quinta-feira, 16 de março de 2023

A famigerada quadrilha de Joaquim Nogueira da Silva



 QUADRILHA DE BANDIDOS - ASSALTOS E MORTES

PORTO ALEGRE, 21 (A) - Telegrammas procedentes de varios pontos do interior do Estado referem que no municipio de São Borja uma quadrilha de bandidos da peor especie tem commettido as maiores selvagerias.

Foi alli assaltada a casa de Pedro Avila, roubando os salteadores tudo quanto encontraram.

No dia seguinte, os bandoleiros degollaram os menores Amarilio Marçal e João Manuel que tinham ido caçar passarinhos no quintal da casa de seu pae Theodoro Gomes de Oliveira, em Itaquy.

Duas irmãs de Marilio e de João, extranhando a demora destes, foram procural-os, sendo em caminho presas pelos bandidos.

Mais tarde, o pae dos menores, Theodor Gomes, foi por sua vez procural-as, sendo recebido a tiros e morto instantaneamente.

Além desses factos a quadrilha tem commettido muitas outras mortes e muitos saques.

A policia, que lhes anda na pista, conseguiu averiguar que o principal autor dos crimes e talvez o chefe da quadrilha, é um tal Joaquim Nogueira da Silva, individuo de pessimos procedentes.

Como complemento de todos esses horrores: a esposa de Theodoro, que estava gravida, sabendo do exterminio de sua familia, teve um parto duplo e enlouqueceu.

Fonte: CORREIO PAULISTANO (São Paulo/SP), 22 de Agosto de 1911, pág. 02, col. 06

quarta-feira, 15 de março de 2023

A Polícia Rural Montada do Rio Grande do Sul

 



Há sete anos, a Polícia Rural Montada não existia. Os ladrões de gado e os contrabandistas reinavam livremente nas imensas pradarias do Rio Grande. Mas, o Coronel Max Hanke, da Brigada Gaúcha, teve a ideia: por que não criar uma polícia que se encarregasse de varrer dos campos os maus elementos? Seis meses depois, um batalhão de setecentos homens, vestindo uniforme semelhante ao da Real Polícia Montada do Canadá, realizava o desfile inaugural da corporação em Santa Maria, sua sede. Havia sido criado o 1o. Regimento de Polícia Rural Montada, que hoje também possui quartéis em Livramento, na fronteira com o Uruguai, e no Porto de Rio Grande.

Mas, o Coronel Max Hanke não quis que a sua Polícia Montada se limitasse apenas aos contrabandistas e ladrões de gado. Os seus homens, fortes e decididos, cursam antes da incorporação uma pequena universidade. Geralmente, apresentam-se entre 25 e 30 anos de idade e vão logo aprender Geografia, para conhecer o Rio Grande como a palma de sua mão. Um polícia montada sabe de cor todos os bons esconderijos do Estado e em suas buscas vai direto aos lugares preferidos pelos bandidos.

Sua pequena universidade inclui os aprendizados mais estranhos, como a técnica de dar mamadeira a uma criança e extrair dentes sem dor. Sim, os "abas largas" - como são chamados os policiais montados - têm a obrigação de fazer as vezes de "babá", se isso se tornar necessário. Do preparo da mamadeira ao cultivo da horta eles levam mais ou menos uma semana. Estudam os ciclos de plantação e as áreas favoráveis ou desfavoráveis ao plantio das espécies agrícolas. Aprendem a recomendar pastagens artificiais para os gados finos e são capazes de reconhecer, com facilidade, o capim que faz mal aos bois.

No capítulo dos socorros de emergência, aprende a dar injeções com perfeição, a curar uma gripe e até a ajudar no parto. É um médico de arrumação, com plena consciência dos limites de suas possibilidades.

- Um integrante da Polícia Montada - diz o sorridente Coronel Prado, atual comandante da corporação - nunca vai além do chinelo. Se for necessário, ele chamará um médico, mas não matará por irresponsabilidade.

Outro aprendizado curioso para esses policiais dos campos é o das histórias infantis. Um deles explicou-nos:

- Às vezes, acontece-nos encontrar criança sozinhas em ranchos distantes. Os pais, entregues às lides da pecuária e da agricultura, não podem levá-las consigo. Então, enquanto eles não chegam, nós temos que entreter os garotos, se possível ensinando-lhes qualquer coisa. Eis por que sabemos de cor "Joãozinho e Mariazinha", "Jeca Tatu" e até a "Branca de Neve".

