segunda-feira, 29 de junho de 2015

A Aglomeração Urbana do Sul


Trecho extraído de: SOARES, Paulo Roberto Rodrigues; HALAL, Guilherme Afonso; GODOY, Daniel.Novos recortes territoriais e aglomerações urbanas no sul do Brasil. In: Scripta Nova - Revista Electrónica de Geografía e Ciencias Sociales. Barcelona, Universidade de Barcelona, vol. IX, número 194, 01 de agosto de 2005. 

Artigo disponível na íntegra:http://www.ub.edu/geocrit/sn/sn-194-111.htm





A territorialidade emergente: a Aglomeração Urbana do Sul


No final de 2002, o Projeto de Lei Complementar 271, aprovado na Assembléia Legislativa converteu a “Aglomeração Urbana de Pelotas-Capão do Leão” em Aglomeração Urbana do Sul (AUSUL), englobando os municípios de Pelotas, Capão do Leão, Rio Grande, São José do Norte e Arroio do Padre (Quadro 2). Entre os objetivos desta lei está a possibilidade do “planejamento integrado deste conjunto urbano, visando o fortalecimento do seu papel no desenvolvimento regional” (PLC 271/2002).
Quadro Nº2
Aglomeração Urbana do Sul:  dados gerais

Município
Área (Km²)
População (Hab)
Hab/Km²
PIB (U$)
IDH (2000)
População urbana (2000)
%
População rural
(2000)
%
Pelotas
1.648
323.158
196,10
827.265.663
0,816
301.081
93
22.077
7
Rio Grande
2.836
186.544
65,78
1.139.700.429
0,793
179.208
96
7.336
4
Capão do Leão
784
23.718
30,25
72.957.826
0,77
21.354
90
2.364
10
S. José do Norte
1.135
23.796
20,96
30.854.309
0,703
17.294
73
6.502
27
Arroio do Padre
130
4.145
31,88
4.505.883
-
102
2
4.043
98
TOTAL
6.533
561.361
85,93
2.075.284.110

519.039

42.322


Fontes: SNIU, IBGE, FEE, Atlas do IDH do Brasil. Elaboração própria.

As cidades de Pelotas e Rio Grande (os núcleos desta aglomeração) são os principais centros urbanos da Metade Sul do Rio Grande do Sul. Distantes 60 km uma da outra, apresentam uma história comum, na qual os períodos de desenvolvimento industrial, comercial e urbano, bem como os períodos de crise e estagnação são, em muitos casos, coincidentes. Ao longo dos séculos XIX e XX as duas cidades tiveram um desenvolvimento sócio-espacial peculiar. Nas primeiras décadas do século XX conformavam um importante pólo industrial, rivalizando com a capital, Porto Alegre. Posteriormente, o desenvolvimento das áreas de colonização alemã e italiana do norte do estado e sucessivas políticas federais e estaduais favoreceram o processo de concentração econômica no entorno da capital, que culminou com a institucionalização da Região Metropolitana de Porto Alegre.

Recentemente, as duas cidades se inserem na problemática regional da chamada “Metade Sul do Rio Grande do Sul”. Contudo, a despeito de uma conjuntura de relativa “estagnação econômica” os dois centros urbanos continuam exercendo um importante papel de pólos econômicos e de atração de fluxos migratórios de centros urbanos menores e das zonas rurais do seu entorno. 

A AUSUL não se configura como uma típica área metropolitana, pois não existe contigüidade de ocupação da mancha urbana. Entretanto, ao congregar quase 600 mil habitantes, pode ser considerada uma forma espacial emergente, característica da atual fase de reestruturação sócio-espacial e econômica do capitalismo tardio, na qual se processa a “mudança da escala da urbanização”. Neste caso, podemos enquadrar a integração funcional e espacial das cidades de Pelotas e Rio Grande nos processos de “desconcentração”, “reestruturação espacial”, “dispersão urbana” e de “difusão da urbanização”, estudados por diversos autores.


