na Praça João Gomes. O evento também é uma homenagem ao jovem recentemente falecido, Bruno Souza Leal.
Página do evento no facebook:https://www.facebook.com/events/183290352098218 

Caça aos Marajás!


Marajá é um antigo título feudal hindu que correspondia a uma espécie de governante geral de uma vasta região da antiga Índia, proporcional ao título ocidental de rei. Até a independência daquele país em 1947, existia 565 territórios governados por marajás ou rajás (um título imediatamente inferior ao primeiro) na Índia. No século XVI, quando os navegadores portugueses aportaram na Índia, o refinamento e o luxo da nobreza da região embasbacaram os europeus. Por isso, marajá virou sinônimo de alguém muito rico, poderoso e que usufrui vários privilégios por sua posição. Quase sempre, o marajá também dispunha de uma vida com inúmeras esposas e de plena ociosidade - o que historicamente é discutível, mas não é este o nosso objeto.

No Brasil, o termo marajá virou uma espécie de alcunha para funcionários públicos que recebem altos salários, possuem inúmeras vantagens decorrentes da profissão e trabalham muito pouco ou mesmo sequer trabalham, remetendo aquela velha imagem do paletó colocado sobre o espaldar da cadeira mas que nunca encontra seu dono. Em 1987, quando Fernando Collor de Mello assumiu o governo do estado de Alagoas, o termo ganhou relevância nacional, pois Collor se auto-intitulou "caçador de marajás" e passou a realizar várias reformas administrativas para coibir a ação destes funcionários públicos, chegando mesmo a requerer judicialmente a devolução de valores salariais recebidos ou exonerar funcionários. O fato é que a imagem de Collor como moralizador da máquina pública o catapultou dois anos mais tarde à vitória nas eleições presidenciais.

Capa de uma edição da Revista Veja de 1987
abordando o problema dos "marajás" no serviço
público.

Vez ou outra, nos últimos anos, o termo marajá aparece na Imprensa para denunciar o problema dos funcionários públicos que recebem altos salários sem trabalhar ou ainda para aqueles cuja eficiência no turno de trabalho é bastante irregular. De fato, os vícios da máquina pública brasileira nas três esferas ainda são recorrentes e o mal dos marajás não terminou por completo, mesmo com todas as reformas que foram feitas no processo de gestão e fiscalização dos recursos humanos. Todavia, o uso da palavra não deixa de ter também o seu aspecto pejorativo e generalizante. Principalmente se falarmos em ambientes de disputa política. Uma ou outra facção tende a denominar funcionários e/ou cargos de confiança da gestão antagônica como marajás. A depreciação normalmente repercute com impacto na opinião pública e serve para desqualificar o oponente e seu governo. Mesmo que até o termo seja usado de forma desproporcional ou inverídica. Vou explicar o porquê.

No meu entendimento e na compreensão de várias pessoas de bom senso, marajá é o funcionário público que recebe e não trabalha, não exerce suas funções como deveria. Pode ir desde aquele funcionário fantasma que consta na folha de pagamento, mas ninguém nunca ouviu falar dele na respectiva repartição ou autarquia, até o funcionário ou cargo comissionado que nunca está em seu setor porque "tem coisas fora para fazer" (o que quase sempre é uma desculpa falsa). Que existe pessoas assim no serviço público, é óbvio que sim. Na última década, a própria prefeitura municipal possuía um CC que se enquadrava muito bem numa destas descrições. Só que a generalização é algo que me incomoda pela distorção que causa na apreciação que a opinião pública faz sobre a questão. Em suma, é extremamente irresponsável afirmar que "todo mundo é marajá!".

Em Capão do Leão, com a mudança política que se conclui após o resultado das últimas eleições municipais, algumas vozes mais afoitas passaram a conclamar o "fim da teta" e a "caça aos marajás". Que haverá inegavelmente uma mudança no quadro de cargos comissionados é mais do que evidente, até mesmo por uma questão de reagrupamento das forças políticas no município. Mas colocar todos que estavam como marajás ou como sugadores do erário público é desconhecer por completo a própria estrutura do serviço público. Alguns cargos comissionados são diretamente ligados à gestão de setores. Isto é, se o sujeito não responde profissionalmente, mesmo que de modo mínimo, por aquele setor, nada daquela área funciona. Simples assim. Você pode discordar da maneira como determinado cargo comissionado ou funcionário concursado exerce sua função, mas você tem que ponderar que mesmo que considere o sujeito inadequado para aquele setor, não poderá afirmar que ele ociosamente recebe um salário pela função. 

