sexta-feira, 7 de julho de 2006

Portão da Faem


Antigo portão existente na Faculdade de Agronomia
(campus da Ufpel)
Foi destruído nos anos 70, por ocasião de construírem um novo (o que está lá atualmente). Dizem os funcionários da Embrapa, que a estrutura da construção era extremamente firme e foi necessário um grande trabalho por parte dos operários para pô-la ao chão. Pena que só há lembranças e fotos.

C.T.G. Tropeiros do Sul - Jubileu de Prata

Em 16 de outubro de 1981, era fundado em Capão do Leão, então ainda quarto distrito de Pelotas, o Centro de Tradições Gaúchas Tropeiros do Sul. Ao longo dos anos, desde a primeira patronagem do Sr. Antônio Martins, a entidade cresceu, atraiu novos simpatizantes e hoje é uma referência no município de Capão do Leão, no tocante ao cultivo de nossas tradições sul-riograndenses. Desde 1983, possui sua sedes social e campeira num bonito local, bastante arborizado e com paisagens lindas, próximo às pedreiras da Empem, no final da rua Professor Agostinho(número 455), no centro da cidade.
Neste ano, a patronagem, juntamente com os sócios e simpatizantes do tradicionalismo, preparasse para comemorar o Jubileu de Prata do C.T.G. (25 anos).
Quero destacar que, para esta ocasião, está sendo preparado um pequeno histórico do C.T.G. pelo posteiro cultural da entidade, meu amigo Sr. Gilmar Maciel. Um grande trabalho, parabéns!
Há um grande empenho de todos que ali fazem parte em realizar uma bonita comemoração, e sei que o farão! Quero destacar o trabalho do atual patrão, Sr. João Luís Villar, que vem conduzindo com competência os trabalhos.
Quero em breve, estar postando mais informações sobre o C.T.G.. Aguardem.

quarta-feira, 28 de junho de 2006

Estação da Praça João Gomes

Louvável e elogiável o que o poder público municipal fez na Estação Ferroviária da Praça João Gomes. A recuperação do prédio e a transferência para lá da Biblioteca Municipal são ações positivas. Visitei recentemente o local, fui muito bem recebido pela atendente e pude constatar que a parte interna, se não corresponde necessariamente o que era a estação, pelo menos foi muito bem reformada. O forro e o piso são novos. Parabéns aos seus realizadores e, espero, que a comunidade possa ajudar de alguma forma no desenvolvimento daquele local como espaço cultural. Boas iniciativas têm que serem reconhecidas!

quarta-feira, 21 de junho de 2006

Capão do Leão em 1910 - Parte 2

Trecho complementar extraído de A Opinião Pública de 03 de fevereiro de 1910, página 1, colunas 1-2. São informações importantíssimas:
O municipio de Pelotas
Sua prosperidade e riqueza
Capítulo VIII

Dentro do perimetro do povoado do Capão do Leão, segundo estatística organizada pelo capitão Guilherme Bormann, existem 189 habitações, das quaes 93 são cazas de material cobertas de telha em sua grande maioria vivenda, elegantes, confortaveis, de solida construcção possuindo junto jardins caprichosos e pomares bem cuidados, e 96 casas de taipa, cobertas de capim e telha de zinco.
As emprezas telephonicas Sul Rio-Grandense e União têm centros ali, com 33 assignantes effectivos.
A população fixa no logar, de residencia permanente, compõe-se de 709 pessôas, contando-se nesse número 234 homens, 192 mulheres e 283 crianças de edade inferior a 15 annos.
A mortalidade media tem sido de 2 pessoas por anno.
O capitão Bormann, guiando-se por um thermometro Reaumur, de que desde annos consigna observações diarias da temperatura local, tem registrado como minima no verão 18 graus; media 22 graus e maxima 36 graus; no inverno minima 2 graus abaixo de zero, media 10 graus e máxima 36 graus.
Existe uma aula publica estadual para meninos e meninas com frequencia mensal de 52 alumnos e uma particular com 8 alumnos.
Acha-se ahi localisado o 5. posto da policia administrativa, com um commisario, um ajudante, um auxiliar e o effectivo de seis praças.
Na principal avenida do povoado foi erecta uma capella, sob a invocação de Santa Tecla, dependente da parochia da cidade, e encontra-se em outra avenida um templo maçonico.
De 6 pedreiras existentes, acham-se 4 em exploração, dando serviço a 48 canteiros, que preparam a pedra bruta, o parallelepipedo, o moirão, a soleira, a cantaria, desde o trabalho commum ao ponteado fino.
Nas casas de commercio contam-se 4 de seccos, molhados, fumos e bebidas, 4 outras que com generos da mesma natureza possúem sortimento de fazendas, ferragens, louças, chapéos e calçado, 1 depósito de madeiras, 2 de cal, 5 de lenha, carvão e ovos, 1 oleria, 1 barbearia, 1 padaria, 2 açougues, 1 tambo*, 1 tamancaria, 1 officina de mechanica, 1 hotel, 1 casa de café, 1 pharmacia e 1 gabinete dentario.
Sobre o curso superior do mesmo arroio S.Thomé, em varzedos de fácil irrigação, encontram-se as plantações de arroz dos Srs. Dr. José Brusque e Delphim da Silva, collocadas á margem direita, e a do tenente-coronel José Luiz Brisolara á esquerda.
É, pois, o Capão do Leão um dos mais decisivos factores do progresso pelotense, viveiro futuroso da produção e de riqueza.
(...)
*Tambo: muito provavelmente leitaria, segundo o Novo Dicionário Enciclopédico Brasileiro.