Aglomeração Urbana do Sul: uma estrutura bipolar


Nos diversos estudos realizados pelo IBGE sobre a hierarquia urbana brasileira as cidades de Rio Grande e Pelotas foram consideradas os centros regionais mais importantes da Meso-região da Metade Sul do Rio Grande do Sul. Por sua proximidade, estas cidades são analisadas como centro regional único, caracterizado pela “complementariedade de funções”.  Entretanto, a definição da Aglomeração Urbana de Pelotas-Rio Grande foi problemática, pela inexistência de continuidade da mancha urbana que caracterizaria um processo de conurbação. Por este motivo, o estudo que subsidiou a primeira lei de aglomerações urbanas do estado, incluiu apenas Pelotas e Capão do Leão na aglomeração (1992). Por outro lado, as dimensões populacionais e a semelhança funcional das duas cidades, pouco contribuíram para a definição de um “núcleo polarizador e articulador” do conjunto urbano, dificultando sua definição.

A Aglomeração Urbana Pelotas-Rio Grande, a Aglomeração Urbana do Sul, é um conjunto urbano de características especiais, formado por dois núcleos polarizadores: Pelotas (338 mil habitantes) e Rio Grande (193 mil habitantes), com fortes ligações históricas. Nas últimas décadas as duas cidades suportam um contínuo processo de perda de dinamismo industrial que amplia a distância com os centros mais dinâmicos da economia do estado (a RMPA, Caxias do Sul e o entorno metropolitano).

Por caracterizar este processo incompleto de concentração, este conjunto urbano carece de uma delimitação definitiva. A aglomeração, formada por Pelotas, Rio Grande e um conjunto de pequenos centros urbanos vinculados a estas duas cidades, concentra quase 600 mil habitantes, com uma densidade demográfica próxima aos 100 hab/km2. As taxas de crescimento populacional são comparativamente mais baixas que as de outras concentrações urbanas do estado (1,58% e 1,00% a.a, nos períodos 1980/91 e 1991/96), o que não impede a continuidade dos processos de reestruturação intra e interurbanos.

Este conjunto espacial foi anteriormente classificado como “uma concentração urbana sem espaço urbanizado contínuo, onde a integração se realiza pela complementariedade de funções” (DAVIDOVICH eLIMA, 1975 apud Secretaria de Planejamento Territorial e Obras,1992). Por esta razão, o estudo “Aglomerações Urbanas no Rio Grande do Sul” realizado em 1992, concluiu que a inclusão de Rio Grande na “Aglomeração Urbana Pelotas-Capão do Leão” não atenderia aos “critérios físicos-territoriais” de definição da aglomeração (1992:37). Já na “Síntese da morfologia da rede urbana” do recente estudo do IPEA, IBGE e Unicamp esta aglomeração foi caracterizada por “configurar una aglomeração urbana que envolve, em uma mancha contígua de ocupação, as cidades de Pelotas, Rio Grande e Capão do Leão” (1999:174).

Reconhecendo estas polêmicas, o Projeto de Lei Estadual do 2002 incluiu os municípios de Pelotas, Rio Grande, Capão do Leão, São José do Norte e Arroio do Padre no conjunto urbano denominado “Aglomeração Urbana do Sul”.      

A cidade de Pelotas, pólo comercial e de serviços da aglomeração, possui mais de 338 mil habitantes segundo as últimas estimativas do IBGE (2004). Exerce forte centralidade em todo o sul do estado, além de ainda manter um importante setor industrial agroalimentar (beneficiamento de arroz, frigoríficos, conservas). Rio Grande é a mais importante cidade portuária do estado e importante pólo industrial (petroquímica, fertilizantes, pescado). A aglomeração participa com 4,7% do valor adicionado do estado, sendo que quase toda esta participação provém dos municípios de Rio Grande e Pelotas. O parque industrial da região também está fortemente concentrado nos dois centros, embora nos últimos anos tenha se verificado um acelerado processo de desindustrialização. Estes municípios concentram igualmente importantes unidades universitárias, o que reforça ainda mais a polarização no eixo da aglomeração.

A cidade de Pelotas apresenta algumas peculiaridades em sua rede urbana, que polariza uma vintena de cidades do extremo-sul do Rio Grande do Sul com uma hierarquia verticalizada, com poucos centros intermediários. Apesar da perda de dinamismo econômico procedente das indústrias vinculadas ao setor agroindustrial, a cidade sustenta suas taxas de crescimento ancoradas nos setores comercial e de serviços.