Anos atrás, creio que na gestão municipal anterior a esta que se encerra agora em 31 de Dezembro, houve um debate político acalorado sobre a chamada "farra dos estagiários". Reclamava-se que a Prefeitura tinha muitos estagiários, do processo de seleção, etc. Tudo muito justo se nos concentrarmos nestes pormenores. Só que vozes mais irresponsáveis questionavam o valor humano dos estagiários. Isto é, a validade que tinham. Daí pergunto: quem pode apontar um estagiário que não cumpria suas funções? Um ou outro talvez. Mas o fato é que a maioria trabalhava muito e dedicava-se com diligência à oportunidade.

Por isso, compreendo que o uso de generalizações e lugares-comuns atrapalha e desqualifica uma real avaliação do serviço público. Muitas vezes, usa-se das expressões pejorativas de modo totalmente irresponsável. Um pouco de equilíbrio é necessário. Até mesmo para que não se cometam injustiças. Embora, muito conscientemente concorde que sempre haverá laranjas podres no meio da sacola de frutas. E estas sim devem ser extirpadas do serviço público.

sábado, 5 de novembro de 2016

Histórias de Vida VI


Entrevista com a Sra. Hermelina Camacho de Corrêa
Realizada pelo autor em 12-03-2004
Referência: a entrevistada possui 102 anos, mora no interior do município e sabe alguns detalhes sobre a presença de irlandeses na região de Pelotas

"A senhora lembra-se que a senhora comentou que o seu pai contava de uma gente estranha que ele conheceu e que era da colônia de Pelotas?
Sim. Era uns alemães...não, não era alemão. Era um pessoal que vendia manteiga no Mercado Público. Papai comprava fumo e banha lá. Papai contava que tinha umas pessoas estranhas que iam lá e vendiam manteiga e outras coisas.
Dona Hermelina, seu pai sabia dizer se eram estrangeiros? Dizia se eram alemães ou italianos? Dizia de onde eram, digo, de qual colônia ou região?
Moço, papai contava para nós o seguinte: era um pessoal estranho que vendia manteiga no Mercado Público e que ele nunca tinha visto antes. Ele encontrou com eles algumas vezes, pelo que me lembro, mas quando era mais novinho. Papai trabalhou muito tempo levando burras para o Boqueirão e passava por Pelotas. Depois papai morou num monte de lugar e fazia um monte de coisa para sobreviver. Mas lembro que papai falava sempre do Mercado Público de Pelotas e nos dizia dessa gente. Ele dizia que eram uns ruivos que falava uma língua que ninguém entendia. Isso que ele dizia. 
Mas o seu pai não foi morar em Jaguarão depois?
Não. Papai conheceu mamãe por aqui mesmo. Ela que veio de Jaguarão. Papai morou em um monte de lugar, mas não foi para Jaguarão. Papai colocava a gente no meio da sala e ficava contando um monte de histórias da época dele. Ele disse até da revolução, sabe?! Da revolução aquela. Papai falava muito da revolução. Falava dos degolados. Papai era um homem muito forte também.
(...)
Dona Hermelina, mas voltando à questão dos ruivos ou da gente estranha que seu pai falava, ele não sabia dizer então se eram colonos? Se era gente da colônia alemã? A senhora me comentou que várias vezes vocês iam nos bailes da colônia "para fora" e que tinha muito alemão?
Meu filho, papai falava e xingava em alemão. Ele trabalhou com tanto alemão na colônia que aprendeu. Esse pessoal dos 'alemão' gostava muito do papai, porque ele era um homem forte que não...como se diz...repunava serviço. Papai cortava muita lenha nos matos. Eles faziam aqueles almoços grandes e convidavam papai e também davam uns tarros de leite para ele. Mas papai dizia que essa gente, os ruivos, ele nunca tinha visto igual.
Seriam de outra procedência, então?
Eu não me lembro muito, mas sei de uma história que o papai contava. Tinha um alemão, o Walter que botou uma casa de comércio em Pelotas, mas falava que nem nós o 'brasileiro'. Ele era muito amigo do papai. Do Walter eu me lembro quando era mocinha ainda. Pois é, daí papai dizia que uma vez essa gente chegou na venda do Walter e o Walter foi falar alemão com eles e não adiantou. Daí o Walter foi tentar falar pomerano e também não adiantou. Mas igual parece que se entenderam misturando 'brasileiro' na conversa. O Walter sabia de onde era esse pessoal. Mas eu não sei de onde era esse pessoal. Quem sabe o senhor conversa com a Simone. A Simone do Nico, é neta do Walter (nota: informação inconclusa).
(...)"