sexta-feira, 16 de junho de 2006

Capão do Leão em 1910 - Parte I

Trecho transcrito de A Opinião Pública, de 02 de fevereiro de 1910, página 1:


O Municipio de Pelotas
Sua prosperidade e sua riqueza
Capítulo VII
Na zona occupada pelas campinas acham-se situados os dois mais importantes povoados, que, além, da cidade, conta o municipio: o do Areal e o do Capão do Leão. E o Areal, sede do 2. distrito, estende-se ao longo da estrada Domingos de Almeida, e a pequena distancia damargem esquerda do Arroio Pelotas, que por occasião das grandes enchentes, abandonando o leito, costuma alagar o povoado.
(...)
O Capão do Leão desenvolve-se entre os serros do Padre Doutor e das Pedreiras, até a estrada da Palma, e prolonga-se entre as divisas dos campos de José Maria da Cunha e Luiz Nunes Baptista e o arroio São Thomé, até á ponte da Estrada de Ferro sobre esse arroio, próximo á estação Theodósio.
Na vasta área de que se apoderou pullulam as vivendas de recreio dos moradores da cidade.
Para a sua prosperidade, sempre crescente, muito contribùe a facilidade de transportes offerecida pela Estrada de Ferro com duas estações, que servem ao movimento no verão já avultado, de veranistas, e ao commercio de importação de generos de consumo e de materiaes, que o logar não produz, e á expedição de pedra para calçamento de ruas e obras de edificação das cidades de Pelotas e Rio Grande e remessa de lenha, aves, fructas e productos da lavoura para a cidade do Rio Grande.
Segundo dados colligidos pelo capitão Guilherme Bormann, são pela estação do Capão do Leão mensalmente expadidos para as duas cidades, de que ella é fornecedora, pouco mais ou menos... 800.000 kilos de pedra partida e de cantaria, 60.000 de tijolos, 200.000 de lenha, 10.000 de carvão e 5.000 telhas de barro.
Pela mesma estação o commercio local expede para o Rio Grande em média mensal 450.000 Kilos de milho, feijão, batatas, alfafa, fumo, ovos, aves, manteiga, carne de porco, cevada, farinha de milho e outros productos da colonia de Santo Amaro, que para aquella localidade se dirigem.
Com o movimento medio de 1.525.000 kilos por mez occupa aquella estação na linha do Rio Grande a Bagé o 4. logar.
Duranta a safra avalia-se em 820.000 kilos o peso de laranjas expedidas para o Rio Grande, sendo 440.000 kilos de laranja commum e 380.000 kilos da de umbigo.
Extensa facha de magro campo, em que se alimentava outr'ora escassa população bovina, cobre-se hoje de numerosas chacaras, em que o trabalho do homem, fecundando a terra, obtém recursos á subsistência de numerosas famílias. A pomicultura ahi elegeu campo de acção feliz. Chacaras cuidadas e productivas promettem recompensar o suor nellas derramado, apesar de ser neste clima difficil manter a escala productiva do solo, sem recompensal-o com os beneficios da irrigação, que é o fertilizador por excellencia em regiões que possúem com a nossa estação secca implacavel.
A irrigação creou nos areiaes da Africa Septentrional oasis fecundos, fez de toda a Lombardia uma como que proverbial cornucopia de abundancia.
Com irrigação e adubos não ha terra esteril; nenhuma se mostra ingrata aos cuidados de que é objecto.
A cultura dos campos, em feliz inicio com a cultura do arroz, como uma necessidade da nossa evolução economica, impõe-se, e ha de estender-se, quando dispúzer de irrigação e adubos. Mesmo á mercê do céo, que na estação calmosa nega por vezes os beneficios da chuva á terra que, se fende, essa área, sujeita hoje á exploração diversa de sua applicacção passada, deixa aos seus actuaes possuidores mais beneficios do que ao antigo proprietário unico produzia, quando entregue á simples criação, e são innumeraveis as vantagens decorrentes desse facto para o Estado, o Municipio e o commercio, que tambem vieram aproveitar da criação de um novo centro de consumo e trabalho intenso.