Nos últimos anos Rio Grande tem apresentando os melhores indicadores em termos de crescimento econômico consolidando-se como o maior produto interior bruto da aglomeração (Quadros 3 e 4). O PIB do município, o sétimo do estado, ultrapassa os 2,5 bilhões de reais, contra os 1,8 bilhões de Pelotas (o 9º do estado). Esta situação ocorre pela dinamização das atividades portuárias do “Superporto” de Rio Grande (o terceiro do país), um dos principais nós de exportação e importação do Mercosul.  

Os demais núcleos apresentam funções de comércio e serviços locais. No caso de Capão do Leão, a maior parte de sua área urbana está constituída por bairros surgidos do parcelamento do solo periférico à cidade de Pelotas,  configurando autênticos “bairros-dormitórios” da cidade. Processo semelhante verifica-se nas relações de Rio Grande com São José do Norte, com forte dependência deste último com relação ao primeiro. Arroio do Padre foi incluído na aglomeração por sua inserção territorial no município de Pelotas, do qual recentemente emancipou-se, e apresenta características de “vila rural”, com somente 102 habitantes urbanos segundo o IBGE (CENSO 2000).

A análise dos quadros 3 e 4 confirma a estrutura bipolar da aglomeração, sua principal característica e traço diferencial com relação às outras aglomerações do estado (RMPA e AUNE).        

Quadro Nº3
Aglomeração Urbana do Sul: estrutura econômica dos municípios

MUNICÍPIOS
Estrutura do VAB* (%)
Participação no Estado (%)
Agricultura
Indústria
Comércio
Serviços
Agricultura
Indústria
Comércio
Serviços
 Arroio do Padre
49,81
0,58
49,61
0,05
0,00
0,02
 Capão do Leão
16,12
41,47
42,41
0,20
0,19
0,18
 Pelotas
5,49
26,95
67,56
0,61
1,09
2,52
 Rio Grande
2,45
63,41
34,14
0,38
3,61
1,80
 São José do Norte
25,19
5,55
69,26
0,18
0,01
0,17

*Valor Adicionado Básico. Fonte: FEE, 2004. Elaboração Própria.


Quadro Nº4
Aglomeração Urbana do Sul: PIB e renda per capita

Município
Produto Interno Bruto (R$)
PIB Per Capita
(R$ em 2003)
1996
1998
2000
2003
Rio grande
999.378.003
1.031.784.926
1.108.876.691
2.530.346.059
13.379
Pelotas
960.498.921
957.837.083
876.757.317
1.788.111.211
5.467
Capão do Leão
80.888.021
71.722.710
70.224.802
203.290.350
8.223
S. José do Norte
30.100.023
30.802.797
30.777.765
114.433.273
4.615
Arroio do Padre
---
---
---
15.258.564
5.835
TOTAL
2.070.864.968
2.092.147.516
2.086.636.575
4.651.439.457
7.504

Fonte: FEE, 2004. Elaboração Própria.


Neste sentido, esta característica de “aglomeração bipolar” pode apresentar duas leituras distintas: de um lado a de que esta estrutura reflete a territorialidade difusa da aglomeração, inserindo-a nas novas tendências da metropolização, características de um território adaptado à fase de acumulação flexível do capital, conforme propõem Dematteis (1999) e Ascher (1995, 2000). De outro, a bipolaridade revela a fragilidade do processo de integração e a divisão de funções entre Pelotas e Rio Grande, que leva até mesmo à “competição” entre as duas cidades em termos de “primazia urbana” do Sul do Rio Grande do Sul. Por esta leitura, a bipolaridade constatada revela tanto a debilidade dos sistemas locais de produção, como a ausência de um projeto de desenvolvimento regional comum, aumentando a distância com relação a aglomeração urbana polarizada por Caxias do Sul, bem como as demais aglomerações do sistema urbano da Região Sul do Brasil. 