Obs.: a entrevista obviamente foi "polida" na ortografia e concordância gramatical. (Nota minha de 2009)
Obs.: os trechos separados dizem respeito ao tema anunciado no início do artigo, pois partes da entrevista possuem detalhes íntimos e não diretamente relacionados. (Nota atual na publicação desta postagem).

sexta-feira, 4 de novembro de 2016

Sessão de Autógrafos do livro "Pedreira do Capão do Leão" na Feira do Livro de Pelotas


A recentemente lançada obra Pedreira do Capão do Leão: Fragmentos de uma história revelados através de registros fotográficos (1912-2012), de autoria de Jairo Umberto Pereira Costa e Rosângela Lurdes Spironello, terá uma sessão de autógrafos no dia 20 de Novembro, a partir das 19 horas, durante a realização da XLIV Feira do Livro de Pelotas, na Praça Cel. Pedro Osório.

A comunidade leonense está particularmente convidada para este importante evento. Prestigie!

II Chasque Tropeiro Cultural no CTG Tropeiros do Sul



O evento acontece na sede do CTG Tropeiros do Sul, no próximo domingo, dia 13 de Novembro, a partir das 8h30min. O CTG Tropeiros do Sul está situado à Rua Professor Agostinho n. 455.
Pela manhã, acontece o II Chasque Tropeiro Cultural, com foco na cultura gaúcha e terá como palestrantes:
Paulo Souza - "Tradicionalismo"
Carlos Eugenio Costa - "Literatura gaúcha e regionalismo"
Arthur Victória Silva - "Um resumo da história do Capão do Leão"

As inscrições serão feitas no local e será cobrado um quilo de alimento não-perecível que será posteriormente doado à Casa do Carinho de Capão do Leão.

À tarde, a partir das 13hs, ocorrerão torneios de truco e vaca parada, além de um encontro de invernadas com premiação para melhor coreografia.

Para maiores informações, segue o link do blog do CTG Tropeiros do Sul: http://sitedoctgtropeirosdosul.blogspot.com.br/


quinta-feira, 3 de novembro de 2016

Histórias de Vida V


Entrevista com a Sra. Hermelina Camacho de Corrêa
Realizada pelo autor em 12-03-2006
Referência: a entrevistada possui 102 anos e mora no interior do município


"A sra. Hermelina nasceu na Coxilha Florida e relata que se criou na 'campanha' até os 16 anos de idade quando foi morar em casa de uma família em Pelotas. Diz que a vida naquela época era muito difícil e lembra que o pai trabalhava muito na roça e várias vezes só tinham em casa angu de farinha para comer. O pai era do interior de Canguçu e ela não sabe dizer porque ele veio para a Coxilha Florida. A mãe era dos Camacho de Jaguarão, que, conforme ela, era daqueles que 'mataram e colocaram no arroio Candiotinha' (Nota do autor: informação inconclusa).