Mas é, evidentemente, no terreno da repressão ao crime que os "abas largas" se revelam eficientíssimos. Ótimos ginetes, atiradores quase infalíveis, eles vivem uma constante aventura de "farwest", perseguindo bandidos e contrabandistas, prendendo criminosos e descobrindo roubos no fundo dos campos, no emaranhado das povoações e dos matagais. Aliás, há um projeto, atualmente, de prolongar-se a ação da Polícia Montada até as cidades do interior gaúcho. Pois a verdade é que os gaúchos ainda não perderam o hábito de apertar facilmente os gatilhos.

- Gaúcho quando puxa o revólver - disse-nos um deles - é fogo! Prender gaúcho armado é mais perigoso do que melar no camoatim.

Camoatim, se o leitor não sabe, é aquela casa cinzenta de marimbondo.

Fonte: MANCHETE (Rio de Janeiro/RJ), edição 537, 04 de Agosto de 1962, pág. 50.

terça-feira, 14 de março de 2023

Sobrenome Röder

 



Röder (1a. vertente): sobrenome toponímico que se refere ao rio Grande Röder na Saxônia. Também como afluentes deste rio existem os rios Pequeno Röder, Preto Röder e Branco Röder, todos na região da Saxônia e Brandemburgo. Por isso, o sobrenome se refere a um habitante das margens destes rios.

Röder (2a. vertente): sobrenome patronímico que significa filho de Roder. Roder é um primeiro nome alemão comum na Idade Média derivado da aglutinação dos termos do alto alemão medieval hrod (glória) e hari (tropa de guerra).
As duas vertentes do sobrenome, sem verificar-se sua origem específica, encontram-se em mais profusão no sul da Baixa Saxônia, na metade leste da Saxônia-Anhalt, Hesse e nordeste da Baviera.

sábado, 11 de março de 2023

Sobrenome Pries

 



PRIES - existem três acepções possíveis para este sobrenome, de acordo com o que encontrei:


1. Pode se referir a "pessoa elogiável, pessoa louvável", derivado do termo do alto alemão medieval "prisen", no alemão moderno "Preisen". Por isso, seria um sobrenome que enaltece uma qualidade moral de uma pessoa.

2. Pode se referir ao ofício de mestre-avaliador na Idade Média, relacionado ao termo francês "preisier" ou "prisier". A profissão de mestre-avaliador era muito ampla, pois literalmente pode ser entendida como "alguém que dá preço a alguma coisa". Daí, isso pode indicar desde um profissional que trabalhava com câmbio de moedas, um avaliador de terras, um comerciante, um ourives, etc.

3. De acordo com Cristoph Stöpel, que escreve sobre este sobrenome no site "Ahnesforschung Deutschland", PRIES teria origem na profissão de tecelão de ornamentos, ou mais precisamente, tecelão de linho.

Outras informações: o sobrenome PRIES se concentra no norte da Alemanha, muito fortemente no estado de Schleswig-Holstein. O mais antigo registro é do século XIII.

sexta-feira, 10 de março de 2023

Quando o francês descobriu o churrasco

 



Data: 12 de agosto de 1865. Lugar: entre Cachoeira e Caçapava, no Rio Grande do Sul. O Conde d'Eu se hospeda na estância de um major da Guarda Nacional, João Thomaz. Viúvo, quatro filhos, a mais velha tem quinze anos, vestidos limpos, não sabem ler. Mas sabem fazer alguma coisa que encanta o príncipe tanto quanto o cheiro das flores de laranjeira do pomar e o umbuzeiro, que lhe recorda castanheiras da França: o jantar foi excelente, mas... "houve sobretudo um prato de fios de ovos, que os espanhóis chamam "huevos hilados" com canela! ("una cosa riquissima", para usar outra expressão espanhola). Parece que as meninas tinham passado toda a tarde a prepará-lo!"

Dias depois, nas proximidades de Caçapava, o carro que trazia o jantar se quebra, os alimentos se espalham no charco. O Conde faz uma descoberta:

"Temos, pois, de aceitar com reconhecimento a carne de vaca meio assada que a dona da casa me traz espetada num pau (ao que parece, ela não tem pratos). O general Cabral apodera-se dele, e arvorando-se em "maître d'hotel", vai distribuindo os bocados que vai cortando com uma faca. A operação pode ser suja: mas, realmente, o sabor é excelente. Esta carne de vaca assada chama-se nesta região churrasco. É o recurso universal na província do Rio Grande do Sul".

Meu Deus! Ficou universal no Brasil...

Fonte: COSTA FILHO, Odylo. Pequena história do Brasil guloso. In: Manchete, Rio de Janeiro/RJ, edição 235, 20 de Outubro de 1956, pág. 33.

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