sábado, 24 de fevereiro de 2024

A História dos Sobrenomes Alemães - Parte 02



 Sobrenomes originários de ocupação profissional

Na lista dos sobrenomes mais comuns na Alemanha, os nomes de família que resultaram de profissões/ocupações lideram.. E os dez principais sobrenomes estão em ordem de classificação ligeiramente variável, mas são predominantemente deste grupo. No topo, de forma incontestável, está Müller (ou Mueller, Möller), seguido por Schmidt, Schneider, Fischer, Meyer, Weber, Wagner, Becker, etc.

Muitos desses nomes podem ser encontrados em diferentes grafias. Um exemplo é o sobrenome Schmidt. Cada pessoa que hoje é chamada de Schmidt, Schmid, Schmitt remonta à profissão de ferreiro. No início, quando a maioria das pessoas não sabia ler nem escrever, os nomes eram anotados em livros de igreja ou em documentos da cidade. Quem escreveu os nomes fez isso da maneira que achou adequada, o que mudou regionalmente e também ao longo do tempo. Além disso, os costumes próprios da língua alemã e seus dialetos interferiam. Num determinado lugar, Müller poderia ser escrito como tal, mas em outros lugares o uso do trema era pouco frequente, então se registrava Mueller.

Houve uma diferenciação especialmente elevada de acordo com as profissões nas cidades que se caracterizavam por um elevado nível de divisão de trabalho. Nas áreas rurais havia comparativamente poucas ocupações diferentes. No entanto, para uma profissão havia muitas vezes uma variedade de termos diferentes. Um Bauer (agricultor) poderia muito bem ser chamado de Neubauer, Baumann ou Ackerbauer.

Quem hoje é chamado de Hufnagel (prego de ferradura), Amboss (bigorna) ou Hammer (martelo), ainda pode descender de ferreiro. Como pode ter sido utilizado não apenas o título profissional puro, mas também derivações. Tais nomes profissionais indiretos podem ser, por exemplo, o martelo como ferramenta típica, o aço (Stahl) como material de trabalho, o prego de ferradura como produto ou mesmo o fogo (Feuer) ou faísca (Funke) como efeito colateral do processo de trabalho.

Sobrenomes originários de características físicas ou traços de caráter

Uma outra categoria surgiu de características físicas ou mentais de uma pessoa, bem como a traços de caráter, hábitos ou acontecimentos específicos da vida. Muitas vezes, típico da crueza bem-humorada germânica, bem menos lisonjeiros. Este último não era raro, como normalmente era precisamente o anormal, ou seja, tudo o que não estava dentro das normas de uma comunidade que se destacava.

O nadador alemão Michael Gross (alto, grande), carrega justamente seu sobrenome, pois tem 2,01 metros de altura. Se seu ancestral, a quem o nome remonta, fosse pequeno, provavelmente leríamos sobre Michael Klein nos livros de esportes hoje. Ou, se ele tivesse cachos, poderíamos ler sobre Michael Krause. Além disso, deficiências físicas ou doenças poderiam resultar num nome; isso explica a alcunha Krummbein (perna dobrada).

Sobrenome como Wilde (selvagem), Kess (atrevido) ou Weise (sábio) implicam traços de caráter de quem dá o nome. Nem sempre as características foram descritas diretamente; metáforas ou um sentido figurado eram possíveis. Alguém como o nome Spatz (pardal) provavelmente era delicado, uma pessoa chamada Hahn (galo) provavelmente era vaidoso ou briguento. Da mesma forma, um sobrenome pode derivar de hábitos alimentares ou de bebida (por exemplo, Fraas para alguém que é ganancioso ou Schluckebier para alguém que bebe muita cerveja).

Da mesma forma, os acontecimentos da vida podem resultar num nome de família. Quem por exemplo se chama Sonntag (Domingo), pode descender de uma pessoa que nasceu neste dia da semana.

Fonte: https://www.beyond-history.com/

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2024

A História dos Sobrenomes Alemães - Parte 01

 


Os chineses foram os primeiros, introduzindo nomes de família já por volta de 2.850 a.C. Os antigos romanos vieram em seguida na Europa; eles geralmente tinham três nomes. Para as regiões de língua alemã, a história dos nomes de família começa aproximadamente no século XII. Durante muitos séculos, um único nome próprio era suficiente para identificar uma pessoa. Isso devido ao natural isolamento entre as populações e a lenta mudança das estatísticas demográficas. No entanto, a cristianização consolidada na Europa Central provocou cada vez mais o surgimento de homônimos de inspiração religiosa. Além disso, houve o declínio de nomes arcaicos germânicos, de modo geral, já por volta do século XI.

Soma-se a isso, o fato da população ter crescido drasticamente entre os séculos XII e XIV. Em algum momento havia, por exemplo, três pessoas chamadas Johann em uma aldeia. Assim, um nome não era mais suficiente para identificar claramente uma pessoa específica.

Por este motivo, uma palavra descritiva (ocupação ou aparência física, caráter, local de nascimento ou residência) foi acrescentada ao nome próprio de cada um dos Johann. A partir de agora havia Johann ferreiro, Johann de cabelo encaracolado, Johann raivoso, Johann de Bremen, etc. Essas denominações particulares foram chamadas de sobrenomes. A partir de agora, cada pessoa tinha um nome próprio e um sobrenome. O sobrenome foi usado apenas para essa pessoa. Por isso, é importante anotar que neste período inicial (séculos XII à XIV) o sobrenome não era ainda transmitido de pai para filho, ele funcionava como um apelido diferenciador. Queremos dizer que, se o Johann ferreiro tivesse um filho Peter, e se ele não seguisse os passos do pai e fosse padeiro, ele seria o Peter padeiro.