A produção de morangos que sóbra da procura para o consummo immediato alimenta remunerador commercio com fabricas do Rio Grande, que os expedem para o Norte, sob a forma de geléas e compotas apreciadas e com procura.
Alguns moradores do logar, mesmo em pequena escala, ensaiam o preparo dessas e de outras fructas que abundam, e que, seccas em estufas ou ao sol, ou postas em calda, vão abrindo mercado e se impondo ao consumo nacional.
O pecego, a pêra, o marmello, a maçã, o figo, a ameixa, o kaki e até a cereja de acclimatação recente, que têm annos de abundancia extrema, em vez de ficar perdido o excesso, começa a ter escouradouro util, com applicaões variadas.
Se a pomicultura está destinada a desenvolver no Estado commercio de alguma monta, já está se constituindo no Capão do Leão um centro de produção abundante e esmerada [grifo meu], que só do sucesso espera mais alta animação para mais aperfeiçoar o cultivo e tornar-se sufficiente a todas as exigencias do consumo, pondo o limite da capacidade productiva ao nivel das necessidades da procura.
Com regular sahida de seus productos, existem duas fabricas de vinho, compotas e frutas seccas, tendo uma dellas concorrido já a diversas exposições, em que conquistou premios honrosos e animadores. O maior desenvolvimento dessas industrias, a cujo abastecimento procuram fornecer materia prima cada vez mais aperfeiçoada, depende da remoção de embaraços que a difficultam e oneram nas suas dependencias auxiliares, que as vêm tornar menos remuneradoras ao productor.
As videiras, que são ainda em geral da variedade Izabella, a que se vão juntando nos vinhedos outras americanas, como Cunningham, Herbemont Concorel, Jacques, Othelo, Goethe, emquanto ensaiam a cultura de variedades européas recommendaveis, são cultivadas em larga escala e crescente escala, convenientemente adubadas e tratadas com preceito.
Viticultores estudiosos e já experimentados, dotados de criterio e observação, animados tambem de espirito progressista, procuram com empenho melhorar cada vez mais o cultivo, aperfeiçoar a producção, experimentando novas castas, não esquecendo, como tratamento preventivo das molestias cryptogamicas, fazerem applicação nas épocas determinadas de pulverisações de sulfato de cobre, sempre uteis no nosso clima de primavera inconstante, em que as chuvas demoradas succedem sempre os ventos proprios da estação, que pejam a atmosphera de humidade prejudicial á brotação sadia e á florescencia fecunda da videira, que prefere um ar secco, batido de sol, tepido, reconfortante.
De Washington a vinha Izabella, encontrada na Carolina do Sul, é introduzida em Brooklin por Izabella Gibbs, tendo adquirido logo muito voga em New York, com aperfeiçoamento que era em relação a outras conhecidas então, e foi introduzida antes de 1870 na Ilha dos Marinheiros, onde propagou se e constitui centro de irradiação para todo o Brazil Meridional. Ella constitúe hoje a base da vinicultura rio-grandense: quasi que exclusivamente della é o vinho que se fabrica.
No Capão do Leão, além do obtido para consumo privado, por ser produzido em escala diminuta, provindo de pequenos vinhedos, duas plantações maiores se entregam á exploração industrial e conseguiram na ultima safra produzir trinta pipas.
A cultura da videira, apezar de só poder ali dispôr de terrenos de muito limitada área e de fertilidade escassa, com o recurso de correctivos e adubos, tende a se estender, avançando para as terras que vão sendo arroteadas e postas aos poucos em utilisação horticola, como as diminutas dimensões dos lotes o permittem, e por isso dados a cultura intensiva que procura tirar pela força do trabalho methodico e intelligente, de restricto espaço a maior somma de productos possivel.
O fato curioso deste trecho que encontrei é o fato de, comprovando que Capão do Leão era um importante centro da fruticultura na zona sul, entre as várias culturas agrícolas aqui cultivadas, não encontrar-se a fruta que é considerada símbolo do município: a melancia.