Esta situação coloca uma série de desafios para a gestão, o planejamento e o desenvolvimento deste conjunto urbano os quais pontuaremos à continuação. 

domingo, 28 de junho de 2015

Fotos de Capão do Leão

Jardim América, Capão do Leão
Fotografia: Marco Vitale

Jardim América, Capão do Leão
Fotografia: Marco Vitale
Entardecer no Capão do Leão
Fotografia: Scarlett Escobar
Prédio do Instituto de Matemática no campus da UFPel
Fotografia: Michel Halal
Figueira em Capão do Leão
Fotografia: Lilian Gonçalves
Campo nas proximidades do campus da UFPel
Fotografia: Jéssica Michel
Trem se aproximando da Estação em Capão do Leão
Fotografia: Fágner Araújo
Capela Santa Luzia no Cerro do Estado
Fotografia: Daniel Moraes
Ponte do Teodósio
Fotografia: Aéverton Vieira Júnior
Estação Ferroviária de Capão do Leão
Fotografia: Adenauer Yamin
Banco de praça no Campus da UFPel
Fotografia: Natália Silcor

Fotografias selecionadas a partir do site http://www.photopile.me/ por seu aspecto estético e reproduzidas somente para mera divulgação cultural do município de Capão do Leão.

sexta-feira, 26 de junho de 2015

Projeto para a preservação do patrimônio cultural da Pedreira do Cerro do Estado

Notícia recentemente  publicada no site da Superintendência do Porto do Rio Grande: http://www.portoriogrande.com.br/site/noticias_detalhes.php?idNoticia=1679&idPai=34


Esperamos sinceramente que o projeto renda bons frutos e não seja feita a transferência do material para Rio Grande, dado todo o complexo da Pedreira do Cerro do Estado em Capão do Leão possuir um grande significado cultural para toda a comunidade ao seu redor e para o próprio município.

Segue a notícia abaixo:


Apresentado projeto para o Patrimônio Cultural da Pedreira

Complexo fica localizado na cidade de Capão do Leão e faz parte da estrutura da SUPRG
2015-05-20
O Superintendente do Porto do Rio Grande, Janir Branco recebeu na manhã de quarta-feira, 20, a Professora Drª Carmem Schiavon da Universidade Federal do Rio Grande que apresentou uma proposta de projeto que irá realizar um levantamento do patrimônio da Pedreira de Capão do Leão. A proposta de cooperação técnica do Inventário do Patrimônio Cultural do Porto do Rio Grande: memórias e narrativas portuárias visa propor uma intervenção direta em três edificações do complexo. A Casa de Pedra e dois galpões de 1912 tem grande apelo para a comunidade local. O programa apresentado busca mapear, registrar e valorizar a memória e o patrimônio portuário do complexo realizando entrevistas com trabalhadores e ex-funcionários do local. “Esse projeto atende a uma demanda da instituição a fim de preservar seu patrimônio histórico cultural. O projeto além de buscar toda a memória material e imaterial do local ainda irá dar ao espaço um objetivo”, afirma a servidora da SUPRG, Gladis Rejane Ferreira. O projeto também tem o intuito de criar um Centro de Memória que irá reunir material fotográfico, bibliográfico e de bens do local. “Assim que assumi tive a preocupação de conhecer a situação da pedreira. Fui até lá acompanhado do diretor de infraestrutura e nós possuímos um rico espaço que pode ser utilizado e precisa ser preservado dentro da sua história e riqueza ambiental”, afirma o superintendente Janir Branco. O projeto foi apresentado pelo Instituto de Ciências Humanas e da Informação através do Programa de Pós-Graduação em História. Após iniciado, o trabalho do grupo acadêmico terá duração de 24 meses.


Veja também o contato entre a Prefeitura Municipal de Capão do Leão e a Superintendência do Porto de Rio Grande: http://www.portoriogrande.com.br/site/noticias_detalhes.php?idNoticia=1699&idPai=34 

quarta-feira, 24 de junho de 2015

Sociedade Beneficente Lealdade (Loja Maçônica)

Nota do blog: a Sociedade Beneficente Lealdade ou Loja Maçônica Lealdade teve sua sede onde hoje se encontra a EMEF Barão de Arroio Grande. Abaixo a transcrição do extrato dos estatutos da sociedade, publicada no jornal porto-alegrense A FEDERAÇÃO, na edição de 28 de fevereiro de 1909, página 03.