Tornou-se problemático nos casos em que o filho do ferreiro também tivesse herdado o ofício do pai. Principalmente, se ostentassem o mesmo nome próprio. Então vamos considerar que Johann ferreiro tivesse batizado seu primogênito também como Johann. Ele também seria Johann ferreiro. Dois Johann ferreiro na mesma aldeia? Por este motivo, acréscimos de nomes como jovem, loiro, ruivo, pequeno...etc, foram desenvolvidos com o tempo. 

Havia o caso também de pessoas que trocavam de sobrenome durante a vida. Supondo um jovem soldado da Baviera no século XIII que era conhecido como Heinrich pescoçudo. Pois bem, Heinrich serviu as tropas de um nobre qualquer em campanhas na Renânia. Por serviços prestados, recebeu terras por lá. Com o tempo, os seus novos vizinhos, impressionados com seu dialeto estranho, passaram a chamá-lo de Heinrich o bávaro, Heinrich bávaro. Na Baviera, ele era o pescoçudo, na Renânia tornou-se bávaro...e morreu assim.

Em lugares pequenos onde todos os residentes se conheciam este método de denominações simples funcionou talvez por mais de dois séculos ou três. Todavia, aproximadamente a partir do século XV (certamente...ou até antes em algumas regiões), nas cidades e burgos maiores isso já não mais funcionou. As cidades cresceram rapidamente e os governos precisaram registrar cada vez mais detalhes de seus assuntos em seus arquivos. A tributação e principalmente o serviço militar tornaram necessária a identificação exata de uma pessoa. Mesmo nas áreas rurais e no seu enorme mundinho de feudos das mais diversas formas jurídicas, os governantes tinham livros sobre a propriedade e/ou o uso das terras e as famílias que ali residiam.

Por razões administrativas, foi necessário encontrar uma nova forma de nomear as pessoas que correspondesse a estes padrões: o nome tinha de ser oficialmente obrigatório, tinha de ser válido durante todo a vida da pessoa e tinha de ser transmitido a próxima geração. Como consequência, o sobrenome-apelido-mutável-particular desapareceu e o sobrenome enquanto nome de família, imutável e transmissível, foi estabelecido. Johann ferreiro e permaneceu inalterado mesmo que Johann assumisse outra ocupação ou se mudasse para outro lugar. Seus filhos recebiam o sobrenome ferreiro, que era transmitido a netos, bisnetos, trisnetos e etc.

Essa evolução do nome próprio + sobrenome-apelido-mutável-particular em direção ao nome de família fixo não ocorreu da noite para o dia. Começou no sudoeste da Europa (principalmente na Península Ibérica) e se espalhou para o nordeste nos séculos XIII e XIV. A nova forma de nomear se aplicava mais às cidades do que às pequenas aldeias. Em áreas remotas, a antiga forma de nomenclatura foi parcialmente mantida até o século XVII ou mesmo XVIII.

Geralmente existem cinco categorias principais de sobrenomes germânicos. E uma sexta categoria mais rara. São elas:

✤ Sobrenomes originários de ocupações profissionais;

✤ Sobrenomes originários de locais de residências num burgo ou aldeia;

✤ Sobrenomes originários de burgos, cidades, regiões ou países;

✤ Sobrenomes originários de características físicas ou traços de caráter;

✤ Sobrenomes originários da filiação paterna;

✤ Sobrenomes originários da filiação materna (mais raros e mais comuns na Escandinávia).

Fonte: https://www.beyond-history.com/

quinta-feira, 22 de fevereiro de 2024

Sobrenome Bötzow

 



Sobrenome toponímico relacionado à vila homônima, outrora encontrada no território da cidade de Oranienburg, no estado alemão de Brandemburgo. O nome da família é verificado desde o século XIII. Variante simples: BOETZOW.

terça-feira, 20 de fevereiro de 2024

Sobrenome Kellerstrass

 



Sobrenome alemão que significa rua da adega. Denominava o habitante de um lugar assim num burgo. Parece ter origem na região da Renânia do Norte-Vestfália.

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2024

Sobrenome Posse



 Sobrenomes com três possibilidades etimológicas:

1 - POSSE, POSSEK, POSSIEK, PIOSSEK são formas eslavas curtas para o nome Peter.

2 - POSSE, POSSECK são formas derivadas da palavra eslava poséka que significa floresta decídua.

3 - Uma derivação etimológica de posse ou bosse que significa adorno, acessório, enfeite.

domingo, 18 de fevereiro de 2024

Sobrenome Figger



FIGGER, FICKER, FICKERT, VICKER - pessoa irritante ou pessoa inquieta. Registrado desde o século XVI.

Também é possível que seja uma aliteração fonética de PIGGER que significa vendedor. Ou ainda uma variante de FIGGE (=figo).

Variantes associadas: FIGENER, FIGGE, FIGGEN.

Trata-se de um caso de variantes que tendem a gerar homônimos. 

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