quinta-feira, 8 de junho de 2006

Histórias Curiosas II

Outro fato curioso também aconteceu no Palácio Piratini, em Porto Alegre, com um personagem conhecido da política leonense. Indo tratar de assuntos de importância para o município, um dignatário notável da prefeitura foi de carro até lá, para ter uma audiência com o governador. Saiu cedo e chegou cedo, no horário marcado. Apresentou-se e foi conduzido até uma sala para esperar. Tomou um, dois cafezinhos... e esperou. Esperou, esperou e esperou, levando um belo "chá de sofá". Indignado, observava que várias pessoas iam e viam da sala do governador. Ele, ao contrário, não conseguia ser recebido. Em certo momento, ele explodiu. Notou que um "rapazote" que recém chegara ao palácio, simplesmente entrou bruscamente corredores adentro e chegou até o governador. O nobre leonense não deixou por menos e quis chamá-lo, o que não surtiu efeito. Com muita raiva, reclamou com a secretária o fato de várias pessoas durante aquela manhã, terem-lhe "atravessado a frente", sobretudo, aquele "rapazote" que chegara aos trancos. A secretária tentando acalmá-lo, explicou que o governador estava num dia difícil, com muitos compromissos e problemas, mas com certeza iria recebê-lo. O nobre leonense meio que entendeu as justificativas, mas insistiu:
- E aquele moço que entrou correndo, sem passar por ninguém e foi direto à sala do governador. O que é isso?! Falta de respeito!
- Não, meu senhor. Ele deve ter algo de urgente para tratar com o governador e, além do que, ele veio de Brasília. - explicou a secretária.
- Pô, mas peraí! Eu vim de Monza lá do Capão do Leão, demorei três horas e ele só por que veio de Brasília é recebido primeiro?!
*A história é verdadeira, referendada por uma pessoa que estava com esta figura no dia, hora e local citados. Quem não compreendeu, saiba que a Brasília que ele entendeu foi o carro de mesmo nome.

Histórias Curiosas I

Época do governo Collares no Estado, saiu de Capão do Leão comitiva de secretários, vereadores e assessores para audiência com o governador no Palácio Piratini, em Porto Alegre. Iam tratar de diversos assuntos: repasse de verbas, melhorias em obras, água, etc. Cedo da manhã estavam todos lá, vestidos a caráter, terno e gravata. Como essas audiências não costumam acontecer no horário previsto, todos já sabiam que teriam que esperar Sua Excelência chegar e depois recebê-los. Pois bem, para não ficar muito tempo sem fazer nada e cansar de esperar, normalmente o cerimonial do Palácio Piratini procura recepcionar bem os visitantes. No caso deste dia, um funcionário convidou a comitiva a passar a uma sala interna, onde pudessem sentar e aguardar. Neste momento, as "moças do cafezinho" perguntam se ninguém quer alguma coisa: um chá, um café, água mineral, etc. Bem, o pessoal da comitiva não se fez de rogado diante da gentileza e a maioria solicitou alguma coisa para beber. Servindo um a um, uma das moças pergunta, a quem quer café, se prefere o café amargo, com açúcar ou adoçante. Nisto chega a um conhecido vereador leonense:
- O senhor gostaria de café ou chá?
- Café, por favor! - responde o edil.
- Com açúcar, adoçante ou sem nada?
- Adoçante, por favor.
- O senhor é diabético?
Após meio minuto de silêncio, acreditando que a moça o confundira com outra pessoa, o nobre vereador responde:
- Não, sou vereador do Capão do Leão!

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