Extracto dos estatutos da Sociedade Beneficente <<Lealdade>>, approvados em sessão de assembléa geral, em 20 de fevereiro de 1909

1o. - A Sociedade Beneficente <<Lealdade>>, fundada em 1 de julho de 1903, é composta de numero illimitado de socios que possuam as qualidades exigidas pelos seus estatutos, sem distincção de nacionalidade, religião e politica; sua duração será por tempo indeterminado.
Seus fins são: beneficiar, proteger e soccorrer os seus associados, suas esposas e filhos menores. Exercer a caridade tanto quanto lhe seja possivel. Fomentar a instrucção por meio de escolas, bibliothecas, conferencias publicas e outros meios.

DA ADMINISTRAÇÃO DA SOCIEDADE
A sociedade será administrada por uma directoria composta de um presidente, 1o. e 2o. vice-presidente, secretario, orador e thesoureiro, cujo mandato terá a duração de um anno, podendo entretanto serem reeleitos.

DA REPRESENTAÇÃO DA SOCIEDADE
A sociedade será representada activa e passivamente em juiso e em geral nas suas relações para com terceiros, pelo seu presidente, orador e secretario, aos quaes são confiados todos os poderes geraes e especiaes necessarios, inclusive o de substabelecel-os ou delegal-os em uma ou mais pessoas.
O dominio, posse a acção sobre o patrimonio social que compete a sociedade em geral e a cada socio em particular, não se transmitte a seus herdeiros e termina pelo fallecimento do socio, sua retirada voluntaria ou expulsão da sociedade.
Os socios não respondem subsidiariamente pelas obrigações contrahidas pela directoria em nome da sociedade, que só poderá obrigar o patrimônio social até onde elle chegar, si para isso fôr auctorisada em assembléa geral, por dois terços dos votos presentes, em cujo caso poderá alienar, hypothecar ou empenhar.
Ficam, por tanto, em vigor desde esta data, os referidos estatutos.

Capão do Leão, 4a. districto do municipio de Pelotas, 20 de fevereiro de 1909.

Silvestre de Fontoura Galvão, presidente.


Henrique Frederico Wetzel, orador.

Manoel Geminiano da Luz Costa, secretario."




segunda-feira, 22 de junho de 2015

Sociedade Francesa de Beneficência de Pelotas

Fonte das informações: A FEDERAÇÃO, 26 de Abril de 1908, página 02, coluna 05

Encontrei o interessante texto dos estatutos da Sociedade Francesa de Beneficência de Pelotas, de 1890, que foi publicado no jornal porto-alegrense "A Federação". A tal sociedade era uma espécie de associação de socorro mútuo direcionada a franceses e filhos de franceses residentes na cidade. O conteúdo do estatuto em si reservo-me o direito de não transcrevê-lo, pois é longo e não traz nenhum detalhe especial diferente de um estatuto de uma sociedade beneficente. A sociedade aparece ainda existindo em Pelotas no ano de 1908. Transcrevo, entretanto, a lista dos membros fundadores, os quais considero de relevância para estudos sobre a imigração francesa em nossa região.

"ESTATUTOS DA SOCIEDADE FRANCEZA DE BENEFICENCIA DE PELOTAS,
fundada em mil oitocentos e noventa

(...) [corpo do estatuto intencionalmente suprimido por nós]

Estes estatutos foram approvados aos dez dias do mez de setembro de mil oitocentos e noventa pelos socios presentes abaixo assignados:
Seguem as assignaturas: Leopoldo Jouglard, Lucien Jouglard, Moysés Gompertz, Ambroise Perret, G. Minssen, Myrtil Franck, Mathieu Levy, Auguste Hormain, Alfred Etchalus, Romain Prieu, Alexis Castre, Elie Boulard, Amedie Gastal, Dominique Villard, Bernard Dulauran, Louis Chevalier, Marcel Moureau, Adrien Moysés, Gustave Ribes, Oscar Bedu, L. Lahorque, A. François Taddey, Martin Etchebert, Jérome Dreyfus, Auguste Amoretty Messeder, Joseph Maisonnave, Fernand Rochefort, Charles Ruelle, Guillaume Montier, Léon Bastide, Gregoire Récart, Jacques Pérez e Jean Pérez.