A mãe da sra. Hermelina teve cinco filhos com um sujeito chamado João Pacheco que morreu antes da sra. Hermelina nascer por causa de tuberculose. O pai da sra. Hermelina teve mais seis filhos com a mãe da sra. Hermelina que se chamava Rosalva. Dois irmãos naturais da sra. Hermelina morreram antes dela nascer. Os meio-irmãos por parte de pai, ele cita sem precisar com exatidão o seguinte: o Francisco foi para Piratini logo depois que casou e brigou com o resto da família por causa de uma herança; o José Estanislau morou no Areal, em Pelotas; a Ana ficou em Jaguarão; o Hermelino morreu anos atrás e morava perto dela; o José Venceslau morreu em Pelotas. Os outros quatro irmãos naturais foram: Hermes que morreu em Amaral Ferrador; Hildermina que morava em Pelotas; Hildalina que casou e ela não teve notícia; Hermelana que casou com o 'Quiqui da venda' (Nota do autor: informação inconclusa).

A sra. Hermelina cita várias passagens de sua juventude em Jaguarão (Nota do autor: claramente dá a entender que a sra. Hermelina não é natural da Coxilha Florida, mas de Jaguarão; todavia, seguimos com a informação inicial).

A sra. Hermelina foi com 16 anos para trabalhar numa casa de família em Pelotas na rua Andrade Neves. Lembra que a casa era grande e de uma família importante e ela trabalhou muito como lavadeira na dita casa. Tinha mais duas moças que trabalhavam com ela: uma a Negrinha (informação inconclusa) e a outra a Adelaide, que trabalhava na parte de dentro da casa. Em Pelotas, conheceu o marido, o sr. Dionísio e, depois que casaram, moraram no interior do município em vários locais trabalhando na lavoura e numa diversidade de serviços rurais - extração de lenha, produção de laticínios, produção de doces. Voltou ao Capão do Leão anos depois e sempre viveu na Coxilha Florida, pois parece que seu marido fez um acerto com sua família para adquirir a propriedade.

Ela lembra que continuaram se 'virando' em vários ofícios ligados ao meio rural. O marido fazia um pouco de tudo e trabalhou em lavoura de arroz no tempo 'forte' dos engenhos, mas também vendia lenha, manteiga, leite, queijo e frutas. Passaram muita necessidade com os filhos pequenos, mas conseguiram criar os quatro até se casarem. (Nota pessoal: Por cuidado na entrevista, percebi que ela não quis falar dos filhos, por isso respeitei).

Ela lembra também dos bailes de 'alemão' que ela gostava muito, pois tinha dança e galinha assada. Diz que a família tinha mais ligação com os conhecidos da Micaela e do Santo Amor, porém recorda que o marido vinha ao Capão do Leão para comprar banha e ferramentas. Das pessoas do Capão do Leão, ela lembra do Elberto Madruga, do Viegas e dos Traverssi, isso tempo depois. Enfática, ela afirma que passou uns cinco anos sem sair do sítio em que moravam, indo no máximo no Passo das Pedras ou na Vila Freire quando precisavam. Médico não tinha, curava-se bicheira com toucinho, banho era em bacia ou no arroio. O marido teve um tempo que passou por problemas mentais e escondia-se no mato que 'nem bicho'.

Disse igualmente que, depois de um tempo, as coisas melhoraram um pouco e o marido fez uma reforma na 'casa da frente'. Perguntei a ela acerca dos vizinhos e ela não soube listar com clareza, mas destacou muitas lavouras de trigo, sorgo, arroz e muita criação de gado bovino e ovelhas. Embora esclareça que 'tudo era muito longe'. Citou um sujeito chamado João Pinho que era retratista e que vinha uma vez por mês na casa dos moradores para tirar fotos. 

Ela comentou que se lembra muito da 'guerra' (referência à 2a. Guerra Mundial - nota nossa) e que no Santo Amor tinha um 'alemão carroceiro' que tiraram seus pertences e mandaram o coitado a pé para casa. Falou também que havia muito bandido de gado na região e relembrou vagamente a história dos 'bandoleiros do Cerro das Almas'. 

Diz que tudo melhorou mesmo quando houve a chegada da energia elétrica na região, sem precisar a época. Comprou vários eletrodomésticos e teve várias facilidades com isto. Aliás, entre várias lembranças suas, afirma com convicção que 'tudo hoje é melhor do que era antigamente'."



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