Certifico ser traducção fiel do seu original do que dou fé.
Pelotas, 20 de abril de 1908.
Paulo H. Fuchs, tradutor publico juramentado."

sábado, 20 de junho de 2015

Mastofauna em Capão do Leão

Tatu-mulita
Espécie de morcego mais comum no Rio Grande do Sul

Graxaim-do-campo ou Sorro
Trechos extraídos de: ISLAS, Camila Alvez. Identificação da mastofauna de médio e grande porte e suas relações com moradores no entorno da UFPel, Capão do Leão, RS. Capão do Leão/RS: Monografia (Conclusão de curso), Faculdade de Ciências Biológicas, Instituto de Biologia/UFPel, 2013.
Graxaim-do-mato
 "A percepção coletiva da comunidade sobre os mamíferos silvestres baseia-se nas mais diversas situações. Cada animal apresenta uma relação diferenciada,

sendo que o mesmo animal pode despertar mais de um tipo de percepção ou relação com os moradores. Primeiramente, percebe-se que os animais possuem diferentes nomes populares. Alguns até mesmo geram confusão, como a “Raposa”, que ora refere-se ao graxaim-do-campo (Lycalopex gymnocercus) ou graxaim-do-mato (Cerdocyon thous), ora refere-se ao gambá (Didelphis albiventris). Conhecer os nomes populares dos animais é fundamental para o desenvolvimento de atividades educativas ou de material educativo, pois a população deve entender e sentir-se familiarizada com os animais (SAIKI; GUIDO; CUNHA, 2009). Não é interessante utilizar o termo “Graxaim”, por exemplo, para uma localidade
Gambá-de-orelha-branca
onde as pessoas o conhecem, apenas, como “Sorro”. Embora os entrevistados saibam diferenciar os mamíferos silvestres da região, detalhes específicos que diferenciam espécie do mesmo morfotipo, não são percebidos nos casos de animais como os canídeos e felídeos da região. No exemplo do gato-do-mato, são conhecidas três espécies desse animal para a região (MAZIM; DIAS; SCHLEE JR., 2004), porém os moradores chamam qualquer uma das espécies de gato-do-mato ou jaguatirica, sendo que este último é o nome popular de apenas uma das três espécies,
Leopardus pardalis. Para uma melhor exemplificação dos locais onde os animais são avistados na região, a Fig. 11 apresenta um mapa das áreas de estudo, onde os locais citados pelos entrevistados estão identificados por números, discriminando suas nomenclaturas populares na legenda da figura. Um dos conflitos comuns citados é o hábito de alimentar-se de animais domésticos, pois, novamente, os mamíferos silvestres são identificados pela sua ocorrência nos galinheiros da região.
Leopardus pardalis
Os sujeitos reconhecem os mamíferos silvestres como dispersores de sementes de coqueiros nativos, ocorrência registrada por Avila (2011) no HBITL. O zorrilho (
Conepatus chinga) e o gambá causam dúvida na população, que não consegue definir qual destas espécies de animais que possuí o odor ruim característico, que alguns acreditam ser decorrente da urina. Esta confusão é comum por que alguns veículos de comunicação, principalmente os televisivos, apresentam uma espécie norte americana com característica de odor desagradável e que, visualmente, assemelha-se ao zorrilho, com o nome de gambá (especialmente em desenhos animados). Assim, a população desenvolve a ideia errônea de que o gambá tem aparência e características de zorrilho, muitas vezes sequer tomando conhecimento da aparência que possui um gambá regional.


Animais como o ouriço e o mão-pelada (Procyon cancrivorus) são citados como animais que eram avistados em épocas anteriores. Destaca-se essa informação por apontar uma probabilidade de redução nas populações destes animais na região. Salienta-se que o mão-pelada foi encontrado no levantamento de mamíferos deste trabalho.
Zorrilho
O gambá é reconhecido como um animal sinantrópico, que tem muito contato
com as pessoas, o que causa uma série de conflitos como será discutido a seguir. A característica deste animal ser um marsupial e possuir uma bolsa para carregar seus filhotes é conhecida pelos entrevistados, demonstrando novamente um conhecimento mais específico sobre a biologia destes animais. Cabe salientar que o gambá não é tão conhecido por este nome (como já foi dito o zorrilho é chamado de gambá), mas sim como raposa. Uma informação que merece atenção é a de que existem alguns espécimes de cervos que são relatados pelos moradores. A questão é que existe a dúvida se estes animais são nativos da região ou se são animais que viviam em cativeiro e acabaram fugindo, pois há relatos de moradores que os criavam como animais de estimação. A família Cervidae teve registros no levantamento de mamíferos na região, porém são necessários maiores estudos sobre suas populações.
Mão-pelada
As capivaras (Hydrochoerus hydrochaeris) e os ratões-do-banhado (Myocastor coypus) são animais citados por terem explosões populacionais durante as enchentes, informação que deve ser levada em conta para o manejo, já que nestes períodos podem entrar em conflito com a população. Esta informação se mostra importante na tomada de decisão de órgãos ambientais, que, quando necessitam de informações imediatas podem utilizar o conhecimento da população para realizar o controle populacional das espécies. Na análise quantitativa das expressões, percebe-se que a maior parte dos sujeitos relata que os animais silvestres aparecem (Fig. 12), confirmando a ideia presente neste DSC. O DSC2 reflete o discurso dos moradores que não percebem os mamíferos silvestres no entorno de suas casas e nas matas da região. É inquestionável que os mamíferos ocorrem na área, no entanto, é possível que algumas espécies silvestres sinantrópicas estejam presentes apenas durante a noite próximas das moradias. Além disso, fatores ambientais que diferem entre as residências, especialmente ausência das fontes de alimento já citadas e presença de cães, não permitam sua presença em algumas das casas, ou simplesmente esses moradores dispensem menor atenção à presença de animais ou aos ecossistemas do entorno." (p. 44-47)

Ratão-do-banhado
Capivara
(...)


"A partir da tabela podemos perceber que alguns animais que não foram encontrados durante o levantamento de mamíferos são citados pelos entrevistados como, por exemplo, Sphiggurus spinosus (ouriço-cacheiro) e Galictis cuja (furão). Com esses animais ocorrem as seguintes situações: podem existir em pequenas populações; não existir mais, devido à caça e a fragmentação de habitat; ou nunca ter estabelecido populações nas áreas estudadas (MAZIM; DIAS; SCHLEE JR, 2004).
Ouriço-cacheiro
Myocastor coypus (ratão-do-banhado), Lontra longicaudis (lontra), Chiroptera (morcegos) e Cavia sp. (preá) são espécies que provavelmente existam nos locais de estudos, porém como não foram utilizadas metodologias específicas para mamíferos aquáticos, mamíferos voadores e pequenos mamíferos, não se obteve registros destas espécies. Para informações mais detalhadas sobre populações destes animais é necessário um estudo de campo mais aprofundado, porém, a partir do relato dos moradores, já é possível desenvolver hipóteses sobre a existência destes animais nos locais de estudo. Também se percebe que embora alguns animais como Didelphis albiventris (gambá-de-orelha-branca) e Hydrochoerus hydrochaeris (capivara) tenham sido pouco registrados no levantamento de mamíferos, são muito citados entre os entrevistados.
Lontra sul-americana
Esse resultado nos mostra que mesmo que estes animais sejam aparentemente
pouco abundantes nas matas de região, aparecem próximo às residências. A capivara é um animal de banhado, por isso foi pouco encontrada nas parcelas de areia, porém o gambá é considerado sinantrópico e de hábitos alimentares generalista (ALÉSSIO; PONTES; SILVA, 2005) Esse comportamento propicia mais conflitos com os moradores, pois como foi visto anteriormente o gambá-de-orelha branca é o animal mais citado em conflitos com a razão principal de ataques aos galinheiros. Quando se observam os dados referentes à Dasypodidae (tatu), Canidae (sorro) e Procyon cancrivorus (mão-pelada), percebe-se que obtiveram muito mais registros na pesquisa de campo do que citações nas entrevistas. Isto provavelmente decorre do fato destes animais apresentarem hábitos noturnos e serem menos tolerantes à presença humana (MARQUES-
Preá

AGUIAR et al., 2002).
Consequentemente, são animais menos citados em conflitos com os moradores. Estas informações são importantes para determinar quais espécies são mais envolvidas em conflitos com a população e assim, definir ações educativas que busquem a minimização desses conflitos." (p. 59)








Furão



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